Rótulos: Especial #02 | Treze Famílias e um Rótulo

Olá, terráqueos!

Voltei para continuarmos nosso papo antes da estreia de Rótulos, que só relembrando é no dia 17, às 19h, aqui na Widcyber. Combinado?!

A nossa missão está terminando e vocês não têm noção da emoção que eu estou sentindo. Entramos na Via Láctea tem algumas semanas e logo chegaremos no sistema solar. E cá entre nós, embora eu tenha toda essa paixão pela Terra, não vejo a hora de passarmos por Júpiter. O grande gasoso do sistema solar deve ser mais bonito visto pessoalmente, do que qualquer holograma.

Enquanto fico aqui na expectativa, prometi que contaria a vocês a origem do meu nome e das famílias que vivem em Aquares. Muito bem, vamos lá então.

Tudo isso iniciou muito bem antes dos primeiros humanos chegarem em Aquares. Na verdade, essa ideia de rótulo veio diretamente daí, do planeta Terra. Como falei no encontro passado, a Terra estava dando indícios de que não aguentaria por muito tempo. A ciência evoluía a passos largos e os humanos precisavam encontrar uma forma de remediar tudo o que estava acontecendo no planeta. O plano A, logicamente, era encontrar um outro planeta para qual a humanidade pudesse migrar. O plano B, seria recorrer ao próprio uso da ciência.

A ideia inicial era criar um super-humano. O caminho então foi recorrer a engenharia genética para ampliar as habilidades humanas tornando-os mais resistente a temperaturas congelantes ou extremamente altas, a falta de oxigênio e acreditem se quiser, a um apocalipse nuclear.

Para isso, eles precisariam de um material genético de algum ser vivo que apresenta uma ou mais destas características. O felizardo para tal estudo, adivinhem só, foram os Tardígrados. Essas criaturinhas são as mais resistentes do planeta Terra e atraíram a atenção dos cientistas para os experimentos. 

As experiências foram um sucesso? Não, não foram. Parecia que faltava um ingrediente especial, algo que não podia ser encontrado na Terra. Mas a esperança de criar essa nova raça de humanos permaneceu durante anos. Até que os primeiros grupos de terráqueos chegaram em Aquares e encontraram o elemento “T”. Um elemento até então desconhecido, em abundância no planeta e que tinha a incrível capacidade de originar qualquer outro elemento, até mesmo de criar novos. 

Parte deste material foi enviado para Terra, deixando todos os cientistas na época eufóricos.  E o período mais maluco da ciência aconteceu. Conseguiram criar um humano mais resistente ao calor? Sim, conseguiram. Mas ele não viveu mais do que um dia. Conseguiram criar um humano resistente ao frio? Conseguiram, mas assim como o antecessor, também não resistia mais que um dia. Criaram um ser vivo que não precisa de oxigênio? Sim, criaram. Mas seu corpo não durou mais que algumas horas.

O atual problema então, era conseguir vencer a morte. Era uma luta em vão, já que naturalmente tudo que existe no universo chegará ao fim. Na verdade, tudo que existe não morre por completo, a sua matéria apenas se transforma, continuando a existir em uma outra forma. O fato é que, a luta pela busca da imortalidade foi uma surra feia com a Ciência 0 x 109 Imortalidade.

Seguir o plano A era a única opção. Pouco a pouco, um grupo de pessoas especificas foram deixando o planeta e mudando para Aquares. Aqueles que tinham condições para isso, conseguiram se salvar por ora. Os demais ficaram em meio ao mundo apocalítico que a Terra estava passando. Eu sei, é triste. Mas é a realidade dos fatos.

Deste ponto em diante vamos para a segunda parte da história dos rótulos. Como vocês sabem, Aquares é bem menor que a Terra e consequentemente apresenta alguns recursos bem limitados. Este foi um dos motivos que uma grande parcela da população terrestre não podia vir para o planeta, caso contrário, um outro colapso poderia ocorrer.

Além disso, outro problema precisava ser resolvido. Boa parte dos humanos que vieram para Aquares, começaram a morrer subitamente. A diferença climática, pressão atmosférica, dias mais curtos, anos mais rápidos, obrigaram uma adaptação rápida na população. Ocorreu então o efeito manada da seleção natural, onde só os mais fortes ou os que se adaptaram rápido, conseguiram sobreviver.

