“Devido ao amor, dou passos firmes, perseverança para seguir e para ver um cenário mais esplêndido.”- Wang Yibo

✽ • ✽

A sequência de fotos tocava Zhan, conforme passava-as esforçava-se para lembrar do momento que as tirou, porém, sem sucesso. Era como se as vissem pela primeira vez, estranhamente sentindo seu peito aquecer. Até que chegou nas fotos que o fez se arrepiar e o coração palpitar, Wei Xian estava com ele e com tamanha surpresa se viu sorrindo naquelas fotos.

— Eu, estou sorrindo…

— Sim… – Huan estava sentado ao lado de Zhan com seu notebook aberto sob o colo, enviando as fotos que tinha no HD. – Você só sorria tão abertamente ao lado de Xian, no mais é com um sorriso breve e atualmente empolgado quando é com a Bel.

Zhan olhava as fotos, vez ou outra parava em algumas, até ver a foto das alianças, novamente sentiu um tremor no corpo e coração palpitando insistindo em não lhe dar sossego. Pegou as alianças olhando seus detalhes e a foto. Em cada uma havia gravado na parte interna o nome deles. Zhan pegou a que tinha o nome de Xian e colocou no seu dedo encaixando perfeitamente e a que tinha seu nome colocou em outro dedo, era mais fino. Zhan recordou que os dedos de seu ex-chefe Wei Xian são mais finos e longos.

Huan observava todas as ações de Zhan com leve sorriso.

— Essas alianças se recordo bem foram as que Xian mandou fazer como presente de um ano de namoro. – Huan comentou.

Zhan estendia a mão como na foto olhando o brilho prateado, suspirou sutilmente ao estender a outra mão com a aliança que usava de noivado com a Bel.

— Eu queria ter uma resposta… O que devo fazer?

— Eu não as tenho Wang, infelizemente.

— Hm – Baixando as mãos pegou novamente o seu ‘smartphone’ e continuou a ver as fotos, algumas só de Xian. Ele sorriu parando um tempo sobre as que achava mais bonitas.

Ele não podia negar que aquele rosto e sorriso eram lindos, vendo aquelas fotos sentia uma atração por tocá-lo. Zhan se repreendia muitas vezes no trabalho, mas sempre que podia, dava um jeitinho de tocar em Xian. O toque nos dedos quando entregava as anotações e documentos para o outro assinar eram os mais frequentes e tornava seu dia mais motivador. Recordou que chegou a ajeitar a gravata de Xian antes de uma reunião que por ser muito cedo fez seu ex-chefe sair de casa atrasado e ir se arrumando pelo trajeto até a empresa. Zhan assim que o viu chegar e enrolado com a gravata, ficou impaciente se prontificando a arrumar o nó para o outro. Xian não gosta de acordar cedo e achava divertido vê-lo resmungar todos os dias pela manhã.  Às vezes se preocupava já que Xian não se alimentava corretamente e naquele período trazia todos os dias copo de café com leite que preparava. Wei Xian é tão focado no trabalho não notava esses detalhes. Aliás, desde a entrevista rara foi às vezes que Xian o fitava nos olhos, quando acontecia a troca de olhares Zhan notava o desconforto. Xian estava sempre de cabeça baixa e falando de trabalho sem parar. Pelo menos ele não rejeitava seus cuidados, como enviar mensagem pela manhã previamente combinado para que Xian acordasse cedo e não se atrasasse mais. Wei Xian confiava plenamente em Zhan. Em meio a essas recordações suspirou chateado, quisera poder voltar no tempo e ter ao menos evitado o afastamento.

Zhan gostava de trabalhar com Xian, sempre profissional e impecável na empresa. Xian o atraia por sua perspicácia e inteligência. Aprendeu rápido o português, era de certa forma divertido ensiná-lo, as expressões confusas por não entender trocadilhos eram fofas e encantadoras.

