ATO DE ABERTURA
CAMPO DO 9º TORNEIO- 10 ANOS ANTES
Em cima de uma montanha e olhando para os arredores, se encontra um jovem Elin com seus 21 anos de idade. Ele está participando do torneio e está na sua última prova.
Ele continua olhando para o horizonte pra tentar avistar a sua bandeira. Outro rapaz de sua idade, branco, cabelo loiro e liso, vem logo atrás dele.
— Pensei que ia te encontrar do outro lado da montanha, Elin.
— Ué, como você veio parar aqui? Não era pra estarmos juntos.
— Sim, eu sei, é que… Elin, você sabe que é o meu melhor amigo, não é? E que posso confiar em você.
— Sim, mas o que tá pegando?
— Quero te mostrar uma coisa.
O jovem tira do bolso um pano que embrulhava uma espécie de talismã com o desenho de um tridente invertido.
— O… O que é isso?
— É um talismã sagrado. Quem invocar o poder desse talismã, poderá adquirir dons inimagináveis, até mais do que o poder ancestral de nossas tribos.
— E por que você tá com isso?
— Elin… (Segurando no braço dele) Quem precisa de sacerdócio? Isso aqui é muito mais valioso que qualquer outra coisa. Poder, prestígio e quem sabe? A imortalidade.
— Mas isso é bruxaria. Sabe bem o que aconteceu com pessoas que mexeram com bruxaria no passado.
— São amadores! Eu estou convidando você a se juntar a mim, nós dois podemos governar não só a tribo do fogo, mas toda Vanidian juntos através da magia das trevas.
Elin olha para ele, hesita em aceitar a proposta, mas lembra que está ali para um único propósito: Vencer o torneio.
— Muito obrigado…
Pela primeira vez, Elin pronuncia o nome do rapaz.
— … Max Vidar. Mas não preciso de nada disso. Eu prefiro ganhar o torneio de maneira limpa como eu estou tentando fazer.
Elin dá as costas para Max, mas ele não gostou nem um pouco de ser ignorado.
— Escuta aqui. Vai continuar sempre assim? Vivendo nessa pobreza e egoísmo?
— Você vive nas mesmas condições que eu, Max. Fomos criados na mesma tribo e agora nós dois chegamos até aqui no torneio para nos tornarmos sacerdotes.
— Pensei que você fosse mais inteligente, Elin. Mais ambicioso.
— Você tá tentando fazer bruxaria, caramba! Acha mesmo que se entregar às trevas vai fazer você vencer alguma coisa?
— É claro que vai! E como vai! Junte-se a mim, Elin. Vamos mostrar pra esses idiotas que não precisamos de sacerdotes, nos tornaremos os feiticeiros mais poderosos de Vanidian.
— FICA LONGE DE MIM!
Max agarra no braço de Elin, pega uma pequena faca e corta a palma de sua mão forçando-o a colocar seu sangue no talismã.
— Aaaai! O que tá fazendo?
— Nós dois juntos vamos fundir os nossos dons e alcançar o poder absoluto.
— EU JÁ DISSE QUE EU NÃO QUERO ESSA PORCARIA!
Elin empurra Max pra trás. Max se desequilibra e fica pendurado naquele barranco.
— Max! Max! Segura a minha mão!
— Então invoque o poder das trevas e se torne imortal, você e eu poderemos ser imortais juntos como dois irmãos.
— NÃO! Jamais farei parte de algo tão cruel.
— Você fez a sua escolha, Elin Durval. Parabéns! Será o sacerdote do fogo, mas na contrapartida… Eu vou te assombrar pelo resto da tua vida, meu sobrenome Vidar é associado à vingança e um dia, Elin… Eu voltarei pra me vingar por tudo que Vanidian me fez.
Max se solta e cai do desfiladeiro.
— NÃO! MAX! MAX!
Elin não conseguiu sequer ver onde Max supostamente caiu. Eram muitos galhos, árvores, pedras, tudo tapava a sua visão.
É noite, Elin e os outros 6 sacerdotes já haviam sido coroados, mas no meio daquela floresta escura, um Max completamente desacordado se encontra ali no chão entre galhos e folhas.
Um espírito sombrio e opressor surge e faz com que Max abra os olhos.
— OLÁ… MAX. Esperei muito tempo por você.
— Quem… Quem é você?
— Não sabe quem eu sou? Eu sou você, sou a projeção dos seus desejos mais ocultos.
— O que quer de mim?
— Quero que se una a mim, caro Max. Una-se a mim e terá a sua tão aguardada vingança.
— Poderei ser poderoso e imortal?
— Não posso garantir ainda a imortalidade, mas… Te garanto que te darei muito poder, mais poder do que qualquer outro sacerdote possa ter. Mas… Essa vingança precisa ser lenta e saborosa… As profecias apontam que um novo acontecimento irá surgir no centenário do “Conflito dos Santos”. Daqui há 10 anos, o mal irá dominar o mundo… E você… Estará pronto para…
Somos transportados para os dias atuais no momento em que o homem misterioso está enfrentando os sacerdotes.
— VOCÊS NÃO PERCEBERAM AINDA QUEM ELE É? VEJAM POR VOCÊS MESMOS! TIRE O CAPUZ, COVARDE!
O homem não hesita e tira o capuz lentamente. Bartiel perde a compostura e diz:
— Ai, meu Deus… É você… Você voltou!… Max Vidar.
— É um prazer revê-lo também, caro amigo Bartiel.
— O que faz aqui?- Pergunta Elin.
O homem manifesta toda a sua energia sombria tomando conta daquele lugar. Ventos sobrenaturais invadem a sala.
— Eu disse que cedo ou tarde, o dia da minha vingança chegaria. Sacerdotes… ESTE É O JUÍZO FINAL DE VOCÊS!
OPENING:
EPISÓDIO 9:
O SACERDÓCIO DA JUSTIÇA
(FINAL)
ATO I
CAMPO DA PROVA FINAL
Magnus e Kira estão andando a cavalo pela floresta, conversando.
— Nossa, Magnus, eu nem acredito que eu cheguei até aqui, sabe? Passa até um filme na minha cabeça quando penso em tudo o que tive que enfrentar pra chegar nesse torneio e agora estar aqui na final. Queria muito que meu pai tivesse aqui pra me ver.
— Eu tenho certeza que o teu pai iria estar muito orgulhoso de você, Kira. É muito corajosa, uma verdadeira guerreira, falo isso de coração.
— Muito obrigada, e… Por que você trouxe a tal espada?
— Ah, o Eric conversou comigo mais cedo antes de começar a prova, que seria melhor ela estar comigo, pois não confia deixa-la lá sozinha. Pelo menos comigo, eu fico de olho nela.
— Você está certo. O Eric é um doce, né? Acho que é um dos sacerdotes mais leais e íntegros que eu já conheci. Ele quebra totalmente o tabu de que os sacerdotes das sombras são pessoas de áurea ruim.
— Verdade, também gosto muito dele, ele é muito humano. Mas eu fico pensando, Kira… Onde será que foi parar o sacerdote das sombras da nona geração?
Em outro local da floresta, se encontra Sycario e Vladimir.
— Aí, garoto do ar. Me responde: Por que deseja se tornar sacerdote?
— A tribo do ar é muito adepta às artes marciais, apesar de eu não ter a fisionomia oriental, eu gosto muito dessa cultura, sabe? Queria provar pras pessoas da tribo do ar que todo mundo pode ser um bom artista marcial.
— Olha, é um bom argumento, gostei. A tua colega, Willa, nos contou que ela e a família, são artistas marciais.
— Sim, eu conheço o irmão dela, o cara é muito bom de porrada. Eu tenho certeza que se ele tivesse a idade certa, ele teria entrado nesse torneio e ganhado fácil, fácil.
— Eu imagino.
— Mas e você? Eu esqueço o teu primeiro nome, só sei o sobrenome.
— Vladimir.
— Agora sim. Prazer, Vladimir. Meu nome é Sycario.
— Prazer, Sycario. Bom… Tanto eu como minha irmã estamos aqui porque a gente queria provar pras pessoas que… Não somos os filhos riquinhos e mimados que eles pensam que somos, nós… Também somos humanos. E merecemos uma oportunidade.
— Imagino mesmo que não deve ser nada fácil ser um Andreas.
— E não é mesmo.
Sycario vira de costas e começa a falar.
— Bom, eu acho muito legal isso da tua parte, sabe? Porque isso mostra que você…
Enquanto fala, Vladimir sente algo que faz arrepiar a sua espinha, ele olha para trás de uma pedra e guia o cavalo diretamente pra lá.
Sycario continuou falando sozinho.
— … Por isso que eu acredito que tanto você quanto a sua irmã…
Ele vira pra frente novamente e percebe que Vladimir não está mais ali.
— Oi? Vladimir? Onde ele foi parar? Será que eu falo demais?
SALA DE REUNIÕES, PRÉDIO DO TORNEIO.
Os sacerdotes estão agora diante da fúria de Max. Elin diz:
— Você deveria estar morto!
— Era o que você queria não é, Elin? Queria mesmo que eu não tivesse sobrevivido naquela queda no barranco. Mas aqui estou eu, mais vivo do que nunca.
Silvya pergunta:
— Esperem um pouco, ele não é o sacerdote das sombras? O que fugiu?
— Ah, Silvya, Silvya, continua sendo a sacerdotisa mais fraca da nona geração e certamente isso afetou a sua própria inteligência.
— Não, Silvya! Esse covarde era da tribo do fogo como eu, ele participou do torneio conosco e se envolveu com magia das trevas.
— E agora sou um homem extremamente poderoso, Elin.
— É? Mas eu vou garantir pra que dessa vez você morra de vez!
Elin avança novamente pra cima de Max soltando brasas de seus punhos. Max revida com uma espécie de chama negra e o derruba no chão.
Silvya veio em seguida usando o seu “chicote de água”, mas é desarmada pela força sombria de Max, que usa a técnica de Silvya contra ela mesma. Ela cai na parede oposta.
Aldo manifesta seus poderes e atira várias pedras na direção de Max. Ele consegue quebrar todas elas e, em seguida, forja uma ainda maior e joga contra Aldo.
Minerva provoca um ciclone na direção de Max o envolvendo. Telmar salta pra dentro do ciclone e usa seus poderes elétricos.
Max causa uma distorção psíquica desfazendo o ciclone e arremessando Minerva e Telmar para longe.
Bartiel, Orfeu e Dora, manifestam os seus poderes da luz de uma vez para derrotarem o inimigo.
— Vocês acham mesmo que eu vou cair na palhaçada clichê de vocês? Em que a luz combate as trevas?
Max manifesta raios negros que ferem os três de uma vez.
— Eu disse a vocês, sou praticamente invencível.
Ele ouve uma voz:
— Esqueceu de dizer que se combate trevas com trevas.
Eric dá um soco sombrio no rosto de Max fazendo com que ele seja arremessado. Pela primeira vez, um deles conseguiu atingi-lo. Max sorri com deboche pelo golpe.
— Sabia desde o começo que você me daria problemas, Eric Vanderveelt.
— E pode apostar que vou te dar muito mais problemas se insistir nesse jogo idiota.
— Jogo idiota? Você pode ser da oitava geração, mas sei muitas coisas sobre você, Eric. Imagino o quão culpado você deve se sentir, não é? De abandonar o seu grande amor pra que ele morresse sozinho.
— Cala a boca! Você não sabe nada de mim, não tem o direito de opinar em nada.
— Não te julgo, vocês eram jovens. Naquela época, as pessoas das tribos ainda não encaravam muito bem essa parada de sodomia, mas você teve que deixar a sua marca sombria justo em um pobre rapaz da tribo da água? Que falta de caráter!
Silvya se levantando aos poucos, pergunta:
— Espere… Do que está falando?
— Ow, ele não te contou, Silvya? O seu irmão mais velho não morreu apenas por uma tempestade em alto mar… Ele morreu por amor… Por amor a esse imbecil chamado Eric Vanderveelt.
Eric se sente desarmado e envergonhado.
— Eric, é verdade? É verdade o que ele disse?
— O seu irmão era um homem bom, Silvya. O único pecado dele foi ter amado uma pessoa como eu.
Silvya fica em choque, os outros sacerdotes, igualmente chocados ao descobrir tanta coisa.
— Bem… Agora que eu finalmente consegui a atenção de vocês sem precisar me atacarem… Vamos ter uma conversa e colocar os pingos nos “i”.
CAMPO FLORESTAL DO TORNEIO
Em outra região, se encontram Pablo e Willa. A segunda diz:
— Nem acredito que depois de tanta coisa que a gente enfrentou, nós chegamos aqui na final.
