Ato XIX – Perigosos mistérios
Na delegacia, Nie Mingjue acompanhava o reitor Song Lan para obterem mais informações sobre o desaparecimento do professor Xiao XingChen e sua filha Xiao Qing.
Por todo trajeto desde que o reitor Song encontrou MingJue ficou silêncio, vez ou outra respondia alguma pergunta feita pelo advogado apresentado pelo cultivador chefe Lan XiChen, no entanto seus pensamentos eram perdidos e desesperados.
— Reitor Song… – MingJue chamou uma vez, vendo que não ouve resposta suspirou e falou em um tom mais alto. – Reitor Song!
Song Lan finalmente deu atenção ao advogado.
— Sim?
— Chegamos. – Saltando do carro, ao qual havia parado no estacionamento ao lado da delegacia, esperou pelo reitor sair do carro para acompanhá-lo. – Vamos?
— Claro. – Song olhou em volta e saiu do carro logo em seguida indo atrás de MingJue.
Após fechar o carro seguiram até ao prédio e entraram seguindo direto para a recepção.
— Boa tarde, sou o Nie MingJue, advogado representante do Reitor Song Lan.
— Boa tarde, Dr. MingJue. – O policial na recepção cumprimentou e depois ao reitor. – Reitor Song, se é sobre o caso do desaparecimento do professor Xiao e sua filha, não temos nenhuma informação.
— Eu sei, mas preciso de ajuda e meu advogado estar aqui para contribuir nas investigações. – Song estava insatisfeito com aquela mesma informação.
Mingjue fez um gesto a ele para esperar e virou-se para o policial na recepção dizendo:
— Eu entendo que não tem nenhuma informação, ainda assim estou assumindo perante o delegado que não sairemos se ter algo concreto nessas investigações… – MingJue ainda falava com o policial quando foi interrompido por uma voz familiar.
— Dr. Nie.
O homem baixo e vestido elegantemente de terno preto se aproximou da recepção e tão logo foi notado esboçou um sorriso gentil.
MingJue estreitou os olhos sem se virar ao primeiro momento, pois sabia bem quem era e isso o irritava.
— Reitor Song. – Meng Yao virou-se para Song Lan cumprimentando.
— Boa tarde detetive Meng.
— Não me diga que é o detetive que está investigando o desaparecimento? – MingJue finalmente olhou pelo canto dos olhos para Meng Yao.
— Não sou, mas tenho particular interesse, já que estou investigando um caso de trafego… – Voltou a face para o reitor. – Ao que parece o professor Xue Yang tinha alguns atos um tanto duvidosos.
— O que você sabe? – MingJue voltou ao detetive Meng aguardando. – Se seu caso está ligado ao desaparecimento eu quero saber.
Meng Yao estava pensativo e fez um gesto para irem até sua mesa. MingJue e Song Lan seguiram, logo que se sentaram Yao disse:
— Eu não posso interferir nas investigações do desaparecimento do professor Xiao e sua filha, até conseguir ligar o terceiro desaparecido ao meu caso. – Encostou na sua cadeira e olhou para a dupla sentada nas cadeiras a frente de sua mesa.
— Eu acredito que dessa vez sua contribuição não é necessária. – MingJue falava em tom de total desconfiança.
— Eu tenho que confirmar essa ligação, caso realmente aconteça, querendo ou não eu estarei em ambos os casos. – Sorriu gentil ao MingJue e depois ao reitor.
— Seja quem for, precisamos achá-los, cada dia a mais e um a menos para Xiao e Qing. – Song Lan estava tenso.
— Eu sei da urgência do caso, mas nesse momento sou a pessoa que tem uma pista mais concreta do desaparecimento.
MingJue mesmo a contragosto, concordou e se levantou dizendo ao reitor.
— Vou continuar a monitorar e entrarei em contato caso alguma informação ou pista apareça.
Era nítida a frustração na face de Song Lan, alguns segundos seguintes ele se levantou e olhou para o detetive Yao.
