Olá, leitor(a)! Como está seu domingo? Espero que muito bom.
Hoje contamos com a resenha de uma novela que entrou no ar há pouco tempo e que foi a mais votada da semana passada.

Travessia tem dado o que falar nos bastidores do Mundo Virtual. A novela que Leo Cardz escreve para o Megapro com supervisão de Weslley Vitoritti conta a história de Regina, uma mulher que arrisca a vida e a liberdade dela e da família por amor ao marido traficante e ex-presidiário. A ação se passa no Morro da Penha, na capital fluminense. Vamos às primeiras impressões sobre a história?

A exemplo de Segura a Onda, série retratada no programa passado, a novela também começa com um flash-forward. Desta vez, Regina e Picolé estão no carro prontos para sumir do mapa e da polícia. Só não esperavam cair numa blitz onde está justamente a antagonista, a policial durona Mércia. Com a ajuda de um cachorro da corporação, ela descobre algo bem estranho no carro da protagonista. Tensão. Assim termina a antecipação.
Três meses antes. Regina está à espera da volta do marido, Waldo, chefe do tráfico do morro que estava preso até então. Iludida, acredita que ele mudou e se tornou um homem melhor. Edna, mãe da moça, não gosta nada da situação e tenta abrir os olhos dela. Enquanto isso, a heroína se prepara para o primeiro dia de trabalho como faxineira num escritório de moda. Lá, é bem recebida pela secretária Cleyde, mas não causa o mesmo efeito na chefona, a arrogante e preconceituosa Sophia. Já na primeira cena, a megera já olhou Regina de cima a baixo. Peguei ranço de cara. Tão pedante e workaholic que se esqueceu do aniversário do próprio filho.
Na trama paralela, a dupla Ágatha e Duque preparam mais uma ação do contrabando internacional. Entre um telefonema e outro, Cardz inseriu comandos de alternar o foco entre um e outro na cena. Recurso bem intencionado, mas que acabou um pouco confuso na forma em que foi feita no roteiro. Não ficava tão óbvio saber quem aparecia na tela de cada vez, exigindo do(a) leitor(a) muita atenção ao texto.
Em seguida, Mércia volta ao vídeo, desta vez acompanhada do colega Breno. Ele está à beira da separação da mulher Amanda, cujo amor não é mais correspondido; por isso resiste a assumir o romance com Mércia. Enquanto isso, Waldo chega de surpresa e se encontra com Regina, para desespero de Edna. Só que intuição de mãe não falha, e Waldo acaba levando Regina para uma festa muito “esquisita”: a volta dele como o líder do Morro da Penha, com direito a muito funk e tiros de fuzil. Revoltada, a moça deixa o marido comemorando sozinho.
Sabendo da novidade, Diogo prepara a invasão do morro com o caveirão (carro grande, escuro e blindado da polícia). A partir daí, correria, adrenalina, expectativa e chuva de tiros. Policiais e bandidos pulam de laje em laje. Moradores assustados dentro de casa; alunos e professores na escola. Diogo leva um tiro na perna, mas não desiste da ação. Achando que os policiais cederam, Waldo comemora. Na casa de Regina, um estrondo põe parte da laje abaixo — essa laje era feita de quê, pra não resistir ao peso de um único homem? Ainda assim, ela decide ver o que aconteceu e encontra Diogo caído. Eles se entreolham. O herói pede ajuda, mas acaba desmaiando. Regina se desespera. Fim do capítulo.
Ao analisar o elenco divulgado pelo autor na primeira página e pelas cenas em si, vê-se inspiração no mundo de Glória Perez e, em especial, nas histórias de Bibi e Jeiza da novela A Força do Querer com toques de Morena e Téo de Salve Jorge. Aliás, o ator que “interpreta” Diogo é o mesmo: Rodrigo Lombardi. Regina (Roberta Rodrigues), o grande destaque de Travessia no capítulo inicial, mescla a forte e decidida Morena e a iludida Bibi. Mércia (Cris Vianna) lembra Jeiza, assim como Waldo (Jonathan Haagensen) e Edna (Ana Carbatti) remetem a Rubinho e Aurora. Uma leitura bem feita por Leo Cardz.
O autor usou várias montagens de cenas, provavelmente para agilitar a narrativa — o capítulo 1 tem nada menos que 43 páginas (contando a capa) e mais de 70 cenas. Uau! Também se destaca a sequência cronológica e lógica das situações, assim como a construção de alguns personagens, como a já citada Regina, Waldo, Sophia, Cleyde, Amanda e a vibrante Zulu. Descrições dos personagens e das ações bem completas, e sem excessos; as dos ambientes não foram tão desenvolvidas, mas nada que deixasse o roteiro incompleto e ilegível. As emoções foram trabalhadas na medida certa, o que dá camadas a mais à trama como um todo. Faltou apenas um pouquinho de naturalidade e de sutileza em alguns diálogos. Teve personagem morador da favela usando advérbios em “mente” sem necessidade, fugindo do padrão coloquial. Fica estranho.
Por outro lado, presença de inadequações ortográficas, de digitação e de concordância. Houve até um “Luccas Luciano” na última página, já nos créditos finais. Roberto Justus já demitiu um candidato quase finalista de O Aprendiz porque escreveu o sobrenome com O, ou seja, “Justos” (risos). Outro problema, pelo menos a meu ver, está no uso da câmera lenta em algumas cenas. Cuidado com esse efeito: pode dar uma emoção a mais na cena, mas também cansar e deixar um ar de lerdeza e de chatice se aparece em excesso. Erros de contagem têm sido comuns no MV, e o autor cometeu esse pecado três vezes no episódio: colocou duas cenas de número 14 (a segunda delas entre a 18 e a 19), duas 34 (seguidas) e pulou da 47 direto pra 49. Waldo matou a 48 com tiro de fuzil? (risos)

As descrições em maiúsculas também pode incomodar alguns leitores, mas achei que não afetou demais a formatação. Está ok. Questão de preferência. Agora, teve uma coisa que me deixou de cabelos em pé. A cena 08 tem cabeçalho. Só isso. Veja com seus olhos:

Tudo bem que era um stocking shot, uma panorâmica, mas furou uma regra básica. Se abrir cena, ponha pelo menos uma descrição por mínima que seja ou terá o risco de ter a sequência simplesmente ignorada e excluída pelo diretor e pela equipe técnica.
Enfim, Travessia tem uma história muito bem elaborada por Leo Cardz. Ele dá o toque pessoal. A novela empolga, emociona, dá vontade de continuar lendo e de saber o que acontece com Regina e sua turma dali pra frente. Ajustando certos pontos no roteiro, ela se torna irresistível e promete ser uma das mais comentadas e até premiadas de 2021. Parabéns, Leo!
A novela é postada no Megapro às quartas e sextas, sempre às 21h. Não perca!
A história a ganhar resenha no próximo programa é Anjo Noturno.

Que tal escolher a obra do dia 21? Votações encerradas!

O Observatório fica por aqui. Espero você às 19h no Cyber Backstage. Hoje sai a lista dos indicados ao Destaques Backstage 2021. Até já!