— Sim, eu também estou muito feliz! Todos somos merecedores.
— Também acho que todos aqui são merecedores, ganhando ou não esse torneio, e… (Willa avista algo). Olha… Se aquilo ali que eu estou vendo não for algum truque, acho que vai muito te interessar, Pablo.
Pablo olha de relance e percebe a bandeira verde fincada em uma rocha na lateral.
— Não pode ser, não pode ser, é um sonho, né?
— Olha, eu não ficaria muito tempo pensando se isso era sonho ou realidade não, já partiria direto para o ataque.
Pablo desce do cavalo com um sorriso enorme no rosto. Ele corre até a bandeira, tira da rocha e a ergue ao céu.
— Aaahhhhhhh!! Eu consegui! MÃE, PAI! EU SOU SACERDOTE!
Ouve-se a voz da mulher no computador que transmite um anúncio não apenas pra ele, mas também para todos, inclusive quem está assistindo em casa.
— PARABÉNS, PABLO EISTER. VOCÊ É O NOVO SACERDOTE DA TRIBO DA TERRA.
A tribo da Terra comemora em polvorosa.
Collin que está fazendo dupla com Tin precisou ouvir o pronunciamento esperado.
— CANDIDATO COLLIN RIOS, TRIBO DA TERRA… ELIMINADO!
— É, foi um ótimo torneio!
— Foi sim, meu parceiro! Tenha um bom retorno.
— Valeu, Tin. E boa sorte!
Collin dá meia volta com seu cavalo e segue caminho.
Minutos depois, em outro lugar do campo, se encontra Ícaro e Eloy andando lentamente em seus respectivos cavalos.
— Eu ainda não aprendi totalmente a andar a cavalo e olha que o Tin foi muito legal comigo e me ensinou com muita paciência.
— É, eu também não. A Frida também foi uma excelente professora pra mim, mas… Não vamos nos cobrar tanto assim porque só tivemos um único dia pra aprender, então tá tudo bem.
— Sim, estou tão animado, sabe? Eu queria muito poder dar orgulho aos meus pais por alguma coisa na vida. Eu sempre fui… O peso morto pra eles.
— Não diga isso, Eloy… Por favor… A gente reclama e fala que nossos pais são chatos, mas… Sentimos falta quando não temos eles.
— Ícaro, me perdoa, eu não queria falar isso, eu sei o que aconteceu com teus pais na tua tribo, eu não queria… Eu não queria…
— … Relaxa, Eloy, tá tudo bem. Vou te dar um conselho.
— Qual?
— Evite estar pedindo desculpas pra tudo, tá? Eu sei que é o seu jeito de ser, você é muito educado, mas… Nem todo mundo vai te tratar do mesmo jeito que você trata eles, então procure sempre manter firmeza naquilo que você fala.
— Vou tentar fazer isso. Acho que tenho muito o que aprender, não é?
— Todos nós temos.
— Eu realmente sou muito elétrico em todos os sentidos, por isso que muitas vezes…
— Eloy!
— O que foi?
— Olha aquilo ali em cima.
Ícaro aponta para uma pedra onde está cravada uma bandeira amarela.
— É o que eu estou pensando ou é apenas uma miragem?
— Claro que não, bobo. É a bandeira da tua tribo, da tribo do trovão.
— Mas… O Tin, ele… Ele é uma pessoa muito mais bem preparada que eu, ele é grande, forte, poderoso, disciplinado. Eu sou jovem, imaturo, tonto, mal tenho poderes…
— … Mas você veio aqui em busca de um sonho, não veio? Assim como eu também vim. O Tin tem todas essas qualidades no qual você mencionou, mas esse é o teu momento, Eloy. Vá!
Vemos poucos minutos depois, Eloy se aproximando daquela pedra. Ele vai andando com o olhar emocionado e com o coração cheio de esperança. Ele olha para trás avistando Ícaro. Ícaro retribui com um gesto encorajando-o.
Eloy sobe na pedra, segura o mastro da bandeira, e a ergue para o ar. Ele fica alguns segundos com ela na mão. Um drone aparece filmando o acontecimento. Rapidamente a voz do computador surge dando o recado.
— PARABÉNS, CANDIDATO ELOY GRIFFIN! VOCÊ É O NOVO SACERDOTE DA TRIBO DO TROVÃO.
Os demais escutam o anúncio e vibram de alegria. Na tribo do trovão, todos comemoram com o feito. Eloy acaba de se tornar o sacerdote mais jovem da história de Vanidian.
Tin que havia acabado de se despedir de Collin, diz:
— Você conseguiu, garoto. Você conseguiu!
A voz se pronuncia mais uma vez.
— CANDIDATO TIN SIOLI, TRIBO DO TROVÃO… ELIMINADO!
— É, foi bom enquanto durou. Vou me alistar pra me tornar soldado na tribo do trovão, isso se o Eloy quiser ter a mim.
Tin segue o caminho retornando.
Vemos Fie e Glaus comemorando a vitória do garoto Eloy, da mesma forma que os outros participantes.
Em outro lugar do campo, Munique e Frida deram uma pausa para descansar.
— Munique, me espera aqui, vou buscar frutas pra a gente.
— Mas aqui? Será que encontra?
— Ah eles não iam largar a gente em um campo florestal durante 24 horas sem conseguir comer nada. E obviamente deve ter um rio em algum lugar aqui. Eu não demoro.
— Tá bom, cuidado pra não se perder.
— Deixa comigo!
Frida sai em busca de alimento junto com o seu cavalo. Munique continua ali e se senta em uma pedra.
SALA DE REUNIÕES, PRÉDIO DO TORNEIO.
Max fez com que todos os sacerdotes se calassem para que ele enfim possa impor as suas regras.
— Como eu havia dito, foram 10 anos aguardando esse momento. Eu poderia muito bem ter sido o sacerdote da tribo do fogo, pois o Elin era tão burro que nem percebeu que a bandeira estava do lado da colina. E vi que esse ano repetiram essa mesma última prova. E para deixar bem claro aos senhores, não, eu não sou o sacerdote da tribo das sombras, não é mesmo rei Orfeu?
— Deveria saber que não era você, mas também não entendo como um guerreiro da tribo do fogo se corrompeu dessa forma.
— Digamos que hoje eu transito entre o poder ancestral do fogo e o poder das trevas que me foi concedido graças ao pacto que eu fiz com o espírito sombrio. Entretanto, senhores, tenho algo a contar a vocês que vão deixar vocês de boca aberta.
Elin irritado, pergunta:
— Por que não fala logo de uma vez por todas e para de enrolação?
— A verdade é que… EU NÃO SOU O VILÃO DESSA HISTÓRIA!
Telmar diz:
— Tá brincando com nossa cara? Você vem aqui e provoca tudo isso e vem com essa de que não é o vilão?
— Calma, querido Telmar. Tudo tem uma explicação. Confesso que ajudei sim pra que certas coisas acontecessem, o maior erro de vocês foi ter realizado o torneio esse ano sabendo do que estava acontecendo em Vanidian.
Orfeu diz:
— O torneio é uma tradição. Algo que não pode ser passado em branco.
— E vocês tiveram a brilhante ideia de realizar o torneio justo no centenário do conflito dos santos. Não perceberam ainda que a história está se repetindo? Há 100 anos, foi um sacerdote das sombras que se rebelou contra as nações e assim os guerreiros mais poderosos daquela época se tornaram sacerdotes e o derrotaram. A magia ancestral foi colocada dentro dos corações desses guerreiros e passada para as gerações futuras. Uma coisa que percebi entre nós tanto na primeira geração de 100 anos atrás, quanto agora, é que em nenhum momento pronunciamos o nome do sacerdote das sombras.
Todos se entreolham uns para os outros percebendo a “coincidência” do que Max acabava de falar.
— Estou correto, não estou? Por que será que não falamos o nome deles? Do primeiro até que vai, foi ele que causou tudo isso, mas por que não falamos do de agora? Principalmente vocês, sacerdotes da nona geração. Vocês foram coroados juntamente com ele. Não temos problema em falar o nome do Eric que já foi um sacerdote das sombras, a diferença é que o Eric não possui a mesma coisa que esse sacerdote possui: Maldade. E vejam que nem mesmo eu que sou uma pessoa cheia de ódio e vingança não me atrevi em nenhum momento a pronunciar o nome dele enquanto estamos tendo essa conversa. Sabem por quê? Porque essa é a maldição implantada pelo sacerdócio sombrio, uma maldição tão cruel e opressora que faz com que nossos lábios se calem perante a este ser tão demoníaco. É como se fosse um pecado ou até mesmo um crime pronunciar o seu nome. Querem fazer o teste? Eric, pra quem você passou o bastão como sacerdote das sombras?
— Foi para o… Foi o…
— Elin, quem era o rapaz que estava sempre quieto entre os cantos do torneio, mas você, por mais babaca que fosse, era o único que puxava assunto com ele?
— É claro que eu sei o nome dele, é o…
Elin sente como se seus lábios fossem se costurar.
— É o… O nome dele é…
Os demais sacerdotes percebem que até Elin, que não tem papas na língua, não consegue pronunciar o nome do sacerdote.
— Não entendo. Eu sei o nome dele, mas por algum motivo, eu não consigo falar. Você que tá fazendo isso, não é?
— Juro pela minha vida que não fiz nada. O nome do novo mal precisa permanecer oculto até que chegue o momento propício. O que é? Todas as coisas que eu fiz pra impedir que vocês seguissem com o torneio era justamente para que o nome dele não fosse invocado. Acham que aquela tempestade no dirigível foi uma coincidência? Eu estava tentando parar vocês.
Minerva diz:
— Você provocou aquela tempestade? Colocou em risco a vida de 100 crianças.
— Ao menos elas morreriam ainda inocentes e não conheceriam o caos que esse mundo se tornaria. Sim, eu alimentei alguns acontecimentos, eu enviei os espectros para atacarem o prédio na última vez, porém… Não fui eu que causou a morte da primeira garota da água e muito menos do garoto da tribo do ar. E falando nisso, o garoto não se suicidou coisa nenhuma, ele foi assassinado assim como ocorreu com a primeira garota.
Orfeu diz:
— Não pode ser possível, ele se enforcou e escreveu um bilhete suicida.
— Acha que realmente ele faria aquilo com ele mesmo, Orfeu? Pensei que fosse um pouco mais inteligente.
Silvya os interrompe.
— Espera um pouco, está dizendo que as coisas estranhas que estavam acontecendo com os candidatos… Foi obra do sacerdote das sombras?
— Finalmente raciocinou, Silvya. Com a exceção do último ataque com os espectros, as outras coisas não foi eu que provoquei. Tudo bem que um garoto acabou morrendo nesse percurso, falei pra eles não pegarem tão pesado, mas enfim, já morreu, né? Um a mais, um a menos, não faz diferença nenhuma, mas vocês não tem a menor ideia de que o poder do sacerdote das sombras é muito mais diabólico que o meu. Eu posso controlar até 4 espectros, o sacerdote controla uma legião.
Eric escutando tudo aquilo, pergunta:
— E o ataque à minha tribo? Foi o sacerdote das sombras também?
— Temo que sim, jovem Eric. Eu não movi nada dessa vez.
Bartiel diz:
— Tem uma coisa que eu não entendo.
— Qual a sua dúvida, querido Bartiel?
— Você havia dito que foi o sacerdote das sombras que provocou a morte daqueles garotos aqui no prédio do torneio e que também fez adentrar os espectros. Mas como isso pode ser possível? O prédio é protegido por magia da luz, nenhum ser sombrio de fora poderia entrar.
— Esse é o “X” da questão, meu caro Bartiel… Quem disse que veio de fora do prédio?
Baque em todos. Orfeu mais uma vez, insiste.
— Do que está falando? Quer que acreditemos que alguém de aqui de dentro fez isso?
— Não apenas isso, majestade… Um de vocês… É o sacerdote das sombras.
O baque no olhar de todos. A apreensão e aflição tomando conta deles. Elin dá um passo a frente e pergunta:
— QUEM?
Max dá uma risada maléfica.
— QUEM, SEU IDIOTA?!
— Calma, querido Elin. Não é você e nem vocês outros desta sala.
Dora pergunta:
— Então quem é?
— Oh, oh, oh… O momento que eu mais temia parece que finalmente chegou, senhoras e senhores. O mal permaneceria oculto até o momento em que seu nome fosse pronunciado. E pelo visto chegou o momento, queridos… O 9º sacerdote possui o nome do primeiro sacerdote e o sobrenome de um feiticeiro antigo. Seu nome é… “Morgal Zephyr”.
