Olá! Como vai seu domingo? Tomara que fique ainda melhor com o Cyber Backstage no ar.

Hoje tem um convidado muito especial em uma entrevista lotada de glamour chalametiano. Sim, Thimotée Chalamet é o nome do ator no qual Francisco Siqueira mais tem se inspirado para criar suas obras aqui na Widcyber, como o clássico Eu, Kadu.

Mas vamos primeiro às fofocas da semana.

 


 

BASTIDORES

 

  • E Vamos À Luta! e Estaca Zero continuam na liderança de audiência lá na Webtvplay. É sucesso que fala? Adoro!

  • Falando nisso, a nova temporada de A Candidata teve excelentes índices na semana de inauguração da medição nova. Passou dos 24 pontos, bem acima da meta, que era 7. Corações Partidos e Se Não For Você, Não Será Mais Ninguém foram outros destaques.

  • Adivinha quem voltou! Sim, o grande lançamento de 2021 até agora do Megapro: a novela Incondicional. A trama de João Carvalho Neto havia entrado em hiatus por motivos pessoais e profissionais.

  • Um spoiler dos próximos capítulos: a jovem Clarissa, filha dos protagonistas Ana e Fernando, vai enfrentar um drama comum a muitas pessoas — bulimia e anorexia.

  • A plataforma de Lucas Luciano ainda divulgou outra novidade: a segunda Oficina de Roteiro. Para saber mais, entre neste link.

  • A novela Quebra-Cabeça, deste que vos fala, voltou à produção e deve estrear no segundo semestre, aqui na Widcyber. Mais novidades em breve.

  • Outro retorno é o da novela Garota de Ipanema, de Eduardo Moretti, com previsão para junho.

  • Anderson Silva foi o primeiro convidado do novo programa de Marcos Vinicius, Bate-Papo com o Autor e Análises. O autor respondeu sobre sua nova série, Rótulos, o lançamento de amanhã, 17 de maio. Confira um pouco sobre a trama:

 

 Sinopse:

Estamos sozinhos no universo? Este questionamento perturbou o pensamento humano durante séculos. Hoje, sabe-se que na imensidão do universo, apenas dois planetas foram capazes de abrigar vida: Terra e Aquares-B.

O invejável planeta azul, orbitando uma estrela que mal saiu das fraudas, se tornou o berçário da vida. Para a ciência, a Terra é “sortuda” por estar localizado exatamente em uma região perfeita a sua estrela, além de apresentar características únicas para que a vida prosperasse.

Até então, nenhum outro planeta dos milhões que já foram encontrados no universo, apresentou condições tão semelhantes a Terra. Os cientistas começaram a acreditar que a vida era praticamente impossível fora do planeta. Até encontrarem um possível segundo lar. Aquares-B está localizado na sua zona habitável de suas estrelas, Libirus-A e Libirus-B. Esse sistema binário tem em sua órbita 06 planetas rochosos e assim como a Terra, ele também é considerado “sortudo” por ter um clima semelhante a Terra.

A humanidade migrou para o novo planeta e evoluiu. A nova civilização foi segregada em treze famílias, cada uma com características específicas. Com o avanço da biotecnologia, cada indivíduo já nasce com um rótulo na pele especificado a sua família, suas habilidades, seu nome e outras características. Apesar de tanto avanço tecnológico, a nova raça não é tão diferente que nem os humanos da Terra. Para chegar aonde estão, o parasitismo humano falará mais alto, para garantir a sobrevivência dos mais fortes. É a lei natural. Esquece-se apenas, que na imensidão do universo, a humanidade não está sozinha. Uma raça superior cedo ou tarde, poderá dar um sinal de existência.

Postagens às segundas e quintas, às 19h, em dez episódios.

