PARTES DE MIM
NOVELA DE:
RAMON SILVA
ESCRITA POR:
RAMON SILVA
PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO
ADRIANA
ALFREDO
ANA
BRUNA
CARLITO
CRISTINA
FLÁVIA
GAEL
GLÓRIA
JANDIRA
JULIANA
KARINA
MARIA DE FÁTIMA
MARTA
MAZÉ
MIGUEL
MURILO
PEDRO
RENATA
RICARDO
ROSANGELA
SOL
VICENTE
PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:
ADVOGADO, DELEGADO.
CENA 01. APART DE RICARDO E RÔ. SALA JANTAR. INT. DIA.
Karina ali sentada tomando café. Rosangela vem do quarto e se senta à mesa.
ROSANGELA — Bom dia, filha.
KARINA — Bom dia.
ROSANGELA — E seu pai?
KARINA — Não sei. A empregada disse que ele saiu bem cedo hoje.
ROSANGELA — E agora essa! O Ricardo tá ficando insuportável com isso!
KARINA — Mas a senhora sabe muito bem porque ele tá agindo assim.
ROSANGELA — Eu sei! Eu sei! Mas vocês têm que entender que eu estou fazendo isso para o bem dessa família.
KARINA — Tá bom, mãe. Depois de ontem, eu que não quero mais tocar nesse assunto.
ROSANGELA — E como está a faculdade?
KARINA — Bem. O papai vai tentar arrumar um estágio pra mim na construtora.
ROSANGELA — Que bom, filha. Tenho certeza que você se sairá bem. (Se levanta) Agora deixa eu ir lá.
KARINA — Mas a senhora nem comeu nada direito.
ROSANGELA — Desculpa, filha. É que a mamãe já está atrasada.
KARINA — Tá bom. Mas a senhora vai ter que me levar pra faculdade. Meu pai sempre me leva, mas hoje ele saiu cedo.
ROSANGELA — Tudo bem, mas vamos logo, depressa!
Karina pega sua mochila e as duas saem.
CORTA PARA:
CENA 02. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INT. DIA.
Continuação imediata da cena última do capítulo anterior.
DELEGADO — Calma, dona Marta. Não precisa se exaltar que as coisas estão sobre controle.
MARTA — Agora, né, Delegado! Esse garoto só tem feito besteiras ultimamente! E depois ainda não entende porque eu trato ele mais a sério do que o irmão!
PEDRO — Dona Marta, vê lá o que a senhora fala pra não se arrepender depois!
DELEGADO — Sentem-se.
Todos se sentam.
DELEGADO — Bom, acho que não preciso dizer mais nada, né. Vocês já sabem o que fez com que o Gael fosse detido.
ADVOGADO — Sim. E eu gostaria de levar uma palavrinha com o meu cliente, posso?
DELEGADO — Claro. Vamos todos sair.
MARTA — Eu também quero participar.
PEDRO — Tudo bem. Então eu saio com o Delegado.
Pedro e o Delegado saem.
MARTA — O que você tem na cabeça pra fazer uma coisa dessas, Gael?!
ADVOGADO — Calma, dona Marta! Desse jeito nós não vamos resolver nada!
GAEL — É sempre assim! Antes de ouvir a minha versão já sai logo me julgando!
MARTA — Gael, pelo amor de Deus, meu filho! Você tem que entender que eu sou sua mãe e quero o melhor pra você! Agora, eu não posso passar a mão na sua cabeça diante do que está acontecendo.
ADVOGADO — Vamos lá. Gael, você tinha ciência de que o carro em que estavam era roubado?
GAEL — Não! O meu amigo disse que o carro era do pai dele!
MARTA — Amigo… Amigo não mete o outro numa rabuda como essa não!
ADVOGADO — Dona Marta, porque não fazemos o seguinte: a senhora sai, toma uma água e eu fico aqui conversando com o Gael.
MARTA — Não, doutor! Eu também quero participar!
ADVOGADO — A senhora não acha que o Gael pode se abrir mais comigo aqui se nós estivermos sozinhos? Eu sei que ele tem mais coisas pra me contar, mas com a senhora aqui, ele não vai querer dizer.
