Novela de Débora Costa

Escrita por

Débora Costa 

Colaboração

Tai Andaluz

Revisão de Texto

Marcelo Delpkin

Direção Geral

Wellyngton Vianna

Núcleo

Cyber TV

Personagens no capítulo

ÁGATA

CRISTINA

DANIELA

FLÁVIO

FREDERICO

GILBERTO

HENRIQUE

JANETE

MIGUEL

RÉGIS

ROBERTA

SILVIA

TAMARA

TICO

 Cena 1/Hospital/Quarto de Henrique/Int./Noite.

CRISTINA

(segura a mão de Roberta) Flávio está nervoso, querida, só isso.

ROBERTA

O que está acontecendo entre vocês? Desde que Flávio voltou que não o vejo com você, Cris, como era antes: carinhoso, amoroso.

HENRIQUE

Princesa, o que você ouviu aqui foi um momento de crise. Às vezes acontece isso comigo. O psicólogo disse que é estresse pós-traumático. Só não falei antes porque não queria te preocupar.

CRISTINA

Exatamente, querida.

Roberta olha Henrique, acaricia o rosto dele.

ROBERTA

Você deveria ter me contado, Flávio. Estou aqui para te ajudar, meu amor.

HENRIQUE

Eu sei, princesa, mas está tudo bem comigo, e minha mãe sabe.

ROBERTA

Cris, você vai passar a noite aqui também?

Henrique encara Cristina, querendo dizer para ela ir embora. Cristina olha Henrique nos olhos.

CRISTINA

Vou sim, Roberta. Você pode ir para casa descansar se quiser.

HENRIQUE

Eu acho melhor as duas irem embora. Já fizeram muito por mim, principalmente Roberta, que passou o dia comigo. Vão descansar.

CRISTINA

Realmente o dia foi cansativo. Eu vou para casa, mas volto amanhã cedo.

Roberta beija Henrique e sorri.

ROBERTA

Qualquer coisa, é só me ligar, que venho correndo.

HENRIQUE

(sorri) Pode deixar, princesa.

Roberta pega a sua bolsa.

ROBERTA

Você vem comigo, Cris?

CRISTINA

Sim, só vou me despedir do Flávio.

ROBERTA

Tudo bem, espero você na recepção.

Manda um beijo para Henrique e sai. Cristina se aproxima da cama de Henrique.

CRISTINA

Você gosta dela, não é?

HENRIQUE

Roberta é apenas uma peça no meu jogo, só isso.

CRISTINA

Ela é uma mulher maravilhosa. Não merece ser enganada assim, da mesma maneira que Flávio não merece estar preso.

HENRIQUE

Cristina, sai logo daqui.

Cristina sai, Henrique está com raiva.

HENRIQUE

Preciso pensar no que vou fazer.

Cena 2/Restaurante/Int./Noite.

Miguel e Janete estão sentados, bebendo. Janete está nervosa e pensativa. Miguel a observa.

MIGUEL

Janete, é impossível não notar que ver sua filha saindo com Régis te deixou perturbada. Eu não vejo motivos, afinal Régis é tio de Ágata.

JANETE

(séria, encara Miguel) Mas Ágata não o vê com esses olhos, e sim como um homem por quem está interessada.

MIGUEL

(cínico, sorri) Pelo que estou vendo, ela não é a única.

JANETE

E daí? Qual problema?

MIGUEL

Cristina é sua irmã. Ela é casada com Régis, isso não é um problema para você?

JANETE

(termina de beber) Cristina é meu problema. Já estou cansada de guardar esse sentimento só para mim. Sei que você não se dá bem com seu irmão; acho que pode me entender.

MIGUEL

Com Frederico é mais do que um problema, é ódio mesmo.

JANETE

(com raiva e vontade de chorar) Eu odeio a Cristina com todas as forças. Ela sempre foi a perfeita, a querida, a amada. Todos a bajulam como se fosse uma rainha. Nunca amei um homem como amo Régis. E com quem ele se casou? Cristina, ela é a culpada por todo meu sofrimento. Você não faz ideia do tamanho do ódio que sinto por essa sonsa. Tudo de ruim que acontece com ela é pouco. Quero que Cristina sofra até morrer.

