PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO 

ANA

BRUNA

CARLITO

CRISTINA

FLÁVIA

GAEL

GLÓRIA

JANDIRA

JULIANA

KARINA

MARTA 

MAZÉ

MIGUEL

MURILO

RENATA

RICARDO

ROSANGELA

SOL

VICENTE

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS:

ADVOGADO, DELEGADO, LUCAS, PEDRO, POLICIAIS.

CENA 01. APART DE MARTA. SALA. INT. NOITE.

Miguel ali sentado. Marta andando de um lado para o outro.

MARTA        —  (Aflita) Ai meu Deus. Será que o Gael está bem?

MIGUEL        —  Claro que está, mãe! O Gael sabe se cuidar! Ele é um homem feito de vinte anos.

MARTA        —  Sério mesmo que você acha que seu irmão sabe se cuidar?

MIGUEL        —  Não. Mas como a senhora tá aí nesse estado de nervos eu quis ajudar!

MARTA        —  Querer ajudar mentindo não é ajuda. Mais atrapalha do que ajuda. Se for pra continuar desse jeito, melhor nem dizer nada.

MIGUEL        —  Tudo bem. Não tá mais aqui quem falou.

Miguel se levanta e vai para seu quarto.

MARTA        —  (P/si) Ai meu Deus. Por que será que eu tô com esse pressentimento de que está acontecendo alguma coisa com meu filho? O pior é que coração de mãe não mente. Se tá apertando, é porque tá acontecendo alguma coisa!

Ela fica ali aflitíssima. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 02. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. NOITE.

Cristina ali sentada. Adriana vem do quarto e arremata.

ADRIANA     —  É inacreditável que a senhora proibiu o seu Vicente de entrar aqui por causa dessa cliente.

CRISTINA     —  E você acha que eu tô errada?

ADRIANA     —  Não. De jeito nenhum! Se fosse com o Miguel eu faria o mesmo!

CRISTINA     —  Então por que tá aí dizendo “inacreditável”?

ADRIANA     —  É que eu nunca pensei que a senhora fosse capaz disso.

CRISTINA     —  Ah, minha filha… Então você não me conhece. Enquanto eu não conhecer essa tal de Flávia, eu não vou sossegar. E nem ele vai entrar aqui.

ADRIANA     —  E pelo jeito ele não vem mesmo pra casa hoje. Senão, já tinha chegado!

CRISTINA     —  Olha a minha cara de preocupada com o seu pai! Enquanto ele não me apresentar a essa Flávia, eu não quero papo com ele!

ADRIANA     —  (Sorrir) Só vocês mesmo? Onde será que ele tá?

Cristina faz com os ombros “não sei” e Adriana fica ali a sorrir. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. NOITE.

Flávia e Jandira ali aflitas.

FLÁVIA        —  Cadê o Vicente? Poxa, eu liguei pra ele já tem um tempinho.

JANDIRA      —  Será que até numa hora dessas ele vai ser negligente minha filha…. Você arruma cada macho que eu vou de contar, viu.

Vicente chega já arrematando.

VICENTE      —  Vim o mais rápido que pude. Cadê ele?

FLÁVIA        —  Tá no quarto.

VICENTE       —Vou lá conversar com ele.

JANDIRA      —  Só conversar não adianta nada. Você tem é que contar a verdade pro menino ou seu mais presente na vida do coitadinho!

FLÁVIA        —  Não dá ideia pra minha mãe não, Vicente. Vai lá logo ver o nosso filho.

Ele vai pro quarto de Murilo.

JANDIRA      —  “Não dá ideia pra minha mãe não”… Acho-te uma graça. Eu sempre aqui falando e vocês sempre agindo da mesma forma. Agora que a bomba estourou, não adianta querer ficar aí toda aflitinha não. Pensasse antes que isso poderia acontecer.

FLÁVIA        —  Pelo amor de Deus, né, mãe? Sermão agora não.

JANDIRA      —  Sermão agora sim! Eu sempre soube que isso ia acontecer! E olha que eu sempre quis te alertar que um dia o Murilo poderia ter uma crise dessas, mas alguém me ouve? Claro que não! Agora que as coisas estão como estão, eu não quero ne saber de nada! Porque falta de aviso não foi!

