NOVA CHANCE PARA AMAR
Novela de Ramon Silva
Escrita por:
Ramon Silva
Direção-Geral:
Wellington Viana
PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO
AMANDA
BELINHA
CAMILA
BEATRIZ
EDILEUSA
ELISA
GABRIELA
GUILHERME
JOSIAS
MARCELO
MOREIRA
NANDÃO
RAMIRO
REGINA
REINALDO
RICK
RODRIGO
SALINA
SÉRGIO
VIVIANE
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:
HOMEM1, POLICIAIS e SEGURANÇAS
CENA 01. MATAGAL ATRÁS DA FÁBRICA. EXT. DIA.
Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.
NANDÃO — (Medo) Cara, eu não quero morrer aqui.
RODRIGO — Fica tranquilo, Nandão.
NANDÃO — Tranquilo? Você acaba de falar que estamos na zona da desova e quer que eu fique calmo?!
Ambos seguem avançando e avistam um muro alto.
RODRIGO — É ali.
NANDÃO — A tal fábrica?
RODRIGO — É. Vamos.
Se aproximam do Muro.
RODRIGO — Muito alto.
NANDÃO — Só escalar. Te mostrar como cria do Canarinho faz.
Nandão escala o muro e chega ao topo, com a maior facilidade.
RODRIGO — Nossa! Você faz parecer tao fácil.
NANDÃO — É moleza, Rodrigo. Só encaixar o pé nesses locais que tão com muita massa no tijolo.
RODRIGO — Tá legal.
Rodrigo começa a escalada com dificuldade e chega ao topo.
RODRIGO — Conseguir!
NANDÃO — Cola comigo que é sucesso na certa, Rodrigo!
RODRIGO — (A observar o pátio) Vazio.
NANDÃO — Tem uma câmera de segurança ali.
RODRIGO — Mas tá virada pra lá.
Ambos ficam ali a observar. CAM mostra o pátio dos fundos, vazio.
CORTA PARA:
CENA 02. CLÍNICA. RECEPÇÃO. INT. DIA.
Reinaldo e Gabriela entram.
REINALDO — Eu acho que pode dar certo isso.
GABRIELA — Vejamos, Reinaldo! Tudo na teoria é ótimo, mas, na prática, é outros quinhentos, como diria minha mãe.
REINALDO — Mas vai… Tem grandes chances de dar certo, Gabriela.
GABRIELA — Dependendo da recepção dos pais…
REINALDO — A gente sabe muito bem que isso pode melhorar a vida da Dani no colégio.
Ambos entram por um corredor.
CORTA PARA:
CENA 03. CLÍNICA. CONSULTÓRIO. INT. DIA.
Gabriela e Reinaldo entram.
GABRIELA — Vamos com calma também, Reinaldo! Pode ser que não dê certo! Embora eu torça muito para que dê.
CAM mostra Guilherme ali no canto da sala, sério.
REINALDO — O seu namorado, Gabriela.
GABRIELA — Guilherme?
GUILHERME — (Frio) Olá, Gabriela!
GABRIELA — Tá tudo bem? Você parece invocado.
GUILHERME — É que do nada, você chega na casa da sua namorada e o ex-marido dela está na sala com ela e com a filha do ex-casal… Como uma família feliz.
REINALDO — Cara, olha, não é minha intenção atrapalhar o relacionamento de vocês.
GUILHERME — Será mesmo, cara? Eu tenho minhas dúvidas!
GABRIELA — Reinaldo, você poderia nos dar licença, eu preciso conversar com o Guilherme.
REINALDO — Claro. (E sai)
GUILHERME — Até na clínica agora vocês não se separam mais!
Fecha em Gabriela, séria, a encarar Guilherme. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 04. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.
Regina concentrada a digitar no notebook. Belinha entra.
BELINHA — Regina, eu não tô me sentindo bem hoje.
REGINA — (Fria) Isso é frescura de criança. Já, já passa!
BELINHA — Como?
REGINA — (Ignorante) Eu estou muito ocupada e cheia de problemas pra resolver!
BELINHA — Desculpa. Eu só queria saber se eu podia ir pra casa?