No entanto, aquele fascínio por Xian começou a mudar quando ele passou de admiração para desejo. Nesse momento que pensava quando começou a sentir tal sentimento, rolou na tela  uma foto que o surpreendeu abrindo ligeiramente os olhos. Ambos estavam de roupão branco, apesar de bem próxima à imagem era certo que estavam sob uma cama.

Huan que respondia alguns e-mails espiou Zhan e notou um tom roseado no lóbulo da orelha, sorriu consigo lembrando de como achava fofo o jeito de Wang se sentir envergonhado, ao menos aquela timidez não mudará por fim comentou.

— Acho melhor vê o restante em seu quarto.

Zhan rolou os olhos para o canto da órbita e demonstrou nitidamente receio pelo que poderia ver.

— Sim, tem fotos íntimas de vocês.

Zhan engoliu seco e chegou a gaguejar quando perguntou:

— C-como você tem essas fotos…?

— Uma vez seu notebook apresentou problemas e com medo de perder os arquivos pediu para salvar a pasta em meu notebook, tinha medo de colocar na nuvem e o pai descobrir. – Huan parou de digitar e continuou: – Eu tenho tantas coisas no meu notebook que acabou ficando perdido no HD, algum tempo depois que tudo aconteceu fazendo uma limpa vi que ainda estavam lá, você possivelmente tenha deixado a cópia. Eu não tinha mais nada seu, algumas fotos da mãe e você bebê, então as guardei.

Zhan voltou o olhar a tela do aparelho deslizando a foto seguinte com cautela até ver que era de um beijo. Os arrepios voltaram a subir pela espinha e o coração não parava quieto de tanto que palpitava. Ofegou tentando buscar fôlego para se acalmar.

— Eu não entendo…

Este fechou os olhos, recordando de quando surgiu o seu desejo por Xian. O dia que eles foram visitar o canteiro de obras da montadora, a situação fora estranhamente assustador para Zhan. Xian estava verificando o local e distraidamente pisou em falso, para não cair, se segurou em Zhan. Automaticamente, este estendeu o braço direito envolvendo a cintura de Xian para evitar sua queda.

Um leve gemido e suspiro perto de seu ouvido foi o suficiente para despertar um sentimento voraz em Zhan, foram segundos, mas o deixou tão atordoado que precisou Xian falar mais alto para dispertá-lo daquele torpor momentâneo e soltá-lo. Desse dia em diante, olhar Wei Xian era maravilhosamente doloroso, aquele sentimento de admiração ganhou acréssimo de proteção e  desejo. Zhan sentia que estava agindo errado por tantos sentimentos pelo seu chefe, mas pensava em sua noiva, ele se repreendia o tempo todo lutando contra tudo que estava sentindo, até descobrir sobre o passado.

— Irmão, será que por eu perder a memória algo foi afetado em minha personalidade?

Huan olhou-o preocupado.

— O que quer dizer?

— Eu me assumi homossexual, mas depois do acidente… – Zhan estava um tanto constrangido ao falar sobre algo tão íntimo, no entanto, Huan o conhecia e após pensar um pouco decidiu se abrir mais a ele. – Eu deveria ter continuado a ser ‘gay’, certo?

— Hum… – Huan ficou pensativo, realmente era algo que o intrigava. – Como é quando olha outros homens?

Zhan ficou pensativo, ele podia dizer que achava alguns brasileiros bonitos, mas não ao ponto de querer estar intimamente com alguns deles.

— Não sinto nada, na verdade não gosto que me toquem, pensar na possibilidade dar até uma certa repudia.- Esboçou uma leve careta.

— Você nunca gostou de ser tocado desde que tinha 3 anos. – Huan ficou pensativo e ousou na pergunta seguinte. – Não sente atração e nem desejo por homens e pela Bel?

— A Bel… – Zhan pensou um pouco nela e olhou a aliança em sua mão. – Eu gosto de estar com ela, amo seu jeito e suas atitudes. Bel sempre foi muito decidida no que queria, ela é divertida e me anima…

— Wang isso eu sei, eu vejo como se tratam e admiro muito, mas… – Huan voltou a pressionar. – Estou falando de desejo, tesão e sexo.

