Seis anos antes…

— Ei, Lipe, sei que está nervoso e tudo que aconteceu com seus pais. – Rodrigo abraçado a  Felipe tentava consolá-lo. — Ele um dia vai entender, mas quero que você saiba que stou com você para tudo. – Fazendo carinhos nos cabelos castanhos dele, sorriu após um beijo longo que trocaram ao sabor das lágrimas de seu namorado. – Vamos para o Rio e construir nossa vida, vai tudo dar certo.

— O-obrigado, Digão! – Felipe fungou quando se afastou dos braços de Rodrigo. – Eu não queria que ele descobrisse dessa forma, queria ter contato, eu amo meu pai e sei que ele está muito magoado. – Pegando uma toalha de rosto levou a face para enxugar as lágrimas que não paravam de rolar e cada vez que lembrava da expressão de desgosto do pai, mas sentia-se angustiado e os olhos lacrimejando.

— Felipe, eu não quero ser o do contra, mas seu pai foi radical demais, achei qe ele entenderia, afinal foi tão legal conosco. – Rodrigo coçou a nuca um pouco sem jeito vendo Felipe voltar a chorar. – Olha, vamos dar um tempo para seu coroa, vamos para o Rio, você fica na minha casa e arruma um trampo, vai dar certo.

Felipe olhou para Rodrigo, suspirou um pouco e depois de enxugar novamente o rosto com a toalha balançou levemente a cabeça concordando. Aquela decisão em se mudar, nunca esteve em seus planos, afinal eles namoravam a pouco tempo e Felipe sabia que Rodrigo só estava passando as férias em Minas na casa de sua tia. No entanto, onde mais que ele iria, a cidade toda só falava disso, do filho “bichinha” do rei do queijo.  Ele não tinha nem onde ficar, dinheiro era pouco e só tinho naquele momento o Rodrigo que no fim lhe deu apoio e até m teto para morar.

Nesse momento, quando finalmente decidiu ir com Rodrigo para o Rio de Janeiro, ambos ouviram a tia do rapaz chamar e ao sairem do quarto chegando na sala se depararam com a mãe de Felipe.

— M-ma..mãe… – Felipe voltou a se emocionar, tentando a todo custo engolir o choro, mas ao ver sua mãe se aproximar igualmente emocionada e chorando, não resistiu e abraçou-a voltando a chorar.

— Meu filho, não fique assim… – Ela o consolava fazendo leve carinho nas costas de Felipe. – Veja, seu pai estava nervoso e vamos contornar tudo e entender.

— Eu o decepcionei… – Com pesar na voz, Felipe sabia que nunca seria perdoado pelo pai. – O pai deve me odiar.

— Xiii, não pense nisso. – Antonia fez carinho no rosto de seu primogento e sorriu em meio a tristeza que sentia. – Eu achei que teríamos um momento oportuno para seu pai saber.

— Não dar para lamentar, aconteceu. – Felipe deu de ombros e sentou ao lado da mãe no sofá. – Rodrigo e eu decidimos vamos para o Rio de Janeiro, começar a vida.

— O que? – Assustada, Antonia olhou para o namorado do filho e depois para ele. – Meu filho, tão longe de nós…

— Mãe, o pai não vai nos aceitar, a cidade toda está fazendo chacota e mesmo que eu fique, ninguém vai me ajudar…

— Meu filho, para com isso, estou aqui do seu lado, vamos consertar tudo… – Antonia estava inconsolável – Eu não ligo para essas pessoas, não quero você longe de mim.

— Eu venho visitar você, mãe, mas não vejo outra solução. – Felipe olhou para Rodrigo. – O pai não me expulsou só de casa, ele mandou eu sumir no mundo… – Engoliu seco e seus olhos arderam. – Eu vou conseguir um bom emprego no Rio de Janeiro.

Antonia suspirou enxugando as lágrimas com lenço enquanto abria sua bolsa, tirou de dentro um envelope pardo, entregou a Felipe.