Fecha em Flávia ali séria. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 04. CASA DE CARLITO E MAZÉ. COZINHA. INT. NOITE.

Juliana terminando a comida. Mazé e Ana sentadas conversando.

MAZÉ            —  Meninas, vocês têm que ver o que aconteceu lá na casa da minha patroa. Não sei se eu contei pra vocês.

JULIANA      —  Sobre os gêmeos?

MAZÉ            —  É.

JULIANA      —  A senhora contou.

ANA              —  Mas pra mim não contou não. Anda, Mazé! Desembucha que eu quero ficar por dentro do babado.

MAZÉ            —  A minha patroa tem dois filhos, gêmeos. Apesar de se parecerem no rosto. Os dois não tem nada em comum.

ANA              —  Como assim?

MAZÉ            —  É que um é calmo, bondoso, enquanto o outro não quer saber de nada. Não sei nem como aquele garoto tá na faculdade de engenharia sei lá das quantas que ele faz.

ANA              —  Parece que o sol só clareia aqueles que não merecem. Eu aqui doida pra entrar numa faculdade desses pra deixar de ser humilhada pela insuportável da minha patroa, mas tá difícil, viu.

MAZÉ            —  Calma, Ana. Acredita que a sua oportunidade está próxima de chegar.

JULIANA      —  A Ana doida pra entrar na faculdade e eu pra arrumar emprego.

MAZÉ            —  Eu tenho certeza que isso é passageiro. É só colocar Deus na frente que tudo que vocês desejam alcançar, vocês vão alcançar.

CORTA PARA:

CENA 05. APART DE FLÁVIA. QUARTO MURILO. INT. NOITE.

Murilo ali deitado de costas pra Vicente que já está arrematando…

VICENTE      —  Filho…. Eu sei que eu não fui um bom pai. Mas eu faço o máximo que posso. Eu dou o melhor de mim!

MURILO       —  Mentira! Se fosse como você está falando, não ia aparecer aqui quando quisesse. Você ia morar aqui.

VICENTE      —  Filho… As coisas não são bem assim.

MURILO       —  (Se vira para o pai) Ah não. Então me explique porque todos os meus colegas têm o pai com eles dentro de casa e eu não?

Fecha em Vicente sem saber o que responder. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 06. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INT. NOITE.

Gael e Lucas ali aflitíssimos diante do delegado.

LUCAS          —  Pelo amor de Deus, Delegado. Nós não fizemos nada.

GAEL            —  É, por que nós estamos aqui?

DELEGADO—  Acreditem que toda essa encenação é pura perda de tempo. Vocês sabem muito bem porque estão aqui e sabem muito bem que o que vocês fizeram é errado. Portanto, parem de se fazerem de idiota que isso aqui não cola não.

LUCAS          —  O que vai acontecer com a gente agora?

DELEGADO—  Agora? Vocês estão detidos!

LUCAS          —  Como é que é? Mas vocês não têm o direito de fazer uma coisa dessas com a gente.

DELEGADO—  Não só temos como já fizemos. Essa noite, vocês vão passar aqui.

GAEL            —  Isso é um absurdo! Eu tenho direto a uma ligação!

DELEGADO—  Sim, mas está um pouco tarde, portanto, amanhã vocês ligam pra quem quiserem! Mas hoje, vocês vão passar a noite na cela!

Closes alternados em Gael e Lucas indignados. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. APART DE RICARDO E RÔ. SALA DE JANTAR. INT. NOITE.

Ricardo, Rosangela e Karina ali sentados jantando em família.

KARINA       —  Não é legal isso?

RICARDO     —  Como assim, minha filha?

KARINA       —  Estarmos jantando em família. A quanto tempo não fazíamos isso?

RICARDO     —  Sei lá. Mas seja lá quando for… Pode esquecer que amanhã mesmo isso muda! Sua mãe só pensa naquela redação.

ROSANGELA —Tava demorando pra tocar no meu nome, né, Ricardo?

RICARDO     —  E você queria que eu tocasse no nome de quem? Se é você que nunca está aqui presente com a gente!?

ROSANGELA —Eu não vou cair nesse seu joguinho barato não, Ricardo.

RICARDO     —  Joguinho? Você que vive jogando, brincando com a nossa cara e eu que estou de joguinho?

