Olá, leitor! Olá, leitora! O Observatório da Escrita de número 83 entra no ar com a seguinte questão: o Brasil tem jeito? É sobre isso a resenha da vez.

 


 

RESENHA

 

Na última votação, o conto Atos Subversivos, de Cristina Ravela, empatou na quantidade de votos com a série Nós & Ela, de Wagner Jales, do qual comentei na semana passada. Foi o episódio final da antologia Contos Contemporâneos da Violência Urbana, 1ª temporada, lançada pela WebTV e disponível também pela WebTVPlay.

Vamos aos principais eventos da obra da autora do blog mais amado — e clássico — do Mundo Virtual:

Ao som de um homem bêbado que desafinava no karaokê no boteco próximo, o policial Peixotão transava com Alícia Santa Cruz, aproveitando a viagem do marido caminhoneiro da moça. Em pleno orgasmo… bam! Morta com uma bala na cabeça. Ao mesmo tempo, no bar, outro homem aparecia morto com quatro tiros. Era Ataulfo, jornalista conhecido por falar mal de políticos. Peixotão lembra-se de um caso de 2003 envolvendo um tal de Melqui Martins. Sim, o nome do autor de Vale Dicere (Melqui Rodrigues) foi usado aqui, e é só a primeira dose nesse conto cheio de referências. O ex-presidente Lula foi homenageado com o personagem de nome Luiz Eustáquio da Silva. Aliás, até o nome da defunta do início remeteria à sapeca vilã de Excelsior, novela aqui da Widcyber.

Prosseguindo: Ataulfo tinha uma foto de Alícia, o que coloca uma possível relação entre eles. Isso faz com que Peixotão e seu colega Bola iniciem uma investigação no jornal Língua Ferina, do qual o morto fazia parte. Descobrem que este tinha uma conta ativa no Twitter, onde problematizada tudo que era assunto, até mesmo filmes campeões de bilheteria. O que você acha? Eles passam mensagens subliminares ou isso é só mais uma teoria da conspitação? Tire suas conclusões. Um seguidor teve sua opinião e aproveitou para ameaçar Ataulfo e sua irmã, ou seja, Alícia.

Mais tarde, de volta ao bar de Olavinho, um sujeito estranho com um revólver calibre 38 na cintura decidiu apostar a favor da inocência de Carlinhos “Abençoado”, um político influente na capital carioca, onde se passa a ação. Olavinho se pôs do lado contrário e também apostou. Depois, Peixotão decidiu visitar o apartamento do marido de Alícia e descobriu que ele era o tal homem da arma da cena anterior, apresentado com o codinome de Chuck Norris. Este confessou ter matado a esposa e deixado o policial vivo para não torná-lo um herói, um mártir, sob comando de Carlinhos. Peixotão só não contava com que o vilão gravasse a conversa e enviasse de alguma forma ao delegado: nela, dizia-se que o protagonista mandou matar Melqui. Sim, uma reviravolta escabrosa começa aqui. Sem poder continuar liderando as investigações, resta a Peixotão lançar-se como deputado federal sob as asas de Carlinhos. Fim.

 

Embora seja um conto relativamente curto, traz muitas informações e elementos a cada cena. Além das referências já citadas, Ravela insere detalhes preciosos a cada cena. Se perder a atenção em qualquer parte, a compreensão se torna incompleta. Por isso, leitor(a), absorva cada beat, cada fala, tudo. A discussão dos problemas brasileiros ligados especialmente à violência e ao tráfico de influência também se fortifica na história e faz a gente pensar em como afeta na falta de esperança num futuro melhor e na política em nosso país, sentimento que faz parte de muitos. Outro ponto interessante é que o politicamente correto não é abordado, a não ser como característica de dois personagens, Melqui e Ataulfo. A autora não usa o texto para “lacrar”. Pelo contrário, alguns leitores até poderiam sinalizar demonstrações de machismo ou de abordagem antiquada em algumas cenas, mas nada disso me incomoda; pelo contrário, incrementam a intenção de Ravela com a trama. Dá até um certo tom saudosista de filmes e contos policiais dos anos 1970.

Escrita fluida, sem floreios desnecessários, bem dosada, com raríssimas inadequações gramaticais, como numa pontuação aqui e um tempo verbal ali. Um dos melhores trabalhos da autora até hoje e com a pegada cheia de ação e de testosterona que só ela sabe dar. Não costumo dar notas aqui no Observatório, mas hoje vou deixar um 9,5 com louvor. Meus parabéns, Cristina Ravela!

 


 

A próxima resenha foi escolhida durante a semana e vai ser A Candidata. Ela vem no próximo programa.

Aproveite para escolher o título do dia 2 de maio. Vote quantas vezes quiser.

 

VOTAÇÕES ENCERRADAS
 


 

CLASSIFICYBER

 

A querida escritora e narratóloga Mag Brusarosco está com um canal no Youtube, onde dá muitas dicas a quem quer se aprimorar na arte da escrita. Como planejar uma boa história, desenvolver personagens, diferenciar narrativa de literatura e de audiovisual, tudo que você possa imaginar. Aproveite para se inscrever e ativar as notificações.

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Mag é conhecida aqui na Widcyber pelo conto Vou Balançar ao Ritmo do Lustre, da antologia Saber Amar. Para lê-lo, clique aqui.

 


O Observatório da Escrita fica por aqui. Às 19h, não perca o Cyber Backstage. Hoje tem dois convidados muito especiais: Débora Costa e Melqui Rodrigues. Não perca!

 

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