Episódio 1
Web Séries | O Sol do meu Girassol sem Sol.

Episódio 1

Escrito por: Isa Miranda22/07/2024 - 18:13

Nota da Autora

Ante de iniciar a leitura vamos algumas informações sobre a minissérie.

Alerta de Gatilhos:

Relacionamento abusivo, agressão verbal e física,

ato sexual com consentimento dúbio.

Gênero:

Drama, romance Arquiliano (LGBT)

Classificação:

+18

Trope:

friends to lovers, only one bed, second chance, Redenção

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Desesperado Felipe parou em um ponto de ônibus, seus olhos vagavam perdidos em meio aquele aglomerado de pessoas que apressadas estendiam braços sinalizando para a condução parar.

Av. Presidente Vargas era o caos de pessoas e veículos buzinando, no entanto, Felipe somente olhava totalmente alheio a multidão. O que iria fazer? Não poderia voltar para casa e dizer a Rodrigo que novamente não conseguiu um emprego.

“Digão vai gritar comigo, vai dizer que sou preguiçoso, que não quero trabalhar…”

Felipe sentiu os olhos lacrimejarem, não era bem a vida que havia imaginado para si quando saiu do interior de Minas Gerais e veio morar no Rio de Janeiro. Respirou fundo para segurar o choro, não podia esmorecer, precisava ser forte e continuar.

“Uma porta se abrirá, irei conseguir…”

Seus pensamentos foram interrompidos pelo som do seu estômago roncando, resmungou baixo e esfregou os olhos para limpar as lágrimas que insistiam e querer rolar. Enfiou a mão no bolso de trás e puxou a carteira ao abrir pegou algumas moedas. Engoliu seco, não tem sequer para comer um salgado nas pastelarias no largo da Carioca, olhou o céu inspirando fundo buscando forças para mais uma entrevista agendada naquela tarde.

Quando colocou a carteira de volta no bolso, as poucas moedas que tinha caíram dela e rolaram no asfalto. Felipe arregalou os olhos e por reflexo abaixou tentando pegar o pouco que tinha de dinheiro do chão.

Uma mão de repente segurou seu braço e o puxou. Foi a buzina do ônibus que o despertou daquele momento de distração. Felipe viu a lateral do ônibus passar a poucos centímetros de seu rosto. Seu corpo gelou e tremulo virou a cabeça para olhar quem havia o puxado.

— Cara, Cuidado…

O rapaz olhava-o assustado e todos no ponto estavam com a mesma expressão. Cochicharam e alguns comentavam que Felipe tivera sorte.

— O-obrigado… – Foi o que conseguiu falar.

— Presta atenção. — O outro homem sorriu por fim já que fora um susto daqueles, porém aliviado ao ver que Felipe estava bem. — Está tudo bem, certo? Que susto, hen!

— S-Sim, valeu…

Ambos se afastaram e ficaram parados, esperando a condução. Felipe vez ou outra olhava-o no canto dos olhos. O homem era bonito, alto, atlético e de cabelos castanhos. De repente bufou e parou de analisar o seu “salvador” afinal era casado e não podia ficar flertando por aí. Porém, ainda assim tinha a nítida impressão que o conhecia.

— Oi, não posso atender agora, estou no ponto… – Suspirou chateado enquanto ouvia a outra pessoa do outro lado da linha.

O “salvador” de Felipe ao atender seu smartphone estendeu o braço deixando aparece por baixo da blusa de manga social uma tatuagem do símbolo do infinito.

Felipe inclinou a cabeça e depois olhou para o homem intrigado, viu-o encerrar a ligação guardando o aparelho, voltando a face para Felipe esboçando um sorriso seco. Ele parecia incomodado com aqueles olhares insistentes do rapaz que salvou a vida. E sem graça, voltou a face para a rua demonstrando inquietação ao balançar o corpo ligeiramente se afastando podendo adivinhar que desejava que o maldito ônibus viesse.

— Thiago?!

Thiago olhou-o de imediato um pouco confuso ao notar que o rapaz o chamou pelo nome, veio a sua mente que talvez pudesse ser algum cliente de suas palestras.

Felipe iluminou-se, era ele mesmo e puxando a manga de sua própria blusa social mostrando o pulso a sua tatuagem do infinito. Thiago olhou-o confuso e de repente o sorriso voltou aos lábios.

