André teve o colapso definitivo.
Não em público.
Em casa.
Ele começou a gritar sozinho.
— Eu não matei ele! Eu não matei!
Quebrou um copo.
Depois outro.
O telefone tocou.
Rafael.
Ele não atendeu.
Lucas mandou mensagem:
“Você está desmoronando.”
Ele desligou o celular.
E sentou no chão.
Vazio.
—
Rafael apareceu mesmo assim.
Forçou a entrada.
Encontrou André destruído.
— Olha pra mim — Rafael disse, segurando o rosto dele.
— Eu estou cansado — André murmurou. — Cansado pra caralho.
Rafael o abraçou.
Sem malícia.
Sem manipulação.
— Eu devia ter te tirado disso antes.
— Você também está nisso.
Rafael assentiu.
— Eu sei.
Silêncio pesado.
— Eu estou me apaixonando por você — Rafael repetiu.
— Não faz isso comigo.
— Eu não controlo isso.
André olhou para ele como quem já perdeu.
— Eu não sei amar sem destruir.
Rafael não respondeu.
Porque ele sabia que aquilo era verdade.
—
Na delegacia, Clara confrontou a mãe discretamente.
— A senhora esteve na zona rural dois dias após o falecimento.
— Tenho propriedade lá.
— Sozinha?
— Sempre estive.
O olhar dela não vacilou.
—
Lucas, consumido por ciúme, cometeu erro.
Ele acessou o sistema interno da empresa da família para apagar um arquivo antigo ligado ao “Projeto L”.
Mas deixou rastro digital.
Clara percebeu.
— Temos outro nome envolvido.
Monteiro analisou.
— Lucas.












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