— …

Zhan voltou a olhar aliança de noivado com a Bel.

— Ela é fogosa, sempre é bom com ela.

— Entendo… – Huan ouviu a resposta ainda mais preocupado, pensativo resolveu ir por outro caminho para conversar sobre relacionamento dele com a noiva. – Como você sabe, meu casamento foi arranjado, no entanto, eu procurei conhecer a minha esposa antes do encontro formal preparado por nossas famílias.

Zhan ficou atento ao que Huan falava.

— Ela era linda, inteligente e decidida. – Huan sorriu recordando. – Ela não queria se casar, dizia que seu coração tinha que se apaixonar para poder dar esse passo tão importante. Concordo com ela, tanto que assim que a vi eu me apaixonei. – Suspirou com leve brilho nos olhos. – Eu lutei para conquistá-la, tive que ser paciente e agir nos momentos certos para faze-me ser visto por ela. Eu mostrei-lhe que pensava o mesmo, que somente por amor que me casaria. É um sentimento que só transborda em mim, quero sempre a ver bem respeito seu espaço e gosto de suas atitudes para resolver problemas que eventualmente acontecem. Ainda não temos filhos, concordamos que primeiro cuidaríamos dos nossos projetos e atualmente ela é gerente de um grande banco e eu administro as empresas. Eu olho para a mulher ao meu lado e mesmo com todos os afazeres e pouco tempo nós dois nos dedicamos um ao outro naqueles pequenos momentos e assim que estamos juntos a mais de 10 anos. – Huan a todo momento de seu relato tinha uma expressão apaixonada. – Eu continuo um tolo apaixonado. – Sorriu de si mesmo.

Zhan notou, entendeu o que seu irmão queria dizer. Bel era boa para Zhan, sempre parceira, ajudando e o dando apoio, no entanto, apesar de ele agir com ela da mesma forma retribuindo percebeu que era mais por companheirismo. Amor, sim, ele tinha esse sentimento por ela. Carinho e cuidado, ainda mais diante de tantas situações ruins que eles tiveram que superar, ainda é amor…, mas o amor não era como o de apaixonado que tinha no olhar de Huan ao falar de sua esposa.

— É possível amar alguém e não a desejar sexualmente, assim como é possível desejar sexualmente alguém e não amar… – Huan voltou a face para Zhan completando seu raciocínio. – O que pensamos que sentimos pode ser somente um sentimento distinto para cada pessoas que temos na nossa vida.

Zhan inspirou fundo e soltou o ar do peito tão sutilmente que não era perceptível.

— Irmão está me dizendo que posso gostar da Bel, mas não do modo como você que ama sua esposa…

— Existem várias formas de amar, eu aprendi com você quando éramos mais novos, algumas experiências na faculdade e claro com o tempo em que vivo ao lado de minha esposa. – Huan concluiu. – O que quero dizer é, o que sente é o suficiente para você e a Bel, não é errado estarem juntos. Se “só” esse sentimento bastar para ambos serem felizes, então se casem e sejam um melhor para o outro cuidando do filho que estar pra vir. – Huan fechou o seu notebook e se levantou colocando-o sem cima do Hack da sala. – Esta noite foi longa, vou me deitar. – Quando estava se direcionando para o quarto ouviu a pergunta de Zhan.

— E se não for o suficiente?

— Continue olhando as fotos do passado e veja o que está faltando para ser o suficiente ou não.

— Irmão não está facilitando as coisas para mim.

— Pelo contrário Wang, estou apenas dizendo o que deveria ter lhe dito anos atrás. – Huan inspirou encarando-o enquanto o irmão mais novo via as fotos no celular. – Você deve pensar no que realmente deseja e quer para sua vida, não pense que deve a alguém ou que sua decisão depende do que os outros querem e sim o que você quer. Seja sincero consigo e só assim poderá ser sincero com a Bel e com Wei Xian. – Sorriu a ele. – Mas, descanse por hoje, foram emoções demais para um dia.