— Felipe?!

Os dois sorriram e Felipe confirmou.

— Meu Deus é você, Thiago, cara… – Olhou-o de cima a baixo. – Está muito diferente.

Thiago olhou-o concordando.

— Mudei mesmo, não sou mais a “rolha de poço” do ginásio.

Ambos riram e o ônibus a qual Thiago iria pegar se aproximava do ponto.

— Meu ônibus está vindo, faz seguinte anota meu número, vamos falando pelo “Zap”… Felipe de imediato pegou o aparelho e anotou o número.

— Vou te enviar uma mensagem e você salva o meu… — Felipe falou rápido enquanto o outro já estava subindo no degrau do veículo que acabara de parar no ponto.

— Manda, sim, vou salvar… — Thiago de dentro do ônibus acenou com o veículo saindo. Felipe olhou-o acenando também, vendo-o partir.

“Thiago meu melhor amigo…”

Aquele dia para Felipe não fora de todo perdido, afinal o seu “salvador” era o seu melhor amigo do colégio e reencontrá-lo foi uma surpresa agradável.

Felipe, após mandar uma mensagem no “Zap” para Thiago, recebeu a resposta que ele estaria em uma reunião e a noite chamaria para conversarem.

Satisfeito, Felipe colocou o fone no ouvido, abriu o aplicativo de música no smartphone e selecionou a playlist favorita. Titãs fora a banda escolhida com a música Epitácio, estendeu a mão para fazer sinal para o ônibus que o levaria ao Recreio, onde faria outra entrevista, cantarolando, lembrando-se de como ambos gostavam de rock nacional e a banda favorita era os Titãs.

“O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar distraído

 acaso vai me proteger

Enquanto eu andar”

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Felipe estava exausto quando caminhava pela Rua Dia da Cruz no bairro do Méier indo para o prédio onde morava com Rodrigo. Sem dinheiro para passagem só restava seguir a pé aquele trajeto de 40 minutos.

— Finalmente em casa. – Disse ao parar em frente da grade da portaria do prédio. O porteiro, Sr. Sebastião abriu a porta e cumprimentou-o com boa noite, já passavam das 20 horas quando saiu do elevador no 5º andar vendo a porta de seu apartamento abrir e um rapaz sorridente saindo e parando do lado de fora. Logo em seguida Rodrigo aparece tagarelando algo que Felipe não pode ouvir. Ele não o reconhecia entre os amigos de seu companheiro e estranhou Rodrigo levar alguém para apartamento, já que combinaram que visitas seriam avisadas com antecedência.

— Felipe chegou. — Rodrigo olhou-o e foi apresentando o rapaz. — Esse é o Júlio lá da academia, cheguei falar dele para você.

— Olá Júlio… — Felipe estendeu a mão e ambos apertaram se cumprimentando. — Já está de saída pelo visto.

— Sim Felipe, Rodrigo insistiu para esperar que chegasse para nos apresentar, como demorou … — Fez um gesto com o ombro de quem lamentava. — Mas volto outro dia e conversamos, certo Rodrigo?

—Claro, marcamos algo para outro dia.

—Desculpem-me foi um dia longo e trânsito essa hora é horrível, mas combinamos outro dia. — Felipe falava sem jeito, estava exausto e queria um banho demorado para se jogar na cama e “hibernar” até o dia seguinte. — Vou entrar. — Olhou Rodrigo e acenou se despedindo de Júlio. —Rapidamente entrou jogando a mochila no sofá e seguindo para o quarto.

Ouviu de longe algumas risadas soltas de ambos e depois despedias enquanto entrava no banheiro. Quando entrou na ducha de água fria soltou um gemido de alívio, sua mente sentiu o baque chegando a ficar zonzo quase abaixando no chão do box. Apoiou a mão no vidro temperado e firmou a perna para não arrear o corpo. Passou o dia com apenas um sanduiche e café, ou seja, estava exausto e faminto.

—Poxa Felipe esperamos tanto, fiquei até sem graça com o Júlio. — Rodrigo entra no banheiro resmungando. — Eu te avisei pela manhã.

Felipe passava a mão nos cabelos ainda com a água fria escorrendo pelo corpo e olhou para Rodrigo inspirou fundo e soltando um sorriso sem jeito, buscando em sua mente cansada essa informação a qual não se lembrava.