— Quero encontrá-los, por favor, faça algo para salvá-los.
— Não precisa nem pedir, eu farei o possível para achar os desaparecidos e se Xue Yang tiver culpa, vai para julgamento e prisão. – Meng Yao se levantou olhando para MingJue esboçando um sorriso consolador para o reitor.
Song Lan se afastou para sair da delegacia, quando ouviu de Mingjue para aguardá-lo no carro. Este o fez deixando a dupla em seguida.
— Vamos lá detetive Meng, o que está acontecendo? Quero saber. – MingJue tirou do bolso de seu paletó um envelope entregando ao detetive. – Entregarei ao delegado e serão obrigados a dizer o que está acontecendo nessa investigação.
Meng Yao pegou o envelope e abriu já sabendo que era uma liminar assinada pelo promotor para autorizar MingJue como representante do professor Xiao.
— Muito bem, como disse antes, há uma ligação com meu caso. – Meng Yao fez uma breve pausa procurando algo que pudesse dar ao advogado e que não fosse vazamento de informações de seu caso. – Xue Yang tem amigos bem poderosos e meu caso é com esses amigos.
— Não me diga… – MingJue já sabia de quem ele falava. – O detetive vem algum tempo tentando pegar essa família.
— Se meu informante confirmar a ligação, eu finalmente terei uma brecha… – Meng Yao estava determinado. – Dr. Nie, acredite dessa vez eu vou conseguir e que o reitor tenha esperança.
MingJue olhava para o detetive Meng sério alguns segundo soltou um leve suspiro e virou-se para sair.
— Boa tarde detetive, logo voltarei a delegacia para mais informações.
— Boa tarde Dr. Nie.
Meng Yao observou o advogado se afastar saindo finalmente da delegacia, um policial se aproximou e entregou uma pasta com arquivos.
— Dr. Nie está no caso do desaparecimento?
— Sim. – Yao se virou para voltar a sua mesa e quando se sentou sentiu o telefone vibrar no bolso com uma chamada. Ao pegar o aparelho se levantou indo para outra sala para atender a ligação, deixando o policial assistente o aguardando. – Já volto. – Entrou fechando a porta. – Finalmente, então conseguiu a informação?
— Claro e dessa vez pegamos o furo da família Wen. – A voz do outro lado sorriu satisfeita.
— Certo, continue…
— Enviei um arquivo deve chegar a você a qualquer momento. – A voz masculina bocejou e continuou. – Dessa vez vamos pegá-los e eu finalmente vou sair dessa merda de mundo de Idols.
— Acalma-se, logo sairá…
O homem do outro lado da linha falava de sua sala no prédio mais luxuoso de Pequim onde fica a Wen Studio Interface, umas das empresas mais importantes do meio que administrava grandes astros do entretenimento. Umas das concorrentes Gusu Studios.
— Será o maior escândalo que esse mundo de astros vai ver. – Meng Yao estava ansioso, a anos vem investigando a ligação dessa empresa e família com tráfegos inclusive humanos e nunca conseguiu uma falha sequer para ligá-los aos casos que vem investigando. Esse rastro deixado por Xue Yang será a ligação necessária para finalmente expor os podres dos Wens.
— Vou desligar, logo voltamos a nos falar. – A voz encerrou a chamada.
Meng Yao inspirou baixo e saiu da sala quando se aproximou de sua mesa havia um entregador esperando. Já sabendo o que era, pegou a nota para assinar o recebimento e agradeceu ao rapaz. O policial assistente estava observando quando Meng Yao abriu a caixa, nela havia um pequeno bolo com morangos em cima.
— Su sempre tão gentil… – Sorrindo pegou o cartão e abriu para ler. – Olha é meu aniversário.
— Parabéns detetive Meng.
— Obrigado, eu ando trabalhando tanto que esqueci completamente.
— Ainda bem que alguém o lembrou. – O jovem policial sorriu.
Meng Yao assinou os papeis de sua mesa e entregou para o policial. Quando abriu novamente o cartão passou o dedo nas dobras e sentiu um volume, assim que fez um pequeno talho na folha retirou um microcard SD.
