— Milla…, o que houve com você? Acorde! — Aredhel havia colocado ela em seu colo enquanto dava leves tapas em suas bochechas para acorda-la. — O que você tem…

— Eu… Eu me sinto fraca. — Respondeu a menina quase sem voz.

— Você está começando a suar e está queimando em febre. — Disse Aredhel pondo a mão em sua testa.

— O veneno começa já está começando a fazer efeito. — Disse Aracne rindo.

— Veneno…?

— Isso mesmo, veneno. O mestre tem espalhado um veneno mortal por toda Ézius desde que chegou aqui.

— Do que você está falando? — Perguntou a princesa ainda em choque. — Que mestre? Que veneno é esse?

— Se vê que vocês da realeza não sabem de nada mesmo não é.

A mulher aranha parecia estar gostando daquele jogo, pois havia um brilho diferente em seus olhos. Um brilho de contentamento.

— Fala logo… O que está acontecendo aqui. Seu monstro asqueroso.

— Nossa! A garotinha chorona tem coragem. — Disse Aracne mudando o tom de voz. — Informações tem um preço, sabia?

— Nós já fizemos um acordo. — Disse Aredhel com a voz triste.

— Aquele acordo não me vale mais de nada, não diante do que está para acontecer.

— O que vai acontecer? — A garota gritou desesperada.

— Nós temos um acordo?

— O que você quer?

— Quero que você me tire daqui, e me deixe ir embora.

— O que?

— Seu tempo é curto, logo, logo essa menina ai vai morrer. Se bem que toda a Ézius vai morrer.

— Fala logo, se não…

— Se não o que… queridinha. Você não está em condições de barganhar aqui, eu estou. E então, temos um trato?

Vendo Milla definhar diante de seus olhos, incapaz de fazer nada para ajudá-la Aredhel se viu presa a mais uma promessa injusta.

— Sim Aracne, nós temos um acordo.

***

 

— Cara… a gente não tem sossego. — Drew reclamou para si mesmo.

Uma rajada de fogo acabara de passar por eles fazendo-os perder terreno para as duas salamandras que agora os rodeavam. As duas criaturas faziam uma espécie de dança da morte, encarando usas presas com imensos olhos amarelos apenas esperando a hora certa para dar o bote.

— Lucca… faz alguma coisa, por favor, ou a gente vai morrer aqui. — Jimmy implorou por ajuda com uma salamandra passava a poucos metros de seu pé.

— Eu não posso fazer nada para ajudar. — Ele respondeu. — Nossa única opção é destruir a fonte de onde as salamandras saíram.

— Como a gente faz isso.

Arthur se pôs entre Jimmy e a salamandra, dando uma machadada no meio da cabeça do monstro para que ele pudesse escapar. Infelizmente o mago não era capaz de ajudar. Desde que ele havia entrado naquela caverna seus poderes haviam desaparecido e nenhuma das suas ideias funcionava.

— Nada que a gente faz surte efeito nelas.

— Nós podemos congelar essas coisas. — Sugeriu Drew.

— E como a gente faz isso gênio? — Perguntou Jimmy lançando uma rajada de fogo nas salamandras. — seus poderes são limitados aqui.

— O único jeito é o combate mano a mano. — sugeriu Arthur sacando sua espada e indo de encontro a elas.

O modo impressionante como aquele homem lutava fez Jimmy acordar repentinamente de seu transe. Tomado pelo ódio Arthur tomou impulso e foi direto ao encontro das duas salamandras pronto para lhe cravar a espada, mesmo que não surtisse efeito algum naquelas criaturas.

Aquele acabara sendo um golpe de pura sorte porem vantajoso para todos eles, pois o homem conseguiu ferir a criatura em uma das patas da frente. Eles foram capazes de ouvir o urro de agonia do animal que agora se contorcia balançando a calda de um lado para outro.

— Essa é a nossa chance pessoal. Eu tenho um plano. — Lucca comemorou por um segundo. — Drew você e o Arthur vão atacar a salamandra ferida enquanto eu e o Jimmy distraímos a outra, vocês dois destroem a fonte de lava.

— Ok.

— Por mim tudo certo. — respondeu Arthur pondo-se em modo de batalha.

Enquanto os dois esperavam uma ordem direta para poder lutar, Jimmy continuava parado, com uma expressão de sofrimento em seu rosto, olhando a criatura se contorcer de dor enquanto os amigos tramavam seu fim.

— Abrace o fogo guerreiro. — Uma voz ordenou em sua mente.

— AGORAAAAAAAAAAAAA

Os dois haviam tomado impulso, prontos para proferir o ataque final, quando Jimmy finalmente tomou consciência de seus atos agindo finalmente por impulso.

— PAREM COM ISSO!

As duas criaturas encontravam-se acuadas e com medo.

A ferida caminhava com dificuldade para junto da fonte de fogo, enquanto a segunda se colocava em posição de ataque entre ela e os garotos para protegê-la. Pronta para lançar uma segunda baforada de fogo.

Sem entender como ou o porquê de estar fazendo aquilo, Jimmy simplesmente correu o mais rápido que ele podia para poder alcançar as duas criaturas que esperavam indefesas pelo ataque. Seu grito ecoou por todo o lugar, fazendo a estrutura do vulcão tremer.

— PARA. — ele gritou indo ao encontro delas.