— Boa noite irmão

— Boa noite.

Zhan permaneceu alguns minutos sentado no sofá olhando algumas fotos dele e Xian, sentindo que realmente precisava de uma decisão. Descobrir através do envelope vermelho que seus sentimentos eram intensos pelo outro só o fez ficar ainda mais ansioso. Conversar com seu irmão foi bastante revelador e iria realmente refletir sobre, afinal não tinha como negar que Wei Xian despertava nele sentimentos e desejos que mesmo ao lado da Bel todos esses anos nunca sentiu. O sexo com ela era bom, seu carinho era reconfortante e as conversas divertidas, mas sempre tinham dentro dele esse vazio que o angustiava, era a sensação de não estar onde deveria estar. Ele julgava ser ingrato ou desleal com ela que sempre fez muito por ele. Arfou o ar passando a mão nos cabelos, pensando em soluções que no momento era não tinha, desistindo de continuar naquele momento, se levantou e foi para o quarto dormir.

✽ • ✽

Zhan se levantou muito cedo, madrugada praticamente a sua ansiedade não deixou dormir direito, decidiu que iria à praia, um dos recursos usados e orientados por sua médica era focar em algo que o relaxasse para aliviar a crise. Outono no Rio de Janeiro é mais acolhedor, porém aquele dia a temperatura elevou-se e o sol já brilhava forte mesmo as 6 da manhã.

Encontrou com os colegas e professor da escola de surf, estavam se preparando para entrar no mar, o professor sorridente com seu jeito arrastado de falar foi logo cobrando os dias que no Zhan não veio as aulas.

— Zhan, cara, sumiu por quê? – Estendendo a mão o cumprimentou.

— Trabalho, tem ocupado muito meu tempo. – Retribuiu o cumprimento com leve sorriso.

— Sei qual é… – Jeferson olhou para o grupo acenando. – Aê, vamos fazer um aquecimento para entrar no mar, quero ninguém tendo câimbra na água, “falô”?

O grupo respondeu em coro e começaram os alongamentos, o professor olhou sorridente para Zhan.

— E aí Zhan, quer tentar ir depois do quebra mar?

Zhan olhou para o mar, sempre praticava ficava antes das ondas mais altas.

Por que não? Pensou e em seguida acenou confirmando.

— Vamos, preciso relaxar um pouco…

— Isso aê, estarei do seu lado. – Jeferson olhou o grupo e gritou. – Ei, Bil vem cobrir o Zhan, ele vai tentar ir depois do quebra mar.

Bil era o mais forte e tinha mais fôlego embaixo d’água então, sempre acompanhava os novatos que queriam ir após as ondas altas. Ele correu e se juntou ao professor e Zhan sorridente começou a tagarelar.

— Zhan, se preocupa não, estou aqui qualquer coisa só colar comigo…

— Hm… – Zhan sorriu breve ao agitado rapaz e caminhou para o aquecimento com o grupo.

Em pouco tempo estavam o grupo de 10 surfista incluindo Zhan remando para passar pelas ondas e chegarem no ponto onde poderiam dali surfarem nas ondas mais altas.

Zhan conforme remava o barulho da cidade diminuia, somente o som do vento e ondulação da água quebrava o silêncio do local, ele sentia-se bem com o barulho que a água batendo em seu corpo. Após, alguns minutos chegaram no local onde a maioria dos surfistas gostavam de ficar para analisar as ondas que iriam surfar.

Sentado sobre a prancha Zhan ouvia-os falar das ondas perfeitas que “pegaram” se divertiu com os relatos mais exagerados e olhava alguns deles pegando as ondas que vinham. Junto com Bil ele arriscou pegar uma onda alta e conseguiu, sorrindo por aquele feito voltou remando para o grupo que o aplaudiu.  Zhan estava em paz, sua pequena crise de ansiedade deu lugar a uma calma acolhedora em seu coração. Ao lado de Jeferson e Bil conversaram sobre a falta de tempo e ele comentou que descobriu sua familia verdadeira.