“Muito bem pensado Su MinShan.”
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Song Lan tão logo saltou do carro em frente ao prédio onde residia, parado ao lado da porta do carro olhou para MingJue com expressão chateada.
— Acredito que pelo menos normais, não conseguiremos encontrar o professor Xiao e Qing. – Virou-se e antes de se despedir dizendo: – Vou buscar meus meios.
— Reitor Song, Lan XiChen enviou cultivadores para procurar pistas, acredito que terão mais sucesso, mas entendo que fará de sua forma. – Ligou o carro, falando por fim. – Tome cuidado, se o detetive descobrir a ligação de Xue Yang com os Wens, certamente tudo será mais perigoso.
— Não tenho medo deles. – Afastou-se. – Mesmo assim fico grato pela ajuda, boa tarde Dr. Nie.
MingJue saiu com carro e fez uma chamada avisando a Lan XiChen que iria ao resort encontrá-lo para relatar tudo que está acontecendo.
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Algumas horas depois do ataque da “morte súbita” no Resort ….
Xichen ouvia todo relado do que aconteceu na delegacia e estava ainda mais preocupado, afinal a cada mistério que surgia mais e mais confusa a situação ficava.
— Jue-ge, afinal se isso se confirmar, possivelmente o professor Xiao e sua filha Qing estão em perigo. – Xichen se sentou na beira da cama, eles estavam em seu quarto reservado no resort.
— Eu não sei, acha que os dois ainda estão vivos?
— Pelo que lembro dos relados no passado de WangJi e mestre Wei, Xue Yang tinha verdadeira obsessão pelo Xiao XingChen.
— O desgraçado morre e reencarna mais louco que antes, mas se ele perseguia o professor Xiao, conforme os relatos do reitor e depoimentos dos alunos… – MingJue se arrepiou.
— Xue Yang certamente tem as lembranças passadas. – XiChen completou o raciocínio. – Não é nada bom… – Suspirou passando a mão no rosto demonstrando cansaço e preocupação.
— Ei, estamos em alerta e a polícia está investigando. – MingJue se sentou ao lado de XiChen e massageou seus ombros. – Estão tensos.
— Como de repente tudo estava calmo e agora, essa tempestade se aproximando? – XiChen pensava em todas as situações acontecendo simultaneamente.
— Precisamos ser cautelosos e investigar profundamente tudo que está acontecendo.
— Sim… Amanhã conversarei com WangJi.
— Vamos voltar todos para Pequim e mantermos atentos. – MingJue se levantou e estendeu a mão. – Venha, vou cuidar de você.
XiChen sorriu e segurou a mão de seu marido, se levantou e seguiu-o para o banheiro da suíte. Após um banho relaxante a dupla voltou para o quarto e ambos se deitaram para descansar aquela madrugada com tantos acontecimentos estranhos fez Xichen demorar a dormir.
Ele se recordava do passado e da vez que simultâneas situações estranhas aconteceram levando-o a perder WangJi e WuXian.
XiChen ainda podia sentir a dor ao ver aqueles dois pequenos meninos sem vida de mãos dadas quando foram resgados do naufrágio da embarcação que trazia os dois de Yanmeng afundou. Wangji e Wuxian tinham 5 anos. Tudo tinha corrido como eles planejaram, um ano após a partida Lan Wangji e Wei WuXian, reencarnaram e cresciam juntos em Gusu, eram cuidados por todos e os pequenos viviam entre Gusu e Yanmeng.
No entanto, naquele ano fatos estranhos voltaram acontece e a “morte súbita” que havia sido controlada reapareceu no mesmo dia do acidente. O naufrágio da embarcação foi investigado, mas nada relacionado ao sobrenatural foi identificado.
Xichen sentiu seu mundo desmoronar, tentar acalmar seu sobrinho Lan Zhian foi um desafio e manter a face depois de ter falhado com WangJi e Wuxian o fez se culpar por muitos anos.
