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CAPÍTULO 11

Escrito por: Alessandro Fonseca01/07/2026 - 20:00

 

A busca foi silenciosa demais.

Não teve sirene.
Não teve espetáculo.

Só mandado judicial.

— Senhor André, precisamos que acompanhe a equipe enquanto realizamos a vistoria.

Ele sabia que algo estava errado antes mesmo de começarem.

Lucas não atendia.
Rafael estava “ocupado”.
Eric… estava morto.

A equipe abriu gavetas, armários, caixas.

Até que um dos agentes chamou:

— Senhor.

O delegado entrou no quarto.

Debaixo da cama.

Uma caixa metálica.

André nunca tinha visto aquela caixa.

Ela foi aberta na frente dele.

Dentro:

Uma arma.

O modelo batia com o calibre do assassinato.

O mundo ficou mudo.

— Isso não é meu.

O delegado o encarou.

— A arma estava na sua residência.

— Isso foi plantado!

— O senhor recebeu alguém aqui recentemente?

Silêncio.

Lucas.

Na delegacia, o tom mudou.

Não era mais “colaborador”.

Era suspeito formal.

— O senhor teve acesso à arma?

— Não.

— O senhor discutiu com a vítima horas antes.

— Sim.

— O senhor escreveu ameaças.

— Escrevi.

— E agora encontramos a arma na sua casa.

André sentiu o suor frio escorrer pelas costas.

— Isso é uma armação.

— Quem armaria o senhor?

Essa pergunta era armadilha.

Ele pensou em Lucas.
Pensou em Rafael.
Pensou na mãe.

Mas não tinha prova.

Só paranoia.

Rafael apareceu tarde da noite.

Dessa vez, menos controlado.

— Eles acharam a arma?

André o encarou.

— Como você sabe?

Erro.

Pequeno.

Mas erro.

Rafael percebeu que tinha falado demais.

— A cidade inteira sabe.

— A polícia não divulgou.

Silêncio.

Rafael deu um passo atrás.

— Você está fora de controle.

— Não. Eu estou acordando.

Enquanto isso, Lucas apagava mensagens.

Transferências de arquivos.
Conversas antigas.
Fotos.

Ele não parecia nervoso.

Parecia ajustando um plano.

— Ele precisava cair — murmurou sozinho.

A mãe de Eric visitou a delegacia.

Não para defender.

Para pressionar.

— Eu só quero justiça pelo meu filho.

A frase certa.
O momento certo.
As câmeras certas.

Mas algo começa a mudar.

Um detalhe técnico.

A perícia identifica que a arma encontrada na casa de André foi limpa de forma excessiva.

Quase profissional.

André não teria conhecimento para isso.

Alguém que já lidou com armas teria.

Ou alguém que já planejou.

André decide que não vai mais reagir.

Vai investigar.

Por conta própria.

Ele revisita mensagens antigas de Eric.

Encontra um nome recorrente em conversas apagadas:

“Projeto L.”

L.

Lucas?

Ou outra coisa?

Ele procura o advogado da família.

Não para se defender.

Mas para pedir acesso parcial aos bens e contratos de Eric.

Se Eric estava envolvido em lavagem de dinheiro…

Alguém lucrou com a morte.

E dinheiro deixa rastro.

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