MARTA — Então tá, eu saio!
O advogado abre a porta e ela sai.
ADVOGADO — Mãe é fogo.
GAEL — Nem me fale.
ADVOGADO — Mas então Gael… Eu preciso que você me conte tudo sem esconder nada. Onde e por que você se encontrou com esse Lucas?
Gael começa a contar sua versão da história fora de áudio. Instantes. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 03. APART DE MARTA. SALA DE JANTAR. INT. DIA.
Miguel ali sentado à mesa tomando café. Mazé vem da cozinha.
MIGUEL — Mazé, você sabe pra onde a dona Marta foi? Eu fui no quarto dela e não a encontrei.
MAZÉ — A dona Marta saiu bem cedinho. Ela recebeu uma ligação e saiu apressada.
MIGUEL — Uma ligação? Mas quem era?
MAZÉ — Isso daí eu já não sei responder. Mas parecia sério. Ela saiu rápido.
MIGUEL — Estranho. Dona Marta não é de sair de casa tão cedo assim.
MAZÉ — Deve ter acontecido alguma coisa.
MIGUEL — Espero que não! Espero que ela tenha ido resolver alguma coisa e não nos avisou.
MAZÉ — Verdade. Principalmente depois que seu irmão passa a noite fora de casa e alguém liga… É de se preocupar mesmo!
Mazé volta pra cozinha.
MIGUEL — (P/si) Tomara que o Gael esteja bem. E que não seja nada com ele.
Miguel ali aflitíssimo. Instantes. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 04. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. DIA.
Adriana ali arrumando as coisas para ir a faculdade. Cris vem do quarto pronta para o trabalho.
CRISTINA — E aí, filha? Pronta?
ADRIANA — Sim. E o seu Vicente, voltou pra casa?
CRISTINA — Seu pai? Esse daí deve ter passado a noite na casa de alguma quenga por aí! Talvez na casa dessa tal de Flávia!
ADRIANA — Será que ele tá bem, mãe? Passar a noite fora de casa assim é muito estranho.
CRISTINA — Seu pai deve tá ótimo minha filha.
ADRIANA — Ah não sei não, mãe…. Parece que eu tô pressentindo alguma coisa de ruim.
CRISTINA — Se preocupa não. Pode ser comigo ao invés dele.
ADRIANA — Que horror, mãe! Vira essa boca pra lá.
CRISTINA — Vamos?
As duas saem.
CORTA PARA:
CENA 05. APART DE FLÁVIA. SALA DE JANTAR. INT. DIA.
Flávia, Jandira e Murilo sentados à mesa a tomar café da manhã.
JANDIRA — Pensei que você nem ia na escola hoje, meu neto. Não saiu daquele quarto depois do que aconteceu.
Ele não responde nada.
JANDIRA — Além de não ter saído do quarto agora não quer falar também.
FLÁVIA — Não queria nem ir na escola. Eu que obriguei ele a sair daquela cama.
JANDIRA — Meu neto, não fique assim. Você é criança, muito novinho ainda pra ficar desse jeito por causa de um pai como o Vicente!
FLÁVIA — Mamãe!
JANDIRA — O que é filha? Só tô falando a verdade!
Murilo se levanta da mesa e vai para o quarto.
FLÁVIA — Tá vendo só? Satisfeita agora? O Murilo não quer que falem no Vicente.
JANDIRA — E eu sabia? Você não me fala nada. Agora não adianta ficar querendo me dar sermão querida.
FLÁVIA — Vou lá falar com ele.
Ela vai atrás do filho.
JANDIRA — (P/si) Além de ser um péssimo pai ainda some. Não tem coragem de encarar o próprio filho de dez anos. Onde será que esse crápula tá?
CORTA PARA:
CENA 06. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.
Ana ali frente ao computador trabalhando. Vicente sai de sua sala, com o terno amassado.
VICENTE — Ana, eu preciso que você ligue para/
ANA — (Corta, assustada) Ai que susto seu Vicente! Nossa!
