— Já faz uma semana que eu liberei o vírus pandora na rede mundial de computadores, e pelos meus cálculos dentro de um mês, ou talvez menos tudo estará acabado e você poderá pôr em pratica o seu plano.
— Ótimo. — A voz de Zaon ecoou vinda do nada.
Az estava concentrado diante do computador de seu quarto envolto por códigos binários que mais lembravam uma cena deletada de matrix: números, letras e fórmulas matemáticas dançavam diante de seus olhos, procurando por uma possível falha, que pudesse arruinar tudo.
Pela enésima vez ele conferiu todos os cálculos, e assim o vírus conhecido como Pandora estava pronto para o seu primeiro teste.
Aquilo não poderia dar errado, ou o futuro ao qual o garoto almejava estaria perdido para sempre. Um futuro onde ele seria o salvador do mundo, um futuro sem guerras, sem fome, sem doenças. Um futuro perfeito em que ele seria aclamado por todos os povos por fazer da terra um lugar melhor, mas, para isso, Sam e seus anjos teriam que morrer.
Há algumas semanas Ângelo Azuos, Az para toda a rede mundial de computadores, conheceu Zaon, um homem misterioso e cheio de segredos que dividiu com Samuel uma vida cheia de horrores e sofrimento, lutando por uma causa sem sentido.
Zaon havia ficado preso em uma dimensão paralela para aprisionar um ser de energia negativa que queria destruir todas as formas de vida existentes no planeta. Ele e um grupo de jovens guerreiros lutaram bravamente para derrota-lo. Zaon se sacrificou para aprisionar a criatura em seu corpo para que assim os amigos pudessem selá-lo em uma dimensão paralela, agora ele precisava de ajuda retomar a sua forma verdadeira e habitar em um corpo físico permanentemente.
Até então ele era apenas uma aura negra de energia vagante capaz de destruir tudo o que toca. Para conseguir tal proeza ele precisaria da energia elementar dos novos guardiões e do corpo experiente de um antigo guardião.
Eu sei que a história não parece fazer o menor sentido, (e não faz mesmo!) Pelo menos não na cabeça de Az. Seu único objetivo nisso tudo é provar para o mundo que Lucca, seu maior inimigo, não é a pessoa que todos pensam… E se de quebra ele conseguir o amor de Alice ele fará de tudo para que isso se torne realidade. Não importando o que ele tenha de fazer.
— Você tem certeza que isso vai dar certo? — Ele perguntou mais uma vez para o vazio.
— Esse é o único jeito de eu conseguir meu poder de volta. Só depois que eu estiver com força total, eu poderei reconstruir um mundo perfeito, onde você e Alice poderão ser realmente felizes. Onde as barreiras impostas pelos povos antigos não existirão mais.
— Mas porque tem que ser ela?
— Porque ela é a chave para destruí-lo por dentro. Só quando o coração dele duvidar eu terei total controle. Alice é a reencarnação de Helena, o amor que ele perdeu séculos atrás. Faça-os pensar que tudo não passa de um jogo, e quando eles menos esperarem eu estarei com meu corpo pronto para destruí-los.
— E como isso vai funcionar? — Ele perguntou sem tirar os olhos da tela, ainda digitando os códigos.
— É muito simples meu caro. Nós destruiremos esse universo e reconstruiremos um novo com a energia Elemental guardada nos confins do universo, nele você terá tudo o que deseja. Mas antes, você deve destruir as mínimas camadas de podridão que compõem este universo…
— Humanidade, intelecto e magia, e para cada uma delas uma dimensão paralela se formou nos confins do tempo. Isso você já me disse.
— Sem essas três vertentes, o universo inteiro ruirá, e com ela todas as mazelas do mundo. É ai que o nosso plano se encaixa — Zaon continuou. — Poucas pessoas nesse mundo são capazes de enxergar a magia, isso fragmentou a magia através das eras.
— Pandora tornará o homem um brinquedo inconsciente. — Az se limitou a dizer. — Não sei se isso é certo.
— Confie em mim. Quando essas duas dimensões estiverem destruídas a terceira dimensão deixará de existir e com ela o casulo que me prende.