— Eu não quero que passe necessidades, este valor vai dar para começar sua vida. – Ela sorriu. – Fique com isso, mas não vá para o Rio, vai para Belo Horizonte, é mais perto e posso te visitar.

Felipe olhou o envelope, era uma quantia alta de dinheiro, possivelmente ela tirou de sua conta sem o pai saber. Ele quis negar, mas foi interrompido por Rodrigo, dizendo que o valor iria ajudar eles a começarem a vida em outro lugar.

— Vamos para o Rio de Janeiro, Dona Antonia, eu faço faculdade lá e temos um apartamento pronto. – Rodrigo sorriu e continuou. – Eu amo Felipe e pode confiar que vou cuidar dele, vamos conseguir e a senhora vai nos visitar.

Felipe sorriu ao ouvir seu namorado confortando sua mãe, sim, eles se amavam e estavam cheios de planos, vida nova os esperavam.

Antonia sorriu ainda um tanto receosa, mas de certa forma gostava do Rodrigo, ele era um menino bom para Felipe e estava apoiando em tudo.

Entre despedidas naquele final de tarde, dias depois ambos embarcavam no ônibus para a cidade do Rio de Janeiro. Felipe tinha no coração tantos receios, mas, ao mesmo tempo, se sentia forte para construir uma vida nova ao lado de seu grande amor.

******

A semana passou com Rodrigo fazendo de tudo para agradar a Felipe e se desculpando constantemente, porém Felipe não conseguia conversar com o namorado sem ficar com receio de nova agressão. Várias vezes dizia que aceitava as desculpas para que o outro deixasse em paz. Acordou alguns pequenos serviços com moradores do prédio, consertos que lhe rendiam algum dinheiro, decidido a juntar uma quantia para alugar um kitnet e se separar de Rodrigo.

Era noite de sexta quando Felipe chegou em casa e foi surpreendido com um enorme buque de rosas vermelhas e Rodrigo com uma caixinha de veludo a mão, ele estava vestido elegante e tinha uma roupa separada para Felipe.

— Eu quero me redimir, por isso decidi que hoje tomaremos um novo passo na nossa relação. – Rodrigo entregou as rosas a Felipe.

— São bonitas, mas… – Felipe ainda tinha receios, no entanto, ele gostava de Rodrigo e estava tentado a aceitar aquelas desculpas.

— Não responda nada, vamos ter uma noite só nossa, fazer coisas de casal. – Apontou a roupa sobre a cama. – Se arruma bem gostoso que temos reserva naquele restaurante chique que queria ir.

Felipe olhou a roupa e sorriu sem jeito, no fim acabou cedendo e foi se arrumar, pouco tempo depois estavam saindo do prédio para pegar o carro do aplicativo e irem ao tal restaurante.

Chegaram ao local e tiveram um jantar incrível, tudo era romântico e perfeito, aos poucos Felipe foi cedendo e no fim repensou sua decisão de se separar, considerando dar uma nova chance a Rodrigo.

Nesse momento, para sua surpresa, Thiago e a noiva estava passando entre as mesas quando este viu Felipe, abrindo os olhos surpreendidos, se aproximou.

— Felipe?!

Felipe não teve tempo de disfarçar e encarou Thiago de onde estava um pouco receoso, olhou de relance para Rodrigo.

— Oi…

Thiago encarava Felipe, era nítido que ele queria uma explicação pelo sumiço e a falta de retorno das mensagens, mas não comentou. Pois notou o rosto de Felipe estava com uma macha roxa.

— Amor, são seus amigos? – Sofia parou ao lado dele e olho o casal sentado, com sorriso simpático os cumprimentou.

— Caramba é a Sofia. – Rodrigo se empolgou por uns segundos até recordar quem era o noivo dela. – Ah e esse é o Thiago.

— Esse é Felipe, te contei sobre ele, meu amigo. – Comentou com a noiva. – O outro é seu namorado.