 


 

ENTREVISTA

 

Hoje trago um dos maiores veteranos da história da Widcyber. Presente na plataforma desde 2017, ele se destaca com estórias de homens em meio a situações drásticas em suas vidas, seja pela aceitação e pela vivência de seus desejos sexuais, pela difícil luta contra a AIDS, pela mudança de cidade em plena adolescência, quando tudo é mais intenso, ou pelos conflitos com os próprios “pecados”. Tudo isso com a empatia, a sensibilidade e a naturalidade que são características do estilo dele: Francisco Siqueira. Troquei umas palavrinhas com ele. Vamos ver o que respondeu?

 

FRANCISCO SIQUEIRA:

Boa noite, leitores e leitoras do Backstage. Boa noite, Marcelo, e obrigado pelo convite. Vamos lá.

 

1) Como você se apaixonou por literatura? Quais livros marcaram mais sua vida de leitor?
Desde a adolescência, sempre busquei ler. Muito.
“E o vento levou”, de Margareth Mitchell; toda a obra do meu ídolo Gabriel García Márquez, em especial “Cem anos de solidão”, “Crônica de uma morte anunciada” e “Notícia de um Sequestro”; Ronaldo Arenas e os trabalhos “A velha rosa” e “O porteiro”, assim como sua autobiografia, “Antes que anoiteça”; o maravilhoso “O retrato de Dorian Gray” e “De profundis”, de Oscar Wilde; Jorge Amado e sua estupenda e audaciosa “Tieta do Agreste – pastora de cabras ou a volta da filha pródiga”; “Fora de mim”, “Comigo no cinema” e “Feliz por nada”, de Martha Medeiros; e por fim, “As fúrias invisíveis do coração”, “O pacifista”, “O palácio de inverno” e “O ladrão do tempo” de John Boyne.

2) O que despertou sua vontade de contar histórias? Como foi a primeira experiência?
Sempre quis contar histórias. Sou do tempo em que existiam as brincadeiras de rua e eu dava um jeito de incluir no “roteiro” dessas brincadeiras uma espécie de “passe o anel”, só que com cada colega na ciranda tendo que completar a historinha iniciada por um deles. Em paralelo, escrevia textos avulsos, bem, bem ingênuos e infantis, mas que serviram como um laboratório mais que necessário. E depois, mais à frente, nos meus 18, 19 anos, escrevi “novelas” em cadernos, que minha irmã levava para a escola e lá, segundo ela, tinha um grupo, pequeno, que as acompanhavam. A de maior “sucesso” foi “Pobre na chuva”. Gosto sempre de registrar esse marco… rsrsrs

3) Conte um pouco da sua trajetória como escritor antes da Widcyber.
Escrevi algumas “outras novelas” em caderno, enquanto cursava a faculdade, lá, nos idos anos 90. A propósito, a gênese de “Inimigos” nasceu nesse período. E depois segui criando tramas para alguns amigos, que nem sempre estavam dispostos ou disponíveis a ler.

4) Como foi sua vinda à Widcyber — na época, Cyber Séries — e o que pensa sobre a administração do Well Vianna da fundação até hoje? Que missão você acredita ter junto à plataforma na conquista e na fidelização dos leitores?
Conheci a Cyber Séries enquanto buscava um sítio para poder divulgar minhas histórias. Identifiquei-me logo de início e cá estamos nós. A respeito do Well, um grande exemplo a ser seguido. Um ser humano sempre disponível, antenado, ponderado e de uma sensibilidade única. E eu acredito que faço parte de um grande e muito bem administrado time, que se tornou referência dentro do MV, onde todos os autores contribuem com o seu melhor. E espero poder seguir ao lado dessa equipe por um longo tempo.