Miguel segura e beija a mão de Janete.

MIGUEL

O amor une muitas pessoas, mas nós estamos nos unindo pelo ódio, e tenho certeza que os únicos prejudicados serão Frederico, Cristina e quem mais atravessar nosso caminho. (sorri).

Cena 3/Hotel/Suite/Int./Noite.

Régis entra acompanhando de Ágata, que está feliz.

ÁGATA

(sorri) Adorei esse hotel, Régis. É perfeito pra nossa noite.

Ágata se aproxima de Régis para beijá-lo. Régis se afasta.

RÉGIS

(sorri) Vamos com calma. Tenho uma surpresa para você.

Ela começa a abrir os botões da blusa de Régis, sedutora.

ÁGATA

Também tenho uma surpresa para você. (sexy, morde o lábio inferior).

O celular de Régis toca. Ele atende.

RÉGIS

Oi… Ok, pode subir. O quarto é o 202… Já informei para a recepcionista, estou esperando.

Régis desliga o celular. Ágata o olha curiosa.

ÁGATA

(sorri) O que você está aprontando?

RÉGIS

Você já vai saber.

A campainha toca. Régis abre a porta. Cristina entra, olha Ágata, mas não entende a presença da sobrinha. Ágata fica sem ação.

CRISTINA

(confusa) Régis, o que está acontecendo? Você me ligou e disse para vir até esse hotel porque tinha algo a me dizer. O que Ágata está fazendo aqui?

RÉGIS

Cris, eu não tinha outro jeito de acabar com o que está acontecendo.

Ágata fica com vontade de chorar. Pega a bolsa e vai saindo, mas Régis a segura.

RÉGIS

Você vai ficar! Não fuja, porque isso é a consequência do seu ato.

ÁGATA

(nervosa) Você só pode estar louco!

CRISTINA

Eu não estou entendo nada.

RÉGIS

Já tem alguns dias que Ágata está atrás de mim. Ela me persegue, quer que eu fique com ela de qualquer jeito, por mais que eu fale que não quero e que sou casado com você.

Ágata chora. Cristina fica inconformada e encara a garota.

CRISTINA

Ágata, você quase arruinou a vida do meu filho e agora vem atrás do meu marido? Que tipo de pessoa você é?

ÁGATA

(olha para cima, seca as lágrimas, olha Cristina) Não é bem assim, tia. Régis se enganou, está me acusando sem saber.

RÉGIS

(nervoso, voz alterada) Não minta, garota! Você só falta arrancar a minha roupa quando me encontra! Diz que não se importa que eu seja o marido da sua tia, que só quer sexo e que o resto não importa!

Ágata fica com raiva de Régis. Cristina fica chateada, com vontade de chorar.

CRISTINA

Não preciso ouvir essas coisas. (a Ágata) Janete é minha irmã, e eu a amo muito. Seu pai é um grande amigo e não quero magoá-los, por isso não vou contar essa sua atitude horrível a eles; mas vou te pedir que se afaste. Não vá mais a minha casa e nem ao grupo Werneck. Quero você longe do meu marido e de mim também. Achei que, por ser sua tia, você tinha alguma consideração por mim, mas vejo que não.

ÁGATA

Pode ficar tranquila, Cristina. Não vou mais me aproximar de vocês, mesmo porque homens fracos como Régis me dão nojo. Ele só te contou o que está acontecendo porque é covarde!… Viu que estava cedendo e que me levaria para a cama. (a Régis) Só faltou você contar que me beijou várias vezes e me olhava com tanto tesão que me comia com os olhos!

Ágata sai. Régis fica sem reação. Cristina se senta na cama, abaixa a cabeça, triste, e chora.

CRISTINA

A minha vida está de cabeça para baixo. Descobri que Felipe não morreu e que ele me odeia por achar que eu o abandonei… Ele me odeia a ponto de incendiar a Fundação. Não faço ideia de onde Flávio esteja. Enfrento o ódio da sua mãe todos os dias, e agora isso… Minha sobrinha e meu marido tendo um caso.

Cristina chora muito. Régis se senta ao lado dela, segura sua mão tentando consolar e a olha nos olhos.

