VOCÊ ESTÁ LENDO:

Segredos Mortais – Capítulo 20

Capítulo 20

     – Nem pense nisso, você não irá enfrentá-lo sozinho. Agora é pessoal, eu quero matar esse monstro. – Percebendo que eu não iria desistir ele olha para Leiael fazendo um gesto indicando que siga com os outros.

     – Não! Se Lara vai ficar eu ficarei também. Din e Adar levarão os outros de volta. Os carros estão próximos.

     – Não! – Falou Daniel impaciente. Você seguirá com eles. Cuidarei de Lara, não se preocupe. Você precisa estar junto com Din e Adar caso aja um ataque surpresa. Sei que Lara feriu Zoraky, ele deve estar se regenerando para atacar novamente.  Já imagino onde ele possa estar. Vá! – Ordenou Daniel colocando a mão sobre o ombro nu de Leiael que se esquivou vindo em minha direção.

     – Tome cuidado. Se algo acontecer com você eu… – Disse ele encostando a testa na minha. Senti meu corpo colar ao seu em um abraço apertado. Olhando por cima de seu ombro vi Din e Adar levar Kitara e os outros feridos. Gabriele acompanhava Din que carregava em seus braços o corpo de Isabele. Um peso, de certa forma, saiu de meu peito ao ver que Gabriele havia encontrado a irmã dada como morta por anos. Mas agora teríamos que conhecer quem realmente Isabele era. Sua inocência havia se perdido em meio às trevas e escuridão. Voltando meu olhar para Leiael me aproximei em silêncio dando-lhe um beijo.

     – Precisamos ir. – Disse Daniel andando em direção ao castelo. Me afastei de Leiael sentindo ele segurar firme meu braço. 

     – Logo nos veremos de novo. Vá com eles. – Seus olhos azuis pareciam se esconder atrás do sangue que escorria em seu rosto. Ele foi me soltando devagar, me olhando apreensivo.

Seguimos em frente entrando no castelo, ao olhar para trás, meus olhos encontram os dele que parecia caminhar contra a sua vontade. 

Após entrar e ter que lutar no interior do castelo com os vampiros que haviam se escondido do sol, chegamos na cripta esculpida por ossos humanos e de animais. Seguimos por um corredor escuro até chegar em frente a uma parede onde havia vários nomes. Daniel passou a mão sobre um em especial. Eleine Sams.

     – Não tem saída! Por que você nos trouxe aqui? – Perguntei na defensiva olhando para o corredor. 

     – Sei o que estou fazendo, Lara, e se você conseguir lembrar irá entender.

     – Lembrar do que? – Pergunto ouvindo um barulho ecoar da parede enquanto a observo sumir diante da escuridão. Uma passagem se abre diante de nós, nos conduzindo para um quarto pouco iluminado por algumas velas vermelhas espalhadas pelo chão. Na parede, sangue a decorava de forma gótica e sombria. Uma cama redonda estava no centro do quarto e sobre ela um corpo decomposto de uma mulher com cabelos negros, ainda vestida com um manto branco revestido com flores vermelhas. Observei Daniel se ajoelhar diante dela.

     – Quem era ela? – Pergunto parando ao seu lado, receosa da resposta. Após um curto silêncio ele responde.

      – Sua mãe e minha única paixão. – Antes que pudesse falar qualquer coisa, somos interrompidos por palmas que surgiram atrás de nós. Daniel se levanta completamente transformado. Seus caninos pareciam reluzir diante da pouca luz das velas.

     – Encantador! Enfim conseguimos ter uma reunião familiar. Pena que Eleine não possa nos agraciar com sua sabedoria. – Daniel rugiu diante de Zoraky que pareceu estar totalmente recomposto. Observando-o diante de nós parecia um mero humano. Fraco e desprezível. Mas seus olhos revelavam uma escuridão tão sombria como a morte.

      – Esperei muitos anos para te encontrar e poder sentir seu coração em minhas mãos. – Disse Daniel sem conter sua fúria. 

Mesmo com meus pensamentos desordenados e cheia de dúvidas e perguntas, interferi me lançando na frente de Daniel, tentando segurá-lo. 

     – Não chamo isso de reunião familiar… mas de certa forma é muito bom revê-lo. Seu coração parece estar em leilão, quem terá a honra de arrancá-lo de seu peito? – Perguntei sentindo meus ossos se quebrarem em mil pedaços enquanto um calor dominava meu corpo. Já não sinto mais dor ao expor meus caninos afiados e cheios de vontade de arrancar suas artérias do pescoço. 

      – Ha, ha, ha. – Gargalhou Zoraky – Minha cara Lara. Você teve a oportunidade de arrancar meu coração, mas em vez disso preferiu salvar esses demônios que você insiste em repudiar. – Disse Zoraky acendendo um cigarro enquanto cruzava as pernas sentando-se no sofá ao lado da porta.

