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Olá, querido leitor! Olá, querida leitora! Peço desculpas pelo atraso do Observatório, mas aqui está ele pra animar sua noite de domingo, antes de você curtir o Cyber Show junto comigo. Hoje tem muita coisa boa: resenha de um conto, dica de leitura de um dos escritores da CyberTV, a grafia dos porquês e um quadro novinho em folha.


Na madrugada da última terça (13), exatamente à meia-noite, estreou a primeira série antológica da CyberTV. Idealizada por Isa Miranda, 00:00 tem atiçado a curiosidade de leitores e escritores não só do Brasil, mas também da América Latina. Até uma escritora romena chamada Joana Sabbagh se mostrou muito empolgada com a novidade.

A primeira história de 00:00 se chama Encontro Às Escuras, de autoria da própria Isa. A sinopse: um casal se corresponde através de chat e deseja se conhecer pessoalmente. Enquanto isso, ocorrem crimes misteriosos em motéis. Vamos à análise:

Todas as histórias da série se passarão aqui mesmo no Brasil. Rio de Janeiro é a cidade escolhida. Aliás, é interessante a maneira com que a autora caracteriza a sensação de calor intenso na cidade. Como se pode ler no excerto acima, tudo começa com uma moça carente em busca do novo amor, através do computador. Um clima bem romântico que está prestes a mudar nos próximos parágrafos.

Aqui são retomadas as qualidades viris de Carlos, o pretendente de Ana Júlia. O que para uns seria uma repetição do que já havia sido dito nos primeiros parágrafos, para outros pode ser visto como uma intensificação dos desejos interiores da protagonista – algo de certa forma importante para o desfecho.

Eis a primeira citação à “hora escura”! Este trecho leva os leitores a crerem que Carlos deseja alguma coisa relacionada à meia-noite com a interlocutora. É o suspense batendo à porta de maneira muito sutil. Aliás, eles sempre conversam nesse horário. Estranho, não?

Após uma cena de amor entre um casal não identificado – tudo leva a crer que Carlos e Ana Júlia se encontraram pessoalmente àquela hora da noite, após ele enfim conquistá-la. A tensão é a grande vedete na sequência em que a camareira nota algo estranho no motel. Até que esta encontra um cadáver na cama.

Uma mulher sido assassinada por seu conquistador. Será? A imprensa e as amigas de Ana Júlia acabaram por espalhar a existência de um serial killer que atacava em motéis em plena madrugada.

E finalmente descobrimos que Ana Júlia continuava firme e forte. E pronta para um encontro romântico com seu pretendente… à meia-noite. Será que ele está a fim de matá-la no hotel?

Momentos de tensão e luxúria no clímax do conto! O que será que vai acontecer? Dá medo, só de imaginar.

E o inevitável aconteceu. Mais uma vítima morta no motel.

O trecho que deixou todo mundo de queixo caído! Ninguém esperava por este final! Aquela jovem aparentemente romântica e carente era na verdade uma vampira. E assim, de forma chocante (no bom sentido), terminou o primeiro conto da série 00:00.

Esta flor é a marca registrada da autora e já esteve presente nos episódios de obras como A Dama Negra.

A maneira fluida e instigante com que Isa Miranda conduziu o enredo de Encontro Às Escuras faz com que os leitores fiquem “presos” do início romântico até o final imprevisível. Uma bela aula de escrita literária. Quanto aos aspectos linguísticos (ortografia, gramática e pontuação), também está tudo perfeito. O suspense, as emoções, o sangue, tudo foi inserido na medida certa. O trecho da letra de Olhos Vermelhos, cantada por Capital Inicial, adicionado no início do conto é um charme à parte.

Parabéns pelo conto, Isa! Excelente do começo ao fim. E que 00:00 siga com muito sucesso!


O convidado de hoje é o escritor Francisco Siqueira, conhecido aqui na casa como o autor dos sucessos Inimigos, Um Homem Singular e Eu, Kadu. E hoje ele trouxe sua sugestão de leitura.

“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aurélio Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou para conhecer o gelo”.

Cem Anos de Solidão, considerada um marco da literatura latino-americana, é a obra mais famosa do colombiano Gabriel Garcia Marquez, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1982. A narrativa, que inaugurou o estilo realismo fantástico, é um pesado volume com mais de 350 páginas que cativou milhões de leitores e ainda atrai milhares de fãs à literatura constante do autor.

“A trama de Cem Anos de Solidão se passa na fictícia cidade colombiana de Macondo, que se parece muito com Aracataca, cidade onde Garcia nasceu, e narra a ascensão e queda de seus fundadores, a família Buendía. Os seis personagens centrais, que dão início ao romance e dominam a primeira parte, são: José Arcádio Buendía, o entusiasmado fundador da vila de Macondo; a esposa dele, Úrsula Iguarán, espinha dorsal não só da família, mas também do romance inteiro; os filhos, José Arcádio e Aureliano – o último, coronel Aureliano Buendía, considerado em geral o principal personagem do livro; a filha, Amaranta, atormentada quando criança e amargurada como mulher; e o cigano Melquíades, que traz as notícias do mundo exterior e, por fim, estabelece-se em Macondo.

Além de a obra ser uma metáfora do isolamento e da esperança da América Latina, também mescla revoluções, fantasmas, incesto, corrupção, loucura e inúmeros elementos maravilhosos com uma naturalidade que a torna quase verossímil, brindando o leitor com uma musicalidade extraordinária, coisa de embalar o espírito, uma sinfonia majestosa feita de frases literárias. Aliás, a musicalidade é tão saborosa que se o texto fosse escrito na língua estranha dos possuídos febris, de forma que o leitor não conseguisse entender uma única palavra, ainda assim valeria à pena ler.