RÉGIS

Cris, eu nunca tive nada com a Ágata. Ela estava com o orgulho ferido, por isso te disse aquelas coisas. Eu amo você. Não sei viver sem você, e tudo isso que está acontecendo nós vamos resolver juntos. Tenho certeza que as coisas vão se esclarecer. Vamos descobrir o que aconteceu quando nossos filhos nasceram e prometo, meu amor, que tudo vai ficar bem. Felipe e Flávio vão estar ao nosso lado, e vamos ser muito felizes.

Cristina abraça Régis, está inconsolável.

CRISTINA

Não sei se vou aguentar tudo isso, Régis. Não sou forte o suficiente.

Régis enxuga as lágrimas de Cristina; segura o rosto dela com as duas mãos com carinho.

RÉGIS

(olha nos olhos de Cristina) Estou com você, ao seu lado. Você vai aguentar, meu amor; não vou deixar você sozinha. Juntos somos fortes. Eu te amo.

CRISTINA

Eu também te amo, Régis, amo muito.

Régis e Cristina se beijam, se abraçam, um consolando o outro.

Cena 4/Dia Seguinte /Rio de Janeiro/Cativeiro de Flávio/Int./Dia-Manhã.

Flávio está sentado em uma cadeira, pensativo. Daniela entra trazendo o café da manhã de Flávio, acompanhada por Tico. Flávio fica feliz ao ver o menino.

FLÁVIO

(sorri) Bom dia, Tico. Que surpresa te ver aqui!

Daniela coloca as coisas que trouxe na mesa.

DANIELA

Foi só ver que eu estava com comida que ele me seguiu.

TICO

Ontem você me disse que o clone do Henrique estava doente e eu vim ver ele, ué.

DANIELA

(sorri, coloca a mão na cintura) Então você não quer tomar café da manhã?

TICO

Claro que quero.

FLÁVIO

(dá risada) Eu vou adorar tomar café com você.

DANIELA

(se senta) Já podem se servir. Hoje trouxe suco também.

FLÁVIO

Gilberto não manda nada mais do que café e pão e hoje ele deixou você trazer suco. Ele deve estar realmente satisfeito por ontem.

DANIELA

Gilberto não sabe que eu trouxe. Sei que você gosta e fiz pra você.

FLÁVIO

Obrigado.

Tico começa a comer pão.

TICO

Então, clone, você está melhor?

FLÁVIO

(sorri) Eu não sou clone do Henrique, sou gêmeo dele. Me chamo Flávio e, sim, estou melhor, graças à ajuda da Daniela.

TICO

(sorri) A Dani é demais. Ela sempre me ajuda quando tenho um problema. Ela é a única pessoa que faz isso.

FLÁVIO

Tico, você gostaria de encontrar seus pais?

Daniela observa. Tico fica chateado.

TICO

Não sei… Tenho medo.

DANIELA

Por quê, Tico?

TICO

(chateado) O Henrique me disse que viu quando minha mãe me jogou aqui na favela e foi embora, que ela não me quis.

DANIELA

(brava) Esse Henrique é uma peste mesmo. E você não tinha que acreditar; sabe que ele é ruim.

FLÁVIO

Henrique te contou uma mentira, Tico, mas eu sei uma coisa que é verdade. Quer saber o que é?

TICO

(sorri) Quero!

FLÁVIO

Eu conheço a sua mãe, e ela não te jogou aqui. Ela te ama muito e está louca para encontrar você.

Tico fica feliz.

TICO

(empolgado) É mesmo? Como ela é? Qual é o nome dela? Onde ela está?

DANIELA

(dá risada) Ei! Calma, Tico! Quanta pergunta!

Gilberto entra e vê Daniela e Tico.

GILBERTO

O que vocês estão fazendo aqui?

Tico fica com medo e corre para o lado de Daniela.

DANIELA

Eu vim trazer o café do Flávio.

GILBERTO

E resolveu trazer o menino e fazer um piquenique? Isso aqui não é parque de diversões. Flávio está preso aqui, não passando férias. Pega esse pivete e leva pra bem longe daqui!

Daniela se levanta, segura a mão de Tico e sai com ele.

GILBERTO

Hoje você vai falar com a sua mamãe. Já está na hora de falar com a Cristina… você e eu.

Flávio olha Gilberto, com medo, pensativo.