Ao pronunciar este nome, o prédio começa a tremer, pois finalmente o nome da personificação do mal foi pronunciado.
No campo, Munique continua sentada na pedra aguardando por Frida. Vladimir chega por detrás da rocha que está atrás dela.
— Perdida, irmãzinha?
— Vlad? O que faz aqui? Por que não tá com sua dupla?
— Senti uma presença estranha, você não sentiu?
— Não, por acaso era um espectro?
— Possivelmente, mas… Não sei. Talvez tenha sido alguma impressão minha.
— Ainda estamos chocados com o que aconteceu na tribo das sombras e sobre o lance da Frida.
— E onde está ela por falar nisso?
— Disse que ia procurar alguma coisa pra comer, não deve demorar a voltar.
— Entendo.
— Aqui pensando sobre como esse torneio vai acabar depois de tudo isso e como vai ser daqui pra frente. Com o nosso pai, nossa tribo… Não sei como vai ser.
— Pois é.
— Tá tudo bem contigo?
Vladimir se cala por um momento e seu semblante fica sério.
— Eu sinto muito, maninha… Mas só pode haver um sacerdote da luz.
Vladimir golpeia a cabeça de Munique com um galho. Ela cai desacordada. O cavalo dela fica agitado, ele o acalma. Se abaixa pra ver se alguém não está chegando e, em seguida, pega Munique no colo e a esconde em uma gruta ali perto.
— Nada pessoal… Mas agora é a minha vez de agir.
Vladimir sai da gruta deixando Munique ali desacordada. Ele sobe para a colina. Olha pro alto, estende os seus braços. Alguns drones que fazem a transmissão do torneio se aproximam.
— Isso. Quero que o mundo inteiro veja o que está prestes a acontecer.
Com os braços abertos, Vladimir emana uma energia das trevas e começa a declamar:
— Meus filhos da escuridão… Manifestem-se e despejem sobre todos a sua ira!
Na tribo da luz, o senhor Andreas está distraído até que um de seus empregados o chama.
— Senhor, precisa ver isso imediatamente.
Ele olha para a tela e vê Vladimir evocando aquela energia das trevas.
— Vladimir, o que pensa que está fazendo?
Na área inicial dos jogos, Niel e um dos soldados ficam sem entender o que está acontecendo.
— Isso faz parte do jogo, Niel?
— Não e eu não faço ideia o motivo disso estar acontecendo.
Na sala de reuniões, o embate continua.
— Viram só? Foi tão somente eu pronunciar o nome dele, que algo tenebroso já aconteceu.
— Disse que não estava conseguindo pronunciar o nome dele.- Repreende Elin.
— Realmente eu não estava. Mas magicamente eu consegui, significa que… Morgal já despertou e está entre nós.
Bartiel diz:
— Vamos acabar logo com essa palhaçada!
— Não, pessoal. Não é a mim que vocês precisam se preocupar agora. Se querem mesmo que esse ano tenhamos novos sacerdotes… É melhor se apressarem.
Max liga uma tela holográfica na sala e mostra vários espectros se aproximando do campo onde se encontram as crianças.
Dora coloca a mão no ombro de Orfeu e diz:
— São nossas crianças, Orfeu. O que vai ser delas?
— Bem, o meu trabalho por aqui já encerrou, espero ter ajudado vocês.
Uma fumaça negra cobre o corpo de Max e, em seguida, ele desaparece.
Elin diz:
— Pra mim já chega!
Elin sai da sala de reuniões correndo.
No campo, Frida aparece no local combinado com algumas frutas pequenas na mão.
— Munique, eu só consegui essas…
Ela percebe que Munique não se encontra mais ali.
— Munique? Munique, cadê você?
No início do campo dos jogos, Elin chega até ali enfurecido.
— NIEL! Me arrume um cavalo agora mesmo.
— Elin, mas…
Neste momento, já estavam voltando Eloy, Tin, Collin e Pablo. O último pergunta:
— O que tá havendo?
— Os teus amigos estão correndo perigo. Niel, pode me arrumar um cavalo?
— Claro, mas… O que tá havendo? Nós vimos que…
— O sacerdote das sombras, Niel. O Morgal voltou! E ele tá levando um exército de espectros pra atacar as crianças.
— Mas… Isso não pode ser possível, porque…
— O que foi?
— Veja você mesmo.
Niel aponta para o telão e Elin observa Vladimir invocando magia das trevas.
— Mas… Esse não era o candidato da luz?
— E não sabemos onde a irmã dele tá, nossas câmeras e nossos drones não captaram nada.
Bartiel, Orfeu e alguns dos sacerdotes chegam por ali.
— ELIN, ESPERE! Não pode ir lá sozinho, você tá ficando maluco?- Pergunta Bartiel.
Elin se aproxima e dá um soco na cara dele.
— O que você fez?
— ISSO ERA O TEU TRABALHO! VOCÊ É O SACERDOTE DA LUZ! E não passa de um monte de merda.
Um dos soldados entrega um cavalo para Elin. Ele monta. Antes de sair, ele se vira para Eric que já se encontra ali e diz:
— Eric! Se não quer fazer a mesma coisa que esse inútil do Bartiel, de perder os seus guerreiros da sua tribo, sugiro que vá imediatamente protegê-los.
Elin puxa as rédeas de vez e acelera o cavalo.
— VAMOS! HA!
Niel ainda confusa pergunta ao rei Orfeu.
— Majestade, o que está acontecendo?
— Um antigo guerreiro da tribo do fogo e que fez o torneio junto com o Elin apareceu, mas ele agora é um feiticeiro das trevas e veio apenas brincar com nossa cara, pois… O sacerdote das sombras estava aqui dentro o tempo todo…
— Mas… Como?
— Morgal Zephyr assumiu a forma do Vladimir e nos enganou durante todo esse tempo.
— Ai, meu Deus!
Elin continua a galopar com toda a velocidade para a floresta. Ele tem pressa em salvar aqueles jovens.
Em uma região próxima a uma cachoeira, Kira e Magnus descem do cavalo para descansar.
— Já estamos há quanto tempo fazendo essa prova, Kira?
— Sei lá, talvez umas 3, 4 horas, não sei ao certo. Ai, meu Deus!
— O que foi?
— MAGNUS, OLHA ALI!
Magnus olha para trás e avista a bandeira azul fincada em uma pedra na frente da cachoeira.
— Não pode ser. É a bandeira. A minha bandeira.
— Vá, amigo! Essa é a tua chance.
Magnus entra no rio, nada até chegar naquela pedra. Ele se levanta, observa o lindo cenário que se encontra com a cachoeira sendo seu plano de fundo. Ele olha pra Kira emocionado, com um enorme sorriso no rosto. Ele segura a bandeira e levanta para o céu.
— Eu… Eu consegui, Kira!
Kira comemorando até o seu semblante mudar repentinamente para algo que está observando.
— MAGNUS, CUIDADO!
Um espectro surge de trás da cachoeira e faz com que Magnus se desequilibre e caia na água.
— MAGNUS!
O espectro vem na direção de Kira.
— FIQUE LONGE DE MIM, MALDITO!
Quando ele se aproxima, Magnus surge do rio como um tufão e pousa na beirada.
— Não se meta com ela, espírito imundo!
Magnus consegue manipular o poder da água e atinge aquele espectro fazendo com que ele seja nocauteado em uma árvore.
— KIRA, DEPRESSA! VAMOS FUGIR DAQUI!
Em outro lugar, Willa se aproxima de uma pequena colina. Ela desce do cavalo. No outro lado, se encontra Sycario, que também faz o mesmo procedimento.
O que eles não estavam esperando era que a bandeira lilás iria aparecer justo no mesmo lugar onde eles se encontram. Os dois miram para a bandeira, olham para o outro, olham para a bandeira de novo e, em seguida, cada um decide correr na direção da bandeira.
Neste momento, não existiria mais união, está valendo uma vaga para se tornar o sacerdote do ar, eles não poderiam entregar isso de mão beijada.
Willa está na frente e Sycario pula em cima dos pés dela fazendo com que ela caia.
— Me solta, Sycario!
— Foi mal, Willa. Mas esse sacerdócio é muito importante pra mim.
Sycario se levanta deixando Willa para trás. Ela não dá o braço a torcer e joga uma pedra nas costas dele fazendo com que ele caia novamente.
Willa se levanta, quando está prestes a passar por ele, Sycario agarra os seus pés.
— Me larga! Por que dificulta tanto as coisas?
— Me deixa ser sacerdote, Willa! Você já tem o dojo do teu irmão, deixa eu ser alguém na vida pelo menos uma vez.
— NÃO! Por mais que eu ame o meu irmão, eu não vou me permitir ser a sombra dele pelo resto da vida.
Willa chuta os braços de Sycario, ela corre e pula para cima da bandeira. Ela consegue pegar no momento em que Sycario pula em cima dela.
— Já chega, Sycario! Acabou!
— Ah droga! Droga! Cheguei tão perto.
— Está tudo bem. Você lutou bem.
— Mas não o suficiente, não é?
Willa no chão percebe sombras estranhas passando pelo céu.
— Espere um pouco. O que é aquilo?
Sycario olha para o alto e diz:
— São espectros… Estão indo para algum lugar.
Na floresta, Fie e Glaus estão estranhando a mudança repentina do clima.
— Estranho, Glaus, o tempo tá se fechando de repente.
— Eu percebi… Será que isso faz parte do jogo?
— Não sei, mas tá muito estranho. A propósito, Glaus… Você nunca nos disse o motivo de ter vindo ao torneio.
— Bom, meu motivo é…
Um espectro surge entre as árvores vindo do alto e ataca os dois.
— CUIDADO, FIE!
Glaus empurra Fie.
O espectro tenta atacá-lo. Fie consegue despertar sua magia do fogo e dispara contra o espectro. Mas ele não gostou nada daquela atitude e vai na direção dela, a envolve em seu manto negro e sai dali voando levando Fie consigo.
— FIE! NÃO! FIE!!!
Na floresta, Frida continua sozinha procurando por Munique.
— MUNIQUE! MUNIQUE!
Mas ela acaba chamando algo que ela não queria. Dois espectros surgem na sua direção.
— Ai, merda! O que tá havendo?
Minerva enviou jatos para resgatar as crianças que ainda estão na floresta. Eloy fica completamente apreensivo, pois todos os seus amigos se encontram ali.
— Eu… Eu estou com medo. Eu não quero que meus amigos morram.
Tin tenta consolá-lo.
— Não se preocupe, meu sacerdote. Eles vão conseguir se salvar. Eu prometo.
Eric pega um cavalo para ir até eles. Pablo se aproxima.
— ERIC! Me deixe ir com você.
— Não, Pablo. Eu já perdi pessoas especiais pra mim muitas vezes, não quero perder mais uma. Fique e cuide do que for necessário para proteger o prédio. Vou buscar a Frida e o Ícaro.
Eric sai galopando em seu cavalo.
Ícaro se encontra sozinho na floresta, ele percebe que tem algo estranho acontecendo, mas pensa que isso faz parte do jogo.
Ele desce do cavalo, anda alguns passos e de repente, ele ouve uma voz masculina:
— Olá, querido!
Ícaro se assusta, faz posição de conjuração.
— QUEM TÁ AÍ?
Max sai de trás de uma das árvores.
— Deixe-me apresentar. Me chamo Max Vidar.
— O que quer de mim?
— Te oferecer algo, meu querido Ícaro. Eu sei que você deseja se tornar o sacerdote das sombras. Mas e se eu te dissesse que existe uma maneira de você se tornar algo muito mais forte que o próprio sacerdote?
— E o que seria?
— Basta apenas aceitar este talismã sagrado e derramar um pouco de seu sangue nele… Você vai se tornar um sacerdote poderoso, terá tanta magia que nem mesmo o sacerdote mais forte do mundo poderá te deter. Esse talismã contém a receita da imortalidade.
Ícaro se sente levemente tentado a aceitar aquele talismã quando Max estende a mão. Ele chega a esticar também as suas mãos para pegá-la. Mas ele desiste e recua.
— Não, eu não preciso de nada disso. Eu quero ganhar do jeito que eu estava ganhando até agora. De maneira limpa.
— Bom… Você fez a sua escolha, jovem das sombras.
Max exala uma fumaça negra tapando a visão de Ícaro e, em seguida, ele desaparece.
Kira e Magnus continuam correndo pela floresta.
Eles sentem o perigo, Magnus está mais na frente e insiste pra que Kira apresse o passo.