ROSANGELA —Você sabe muito bem que isso não é verdade!

Os dois começam uma discussão.

KARINA       —  (Gritando) Pelo amor de Deus! Será que nem mesmo na hora do jantar vocês conseguem ficar em paz? Isso já tá ficando insuportável já! Não aguento mais viver assim! Que saco!

Ela vai pra seu quarto pê da vida. Closes alternados em Ricardo e Rosangela ali surpresos. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 08. APART DE MARTA. QUARTO-GÊMEOS. INT. NOITE.

Miguel ali deitado estudando pra faculdade. Marta entra.

MARTA        —  Eu não tô em paz com o seu irmão por aí. Tem como você ligar pra ele?

MIGUEL        —  Para com isso, mãe. O Gael é adulto. Eu tenho certeza que ele deve ter procurado um lugar pra passar a noite.

MARTA        —  Faz o que eu te pedir. Eu só vou ficar em paz quando ouvir a voz do meu filho e saber aonde ele está.

Miguel pega o cel. Disca e cai na caixa postal.

MIGUEL        —  Só cai na caixa postal.

MARTA        —  (Aflita) Mas será possível, meu Deus do céu!? Onde é que está o meu filho? 

MIGUEL        —  Tô vendo que essa noite vai ser longa.

MARTA        —  Vai. Vai ser longa mesmo.

Marta sai do quarto.

MIGUEL        —  (P/si) Vou é trapacear pra ela dormir. Ninguém merece ficar a noite toda assim.

CORTA PARA:

CENA 09. APART DE RENATA. QUARTO BRUNA. INT. NOITE.

Bruna ali ao cel. E ouvindo música com o fone. Renata já entra arrematando.

RENATA       —  Escuta aqui garota. Se você tá pensando que falando pro seu pai o que eu estava fazendo no quarto, vai me fazer esquecer que você trouxe um garoto pra dentro do seu quarto, você tá muito enganada.

BRUNA         —  Que isso, mãe? Do que é que a senhora está falando?

RENATA       —  Não se faça de desentendida que você sabe muito bem do que é que eu estou falando!

BRUNA         —  Não sei não.

RENATA       —  Eu sei muito bem qual é a sua tática. Falando pro seu pai que eu estava vestida com aquela lingerie, eu esqueceria do João aqui no seu quarto.

BRUNA         —  Nada a ver mãe. Eu só falei pro pai pra ele ir no quarto que a senhora tinha uma surpresa pra ele. Nada mais.

RENATA       —  Sei. Mas não vá pensando que essa história do João está totalmente resolvida, não… Que não está não.

BRUNA         —  Pelo amor de Deus, mãe. A senhora tinha me prometido que não contaria nada pra ele.

RENATA       —  É, mas pisa na bola comigo pra você ver se eu não conto.

Ela sai do quarto e Bruna arremata.

BRUNA         —  (P/si) Judas. E eu pensei que poderia acreditar nela.

CORTA PARA:

CENA 10. APART DE FLÁVIA. QUARTO MURILO. INT. NOITE.

Continuação imediata da cena 05.

VICENTE      —  Filho, o porquê disso eu não posso te dizer.

MURILO       —  E por que não pode me dizer? Posso saber?

VICENTE      —  Porque você não entenderia. Nem agora, nem nunca. Nem se você tivesse vinte anos, entenderia e nem aceitaria isso.

MURILO       —  Então vamos ficar assim até o senhor me contar a verdade. Enquanto eu não tiver um pai… Você não é nada pra mim.

VICENTE      —  (Sentido) Que isso, meu filho. Eu te amo. Não fale uma coisa dessas. Esse tipo de coisa magoa, sabia? 

MURILO       —  E você acha que não ter um pai e ser zoado na escola não magoa não?

VICENTE      —  Então tá… Se é assim que você quer, quem sou eu pra forçar alguma coisa…?

Vicente sai do quarto.

MURILO       —  (P/si) Acho que eu falei o que não devia. (Dá de ombros) Mas não tô nem aí. É isso que se ganha por mentir pra mim.

Ele fica ali invocado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. HOTEL DE LUXO. QUARTO. INT. NOITE.

Sol e Gloria chegam do restaurante.