A deusa da Lua Snog interveio e informou que eles reencarnariam, mas ela não sabia quando e nem onde só confirmou que as almas voltaram para a roda da reencarnação. Desde então, Xichen prometeu a Zhian que encontraria as reencarnações de seus pais.
Xichen estava com a cabeça deitada no ombro de Mingjue quando suspirou recordando dessas dolorosas lembranças.
— Não vai se repetir. – MingJue sabia o que se passava já que conhecia sobre esses fatos do passado. – Não vamos deixar que nada aconteça a eles.
— Eu lembro do sorriso de mestre Wei e do olhar calmo de WangJi, por que permiti que eles fossem para Yanmeng? Se tivesse dito não, hoje eles não teriam que passar por tanto tempo de espera.
— Não, Huan, por favor não volte a se culpar… Eles estão juntos agora, vai tudo dar certo e dessa vez estamos todos em alerta. – MingJue abraçou forte XiChen para confortá-lo.
XiChen retribuiu afundando o rosto no peito de MingJue, mas mesmo com aquele carinho sua mente não se acalmava.
— Jovem mestre Wei, o que faço com você? – Xichen andava de um lado para o outro com uma expressão séria para o pequeno garoto de largo sorriso a face. – Não deveria ter feito isso. – Negou leve com a cabeça.
Wei Ying estava sentado sobre os joelhos na almofada redonda e baixou a cabeça coçando com seu pequeno dedo a ponta do nariz.
Ao Lado dele Lan Zhian tentava ao máximo se controlar para não sorrir. XiChen olhou o sobrinho e estreitou os olhos, mas havia uma leve curvatura nos lábios denunciando que ele estava em igual situação.
— Tio, acredito que Wei Ying não fez de propósito. – Zhian olhou para o pequeno. – Certo?
Wei Ying abriu os lábios em seu sorriso divertido onde seus pequenos olhos faziam a curvatura como quem tivesse duas pequenas meias luas a face.
— Eu achei que teria que ter essa regra, irmão Xichen… – Cobriu os lábios. – Desculpa, ZeWu-Ju.
— “Todos devem dar doce a Wei Ying” – Xichen supirou, lembrando de seu tio que ralhou ao ver o muro das regras pintado com a caligráfica irregular iniciante de Wei Ying. – Muito bem, apesar de não ter tido má intensão, não repita. – XiChen fez um gesto para Zhian levar Wei Ying. – Infelizmente por hoje vai ficar em seu quarto, só amanhã estará liberado para andar pelo Recantos da nuvem.
— Ahhhh, mas eu prometi que ia brincar com Lan Zhan… – Curvou a cabeça e resmungou.
— Essa é sua punição…. Ou prefere que seja Sr. QiRen que escolha? – Xichen brincou com ele.
Wei Ying negou veementemente com a cabeça, balançando com certo exagero e segurou a mão de Zhian.
— Zhian-ge me leva para meu quarto.
Zhian sorriu e olhou Xichen piscando, ambos por fim saíram do salão da harmonia e como combinado, Wei Ying ficou em seu quarto.
Já era noite quando Wei Ying entediado se deitou na cama, ele não queria comer aquela sopa sem gosto e esperava por Zhian que prometeu trazer a ele uma saborosa refeição.
Suaves batidas na janela chamaram atenção e uma voz suave veio do outro lado.
— Wei Ying.
— Lan Zhan, hahahaha… – Wei Ying correu e empurrou um baú para baixo da janela, subiu e abriu-a. – O garotinho baixou olhar e acenou. – Lan Zhan, você demorou, onde estava?
— Tio…
— Ah, ele te deu punição?
— Não, pediu para eu aprender escrever as regras.
Wei Ying bufou e voltou a sorrir estendendo a mão.
— Vem Lan Zhan, fica comigo estou entediado.
Lan Zhan subiu com facilidade a janela e após fecha-la se sentaram na almofada em frente a mesa de estudos de Wei Ying. Fazendo drama o pequeno arteiro começou a reclamar.