—Desculpe, mas tem certeza de que avisou…? — Tentando se lembrar da manhã, mas como estava cansado demais ficou confuso se ele falou ou não consigo. — Não me lembro.

— Novamente? Além de desculpas do cansaço está esquecendo dos recados? — Bufou e saiu do banheiro batendo a porta.

—Não é, desculpa, eu… — Mal conseguiu se justificar vendo o outro ignorar e sair do banheiro. Expirou baixo prevendo que teria mais uma noite de discussões e no final acabaria tendo que dormir na sala.

Terminou o banho, já limpo e vestido, parou no corredor olhando Rodrigo sentado no sofá vendo tv, estava carrancudo e calado.

—Desculpa, eu não lembro. — Caminhou até a mochila, abrindo-a e pegando seu smartphone, abriu a tela e procurou nas mensagens antigas de Rodrigo a que lhe avisasse do compromisso. — Você pelo menos poderia ter me enviado uma mensagem no WhatsApp para lembrar. – Vendo que o ignorava resmungou. — Rodrigo, é isso mesmo? Vai ficar aí me ignorando?

—Sabe por que você esqueceu Felipe? — Esbravejando, levantou e cruzou os braços sobre o peito em uma pose altivo. — Porque você não quer fazer aquela parada a três, simples assim.

—Ah? Espera, eu não lembro de ter me falado dessa sua visita. — Felipe se afastou indo para cozinha para procurar algo para comer e se trancar no quarto. — E tem outra coisa, já lhe disse que ainda estou pensando no assunto e você como sempre se decidindo por mim.

Felipe ficou chateado com a forma que Rodrigo colocou a situação, ele não tinha ainda certeza e muito menos vontade de entrar para swing, mas seu companheiro nos últimos meses só falava desse assunto.

— Você concordou naquela nossa última conversa, ou vai dizer que esqueceu como sempre? — Parou no batente da porta olhando Felipe com a face carrancuda.

—Eu não disse que concordei, somente que iria pensar. — Felipe acendia o fogo para aquecer a janta, tinha deixado preparado de manhã.

Rodrigo estreitou os olhos e resmungou novamente dessa vez saiu e virou as costas para Felipe. Felipe mexia o cozido de carne e legumes para aquecer enquanto os olhos ficavam lacrimosos. Ele até achava divertido fazer essas loucuras de vez enquanto, porém fazer orgias em casa e frequentar swing como estilo de vida era outro assunto que ao seu ponto de vista não conseguia aceitar.

—A janta está servida, vem comer…? — Esperou resposta, vendo que o outro não falou nada voltou para a mesa e se sentou, servindo-se. — Parece crianção… – Resmungou.

Rodrigo levantou e ainda olhava a tv quando se sentou à mesa, ria de um programa que passava enquanto se servia. Felipe olhou-o um tempo, inspirou baixo sabendo que aquela postura de simplesmente fazer-se de nem aí para nada era o jeito de Rodrigo dizer que estava puto com ele.

Felipe voltou a comer, queria era logo acabar com aquela refeição que naquele momento poderia até matar a fome que sentia, porém o sabor não era apreciado chegando a descer pela garganta arranhando de tão apertada que estava.

O silêncio entre ambos fazia Felipe sentir vontade de se levantar, largar tudo para se trancar no quarto e dormir. A cada dia que saia atrás de emprego e recebendo “não aprovado” ou “aguarde contato por e-mail” o deixava estressado em quase desespero.

Rodrigo olhava Felipe comer calado e inspirou fundo jogando o talher na mesa para chamar atenção do companheiro.

—Vai ficar aí calado e com essa cara de cuzão, Felipe? Assim perco até o apetite. — Ralhou para o outro com sorriso debochado a face. – Desfaz essa cara, vamos conversar direito?

— Você que começou, veio me esculachando do nada. — Bufou comendo um pedaço de carne. — Eu estou cansado Digão, você não sabe o dia que tive e ainda quer que eu me lembre de tudo? – fungou tentando segurar o choro, ele detestava isso, mas era um chorão e não queria naquele momento desmoronar na frente de Rodrigo.

