Depois de quase uma hora de dura caminhada dentro de um túnel mal iluminado e frio era possível ver uma luz que possivelmente indicaria a saída.

— Estamos próximos da saída pessoal. — Indagou Lucca ao avistar o portal de saída. — Preparem-se, pois, não sabemos o que vamos encontrar por lá.

Os cinco estavam temerosos sobre que tipo de coisas encontrariam naquele lugar. O fim do túnel se mostrou a entrada para uma caverna ainda mais tenebrosa que o túnel de onde haviam acabado de sair. Um grande salão de formato oval se abriu para eles, as paredes continham desenhos de estranhas criaturas além de cenas do cotidiano.

Numa cena camponeses em meio a uma colheita, em outra carregando feixes de lenha rumo a uma montanha, e por último entregando oferendas a uma criatura vulcânica em cima da montanha.

Diante deles á dois passos da entrada da caverna dois soldados de pedra a guardavam armados com dois machados cruzados ao peito. Ambas tinham mais ou menos dois metros de altura, cobertas por alguma espécie de musgo que acabara crescendo com o passar dos séculos.

— Mostrem respeito… — Disse Arthur fazendo uma reverencia sutil. — ou eles não deixarão que passemos.

Num gesto automático os garotos se curvaram perante as estatuas que não se moveram. Ao adentrarem na caverna a passagem atrás deles se fechou como magica, como se aquela passagem nunca tivesse existido.

A escuridão total durou apenas poucos segundos.

Aos poucos um ponto de luz verde se irradiou por todo lugar ficando cada vez mais forte a medida que o tempo passava.

— É aquilo que nós viemos buscar aqui. — Disse Arthur apontando para o outro lado do salão.

— Não toquem em nada. — Ordenou Lucca pondo-se a estudar o local. — Tudo aqui pode ser uma armadilha.

— Que lugar maneiro. — Indagou Jimmy explorando o lugar.

— Menos por esses caras aqui. — Disse Tonny apontando para as estatuas nas paredes.

Eram as mesmas estatuas da entrada da caverna, mas diferentes das outras duas, essas tinham um semblante agressivo, prontas para ataca-los.

— Eles são os golens de pedra, os guardiões do templo de Orec senhor elemental da terra.

— E…., esse tal de Orec é uma das quatro feras sagradas que nós teremos que derrotar. Estou certo?

— Receio que sim. — O homem respondeu com tristeza em sua voz

O lugar lembrava muito a construção de um templo grego antigo, tinha a aparência de uma casa ainda em construção apenas com o alicerce formado por quatro pilares de pedra que faziam a sustentação do lugar, a cima deles, era possível ver o céu e todas as suas constelações como se um véu os encobrisse.

— Esse lugar é lindo. — Exclamou Jimmy ao adentrarem o lugar. — Como tudo isso pode estar aqui dentro?

— Esse lugar representa o reino de Orec, e consequentemente seu elemento. A terra.

Uma arvore gigante crescia no centro da caverna e de dentro dela a esfera de luz verde flutuava, suas ramificações se estendiam por todo lugar, folhas flores e frutos se espalhavam pelo chão até o teto.

— O que é isso? — Perguntou Adam apontando para a grande esfera luminosa.

— Isso é o que nós viemos buscar meu amigo. — Respondeu Arthur indo em direção a grande arvore. — Esse é o mapa que guarda a localização da prisão de Orec.

— Então vamos pega-lo e dar logo o fora daqui.

— Ouçam…— Adam disse de repente.

— Ouvir o que? — Perguntou Tonny

— Eu não escuto nada. — Disse Drew

— Calem a boca e escutem. — Ele disse chegando mais perto das estatuas. — Elas não nos querem aqui.

 

***

 

Nenhum deles era capaz de ouvir coisa alguma além de Adam.

— O que você está ouvindo? — Perguntou Lucca olhando em todas as direções.

— Alguém está chamando por mim.

— Não tem ninguém te chamando Adam. — Disse Tonny preocupado.

— Ele disse que esperou por mim por muito tempo.