— Só posso andar por aí amanhã, aaaaaaaaaaaahhhhhhh….
— Não deveria ter pintado no mura de regras. – A voz de Lan Zhan era suave e calma.
— Eu sei. – De repente Wei Ying se agitou. – Lan Zhan amanhã vamos ao Pier Lótus para pescar e soltar pipa?
— Hm. – Lan Zhan concordou.
— Oba, agora estou menos entediado hahahaha…
Naquela noite, os dois dormiram no quarto depois de Zhian ter trazido a refeição e cuidado dos pais. Na manhã seguinte, depois de muita insistência de Wei Ying, XiChen permitiu que os dois fossem ao Pier Lótus, designou dois cultivadores sênior para escoltá-los na ida e volta, pois tanto ele quanto Lan Zhian tinham compromissos que não podiam serem adiados.
A lembrança de vê-los partindo no barco com Wei Ying sorridente e Lan Zhan ao seu lado igualmente feliz, doía demais. Foi a última vez que os viu com vida.
Xichen ofegou e abraçou forte MingJue murmurando.
— Não vou permitir que ninguém os machuquem novamente.
MingJue concordou afagava a cabeça de Xichen com carinho e ambos depois de alguns minutos adormeceram.
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WuXian depois daquele encontro com o “primo” de WangJi voltou para seu quarto para preparar a mala, o retorno para Pequim estava marcado para as 2 h. da tarde.
Cheng apareceu pouco depois e foi preparar sua mala, os irmãos ficaram a maior parte do tempo no quarto.
— E conta como foi lá? Vão mesmo prepará-lo para estrear no mundo dos Idols?
— Segundo sr. Lan, quando chegarmos em Pequim eu vou fazer uns ensaios fotográficos para teste de uma publicidade de relógio e outra de óculos. – WuXian sorriu e se empolgou. – Se eu for aprovado, vou começar como modelo. – Enquanto via as redes sociais pelo smartphone tagarelou. – Como meu pé ainda não está curado, algumas coisas vou poder fazer, como aulas de canto e modelagem. Ei, Cheng se me aprovarem nessas duas publicidades o cachê é muito bom.
— Essa parte eu gostei, aliás, mesmo que não sejamos Idols famosos, só o dinheiro que estamos ganhando para mim está mais que bom. – Cheng estava deitado na cama com o controle da tv olhando as notícias.
— Realmente, nunca que conseguiríamos juntar dinheiro rápido trabalhando em uma cafeteria. – Wuxian inclinou a cabeça e pensativo olhou para Cheng. – Tem algo que me preocupa.
— O que?
— Eu tenho certeza de que tive uma crise na madrugada.
Cheng olhou-o e esperou.
— Cedo quando acordei, achei que não, mas depois que estive com Zhan, eu o achei exageradamente protetor.
— Hum… Já contou a ele sobre a sua DP?
— Não, nem tenho como falar com ele aqui, em Pequim converso com Zhan. – Suspirou. – Além do mais, tem o fato de você ter sentido aquela coisa que sentimos no vagão do metrô antes do meu acidente, muito estranho, não acha?
— Ah, nem me lembre disso e ao que parece a Qing também sentiu… Realmente muito estranho… – Virou o rosto para a TV. – Só assim sei que nenhum de nós está imaginando coisas.
— Cheng, estive pensando nisso e se minha DP é ligada a essa sensação estranha? – WuXian olhou a tela do seu smartphone.
— WuXian deixa de imaginar coisas, eu e nem Qing temos DP, como nós sentiríamos o mesmo que você? E pior, quando eu e Qing sentimos você estava se agarrando com WangJi no quarto… – Falou baixo no final da frase.
WuXian fez uma careta e no fim sorriu corando a face. Lembrando de como foi bom aquele momento deles juntos.
— Sem vergonhas os dois, por Buda nem abre a boca para me contar nada disso… – Cheng virou os olhos.
