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CAPÍTULO 18

Escrito por: Alessandro Fonseca17/07/2026 - 20:00

A delegacia já não tratava André como certeza.

Tratava como dúvida.

Clara entrou na sala de Monteiro com um novo relatório.

— O horário do disparo não coincide com o pico de localização do celular do André.

— Ele poderia ter deixado o celular em outro lugar.

— Poderia. Mas o trajeto registrado pelo carro dele também não fecha com o tempo necessário para executar o crime.

Monteiro ficou em silêncio por alguns segundos.

— Então alguém queria que ele fosse a solução perfeita.

Clara assentiu.

— E alguém tecnicamente competente plantou aquela arma.

Lucas foi chamado novamente.

Dessa vez, o tom mudou.

— O senhor acessou arquivos da empresa da família após o crime.

— Já respondi isso.

— O senhor também esteve na residência do senhor André na semana anterior à apreensão da arma.

Lucas manteve a postura.

— Eu frequentava a casa.

— Com acesso livre?

— Sim.

Clara o encarou diretamente.

— O senhor tinha conhecimento de armas?

A primeira microexpressão de irritação apareceu.

— Isso é ridículo.

Monteiro foi direto:

— Ridículo é alguém tentar manipular uma investigação.

Lucas saiu mais pressionado do que entrou.

Rafael decidiu agir.

Ele entregou à polícia registros antigos de transferências financeiras.

— Por que está fazendo isso agora? — Clara perguntou.

— Porque alguém precisa parar essa merda.

— Está tentando proteger o André?

Rafael não desviou.

— Estou tentando impedir que matem ele por dentro antes de provar qualquer coisa.

Na casa da família, a mãe tomou uma decisão silenciosa.

Ela chamou um antigo funcionário da propriedade rural.

— Você não esteve lá naquela semana.

— Mas eu estive, senhora.

Ela o encarou.

— Você não esteve.

O homem entendeu.

A mentira estava sendo comprada.

Clara recebeu a informação do novo “álibi”.

E não acreditou.

— Isso foi arranjado — disse.

Monteiro respondeu:

— Ainda não podemos provar.

Enquanto isso, no hospital, André recebeu alta.

Frágil.
Mais magro.
Mais quieto.

Rafael estava lá.

Lucas também.

O silêncio entre os três era quase físico.

No apartamento de André, a tensão explodiu.

— Você quase morreu! — Rafael gritou. — Você entende isso?!

— Eu não queria morrer! — André rebateu. — Eu só queria parar de sentir essa porra toda!

Lucas interrompeu:

— Isso não resolve nada. Você só deu mais munição pra eles.

André virou-se para ele.

— Munição? É isso que você enxerga?!

Lucas respondeu frio:

— Eu enxergo consequência.

Rafael avançou.

— Você só enxerga controle!

— E você só enxerga ele como algo pra salvar! — Lucas devolveu.

O clima ficou pesado.

— Eu amo ele — Rafael disse.

A frase caiu como uma bomba.

Lucas riu, nervoso.

— Você ama a culpa que sente por não ter impedido o Eric.

— Vai se foder.

— Fala a verdade!

André começou a tremer de novo.

— Para… para…

Mas nenhum dos dois parava.

— Você usou ele tanto quanto o Eric! — Rafael gritou para Lucas.

— E você nunca teve coragem de assumir nada!

— Eu nunca precisei manipular ninguém pra ficar na cama dele!

Silêncio brutal.

André fechou os olhos.

— Vocês dois usaram meu corpo como se fosse território.

Os dois ficaram imóveis.

Ele continuou:

— Um pra ter controle. O outro pra aliviar culpa.

A voz falhava.

— Eu virei o campo de batalha de vocês.

Rafael tentou se aproximar.

— André…

— Não encosta em mim!

Lucas deu um passo atrás pela primeira vez.

André encostou na parede.

Olhos marejados.

— Eu não sei mais quem eu sou sem essa merda toda.

O silêncio que se seguiu foi diferente.

Não era tensão sexual.

Era ruína emocional.

Capítulo 18 termina com Clara recebendo uma denúncia anônima:

“Procure na propriedade rural. O que foi jogado lá ainda está lá.”

Ela encara Monteiro.

— Se isso for verdade, o jogo muda.

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