CENA 01. APARTAMENTO DE VALENTINA. SALA. INT. MEIO DIA.

Otávio empurra Valentina no chão. A moça cai sobre a barriga.

CONTINUAÇÃO DO CAPÍTULO ANTERIOR.

INSTRUMENTAL: Suspense.

Otávio arregala os olhos ao ver Valentina caída no chão. Alguns flashes se passam em sua cabeça, entre eles o dia em que Valentina disse que estava grávida. O homem pega a mulher no colo, chorando, e sai apressado.

 

CENA 02. RESTAURANTE. INT. MEIO DIA.

INSTRUMENTAL OFF.

Cecília e Bryan, que ainda estavam se beijando, se afastam. Os dois se olham durante alguns segundos, com caras de bobos. O garçom se aproxima da mesa e deixa o pedido deles. Ao ver, Cecília aproveita como desculpa para que os dois se sentem.

 

CECÍLIA – Chegou o almoço… Bora comer?

BRYAN – Bora.

 

Os dois se sentam e começam a organizar os pratos e talheres. Após perceber que Bryan não para de olhar para ela, Cecília decide reagir.

 

CECÍLIA – Você disse que me ama… Isso é sério?

BRYAN – É claro que é. Eu nunca brincaria com uma coisa dessas.

CECÍLIA – É estranho você me amar… Anos atrás você ajudou os Albuquerque a me colocarem na prisão e hoje vem com essa papo.

BRYAN – Anos atrás, Cecília. Eu mudei muito, e pra melhor. E eu me arrependo muito de ter feito o que fiz, tanto que tô te ajudando.

CECÍLIA – Você tem razão, me desculpa pela minha insensibilidade.

BRYAN – Tudo bem.

 

SONOPLASTIA: De Janeiro a Janeiro – Roberta Campos, Nando Reis.

Bryan se levanta e puxa Cecília. Os dois ficam frente a frente. Ao fundo, vemos a praia, através de uma janela transparente.

 

BRYAN – Eu poderia esperar, mas não vou. Eu sei do teu caso com o Lorenzo, mas isso não dá futuro. Eu gosto muito de você, Cecília. Eu te amo. E esse tempo que a gente ficou junto só fez esse sentimento aumentar. Pra mim você é uma mulher incrível. Você é forte, decidida, tem pulso firme, não volta atrás nas decisões. Pra mim isso é o que uma pessoa pode ter de mais incrível: uma personalidade forte… Eu sei que tu já sofreu muito, mas esse sofrimento está bem perto de acabar. Tu tá começando uma nova etapa na tua vida, e eu quero fazer parte dessa etapa… Eu quero saber se você aceita namorar comigo.

CECÍLIA – Aceito. É claro que eu aceito.

 

Os dois se beijam. CAM vai afastando-se e atravessa a janela, mostrando a Praia da Barra.

 

CENA 03. ALBUQUERQUE DRINK’S DISTRIBUTOR. RECEPÇÃO. INT. TARDE.

Manuela está próxima do balcão, guardando algumas coisas em sua bolsa. Alberto entra, apressado, e logo se aproxima da mulher, para lhe dar ordens.

 

ALBERTO – Manuela, eu preciso que você organize uns documentos pra mim ainda hoje. E depois me leve um café.

 

Alberto se vira e se prepara para sair.

 

MANUELA – Não!

 

Ao ouvir, Alberto se vira para a mulher novamente.

 

ALBERTO – Como é que é?

MANUELA – Isso mesmo que o senhor ouviu: não!

ALBERTO – Como você ousa a me desrespeitar desse jeito? Eu sou o seu patrão!

MANUELA – Era meu patrão… Eu só vim aqui hoje mesmo para pegar as minhas coisas. Pro senhor eu não trabalho mais nem um minuto.

ALBERTO – Mas, Manuela… Por quê? Você é uma funcionária tão boa.

MANUELA – Eu devo ser mesmo uma funcionária boa. Se uma pessoa que limpa a sua casa e faz coisas que não faz parte do cargo de secretária é uma funcionária boa, eu sou ótima. Com licença, eu tenho mais o que fazer!

 

Manuela pega sua bolsa e sai. Alberto fica com raiva, mas não fala nada. O homem entra no elevador.

