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CAPÍTULO 12

Escrito por: Alessandro Fonseca03/07/2026 - 20:00

André não dormia mais.

Quando fechava os olhos, via três coisas:

A arma.
O sorriso calmo de Lucas.
O olhar indecifrável da mãe de Eric.

A polícia o liberara provisoriamente. Falta de prova conclusiva.

Mas isso não era liberdade.

Era espera.

Na delegacia, o delegado Monteiro analisava o relatório da perícia.

— A limpeza da arma é técnica demais — disse à investigadora Clara.

— Você acha que ele não teria capacidade?

— Acho que ele é emocional demais para planejar assim.

Clara cruzou os braços.

— Então alguém quer que ele pareça emocional o suficiente para matar… mas organizado o suficiente para executar.

Monteiro assentiu.

— Isso não é crime passional simples.

Na casa da família, o clima azedava.

O irmão mais novo de Eric questionava os tios.

— Desde quando ele estava envolvido com isso?

Silêncio.

A mãe interrompeu.

— Esse assunto morre aqui.

O tom não era de luto.

Era de comando.

André começou a tremer em momentos aleatórios.

No mercado.
No banho.
No meio da rua.

Ele sentia que estava sendo observado.

E estava.

Lucas apareceu à noite.

Sem avisar.

— Você não devia estar sozinho.

— Eu não devia estar com você.

Lucas entrou mesmo assim.

— Você está se desfazendo.

— Vai embora.

Lucas se aproximou devagar, como quem lida com um animal ferido.

— Eles estão te esmagando. Eu posso ajudar.

André riu, quase histérico.

— Ajudar como? Plantando mais alguma coisa na minha casa?

Lucas não reagiu.

Isso foi pior.

— Você acha que eu fiz isso?

— Eu não sei mais o que você é capaz de fazer.

Lucas tocou o rosto dele.

— Eu sou a única pessoa que ainda está do seu lado.

André não se afastou imediatamente.

E esse segundo de hesitação foi suficiente para Lucas puxá-lo pela camisa e beijá-lo.

Não foi romântico.

Foi urgente. Quase possessivo.

André correspondeu por dois segundos.

Dois segundos de fuga.

Depois empurrou.

— Não faz isso.

— Você precisa esquecer.

— Eu não quero esquecer.

Ele queria lembrar.
Queria entender.
Queria provar que não era louco.

Lucas recuou.

Mas antes de sair, deixou a frase:

— Se você cair, eu não caio sozinho.

A ameaça não foi gritada.

Foi dita com calma.

Rafael foi mais direto.

Encontrou André num estacionamento vazio.

— Você está piorando.

— Vocês dois não vão me usar de novo.

Rafael segurou o braço dele com força.

— Eu estou tentando te proteger!

— De quem? De você?

Rafael perdeu a paciência.

— Eric ia entregar nomes.

O mundo parou.

— Que nomes?

— O meu. O do Lucas. O de gente da família.

O silêncio ficou pesado.

— Ele estava negociando imunidade.

André sentiu náusea.

— Então alguém matou ele antes que ele falasse.

Rafael sustentou o olhar.

— Você acha que foi impulso?

André recuou.

A mente dele girava rápido demais.

Eric lavando dinheiro.
Eric negociando.
Eric traindo aliados.
A arma na sua casa.
Lucas manipulando.
Rafael sabendo demais.
A mãe controlando a família.

— Eu não sei mais quem ele era — André murmurou.

Rafael suavizou a voz.

— Eu sei quem você é.

E puxou André para perto.

O beijo veio diferente do de Lucas.

Não urgente.

Intenso.

Antigo.

Cheio de memória.

André sentiu o corpo reagir antes da razão.

Ele estava carente.

Quebrado.

Confuso.

E isso o tornava vulnerável.

Rafael percebeu.

— Fica comigo hoje.

Não era pedido.

Era convite calculado.

André quase aceitou.

Quase.

Mas algo dentro dele gritou.

— Vocês dois querem alguma coisa.

Rafael não negou.

Na delegacia, Clara cruzava dados financeiros.

Uma transferência chamou atenção.

Feita dois dias antes da morte de Eric.

Destino: conta vinculada a uma empresa da família.

Assinatura autorizada pela mãe.

André está sozinho no apartamento, sentado no chão da sala.

O celular vibra.

Mensagem anônima:

“Você está chegando perto demais.”

Ele começa a rir.

Não de alegria.

Mas de desespero.

Porque agora ele não sabe se está sendo perseguido…

Ou se finalmente está vendo o tabuleiro.

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