GLÓRIA        —  Filha, desculpe ter tocado no Alfredo. Agora eu sei que isso ainda é um assunto delicado pra você. Me desculpe. Eu não deveria ter voltado a isso.

SOL               —  Pelo menos um chá de semancol a senhora tomou, né?

GLÓRIA        —  Eu não sabia que esse assunto era tão delicado assim pra você.

SOL               —  É, mas agora a senhora sabe e eu adoraria que não tocasse mais nesse assunto.

GLÓRIA        —  Tudo bem. Como você quiser.

SOL               —  Mudando de assunto agora pra nossa casa nova. Eu queria dar um coquetel de inauguração.

GLÓRIA        —  Coquetel? Mas como você vai dar um coquetel se não conhecemos ninguém?

SOL               —  Mas é claro que conhecemos. Nós conhecemos aquele jovem estranho que na orla parecia ser legal e depois disse que não me conhecia, temos a Karina e o Rodrigo.

GLÓRIA        —  Legal. Três pessoas. Quer dizer… Três não, né. Porque se ele disse que não te conhecia ele não vai a coquetel nenhum.

SOL               —  Tem razão, mãe. Nós não conhecemos ninguém. Temos que socializar mais com as pessoas.

GLÓRIA        —  Ai, ai, ai… Já vem você com essas ideias.

CORTA PARA:

CENA 12. APART DE FLÁVIA. SALA. INT. NOITE.

Flávia e Jandira ali apreensivas Vicente vem do quarto triste, lágrimas estão escorrendo pelo seu rosto.

FLÁVIA        —  O que aconteceu, meu amor?

VICENTE      —  O Murilo… Ele disse que eu não sou nada pra ele.

JANDIRA      —  (Comemora) Uhu! Eu sabia que esse dia chegaria.

FLÁVIA        —  Mamãe.

VICENTE      —  Deixa, Flávia. A Jandira tem toda razão de ficar assim. Todos esses anos que eu não fui presente na vida do Murilo… Eu deveria ter imaginado que resultaria nisso.

FLÁVIA        —  Eu vou lá falar com o Murilo.

Vicente a segura pelo braço arrematando.

VICENTE      —  Não. Deixa ele lá no quarto dele. 

FLÁVIA        —  Mas o que ele fez com você não foi certo.

JANDIRA      —  E o que o Vicente tem feito com ele todos esses anos é certo?

FLÁVIA        —  Mamãe, pelo amor de Deus. Será que a senhora poderia me dar licença? Eu preciso conversar com o Vicente a sós.

JANDIRA      —  Tudo bem. Vou dar uma voltinha pelo condomínio.

FLÁVIA        —  Nada de ficar se agarrando nas áreas públicas do condomínio, mamãe! Não quero a sindica aqui na minha porta reclamando!

Ela sai.

VICENTE      —  A sua mãe tem razão, Flávia. O que o Murilo me disse é fruto de todos esses anos ausente.

FLÁVIA        —  Mas mesmo assim, meu amor. Nós temos que pensar numa forma de reverter essa situação.

VICENTE      —  Mas como?

Closes alternados nos dois ali pensativos. Instantes.

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 13. APART DE RICARDO E RÔ. SALA DE JANTAR. INT. NOITE.

Ricardo e Rosangela ali terminando o jantar. Um olhando para o outro de “rabo de olho”.

ROSANGELA —Chega, Ricardo! Nós não vamos ficar assim pra sempre, né!

RICARDO     —  Não sei! Vai depender de você!

ROSANGELA —Olha… Ficou nítido que isso está afetando a Karina.

RICARDO     —  Nossa! Agora que você foi perceber isso? A nossa filha tá cheia de problemas pra resolver que ela não se abre comigo! Com certeza são coisas que só a MÃE dela poderia ajudar! E você não dá a mínima!

ROSANGELA —Por isso mesmo que proponho que a gente faça de conta que está tudo bem.

RICARDO     —  Como é que é?

ROSANGELA —É, pelo menos pra Karina não ficar tão mexida como hoje.

RICARDO     —  Eu não posso acreditar que você tá querendo brincar de faz de conta.

ROSANGELA —Não é brincar de faz de conta. É apenas fazer com que a nossa filha fique bem.