Uma onda de calor tomou conta do lugar. Nenhum deles esperava o que vinha a seguir. Jimmy agora estava de joelhos agarrado as duas salamandras em um abraço amoroso.

De algum modo ele estava ligado a elas, entendia seus pensamentos, compartilhava seu sofrimento, sua dor. Ele precisava protege-las de tudo e qualquer coisa que as ameaçasse. Mesmo que aquilo significasse ir contra seus amigos.

— Vocês não podem fazer isso. Elas estão sofrendo para proteger este lugar, não estão vendo o sofrimento delas? — ele perguntou aos amigos aos prantos.

Aquela era uma cena incrível e nenhum deles podia explicar o que estava acontecendo. Sabiam apenas que de alguma forma Jimmy era capaz de entender as criaturas e agora as defendia com unhas e dentes.

— O que foi que aconteceu? — Lucca acabara quebrando o silêncio.

— Eu não sei ao certo, só sei que elas precisam da nossa ajuda.

— Como assim, elas precisam da nossa ajuda?

Uma das criaturas estava deitada aos pés de Jimmy, enquanto a outra se banhava no rio de lava diante deles. Um chiado baixinho fez com que todos direcionassem o olhar para a salamandra em repouso.

— Elas estão aqui desde o início dos tempos me esperando. Eu sou o único que pode aprisionar Vulcan novamente e restaurar o equilíbrio do fogo.

— E como você sabe disso? — Perguntou Drew.

— Por que elas me disseram.

— Você pode entendê-las agora?

— Sim. O fogo é meu elemento guia. Só eu posso devolve-lo ao seu lugar de origem. — disse ele pondo-se de pé. — Cada um de nós vai ter que fazer isso se quiser derrotar as feras reis e devolver o trono de Ézius a seus legítimos donos. Vamos, nós temos que continuar.

Jimmy abraçou fortemente as duas salamandras, proferindo palavras de carinho até que as duas se acalmassem por completo. Uma vez calmas os animais voltaram a sua forma primaria, para depois se tornarem luz e invadirem o corpo do garoto.

 

***

 

O templo da agua era um pouco diferente de todos os outros, uma camada grossa de gelo encobria as paredes o chão e o teto, deixando apenas uma pequena fissura para a passagem da luz e da agua que banhava a esfera de energia. Não haviam soldados ou animais estranhos ali para proteger o que quer que estivesse guardado em seu interior. No meio daquele grande salão a esfera azul brilhava presas a boca de uma tartaruga gigante.

Mesmo com todo aquele gelo, Era possível ouvir o barulho da agua caindo pelos buracos nas paredes, passando por uma espécie de tubulação primitiva que dava acesso para as outras camarás.

Assim era possível existir vida nos outros templos, mesmo em pequenas quantidades terra, fogo, agua e ar precisam estar juntos para que a vida floresça. Um elemento não pode existir sem o outro.

— Tomem cuidado. A qualquer momento alguma coisa pode atacar a gente aqui. — Alertou Arthur.

Assim como nos outros, aquele lugar exercia um fascínio maior em Drew por aquele ser seu elemento, por natureza ali ele era mais forte, apesar de tranquilo ali ele se sentia fortalecido como nunca se sentira em toda vida.

— Venha guardião. — Uma voz o chamou em seu interior. — Me empreste seu poder. Ajude esta terra a se reerguer.

O garoto caminhou solitário até ficar diante da esfera de poder.

— O que você pensa que tá fazendo? — Perguntou Lucca puxando-o para perto de si. — Eu não vou perder mais ninguém.

— Ela está me chamando. — Ele disse com os olhos vidrados na estátua.

— Você tá maluco? Isso é só uma estátua de pedra. — Disse Arthur batendo na cabeça da estátua com o machado.

— A agua me chama. — Ele respondeu tirando a esfera da boca da tartaruga.

Drew tinha em seu poder o cristal elemental da agua, conseguido com a ajuda de seu guardião.

Ele agora sabia qual era seu verdadeiro destino, assim como Adam e os outros Drew também se mostrou digno de sua tarefa: encontrar e destruir a verdadeira prisão da fera rei da agua, livrando a região de akvo da escravidão.

Nenhum deles sabia de nada daquilo até então. Era impressionante como todos aqueles pedaços poderiam estar unidos em um único lugar, terra, fogo, agua e ar ocupavam o mesmo espaço e mesmo assim eram energias solitárias regentes da natureza. Agora tudo fazia sentido, era preciso trilhar aquele caminho de aprendizagem para poder entender qual a verdadeira missão deles naquele lugar.

— Nos encontraremos em breve meu amigo. — Ele disse ao seu guardião enquanto se desmaterializava bem diante de seus olhos.

Diante deles uma nova porta se abriu, revelando em seu interior a última câmara a ser visitada por eles.-” ”>-‘.’ ”>

A Widcyber está devidamente autorizada pelo autor(a) para publicar este conteúdo. Não copie ou distribua conteúdos originais sem obter os direitos, plágio é crime.

Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

Publicidade

Inscreva-se no WIDCYBER+

O novo canal da Widcyber no Youtube traz conteúdos exclusivos da plataforma em vídeo!

Inscreva-se já, e garanta acesso a nossas promocionais, trailers, aberturas e contos narrados.

Leia mais Histórias

>
Rolar para o topo