5) Conte alguns bastidores da escrita das séries Inimigos e Um Homem Singular, dois grandes sucessos da plataforma em 2017.
“Inimigos” foi gerada durante a novela “Renascer”. Fiquei embevecido com aquele universo de Benedito Ruy Barbosa, e precisava urgentemente (ousar) criar um mundo similar para chamar de meu. Óbvio que a trama que escrevi nessa época foi bem, bem tacanha. Mas depois de assistir a “Cordel Encantado”, anos mais tarde, e “Velho Chico”, também de Benedito, me veio a vontade de redefinir o drama de Josué Ferreira e Miguel. E daí, em 2017, tomei coragem e coloquei a cara a tapa ao disponibilizá-la na então Cyber Séries. Aliás, de todos os trabalhos artísticos do Well para as minhas tramas, a abertura de “Inimigos” guardo num lugar especialíssimo.
Sobre “Um homem singular”: uma catarse e, ao mesmo tempo, uma projeção arrogante de uma pseudoautobriografia.

6) Eu, Kadu é o maior sucesso de sua autoria, pelo menos em repercussão, na Widcyber. Como surgiu a ideia? Quais foram as alegrias e os desafios que você destaca desse trabalho?
Só pra constar: no dia 20 de maio Kaduzinho completará 3 anos de sua estreia aqui, na Widcyber.
“Atualmente está em voga ser gay”. Esse foi o ponto de partida para “Eu, Kadu”. Contudo, o caminho a ser percorrido a partir daí — de forma proposital — foi o de mostrar o outro lado da moeda. Revelar que nem todos os adolescentes se sentem à vontade em expor sua (homo) sexualidade, muitas das vezes de maneira exacerbada e sem saber ao certo o que quer provar, como vem acontecendo já há muito tempo. Para isso, comecei a pesquisar sobre o que teria acontecido nos últimos 15, 20 anos, e que, por alguma razão, acabei deixando passar. Busquei avidamente descobrir quando e onde foi inaugurado o Paraíso da Tolerância em relação aos gays, e em que local se encontrava, já que não havia participado de tal solenidade.
Por incrível que pareça, fiquei surpreso com a quantidade de jovens que ainda temiam pela exposição e as consequências de tentar viver conforme determinado por sua própria natureza, sua essência. Fosse por pressão dentro de seus lares, ou por receio de ser estigmatizado e desprezado na sociedade, ou por falta de dependência financeira ou por todos esses fatores ou qualquer outro. Constatei, ufa! que eu, de fato, não havia perdido o “trem do progresso” e então pude abraçar a ideia de dar vida a um personagem crível, um adolescente que em pleno século XXI teme em expor e impor sua sexualidade, se propondo a viver clandestinamente, sem que eu parecesse estar viajando na maionese e coisa e tal.
A propósito, acredito que seja muito bom e saudável poder ser quem somos, coloridos ou não, sem medo, sem passos em falso. Mas até onde essa liberdade de expressão, do ponto de vista fashionista, consegue manter sua solidez? Devemos definir limites; respeitar para sermos respeitados. Ponto. Ainda mais se tratando do universo heteronormativo que vivemos e convivemos, onde eventualmente-quasesempre, esbarramos com alguns espécimes dignos da saudosa série “O elo perdido”.
E para não dizer que não falei das flores, não custa lembrar que aqui no Brasil estamos dando alguns passinhos para trás desde 2019, não é mesmo?

