Web Novelas | Amores Proibidos

CAPÍTULO 9

Escrito por: Alessandro Fonseca26/06/2026 - 20:00

 

André acordou antes da luz entrar pela janela.

A cabeça latejava. Não era só ressaca.

Era consciência.

Ele demorou alguns segundos para lembrar onde estava.

O teto não era o dele.

O cheiro também não.

Virou o rosto devagar.

Lucas não estava na cama.

Mas o travesseiro ao lado ainda estava amassado.

A memória voltou em fragmentos.

O beijo não foi inocente.
O toque não foi distração.
Eles não “escorregaram”.

André tinha decidido.

E isso doía mais do que qualquer culpa.

Ele se levantou, vestiu a camisa jogada no chão e foi até a sala.

Lucas estava encostado na bancada da cozinha, tranquilo demais para quem tinha atravessado uma linha que não deveria existir.

— Bom dia — disse, como se nada tivesse peso.

André o encarou.

— O que foi aquilo?

Lucas não respondeu de imediato. Tomou um gole de café antes.

— Duas pessoas adultas fazendo o que queriam.

— Não foi só isso.

— Foi exatamente isso.

André se aproximou.

— Você sabia que eu estava vulnerável.

— Vulnerável não é incapaz.

A resposta veio rápida demais.

— Você se aproveitou.

Lucas inclinou a cabeça.

— Você me beijou primeiro.

O silêncio caiu pesado.

André fechou os olhos por um segundo.

Ele lembrava.

Lembrava da raiva de Eric.
Lembrava da sensação de estar sendo enganado por todos.
Lembrava de querer ferir antes de ser ferido.

Mas isso não apagava a sensação de que havia algo planejado.

— Desde quando você está esperando isso? — André perguntou.

Lucas não negou.

— Desde que percebi que você ia quebrar.

O ar pareceu faltar.

— Você é um desgraçado.

Lucas se aproximou, baixo, controlado.

— Não. Eu sou realista. Você está sendo transformado em suspeito oficial. Está isolado. Está fraco. E precisava de alguém.

— Não precisava de você.

— Precisava de qualquer um que não fosse o Eric.

A menção do nome foi como um soco.

André empurrou Lucas para trás.

— Não usa ele pra justificar isso!

Lucas segurou o pulso de André, firme, mas sem violência.

— Ele usou você primeiro.

André congelou.

— O que você sabe?

Lucas soltou devagar.

— Mais do que você imagina.

Horas depois, a polícia bateu à porta de André.

Não era prisão.

Ainda.

Mas era convocação formal.

— O senhor estava com a vítima horas antes do ocorrido.

Vítima.

A palavra doeu.

— Sim.

— Testemunhas ouviram discussão.

— Discutíamos sempre.

— Sobre o quê?

André respirou fundo.

Sobre ciúme.
Sobre Rafael.
Sobre mentiras.
Sobre o passado que nunca morria.

— Sobre confiança — respondeu.

O investigador anotou.

— O senhor tinha motivos.

Todo mundo repetia isso.

Motivos.

Como se amor, raiva e humilhação fossem provas materiais.

Rafael apareceu naquela noite.

Não como amigo.

Como observador.

— Você está se enrolando.

— Some da minha frente.

Rafael não se moveu.

Havia algo diferente nele. Não era o homem impulsivo do passado.

Era frio. Calculado.

— Você acha que isso tudo é coincidência?

— Eu acho que você está envolvido.

Rafael riu baixo.

— Se eu estivesse, você já teria sido preso.

André o encarou.

— Você sabia que eu estava na casa do Lucas.

Não foi pergunta.

Rafael não negou.

— Eu sei de muita coisa.

O estômago de André virou.

— Você está me vigiando?

— Eu estou me protegendo.

— De quê?

Rafael deu um passo à frente.

— Do que o Eric fez.

Silêncio.

— Ele mexeu com gente que não devia.

— Que gente?

Rafael sorriu de lado.

— Você ainda não está pronto.

A mesma frase da mensagem anônima.

O coração de André disparou.

— Foi você?

Rafael não respondeu.

Apenas segurou o olhar de André por longos segundos.

E ali, pela primeira vez, André sentiu medo real.

Não de ser preso.

Mas de estar cercado por pessoas que sabiam mais sobre sua própria vida do que ele.

Na televisão, o caso ganhava repercussão.

“Amante é principal suspeito.”

Fotos de André e Eric juntos circulavam.

Imagens íntimas — não explícitas, mas comprometedoras — vazaram.

André gelou.

— Isso não estava no meu celular.

Lucas.

Ou Rafael.

Ou ambos.

Na casa da família, a mãe de Eric concedia entrevista.

— Meu filho era um homem intenso… mas não merecia violência.

A câmera capturou um detalhe mínimo:

A mão dela apertava a bolsa com força demais.

Dentro da bolsa, uma chave antiga.

Do carro.

O mesmo modelo visto nas câmeras da rua naquela noite.

Capítulo 9 termina com André encarando o próprio reflexo no espelho.

Ele toca o próprio rosto.

Vê marcas que não são físicas.

— Eu fiz isso comigo.

Mas uma pergunta ecoa mais alto:

Quem está movendo as peças?

Porque agora estava claro:

Lucas não era só sedutor.

Rafael não era só passado.

E Eric… talvez nunca tenha sido vítima completa.

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