REGINA — Não, não pode não! Tá passando mal? Então morra que vai passar bem! Agora saia daqui que eu tenho mais o que fazer!
BELINHA — Mas/
REGINA — (Ignorante) Você tá surda, garota? Saia daqui!
Belinha sai. Regina bufa e volta a digitar no notebook.
CORTA PARA:
CENA 05. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.
Amanda e Camila estranham o jeito triste de Belinha, que se aproxima.
AMANDA — O que aconteceu, filha?
BELINHA — Nada.
CAMILA — Como nada, Belinha? Você não tava dese jeito quando entrou no escritório da coisa ruim dessa Regina.
BELINHA — A Regina me expulsou do escritório! Ela mandou eu morrer!
CAMILA — Que horror!
AMANDA — (Indignada) Quê?! Essa mulher rouba a minha filha e ainda destrata ela? Absurdo isso!
CAMILA — Isso nos mostra o que a gente já sabia. Belinha tem que voltar a ficar com vocês, Amanda.
AMANDA — (Abraça a filha) A partir de agora ninguém mais tira minha filha de mim! Ela que vá pros quintos dos infernos! Eu tenho um ódio dessa mulher!
CAMILA — Não foi ela quem cuidou do Sérgio, quando ele foi espancado pelo Kléber e pelo Moreira?
AMANDA — Foi! Mas ela cuidou do Sérgio por culpa! Ela que meteu meu marido no meio disso, e ele quase foi espancado até a morte!
Fecha em Belinha ainda abraçada a mãe. Ela está tristinha. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 06. CLÍNICA. CONSULTÓRIO. INT. DIA.
Continuação imediata da cena 03.
GABRIELA — Qual é a sua, Guilherme?
GUILHERME — Acho que eu deveria perguntar isso!
GABRIELA — Não, não deveria, não! Você mesmo sempre pensa na Dani, e a primeira vez que me vê com ela e com o Reinaldo, fica caçando briga.
GUILHERME — Eu não estou caçando briga! Eu vi vocês dois juntos!
GABRIELA — (Bate palmas) Nossa! Bravo! Mas o que você viu foi um beijo, foram carícias, juras de amor? O que você viu foi uma conversa entre pais e filha! Aliás aproveitamos a situação pra explicar pra Dani como e porque nos separamos!
GUILHERME — Gabriela, olha/
GABRIELA — (Corta, séria) Não! Agora você vai me ouvir! Onde está aquele Guilherme que ficou muito preocupado quando a ictiose apareceu na Dani? Cadê aquele cara que se preocupava em deixar tudo bem, pensando na Dani?
GUILHERME — Ele está aqui!
GABRIELA — Não, não está! O único homem que eu tô vendo aqui na minha frente é um homem inseguro!
GUILHERME — Desculpe. Eu fiquei enciumado à toa. Você tem razão. A Dani tem que ser a nossa prioridade agora.
GABRIELA — Cabeça dura, parece que não entende!
GUILHERME — Até que você fica fofinha nervosa!
GABRIELA — Não brinca comigo!
GUILHERME — (Brinca) Agressiva, ela.
Ele corteja Gabriela e a beija. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 07. MATAGAL ATRÁS DA FÁBRICA. EXT. DIA.
Rodrigo e Nandão ali a observar.
RODRIGO — Eu não vou aguentar ficar aqui e não fazer nada!
NANDÃO — Se pular vai fazer a maior burrada da sua vida.
RODRIGO — Eu tô me sentindo um inútil aqui parado. Eu tenho que libertar esses trabalhadores.
NANDÃO — Esse pessoal é do perigo mesmo! Pra você vê, mantém gente aí trabalhando como escravos! A menos que você tenha moral com eles, sugiro que fique aqui.
RODRIGO — Tem razão, Nandão.
NANDÃO — Liga pra polícia, Rodrigo!
RODRIGO — Polícia? Você ficou maluco? Não posso fazer isso.
NANDÃO — Por que não? É o que qualquer pessoa faria.
RODRIGO — Mas qualquer pessoa não sabe que tem muitas pessoas além dos portões desta fábrica pra manter tudo funcionando.
NANDÃO — Quem falou isso?