— RÁPIDO! CORRE!
Quando Magnus se aproxima perto de uma fenda em uma caverna, o espectro aparece e o arremessa para o outro lado da colina. Ele cai rolando até chegar próximo a uma pedra.
— MAGNUS!
Kira fica encurralada, aquela criatura está disposta a atacá-la a qualquer custo.
— FICA LONGE DE MIM, MONSTRO MALDITO!
Magnus se rasteja pela colina e grita:
— KIRA! PEGUE!
Ele lança a espada santa até ela. A espada cai perfurando o chão. Kira se aproxima dela. O espectro está disposto a atacar.
— Por tudo que é mais sagrado, que eu consiga pegar essa espada.
Quando ela segura a ponta da espada, o espectro abre a boca gigantesca soltando uma rajada de vento e chamas que a arremessa de volta para a floresta.
— AAHHHHH!!
— KIRA!!
Kira está deitada no chão, atordoada, começa a tossir, a floresta aos poucos começa a inflamar. O espectro retorna para atacá-la.
Entretanto, uma flecha flamejante atinge o peito daquela criatura e ela começa a pegar fogo e se desintegra como pó.
Kira fica sem entender o que aconteceu. Ela olha para trás e vê pés revestidos com uma bota preta e suas dornas prateadas. Mais acima uma vestimenta semelhante à uma armadura. O tecido de linho fino e vermelho, com braçadeiras prateadas, um cinturão com um símbolo que ela parece conhecer.
A pessoa retira o elmo da cabeça e se vê um belo Elin por debaixo daquele capacete. Das suas mãos, saíam faíscas e ao redor de sua presença, brasas que pareciam manar daquele homem.
Kira ficou impactada, seus olhos brilharam com a cor das chamas vindas daquele homem.
— Então é ele? É o sacerdote do fogo!
ATO II
Frida está enfrentando sozinha aqueles dois espectros. Ela corre para perto da gruta, cai de costas, e tentando pegar alguma coisa para se proteger, não percebe que agarrou o mastro da bandeira das sombras que estava ali fincada no chão próxima à gruta.
Frida segura a bandeira e consegue forjar sua magia das sombras através dela fazendo com que um dos espectros “voasse pelos ares”.
Ainda sem acreditar no feito que fizera, o outro espectro vem voando na sua direção.
— Essa não.
Ao se aproximar de Frida, um feixe de luz sai de dentro daquela caverna e desintegra o espectro por completo. Frida fica atordoada sem saber o que aconteceu e quando vira pra trás, percebe que é Munique que está ali completamente fraca.
— MUNIQUE! MUNIQUE, O QUE ACONTECEU?
Frida tenta levantar Munique.
— Precisamos deter o meu irmão.
— O quê?
— O meu irmão vai matar todos nós.
Frida fica aflita.
Na floresta, Elin vai na direção de Kira e a ajuda a se levantar.
— Você está bem?
— Sim, eu… Eu… Você é o…
— Sim, sou Elin Durval, o sacerdote do fogo, mas não temos tempo para apresentações, eu preciso tirar você daqui. O sacerdote das sombras voltou e trouxe esses espectros com ele.
— O sacerdote das sombras?
— Sim, vamos logo!
— Espera, o meu amigo, Magnus. Ele deve tá machucado ali atrás.
— Ok, vamos vê-lo.
Em outra parte, Glaus continua correndo a cavalo e tenta seguir aquele espectro que raptou Fie.
— FIE!
— GLAUS, ME AJUDA!
— SOLTA ELA, SEU DESGRAÇADO! Se eu pelo menos tivesse poderes mais fortes.
Fie, por sua vez, se cansa de ficar presa às “garras” daquele monstro e usa sua magia para queimá-lo.
O espectro se retorce de dor e solta Fie. Ela cai batendo em vários galhos e árvores, até por fim encontrar o chão.
— FIE! NÃO!
Glaus galopa até chegar no local onde Fie se encontra caída.
— Você tá bem? Me diz que você tá bem!
— Eu… Me tira daqui, por favor.
— Tá bom, tá bom. Aguenta levantar?
Ele começa a levantar ela aos poucos.
— Ai, ai, minha perna, minha perna!
— Me desculpa, me desculpa, eu vou dar um jeito nisso. Vou tomar conta de você.
Glaus coloca Fie em cima de seu cavalo, em seguida ele olha pra cima e começa fazer um sinal.
— EI! CANCELEM OS JOGOS! POR FAVOR, TEM GENTE FERIDA!
Na central de transmissão, Edger está quase cortando a transmissão, quando um dos agentes se aproxima.
— SENHOR! Não corte a transmissão.
— Mas… Veja o que está acontecendo, essas crianças estão sendo atacadas, isso não vale o entretenimento de ninguém.
— Não somos nós, partiu diretamente das tribos, eles querem ver tudo, querem ver seus filhos derrotando essas coisas.
— Não pode ser.
Todas as tribos de Vanidian estão em aflição pura testemunhando todos aqueles eventos que estão sucedendo. Já não é mais uma torcida para quem vai ser o próximo sacerdote de tal tribo, e sim para quem vai vencer essa batalha.
Um jato enviado por Minerva encontra Willa e Sycario na colina e os soldados os tiram dali imediatamente. Eles ficam sem entender o que está acontecendo.
Por outro lado, Elin e Kira conseguem ajudar Magnus a se levantar.
— Magnus, graças a Deus você está bem!
— Que bom que está a salvo, Kira. Fiquei tão preocupado.
— Escutem, vocês dois, não temos muito tempo. Vou levar vocês para um lugar seguro, me acompanhem.
Ícaro ainda sozinho na floresta e tentando similar o que está acontecendo, ouve o galope de um cavalo vindo em sua direção, quando pensa em olhar para trás, uma mão o agarra e o coloca em cima do cavalo.
— ERIC?
— Eu vim te tirar daqui, Ícaro.
— Mas… E o jogo?
— Esquece o jogo, eu vi na transmissão, Frida já encontrou a bandeira preta, mas agora estamos correndo perigo.
— O que aconteceu?
— O sacerdote voltou, Ícaro. Morgal retornou e vai atacar todos nós.
— O quê?
Minutos mais tarde, Elin, Kira e Magnus chegam até uma colina de campo aberto sem árvores ao redor. Magnus se sente cansado.
— Eu preciso parar pra respirar um pouco.
— Tá bom, Magnus. Eu te ajudo.
— Rápido! Precisamos sair logo daqui antes que…
— … Que honra vê-los aqui reunidos.
Kira olha pra trás e se impressiona com o que vê.
— Vladimir? O que tá fazendo aqui?
— Ele não é o Vladimir, jovem.
— O quê?
— Ora, ora, ora, Elin… Que prazer reencontrar você depois de tantos anos, pena que não sob as mesmas circunstâncias de antes.
— O que quer da gente… Morgal?
— Agora que perguntou… Vou querer o óbvio… Matar todos vocês.
PRÉDIO DO TORNEIO
Orfeu dá as diretrizes para que todos tomem conta de cada região precisa do prédio pra evitar o ataque dos espectros.
— Depressa! Preciso que vasculhem cada canto desse lugar e me avisem se encontrarem qualquer atividade suspeita.
Na floresta, Frida está ajudando Munique a se locomover até encontra algo em uma árvore.
— Você vai ficar bem, Munique… Veja!
— A bandeira branca?
— Sim, veja por si mesma.
— Não posso pegar a bandeira depois do que aconteceu com meu irmão, eu preciso entender o motivo dele ter me atacado.
— Munique, escuta uma coisa… Você está aqui para jogar apesar de tudo o que está acontecendo, eu consegui pegar a minha bandeira enquanto estava sendo atacada pelos espectros.
— Sério? Então você… Mas por que pararam de anunciar?
— Com certeza porque estão tentando deter essas coisas e já devem ter até parado a transmissão. Escute bem o que eu vou te dizer: Pegue a bandeira e seja sacerdotisa.
Munique hesita a princípio. Mas acaba se sentindo convencida. A bandeira está fincada em uma árvore. Frida ajuda Munique a erguer os braços pra conseguir alcançar a bandeira. Ela finalmente consegue tirá-la daquela árvore.
— Ai, meu Deus! O que eu fiz?
— Eu te digo, Munique… Você é a nova sacerdotisa da luz.
O povo da tribo da luz fica chocado. Munique acaba de se tornar a primeira sacerdotisa da sua tribo, ao igual que Frida, que também assume o posto de primeira mulher a liderar a tribo das sombras.
— Agora vamos procurar o seu irmão… E botar um fim nisso tudo.
Na colina, Elin, Kira e Magnus estão frente a frente ao seu novo pesadelo.
— Não entendo… Por que está no corpo do jovem da tribo da luz?
— Entendo que deve estar cheio de perguntas, meu querido Elin. E como gosto sempre de esclarecer as coisas para as pessoas, eu sempre me esforço a responder os “Porques” delas. Nos últimos 4 anos, eu também estive me perguntando o porquê de tudo isso, de como a minha vida e o meu sacerdócio estava entrando em ruínas.
TRIBO DAS SOMBRAS, 4 ANOS ANTES.
Quem me visse, não acreditaria que eu era alguém da tribo das sombras. Me tornei um homem bonito, posturado, cabelos lisos e pretos, e incrivelmente sou um homem branco, diferente da maioria da população da tribo das sombras. Entre homens e mulheres negros, eu era o sacerdote branco daquela tribo, imagino como deve ter sido para o Eric ter passado o bastão do sacerdócio pra um branquelo qualquer.
Os primeiros 6 anos de sacerdócio, foram anos incríveis! Apesar da discriminação, de todo mundo achar que nós da tribo das sombras seremos sempre os vilões da nossa própria história devido aos eventos do conflito dos santos, eu pude perceber uma certa melhora em nossa tribo. Mas… Contudo… As coisas começaram a se complicar desde que um surto de uma doença estranha estava atacando algumas crianças da nossa tribo. Eu comecei a me desesperar, porque não sabia o que fazer, todos vinham até mim me pedir ajuda ou alguma coisa que eu possa fazer com essas crianças, mas nada adiantava.
Então fui até a tribo da luz. Eles eram nossos vizinhos, afinal de contas, e sabe o que fizeram? Me negaram ajuda! Disseram que esse era um problema que eu deveria resolver e não eles. Fui atrás da tribo da água, porque sei que muitos ali tinham o dom da cura, e até mesmo eles que sempre foram tão pacíficos, se recusaram a me ajudar.
Pedi ajuda aos outros sacerdotes e todos… Todos me deram as costas. Inclusive o próprio Elin. Achei que poderia contar com ele, pois na época do torneio, ele era um dos poucos que conversavam comigo, mas não! Elin também me negou ajuda.
O surto dessa doença terminou misteriosamente depois de um mês, após ter matado umas 20 crianças e adolescentes. Após isso, eu fui me recuperando aos poucos, mas comecei a ficar depressivo.
No ano seguinte, já não tinha mais vontade de ver ou de falar com ninguém, minhas noites eram cada vez mais longas e perturbadoras, as vozes da minha cabeça ficavam me condenando todos os dias. Foi aí que um certo dia eu resolvi sair por aí no meio da noite a cavalo.
Neste dia, eu estava tão cego de ódio por tudo o que havia acontecido que não me deparei que estava já dentro da floresta. Eu desci do cavalo e percebi que tinha uma chama acesa de dentro de uma caverna. Não me aguentei de curiosidade, e quis conferir de perto.
Ao entrar nessa caverna, havia um homem velho, magro, com um bigode branco enorme que podia bater no seu tórax. Ele usava argolas esquisitas nas duas orelhas, tinha pele morena e era tão magro que eu conseguia contar as suas costelas. Ele vestia um short surrado de cor cinza, e estava adornado de cordões em seu pescoço. Usava um chapéu roxo muito esquisito e quando passei pela entrada daquela caverna, ele não se atreveu a olhar nos meus olhos diretamente.
Apenas continuou colocando tais coisas naquela fogueira e disse:
— Sente-se. Eu estava a sua espera.
Como ele poderia estar à minha espera se eu nunca o tinha visto? Depois acabei descobrindo que ele era um feiticeiro, mas um feiticeiro poderosíssimo, me assustei mais ainda quando ele revelou ter 95 anos de idade. Ele nasceu no mesmo ano do conflito dos santos e possivelmente herdou um poder inimaginável.
Ele me disse: Não posso esperar completar os 100 anos, preciso de alguém que continue o meu legado, você aceita?
Eu não fazia ideia do que aquele velho maluco estava falando, mas quando me dei conta, já havia dito “Sim”.
