Olá, leitor(a)! Como está o domingo? Espero que esteja muito bom. O Observatório está no ar, e hoje vou apresentar a segunda parte do manual do roteiro. Preparado(a)? Vamos lá!

 


Na semana passada, foi dada uma introdução sobre a arte do roteiro (leia aqui). Hoje é dia de aprofundar um pouco mais alguns dos elementos integrantes de um texto do gênero.

 

1 – CABEÇALHO:

Não há novidade aqui, mas vale a pena reforçar a maneira de construir o cabeçalho de uma cena. Os itens que devem aparecer são:

  • Locação: o lugar em que ocorre a cena. Quanto mais especificado, melhor: seções, cômodos e afins ajudam o leitor, o diretor, o ator e afins a interpretar com mais exatidão. Exemplos:

    • CASA DE GLÓRIA. QUARTO DE GLÓRIA: o cômodo ajuda a definir o cenário exato;

    • CASA DE ALICE. QUINTAL: o mesmo vale para seções externas;

    • HOSPITAL. MATERNIDADE. CENTRO CIRÚRGICO: sugestão para uma cena de parto;

    • PRAÇA: para uma externa numa praça qualquer, está ok;

    • RIO DE JANEIRO. FAVELA. CATIVEIRO DE FLÁVIO. SALA: a cidade é indicada no cabeçalho porque a ação principal não se passa aí, mas em São Paulo (novela Falso Amor);

    • PESCOÇO DO LEON. ENTRE OS PELOS: se for o caso de um diálogo protagonizado por duas pulgas que tentam “morar” no cãozinho.

 

  • Cenário: indica se a gravação será feita em área externa ou interna e deve ser colocado junto à locação (tanto faz se for antes ou depois). Pode-se escrever por extenso ou abreviadamente.:

    • EXTERNA, EXTERIOR ou EXT.: para áreas abertas;

    • INTERNA, INTERIOR ou INT.: para locações fechadas, sendo cenários em estúdio ou em imóveis reais.

 

  • Tempo: indica a parte do dia em que se passa a ação. Os mais usados são DIA e NOITE, mas também podem ser usados, embora sem exagero, as denominações AMANHECER, MANHÃ, TARDE, ANOITECER, MEIO-DIA, MEIA-NOITE e outras notações específicas de tempo, inclusive marcações exatas. Exemplos:

    • INT. ILHA DE APOLLO. CATIVEIRO DE CARMEN. MANHÃ: e se a Carmen Sanchez de En Las Cercanías de Alcatraz fosse sequestrada pelo Apollo Souza e estivesse em cativeiro numa ilha dele?

    • RUA DESERTA. EXT. MEIA-NOITE: poderia abrir uma cena de um episódio de 00:00 escrito em roteiro, não?

    • MANSÃO DE FIONNA. QUARTO DE AVELINO. INT. 11:25 DA NOITE: um exemplo com hora exata num possível crossover de Vale Dicere com Gato Preto.

    • BRASÍLIA. PALÁCIO DO PLANALTO. FRENTE. EXT. 21 DE ABRIL DE 1960: talvez algum personagem tivesse viajado para assistir à inauguração de Brasília (lembre-se: se a cidade foi citada, é porque a ação principal não se passa lá).

 

  • Número da cena: alguns roteiristas numeram as cenas para fins de maior organização. É recomendado utilizá-lo, mas não obrigatório. Pode-se colocá-lo à frente do cabeçalho; há quem o repita também no final. Todas as formas abaixo são válidas, assim como outras semelhantes:

    • CENA 1. RUA. EXT. DIA.

    • CENA 01. RUA. EXT. DIA.

    • 1. RUA. EXT. DIA.

    • 01. RUA. EXT. DIA.

    • 1 – RUA. EXT. DIA. – 1

    • 1 – EXT. RUA. DIA.

    • EXT. RUA. – DIA.

 

Em que casos separam-se os elementos do cabeçalho com pontos, com traços ou com tabulações? A resposta é: como preferir; é uma questão de estilo e de estética pessoal. O importante é o cabeçalho ficar bem detalhado e formatado no papel.

 

2 – DIÁLOGOS:

Um assunto polêmico quando o assunto é roteiro. Qual é a maneira “certa” de organizar as falas? Na verdade, existem algumas formas bem indentadas de formatá-las. A estrutura básica é formada pela tríade personagem, rubrica e fala. A rubrica é a emoção ou a ação rápida que o personagem tem durante a fala e vem entre parênteses. Observe algumas possibilidades:

ISOLDA
É verdade que a Cristina Werneck teve gêmeos?

ou

SILVIA
(raiva)
A maldita da Isolda descobriu que matei meu marido por causa do testamento!

 

A formatação dos diálogos em roteiros de cinema lembra o segundo exemplo, embora com posições mais específicas.

Atenção: o formato literário não deve ser usado em hipótese alguma para iniciar uma fala em roteiro. Roteiro e narrativa são gêneros distintos.

— Se a Betina e a Marilu pensam que vão pegar o dinheiro do Ivan, estão muito enganadas — disse Solange, com sangue nos olhos. (ótimo para literário, mas péssimo para roteiro)

Existem rubricas interessantes que podem ser utilizadas para um toque “profissional” a mais no seu trabalho:

  • V.O. = VOICE OFF/OVER = inicializa a fala de um narrador. Muito bom para expor pensamentos dos personagens, como é bastante recorrente em novelas mexicanas;

  • off = o mesmo que V.O.;

  • O.S. = OUT OF SCREEN = introduz a fala de um personagem que não está enquadrado na tela. Por exemplo: alguém vai pro corredor e fala de lá, sem aparecer na imagem, para quem está na sala;

  • pausa ou P = tempo ou T = interrupção momentânea da fala;

  • cont = um personagem continua uma fala anterior que tenha sido “interrompida” por um conjunto de ações escrito no meio.

 

A rubrica deve ser utilizada com moderação: para indicar pausas e continuações; usos de voz (V.O. ou O.S.); emoções e reações indispensáveis; ações tão curtas que ficaria mais custoso cortar falas no meio apenas para abrir linhas apenas para descrevê-las. Lembrando que elas são, para o ator, mais uma sugestão do que uma imposição. Ele deve ter liberdade para interpretar como bem pede seu estilo. Nada de “castigá-lo” porque ele saiu um pouquinho do texto que você escreveu, tá?

 

No próximo programa, vamos abordar um pouco mais sobre as descrições e as transições.

 


O Observatório fica por aqui, mas daqui a pouco tem o Cyber Backstage. Não perca! Até já!

Atenção: por motivos pessoais da apresentadora, o programa Nostalgia não vai ao ar hoje.

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