RODRIGO — Ramiro, dono da Fabristilo.
NANDÃO — E se ele falou isso pra você recuar e não denunciar?
Fecha em Rodrigo pensativo na possibilidade. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 08. CANARINHO. PRAÇA. EXT. DIA.
Elisa ali sentada pensativa. Josias se aproxima.
JOSIAS — (Sem jeito) Oi.
ELISA — (Estranha) O senhor tá falando comigo mesmo?
JOSIAS — Sim. Oi, Elisa. A gente pode conversar?
ELISA — Claro.
JOSIAS — (Se senta) Então, Elisa, antes de qualquer coisa, eu quero que você saiba que não é minha intenção se meter na sua vida e nem na do Rodrigo. Já que ele voltou e agora é um adulto de 30 anos, eu não tenho mais influência alguma na vida dele.
ELISA — Mas e o senhor? Aceitaria bem o nosso relacionamento?
JOSIAS — Então vocês querem mesmo reatar… Há alguns anos isso era impensável. Mas agora vejo que não tem como impedir a cruza de uma Borges com um Garcia.
ELISA — Que bom que o senhor aceita. Agora só falta falar com meu pai. Tenho até medo da reação dele.
JOSIAS — Então ele ainda não sabe que o Rodrigo é um Garcia?
ELISA — Não.
JOSIAS — Agora você terá uma das mais difíceis missões da sua vida!
Fecha em Elisa, que sorrir e meneia a cabeça concordando.
CORTA PARA:
CENA 09. PRÉDIO FABRISTILO. RECEPÇÃO. INT. DIA.
Ramiro e Marcelo chegam. Viviane vem da sala de Rodrigo. Secretária não está.
VIVIANE — Cadê ele?
RAMIRO — Quê?!
MARCELO — Bom dia, Viviane!
VIVIANE — Bom dia pra quem, Marcelo?! Meu marido tá com a empregada e você quer mesmo que eu tenha um bom dia?!
RAMIRO — Lamento informar, Viviane, mas parece que o Rodrigo ainda não chegou!
VIVIANE — Filho da mãe! Mas se ele pensa que vai escapar de mim, ele tá muito enganado!
Viviane vai para o elevador e desce.
MARCELO — (Brinca) Tá aí. Não sabia que essa era a pose de uma modelo mundialmente famosa.
RAMIRO — (Sorrir) Mundialmente pelo menos é o que ela e a Beatriz acham!
Ramiro e Marcelo entram na sala.
CORTA PARA:
CENA 10. PRÉDIO FABRISTILO. FRENTE. EXT. DIA.
Rick ali do lado de fora do carro mexendo no cel. Viviane sai do prédio e se aproxima.
VIVIANE — Vamos, Rick!
RICK — Conseguiu resolver?
VIVIANE — Entra nesse caro e dirija!
RICK — Sim, senhorita.
Ambos entram no carro.
VIVIANE — (OFF) Vamos que eu tenho um bairro pra conhecer!
CORTA PARA:
CENA 11. FÁBRICA FABRISTILO. ARMAZENAGEM. INT. DIA.
Sérgio conversando com Homem1, o mesmo que estava preso na cela. Ao fundo, alguns homens realizando a armazenagem das matérias-primas.
HOMEM1 — Que história é essa de que você foi espancado pelo Kléber?
SÉRGIO — Pois é, cara. Eu me recusei a ajudar ele a atrair a Camla pro quartinho. Ele queria violentar ela.
HOMEM1 — (Tom baixo) Sei bem o que você passou. Eu fui espancado, torturado melhor falando. Moreira me amarrou numa árvore e o Kléber me deu uma surra com uma madeira.
SÉRGIO — (Horrorizado) Que isso, cara?
HOMEM1 — Depois como se não bastasse, me deixaram trancafiado numa cela! Eu acho que foi até a sua filha que me ouviu na cela e queria me ajudar. Mas o tal do Moreira não deixou e ainda ameaçou a menina.
SÉRGIO — Belinha não me contou nada disso.
HOMEM1 — Porque o canalha do Moreira ameaçou ela! (Vê Moreira se aproximam) Falando no canalha, ele tá chegando aí.
