Olá, leitor! Olá, leitora! O Observatório de hoje está em clima de apocalipse em pleno Dia das Mães. Aliás, parabéns a todas as mamães do Brasil!

 


 

 

Empatada na última enquete com a série No Te Pido Flores, a obra de Fernando Gibeli Ricoboni para o Megapro é a atração deste programa. Com duas temporadas no ar, é a vez de dar uma espiada em Pandorum. Analiso o episódio de estreia de cada season. Vamos aos acontecimentos:

Primeira fase. O mundo passa por diversos desastres ambientais, assim como por guerras, fome e outras desgraças, como narra a protagonista Lyka na primeira cena, em meio às cenas fortes. Mortos espalhados pelo chão e muito, muito sangue. Junte o livro do Apocalipse com qualquer estória de Melqui Rodrigues e já terá uma noção do que conto.

No meio de uma floresta, o comandante Holler lidera um dos exércitos assassinos de Satir, uma espécie de anticristo que, por trás da máscara de salvador, causa o caos em toda a humanidade a fim de “limpar” o mundo. Frio, cruel e ávido por poder. Enquanto isso, o herói Peter, infiltrado no palácio como subordinado do vilão, ajuda o povo a se proteger dos atentados. Conta com o apoio de Matias e Galena na ação. Estes organizam uma revolta do povo contra o ditador e tomar o poder em Pandorum. No fim do episódio, Satir e Holler descobrem a traição de Peter e querem matá-lo a todo custo. Após um atentado a granada na casa de Dank, o exército metralha a de Matias — gancho para o próximo capítulo. Será que Matias e sua família escaparam? Só acompanhando a série.

Segunda fase. O grupo de Peter e Lyka invadiu o setor central do país, mas acabou rendido por Satir. A moça narra os acontecimentos que marcam a nova temporada. Mas o vilão não está lá muito contente, e o motivo é a traição de Holler, a quem manda prender. Na floresta, andam Fany, Alura e Zatura… até que são capturadas pelo exército maligno sob tiros e coronhadas. Já na Vila Odin, Peter e seus aliados percorrem os destroços em meio à ossada da população que ficou jogada por ali. Uma cena, em flashback, mostra como a tragédia aconteceu. Voltando à sequência principal, os personagens precisam se esconder quando avistam um tanque que se aproxima. Enquanto isso, Fany é colocada junto de seu pai, Holler, no porão da sede do governo. Satir faz tortura psicológica e física contra ambos, até que Holler o enfrenta e tem, aparentemente, um fim nada agradável. O episódio termina com um tiro. Mais um gancho eficiente, cheio de expectativa.

 

Pandorum é escrita em formato roteiro e apresenta capítulos relativamente curtos — cerca de quinze nos que foram analisados. Além disso, conta com cenas ágeis e fluidez textual na maioria das sequências. Descrições claras e sem enrolações e diálogos precisos também são pontos positivos na série. Os heróis, Peter e Matias, possuem carisma e tendem agradar e cativar os leitores nas sequências em que aparecem. O vilão Holler é outro personagem que se destaca. Por outro lado, nota-se certo exagero na construção do Satir, o ditador excessivamente mau e sem qualquer traço humano — e não é só pela frieza e pela ambição —, comum a vilões de seriados antigos ou da trilogia da novela Os Mutantes (Rede Record, 2007-09). Aliás, a própria Pandorum tem essa pegada de luta do bem contra o mal, mas o que se mostra caricato e fora do tom é somente o ditador.

O nome do personagem Matias é grafado também como Matia. Uma ou duas vezes, até se releva, pois pode ser um problema na hora da digitação e que passou batida na hora da revisão; mas no primeiro capítulo foram várias ocorrências da forma modificada. Comentei sobre isso no programa passado ao me referir a um personagem da série de Everton Brito — Hernando ou Hernande?

Achei muito bonita a preocupação do autor, Fernando Gibeli Ricoboni, com o uso da colocação pronominal e priorizando o uso das ênclises (vê-se, ouve-se, vira-se etc.), mas deixou escapar uma frase que exigia a próclise, ou seja, o pronome antes do verbo e não depois:

“NÃO VÊ-SE LUZ NATURAL IRRADIANDO NO LOCAL.” (cena 08)

 

Na sentença, antes do verbo, há uma palavra de negação (não, nunca, ninguém etc.), e esta atrai o pronome pra próximo de si.

“NÃO SE VÊ LUZ NATURAL IRRADIANDO NO LOCAL.”

 

Observe outro exemplo:

Nunca disseram-me que ela cultivava plantas proibidas em casa.
Nunca me disseram que ela cultivava plantas proibidas em casa.

 

Outras inadequações gramaticais, a maioria por causas de digitação, também estão presentes, mas não afetam a legibilidade e a apreciação da obra. Aliás, para quem gosta de aventuras apocalípticas, Pandorum é um prato cheio. Corra lá e leia a estória no Megapro.

 


 

Ficou curioso(a) para saber qual vai ser a próxima obra do quadro Resenha? Aí vai.

 

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O Observatório da Escrita termina por aqui. Às 19h, tem o Cyber Backstage, hoje com uma convidada muito especial. Até já!

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