— Eu e Zhan sem vergonhas? – WuXian olhou no canto dos olhos com sorrisinho malicioso. – E Cheng com a srta. Qing são o que, hen?…
— Eiiii… Xiiii… – Cheng ralhou com WuXian. – Cuida dos teus assuntos e eu cuido dos meus…
WuXian começou a rir se divertindo com a face corada de seu irmão. Até que se lembrou de que o irmão iria conversar para descobrir o que a Qing estava passando.
— Ei, a Qing disso qual era o problema?
— Não.
— Ué, mas você não foi lá para isso? Vocês conversaram, claro, afinal ficaram juntos.
Cheng fechou os olhos coçando a testa com a mão falando em seguida.
— Eu disse a ela que não precisava me falar, mas que se não desse conta que pedisse ajuda.
Wuxian concordou com um gesto de cabeça.
— Boa, ganhou a confiança dela… – Sorriu provocando de novo. – Ganhou tanto que passou até a noite juntos hahahahaha…
Cheng pegou um dos travesseiros de sua cama e jogou em WuXian, resmungando com ele.
— Idiota.
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Era hora da partida todos os participantes do concurso assim como seguranças e pessoal técnico estavam em frente a recepção do Resort, em fila entregavam os cartões chaves de seus quartos para darem baixa na saída e aqueles que faziam isso se encaminham para os ônibus. Qing e Ning cuidava do controle de entrega e faziam a verificação dos participantes que entravam nos ônibus.
— WuXian vai de van? – Jia-li estava na fila atrás dele e Cheng.
— Sim. – Olhou para a porta vendo o ônibus e fez uma breve careta. – Se eu chegar perto desse ônibus vou vomitando daqui até Pequim.
— Eca… – Jia-li sorriu brincando.
— Eu até poderia ir na van com WuXian, mas vou no ônibus.
— E eu nem faria questão de você ir comigo na van. – WuXian soltou um sorrisinho sabendo o real motivo do irmão preferir ir ao ônibus.
Feito todos os procedimentos tão logo os ônibus estavam completos, WuXian entrou na van e a primeiro momento estranhou que somente ele estava ali, mas deu de ombros acreditando que os seguranças logo viriam.
No quarto, WangJi ouvia o relato de XiChen e MingJue sobre a delegacia, com todos os acontecimentos ele não teve tempo de contar essa parte para WangJi.
— WangJi, eu quero que fique atento.
— Pai, eu estou atento. – Olhando XiChen suspirou sutilmente. – Não vai se repetir o passado.
WangJi sabia quanto XiChen temia por eles, mas como no passado ele não tinha ainda desenvolvido seu núcleo dourado, foi fácil pegá-los, no entanto, atualmente WangJi é muito mais poderoso que antes e não permitir que nada e nem ninguém fizesse algo com ele ou WuXian.
— Eu vou proteger WuXian.
— Eu sei, mas temos que ser cautelosos. – XiChen fez uma breve pausa. – WangJi, ainda é uma pessoa publica e pode chamar atenção pelo fato de ser próximo a WuXian. – XiChen sabia das fofocas que corriam entre os participantes do concurso.
— Eu não me importo.
— Eu sei, ainda assim vamos ser cautelosos.
— Eu não quero me afastar de WuXian, por mim ele iria para nossa casa…
XiChen sorriu e suspirou em seguida.
— Tio… Baba… – Zhian estava observando a conversa quando teve uma ideia e disse: – Baba não precisa se afastar de mama, só continuar sendo o “faxineiro” Zhan. – Sorriu em seguida.
WangJi olhou para eles e sua expressão sutilmente preocupada se suavizou.
— É uma solução.
— Até WuXian se lembrar do passado. – WangJi pegou seu smartphone esperando a dupla para saírem do quarto e fechar a estadia no resort. – Eu levarei de volta a Gusu e ficaremos lá por um tempo, enquanto investigamos tudo que está acontecendo.
— Certo. – Xichen concordou.
— Eu vou indo, tenho uma missão a cumprir para madrinha e volto antes que vocês suspirem. – Zhian se afastou e usando um amuleto foi envolvido por uma névoa azulada desaparecendo em seguida.