Muitos chegaram até surtar. Se vocês achavam que Aquares teve seu momento de paz no início, estão completamente enganados. Os cientistas tiveram muitas dores de cabeça para conseguir contornar tudo isso.

Aquares precisava de sua própria população. As crianças que nasciam de modo natural não chegavam a completar nem 03 anos de idade. Algumas nasciam com anomalias no corpo e muitas vezes era necessário interromper a gestação. A ciência retomou então com o seu plano B: criar uma nova raça humana cientificamente modificada.

A proposta era desenvolver um humano com características que pudessem ser moldadas mesmo depois de adulto. Com a ajuda do elemento “T” e os conhecimentos sobre engenharia genética da época, não demorou muito para o primeiro humano assim nascer.

T120-MEL foi o nome científico dado a criança. Ele foi gerado completamente em laboratório, em um cilindro contendo informações genéticas que futuramente fariam parte do seu ser. Na época, isso gerou uma certa estranheza entre a população. Mas o nascimento dessa criança marcou uma nova contagem cronológica para Aquares: o começo do ano 1 d. h. 

A criança cresceu bem e conseguia ser moldado para dominar o que quisesse. Os cientistas estavam felizes com o resultando. Tinham a cobaia perfeita. Infelizmente a criança morreu na terceira modificação de seu código genético. Isso não foi empecilho para os cientistas recomeçarem do zero. Não, pelo contrário. No ano 12 d. h., um casal de crianças nasceu em laboratório. Só que dessa vez, essas crianças não foram reveladas ao público.

Não se tem muito registro do que aconteceu com elas, mas algumas décadas depois os cientistas anunciavam a primeira criança rotulada: AN-1001. Eles já tinham o domínio completo sobre o assunto, então com a ajuda da tecnologia, e linguagens de programação, uma geração de bebês nasciam com base nesses aspectos.

A fonte primaria, representada pelas primeiras 13 letras do alfabeto, contempla as qualidades principais de cada família, como inteligência, agilidade, etc. A fonte secundária, representada pelas últimas 13 letras do alfabeto, contempla as características físicas das pessoas como altura, peso, estilo de cabelo. O gênero está representado pelo código. Se ele for ímpar, a criança será do sexo masculino, se for par, feminino.

A minha família por exemplo, são investigativos e persistentes naquilo que acreditamos. Naturalmente seguimos a carreira de jornalismo, com uma vida estimada de 56 anos. Estou com 16 anos, então tenho um bom tempo ainda para aproveitar. Somos curiosos, inteligentes e perspicazes. Todas essas informações estão reunidas no catálogo público das famílias. Preparei um breve resumo sobre cada família.

Naturalmente, as próximas crianças davam sequência ao código genético. Após o primeiro da minha família, BO-1001, veio a BO-1002, depois BO-1003 e sequencialmente até chegar ao último bebê que nasceu da nossa família, a pequena BO-1248. As crianças não recebiam mais nomes comuns, algo que era uma tradição terrestre. Elas já nasciam conforme a sua sequência genética. Os cientistas queriam de alguma forma controlar o crescimento populacional e este foi o caminho encontrado. E não se sabe ao certo o que aconteceu com todos os humanos que vieram da Terra e nem como os rotulados se tornaram únicos no planeta.

Meus amigos acreditam que aqueles que sobreviveram, foram utilizados como cobaias para os testes dos rótulos, até sobrar mais nenhum. E pra falar a verdade, os humanos da Terra ainda continuam sendo usados como cobaias.

Até alguns dias atrás, eu acreditava que a ciência era a resposta para tudo. Hoje percebo que assim como as famílias em Aquares, todo esse tempo estávamos sendo controlados, como rebanhos para experimentos obscuros do governo e dos cientistas.

No próximo encontro prometo falar um pouquinho sobre as pessoas que estão por trás disso. Vou ter que sair agora. Hoje falei demais. No próximo tentarei ser mais direto.

Até qualquer hora, terráqueos. 

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