Esse velho colocou a mão na minha cabeça e fez alguma coisa que eu não sabia bem o que era. Mas sentia o meu corpo tremer e receber uma energia poderosa.
Conforme os anos foram se passando, eu sempre me encontrava com aquele velho e ele me ensinava as mais absurdas técnicas com magia das trevas. Técnicas que em quase 100 anos, eu nunca havia visto alguém conjurar tamanho poder.
Perguntei aquele velho se ele já foi sacerdote um dia, e ele disse que não. Porém fiquei ainda mais intrigado ao descobrir a linhagem dele, e pior ainda, a minha linhagem.
Durante 4 anos, eu nunca, em hipótese nenhuma, perguntei o nome daquele velho. Mas houve um dia que ele achou por bem me contar, ele chamava “Zephyr”, curiosamente era o meu sobrenome. Eu perguntei porque o meu sobrenome era o nome dele e fiquei ainda mais surpreso quando ele me revelou de quem era filho: Ele era filho de Morgal: O primeiro sacerdote das sombras. Que por coincidências da vida… Possui o mesmo nome que eu.
Fiquei impactado, ora bolas, jamais pensaria que eu estaria atrelado ao primeiro sacerdote das sombras e justamente aquele que provocou o conflito dos santos. A verdade é que ele me disse que o sacerdote Morgol se apaixonou por uma moça e a engravidou. 7 meses após o conflito dos santos, quando já estava tudo estabelecido entre as 7 tribos, essa mulher deu a luz a Zephyr.
Ninguém podia descobrir que aquela criança era o único herdeiro do mal, o herdeiro do temível Morgal, então a sua mãe precisou escondê-lo durante anos até ele ter idade suficiente pra se virar sozinho.
Ele me dizia que ouvia as vozes do seu pai o conciliando em tudo o que fosse fazer e que ele evitasse mostrar seus poderes para as outras pessoas, porque podia ser perigoso. Zephyr tinha o dom das trevas, e por esse motivo, ele não poderia participar do torneio, caso contrário, ele poderia ser acusado de bruxaria.
O velho Zephyr me contou que meus pais não faziam ideia de onde eles vieram, que colocaram esse nome em mim apenas por um simples “devaneio” ou pensamento fútil. Meus pais odiavam ler os livros da antiga era, então eles não conheciam os feiticeiros e sacerdotes ancestrais.
Mas foi por conta dessa infeliz “coincidência” que eu acabei me tornando o próximo herdeiro de Morgal. Zephyr precisava de alguém para assumir o seu legado das trevas e ninguém melhor do que eu para cumprir esse feito.
Foi aí que 5 meses atrás, o velho Zephyr chegou para mim e disse: “Chegou a hora”. Eu ficava me perguntando: “Hora de quê, exatamente?”.
Então ele olhou nos meus olhos e transferiu todos os poderes dele pra mim. Foi uma transferência total, e quando encerrou, o velho veio a falecer.
O meu poder havia alcançado o absoluto, e tinha quase certeza que havia me tornado imortal. Antes disso, o velho me ensinou uma técnica proibida, a técnica da “substituição”.
Foi aí que eu sabia que o 10º torneio já estaria perto e precisava agir, mas para que eu agisse, não poderia mais continuar liderando a minha tribo e fingindo que estava tudo bem, por isso resolvi abandonar todo mundo.
Eu já não estava muito bem de minhas faculdades mentais e tive medo de levantar suspeitas sobre o que estava acontecendo comigo. Eu fugi, mas fiquei o tempo todo observando vocês, eu precisava armar um jeito de me infiltrar no prédio do torneio e começar a realizar os meus ataques.
Foi aí que um certo momento, enquanto todos estavam distraídos com aquele dirigível na tempestade, que eu decidi agir.
Incrível como nenhum de vocês percebeu que tinha uma pessoa a mais na tripulação daquele dirigível. Por isso que aquele desgraçado do Max Vidar queria nos derrubar, ele sabia que eu estava a caminho.
Finalmente chegamos, eu consegui me misturar entre aquelas 100 crianças, quando estávamos perto de entrar no prédio, eu puxei o Vladimir em um canto. Ele me perguntou o que estava havendo e eu puxei um pouco o meu capuz e olhei diretamente nos olhos dele e utilizei a técnica de substituição.
Todo mundo distraído, achando que estávamos apenas tendo uma conversa aleatória, mas eles não perceberam que eu acabei me transformando no Vladimir. Mas para que o disfarce fosse perfeito, eu tinha que roubar a mente do Vladimir para que eu possa ter acesso a tudo dele.
Munique desconfiou e perguntou porque eu estava demorando de entrar e estava com aquele cara (no qual eu havia colocado um pequeno cobertor nele pra que ela não percebesse que haviam dois Vladimirs).
— Ah, nada de mais, irmã. O rapaz aqui passou mal, vai indo, eu vou pegar uma água pra ele.
Eu esperei que todos entrassem pra que eu pudesse tirar a prova dos 9. Eu precisava ter certeza que eu conseguiria entrar em um prédio protegido por magia sem levantar suspeitas. Então eu primeiramente escondi o verdadeiro Vladimir nas catacumbas daquele lugar, e depois fui para a entrada.
Eu pensei: Se eu ficar com a mente de Morgol, isso vai me denunciar, então preciso ter a mente do Vladimir. Apaguei uma parte da memória dele para que não descobrisse que fizemos a troca, então entrei tranquilamente no prédio como se nada tivesse acontecido.
Eu deixava o Vladimir totalmente livre pra fazer ou pensar no que quiser, enquanto eu ficava apenas em um canto no subsconciente dele esperando o momento oportuno para me revelar.
Foi aí que eu comecei a jogar com vocês. Primeiro foi a garota da tribo da água. Em seguida, o garoto da tribo do ar. Sim, ele não se suicidou coisa nenhuma, eu o matei e escrevi aquele bilhete para que vocês pensassem que ele havia se enforcado.
E o mais interessante de tudo é que eu no corpo de Vladimir fazia tudo isso, mas a mente dele não se lembrava de absolutamente nada. Ele voltava a interagir com todo mundo sem deixar nenhuma brecha de que estava sendo substituído por outra pessoa.
Agora a pergunta que todos vocês idiotas me fazem: “Por quê?” Porque eu simplesmente cansei de toda essa merda! Porque ninguém em Vanidian quis me ajudar quando eu precisei. Que eu também tive uma mulher e um filho… Ambos morreram. O surto daquela doença matou o meu filho e minha mulher não suportou e acabou cortando a sua própria garganta… Bem no dia do meu aniversário.
Quando eu descobri toda a história dos meus antepassados, percebi que eu tinha que fazer parte de um novo conflito dos santos, um conflito onde dessa vez o sacerdote das sombras iria triunfar.
E é exatamente por isso que estou aqui, jovens… Rendam-se perante a mim, pois este que vos fala é o vosso senhor das trevas.
Voltamos novamente ao momento em que Morgal está frente a frente com Elin e os outros.
— Nunca vamos nos curvar a você. Você escolheu essa vida porque quis, ninguém te obrigou a ser o que é.
— Não se atreva a opinar sobre a minha conduta, Elin Durval. Todo mundo sabe que dos sacerdotes da nona geração, você é o mais desprezível deles.
— Pelo menos eu não escondo de ninguém o que eu sou. Você, por outro lado, precisou se passar por um dos adolescentes do torneio pra fazer seu plano idiota. E continua usando o rosto dele porque é covarde demais pra mostrar a cara.
— Ah, Elin! Você realmente não tem ideia do que está falan…
Morgal encara na direção de Magnus.
— Aquela é… A espada santa?
Elin olha pra trás, Magnus tenta esconder a espada da vista dele.
— Você está enganado, deve ser uma espada qualquer.
— Então a espada encontrou o seu portador? Passe ela pra cá imediatamente, garoto!
Kira se coloca na frente de Magnus.
— Ele não vai te entregar nada!
— Não se meta, garota do fogo. E você, garoto, me dê essa espada agora mesmo!
Elin olha mais uma vez pra eles e diz:
— Vocês dois… CORRE!
Kira pega Magnus pela mão e eles correm voltando pra floresta.
— Depressa, Magnus! Vamos!
— NAAAAAAAAAAAO! VOLTEM AQUI!
Morgal vai na direção deles, mas é impedido por Elin.
— NÃO! A sua luta é comigo. Você não vai a lugar algum.
— ESPECTROS, VÃO ATRÁS DESSES MOLEQUES!
— Está cometendo um grande erro, Morgal.
— Você que cometeu um erro, Elin. Deveria ter deixado eu tomar posse da espada santa… Agora vai morrer aqui como um sacerdote imundo.
Magnus e Kira estão correndo para tentar se proteger da fúria de Morgal.
Do outro lado, vindo na direção deles, Fie sente fortes dores e pede para que Glaus pare o cavalo.
— Glaus… Eu não aguento mais.
— Fie, tá tudo bem. Quer descansar um pouco?
Ele desce do cavalo, ajuda Fie a descer e a deita perto de uma árvore. Ele percebe que ela está sangrando.
— Meu Deus, você tá sangrando, mas vai ficar tudo bem, a ajuda já deve tá vindo.
Vindo na direção deles, continua Kira e Magnus a correr. Magnus também está fraco do ataque do espectro.
— Espera, Kira. Eu não aguento mais correr.
— Tudo bem, acho que não nos seguiram, vamos devagar.
Glaus avista os dois.
— EI! KIRA! MAGNUS!
— É o Glaus! Vamos!
Kira corre na frente e Magnus a segue devagar.
— Glaus, você tá bem? O que…
Ela avista Fie ali no chão, ferida.
— O… O que aconteceu aqui?
Glaus, chorando, diz:
— Kira, eu juro que tentei proteger ela, eu juro que eu tentei.
— O que fizeram com ela, Glaus?
— Foi um espectro. Um espectro carregou ela e depois ela caiu e agora tá fraca e sangrando muito.
Kira se abaixa na direção da amiga. Magnus chega em seguida e é acudido por Glaus.
— Irmão, você tá bem? Tá machucado?
— Um pouco. Foi aquele espectro maldito!
— Me diz que você pegou a bandeira azul, por favor.
— Sim, Glaus. Eu peguei.
— Que bom! Eu não sirvo pra ser sacerdote depois disso.
Kira segura na mão de Fie.
— Fie, amiga. O que houve contigo? Você vai ficar bem, minha amiga! Eu prometo que você vai ficar.
— Kira… Eu já te disse que você é minha melhor amiga de toda a vida, não é?
— E você é a minha, Fie. Pode ter certeza disso.
— Eu… Eu queria tanto, mas tanto poder comemorar com você o sacerdócio de uma de nós duas, mas… Já vi que isso não será mais possível.
— Como assim? Do que você tá falando? É claro que ainda podemos comemorar juntas.
— Não, Kira, você não tá entendendo… Eu… Eu não tenho mais como continuar.
— Você vai pra casa e vai se recuperar, e logo estará por aí de novo com sua alegria e com sua…
— … Você me promete uma coisa?
— Qualquer coisa, minha amiga.
— Promete pra mim… Que quando se tornar sacerdotisa, você vai conseguir uma prótese da perna para o meu pai?
Neste momento, uma das câmeras está registrando esse diálogo entre elas e todas as tribos estão assistindo, inclusive, o pai de Fie.
— É claro que sim, minha amiga. Eu farei isso e muito mais pelo teu pai e pela tua família.
— Eu sempre soube que você conseguiria, Kira Tierman. Sempre soube…
Nas tribos, todos estão assistindo esse momento triste. Estela e Airon em suas casas com o coração na mão. Ali Hampton sem acreditar no que está testemunhando.
— Você sempre foi tão forte, Fie. Sempre te achei mais forte que eu. O que vai ser de mim sem você? Você é minha amiga, minha confidente, minha irmã… Rimos juntas, dançamos juntas, cantamos juntas… Não somos duas garotas avulso, quando estamos juntas… Somos uma só.
— Eu… Eu sei… Eu… Sinto muito mesmo, minha amiga. Eu te amo tanto.
Fie estende o dedo mindinho pra ela.
— Eu também te amo muito, Fie.
Kira também fecha o seu dedo mindinho no de Fie. Esta fala:
— Amigas pra sempre?
— Amigas pra sempre!
Kira beija a mão de Fie. Ao olhar para ela novamente, Fie já fechou os seus olhos e lágrimas escorrem em seu rosto.
— Fie? Fie, ok, você já pode abrir os olhos agora.
Ela começa a sacudir Fie.