Homem1 disfarça e começa a mexer em alguns tecidos.
MOREIRA — (Chama) Sérgio! Chega aqui!
SÉRGIO — (Se aproxima, sério) Pode falar.
MOREIRA — Desde que você se recuperou, que eu não falei contigo. Cara, eu só ajudei o Kléber porque ele tinha que acreditar que eu estava com ele e, não contra ele.
SÉRGIO — Sei bem como é. Eu já sabia de todo o seu esquema com a Regina. (Furioso) Me usaram! Usaram o trouxa aqui como bode expiatório! Quero mais que você, Regina e Kléber vão para os infernos! Eu quase morri naquele dia!
Sérgio se afasta. Moreira meneia a cabeça negativamente. CAM mostra Homem1 a observar Moreira. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 12. CLÍNICA. CONSULTÓRIO. INT. DIA.
Guilherme e Gabriela sentados.
GABRIELA — Você disse que ontem foi lá em casa a noite.
GUILHERME — Fui porque eu tinha, aliás, tenho uma excelente notícia.
GABRIELA — (Feliz) Sério?
GUILHERME — É. Eu encontrei uma substância na seiva que não está nas suas anotações do passado.
GABRIELA — (Curiosa) E que substância é essa?
GUILHERME — Eu ainda não consegui identificá-la por completo. Mas pelo que eu analisei naquelas suas anotações, não tem nenhuma menção a ela.
GABRIELA — Ótimo! Isso nos mostra que estamos seguindo uma nova linha de pesquisa. E espero eu que promissora! Temos que começar a avaliar voluntários para a testagem.
GUILHERME — Não acredito que eu vou falar isso depois da crise de ciúmes que eu tive, mas… Que tal o Reinaldo?
Fecha em Gabriela indecisa. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 13. CLÍNICA. LABORATÓRIO. INT. DIA.
Guilherme e Gabriela ali com Reinaldo.
REINALDO — O que eu vou ter que fazer exatamente?
GUILHERME — Você vai ser um voluntário para testarmos a nova loção fabricada com um princípio ativo na epiderme.
GABRIELA — Sintetizando aqui… Você vai ser uma espécie de cobaia para a testagem dessa nova substância.
REINALDO — Uau! Nem acredito que estamos de novo nessa. Há mais de quinze anos eu era a sua cobaia. E agora, a Dani está no meio disso tudo. O que eu puder fazer pra ajudar, podem contar comigo!
GABRIELA — Ótimo! O Guilherme e eu vamos trabalhar na substância e depois te chamamos para realizar a primeira aplicação. Enquanto isso, você pode esperar no meu consultório.
REINALDO — Tudo bem. (E sai)
GUILHERME — Estamos caminhando lentamente, mas as coisas estão fluindo.
GABRIELA — Que bom, né! Agora vamos começar os trabalhos!
GUILHERME — Isso aí. Temos uma doença hereditária para curar!
Guilherme pega uma seringa e extrai a seiva de um recipiente. Gabriela mistura alguns líquidos formando a cor amarelada. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 14. CASA ELISA. SALA. INT. DIA.
Alguém bate na porta. Elisa vem da cozinha.
ELISA — (Grita) Já vai. (P/si) Quem será? (Abre a porta e se surpreende) Dona Salina?
CORTA RÁPIDO PARA:
CENA 15. PRÉDIO FABRISTILO. SALA RAMIRO. INT. DIA.
Marcelo lendo uma documentação. Ramiro no notebook.
RAMIRO — Ai caramba. Lembrei agora que eu tenho que alertar o diretor jurídico sobre algumas documentações da nova parceira internacional da Fabristilo.
MARCELO — Ainda não está tudo certo com aquela empresa argentina?
RAMIRO — Não. Essa é outra. Fabristilo acaba de chegar ao território chileno. Temos que agilizar essas documentações imediatamente. Vou falar com ele e aproveitar pra falar com o pessoal de Comércio Exterior também.
Ramiro sai. Marcelo se levanta, vai até a porta e a tranca. Volta a mesa e se senta. Começa a mexer no notebook. CAM detalha a tela do notebook: Na área de trabalho, Marcelo clica numa pasta com a sigla; “NCIF”. E pede senha.