— Agora é ele… — Completou Drew olhando em volta. — mas, não tem ninguém aqui.

— Eu já mandei vocês calarem a boca! — Ele ordenou com raiva.

— O que estão dizendo Adam?

— “Saiam daqui… ou vocês morrerão.” “E Por favor me ajude”. — respondeu o garoto.

Aquela câmara guardava um enigma que nenhum deles era capaz de resolver.

Por que apenas Adam podia ouvir aquelas vozes? E o que elas significavam?

Pela primeira vez na vida, Lucca não sabia a resposta.

Ouviu-se um estrondo abafado, tudo começou a tremer de repente, e o brilho do cristal no centro do templo tornou-se mais forte e agressivo do que nunca.

Ele era o mais jovem, porem o mais forte dos cinco. De alguma forma estranha ele estava conectado aquele lugar, seus poderes elementais tinham ficado mais fortes. Adam podia sentir dentro dele um frio repentino na boca do estomago e um formigamento nas extremidades de seu corpo além de um aperto repentino no peito.

Aquele era um mal sinal.

Adam fechou os olhos e respirou fundo tentando lembrar de seu treinamento com Sam na casa de Lucca quando tudo aquilo começou. Aquela era uma cena hilária de se ver, e mais ainda de ser lembrada num momento como aquele.

O garoto estava vendado e pendurado sobre um buraco no chão do porão da casa de Lucca amarrado de cabeça para baixo, e uma vela queimando a ponta da corda que o amarrava.

— O poder proveniente da terra lhe dá o dom da caça. Lembre-se bem. — Ele ouviu a voz de seu mentor, vinda de algum lugar em seu coração. — O extinto de sobrevivência, prevalecerá nas horas de perigo.

Como aquele treinamento maluco poderia livra-lo do que estava por vir. Aquelas sensações não significavam nada numa hora como aquela.

— Preparem-se. — Ele gritou de repente. — Alguma coisa vai nos atacar em breve… Eu sinto.

— O que está vindo nos atacar. — Perguntou Jimmy pondo se em posição de ataque.

Ele havia aprendido da pior forma possível que ignorar um aviso por mais absurdo que fosse poderia ser fatal num lugar como aquele.

O lugar foi tomado por um som gutural vindo das paredes, acompanhado de estranhos ruídos de coisas se mexendo.

Era uma sensação insuportável.

Uma mistura de medo e impotência tomou conta de todos eles. A terra agora tremia com o som de passos abafados vindos da escuridão.

Alguma coisa estava vindo. Eles só não sabiam o que.

“Pensa Adam… Pensa” — Ele disse a si mesmo.

Adam fechou os olhos por um segundo e respirou fundo tentando ignorar todo aquele caos que seria inevitável. Como um morcego no escuro, uma espécie de radar se acendeu em seu interior, e ele pode ver ondas sonoras fluindo por todas as direções, num ritmo forte e descontrolado.

— A sua direita Lucca. AGORA! — Ele gritou.

Sem entender nada, Lucca deu um salto para o lado direito, no momento exato em que uma mão desceu socando o chão onde ele estava antes.

— O que foi isso?

— O lugar está cheio de armadilhas. E eles não vão nos deixar passar. — Respondeu o garoto dando uma machadada no escuro.

— Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

— Me soltaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Um a um, seus amigos foram capturados pelas criaturas gigantescas, as magias de Lucca não haviam funcionado e todos eles foram presos por mãos enormes de pedra e argila.

Adam agra estava sozinho, era o único que conseguia escapara das investidas invisíveis dos inimigos.

— Adam você tem que destruir a esfera. — Artur gritou no escuro. — É ela que dá poder a essas coisas.

— Eu não consigo sozinho.

— Você tem que tirar a gente daqui. — Jimmy gritou se contorcendo de dor.

— Lucca, o que eu faço?

— Apenas Lute.

Uma forte onda de calor invadiu seu peito. Era como se não houvesse mais espaço para ela ali, aquela enorme onda de energia tinha que transbordar de alguma forma, ou ele simplesmente explodiria.