— FIE? Fie, acorda, por favor! Acorda! Não me deixa, por favor, não me deixa!
Uma nave de resgate está se aproximando deles para pousar ali. Kira tenta reanimar Fie, mas já era tarde. Glaus segura Kira pelos braços.
— Kira, Kira, já basta, já basta.
— NÃO! ME SOLTA! FIE!
— Eu sinto muito, eu sinto muito, Kira.
A tribo do fogo chora. Os pais de Fie entram em seu mais profundo desespero. Ali se ajoelha no chão de sua casa, sem acreditar no que havia acontecido.
Niel e os demais que continuaram ali no campo de entrada, ficam completamente sem chão. Eloy, cai no chão chorando e Tin tenta de tudo para segurá-lo.
Eric chega a cavalo juntamente com Ícaro na mesma hora. Eles descem e vê todo mundo naquela situação.
— O que tá acontecendo?- Pergunta Eric.
— Olha pro telão- Diz Niel.
Eric, e também Ícaro olham pra cima e não estão crendo no que estão vendo. Ícaro principalmente por estar vendo uma de suas amigas ali… Sem vida.
— Fie?
Eloy percebe que Ícaro voltou e corre até ele para abraçá-lo.
— ÍCARO! ÍCARO!
— Eloy!
— A Fie morreu, Ícaro! Ela morreu, nossa amiga morreu.
Ele abraça Eloy.
— Onde tá a Frida? Cadê ela?
— Eu… Eu acho que ela ainda tá lá.
Vemos Frida e Munique caminhando e uma das naves de resgate se aproxima delas.
— A ajuda chegou, Munique. Finalmente!
— Graças a Deus.
No local onde está Kira e os outros, os soldados pedem para que eles se afastem e dois deles pegam o corpo de Fie e a leva para dentro da nave. Outro soldado também chama por Glaus e ele os segue.
Kira está completamente atordoada com o que aconteceu e não para de chorar em nenhum momento. Magnus percebendo a situação, se aproxima dela e diz:
— Kira. Lembra o que a gente ouviu lá no prédio sobre a espada santa? Então… Eu sei perfeitamente bem que você não vai desistir. A espada me escolheu por algum motivo, mas… Eu não sou a pessoa apta a portá-la neste momento, então…
Magnus estende a espada com as duas mãos para Kira.
— Eu, Magnus Eiferd, nomeio essa jovem, Kira Tierman, como a nova guardiã da Espada Santa, até o dia que for necessário.
Magnus não sabia ao certo se aquilo iria funcionar, não sabia que “palavras mágicas” utilizar. Mas sentiu que deveria falar aquilo.
Ele continua com os braços estirados oferecendo a espada. Ela olha para ela, hesita em pegar, com medo de alguma reação ruim, ou da espada simplesmente a rejeitar, mas finalmente ela consegue segurá-la. E aquela espada que parecia pesada como uma rocha para qualquer outra pessoa, agora parecia leve como uma pena nas mãos de Kira.
— Vá, Kira! Acabe com aqueles espectros e com aquele impostor.
Magnus entra para a nave. Os soldados chamam Kira.
— Você não vai entrar?
— Podem ir… Eu tenho um assunto pendente a tratar… Cuide dos meus amigos, eu vou colocar um fim nisso tudo.
Kira decide não voltar com eles, agora como guardiã da espada santa, ela não vai deixar a morte de Fie assim tão barato.
Minutos depois, Frida e Munique chegam até a entrada do prédio e são recepcionados por Niel e os outros.
Ícaro ao ver a amiga, corre para abraça-la.
— FRIDA!
— Ícaro! Graças a Deus você está bem.
— Aconteceu uma coisa horrível.
— O que foi?
A aeronave que trazia Magnus e os outros pousa por ali. O compartimento se abre e vemos Glaus saindo e sendo acompanhado por um guarda. Em seguida vem Magnus, e os soldados carregam o corpo de Fie que está coberto por um lençol branco em uma maca.
Munique observa aquilo e vai imediatamente até eles.
— O que aconteceu, Magnus?
Magnus encontra forças para responder, mas não consegue.
Munique tira o lençol branco de cima e vê o corpo de Fie.
— Meu Deus, meu Deus, o que aconteceu lá embaixo?
Um dos soldados se aproxima de Niel.
— Senhora Niel, temos um outro problema.
— O que houve?
— A outra garota da tribo do fogo… Ela não quis vir com a gente.
— O quê?
Na colina, Elin e Morgal forcejam um contra o outro.
— Você não pode me vencer, seu moleque!
— Temos praticamente a mesma idade, Morgal… Então siga o meu conselho e vê se cresce!
Elin afasta Morgal com raios de fogo. Ele revida usando também os seus raios negros.
Elin salta para o alto formando um ciclone de chamas e o envia na direção de Morgal.
Morgal provoca um ciclone reverso que se funde ao que foi feito por Elin, isso provoca uma reação inesperada e os ciclones implodem formando uma ventania supersônica que arremessa os dois para lados opostos.
Morgal se levanta aos poucos.
— Você não pode me vencer, Elin.
Elin, igualmente, se levanta aos poucos, dizendo:
— Vamos ver quem é que vai desistir primeiro.
Morgal avista algo que vem atrás de Elin.
— Mas que porcaria é aquela?
Elin olha pra trás e se impressiona com o que vê.
Kira está se aproximando da colina, todo o seu corpo inflama com as chamas. Em uma mão, ela carrega a espada santa e com a outra, a bandeira do fogo. Supostamente a encontrou no caminho de volta à colina. Seus olhos não transmitem mais aquela doçura de outrora, e sim, de um espírito vingativo e destruidor.
Elin olha aquilo sem acreditar.
— Kira?
— Eu já me cansei disso tudo… REVELE A SUA VERDADEIRA FORMA!
Neste momento, involuntariamente, Morgal começa a se transformar e perde o “disfarce” que utilizava de Vladimir.
Vemos agora em nossa frente, um homem alto, branco de cabelos pretos e bem cumpridos.
Elin olha pra ele novamente e diz:
— O verdadeiro Morgal Zephyr.
— Como fez isso, garota? Como forjou que eu dissipasse a minha transformação?
— Eu te respondo com o maior prazer.
Vemos Kira agora de corpo inteiro, segurando a sua espada e sua bandeira, seus cabelos ruivos sendo envolvidos com o poder das chamas e seus olhos brilhando como fogo.
— Porque eu sou a sacerdotisa do fogo!
ATO III
No prédio do torneio, todos estão aflitos. No telão eles podem ver que os drones estão filmando Kira e Elin frente a frente com Morgal.
Nas tribos, o desespero dos moradores ao ver aquele momento que pode significar o fim de uma era para eles. Estela e Airon estão abraçados temendo pelo o que pode acontecer com a filha.
Os pais de Magnus também assistem aquilo e apesar de saber que o filho já está em segurança, não podem ficar tranquilos enquanto isso tudo não acabar.
Em outra casa na tribo do fogo, após se mergulhar nas lágrimas, a mãe de Fie olha para a tela e diz:
— Vá, Kira! Eles mataram a Fie! Vingue-se por todos nós!
Ali após ficar em choque com o que aconteceu com Fie, se levanta do piso de sua casa e diz.
— VAMOS LÁ, GAROTA! Você não é de desistir, então faça o favor de acabar com esse desgraçado!
Na tribo da água, Lucy, Arthur, Fewter e Villy, em seus respectivos lares, mandam energias positivas para Kira e Elin.
Todos os outros garotos que foram eliminados durante o torneio começam a mandar toda a energia positiva possível para eles.
Morgal percebe a determinação de Kira e sorri com deboche.
— Acha mesmo que uma pirralha como você poderia me vencer?
— Por que não tenta a sorte?
— Kira, eu falei pra você sair daqui! Esse homem é muito perigoso.
— Não, Elin. Agora é melhor você se afastar, esse homem provocou a morte da minha melhor amiga, eu não posso deixar isso passar.
— Ora, ora, ora… Vejo que está com a espada santa, mas como? Ela não estava com aquele…? A não ser que… É claro, ele transferiu a guarda da espada para você, não foi? Você é a nova guardiã da espada.
— Isso te incomoda?
— Talvez… Mas podemos negociar um trato. Se transferir a guarda da espada santa pra mim e me entregar ela… Prometo que deixo vocês em paz e vou para bem longe de Vanidian e nunca mais me verão de volta. Acho que no fundo eu consegui o que queria, provoquei dor, provoquei ódio e despeito. Foi o que eu senti quando todos vocês me deram as costas no momento que eu mais precisei. Como se sente agora, Elin? Como se sente, garota? É ruim perder as pessoas que ama, né? É ruim perder a sua própria dignidade, né? Matar algumas dessas pessoas foi apenas uma amostra de que eu não estava brincando em serviço, meu verdadeiro propósito era deixar vocês sofrendo e derramando lágrimas de sangue. E quer saber de uma coisa? Não me arrependo de nada, faria isso um milhão de vezes se for preciso. E terei que discordar do velho Zephyr, o conflito dos santos não vai se repetir, sabe por quê? Porque eu não vou deixar que um sacerdote do fogo me destrua como aconteceu há 100 anos!
Morgal forja seus poderes e vários espectros surgem na direção de Kira.
— MORRA, SACERDOTISA DO FOGO!
— KIRA, CUIDADO!
Kira se concentra. Fecha os olhos e se lembra da segunda prova que participou quando despertou seus poderes pela primeira vez, se lembra da promessa que fez ao seu pai, do seu objetivo com sua mãe e com seu irmão, da promessa que fez com Fie. As chamas de seus punhos começam a irradiar pela espada assim como aconteceu na prova da batalha simulada. Ela abre os olhos que brilham como fogo.
— SOMENTE O FOGO… QUEIMA TODO O MAL QUE NOS CERCA!
Kira avança, a espada santa pega fogo e ela começa a dilacerar todos os espectros que vinham na sua direção. Elin cai na grama da colina e observa aquilo assustado.
Kira gira com sua espada desintegrando todos os espectros que apareciam pela frente. Os que vinham de cima, ela levantava a espada e fazia com que o fogo dela subisse e queimasse todos que estavam no céu. Na medida que atacava os espectros, ela se aproximava cada vez mais de Morgal.
Ele pela primeira vez começa a perceber que está ficando encurralado.
— Não pode ser.
— ISSO É POR TODAS AQUELAS VIDAS INOCENTES QUE VOCÊ MATOU! Pela Fie, pela garota da água, pelo garoto do ar, pelas pessoas da tribo das sombras e por todas aquelas pessoas que você roubou a felicidade delas.
Kira avança com tudo pra cima dele, todos os espectros sendo dilacerados com as chamas vindo daquela garota.
Ela despertando toda a sua fúria em brasas.
— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHH!!
Morgal não consegue nem mesmo se mover um passo, seja para trás ou para os lados. Kira atravessa a espada santa flamejante no corpo dele. Elin observa impressionado. Todos os espectros que ainda estavam ali, se desintegram como pó.
Morgal cospe sangue pela boca. Olha para Kira e vê aqueles olhos de fogo.
— Não… Não pode ser… O teu antepassado matou o meu… E agora… Você de novo? Por quê? Porque sempre tem que ser você?
— E poderá passar mais 100 anos novamente… O fogo sempre vai queimar as trevas.
Kira retira a espada de dentro do corpo de Morgal. Ele começa a se desintegrar de dentro pra fora lentamente.
— Vocês… Vão me pagar um dia… Em 100 anos outro como eu surgirá e ele vai dizimar a raça de vocês, seus, seus malditos! NÃAAAAAO!!
Morgal se desintegra completamente não restando nem mesmo as suas cinzas para contar história. Kira está respirando ainda ofegante, e começa a desacelerar lentamente.
As chamas da espada se apagam, ao igual que as chamas que a envolvia. Seus olhos voltam ao normal e ela sente que vai desabar.
Elin chega até ela.
— KIRA!
Kira olha para ele. Apesar de ter vencido, seu sentimento é de derrota, ela o abraça e chora desconsoladamente.
— Tá tudo bem, tá tudo bem, garota.
— Eu não consegui salvar a Fie, não consegui salvar ninguém.
— É claro que você salvou. Salvou o mundo inteiro.
— Eu não vou aguentar isso, Elin. Não vou aguentar.
— Calma, calma, pode chorar, chore o quanto puder. Acabou, Kira… Acabou.
Alguns minutos se passaram, no meio de toda aquela agonia, vemos subjetivamente alguém se aproximando dos outros que estão ali do lado de fora do prédio.
— Me… Me ajuda.