Cena 5/São Paulo/Hospital/Quarto de Henrique/Int./Dia.

Henrique está deitado, pensativo. Tamara entra e se aproxima da cama de Henrique.

TAMARA

(sorri) Então é verdade que tu tá doente. Já pensei que fosse mentira do Parceiro.

HENRIQUE

Tamara, o que você veio fazer aqui? Não quero que ninguém te veja. Pode me comprometer.

TAMARA

(brava) Te conheço muito bem, Henrique. Tu não quer que aquela loira azeda me veja.

HENRIQUE

Sai daqui, Tamara!

Tamara se deita na cama ao lado de Henrique.

TAMARA

Tu vai largar a noivinha azeda do Flávio e ficar comigo, ou então vou abrir minha boca e contar pra todo mundo que tu não é o Flávio.

Henrique segura e aperta o pescoço de Tamara. Fala no ouvido dela.

HENRIQUE

Esqueceu quem eu sou? Do que sou capaz? Só não acabo com você aqui porque não dá; então agradeça a chance, suma da minha vida e nunca mais ouse me ameaçar, entendeu?

Henrique solta Tamara, que se levanta tossindo, com falta de ar, e olha Henrique com raiva.

TAMARA

Tu vai se arrepender, Henrique!

Tamara sai do quarto. Henrique fica com raiva.

HENRIQUE

Vou ter que dar um jeito nessa periguete de uma vez por todas.

Cena 6/Hospital/Corredor/Int./Dia.

Tamara está caminhando apressada pelo corredor; está nervosa. Roberta dá de frente com ela.

ROBERTA

Você aqui?

TAMARA

(encara Roberta) Tu fala como se fosse tua propriedade o hospital, oxigenada sem graça.

ROBERTA

O hospital pode não ser meu, mas Flávio é. Sei que você está aqui por causa dele.

TAMARA

Tu não sabe de nada.

Tamara sai. Roberta fica chateada, pensativa.

Cena 7/Mansão dos Werneck/Suíte de Silvia/Int./Dia.

Silvia está se maquiando se olhando no espelho. Frederico entra.

FREDERICO

Eu tomei uma decisão.

SILVIA

(se olhando no espelho) Sobre o quê?

FREDERICO

Por sua culpa, meu filho está perdido por aí, longe da família e de tudo que poderia oferecer a ele. Por isso resolvi mudar meu testamento. Metade de tudo que tenho será dele.

Silvia olha para a maquiagem, pensativa; pega um batom vermelho e se olha no espelho.

SILVIA

(tranquila) Jamais irei permitir uma coisa dessas. Régis e eu temos muito mais direito do que qualquer bastardo.

Silvia passa o batom. Frederico se aproxima dela.

FREDERICO

Não vou tirar nada de Régis e sim de você, que está cada vez mais mesquinha e manipuladora. Suas maldades não têm , Silvia.

Silvia se levanta e encara Frederico.

SILVIA

Você não faz ideia do que eu sou capaz para defender o que é meu.

FREDERICO

Nada do que fizer vai mudar a minha decisão, ainda mais com Miguel por perto. Tenho que garantir um bom futuro para meu filho.

SILVIA

Se você fizer isso/

FREDERICO

Nem gaste seu tempo me fazendo ameaças. Eu vim te avisar o que vou fazer. Nada mais justo do que recompensar o menino que foi arrancado da mãe. Agora me dá licença. Tenho que entrar em contato com o meu advogado.

Frederico sai. Silvia fica pensativa e se olha no espelho.

SILVIA

Que pena, Frederico! Queria que você vivesse mais tempo, porém diante dessa situação terei que agir o mais rápido possível. Não vou dar o que é meu para um bastardo.

Cena 8/Casa de Janete/Quarto de Ágata. Int./Dia.

Ágata está dormindo. Janete entra e abre as cortinas. A claridade incomoda Ágata, que se senta na cama sonolenta.

ÁGATA

Por que você fez isso? Que horas são?

JANETE

(brava) O que você estava fazendo ontem a noite com o Régis?

ÁGATA

Como sabe que estava com ele?

JANETE

Porque eu vi vocês saindo do restaurante. Para onde foram?