VICENTE — Tá andando muito assustadinha, hein! Ontem se assustou, hoje….
ANA — É que normalmente essa hora não chegou ninguém da diretoria ainda.
VICENTE — É que aconteceram tantas coisas em um único dia.
ANA — É, percebe-se pela sua veste.
VICENTE — O que é que tem a minha veste?
ANA — Não sei se o senhor percebeu, mas o seu terno tá todo amassado.
VICENTE — (Percebe) Nossa, eu nem tinha notado.
ANA — Tá tudo bem, seu Vicente? O senhor dormiu aqui no escritório?
VICENTE — (Mente) Não! Eu dormir em casa! Ligue para a padaria e mande eles trazerem aqui o pedido número cinco de café da manhã.
ANA — Sim senhor.
Vicente volta a sua sala e Ana arremata.
ANA — (P/si) É, a vida dele não está nada boa pelo jeito.
Ela pega o tel. e começa a discar.
CORTA PARA:
CENA 07. HOTEL DE LUXO. HALL DE ENTRADA. INT. DIA.
Glória a caminho da saída do hotel de óculos escuro, toda tcham. Sol vem e a aborda, ela se assusta.
SOL — (Apressada) Mãe! Mãe!
GLÓRIA — O que, Sol? Parece que viu alguma coisa.
SOL — E vi.
GLÓRIA — O quê?
SOL — O Alfredo.
GLÓRIA — Ah, Sol! Pelo amor de Deus! Desde que chegamos ao Rio de Janeiro que parece que você enlouqueceu de vez!
SOL — Mas, eu juro que vi o Alfredo! Estava eu lá na orla dando uma caminhada pra espairecer quando avisto um homem dentro de um carro. Era ele, mãe!
GLÓRIA — Mas como isso é possível, Sol? As chances de encontrarmos o Alfredo de novo são mínimas!
SOL — As chances de encontrarmos ele, podem até ser mínimas, mas não são impossíveis!
GLÓRIA — Ah, Solange, me dá licença que eu tô saindo!
SOL — Saindo pra onde?
GLÓRIA — Pra um lugar aí que não te interessa!
Glória vai caminhando e Sol fica ali olhando ela. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 08. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INT. DIA.
Advogado, Delegado, Gael, Marta e Pedro ali sentados. Gael assinando alguns documentos.
MARTA — Então é só o meu filho assinar esses documentos que ele estará livre?
DELEGADO — Sim, mas ele responderá ao processo em liberdade.
ADVOGADO — Ele não vai responder processo nenhum porque vamos provar que ele não tinha noção de que o carro era roubado!
DELEGADO — Não sei como vocês vão conseguir provar isso, mas se conseguirem… Estamos aqui pra isso!
Ele passa o documento ao delegado.
DELEGADO — Muito bem. Estão liberados.
MARTA — Muito obrigado, delegado por ter cuidado do meu filho.
DELEGADO — (Sarcástico) Que isso, senhora!? É sempre um prazer atuar como babá.
Todos saem de sua sala e ele faz um carão.
CORTA PARA:
CENA 09. DELEGACIA. FRENTE. EXT. DIA.
Todos saem da delegacia.
GAEL — O que vai acontecer comigo agora, doutor?
ADVOGADO — Bom, agora você responderá ao processo em liberdade como o delegado falou. E temos que provar que você não sabia que o carro era roubado. Agora eu preciso ir. Qualquer coisa, entrem em contado comigo.
MARTA — Pode deixar, doutor. Muito obrigado.
Ele vai pra seu carro, dá a partida e se afasta.
PEDRO — No fim deu tudo certo e está tudo bem contigo cara.
GAEL — Não fale comigo! Você é um traíra, Pedro! Eu pedi pra você vir sozinho!
PEDRO — Cara, coloque a mão na consciência! A dona Marta não estava em paz com você por aí! Nada mais justo do que avisar ela!
GAEL — Mas mesmo assim você deveria ter me perguntado se podia trazer ela!
MARTA — Que isso, meu filho?! O Pedro me chamou pensando no bem-estar de nós dois!
GAEL — No seu bem-estar, né!