Ao final da leitura de Cem Anos de Solidão é impossível não remeter a obra ao labirinto do Minotauro, pois é como se a família Buendía estivesse todo o tempo da narrativa presa a uma fortaleza arquitetada pelo cigano Melquíades, um labirinto de espelhos impossível de se escapar, onde todos os caminhos levam ao centro. Cada membro da família tem traçado seu destino por um caminho, saindo de um mesmo principio e chegando a um mesmo fim, que é o quarto de Melquíades, onde se encontram os pergaminhos que contêm encerrados em si o início e o fim de tudo.

Cem Anos de Solidão, não à toa, se consolidou, ao longo dos anos, como o romance “latino-americano” por excelência.”

Muito obrigado pela participação, Francisco. Desejo sucesso nas suas próximas realizações!


A língua portuguesa, em sua norma culta, possui muitas particularidades. Uma das que causam mais dúvidas nos escritores é a grafia dos porquês. Afinal, em que casos usamos cada uma de suas quatro formas?

POR QUE (separado e sem acento)

Esta primeira forma é utilizada em três casos:

1) no início das perguntas diretas: Por que Matheus rompeu o namoro com Brenda?

2) nas perguntas indiretas: Gostaríamos de saber por que Ariana foi enviada ao orfanato.

3) para substituir a expressão pelo qual e suas flexões: A cidade por que Rayssa e Danilo passaram chama-se Sertão de Maria. (= pela qual)

POR QUÊ (separado e com acento)

Esta é utilizada no fim das frases, sempre com o intenção de saber-se o motivo de algo.

Heloísa e Exdras* não vieram à festa por quê?

Helena passou mal sem saber por quê.

PORQUE (junto e sem acento)

Pode expressar duas situações:

1) causa ou motivo: Carlos morreu porque Ana Júlia chupou seu sangue no motel.

2) explicação: Não vá àquela mansão, porque existem espíritos sombrios lá dentro.

PORQUÊ (junto e com acento)

É um substantivo e significa causa, motivo. É a única forma que permite artigo, pronome ou outro determinante, e pode ser flexionada para o plural.

Este é o porquê da vingança de Ivan.

Licurgo tem seus porquês para agir daquela maneira.

*O nome do personagem da novela Falsas Juras é escrito assim mesmo, com X.


Neste novo quadro, darei dicas de escrita para textos em roteiro e em literário. Por vezes, convidados especiais também o farão. Como em todo bom começo, o truque de hoje está em como fazer um cabeçalho eficiente de uma cena para o formato “roteiro puro” (roteiro sem ou com poucos elementos literários).

O cabeçalho precisa conter as principais informações da cena, para organizar a vida não só de quem escreve, mas também do diretor, dos atores e de toda a equipe envolvida nas gravações. Tudo bem, é uma obra virtual, mas vai que um dia dá sorte de se tornar um trabalho para TV, cinema ou teatro? Nunca se sabe.

Observe o exemplo a seguir, coletado de um episódio da série Gato Preto.

A autora descreve o número da cena naquele episódio, se a cena é uma interna ou externa, o cenário e o período. Estes quatro elementos são muito importantes, quando se trata de uma série, novela ou filme em roteiro.

Número da cena: ajuda o autor a se organizar entre as várias cenas do capítulo. Com isso, ele pode ordenar, contar e desenvolver as histórias de forma mais rápida.

Interna/externa: informação essencial, pois indica se a cena se passa entre quatro paredes (podendo ser gravada em estúdio) ou não.

Cenário/Local: é o lugar onde se passa a cena. Quanto mais específico e detalhado, melhor. Se a cena se passar num imóvel (casa, fazenda, etc.), pode-se indicar em que ponto desse imóvel estão os acontecimentos. Na cena de Gato Preto, a autora situou a cena na parte externa da fazenda, mais especificamente nos fundos.

Período: mostra se a cena se passa de dia ou de noite. Imagina uma cena de uma mulher indo à praia para tomar seu banho de lua; e que o cabeçalho não indica se a cena ocorre de de dia ou de noite. O autor pode ter a cena noturna bem clara na cabeça; mas o leitor, sem a informação, pensará que a moça quis tomar sol. Percebeu? Tempos exatos também são permitidos, embora não muito frequentes: meia-noite, 2018, anoitecer, etc.

Geralmente, o número da cena vem primeiro. O restante varia de ordem, dependendo de quem escreve. Veja este outro exemplo, retirado de Jardim do Éden:

Neste caso, a informação de interna foi colocada após o local (sala da casa de Daniel).

Vou passar um pequeno dever de casa. Invente uma cena na sua cabeça; dela, desenvolva um cabeçalho de roteiro e poste aqui nos comentários.


O Observatório de hoje terminou, mas não sai daí.
O Cyber Show vem daqui a pouco com mais atrações de tirar o fôlego. Até já!
E
não perca as atrações da semana.


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  • Maravilhoso super mil essa resenha do conto encontro as escuras.

    Marcelo vamos arrasar com 00h.
    Eu li os outros e posso dizer que o publico terá terror da maior qualidade .

    Terror nacional bombando o/

    • Que bom que gostou, Isa! Fico feliz.

      É assim que se fala! 00:00 veio para marcar território no terror brasileiro. E que venham os próximos 13 contos da temporada.

  • Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

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