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Segredos Mortais – Capítulo 1

 

A captura de Heitor – Itália – Castelo Svevo

 

Ele estava sem saída. Sabia disso.

A estrada à sua frente desaparecia na escuridão da noite, o barulho de motor ecoava gradativamente e partia de algum ponto atrás dele. O caminho estava deserto, e era iluminado apenas pelo brilho das estrelas.

A dor em suas panturrilhas obrigou-o a parar de correr. Olhou para trás. O carro surgiu ao longe, os faróis iluminando grande parte da estrada.

Correra durante horas e não sabia a distância exata que percorrera. A única coisa que ele entendia agora era que não podia mais continuar. Então, decidido, puxou do cinto sua única arma: uma adaga em forma de ‘S’ cujo brilho prateado alcançou seus olhos quando ele a ergueu a sua frente.

Mas não adiantaria. O carro veloz e barulhento avançou sobre ele com ronco ameaçador que atravessava seus ouvidos. Ágil como era, jogou-se por cima do capô do carro. Suas mãos tocaram o retrovisor e, com um baque, ele parou em cima do teto do veículo. O vento agia contra ele, fazendo com que se desequilibrasse, e o carro não diminuía a velocidade. Apertou a adaga em suas mãos afundando-a no teto. O barulho de metal rasgando pôde ser ouvido por uns segundos até que desapareceu com o som do vento. Antes que ele pudesse puxar novamente sua adaga o carro parou.

Sem ter como evitar, sentiu suas pernas deixarem o teto do carro. Por alguns segundos, pareceu estar voando levemente sobre a noite fria. Quando se chocou contra o chão da estrada, metros à frente de onde fora arremessado, ele sentiu uma ardência tomar conta de seu corpo.

Olhou para a luz amarela dos faróis a alguma distância de suas costas, distância que ele não pôde calcular na hora. Tentou mexer seu corpo. Surpreso por conseguir, ele fez um esforço a mais para se levantar. Subitamente, olhou para a própria mão… vazia.

O ronco do motor explodiu novamente no ar.

Dessa vez, ele estava sem sua arma, nada para defender-se, mas de alguma forma não sentia medo. Ele sabia quem estava naquele carro, e não era a primeira vez que o enfrentaria. Preparado, ele viu novamente o veículo se lançar sobre ele.

Com um salto, repetiu o mesmo movimento de antes. Porém, não teve tanta sorte: seus pés escorregaram antes mesmo de alcançar o teto do carro. A velocidade o lançou para cima. Ele girou.

Entretanto, nada sentiu quando caiu no chão pela segunda vez, muito menos entendia o que havia acontecido. A única coisa que pôde sentir foi uma leve dormência no braço, fazendo-o, assim, perceber que estava deitado por cima dele. A luz ofuscante dos faróis estava à sua esquerda. Já não era tão intensa como antes, ao contrário, parecia diminuir aos poucos. Por um momento, ele achou que o motor do carro havia sido desligado, pois já não conseguia ouvir o ronco estrondoso.

Mas não era isso. Ele percebeu, enfim, o que estava acontecendo. Sentiu suas forças se esvaírem gradativamente, enquanto ouvia um barulho ritmado cada vez mais rápido sumindo dentro do seu peito.

Desesperado, ele finalmente, depois de tanto tempo, sentiu o medo da morte.

Caído no chão, ouviu passos vindo em sua direção. Fez um movimento para se levantar novamente, foi impedido no mesmo instante.

– Não adianta fugir. Você nos pertence. Se quisesse te matar, você já estaria morto. Não que eu não quisesse arrancar sua cabeça agora. Mas… Não faltará oportunidade. Não é mesmo Derik?

Disse uma voz familiar. Mesmo que ele quisesse reagir não tinha forças. A voz então prosseguiu.

– Agora você faz parte da nossa família. – O homem apoiou o pé sobre suas costas e friamente pronunciou: – Você tem duas escolhas, se unir a nós ou ser morto. A escolha é sua.

Ele já se sentia morto, mas ainda havia uma razão para lutar. Vingança. Enquanto a voz voltava para o carro ele sussurrou entredentes.

– Nenhuma das duas. Eu vou matar você. – Mas a resposta que teve foi apenas uma gargalhada fria e impetuosa.

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