MARCELO — (P/si) NCIF? O que significa isso? (Pensativo) Senha, senha.. (Digita) Data de nascimento da minha mãe. (Digita) Erro. Minha data de nascimento. Erro de novo. Droga!
Ele fica pensativo em novas possíveis senhas. Instantes. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 16. CASA ELISA. SALA. INT. DIA.
Continuação não imediata da cena 14. Elisa e Salina sentadas a tomar um cafezinho.
SALINA — Desculpa por ter vindo assim, Elisa.
ELISA — Que nada, dona Salina. Tudo bem.
SALINA — Eu quis sair de Angra depois de tudo que aconteceu. Aquela casa não é mais pra mim. Eu não vou mais conseguir viver ali na casa em que o Marcos morreu. Vou tentar viver por aqui mesmo no Rio de Janeiro.
ELISA — Eu superapoio a decisão da senhora, dona Salina. Vai te fazer bem viver longe de onde tudo teve um desfecho tão trágico. Se a senhora quiser ficar aqui em casa, pode ficar o tempo que quiser.
SALINA — Obrigada, Elisa. Mas eu não quero incomodar.
ELISA — Que isso, dona Salina? Imagina se é incômodo! O Gustavinho vai adorar saber que a senhora vai passar um tempo aqui em casa com a gente.
SALINA — Cadê ele?
ELISA — Tá no colégio. Daqui a pouco tá na hora de buscar ele.
CORTA PARA:
CENA 17. CANARINHO. PRAÇA. EXT. DIA.
Carro da família Vieira chega ao bairro. Viviane desce o vidro e observa o a praça.
VIVIANE — Afe! Quem em sã consciência troca uma mansão por isso aqui?! Olha pra essa escultura na praça. Mas que coisa ridícula e mais antiquada! Pobre gosta de chamar a atenção mesmo. Essa escultura tá mais pra alegoria de escola de samba.
RICK — Senhorita Viviane, o que estamos fazendo aqui neste bairro? Se não me engano, é o bairro em que a Elisa e a Edileusa moram.
Viviane pula para o banco do carona.
VIVIANE — (Sedutora) Então, Rick, estamos aqui para uma missão.
RICK — Ah, é?
VIVIANE — (Com o dedo na boca, seduzindo-o) Você foi recrutado a me ajudar com uma coisa.
RICK — (Embasbacado) Que coisa? Tem coisa? Coisa em que lugar? É só falar que eu faço!
VIVIANE — Que bom saber disso. Até porque a recompensa será muito, digamos, PRAZEROSA.
RICK — (Treme-se todo) Ai, papai! Será que eu mereço tanto?
VIVIANE — Depende do seu desempenho!
RICK — Eu vou fazer tudo que a Vivi Superiora mandar! E com um PRAZER dos PRAZERES que Vivi nem imagina!
VIVIANE — (Aproxima-se e falar aos ouvidos dele, sedutoramente) Ótimo, delícia! (pega o cel.) Só falta a Edileusa me dar o que eu quero!
CORTA PARA:
CENA 18. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.
Celular de Edileusa notifica mensagem. Ela pega e lê.
EDILEUSA — (P/si) Vivi Superiora tá no bairro do Canarinho? (Digita no cel. a mensagem) A Elisa mora na rua nove de julho, nº 15. (P/si) Enviar!
Beatriz vem da sala.
BEATRIZ — Quero mesmo falar com você, Edileusa.
EDILEUSA — Oi, dona Beatriz. A senhora tá precisando de alguma coisa?
BEATRIZ — Estou sim! Estou precisando saber com urgência, o que você e a Viviane estão armando?
EDILEUSA — (Faz a desentendida) Como assim, dona Beatriz?
BEATRIZ — Não ouse testar a minha paciência, Edileusa. Eu sei que foi você que enviou aquela foto para a Viviane.
EDILEUSA — Olha, dona Beatriz, a senhora vai ter que me desculpar. Mas eu fiz o que eu achei que foi certo! É um absurdo que Vivi Superiora seja passada para trás! Ainda mais pela dondoca da Elisa! Ficou meses nesta casa só esperando para dar o bote no marido da filha da senhora!