Quem olha de cara é Munique, que vai correndo acudir.
— VLAD? Vlad, meu irmão.
Ela o abraça, Vladimir está fraco, com as roupas rasgadas e sujo.
— Pensei que tivesse te perdido, meu irmão. Graças a Deus você está vivo.
— Me desculpa… Eu não sei o que aconteceu. Parecia que minha mente estava em outro lugar, ocupando outros olhos, mas eu estava aqui esse tempo todo.
— Não diga mais nada, o importante é que você está aqui.
Collin aponta para frente.
— OLHEM! SÃO ELES!
Vemos Elin em seu cavalo juntamente com Kira também montada sob o mesmo.
Elin para o cavalo, Kira desce primeiro. Os amigos dela: Frida, Magnus, Ícaro, Eloy e Glaus correm imediatamente para abraça-la.
Os 5 abraçam Kira de uma vez, eles se ajoelham no chão e começam a chorar desconsoladamente. Eric se aproxima de Elin.
— Elin… Você tá bem?
— Agora estou, Eric… Agora estou. Mas… Essas crianças… Nunca mais serão as mesmas.
1 hora depois, Edger está fazendo uma transmissão e pela primeira vez, não está mais com aquele semblante de alegria como de costume.
— Eu gostaria de dizer que chegamos ao fim do torneio da melhor forma possível, mas… Não foi exatamente como esperamos. Nós tivemos sim os nossos sacerdotes nomeados, mas… Muita gente inocente teve que pagar pelas maldades do sacerdote das sombras. A equipe organizadora do torneio jamais promoveria mortes de inocentes como entretenimento, pedimos perdão pelas últimas horas de transmissão que vocês acabaram testemunhando. Esperamos que no próximo torneio isso não aconteça mais. A coroação dos sacerdotes será realizada amanhã para que todos possam se recuperar dos últimos eventos. A todos o meu muito obrigado e nos vemos!
No quarto de Kira, seus amigos estão todos ali conversando com ela. Estão presentes Magnus, Glaus, Frida, Ícaro e Eloy.
— Ela segurou o meu dedo mindinho que era a nossa promessa de sermos melhores amigas pra sempre e… Ela morreu bem na minha frente. Eu não pude fazer nada.
— Eu me senti tão culpado, eu não deveria ter deixado aquele espectro maldito pegar ela. Primeiro o Daian e agora a Fie. Não é justo, sabe? Nada disso é justo. – Disse Glaus.
— No final das contas, parece que o fato de termos nos tornado sacerdotes foi quase um desrespeito a essas pessoas que morreram. Como eu vou comemorar isso? Uma nomeação em troca da vida das pessoas?- Argumenta Magnus.
Alguém bate na porta, Kira diz:
— ENTRA!
Elin é quem entra ali. Todos os outros garotos se levantam abruptamente como se fossem fazer alguma reverência.
— Crianças, por favor, não precisa disso. Kira, posso conversar com você?
— Claro.
Magnus puxa os outros garotos pra eles saírem do quarto.
Elin se aproxima dela que está deitada na cama.
— Tá se sentindo melhor?
— Fisicamente sim, mas… Você sabe.
— Estou feliz que ao menos o garoto da luz no qual o Morgal roubou a identidade, está vivo. Achei que ele já não estava mais entre nós.
— Sim, fiquei feliz pela Munique.
— Olha, eu sei que nada do que eu disser vai trazer a tua amiga de volta, mas… Em todos esses anos, eu nunca vi uma garota tão corajosa como você. Você começou o torneio meio tímida, acanhada, atrapalhada às vezes, e foi evoluindo na medida que foi avançando nas provas. Aquilo que você fez ali na arena… Foi demais para uma garota da tua idade… Você é descendente do sacerdote do fogo, Kira. O mesmo que derrotou Morgal há 100 anos.
— Como isso pode ser possível?
— Eu não sei. Talvez nunca vamos obter todas as respostas para as nossas perguntas, mas… Estou feliz que a pessoa que vai me substituir nos próximos 10 anos seja alguém como você. Nos vemos amanhã na coroação. Se cuida, “esquentadinha”.
— Obrigada!
— Ah! E antes que eu me esqueça… Como você pegou a bandeira?
— Ah… Quando eu estava indo na direção da colina, eu a encontrei no chão. Fincada em uma pedra angular. Quase passei direto, mas parecia que ela me chamava. Então eu segurei ela e fui adiante.
— Hum… Interessante. Parabéns mais uma vez e descanse.
PALÁCIO REAL, DIA SEGUINTE.
Horas antes da coroação. Todos os participantes do torneio foram convidados para assistirem a cerimônia presencialmente, inclusive os familiares dos atuais sacerdotes.
Vemos Estela e Airon chegando ali na entrada do palácio procurando por Kira.
— Onde ela tá, Airon?
— Não sei, tem muita gente.
— MÃE!!
— Kira, Kira, minha filha!
Estela e Airon correm para abraçar Kira.
Os pais de Magnus também estão ali abraçando o filho, assim como os demais. Infelizmente Ícaro e Frida não tem mais ninguém, ninguém com que possam confraternizar lá fora.
Eloy está conversando com algumas pessoas, até por fim os seus pais aparecerem pra ele.
— Eloy, filho… Eu e seu pai estamos muito orgulhosos de você. Me dê um abraço.
A mãe e o pai de Eloy o abraçam.
Ao se desfazer do abraço, ela fala pra ele:
— Quando terminar a coroação, vamos te levar pra casa e fazer aquelas panquecas que você tanto adora, filho. O que acha?
Eloy começa a se lembrar de todas as vezes que tentou agradar os seus pais e eles sempre o desprezaram. Se lembrou do conselho que Ícaro o havia dado e principalmente do dia que escutou eles conversando de que as coisas poderiam ter sido melhores se ele nunca tivesse nascido.
— Pai… Mãe… Eu sempre fiz de tudo para que vocês tivessem orgulho de mim. Fiz o possível e o impossível também. Tudo o que eu fazia pra vocês estava ruim, estava errado, eu sempre fui muito desastrado, sempre dava despesas a vocês… Mas quando vocês falaram que se eu não tivesse nascido, as coisas teriam sido melhores pra vocês, aquilo me magoou muito.
Ele pausa um pouco de falar. Os pais ficam com olhar de remorso.
— Sabe… Eu não posso mais ficar em um lugar onde eu sou considerado um estorvo. Pedirei que pegue as minhas coisas e levem para a casa sacerdotal do trovão… Eu não quero mais viver com vocês.
— Mas filho, nós…
— Por favor, pai… Não insista. Agora vocês vão parar de ter despesa, porque… Não terão mais uma boca gulosa para alimentar. Adeus, pai! Adeus, mãe!
Eloy sai dali na multidão chorando e se topa com Ícaro.
— Eloy? Tá tudo bem?
— Ícaro… Você seria o meu amigo pra sempre?
— É claro que sim, meu amigo. Sempre serei.
— Que bom… Porque agora eu estou definitivamente sozinho.
Eloy o abraça e Ícaro tenta consolá-lo.
Em outro canto do palácio, estão Munique e Vladimir conversando com os outros, e o seu pai, Steve Andreas, aparece ali com todo o seu ar de prepotência.
— Oh, meus queridos filhos, estão aí. Que bom, olha eu já preparei tudo para a nossa transferência para a casa sacerdotal, já conversei com os empregados, e se tudo estiver nos conformes, nos mudaremos hoje mesmo após a coroação. Vamos pedir pra modificar a decoração para que seja algo mais a ver com a nossa família, sabe? Porque dessa forma…
— PAI!- Interrompe Munique.
— Sim?
— Não tem essa de “família”. A minha única família agora é o Vlad.
— Não estou entendendo o que quer dizer, filha.
— O Vladimir quase morreu e a única coisa que você tá preocupado é com a droga da tua reputação. Já cansei disso, pai! Nem eu e nem o Vlad vamos continuar atendendo os seus caprichos… O senhor não virá para a casa sacerdotal. Só o Vladimir virá comigo.
— O quê? O que pensa que tá fazendo, garota?
— Eu pedirei para que os guardas jamais permitam a sua entrada na casa sacerdotal, para garantir que não haverá nenhuma interferência sua.
— Mas… Você não pode fazer isso.
— Posso sim, papai. Sabe por quê? Porque agora eu sou a sacerdotisa da luz. E qualquer infração à ordem de uma sacerdotisa é passível de penitência severa. Eu não estou pedindo que o senhor se afaste da nossa casa sacerdotal, papai… Essa é a minha primeira ordem como sacerdotisa.
Munique e Vladimir se retiram deixando Steve completamente sem palavras.
Em outro canto, enquanto Magnus conversa com seus pais, Niel se aproxima.
— Com licença… Dominika?
— Ai, meu Deus! Niel! Niel, quanto tempo! (A abraça).
— Já faz mais de 20 anos, hein?
— Sim, achei que não se lembrava mais de mim.
— Eu não poderia me esquecer da mulher que abriu mão do sacerdócio pelo seu filho e vejam… Hoje Magnus será coroado como o primeiro sacerdote masculino da tribo da água.
— Sim… Estou orgulhosa dele… Sinto que… Não me arrependi em nada na minha decisão anos atrás.
— De fato… Não tem o que se arrepender.
HORAS MAIS TARDE…
É noite, e finalmente chegou o momento da coroação dos sacerdotes. Orfeu se encontra em seu trono, e ao lado está Dora. Eles se levantam. Na frente deles, uns dois degraus abaixo, se encontram todos os 7 sacerdotes anteriores enfileirados, cada um com uma coroa na mão.
Orfeu acena com a mão para que todos os espectadores façam silêncio.
— Nesta 10ª edição do torneio, não apenas conhecemos jovens dispostos a vencerem essas provas, como também vimos jovens despertando a sua coragem, determinação e principalmente o amor ao próximo. Gostaria de estar realizando essa cerimônia em circunstâncias mais alegres, mas infelizmente não foi do jeito que planejamos. Entretanto, tenho orgulho de anunciar a vocês… Os novos 7 sacerdotes das tribos!
O público aplaude, os 7 entram em fila indiana, cada um vestindo um traje belíssimo correspondente a cor de sua tribo. Eles acenam para o público. Ali acena para Kira.
— ARRASOU!
Igualmente Lucy vê Frida e assobia pra ela.
— MARAVILHOSA!
O irmão de Willa faz um sinal para ela de gratidão. Todos os 7 sendo ovacionados pelo público. E obviamente aquele momento solene estava sendo transmitido para o mundo inteiro.
Cada um dos 7 sacerdotes ficam de frente para o sacerdote anterior correspondente à sua tribo. Orfeu anuncia:
— Essa é a primeira vez em 100 anos, que teremos um sacerdócio cheio de surpresas e com um time majoritariamente feminino. Para fugir um pouco do óbvio, iremos coroar de trás para a frente. Começando com a tribo das sombras!
Eric desce os degraus com a coroa das sombras nas mãos. Ele coloca a coroa em Frida e fala bem baixinho.
— Parabéns, minha rainha.
— Obrigada!
Frida se vira para a plateia. Orfeu diz:
— É com muito orgulho que vos apresento… A primeira sacerdotisa das sombras da história de Vanidian: Frida Albers!
Todos aplaudem a coroação de Frida.
— Agora vamos para… A tribo da luz!
Bartiel desce os degraus se aproximando de Munique. Ele coloca a coroa nela e diz:
— Você foi ótima, querida.
— Obrigada!
Munique vira para a plateia.
— Munique Andreas se torna a primeira sacerdotisa da luz em 50 anos de torneio!
Todos eles aplaudem Munique.
— Vamos agora para a tribo do ar!
Minerva desce os degraus e se aproxima de Willa. Antes de colocar a coroa, ela fala:
— Não sabe o prazer que sinto por saber que uma guerreira como você vai me substituir.
— Obrigada, Minerva.
Ela coloca a coroa em Willa, esta se vira para plateia. Orfeu declama:
— É com muito prazer que eu vos apresento… A nova sacerdotisa do ar: Willa Sawyer!
O público aplaude Willa.
— Agora chegou a vez da tribo do trovão!
Telmar desce os degraus e se aproxima de Eloy com a coroa. Antes de colocar nele, ele diz:
— Sabe de uma coisa? Quando te vi a primeira vez naquele dirigível, sabia que você era a pessoa ideal pra me substituir.
— De verdade?
— Sim… Parabéns, meu garoto!
Ele coroa Eloy, que fica muito emocionado, e se vira para frente.