— Que missão é essa?
— Segundo a deusa da lua, ele tem que ir ao submundo levar um artefato a um deus fantasma. – Xichen olhou WangJi sabendo que ele não gostava dessas missões do filho sozinho no submundo. – Não se preocupe, ela me garantiu que esse deus fantasma é pacífico.
WangJi suspirou novamente.
— É a punição dele, afinal… – Virou-se para sair do quarto.
• ────── ✾ ────── •
Wuxian estava no último banco da van, ele havia levantado o banco o fazendo reclinar para esticar sua perna. O frio lá fora ainda castigava, apesar de não nevar. Olhava vez ou outra para o chat, para ver se havia alguma mensagem de Zhan.
— Zhan-ge deve estar muito ocupado, até agora nenhuma mensagem… – Murmurou olhando pela janela quando viu os ônibus saindo. – Hum, já vamos partir…
Estranhou que nenhum segurança apareceu para entrar na van, até que um motorista sorrindo para ele informou que estavam partindo. WuXian no começou ficou tenso, mas pensou que nenhum segurança viajaria com ele. Chegou a questionar com o motorista, mas este disse que tinha ordem para seguir o ônibus. E logo em seguida ele fechou o vidro que separa a parte da frente do carro. E pouco depois saiu indo atrás do ônibus.
— Ok… Uma van só para mim hehehehe… – Wuxian puxou uma manta e se cobriu decidiu ficar quietinho esperando por alguma mensagem de Zhan.
Alguns minutos depois, WuXian que navegava na internet e redes sociais teve sua atenção desviada para uma parada repentina do veículo, olhou para a porta que se abriu e alguém entrou estava todo coberto de um grande casaco preto, com capuz e gorro, além da máscara. Esta pessoa fechou a porta e deu duas batidas no vidro para o motorista seguir.
Wuxian olhou-o a pessoa se aproximar até o fundo da van e se sentar ao seu lado. A voz que ele ouviu em seguida fez Wuxian se arrepiar, suspirou sorrindo.
— Empresta seu calor, lá fora está congelando… – Zhan tirou a máscara e o casaco que estava um pouco molhado com os flocos de neve que começaram a cair. Colocou no banco da frente e se enfiou embaixo da manta junto com WuXian.
— Zhan-gege, você está gelado. – Wuxian estremeceu com o contato frio de seu amado. Sorrindo olhou para ele estreitando os olhos. – Algo me diz que tudo foi planejado.
— Hm. – Confirmou.
WuXian sorriu baixinho e depois olhou pela janela do carro.
— Ninguém te viu entrar, certo?
— Não. – Zhan passou o braço por cima de WuXian e se aconchegou mais. – Está tudo sob controle.
WuXian suspirou um tanto aliviado, voltou a sorrir…
— Eu falo de tudo… TUDO que aconteceu nesse fim de semana, você planejou, não é?
— Conforme planejei não, a intensão era te contar depois que o convidasse a ir ao meu andar reservado.
WuXian abriu levemente os olhos e pensativo voltou a sorrir dessa vez disse de forma provocativa.
— Zhan-gege, olha que coisa hen… Me arrastar para seu andar para me contar que era o Zhan hahahahahaha… e depois o que pretendia fazer comigo?
WangJi ficou em silêncio sentiu-se feliz com aquela provocativa, seu Wei Ying apesar de não lembrar do passado não havia mudado quando se tratava de provocá-lo de forma maliciosa. Resolveu atiçar ainda mais o outro, estava saudoso daquele que o deixava excitado.
— Eu planejei te falar o que sinto… – WangJi estava com a cabeça pousada no ombro de WuXian.
WuXian se arrepiou e ofegou baixinho. Com a voz rouca denunciando sua emoção ele murmurou:
— Dizer o que sente…
— Hm… – Confirmou. – Eu amo você e iria dizer, mas tudo aconteceu de uma outra forma…
WuXian se emocionou com aquela declaração.