Fecha em Beatriz ainda desconfiada das intenções das duas. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 19. CLÍNICA. LABORATÓRIO. INT. DIA.
Gabriela e Guilherme misturam a substância. A mesma ao ser misturada com o líquido amarelado, fica cremosa e na coloração branca.
GABRIELA — Ficou branco.
GUILHERME — E isso é ruim?
GABRIELA — Não! A substância que eu desenvolvi há quinze anos, era vermelha!
GUILHERME — Estamos no caminho certo.
GABRIELA — Tomara! Chama o Reinaldo pra mim.
Guilherme sai. Gabriela fica a olhar a substância no recipiente e cheira a mesma.
GABRIELA — (P/si) Até o cheiro é diferente.
Reinaldo e Guilherme entram.
GUILHERME — Aqui está o homem que será o portador dessa boa notícia para o mundo!
REINALDO — Nossa! Me senti até importante agora!
GABRIELA — Todos somos importantes! Estamos aqui com um único objetivo. Tá pronto, Reinaldo?
REINALDO — Tô um pouco nervoso, mas vamos lá.
GUILHERME — Senta aqui e tira a camisa.
Reinaldo se senta a uma cadeira e tira a camisa. Guilherme coloca uma luva e pega o recipiente das mãos de Gabriela e começa a passar no peitoril de Reinaldo, que está levemente ressecado e com algumas pequenas fissuras.
GUILHERME — Tá ardendo ou queimando?
REINALDO — Não! Não senti nada.
Fecha em Gabriela, confiante, a observar o procedimento. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 20. CASA ELISA. FRENTE. INT./ EXT. DIA.
Carro da família Vieira ali estacionado em frente a casa de Elisa.
VIVIANE — (Sorrir) Agora sei bem onde essa dondoca mora!
RICK — A Elisa mora aqui?
VIVIANE — Pelo endereço que a Edileusa deu é aqui mesmo. Rua nove de julho, número, 15.
RICK — O que temos que fazer?
VIVIANE — Temos não, queridinho. Temos é muita gente. O que você vai ter que fazer seria a pergunta correta.
RICK — Então, o que eu vou ter que fazer?
VIVIANE — Calma lá que já, já você vai saber.
Viviane permanece a encarar a fachada da casa de Elisa. Instantes. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 21. MATAGAL ATRÁS DA FÁBRICA. EXT. DIA.
Rodrigo e Nandão veem Belinha, que vem caminhando distraída.
NANDÃO — Olha uma menina ali, Rodrigo.
RODRIGO — (Sutil) Psiu! Psiu!
Belinha pressente ter ouvido algo e procura o que seja.
RODRIGO — (Acena) Aqui menina.
Belinha vê os dois homens e se aproxima do muro.
BELINHA — Quem são vocês? O que estão fazendo aqui?
NANDÃO — Essa pergunta é pra você, Rodrigo.
RODRIGO — Eu quero ajudar vocês!
BELINHA — Espera aí. Você é aquele homem que veio no dia em que o Kléber foi demitido.
RODRIGO — Sou eu mesmo. Rodrigo meu nome. Eu não consigo colocar a cabeça no travesseiro e dormir sossegado desde aquele dia! Eu estou aqui para ajudar vocês. A polícia já está vindo!
BELINHA — Pode ser muito perigoso!
CAM mostra a câmera de segurança se virando para eles. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 22. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.
Regina ali no notebook a analisar as imagens da câmera de segurança.
REGINA — (P/si) Esses homens não sabem onde estão se metendo. Melhor deixa isso aqui como está e dar no pé que vocês ganham mais.
CAM detalha a tela do notebook. Belinha sobe num latão de ferro e tenta dar a mão aos homens, mas não consegue.
REGINA — Bem que o Kléber falava. Que peste essa garota! (pega o rádio e fala) Moreira, Moreira tá na escuta?
MOREIRA — (OFF) Pode falar, dona Regina.
REGINA — (Ao rádio) Vá imediatamente para os fundos da fábrica! Belinha está quase fugindo com a ajuda de uns homens que estão no matagal!
MOREIRA — (OFF) Os homens vão agir agora mesmo!