A dupla ficou abismada com aquela história e o apoiaram com palavras de incentivo, Jeferson cobrou de Zhan vir mais vezes para surfar com eles praticar mais. Eles estavam rindo e distraídos que não notaram uma onda se formando atrás deles, de longe um dos surfista acenava frenéticamente.

Nesse instante, Bil foi o primeiro a notar e virou o rosto para trás e gritou a Zhan e Jeferson.

— Puta que pariu, não vai dar tempo, mergulhaaaa…

Zhan e Jeferson viraram o rosto e imediatamente inclinaram as pranchas para mergulhar dentro da onda.

Jeferson e Bil conseguiram perfurar com a prancha ao mergulhar dentro da onda e saíram do outro lado ouvindo-a se quebrar atrás deles.

— Caralho!!! De onde veio essa onda?! – Jeferson começou a olhar para os lados e assustou-se. – Zhan?! – Arregalou os olhos e olhou Bil. – E Zhan?!

Bil esticou o corpo e olhou ao redor, procurando por Zhan, mas a ondulações da água dificultou a visão ao longe.

— Vou mergulhar. – Bil soltou a alça de seu tornozelo que ligava a sua prancha e empurrou para Jeferson. Em seguida mergulhou para procurar por Zhan.

Jeferson olhava em volta procurando a prancha de Zhan, pegou o apito e começou a tocar 3 vezes dando um intervalo. Aquele era o código combinado entre eles de que um dos alunos se perdeu no mar. O grupo rapidamente remou até ele e sob orientações começaram a procurar por Zhan.

No instante que Zhan perfurou a onda sentiu algo correr de seu tornozelo e um solavanco o separou da prancha. Uma correnteza o puxou e foi afundando, um pânico tomou seu peito e forçou os braços para nadar a superfície, no entanto parecia que suas forças eram inúteis e por alguns segundos teve a impressão de ter ouvido algo parecido com a turbina de avião, água a sua volta ficou fria e parou de tentar nadar para a superfície.

Estranhamente o pânico sumiu e deu lugar a uma calma que o impressionou, estava se afogando? Pensou que aquele instante de paz pudesse ser o indício que iria morrer?

As águas o abraçavam e seu peito se aqueceu. Não, ele não queria morrer, enquanto dizia para si mesmo viu sua prancha passar e pegou a faixa que pendia seu tornozelo puxando e se agarrando a ela, submergiu e deitado sob a prancha começou a tossir a água que havia ingerido do mar.

Ouviu o apito de Jeferson e pegou o dele, sabia os códigos e apitou longo para dizer que ele não havia se perdido.

Bil voltou a superfície e pegou sua prancha, Jeferson estava nervoso e o grupo procurando por Zhan, até que ouviram o apito longo e ambos sorriram.

— É o Zhan cara, “bora” Bil é para aquele lado… – Jeferson se deitou sob a prancha e remou em direção a Zhan.

Bil foi na frente e viu Zhan acenando para eles, sorriu aliviado por achá-lo e apitou forte para avisar aos demais que acharam ele.

— Zhan, cara, está bem?! – Bil parou ao lado dele.

— Eu engoli… – Tossia entre as palavras. – água… estava tentando apitar…

— Ahhh, caralho que porra de susto que você me deu Zhan… – Jeferson começou a sorrir.

Zhan conseguiu finalmente se sentar na prancha depois de tomar fôlego e tossir bastante.

— Desculpa…

Bil nesse momento começou a gargalhar, o trio estava realmente aliviado.

— Cara o mar realmente surpreende, estávamos numa área que é raro ter ondas, de repente do nada apareceu uma… Eu hen… – Jeferson resmungava.