MARTA — Me diz uma coisa aqui agora, Gael. Por que você não queria que eu viesse de jeito nenhum?
GAEL — Eu não queria que a senhora me visse preso numa cela! (Chora) A senhora ia começar a me rebaixar ainda mais e exaltar o Miguel!
MARTA — (Abraça ele) Que isso, meu filho. Eu nunca faria uma coisa dessas. E olha… Me desculpa se alguma vez eu te machuquei com minhas palavras. A minha intenção nunca foi essa. Eu sempre quis e quero o melhor tanto pra você quanto pro seu irmão. Eu digo o que digo pra ver se consigo abrir os seus olhos e não pra te magoar.
Mãe e filho permanecem ali abraçados, Pedro feliz, emocionado diante daquela cena. Instantes. Emoção.
CORTA PARA:
CENA 10. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. DIA.
Carlito ali deitado no sofá. Juliana vem do quarto pronta pra sair.
CARLITO — (Impressionado) Nossa, Filha! Você está linda.
JULIANA — Obrigada, pai.
CARLITO — Tá indo pra onde vestida e perfumada desse jeito?
JULIANA — Pra uma entrevista de emprego.
CARLITO — Mas como? Eu não ouvir o telefone tocar.
JULIANA — Se liga, pai! Os tempos agora são outros. Me mandaram um e-mail.
CARLITO — Ah sim. Mas como as coisas estão evoluídas hoje em dia, não?
JULIANA — Pois é. Me deseje sorte.
CARLITO — Boa sorte minha filha. Que deus abençoe e esse emprego seja seu.
JULIANA — Amém.
Ela sai. Ele pega o cel. e disca.
CARLITO — (Ao cel.) Preciso que você venha aqui agora. Como pra quê? O Ratão máster me ligou e disse que temos que dar uma prensa naquele playboyzinho. Vê se vem rápido, hein!
Ele desliga e fica ali sério. Instantes. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 11. JORNAL. REDAÇÃO. INT. DIA.
Alfredo ali sentado pensativo. Rosangela chega e vem falar com ele.
ROSANGELA — O que você tá fazendo aí todo pensativo?
ALFREDO — Tô aqui pensando na vida.
ROSANGELA — Espero que seja coisas boas.
ALFREDO — Nem tanto. Eu acho que o meu casamento não está lá essas coisas.
ROSANGELA — Sério? Quem te ver assim todo conselheiro pensa que tá tudo bem com o seu casamento.
ALFREDO — Eu também achava isso. Mas ontem eu percebi que eu e a Renata não somos mais como marido e mulher, sabe?
ROSANGELA — Mas como assim, Alfredo?
ALFREDO — É que eu acho que nós não somos mais confidentes um do outro.
ROSANGELA — Você desconfia que ela esteja escondendo alguma coisa de você, é isso?
ALFREDO — Eu não diria escondendo… Mas não é a mesma coisa! Eu sinto isso!
ROSANGELA — Então seja bem-vindo ao clube. Ontem mesmo o Ricardo dormiu no quarto de hóspedes e hoje ele saiu tão cedo que eu nem vi a cara dele.
ALFREDO — (Muxoxa) Ai, Rosangela…. Sinceramente eu tô preocupado com o rumo que os nossos casamentos estão tomando.
Fecha em Rosangela que meneia a cabeça concordando.
CORTA PARA:
CENA 12. LEBLON. ORLA. EXT. DIA.
Ricardo ali caminhando baixo-astral. Ele se senta num banco e ver uma família linda, com uma criança de no máximo cinco anos se divertindo na areia.
RICARDO — (P/si) Pelo menos ainda existem famílias felizes. Só de ver essa imagem me dá uma aflição. A Rô era assim mesmo com a Karina, mas na hora que a menina mais precisa da mãe pra conversar, que é na adolescência, na juventude… Ela vira as costas pra menina e foca no trabalho. Às vezes eu me pergunto: como foi que isso tudo aconteceu? Quando eu fui me dar conta as coisas já estavam em estado avançado!
Ele fica ali a olhar aquela família se divertindo. Instantes.