     – O único demônio aqui é você e as criaturas que você cria. – Falei parando em sua frente. Daniel parou ao meu lado encurralando-o.  Zoraky destemido lançou a fumaça sobre nós de forma tranquila, como se nós não fôssemos nenhuma ameaça. Com uma das mãos ele passa a mão sobre sua barba branca sem tirar seus olhos de nós. Sinto Daniel tocar meu braço, e ao olhar em sua mão percebo o mesmo colar que ele havia me dado e que eu havia entregado a Gabriele, para que entregasse ao seu pai em troca de sua ajuda. – Mas… 

     – Lara, pegue agora. – Disse ele em meu pensamento. Peguei e o coloquei em meu pescoço sem ter tempo de discutir. Percebo o olhar irônico de Zoraky sobre nós. Queria saber como ele o conseguiu de volta, mas não tínhamos tempo para discutir isso no momento.

     – Então… quem será o primeiro a querer arrancar meu coração? – Pergunta ele apagando o cigarro em suas mãos de forma irônica. Daniel avança sobre ele sem me dar tempo de interferir. Observo a luta dos dois por algum momento, imóvel. Quando Zoraky lança Daniel contra a parede do quarto eu me lanço sobre ele sendo surpreendida por uma adaga em meu peito. Respiro profundamente, buscando encher meus pulmões de ar. Mas… Sinto minha visão turva, e voltando os olhos para Zoraky vejo dois na minha frente. Instintivamente puxo uma das adagas presas na minha cintura, movimentando-a no vazio, tento golpear a imagem a minha frente, mas ao longe escuto uma gargalhada frenética. 

     – Precisa treinar mais sua mira, Lara. – Diz Zoraky me lançando sobre a cama. Ao cair no chão sinto os ossos da mulher que estava sobre ela cair sobre mim. Seguro o crânio em minhas mãos e uma voz surge em minha mente. “Siga seu coração”. Joguei o crânio para o lado me colocando de pé. Ao observar Daniel e Zoraky lutando percebi que Daniel o tinha encurralado contra a parede, sem perder tempo, me lancei em sua frente cravando minha mão em seu peito, e observando sua expressão torci meu punho trazendo para fora o seu coração. Enquanto olhava em seus olhos deleitava-me com seu sangue, enquanto ele caía diante de nossos pés. Daniel estava de joelhos no chão dando apoio a sua cabeça. Lembrando-se das palavras de Din, respirei fundo tentando colocar em ordem meus sentimentos. Senti minhas presas desaparecendo e eu enfim me tornando uma pessoa aparentemente normal.Sem olhar para trás saímos em direção aos carros que nos esperavam para rumar para a aldeia. Daniel permanecia em silêncio segurando um pedaço do véu que vestia o corpo em decomposição, o corpo da minha mãe. Eu sabia que essa guerra não havia terminado, mas por hoje já tinha sido o bastante. 

Após todo o caos que havia ocorrido, restava ainda uma coisa que eu queria muito saber, o que aconteceu entre Daniel e minha Mãe? Qual a história verdadeira? Por que ele nunca comentou sobre o romance que eles tiveram?

Mesmo tendo certo medo de ouvir a verdade, ela será a única coisa capaz de me trazer paz. A verdade fortalece o lado fraco existente em nós. Olhei para Daniel, e ao sentar ao seu lado no carro tentei invadir seus pensamentos. Ele me encarou indiferente e notando a invasão ele bloqueou qualquer resposta. Suspirei apreensiva olhando para as árvores aparentemente sem vida que havia na beira da estrada, enquanto sentia o carro atingir cada vez mais velocidade. Estava ansiosa para ver Adele e os outros. Mas o que eu mais queria mesmo era poder passar horas nos braços do meu anjo, Leiael. Seu carinho, sua boca é tudo que preciso depois desse dia que jamais esquecerei. 

Cheguei à conclusão, que não importa o que aconteça, não importa o que façamos, sempre seremos surpreendidos por obstáculos que tanto a vida como o destino empunhará a nós. E nem mesmo a criatura mais forte ou mais sábia será capaz de encontrar as respostas. Então, para que perder tempo tentando achar respostas que talvez nunca apareçam? A vida é a coisa mais preciosa do mundo, e ela precisa ser vivida ao máximo, antes que desapareça entre os dedos como pó. 

A Widcyber está devidamente autorizada pelo autor(a) para publicar este conteúdo. Não copie ou distribua conteúdos originais sem obter os direitos, plágio é crime.

LEIA MAIS DESTE CONTEÚDO:

Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

>
Rolar para o topo