Zhan tossiu mais algumas vezes e Bil comentou:

— Melhor voltarmos e Zhan ir ao postinho lá da orla, ele bebeu água do mar.

— Vamos voltar…

Pouco tempo depois estava sentado na maca sendo examinado pelo médico do posto, respondendo algumas perguntas quando foi surpreendido por Bel e Huan entrando no lugar assustados.

Bel era a mais exagerada e olhando para ele começou a enchê-lo de perguntas.

— O que aconteceu? Beto do quiosque me ligou dizendo que você se afogou. – Bel virou o rosto para a enfermeira questionando. – Ele está bem? Engoliu água demais? Precisa de cuidados?

Huan se aproximou com semblante mais calmo sorriu a Zhan.

— Que susto!

— Estou bem, só uma onda que quebrou em cima de nós, eu me desequilibrei… – Zhan falava calmamente. Olhou Bel perturbar o médico querendo mais detalhes. – Melhor tirar ela daqui antes que queria me internar.

Huan sorriu se divertindo com a situação, ambos se aproximaram de Bel e Zhan pegou sua mão a arrastando de dentro do posto, agradecendo ao médico e enfermeira.

— Deixa de ser exagerada. – Zhan resmungou com ela.

— Exagerada? Você quase se afoga e eu estou exagerando? – Reclamava chateada. – O que deu em você de ir depois do quebra mar?

— Eu fui com o pessoal, normal.

— Normal?! Zhan não tem experiência, como pode ir até depois do quebra mar…? – Bel olhava em volta procurando por alguém. – Cadê seu professor riponga?

— Eu! – Jeferson estava sentado em uma cadeirinha ao lado do posto.

— Jeferson, é maluco de levar Zhan depois do quebra mar?

— Calma aí gata… Zhan é “safo” … Só tomou um “caixote” nada demais, hahahaha.

— Ele foi é abençoado por Iemanjá pode ir ao quebra mar sempre, o mar o batizou hahahahaha… – Bil colocava mais pila na zoeira.

Zhan e Huan olhavam o trio e sentindo que aquela confusão de Bel ainda iria demorar um pouco.

— O médico orientou a tomar bastante água, para urinar e eliminar a água salgada do organismo. – Zhan comentou. – Acho que vou me atrasar no trabalho, melhor avisar a Huaisang.

— Sim, primeiro se cuidar, vamos para apartamento. – Huan concordou.

Zhan chamou Bel e se despediu de Bil e Jeferson, deixando a dupla rindo de toda situação. No trajeto de volta teve que ouvir as reclamações da garota.

— Você não vai me inventar de ir de novo no quebra mar.

— Quem disse?!

— Eu, e não vai…

— Sei…

Huan se divertia afinal tudo estava bem e pelo semblante calmo de Zhan podia sentir que algo havia mudado.

Devido ao ocorrido chegou com duas horas de atraso no trabalho e conversando com Huaisang solicitou compensar o atraso com hora extra após o expediente.

Era hora do almoço e como sempre Huaisang se sentou com Cheng e Xian para comerem, entre conversas sobre os processos que teriam que ver na parte da tarde o chefe de Zhan soltou propositalmente sobre o incidente de Zhan.

— Sr. Han chegou atrasado hoje… – Falou despreocupado.

Xian que olhava a tela de seu smartphone parou o que fazia e ergueu os olhos curioso. Cheng também demonstrou curiosidade e perguntou.

— Ele nunca se atrasa, o que aconteceu?

— Ele se afogou na praia.

Xian arregalou os olhos apavorado deixando cair o seu smartphone sob o prato de comida.

— C-como? – Xian olhou em volta procurando por Zhan.

— Ele estava surfando.

Xian procurou em meio aos funcionários e quando avistou-o se levantou ignorando Cheng e Huaisang indo até Zhan que estava encostado na grade do pátio tomando gole de chá e assistindo vídeo no celular.

Xian não conseguiu se controlar, seu coração batia tão forte e um medo enorme corria por todo seu ser… Ele se afogou… Seus olhos tinha um brilho lacrimoso quando se aproximou parando ao lado de Zhan.