— Temos o mais jovem dessa edição que venceu o torneio. Aplausos para o novo sacerdote do trovão: Eloy Griffin!
O público aplaude em polvorosa.
— Vamos agora para a tribo da terra!
Aldo desce os degraus e coloca a coroa em Pablo.
— Parabéns, rapaz!
— Obrigado!
— E este é o vosso novo sacerdote da terra: Pablo Eister!
Todos aplaudem. Eric lança olhares para Pablo.
— Bem, e agora vamos a mais um de nossos momentos inéditos e nunca ocorridos no nosso torneio. Tribo da água!
Silvya desce os degraus com a coroa nas mãos. Ao se aproximar de Magnus, ela diz:
— Finalmente teremos um homem de bem no sacerdócio que vai cuidar bem das mulheres da nossa tribo.
— Prometo que não vou te decepcionar, Silvya.
— Eu sei que não vai.
Silvya coloca a coroa nele e ele vira para a plateia.
— É com muito prazer que anunciamos o primeiro sacerdote homem da história da tribo da água: MAGNUS EIFERD!
O público aplaude em polvorosa. As mulheres principalmente.
— Bem, deixei esse momento para o final, porque… Não estaremos apenas nomeando o próximo sacerdócio, como também a pessoa que salvou as nossas vidas de um possível novo conflito dos santos. Ou melhor, as duas pessoas que nos salvaram. Por favor… Tribo do Fogo!
Elin desce os degraus com a coroa de sua tribo, ele pela primeira vez sorri na direção de Kira. Ele coloca a coroa nela e fica alguns segundos a olhando.
— É… Você não vai me dizer nada?
— Dizer o quê? Acaba com eles, “esquentadinha”!
Kira sorri e vira para a plateia.
— Senhoras e senhores, quero apresentar a vocês, a garota que derrotou o sacerdote das sombras juntamente com Elin Durval, a atual guardiã da espada santa e a primeira sacerdotisa da história da tribo do fogo. Com vocês… KIRA TIERMAN!
O público aplaude euforicamente, pela primeira vez, todos ficam de pé e os aplausos pareciam que não iriam mais cessar.
— SACERDOTES! Virem-se e ajoelhem-se.
Todos os 7 se viram e se curvam perante ao rei.
— Vocês comandarão vossas tribos nos próximos 10 anos e deixaram marcas de seu legado para as próximas gerações, jamais se esqueçam disso.
Orfeu saca uma espada e aponta para o alto.
— Eu os abençoou perante toda Vanidian como testemunha, que serão prósperos em seu sacerdócio durante os próximos 10 anos. E lembrem-se… Serás sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque (Hebreus 7:17). VIDA LONGA, OH SACEDOTES!
O público continua aplaudindo. Aqueles jovens finalmente realizaram o seu sonho. Se tornaram sacerdotes.
Horas depois…
Pablo vê Eric saindo.
— Ei, Eric! O que vai fazer agora? Digo, daqui por diante?
— Não sei, talvez eu deva aguardar alguma ordem sacerdotal.
— Vem comigo! Por favor.
— Garoto… Eu sou 22 anos mais velho que você.
— Não me importo… Quero ficar com você.
— Eu te procuro na sua tribo após tudo isso acabar. Até mais, garoto da terra!
Em outro canto, Eloy procura por Tin.
— TIN!
— Oi, Eloy!
— Eu estava pensando… Você se importa em vir para a casa sacerdotal comigo me ajudar?
— Mas… Pensei que sua família iria estar lá.
— Não, não, é uma longa história. Eu queria alguém por perto pra poder me ensinar tudo o que eu preciso saber.
— É claro que sim, campeão. Eu fico com você.
Em outro canto, Frida conversa com Ícaro.
— Ei! Não pense que vou te deixar… Temos muitas coisas a fazer pela reconstrução da nossa tribo, mas iremos conseguir. Até lá, quero que fique comigo, Ícaro.
— Mas…
— Olha, eu sei que também era o seu sonho se tornar sacerdote. E é por isso que eu quero que você fique comigo, podemos nos tornar uma ótima dupla e trazer a paz novamente para a tribo das sombras. Você topa?
Ícaro aperta a mão de Frida e diz:
— É claro, minha amiga. Eu topo!
COMITÊ SECRETO- HORAS DEPOIS
Max havia terminado de desligar todos os televisores de seu comitê. Morbius se aproxima.
— O que vai fazer agora, senhor?
— Bem… Agora vou tirar umas férias, Morbius.
— Umas férias?
— Claro, até alguém como eu precisa descansar. Minha missão já terminou. Quero distância de garotos pestilentos por um bom tempo. Deveria fazer o mesmo.
— Mas é que…
— … Tchau, Morbius! A gente se fala por aí!
Max se despede de Morbius deixando-o confuso e intrigado.
TRIBO DO FOGO, 2 DIAS DEPOIS.
Kira se encontra no túmulo de Fie colocando flores.
— Não se preocupe, amiga. Eu vou cumprir a promessa que eu fiz e sua família ficará bem.
Magnus aparece logo atrás.
— Oi!
— Magnus? O que faz aqui, menino? Por que não me avisou que viria? (Abrançando-o).
— Quis fazer uma surpresa, fui na tua casa te procurar, e tua mãe me disse que estava aqui. E eu trouxe novidades, novidades muito boas por sinal.
— Quais?
— Conversamos com algumas pessoas da tribo da luz e da própria capital, e eles vão providenciar a prótese para a perna do pai da Fie pra daqui há duas semanas.
— Meu Deus, sério?
— Sim!
— Aaaaahh não acredito! (Ela pula em cima dele).
— Em troca… Queria que você fosse juntamente comigo e com o Glaus na minha tribo pra a gente fazer uma coisa.
— O quê?
Partimos para os três já na tribo da água na residência da mulher do falecido Daian que está com sua bebê no colo.
— Eu não sabia que o Daian tinha feito amigos tão gentis como vocês. Jamais imaginaria receber a visita do sacerdote da água e muito menos da sacerdotisa do fogo em minha residência.
— Ah não precisa agradecer, senhorita. O Magnus me convidou para vir até aqui porque eu também queria muito dizer a você que nós estamos aqui para te ajudar no que for preciso e tanto a tribo da água quanto a minha tribo, vai te ajudar no que for preciso pra que essa criança cresça saudável e honre a memória do pai.
— Muito obrigada! Muito obrigada de verdade a vocês.
TRIBO DA SOMBRAS.
Frida e Ícaro estão com uma espécie de prancheta nas mãos auxiliando trabalhadores na reconstrução das casas na tribo.
— Tá legal, meninos! Aquela madeira vocês devem colocar ali na frente, obrigada!
Ícaro se aproxima dela.
— Vai demorar pelo menos 1 ano pra nossa tribo voltar a ser o que era.
— Nem me fale, poucas pessoas pra muita mão de obra.
— EI, PRECISAM DE AJUDA?
Frida olha para frente e diz:
— Não acredito! Munique? Vladimir?
Os dois correm até eles e os abraçam.
— Mas… O que vocês estão fazendo aqui?
Os trabalhadores reparam na presença deles e começam a cochichar.
— Veja, é a sacerdotisa da luz!
— E aquele é o irmão dela.
— O que eles estão fazendo aqui?
Voltando à conversa. Vladimir os responde.
— Bom, a Munique me disse que sempre a tribo da luz foi arredia com a tribo das sombras então por que a gente não faz algo diferente agora? Queremos ajudar na reconstrução da tribo.
— Espera, é sério?- Pergunta Frida.
Munique diz:
— É claro que sim e não estamos sozinhos. Trouxemos aquele “exército” da tribo da luz com a gente.
Ícaro se impressiona com a quantidade de trabalhadores da tribo da luz que estão se aproximando.
— Ai, meu Deus!
Vladimir diz:
— Bem… Vamos ao trabalho?
PORTO DA TRIBO DA ÁGUA.
Kira está se despedindo de Magnus para voltar à sua tribo.
— Bem, eu já estou indo, mas a gente vai mantendo contato, Magnus.
— Kira, eu queria te perguntar uma coisa: Como vai ficar? Você sabe… A gente?
— Bom, eu… Eu não sei. Eu gosto muito de você, mas não sei se conseguiríamos desenvolver algo nosso por agora.
— É, acredito que precisamos nos dedicar ao sacerdócio primeiro.
— Mas, por favor, não interprete isso como um “Não”. Ainda somos jovens e inexperientes, se você tiver paciência… Talvez no final do ano voltamos a conversar sobre isso de novo. Mas até lá… Quero a tua amizade incondicional.
— É claro que sim, Kira. Sempre terá a minha amizade.
Os dois se abraçam e Kira se despede dele.
— Até logo!
— Até!
Os dias vão se passando e vemos os outros atuais sacerdotes se empenhando em suas novas atribuições como sacerdotes.
Tin ensinando algumas coisas para Eloy que ainda não tem experiência.
Willa treinando artes marciais em um dojo e ensinando outros jovens a lutar.
Pablo distribuindo sopa para as regiões mais pobres da tribo da terra.
Cada um deles fazendo a sua parte.
CASA SACERDOTAL DO FOGO, NOITE
Ouvimos os familiares de Kira cantando os parabéns, todos eles com chapéus de aniversário na cabeça. Mas o aniversariante não era bem o que estávamos esperando.
— … Parabéns pra você… Parabéns pra você! FELIZ ANIVERSÁRIO, GORGUE!
O galo de estimação da família está com um mini chapéu de aniversário na cabeça e uma gravata borboleta roxa amarrada no pescoço.
— Ele não vai assoprar as velinhas, mana. Nem adianta.- Diz Airon.
— Nem dá pra acreditar que o Gorgue tá na nossa família há 3 anos, mãe.
— Sim, Kira. Confesso que esse galo já me deu muito trabalho, mas que bom que estamos aqui.
— Sim… Só faltou o papai.
— Olha… O teu pai estaria orgulhoso de você. Cumpriu a promessa e agora é a sacerdotisa do fogo. Você tem a mim, o seu irmão, o Gorgue e os seus amigos. Ah! Antes que me esqueça, fiquei sabendo que a prótese da perna do Sr. Dober já chegou.
— Sério? Ai, graças a Deus! A Fie iria ficar muito feliz.
— Com certeza ela ficaria, filha. Agora vá descansar! Uma sacerdotisa também precisa de descanso. Vamos pra cama!
— Olha só, primeiramente eu não sou mais criança, segundamente eu sou a sua nova sacerdotisa, viu?
— E terceiramente, eu sou a tua mãe e vai me obedecer sim, senhorita! Pra cama!
— Eu posso dormir tarde hoje, mãe?
— É claro que não, mocinho. Você é o homem da casa e tem que dá exemplo. Vamos! Pra cama os dois.
— Tá bom, tá bom, majestade Estela, vulgo mãe. Estamos indo.
Os dois correm para os seus quartos sorrindo. Estela suspira e diz:
— Esses meus filhos! Como crescem rápido!
3 MESES DEPOIS…
Kira e Airon estão cavalgando pela floresta. Kira está na frente.
— Vamos, cabeção! Pensei que fosse mais rápido!
— Espera, Kira! Eu ainda não sei cavalgar rápido igual você.
— Ah é? Desse jeito que quer se tornar sacerdote do fogo? Precisa de muito mais que isso, garotinho.
— Eu vou alcançar você, espera aí!
Eles continuam cavalgando sorrindo ao sabor do vento, finalmente chegaram até uma colina. É final de tarde e o sol está quase se pondo. Eles param um pouco para observar o pôr do sol.
— Melhor a gente voltar logo, vai escurecer e a mamãe vai ficar uma fera com a gente.
— Sim, vai indo na frente, Airon. Eu já vou.
— Tá bom, não sou eu que vou levar bronca mesmo.
Airon dá meia volta com seu cavalo. Kira fica um tempo observando o sol se por.
— Papai, eu consegui… Eu disse a você que conseguiria… Agora você pode descansar em paz.
Kira continua olhando para o horizonte. Enquanto o sol se põe, ela pensa em tudo o que vivenciou até chegar aqui.
VOZ EM OFF= KIRA
Todo mundo tem sonhos que talvez sejam difíceis de alcançar, mas eu me manti fiel ao meu sonho desde o princípio. E agora eu terei a chance de me tornar alguém de importância para a minha tribo. E farei de tudo para que não apenas a tribo do fogo, mas todas as outras prosperem por longos anos.
Acredite no seu sonho, você é o único que pode realizá-lo. No mais e sem mais delongas, aqui me despeço. Até a próxima!
Eu sou Kira Tierman… A sua sacerdotisa do fogo!
Fim
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