CORTA PARA:
INTERVALO COMERCIAL
CENA 13. CONSTRUTORA MACEDO. RECEPÇÃO. INT. DIA.
Ana ali a trabalhar. Cristina chega.
CRISTINA — Bom dia, Ana.
ANA — Bom dia, dona Cristina.
CRISTINA — E o Vicente, já chegou?
ANA — Sim senhora.
CRISTINA — Mas ele já tá aí tem muito tempo?
ANA — Quando eu cheguei ele já estava na construtora.
CRISTINA — Ah sim. E o Ricardo?
ANA — Ainda não chegou.
CRISTINA — Como ainda não chegou? O Ricardo tá me saindo melhor do que encomenda, hein! Saindo antes dos donos, chegando tarde…. Essa empresa tá uma baderna!
ANA — Dona Cristina, o seu Rodrigo ligou e disse que era pra senhora retornar pra ele assim que possível.
CRISTINA — Ele adiantou o assunto?
ANA — Não.
CRISTINA — Vou ligar pra ele então.
Ela vai pra sua sala.
ANA — (P/si, sorrir) Nunca vi uma coisa dessas. A mulher não saber do paradeiro do marido. Se ela que é casada com ele, dorme com ele… Acho que isso eles não fazem mais. Mas mesmo assim! Ela deveria saber onde ele está. Eu hein! Só aqui na construtora Macedo que se vê essas coisas!
CORTA PARA:
CENA 14. HOTEL DE LUXO. QUARTO. EXT. DIA.
Atenção Sonoplastia: Entra aqui música tema do casal “SOLFREDO”.
Sol ali pensativa. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 15. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. DIA.
Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.
Entra aqui um FLASH-BACK da cena 08 do capítulo 07.
Sol com Alfredo descendo a escada. Ele com uma mala. Eles discutindo, as falas se sobrepõem.
ALFREDO — Não se preocupe que eu estou saindo da sua casa!
SOL — Isso, sai mesmo! Aposto que já está com alguma piranha por aí pra tá saindo de casa!
ALFREDO — Claro que não, Solange! A única culpada da nossa separação é você mesma!
SOL — Eu?
ALFREDO — É, você mesma!
SOL — Você resolve jogar a nossa relação na lata do lixo e eu que sou a culpada? É o cúmulo isso!!!
ALFREDO — Quem desgastou a nossa relação foi você e não eu! Desde o exato momento em que você começou a me acusar de ter sido minha culpa os nossos filhos terem disso sequestrados, a nossa relação acabou! Eu não sei porque, mas eu ainda tolerei isso algum tempo… Mas agora eu enxerguei que nós não temos futuro!
SOL — E você acha que saindo de casa agora tá me provando o quê? Você tá me provando ainda mais a minha teoria! Você me usou! Fala a verdade!
ALFREDO — Larga de ser desequilibrada Solange! Eu não tenho nada a ver com o sumiço dos nossos filhos!
SOL — Ah não? Então vai continuar mentindo na cara de pau que não me usou só para gerar o filho? Anda! Admita que foi isso!
ALFREDO — Eu não sou obrigado a ficar ouvindo isso! Com licença!
Ele pega sua mala e sai com Sol arrematando.
SOL — Isso! Vai mesmo se encontrar com a sua comparsa e os filhos de vocês que eu sou a mãe biológica!
Ele sai batendo a porta violentamente. Sol fica ali ainda atordoada. Ela começa a chorar. Anda até a parede e ali fica deslizando nela até chegar ao chão e fica ali aos prantos. Instantes. Tensão.
Fim do insert.
CORTA PARA:
CENA 16. HOTEL DE LUXO. QUARTO. INT. DIA.
Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.
Sol ali sentada quando arremata.
SOL — (P/si, arrependida) Ai Alfredo se você soubesse o quanto eu me arrependo de ter feito isso com você. São coisas que eu mudaria com toda certeza se pudesse voltar atrás. Mas infelizmente aqueles tempos não voltam mais. Nunca vou conseguir reparar o meu erro!
CORTA PARA:
CENA 17. CONSTRUTORA MACEDO. SALA VICENTE. INT. DIA.