ÁGATA

Janete, isso não te interessa, afinal ele é casado com a Cristina e não com você.

Janete puxa Ágata pelos braços, a levanta da cama, dá um tapa no rosto da filha e a chacoalha.

JANETE

(raiva) Eu não estou brincando, Ágata! Fala agora aonde você foi com Régis!

Ágata se solta de Janete coloca a mão no rosto, chora e dá risada ao mesmo tempo.

ÁGATA

Isso tudo é tão patético, Janete. Você aqui morrendo de ciúmes de um homem que nunca sentiu nada por você. Ele só tem olhos para a Cristina. É ela que Régis ama. Você quer saber o que aconteceu? Vou te contar: eu estava com Régis em minhas mãos; ele me comia com os olhos, Janete; me beijava. Mas ontem ele resolveu a situação dele. Me chamou para ir a um hotel e convidou a tia Cris. Sabe o que o covarde fez? Contou a ela tudo o que estava acontecendo. (dá risada) Ele se fez de santo pra tia Cris. Daí vim embora, mas por pouco eu não consigo o que você sempre quis, Janete: o Régis.

Janete puxa e segura o cabelo de Ágata.

JANETE

(raiva) Não te quero nessa casa! Pega suas coisas e some daqui!

Janete empurra Ágata, sai do quarto dela e bate a porta. Ágata fica com vontade de chorar; está nervosa.

ÁGATA

Você vai ver, Janete; e Régis também… Agora é pessoal: eu vou destruir o casamento dele.

Cena 9/Hotel/Suíte de Régis e Cristina/Int./Dia.

Régis e Cristina estão se arrumando para saírem do hotel. Cristina está triste. Régis percebe, se aproxima dela e a abraça.

RÉGIS

Vai ficar tudo bem, meu amor. Você vai ver.

CRISTINA

O que eu mais desejo é saber o que aconteceu no dia em que os gêmeos nasceram. Nós vimos nosso filho morto. Não é possível que os médicos tenham se enganado e nem que nos comunicasse que Felipe estava vivo.

RÉGIS

Já contratei um detetive para encontrar o médico e a enfermeira. Tenho certeza que logo vamos ter todas essas respostas.

O celular de Cristina toca. Ela pega o aparelho e atende.

CRISTINA

Alô?

FLÁVIO

(off) Mamãe?

Cristina fica eufórica e emocionada ao ouvir Flávio.

CRISTINA

Flávio! Onde você está, meu amor?

Régis se aproxima de Cristina e presta atenção à conversa.

Cena 10/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Dia.

Gilberto pega o celular da mão de Flávio.

GILBERTO

(ao telefone) Quanto tempo, Cristina?

CRISTINA

(Off) Gilberto, eu quero falar com meu filho. Por favor, solta ele. Eu pago o quanto você quiser.

GILBERTO

O playboy vai continuar comigo. Se você resolver abrir o bico pra polícia, ele morre.

CRISTINA

(off, desesperada, chora) Não vou denunciar! Só quero meu filho de volta. Me deixa falar com ele! Eu imploro!

GILBERTO

Você só vai falar com ele quando eu quiser.

Gilberto desliga o celular.

Cena 11/São Paulo/Hotel/Suite de Cristina e Régis/Int./Dia.

Cristina fica desesperada e chora muito.

CRISTINA

Ele desligou, Régis. Não me deixou falar com nosso filho!

Régis fica preocupado e abraça Cristina, consolando-a.

RÉGIS

Cris, se ele ligou, agora é certeza que vai fazer a mesma coisa em breve. Temos que avisar à polícia para rastrear a ligação.

CRISTINA

Não! Gilberto disse que vai matar Flávio se a gente denunciar. Não podemos colocar a vida dele em risco.

RÉGIS

Cris, vamos ter que convencer Felipe… o Henrique… a nos ajudar. Eu sei que ele nos odeia, mas é o único que pode ajudar.

CRISTINA

Duvido muito que ele vá falar alguma coisa… mas é melhor você tentar. Acredito que ele não te odeie como me odeia.

RÉGIS

Tudo bem. Hoje mesmo falo com ele.

Cena 12/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Dia.

Henrique e Roberta entram. Ela está chateada.