7) Algumas de suas séries e minisséries têm em comum a presença de jovens e/ou adultos que enfrentam questões internas, entre elas a sexualidade, sempre de forma humana e sensível. Como você vê a maneira com que escritores e roteiristas têm tratado o tema nas obras em geral, seja na literatura virtual, seja nas grandes mídias?
Em relação à homossexualidade, gostaria de citar o documentário “O outro lado de Hollywood – the celluloid closet”, lançado em 1995. Ele mostra como a homossexualidade era tratada na Meca do cinema: de maneira preconceituosa, caricata e desrespeitosa. E, claro, na mídia, em geral, não acontecia diferente. Essa castração, esses prejulgamentos, aleluia!, não encontraram ecos na literatura. Refiro-me, evidente, à literatura com L maiúsculo, como o já citado “Antes do anoitecer”, de Reinaldo Arenas; “Maurice”, de James Yvore; a peça “Bent”, de Martin Sherman; “Me chame pelo seu nome”, de Andre Aciman e “Morte em Veneza”, de Thomas Mann, alguns dos títulos que buscam retratar a homossexualidade da forma mais natural possível. Todos adaptados para o cinema, aliás.
A respeito da sexualidade, de uma forma abrangente — e faço questão de frisar, antes de ir para a fogueira, que a última coisa que sou na face desta Terra, é puritano —, nos últimos tempos tenho esbarrado com uma enxurrada de tramas que se alicerçam única e exclusivamente na apelação. Na necessidade de “causar”, chocar por chocar. E muita das vezes, ou sempre, sem uma história fundamentando o oba-oba das narrativas com homens e mulheres objetificados sexualmente, devidamente etiquetados conforme os padrões de qualidade da heteronormatividade. E incluo neste balaio de gato até mesmo algumas tramas com temáticas gays, em que seus protagonistas são polarizados. Todas essas histórias são vendidas como tramas eróticas. Então tá. A definição de erotismo foi atualizada com sucesso, e Anais Nan e Henry Miller devem estar dando piruetas à la Cirque du Soleil dentro de seus túmulos.
Mas, no frigir dos ovos, não é “culpa” dos autores e/ou roteiristas e/ou produtores que isso esteja acontecendo. Eles apenas e tão somente atendem, ou será “se rendem” (?) ao velho mecanismo da oferta e demanda. Já dizia vovó: “cada um oferece o que tem e cada qual recebe o que lhe apetece”.

8) Lucas foi o protagonista de um conto e depois de uma minissérie. Como foi criar a história do jovem que desejava tudo menos se mudar para “Nárnia”? Você se inspirou em alguém ou em algo para criar esse famoso personagem? Se sim, em qual?
Lucas foi inspirado em um amigo. E algo parecido aconteceu com ele, sim: da noite para o dia seus pais se divorciaram e sua mãe resolveu arrastá-lo para o interior de Minas, para uma cidade que de fato existe no mapa. E isso aconteceu no final dos anos 80 —, aliás, uma época que esse amigo amou de todas as formas possíveis e imagináveis. “A difícil arte de ser eu, Lucas” se passa na atualidade, com o propósito de tornar mais palatável a contextualização da sexualidade do protagonista. Como uma forma de agradecimento à inspiração, decidi que Lucas seria um fã de quase tudo que remetesse à “década das ombreiras”, desde músicas, programas a filmes. O estilo extravagante de se vestir e os famosos mullets ficaram de fora da homenagem por motivos óbvios.
A questão da homossexualidade, o encontro de Lucas com o noivo de Bia — a prima que mora em Nárnia/Laranjeira —, e alguns personagens e otras cositas más foram frutos da imaginação, pura e simplesmente.
Mas também o que me motivou em grande parte a contar esta história, foi o fato de ter visto em algumas plataformas virtuais a quantidade de narrativas protagonizadas por adolescentes entrando em depressão e ficando à beira de um ataque de nervos porque iriam ter de se mudar compulsoriamente para fora do Brasil. E sempre para um país de primeiro mundo. Não é complexo de vira-lata, porém, cá entre nós, quem não iria querer ter uma chance dessas? Ainda mais sendo um adolescente que não precisaria se preocupar com nada, além de estudar e obviamente bater perna por lugares que a maioria teria oportunidade de conhecer apenas através de cartões postais? Enfim, aproveitei essa deixa e quis mostrar o outro lado da moeda, usando como mantra a famosa ameaça materna: quer chorar, não é? Peraí que vou te dar razão pra abrir o berreiro.
Estudar em Laranjeiras ou Oxford? Ó dúvida cruel!