 

CENA 04. HOSPITAL. RECEPÇÃO. INT. TARDE.

Otávio está sentado em um sofá, aparentemente triste. Pamela entra, desesperada, e se aproxima do homem. Ao ver a sogra, Otávio se levanta rapidamente.

 

PAMELA – O que aconteceu com a minha filha, Otávio?

OTÁVIO – Ela escorregou e caiu sobre a barriga, dona Pamela.

PAMELA – Meu Deus do céu, como isso foi acontecer logo agora? Ela pode perder o bebê, Otávio.

OTAVIO – Eu sei, sogra, e por isso que tô tão desesperado.

 

Pamela fica calada durante alguns segundos, lembra-se de Valentina lhe falando sobre Otávio está agressivo.

 

PAMELA – Escuta aqui, Otávio. Se foi você que fez isso com ela, vai pagar caro. Pode ter certeza!

OTÁVIO – Eu não fiz nada. Eu amo a Valentina, e essa minha fase agressiva já passou.

PAMELA – Assim eu espero. Mas os médicos vão descobrir o que aconteceu com ela exatamente.

OTÁVIO – Vão descobrir sim. Aí a senhora vai tirar essa ideia absurda. Eu vou aproveitar enquanto a senhora a fica aqui e vou na casa da minha tia buscar uns documentos. Mais tarde eu volto.

PAMELA – Tá bom. Pode ir.

 

Otávio sai, nervoso. Pamela se senta, desconfiada.

 

CENA 05. ALBUQUERQUE DRINK’S DISTRIBUTOR. ESCRITÓRIO DE LORENZO. INT. TARDE.

Lorenzo e Alberto estão sentados, conversando.

 

LORENZO – Nós precisamos ser francos. Do jeito que tá não dá pra continuar. Aqui, tirando nós dois, só temos mais dez funcionários. Com aquele vídeo que as meninas fizeram, muitos mercados quebraram a parceria com a gente. E a nossa única fonte de renda no exterior também cortou a parceria pra evitar gastos. Eu sempre falei pra vocês que o melhor era abrir filiais por todo o Brasil, mas não. Insistiram e deixaram apenas no Rio e em São Paulo. Essa de São Paulo tá uma desordem também. Desse jeito não dá. A única solução e fechar a Albuquerque, eu sinto muito.

ALBERTO – Você só pode tá brincando, Lorenzo. Foi pra isso que você voltou pro Brasil? Pra fechar a empresa que o seu avô ergueu com tanto esforço?

LORENZO – Eu sei, tio. Mas o negócio aqui tá difícil.

ALBERTO – E você vai resolver alguma coisa fechando a Albuquerque?

LORENZO – (pausa) O senhor tem razão. Nós não podemos desistir, vamos continuar trabalhando firma então. E temos que pôr todas as ideias que eu te disse em prática.

ALBERTO – Ótimo. Eu vou pra minha sala terminar de fazer umas coisas. Você não me apareça com essa ideia de fechar a empresa de novo não, viu?

LORENZO – Tá bom, tio. Pode ficar tranquilo.

 

Alberto se levanta e sai. Lorenzo fica pensativo.

 

CENA 06. HOSPITAL. RECEPÇÃO. INT. TARDE.

Pamela está sentada no sofá, preocupada. O médico aparece na recepção. Ela se levanta rapidamente e vai até ele.

 

PAMELA – Como a filha tá, doutor?

MÉDICO – A senhora que é a mãe da Valentina?

PAMELA – Isso, eu mesma.

MÉDICO – A sua filha tá numa situação estável. Mas infelizmente ela perdeu o bebê.

PAMELA (começa a chorar) – Não acredito… Meu Deus, por quê? (pausa) Doutor, eu tenho uma leve desconfiança de que ela foi agredida e eu preciso confirmar minhas suspeitas. O senhor pode fazer um exame de corpo de delito para descobrir se foi ou não?

MÉDICO – Entendo a situação. Pode deixar. Eu vou providenciar o exame, sim. Com licença.

 

O médico sai. Pamela se senta novamente, chorando.

 

CENA 07. ALBUQUERQUE DRINK’S DISTRIBUTOR. ESCRITÓRIO DE ALBERTO. INT. TARDE.

Alberto está sentado em sua mesa, mexendo em seu computador. Otávio bate na porta, entra.