HENRIQUE

Princesa, você não disse nada o caminho todo. Aconteceu alguma coisa?

ROBERTA

Encontrei sua amiga no hospital.

HENRIQUE

Que amiga?

ROBERTA

Tamara, acho que é esse o nome dela.

HENRIQUE

Agora entendi porque você está assim, princesa. Essa Tamara não significa nada pra mim.

ROBERTA

Mas você significa alguma coisa pra ela, ou então ela não teria me enfrentado.

HENRIQUE

(segura a mão de Roberta) É de você que eu gosto e muito.

ROBERTA

Antes você vivia dizendo que me amava. Agora você diz que gosta de mim. Flávio, eu não quero te forçar a nada Te amo muito, mas se você tiver dúvidas sobre nosso casamento, sobre o que sente por mim, podemos dar um tempo e ver o que acontece, mas peço que não me traia, que não minta para mim. Prefiro a verdade sempre.

HENRIQUE

A verdade é uma só: amo você, Roberta. É um amor que nem eu mesmo sabia que poderia sentir por alguém Não quero dar tempo; quero continuar. Me casar com você princesa é o que mais quero.

ROBERTA

(sorri, abraça Henrique) Que bom ouvir isso, meu amor! Te amo demais e não quero te perder.

Silvia desce as escadas e olha Roberta e Henrique abraçados.

SILVIA

É bom te ver em casa de novo, Flávio. Como você está se sentindo?

HENRIQUE

Melhor.

SILVIA

Que bom! Sua mãe e seu pai passaram a noite fora. Achei que voltariam com você, mas vejo que veio sozinho.

Roberta fica sem graça. Henrique não gosta de como Silvia falou.

HENRIQUE

(encara Silvia) Não estou sozinho. Roberta me trouxe.

SILVIA

(olha Roberta com desprezo) Dá no mesmo pra mim. Com licença, Flávio. Seu avô não está se sentindo muito bem. Vou ver se melhorou.

Silvia sobe as escadas.

ROBERTA

Desculpa, meu amor, mas a sua avó é insuportável. Não sei como a Cris a aguenta esses anos todos. Que mulher preconceituosa!

HENRIQUE

Eu vou ter uma conversa com ela. Não vou admitir que ela ou qualquer pessoa te trate dessa maneira.

Roberta sorri e beija Henrique.

Cena 13/Suíte de Silvia e Frederico/Int./Dia.

Silvia entra e ouve o chuveiro ligado. Frederico está tomando banho. Silvia pega sua bolsa, a abre e pega um frasco. Daí pega dois comprimidos, coloca-os em um copo e guarda o frasco na bolsa. Dissolve os comprimidos com água e coloca o copo em cima da mesa. Frederico sai do banheiro com uma toalha enrolada no corpo. Silvia se senta na cama.

SILVIA

Você vai até o grupo?

FREDERICO

Vou. Com Miguel por aqui, não posso descuidar dos negócios.

Frederico pega o copo com água que Silvia colocou em cima da mesa e bebe. Silvia observa.

SILVIA

Não se preocupe com Miguel. Tenho certeza que ele vai sumir da mesma forma que apareceu.

Frederico abre o closet e pega um terno. Sente tontura e se segura na porta. Silvia se levanta e se aproxima de Frederico.

SILVIA

E você vai morrer, Frederico. Acha mesmo que eu vou dar o que é meu para um bastardo?

Frederico se senta no chão, passando mal.

FREDERICO

O que você fez, Silvia?

SILVIA

(fria) A mesma coisa que fiz com aquela vadia por quem você e Miguel estavam apaixonados. Eu a matei para me casar com você; afinal a sua fortuna sempre foi importante para mim. Nenhuma ordinária iria roubar de mim, e agora… vou matar você.

Frederico tenta se levantar. Está fraco. Coloca a mão no peito.

SILVIA

Não gaste seus últimos momentos com tentativas inúteis de pedir ajuda. Você está tendo um infarto, meu querido, e exame nenhum vai constatar o remédio que te matou.

Frederico morre. Silvia sorri.

SILVIA

Vai encontrar aquela vadia no inferno, Frederico, e pode deixar que vou cuidar muito bem do seu bastardo. Vou cuidar para que ele não seja encontrado.

Fim do Capítulo

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