— Marido. – Rodrigo corrigiu em tom um pouco alto.

— É. – Thiago olhou de relance para Felipe. – Só passei para cumprimentar, espero que esteja tudo bem.

— Estamos bem, obrigado por perguntar. – Felipe respondeu olhando para o amigo.

— Não vamos incomodar, estavamos de saida, boa noite. – Thigo se afastou e deu a mão a sua noiva deixando o local.

— Boa noite… – Felipe murmurou e se ajeitou na cadeira, voltando a face para Rodrigo. — Vamos terminar nosso jantar? – Comentou com ele.

— Claro, Lipe. – Sorriu-lhe.

O restante da noite fora tranquilo, apesar dos receios de Felipe, Rodrigo não tocou mais no nome do Thiago. Ao chegarem em casa, tiveram uma noite de amor para começar aquela nova fase da relação, já que Rodrigo pediu-o em casamente e Felipe aceitou.

Felipe acordou cedo e foi preparar um café da manhã para servir na cama para eles, estava cantarolando quando seu telefone tocou, ao atender sem olhar a tela foi surpreendido com a voz de seu melhor amigo.

— Fê…

— Oi, é você. – Sem jeito, inspirou baixo e olhou para o corredor vendo que a porta do quarto estava fechada. – E como vai?

— Estou bem, mas não gostei muito de como te vi ontem…

— Não precisa se preocupar.

— Você acha que não me preocupo? Sumiu desde sábado passado, não retornou minhas mensagens e pior, não foi na entrevista, desapareceu uma semana e pelo visto seria para sempre se não tivesse nos encontrado no restaurante… – Thiago bofou. – Eu…

— Thiago, eu agradeço a preocupação e peço desculpas por ter tomado seu tempo, vou ligar para Maria Ângela, me desculpando por não ter comparecido a entrevista, mas…

— Ele te bateu?

— O que? E-eeeu, não é nada disso, sabe ontem Digão me pediu em casamento, vamos oficializar nossa união… – Felipe falou apressado, atropelando as palavras, surpreso por Thiago ter notado.

— Sei… – Thiago reconhecia os sinais, pois, já vivenciou algo parecido, onde sua mãe apanhava de seu pai que vivia alcoolizado. – E essa cara amassada e roxa, é o que?

— Foi um acidente, a porta abriu muito rápido e bateu em cheio no meu rosto, foi por esse motivo que não compareci na entrevista. – Felipe deu essa desculpa, a mesma que usou no hospital.

— Porta bateu na sua cara, entendi. – O tom da voz de Thiago deixava claro que não estava acreditando. – Fê, não estou aqui para me meter na sua vida pessoal, mas só quero que saiba que tenho enorme consideração por você, por tudo que vivemos e por isso se em algum momento precisar de ajuda ou não der conta do problema, me procure.

— Está tudo bem, mas agradeço de coração a oferta, porém, foi tudo resolvido e se te chamar será para ir ao meu casamento . – Sorriu, porém, havia uma certa melancolia em suas palavras e um palpitar receoso no coração.

— Certo, desejo tudo de bom para você e não se esqueça, estou aqui, como no passado, o sol do seu girassol. – Thiago disse as mesmas palavras que no passado falava para Felipe. – É brega, eu sei, mas é isso…

Felipe sentiu o corpo esmorecer ao ponto de se encostar na bancada da pia, engoliu seco e arfou levemente o ar, a amizade deles era muito importante, ambos eram muito discriminados na escola e isso os unia muito.

— Eu sou seu Power Ranger.

— O rosa? – Thiago sorriu.

— Não, sou o amarelo, da cor do girassol. – Sorrindo ofegou saudoso.

— Sinto falta dos nossos papos, mas entendo que agora é complicado, por isso, estou aqui quando precisar, ok?

— Ok, bom fim de semana Thiago.

— Para você também… Tchau Felipe.

Continua…

 

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