9) Os Pecados de Cada Um também rendeu muitos elogios dos leitores e até artes inspiradas de Cristina Ravela. Conte alguns bastidores desse trabalho.
Antes de se dizer qualquer coisa a respeito desse trabalho, eu sempre faço questão de frisar que “Os pecados de cada um” ganhou vida pulsante através das artes mediúnicas de Cristina Ravela. Mediúnica, sim, pois ela foi capaz, com o pouquíssimo material que lhe disponibilizei, de captar a alma da série e migrá-la para imagens da forma como eu pretendia que fosse. Em alguns dos banners, literalmente, ela se agarrou na intuição e foi… Todas as artes, sem exceção, superaram expectativas. E essa opinião, com certeza, não é só minha.
A propósito, não posso deixar de mencionar que um desses icônicos banners foi denunciado por alguma alma cansada, e justamente onde? No Blog da Zih. Claro que a arte seguiu linda e maravilhosa à luz do dia. Até hoje estou tentando entender o motivo da indignação do ser humano que se deu a esse trabalho sem sequer ter tido acesso à série, que ainda não havia estreado. E nesse mesmo bonde, “sigo julgando pelas aparências”, algumas chamadas, disponibilizadas no Facebook da Widcyber, receberam comentários beirando o fanatismo religioso, pura e simplesmente pelo fato da série carregar em seu título o substantivo masculino “pecados”. Citando um trecho da canção “Jardim de Allah”, da fantástica Rita Lee: “serpente ou não serpente / eis a tentação / compre coração de Eva / por costela de Adão“.
Mas voltando à estrada… “Os pecados de cada um” surgiu basicamente da necessidade de narrar uma história que envolvesse violência sexual/física/psicológica sem romantizar essa situação. Vejo muitos exemplos que surgem a 3×4 na literatura, nas plataformas digitais e mídias audiovisuais, transformando experiências traumáticas em um conto de fadas. Além da urgência de “desmistificar” a ideia da romantização de um evento emocionalmente perturbador, também quis mostrar possíveis sequelas que um trauma, um choque pode causar. No caso, optei pelo transtorno dissociativo de identidade. Pesquisando, constatei que geralmente os pacientes acometidos pelo TDI sofreram algum tipo de abuso em sua infância. E nessa sequência “de laboratório”, acabei assistindo ao documentário “Diga quem sou”, na Netflix. Algo que mexe com nossos brios. Claro que em “Pecados” usei certa pitada de dramatização, mas o mote principal, o x da questão, o que a maldade humana, o que a maldade daqueles que deveriam proteger pode causar num indivíduo, está ali. E se arrasta como correntes pesadas por toda uma vida.
A questão do jogo temporal, evidente, bebi direto da fonte “Dark”. Mas foi uma ferramenta necessária e que casou perfeitamente com a proposta da trama.

10) Você tem alguma rotina, algum ritual na hora de planejar ou escrever os episódios? Como você atua no processo de criação das histórias?
Busco escrever pela manhã. É quando a Musa costuma me visitar. Truman Capote só escrevia à tarde. Entenda… Enfim, tirando essa “preferência”, acredito que não possua uma rotina específica. Quanto ao processo de criação, 80% dele surge em minha mente e sigo batendo altos papos comigo mesmo, questionando-me, criticando-me — quase um Ronaldo/Lucas —, até decidir colocar a história no papel. E depois disso, mais uma temporada de conversas mil entre “mim e eu” enquanto as palavras vão ocupando a tela do notebook. Faço poucas anotações. Praticamente são apenas notas que servem de referência. Frases soltas. Até porque muita coisa acaba mudando no decorrer da trama. “Pecados”, por exemplo, adquiriu várias almas até o desfecho dos 6 episódios.

11) Que temas você gostaria de abordar num próximo trabalho e por quê? Tem algum que não gostaria de utilizar de forma alguma por considerar inadequado ou porque não se identifica? Se sim, qual?
Não tenho, por agora, algo específico em mente. Mas, com certeza, o próximo trabalho, depois da temporada 2 de “Pecados”, seguirá na mesma linha de reflexão e questionamentos. Decerto não será tão denso quando à trama de Ronaldo, Gabriela e Márcio Antônio… eu acho. Fazer o quê? Gosto desse mote, a pretensão de desbravar a natureza humana.
Não creio que algum dia venha a utilizar em minhas histórias personagens unidimensionais, rasos, que existem tão somente para justificar um sem fim de plot twist. E também não espero ter que apelar para a “modinha da vez”. E caso o faça, modestamente pretendo oferecer algum diferencial E por fim, claro, e posso afirmar veemente, que sempre buscarei evitar a falta de senso de humanidade, empatia e responsabilidade.