RICARDO     —  E você acha que mentindo pra ela, ela vai ficar bem?

Ricardo se levanta da mesa e vai para o quarto.

ROSANGELA — Espera aí, Ricardo! Volta aqui! Vamos conversar! (P/si) Esse drama todo só por que eu propus isso?

Rosangela fica ali meneando a cabeça negativamente. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 14. APART DE VICENTE E CRIS. SALA. INT. NOITE.

Cristina ali sentada lendo um livro. Adriana vem da cozinha com um copo d’água.

ADRIANA     —  É, pelo visto o seu Vicente não vem mesmo pra casa.

CRISTINA     —  (Olhando p/livro) Pois é, minha filha. 

ADRIANA     —  Acho que ele levou mesmo a sério o que a senhora disse.

CRISTINA     —  Se ele levou a sério. Então é sinal de que ele percebeu que eu não estava de palhaçada.

ADRIANA     —  Mas é sério mesmo isso? Se a senhora não conhecer essa tal de Flávia, vai continuar a deixar ele dormir por aí?

CRISTINA     —  Sim. Filha, não adianta me olhar com essa cara. Você ainda é noiva do Miguel. Vai ver só quando vocês se casarem! Homem não presta. Não vale nada. Não pode ver um rabo de saia que logo ficam parecendo cachorrinho no cio.

ADRIANA     —  Mas mesmo assim, mãe. Será que não foi demais ter expulsado ele de casa, não?

CRISTINA     —  Que isso, minha filha?! Eu não tô te entendendo. Antes você me deu força pra descobrir quem era o cliente e agora tá aí falando o contrário. O que tá acontecendo com você?

ADRIANA     —  Desculpa, mãe. É que eu tô meio atordoada com uma coisa aí.

CRISTINA     —  Atordoada com o que, minha filha? Pode falar.

ADRIANA     —  Melhor não. Já tá tarde. Eu vou dormir. Amanhã a gente conversa! Boa noite.

CRSITINA     —  Boa noite.

Ela vai pro quarto e Cris fica ali intrigada.

CORTA PARA:

CENA 15. PRÉDIO DE RICARDO E FLÁVIA. FACHADA. EXT. NOITE.

Jandira ali pensativa, quando arremata.

JANDIRA      —  (P/si, sorrir) Finalmente meu neto deu um chega pra lá no Vicente. Já tava mais do que na hora disso acontecer. Todos esses anos ausente. Era óbvio que esse dia chegaria. Eu tô tão feliz. (Suspira) Ai que sensação boa.

Um homem se aproxima e ela arremata.

JANDIRA      —  Tá atrasado. Meia hora depois do horário marcado.

Ele vai responder, mas ela o corta puxando-o pela mão.

JANDIRA      —  Deixa pra lá. Vamos ao que interessa que eu fiquei meia hora aqui me contorcendo te esperando.

Os dois vão se afastando da CAM. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 16. CASA DE CARLITO E MAZÉ. SALA. INT. NOITE.

Ana e Juliana ali sentadas mexendo no cel. 

ANA              —  Ai, menina… Eu tô com um problemão daqueles lá no trabalho.

JULIANA      —  Ah é? Mas o que aconteceu?

ANA              —  A minha patroa tá desconfiada do marido dela que consequentemente é meu patrão também. Aí ela fica mandando eu vasculhar as coisas dele e hoje ele chegou perto de mim e mandou a real. Se ele descobrir que eu tô mexendo nas coisas dele a mando da Cristina, eu tô demitida!

JULIANA      —  Nossa, amiga. Você tá num beco sem saída.

ANA              —  Pois é, eu fico sem saber quem ouço.

JULIANA      —  Verdade. 

ANA              —  E o pior é que eu acho que ele tem outra família.

JULIANA      —  (Surpresa) O quê? Nossa! Essa construtora tá que só babado, hein!

ANA              —  (Mostra a foto no cel.) Eu achei essa foto bem escondida na sala dele.

JULIANA      —  Nossa! Mas que menino lindo.

ANA              —  Pra essa foto tá na sala dele, esse menino aqui só pode ser o que…?

AS DUAS      —  (Ao mesmo tempo) Filho dele.

JULIANA      —  Mas e aí? Você vai fazer o quê?