Vicente ali pensativo, quando arremata.
VICENTE — (P/si) Minha vida tá indo pelo ralo mesmo… Até meu filho não olha mais na minha cara.
Ana entra com o seu café da manhã que chegou.
ANA — Licença, seu Vicente. Sua comida chegou.
VICENTE — Obrigado, Ana.
Ela passa a comida a ele que começa a comer rapidamente.
VICENTE — Tô com uma fome do caramba.
ANA — Percebe-se.
VICENTE — Desde o almoço de ontem que não como nada. Isso aqui tá divino.
ANA — Que mal lhe pergunte, seu Vicente… O que tá acontecendo?
VICENTE — Como assim?
ANA — O senhor e a dona Cristina tão andando muito estranhos nesses últimos dias. Ela chega e pergunta do senhor e você a mesma coisa. Até parece que não são casados.
VICENTE — Pra ser bem sincero com você, Ana… Eu e a Cris ainda estamos casados eu nem sei o porquê. Faz anos que nos separamos de corpus. Só não oficializamos… Ainda!
ANA — Agora tá explicado porque um pergunta pelo outro todo dia. Agora eu vou cuidar dos meus serviços. Com licença e bom apetite.
VICENTE — Pode apostar que o bom apetite eu vou ter mesmo.
Ela sai e ele permanece ali comendo. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 18. PRÉDIO DE MARTA. FRENTE. EXT. DIA.
Clima de suspense! CAM ali mostrando os pés de uma pessoa caminhando. Pelas unhas pintadas, logo percebemos que se trata de uma mulher que para. Ouve-se seu sorriso em OFF. CAM mostra que se trata do Prédio de Marta. Instantes. Suspense. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 19. UNIVERSIDADE NOVO RIO. CANTINA. INT. DIA.
Karina e Miguel ali sentados conversando sobre Gael.
KARINA — Então quer dizer que além de tudo que já está acontecendo, o Gael ainda me sai de casa?
MIGUEL — Pois é, Karina. Isso é uma prova de que se as coisas já estão ruins, elas podem piorar!
KARINA — Verdade. Mas a sua mãe? Como ela tá diante de tudo isso?
MIGUEL — Ela tá lá preocupadíssima, né. E ainda me sai hoje de manhã e eu não tô conseguindo falar com ela.
KARINA — Mas pra onde ela foi?
MIGUEL — Era o que eu também gostaria de saber. A Mazé disse que ela saiu apressada depois de receber uma ligação.
CAM mostra que Adriana chega a cantina e não gosta nada de ver os dois juntos.
KARINA — Agora a questão que fica é: quem ligou e por quê?
MIGUEL — E aí eu fico aqui sem saber nada. Preocupante e tenso tudo isso.
Adriana se chega e arremata.
ADRIANA — (Séria) Posso saber o que está acontecendo aqui?
Closes alternados nos três. Instantes. Tensão. Climão.
CORTA PARA:
CENA 20. PRÉDIO DE MARTA. FRENTE. EXT. DIA.
Clima de suspense e tensão! CAM subjetiva ali do outro lado da rua a observar o movimento. O carro de Pedro se aproxima e Marta e Gael saltam.
MARTA — Obrigado mesmo por tudo, hein, Pedro.
PEDRO — De nada.
GAEL — Valeu mesmo cara.
PEDRO — Você sabe que sempre pode contar comigo. Agora deixa eu ir lá que ainda dá tempo de pegar as últimas aulas. Tchau.
MARTA — Tchau.
GAEL — Tchau.
MARTA — Você tem que se cercar de amigos como o Pedro. Jovem de bem.
GAEL — É, mãe, eu sei.
Os dois entram no prédio. Agora sim CAM revela que a pessoa é Maria de Fátima, que arremata sorrindo.
MARIA DE F. — (P/si, sorrindo) Então é aqui que você se esconde, Marta?
Ela permanece ali com um sorrisinho maligno estampado no rosto. Instantes. Suspense. Tensão.
CORTA PARA:
FIM DO 18º CAPÍTULO