Algo ruim estava prestes a acontecer e ele não era capaz de fazer nada para parar aquilo tudo. Outro tremor repentino, e mais uma vez a sensação de impotência.

— NÓS NÃO VAMOS SAIR DAQUI SEM LUTAR. — Adam reuniu forças para gritar.

Um pequeno ponto luminoso flutuou calmamente por todo o templo até parar diante dos garotos, dando voltas e voltas ao redor deles.

O rosnado de uma fera ecoou baixinho e caloroso.

Adam vislumbrou diante dele um pequeno lobo translucido acariciando sua face com o focinho. Aquele era o mesmo lobo que ele havia visto na floresta no dia do ritual feito por Lucca que havia liberado seus poderes de guardião

— Lupin… — A criatura lambiscou sua bochecha como se o cumprimentasse calorosamente. — Você veio me ajudar?

Num uivo alto, a criatura transparente de aura verde entrou invadiu seu corpo fazendo toda a energia se concentrar no amuleto que ele carregava em seu peito.

“Proteja a matilha.”

Tomado por uma estranha sensação de medo Adam de manteve alerta, mas desta vez sem medo, pois agora ele tinha poder para lutar.

O tempo havia parado.

— Eu posso te ajudar. — Adam foi capaz de ouvir em seu coração.

A mesma luz que antes emanava da esfera de energia agora estava em seu coração, era um calor aconchegante e cheio de esperança.

O garoto agora permanecia de olhos fechados. Em seu íntimo ele via a figura de um lobo guará envolto em uma luz verde.

— Lupin. Como é possível que você esteja aqui?

— Eu sempre estive aqui. — A voz em seu coração continuava acolhedora. — Esperando que você me chamasse novamente.

— Eu não entendo.

— Eu sou um espirito guardião. — Respondeu ele. — É meu dever ajuda-lo em sua jornada de aprendizagem.

— Mas isso é um jogo, não é?

— Essa terra é tão real quanto você e eu. — Respondeu o lobo — Essa dimensão assim como a sua pede socorro.

— Então…, Ézius é real?

— Ézius é um dos inúmeros tecidos que permeiam a realidade. Tudo aqui é tão real quanto você quiser que seja real.

— O que?

— Apenas acredite anjo, e tudo será possível.

— Eu não tenho poder para derrotar esses monstros sozinho.

— Você nunca estará sozinho.

O pequeno lobo guara a havia se materializado mais uma vez diante de seus olhos.

— Você é real. — Disse o garoto surpreso.

O lobo guara de proporções gigantescas uivou em resposta, abaixando a cabeça para que ele subisse em suas costas chamando-o para a batalha.

Tudo aconteceu tão rápido quanto ele pode enxergar. Em um segundo o animal pulou em um dos goblins derrubando- o no chão e com ele Artur preso em uma das mãos.

Antes que o homem pudesse se recuperar do choque os pedaços destruídos do goblin começaram a se juntar novamente.

— Destrua a esfera! — Arthur gritou ainda no chão.

Lupin correu o tão rápido que suas patas quase não tocavam o chão, parando diante da barreira de goblins que protegiam a grande arvore. O lobo uivou mais uma vez fazendo o som reverberar por todo o lugar, transformando a barreira em um amontoado de pedras.

Descendo de suas costas Adam empunhou mais uma vez seu machado pronto para proferir o golpe que destruiria a esfera da terra.

Uma intensa luz verde impediu a visão de todos.

 

***

 

Tudo estava acabado.

Com um estalo abafado, uma porta se abriu a frente revelando uma nova câmara. Os quatro garotos trocaram olhares felizes por mais uma etapa vencida.

— Adam você é um gênio. Como você fez isso?

— Eu não sei, eu ouvi a voz do Lupin e fiz o que tinha que fazer. — Ele respondeu acariciando o pequeno lobo prateado ao seu lado.

— Não temos tempo para comemorar. — Disse Lucca, caminhando rumo a porta.-” ”>-‘.’ ”>

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