Olá, leitor! Olá, leitora! O Observatório da Escrita está no ar e traz uma nova resenha. O que você faria se fosse sequestrado(a) e tivesse que dividir o cativeiro com a pessoa que mais odeia?

 


 

 

Na votação da semana passada, a minissérie escolhida foi Nove Horas (OnTV), de Glaydson Silva. Conta-se a história do sequestro de dois jovens rivais, Yago e Yuri — parece nome de dupla sertaneja dos anos 80 e 90, não acha? (risos). Eles precisam resolver suas diferenças e escaparem o quanto antes do cárcere. As nove horas de conflito se dividem em cada um dos episódios, no estilo do seriado 24 Horas. A ação se passa numa ilha controlada por facções criminosas no Rio de Janeiro. Vamos dar uma espiada nas duas primeiras partes:

Ao contrário das três últimas obras presentes aqui no Observatório, Nove Horas não começa com um flash-forward. Prefere uma boa panorâmica pela ilha de São João dos Sorrisos — é até uma ironia para um lugar pra lá de perigoso, não? Continuando. As duas cenas seguintes mostram os protagonistas na mesma situação: dormindo com pouca ou nenhuma roupa até serem acordados pelo despertador ou por alguém metendo uma porrada no portão de ferro (sério!), seguido de um palavrão pra cada jovem. Achou isso eroticamente apelativo? Essa foi a intenção do autor ao seguir com Yago para a cena do chuveiro.

 

Em seguida, Rosa pede para Yago comprar pães e tomar cuidado no caminho. Enquanto isso, Yuri em sua reação curiosa ao abrir uma encomenda que acabara de receber, sem mostrar ao leitor o conteúdo. O que havia na caixa? Pelo menos nos capítulos analisados aqui, não ficou claro. Talvez seja explicado no decorrer da trama.

Mais tarde, enquanto Yago segue para a padaria, vê que está sendo seguido pelo inimigo e tenta fugir. Ao ver-se livre, entra no estabelecimento, mas é encurralado por Yuri. Este quer acertar as contas com o primeiro, mas algo sai do planejado: uma gangue sai de um carro, arma um tiroteio cuja vítima mais grave é o atendente da padaria e sequestra os dois protagonistas. Esse é o gancho para a “segunda hora”.

Rosa faz uma oração pela proteção do filho, sem saber do que acaba de ocorrer. No cativeiro, Yago vê que está com Yuri e tenta escapar aos berros, sem sucesso. Entra em pânico e é ajudado pelo outro rapaz. Ainda assim, acredita ter sido raptado por Yuri por motivo de vingança. Discutem, e Yago fica em pânico de novo. Lembra-se de quando foi caçado e torturado por Mariano, supostamente a mando de Yuri. O episódio termina bem no meio da sequência em flashback.

Nove Horas foi produzida em roteiro, provavelmente no Celtx ou em software semelhante. Assim como em A Invasão e Segunda Família, ambas de 2020, Glaydson apresenta uma escrita sintética e eficiente em relação aos aspectos técnicos de roteiro — estrutura, descrições, diálogos e gramática. Poucas inadequações ortográficas. A única coisa que me incomodou um pouco foi o excesso de “tá certo” entre Rosa e Yago. No dia a dia, mãe e filho não costumam repetir essa frase o tempo todo numa conversa. Ficou pouco natural esse trecho.

No primeiro episódio, também senti um pouco de frieza, de falta de emoção em algumas sequências, algo que melhorou bastante no segundo. Destaque para a perseguição de Yago nas cenas 3 a 5.

A cena do banho de Yago também pareceu meio solta, já que parece não ajudar muito na composição do personagem e mesmo no desenrolar da trama, que conta com apenas 11 e 12 páginas, respectivamente, nos trechos tragos para a resenha. Com exceção desses aspectos, Glaydson faz boa articulação das sequências sem deixar pontas soltas — a não ser o estranho embrulho da cena 07 — e diálogos chamativos.

O que será que acontece nas outras sete horas? A dupla Y consegue se livrar dos bandidos e fazer as pazes? Aí, só lendo a obra completa no site da OnTV, pois todos os capítulos já estão disponíveis.

 


 

A votação da próxima resenha está encerrada. A escolhida é O Que Ninguém Vê.

No dia 04/04, não terá resenha, e o quadro Escrevendo está de volta com uma minientrevista com alguns escritores do Mundo Virtual. Está imperdível!

 


 

 

Hoje o Cyber Backstage não irá ao ar, então aproveite para continuar votando nos destaques de 2020.

 


O Observatório fica por aqui. Tenha uma ótima semana de leituras. Um abraço!

 

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