 

OTÁVIO – Com licença. Aqui é o escritório do seu Alberto?

ALBERTO – Sim, você está falando com ele. Você e o homem que está querendo falar comigo, né?

OTÁVIO – Sim, sou eu mesmo.

ALBERTO – Sente-se.

 

Otávio fecha a porta e se senta.

 

ALBERTO – O que deseja?

OTÁVIO – Eu sei que foi o senhor que matou o Murilo.

ALBERTO – O quê?

OTÁVIO – Não precisa fingir. Eu vi tudo. O senhor guardando a arma no carro, dizendo que ia matar ele. E eu tenho um vídeo com tudo isso.

ALBERTO – Eu já entendi qual é a sua. O que você quer pra apagar esse vídeo e esquecer essa história?

OTÁVIO – Dinheiro. Eu quero dinheiro pra ir embora do Rio.

ALBERTO – Eu só vou fazer isso porque eu não posso correr o risco de ser preso. Anote o número da sua conta nesse papel, que eu vou depositar uma boa quantia.

 

Alberto entrega um papel para Otávio, que escreve o número da conta. Após terminar, Otávio devolve o papel para Alberto, que o encara.

 

ALBERTO – Agora sai daqui. Eu não quero te ver nunca mais.

OTÁVIO – Pode deixar. O senhor nunca mais vai me ver mesmo. Com licença.

 

Otávio se levanta e sai. Alberto analisa o número da conta de Otávio, irritado.

 

CENA 08. CASA DE CRISTINA E ELIAS. SALA. INT. TARDE.

Cristina está sentada no sofá, pensativa. Cecília chega, sorridente. Ela se senta ao lado de Cristina.

 

CRISTINA – O que deixou a senhorita tão feliz assim?

CECÍLIA – Eu tô namorando, mãe.

CRISTINA – Hum… Que bom saber. E quem é o sortudo?

CECÍLIA – O Bryan, aquele que tá me ajudando contra os Albuquerque.

CRISTINA – Eu desejo que você seja feliz, filha, muito feliz. Agora tem uma fortuna, um namorado. Tua vida tá ficando perfeita.

CECÍLIA – Graças a Deus!

 

Cecília e Cristina se abraçam, felizes.

 

CENA 09. MANSÃO ALBUQUERQUE. SUÍTE DE MURILO E MARINA. INT. TARDE.

Marina e Priscila estão sentadas na cama, conversando.

 

PRISCILA – O Lorenzo e eu já marcamos o casamento, Marina. Tá mais perto do que nunca.

MARINA – Isso é ótimo, Priscila. Agora aquela Cecília sai de vez da vida dele. E como você tá pensando em fazer a festa?

 

As duas continuam a conversa em FADE.

 

CENA 10. RIO DE JANEIRO. PLANOS GERAIS. EXT. NOITE.

Anoitece. CAM AÉREA mostra a Praia de Copacabana, e em seguida corta para a fachada da casa de Cristina e Elias.

 

CENA 11. CASA DE CRISTINA E ELIAS. FACHADA. EXT. NOITE.

Cristina, Hanah e Pedrinho estão parados na porta da casa. O garoto usa uma bolsa nas costas.

 

CRISTINA – Eu tô muito feliz com a aproximação de vocês dois.

HANAH – Eu também, Cristina. E eu vou fazer de tudo para recuperar todo o tempo perdido. Vamos, Pedrinho?

 

Hanah e Pedrinho saem caminhando, de mãos dadas. Cristina os observa, feliz.

 

CENA 12. HOSPITAL. RECEPÇÃO. INT. NOITE.

Pamela recebe Cecília e Joyce, que vieram visitar Valentina.

 

PAMELA – Ela ainda tá se recuperando da queda, mas infelizmente perdeu o bebê.

CECÍLIA – Ô, meu Deus, não acredito.

PAMELA – Pois é. Eu fiquei abalada do mesmo jeito, mas agora tudo já aconteceu. E eu acho que foi o Otávio. A Valentina tinha comentado comigo que ele estava muito agressivo esses dias.

 

CAM mostra Otávio atrás de uma pilastra, ouvindo tudo.

Imagem congela no personagem Otávio.

 

FIM DO CAPÍTULO.

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