—Qual é? — Levantou e puxou a cadeira para sentar-se ao lado de Felipe, passou a mão no ombro dele e apertou. —Nossa está duro e tenso. — Começou a fazer massagem no ombro do companheiro. — Precisa relaxar Lipe, vem vamos para o quarto farei uma massagem daquelas que sei que gosta.

Felipe soltou um baixo gemido conforme o outro lhe massageava, estava realmente tenso e aquela “D.R.” só piorava mais o dia.

—Então, vamos terminar de jantar e ir para o quarto, eu vou cuidar de você. — Rodrigo sorriu no canto dos lábios em um tom malicioso afagando a nuca de Felipe. — Dia difícil e eu pego pesado, deixa eu compensar.

Felipe engoliu seco e suspirou, Rodrigo sempre agia daquela forma depois de uma briga, não pedia desculpas e nem reconhecia que estava errado. Felipe entendia aquela forma dele agir de quem não consegue expor os sentimentos e usa outros meios de demonstrar. Sorriso tímido brotou nos lábios dele com aquela expressão maliciosa do companheiro, mordeu os lábios e concordou com a cabeça.

—Vamos terminar de jantar e ir para o quarto. — Comeu nova garfada dessa vez sentiu o sabor da comida. — Vou cobrar a massagem.

—Pode cobrar, pagarei com todo prazer… — Riu novamente falando com ênfase na palavra prazer.

Terminaram o jantar e Felipe juntou a louça para lavar, estava limpando a pia quando Rodrigo chegou por trás e o agarrou beijando a nuca e dando leves mordidinhas, passava a mão pelo abdômen de Felipe por dentro da blusa enquanto ele lavava a louça.

Felipe parou de lavar a louça e apoiou as mãos fechando os olhos, arfou o ar enquanto recebia as carícias de Rodrigo.

— Não quer nem esperar chegar no quarto…? — Sussurrou virando a cabeça para beijar Rodrigo.

Rodrigo agarrou forte o puxou pelo queixo e beijou-o com certa voracidade, Felipe se arrepiava com aquela “pegada” do amado e jeito de beijar. De costas continuava retribuindo as carícias cada vez mais ousadas de Rodrigo que já havia enfiado a mão dentro de sua bermuda. Felipe gemeu entre os beijos e murmurou desejoso ao amado que não queria esperar mais.

—Vou te foder do jeito que gosta. – Sussurrava no ouvido de Felipe, em tom rouco e sensual. — Com força.

Ambos gemiam e ofegavam, em movimentos que intercalavam entre rápido e lento até que Rodrigo falou que ia gozar dando mais uma socada forte e urrando no ouvido de Felipe com êxtase do momento. Felipe ainda não havia gozado e quando outro se afastou, Felipe olhou-o desejoso. Mordeu os lábios querendo mais, querendo gozar, mas Rodrigo deu um leve tapa no rosto dele brincando e se virou saindo da cozinha.

—Termina de lavar a louça e vem para o quarto, estou lhe esperando. — Falou por fim, dando um leve brilho de esperança ao companheiro que o olhava um tanto frustrado.

— Posso terminar depois… – falou em tom sensual.

—Não, termina logo e vem… — Pisca para ele.

— Já vou. — Felipe levantou a bermuda e terminou de limpeza a cozinha e alguns minutos depois foi para o quarto, estava escuro e ele se deitou na cama, Rodrigo estava deitado de bruços e Felipe beijou as costas dele e depois a nuca. — Cheguei, cadê a minha massagem?

Rodrigo não respondeu e continuou de bruços. Felipe estranhou e ficou afagando o corpo do amado, adorava aquele corpo firme musculoso deslizando a mão desenhando cada curva. Voltou a beijar a nuca dele para lhe provocar.

—Ei, vamos terminar a brincadeira da cozinha?

O ronco de Rodrigo despertou Felipe do clima para notar que havia adormecido.

— Nossa! Já dormiu? – Frustração, Felipe ficou calado olhando-o. – Quando é minha vez… – Chateado, desistiu saindo do quarto e indo para a sala.

— Que droga, queria mais… – Murmurou se sentando no sofá ligando a TV. Abriu em seguida a tela do smartphone, verificando e-mail quando a notificação do WhatsApp piscou na tela.

“Oi Fê, está acordado?”

Era Thiago que finalmente retornará o contato.

Continua na próxima segunda-feira!

 

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