REGINA — (Ao rádio) Sem efeitos colaterais, Moreira. Um dos homens é parente da chefia.
MOREIRA — (OFF) Beleza.
CORTA PARA:
CENA 23. FÁBRICA FABRISTILO. FRENTE. EXT. DIA.
Atenção Sonoplastia: Instrumental – Ação.
Seguranças fortemente armados saem do pátio da fábrica e entram no matagal. CAM mostra vários carros da polícia se aproximando em alta velocidade. Os carros param frente a fábrica, policiais entram na fábrica e outros, seguem para cercar o local pelas laterais e fundos. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 24. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO. EXT. DIA.
Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.
Polícia avança e é recebida por tiros dos seguranças. Policiais rapidamente se escondem e começam a trocar tiros com os seguranças. Ritmo. Instantes no tiroteio. Alguns seguranças saem feridos.
CORTA PARA:
CENA 25. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.
Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.
Ouve-se o tiroteio fora de fábrica. Desespero. Pessoas gritando, alguns agachados. Amanda e Camila agachadas.
AMANDA — Que isso, gente?
CAMILA — Deve ser os seguranças.
AMANDA — Os seguranças nunca trocaram tantos tiros. Acho que tão querendo invadir a fábrica.
CAMILA — Gente, mas quem e por que invadiriam isso aqui?
Sérgio andando abaixado se aproxima.
AMANDA — O que tá acontecendo, Sérgio?
SÉRGIO — Não sei! Mas pelo que eu ouvi, tinham dois homens na parte de trás da fábrica.
AMANDA — E cadê a Belinha, Sérgio?
SÉRGIO — Não sei! Eu pensei que ela tava com você!
AMANDA — (Desesperada) Ai, meu Deus. Minha filha tá por aí com todo esse tiroteio.
SÉRGIO — Eu vou atrás dela.
AMANDA — Toma cuidado, Sérgio.
CAMILA — Vai agachado!
Sérgio se afasta engatinhando. Alguns continuam a correr desesperados, bala perdida acerta uma das mulheres bem no peito.
CAMILA — (Assustada) Ai, meu Deus!
AMANDA — (Grita) Acertou na Adna! Atiraram nela!
CAM mostra Regina a beber uísque olhando os desesperados pelo vidro do escritório.
CORTA PARA:
CENA 26. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.
Regina se afasta do vidro, mexe no notebook.
Atenção Sonoplastia: Carmen Hababera – Instrumental.
Regina aumenta o volume. Em segundo plano, ouvimos os tiros e a gritaria lá em baixo. Um dos trabalhadores começa a socar a porta. Regina apenas o observa e toma do uísque. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 27. MATAGAL ATRÁS DA FÁBRICA. EXT. DIA.
Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.
CAM posicionada sobre o muro, mostra Belinha escondida atrás de uns galões de ferro. A menina encolhida, morrendo de medo. Moreira se aproxima e pega a menina.
MOREIRA — Tava querendo fugir, né, pestinha?!
BELINHA — (Resiste, grita) Me solta! Me solta!
Do outro lado do muro, estão Rodrigo e Nandão escondidos.
NANDÃO — O que a gente ainda tá fazendo aqui, cara? Desse jeito a gente vai morrer?!
RODRIGO — Tem razão, Nandão! Vamos nos afastar da fábrica. Tá perigoso demais aqui.
Eles começam a avançar, quando são cercados por dois seguranças da fábrica.
NANDÃO — Tarde demais!
Ambos se rendem erguendo as mãos para o alto. Ouve-se ruídos no matagal de mais gente se aproximando. Os seguranças se aproximam de Rodrigo e Nandão e os fazem de escudo humano. Uma grande equipe da polícia se aproxima cercando-os de todos os lados.
POLICIAL — Joguem as armas no chão!
Os seguranças apontam as armas pra cabeça de Rodrigo e Nandão. O policial aponta arma para os seguranças e se demonstra determinado a apertar o gatilho. CAM mostra as afeições aterrorizadas de Rodrigo e Nandão. Instantes. Suspense. Tensão.
CORTA PARA:
FIM DO TRIGÉSIMO NONO CAPÍTULO





