O colapso não veio com grito.
Veio com silêncio.
André ficou horas sentado no chão da sala, costas na parede, olhando para nada.
O telefone tocava.
Mensagens chegavam.
Notícias o citavam.
Ele não reagia.
O mundo acontecia.
Ele só assistia.
Até que começou a rir.
Um riso curto.
Depois outro.
Até virar choro.
Ele não sabia mais quem era.
Amante.
Suspeito.
Vítima.
Peça.
Eric morto.
Rafael vivo.
Lucas manipulando.
A polícia pressionando.
E ele no meio.
Ele socou o próprio peito, como se pudesse expulsar algo.
— Eu não matei você — murmurou.
Mas a frase não parecia suficiente nem para si mesmo.
—
Na delegacia, Clara avançava.
— A transferência foi autorizada pela mãe dois dias antes da morte.
Monteiro franziu o cenho.
— Coincidência?
— Coincidência demais.
Mas ainda não era prova.
Só sombra.
—
Na casa da família, os tios pressionavam.
— Precisamos encerrar isso rápido.
— Culpar o amante resolve — disse um deles.
A mãe não respondeu.
Apenas observou.
—
Lucas voltou.
Não para seduzir.
Para dominar.
— Você está se desfazendo.
— Sai daqui.
Lucas fechou a porta atrás de si.
— Eles estão construindo um caso. Você precisa de mim.
— Eu não preciso de ninguém.
Lucas segurou o rosto dele.
— Precisa sim.
O beijo veio mais lento dessa vez.
Menos agressivo.
Mais insinuante.
André não tinha energia para resistir.
Ele se deixou levar.
Era fuga.
Era anestesia.
Não foi descrito.
Mas foi claro.
Depois, o silêncio foi pesado.
Lucas vestiu a camisa com calma.
— Você sempre volta.
A frase tinha veneno.
—
Rafael descobriu.
E perdeu o controle pela primeira vez.
— Ele está usando você!
— E você não?
— Eu nunca precisei te quebrar para ficar comigo!
A discussão foi intensa.
— Você acha que isso é amor? — André gritou.
Rafael se aproximou.
— Eu sempre fui honesto com o que eu sentia.
André riu amargo.
— Você sempre foi perigoso.
Rafael segurou os ombros dele.
— E mesmo assim você nunca teve medo de mim.
Silêncio.
E ali, algo mudou.
Rafael não tentou seduzir.
Não tocou com malícia.
Ele apenas ficou.
Sentado ao lado.
Sem manipular.
Sem pressionar.
E isso foi diferente.
—
O triângulo começava a se formar.
Lucas queria controle.
Rafael queria posse.
André queria paz.
E nenhum dos três estava disposto a ceder.
—
Na investigação, uma nova descoberta:
O carro da mãe foi visto circulando próximo ao local do crime, mas em horário anterior ao assassinato.
Ela tinha um álibi parcial.
Parcial.
Monteiro comentou:
— Às vezes o crime não é feito por quem mais odeia.
Clara completou:
— Mas por quem mais teme.
—
— Precisamos que compareça novamente. Surgiram novos elementos.
Ele desliga.
Olha para as próprias mãos.
Elas tremem.
Ele percebe algo assustador:
Ele não sabe mais se está lutando para provar inocência…
Ou para sobreviver emocionalmente.












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