12) Há algum personagem ou alguma obra que tenha gostado mais de escrever, ou você é do tipo de autor que trata todos os “filhos” igualmente?
Desde Kadu até Josué Ferreira, passando pela prepotente Marcela Albuquerque de Araújo Saldanha e pelo amargurado Nicolas Coutinho, todos, sem exceção, são filhinhos do papai. Mas confesso que escrever “Os pecados de cada um” fez e está me fazendo, com a 2ª temporada, enfrentar um grande desafio.

13) Como você lida com os comentários do público e de outros escritores, tanto os elogiosos quanto os mais críticos?
Toda crítica é uma confissão! E as recebo com resiliência. Contudo, nunca me esqueço de que o crítico mais severo está dentro da minha cabeça.

14) Cite três a cinco histórias da literatura virtual que tenham marcado você como leitor e justifique brevemente as escolhas.
Não me puxe a orelha, mas vou citar três autores e uma epígrafe para cada um deles — apesar de muitos no MV merecer, sempre, tantos destaques quanto possível:

Débora Costa: incontestavelmente a Maga da dramaturgia do MV;
Melqui Rodrigues: um autor visceral e corajoso;
Isa Miranda: dinâmica e extraordinariamente multifacetada.

15) Deixe algumas dicas para quem deseja se tornar escritor ou escritora e também um recado para os leitores do Cyber Backstage.
Uma dica da incontestavelmente talentosa J. K. Rowling: “você não consegue ser um bom escritor sem ser um leitor ávido. Ler é a melhor forma de analisar o que faz um bom livro. Preste atenção ao que funciona nos livros que lê, do que você gosta e do que não gosta (e por que). No início, você provavelmente imitará seus escritores favoritos, mas é uma boa maneira de aprender. Depois de um tempo, você encontrará sua própria voz.”
E aos leitores do Cyber Backstage: sigam, sem pestanejar, este que é um dos programas no MV que sabe oferecer, como poucos, entretenimento e conteúdo de qualidade.

Muito obrigado, Marcelo, pela oportunidade de participar deste programa conduzido admiravelmente sob sua batuta.

 

E eu agradeço ao carinho de sempre, Francisco! Adorei suas respostas: ponderadas, eficientes e precisas. Espero você mais vezes aqui no Backstage e nas outras atrações das quais participo. Saúde, felicidade e sucesso sempre!

 


O Cyber Backstage fica por aqui. No próximo programa, tem a volta do ClassifiCyber em clima de nostalgia. Tenha uma ótima semana. Um abraço!

A Widcyber está devidamente autorizada pelo autor(a) para publicar este conteúdo. Não copie ou distribua conteúdos originais sem obter os direitos, plágio é crime.

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  • Francisco é um talentoso autor e sua gentileza com a minha pessoa só me ajudou a retribuir de alguma maneira, criar as artes para suas histórias lançadas aqui na Widcyber, plataforma que ele gentilmente sempre priorizou me deixava muito feliz e criar as artes para elas não eram tarefa difícil pois as obras dele são muito expressivas e inspiradoras pra mim, algumas que mais gostei de criar foram Os pecados de cada um e Eu Kadu, obras que fizeram um estrondoso sucesso e faz parte da pequena, porém inesquecível história da Widcyber. Parabéns pelo programa Marcelo.

    • Tem como não amar as histórias do Francisco e também as artes que você faz? Sem vocês dois, a Widcyber não seria o que é hoje. Obrigado pelo comentário, Well.

  • Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

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