***
Ele desceu mais uma vez ao porão para checar como ela estava, mesmo com o adiantado da hora, Az sempre aparecia para dar boa noite e alimenta-la. Alice continuava em seu estado vegetativo de sempre, desde o dia em que ela fora sedada e presa na sala de química do instituto Simons há algumas semanas, desde então o garoto vem mantendo ela em uma espécie de coma induzido, implantando nela a cada 24 horas doses monstruosas de uma mistura criada por ele de sangue de homem morto (capaz de nocautear qualquer vampiro em questão de segundos), e nanites, que fizeram dela um mero fantoche.
As maquinas ligadas a ela monitoravam seus batimentos e a atividade cerebral acelerada graças ao vírus implantado em sua corrente sanguínea. Az segurava a mão dela observando sua expressão serena e tranquila.
Tudo ficará bem meu amor. – ele sussurrou calmamente no ouvido dela. – Quando tudo acabar, você vai me amar do mesmo jeito que eu te amo. É tudo uma questão de tempo.
A nanotecnologia implantada em seu corpo permitia que Az estudasse como a mente da garota se comportaria em um mundo virtual controlado, assim ele poderia induzir nela memórias falsas de uma vida fantástica dependendo apenas de sua vontade.
Com base nos dados coletados nessas primeiras semanas Az desenvolveu um protótipo viral capaz de induzir as pessoas a fazer o que ele quisesse com apenas uma mensagem.
A ideia era implantar no maior número de pessoas os nanites que controlariam as ações das pessoas.
Enviando essa primeira mensagem teste para toda a sua lista de e-mails ele fez todos os alunos faltarem às aulas em ordem alfabética nos 26 primeiros dias de teste.
Como esperado ninguém percebeu nada. Sendo assim se deu a segunda fase do seu plano. Agora seria a vez dos professores receber sua parcela de controle mental.
E assim a brincadeira começou.
***
O relógio marcava meia noite quando Jonathan finalmente terminou de escrever e revisar sua última tarefa. Ele foi forçado pelas circunstancias a virar a noite terminando o trabalho para ser entregue no dia seguinte.
Como era de costume o garoto sempre deixava para a última hora as atividades escolares, e isso o garantia quase sempre uma nota mediana que não fazia dele um estudioso, mas garantia que não ficasse reprovado no final do ano.
Pela enésima vez naquele dia, o garoto abriu o navegador da internet em seu laptop e digitou automaticamente os endereços cibernéticos que ele sempre abria: o seu endereço de e-mail, todas as suas redes sociais e um site qualquer para download para pôr em dia seus episódios atrasados.
Enquanto esperava o fim do download do último episódio de uma de suas series favoritas, o garoto voltou sua atenção para o facebook, olhando, curtindo e comentando os posts de seus amigos com alguns gracejos maliciosos, além de colocar seus próprios posts a sua linha de tempo.
Um ou dois na verdade.
Em poucos segundos, aquela atividade corriqueira se tornou monótona e chata, fazendo- o pensar duas vezes antes de continuar ali, o garoto de cabelos escuros checou mais uma vez a porcentagem do download em andamento.
Faltavam ainda 20% para a conclusão do download, o cronometro do gerenciador marcava cinco minutos, tempo suficiente para uma olhadinha rápida para responder aos e-mails que por ventura chegaram desde a última vez que ele checou sua caixa de entrada.
Nada mudou desde a última hora em que ele havia visto aquela caixa de entrada. Jonathan já estava indo para o link de saída quando uma nova mensagem apareceu rapidamente diante dele:
A CAIXA DE PANDORA – LEIA E REPASSE.
Aquele e-mail claramente era uma pegadinha vinda de algum conhecido, ou simplesmente uma corrente da internet em que um idiota mandava você reenviar à mensagem ou algo ruim iria acontecer.
Sem pensar duas vezes o garoto resolveu dar uma olhada naquela brincadeira, se fosse interessante ele entraria na onda, se não seria deletada sem nenhum problema.
Em uma fração de segundos inúmeras imagens apareceram diante dele, tão rápido que era impossível dizer do que realmente se tratava aquele e-mail.
Seus olhos começaram a doer.
Levando a mão aos olhos ele apertou com força o início do nariz para poder se livrar da dor por um momento, e ao fechar os olhos uma mensagem escrita em letras brancas se projetaram dentro de suas pálpebras.
VOCÊ NÃO VAI A AULA AMANHA!
Depois disso ele simplesmente apagou.-” ”>-‘.’ ”>





