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CAPÍTULO 17

Escrito por: Alessandro Fonseca15/07/2026 - 20:00

Lucas foi chamado para depor.

Ele entrou na delegacia confiante demais.

— Senhor Lucas, o senhor acessou arquivos internos da empresa da família após o crime.

— Eu trabalhava lá.

— Não mais.

Silêncio.

Clara colocou o relatório técnico na frente dele.

— O senhor apagou registros ligados ao “Projeto L”.

Lucas manteve a postura.

— Eu não apaguei nada.

— Temos rastros digitais.

A primeira fissura apareceu no olhar dele.

Rafael também foi convocado.

— O senhor tinha envolvimento financeiro com a vítima.

— Tinha.

— O senhor sabia que ele negociava com autoridades?

Rafael hesitou.

— Suspeitava.

— O senhor tinha motivos.

Rafael respirou fundo.

— Todo mundo tinha.

Enquanto isso, André não saiu de casa por dois dias.

Sem comer direito.
Sem atender ninguém.
Sem abrir cortinas.

As vozes na cabeça não eram literais.

Eram memórias.

Eric dizendo que o amava.
Eric mentindo.
Lucas ameaçando.
Rafael prometendo não deixar ele cair.

Ele começou a acreditar que talvez fosse o centro de tudo.

Que talvez tivesse provocado tudo.

A culpa virou peso físico.

Na casa da família, a tensão explodiu.

O irmão mais novo confrontou a mãe outra vez.

— A polícia está investigando você!

— Eles investigam todos.

— Você estava na zona rural depois do crime!

Ela se aproximou dele.

— Cuidado com as acusações que faz dentro da própria casa.

O tom era baixo.

Frio.

Controlado.

Lucas saiu da delegacia menos seguro.

Ele percebeu que estava entrando na mira.

E isso o deixou mais perigoso.

Ele foi direto até André.

Encontrou a porta destrancada.

A casa em silêncio absoluto.

— André?

Nenhuma resposta.

O ar estava pesado.

Ele andou até o quarto.

E encontrou André no chão, encostado na lateral da cama.

Pálido.

Respiração irregular.

Olhos vermelhos de choro.

Havia sinais claros de que ele tinha feito algo impulsivo.
Algo desesperado.
Mas não irreversível.

Lucas sentiu o estômago gelar.

— Que porra você fez?!

André não respondeu.

Só murmurava:

— Eu estraguei tudo… eu estraguei tudo…

Lucas entrou em pânico pela primeira vez.

Não pelo André.

Mas pelas consequências.

Ele chamou Rafael.

Rafael chegou antes da ambulância.

Quando viu André naquele estado, algo nele quebrou de verdade.

— Você não faz isso comigo — ele disse, segurando o rosto de André. — Não faz essa merda comigo!

Não havia raiva.

Havia medo.

Real.

A ambulância levou André.

Ele não morreu.

Mas também não saiu ileso.

Na delegacia, a notícia chegou rápido.

Tentativa de autoextermínio do principal suspeito.

Monteiro fechou o relatório.

— Ou ele é culpado e não aguentou a pressão… ou estão destruindo ele.

Clara respondeu:

— Ou os dois.

No hospital, André acordou horas depois.

Confuso.
Vazio.
Envergonhado.

Rafael estava ali.

Lucas também.

Os dois em lados opostos do quarto.

Silêncio carregado.

André olhou para Rafael.

— Eu não queria morrer.

A frase saiu fraca.

— Eu só queria que parasse.

Rafael segurou a mão dele.

— Eu sei.

Lucas observava.

Sem tocar.

Sem falar.

Mas com algo diferente no olhar.

Medo de perder o controle da situação.

Capítulo 17 termina com a mãe recebendo a notícia da tentativa.

Ela fecha os olhos por alguns segundos.

E murmura:

— Fraco.

Sem tristeza.

Sem culpa.

Só julgamento.

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