— Zhan-ge, quando chegarmos em Pequim, ainda será um sonho?
Zhan estranhou aquela pergunta e levantou a cabeça para encarar os olhos luminosos de WuXian, analisando sua expressão notou uma grande insegurança naquele olhar.
— Não é sonho, é realidade… – Zhan se aproximou e tocou o rosto de WuXian beijando seus lábios com carinho. – Nossa realidade é essa, estamos juntos e nada nos separa mais… – Sussurrou entre os beijos.
WuXian estremeceu com aquelas palavras e um arrepio subiu a nuca enquanto trocavam beijos cada vez mais ardentes.
— Se eu pudesse levava-o para minha casa… – Disse por fim, dando um outro beijo.
WuXian estava atordoado com aqueles beijos, excitado tocou WangJi entre as pernas e ao ouvir a vontade do amado sorriu de nervoso.
— Para sua casa? Zhan-ge, começamos a namorar tem dois dias e já quer me levar para sua casa…? – Wuxian surpreso afastou a mão da perna de WangJi.
— Eu não quero ficar longe de você.
— Eu quero muito ficar ao seu lado, mas…
WangJi suspirou e puxou a mão de WuXian de volta para a perna dele.
— Zhan-ge, aqui na van não… – Wuxian olhou para frente preocupado com o motorista.
— Não se preocupe, ele não nos ouve… – WangJi ergueu o corpo e afastou a manta. – Eu quero te beijar.
Wuxian sorriu e excitado inclinou a cabeça para beijar os lábios de WangJi, após uma rodada de beijos já se tocavam, depois de abrirem a parte do zíper de ambas as calças.
As carícias e a masturbação que faziam em ambos esquentaram o clima no carro, fazendo ambos afastarem a manta. Wuxian olhou pela janela, agradecido por ser vidro fume que ninguém os viriam do lado de fora, aquele momento estava semi nu recebendo de Zhan estimulação com a boca em seu pênis.
WuXian controlava-se ao máximo, zonzo de excitação inclinou a cabeça, ele queria retribuir e disse em tom rouco sussurrante.
— Vira, quero te chupar… – Sorriu ao notar os olhos de WangJi erguerem enquanto chupava WuXian.
Rapidamente virou seu corpo e deitados de lado no banco que já estava inclinado trocaram aquela brincadeira de se chuparem. Continuaram ao movimento do carro, excitados pela sensação do proibido e escondido… O clímax veio com um gemido rouco de Wuxian que gozou nos lábios de WangJi. No instante seguinte, este também gozou nos lábios de WuXian.
Corações estavam agitados e respiração acalmando lentamente quando voltaram a posição sentado no branco e WangJi puxou a manta para se cobrirem. Wuxian encostou no peito dele e suspirou.
— Zhan-ge, somos dois malucos… hahahahahaha… – Riu baixinho.
— Foi divertido.
WuXian levantou o rosto para encarar o de seu Zhan-ge.
— Eu amo você.
— Eu amo você.
Eles se beijaram e passaram o restante da viagem grudados um no outro, conversavam sobre vários assuntos e olhavam as redes sociais. WuXian pensou que poderia falar com WangJi sobre sua DP, mas o clima estava tão bom que não queria estragar contando algo triste da vida dele.
“Eu menti, escondi que tenho essa doença mental… Zhan-ge, será que ainda vai me amar se descobrir o que tenho? Eu já o amo tanto, se me rejeitar não sei o que vai ser de mim…”
Wuxian ouvia WangJi comentar que vai continuar fingindo ser o faxineiro Zhan, assim ele poderá sair e ficar com Wuxian sempre que puder. Iria montar a agenda dele de trabalhos com espaço e tempo para poder ficar com seu Wei Ying.
WuXian ouvia aquelas estratégias do outro para arrumar tempo e condições de estarem juntos que por fim desistiu de falar da DP.
“Eu voltarei com os remédios, Zhan-ge não precisa saber por enquanto…”
Continua…