Eles seguiram com olhar Xian ir até Zhan e Huaisang enquanto se abanava com leque disse:

— Wei Xian pode até está “namorando” o brasileiro, mas nós dois sabemos bem onde é que está o seu coração. – Huaisang abriu o leque se abanando. – Xianxian tão sincero em suas atitudes ts, ts, ts…

Cheng olhava para os dois e não falou nada somente sorriu leve e voltou a comer sua refeição.

Zhan ao notar aproximação de Xian parou de ver o vídeo e percebeu a agitação além do normal, ou seja, não estava bem.

— Sr. Wei, aconteceu algo?

— Você se afogou? Está bem? Foi ao médico? – Xian tagarelava sem parar. – Por que veio trabalhar? Tem que se cuidar. – Ofegou um pouco tremulo.

Nesse instante Zhan estreitou os olhos e virou o rosto em direção a mesa onde Huaisang e Cheng estavam sentados. Notando seu chefe fingir que não o via. Pigarreou e voltou a face para Xian.

— Sr. Sang disse que me afoguei… – Suspirou baixo e por fim fez um breve relatório a Xian. – Eu não me afoguei, só fui pego de surpresa por uma onda depois do quebra mar, bebi água do mar e precisei desse atraso por ter que tomar água além do necessário e eliminar a água do mar que ingeri. – Olhava Xian um pouco feliz por dentro, afinal ele se preocupou ao ponto de engolir o orgulho e vir lhe procurar. – Estou bem Sr. Wei, não há necessidade de faltar o trabalho.

Xian inspirou se acalmando quando virou o rosto para fuzilar Huaisang com olhar.

— Desculpa meu exagero sr. Han.

— Está tudo bem, eu que deveria ter sido mais atento.

Wei Xian ficou encabulado e sem jeito curvou leve a cabeça.

— Vou deixá-lo terminar sua refeição. – Quando ia sair ouviu Zhan lhe agradece em mandarim.

— Obrigado.

— Está me agradecendo pelo quê? – Respondeu em mandarim.

— Por se preocupar. – Zhan fitava-o diretamente nos olhos. – Obrigado Xian.

Wei Xian se arrepiou e sem jeito curvou a cabeça dizendo em seguida de maneira mais séria.

— É funcionário dessa empresa, sua integridade e saúde é importante… – Suavisou o tom e ainda sem jeito pediu. – Errr… Não vá novamente para o quebra mar, é perigoso.

Zhan olhava-o e sorriu-lhe por fim.

— Não se preocupe, eu não vou.

Satisfeito Xian se virou e afastou-se para voltar a sua mesa, mas sentindo que os olhos claros estavam sobre ele. Quando se sentou em sua cadeira pegou seu telefone e limpou com guardanapo olhando para Huaisang muito sério.

— Sr. Han se afogou…né Huaisang…

Huaisang continuou se fazendo de desentendido.

— Como ele está Xian? – Cheng perguntou.

— Bem, só precisa beber bastante água.

— Que bom. – Olhou Huaisang e sorriu. – Wang surfando? Essa eu queria ver.

— Eu também… – Huaisang se empolgou e começou a tagarelar. – Ele me contou que surfa mais de um ano, foi uma das formas que encontrou para superar o medo do mar… Ele está em uma escola de surf que tem em Ipanema. – Olhou para Xian no canto dos olhos e soltou. – Bairro onde vocês moram.

Xian fingia não ouvir o que os dois conversavam e falava no “pv” com Alex, contando a ele o que havia acontecido com Zhan.

Zhan finalmente terminou sua refeição e voltou para continuar seu trabalho, antes de sair do pátio olhou mais uma vez Xian e um breve sorriso adornou momentaneamente a face em seus pensamentos não pode deixar de concluir.

“Eles são parecidos… Foi por isso que  naquele tempo me apaixonei pela Bel…”

Continua…

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