ANA              —  O certo seria contar, mas pelo bem do meu emprego eu vou ficar de bico calado.

JULIANA      —  Vai deixar a mulher continuar sendo chifruda?

ANA              —  Pelo bem do meu emprego, vou sim.

As duas ficam ali sorrindo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 17. DELEGACIA. CELA. INT. NOITE.

Gael e Lucas ali.

LUCAS          —  Cara… Quando meu pai descobrir ele vai me matar.

GAEL            —  E minha mãe? Saí de casa hoje e já tô em cana.

LUCAS          —  Meu pai não pode nem pensar que eu tô numa delegacia.

GAEL            —  Mas de que outro jeito você acha que pode sair daqui? Não tem outro jeito! Você tem que avisar ele.

LUCAS          —  Eu tenho que arrumar outra forma. (Tem ideia) Já sei. Minha mãe vai me ajudar sem contar nada pra ele.

GAEL            —  Você ainda tem sua mãe, e eu?

LUCAS          —  Que história é essa cara? Você não tem mãe?!

GAEL            —  Tenho, mas depois de algumas coisas que andaram acontecendo… Eu acho que vou pedir ajuda ao meu amigo. Amanhã será um novo dia e a gente vai tá fora desse lugar.

CORTA PARA:

CENA 18. RIO DE JANEIRO. EXT. AMANHECER.

Takes descontínuos do amanhecer no Rio.

CORTA PARA:

CENA 19. APART DE ALFREDO. SALA DE JANTAR. INT. DIA.

Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.

Alfredo, Bruna e Renata sentados à mesa tomando um rico café da manhã.

RENATA       —  Muito trabalho hoje lá na redação, meu amor?

ALFREDO     —  Com certeza. Não há um dia naquela redação em que a gente não trabalhe muito. Ainda mais depois que o Celso anda mandando na minha equipe.

BRUNA         —  De novo esse Celso? Ele não sai da sua cola, hein, pai.

ALFREDO      —Pois é, minha filha. Mas hoje ele vai ter uma resposta à altura.

RENATA       —  Vê lá o que você vai fazer, hein, Alfredo! O nosso futuro depende daquele emprego.

ALFREDO     —  Se você trabalhasse, nós não estaríamos como agora e sim vivendo com mais fartura ainda. Com licença.

Ele sai.

BRUNA         —  Nossa, mãe. A senhora poderia ter ficado sem essa.

RENATA       —  Cala boca, garota. E ver se termina logo esse café pra gente ir logo.

BRUNA         —  Calma, só quis dizer.

Bruna fica ali rindo escondido e Renata seríssima. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 20. LEBLON. ORLA. EXT. DIA.

Sol ali caminhando, ela se senta a um banco e arremata.

SOL               —  (P/si) Ah se eu pudesse voltar no tempo…. Teria mudado muitas coisas. Principalmente com você Alfredo. 

Ela olha para o céu azul e depois olha a estrada. CAM mostra um carro. O vidro desce e é Alfredo que está dentro dele.

SOL               —  (P/si) Alfredo?

Ela se levanta e vai caminhando em direção ao carro, mas o semáforo abre e os carros vão passando.

SOL               —  (P/si) Aquele era o Alfredo?

Ela fica ali intrigadíssima. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 21. DELEGACIA. SALA DO DELEGADO. INT. DIA.

CAM ali focada na porta, Gael entra acompanhado de um policial. CAM mostra que Marta, Pedro, Delegado e um advogado estão ali.

GAEL            —  Caramba, Pedro. Eu falei pra você não trazer ela!!!

PEDRO          —  Não tinha como eu deixar a dona Marta de fora. Ela estava preocupadíssima.

GAEL            —  Não adianta tentar justificar. O que você fez foi antiético. Você traiu a minha confiança.

MARTA        —  (Firme) Para de palhaçada, Gael. E não queria que ele me trouxesse por quê? Pra que eu não pudesse ver a burrada que você fez? Tarde demais. Tarde demais! Agora eu estou aqui e você vai me ouvir! E dessa vez como homem! 

Fecha em Gael ali seríssimo. Instantes. Suspense. Tensão.

CORTA PARA: 

FIM DO 17º CAPÍTULO

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