ESTAÇÃO MEDICINA
CAPÍTULO 7
No Pulo do Gato
CENA 01/ SÃO PAULO/ AVENIDA DO BAR ESTETO/ NOITE
Goram fica aguardando uma resposta de André quando o rapaz desata a chorar e escorrega pela parede.
GORAM – André chora por medo? Mas medo de quê?
André põe a mão na cabeça, sente-se mal ao avistar um casal heterossexual do outro lado da rua que voltava feliz de algum programa.
ANDRÉ – Eu só queria não sentir as coisas que tenho sentido. Só queria ser normal. Só queria ser respeitado.
Goram sente pena do rapaz, abaixa-se ao lado dele.
GORAM – As coisas não são fáceis né meu amigo?
ANDRÉ – Quando você é negro, tudo fica mais difícil. Um dia você é preso por te confundirem com bandido, em outro é alvo de trotista branco.
GORAM – Essa é uma dor que Goram nunca vai entender. Mas você não precisa passar por isso sozinho, eles não podem te tratar dessa forma só porque é calouro. Podemos ir com você na coordenação ou até numa delegacia…
ANDRÉ – E o que isso vai mudar? Não vão fazer nada. Pessoas como eu não tem voz. Eu não quero falar sobre isso, quero só esquecer, quero me alegrar com meus games.
E se levantou.
GORAM – André! Égua Mãe! Espere!
Mas o rapaz sumiu no sereno.
CENA 02/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLIMPIUS/ACHADOS E PERDIDOS/ NOITE
FUNCIONÁRIO RESPONSÁVEL – Um momento…
Elas se olham esperançosa.
FUNCIONÁRIO RESPONSÁVEL – Não, aqui não está nada.
SUZY (Emocionada) – Puxa vida, roubaram-me 200 pilas!
Heloísa a abraça. Funcionário intervém.
FUNCIONÁRIO RESPONSÁVEL – Vou ligar para o vigia do corredor dos anfiteatros!
ESPERANÇA. Ele disca o ramal. Câmera Descontínua.
FUNCIONÁRIO RESPONSÁVEL – Isso! Borboletas na borda. Está aí com você? Perfeito!
As meninas se felicitam.
CENA 3/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLIMPIUS/CORREDOR ANFITEATROS/ NOITE
Suzy abraça o segurança ao abrir a carteira e constatar que tudo estava intacta.
SUZY – O senhor é um anjo, nem sei como agradecer.
SEGURANÇA – Magina, só estou fazendo o meu trabalho!
Ao fundo, uma professora médica indonésia Sara, de 58 anos, magra, jaleco branco passa falando ao telefone.
SARA – Como assim? Paciente de quinze anos sem histórico de desnutrição, apresentando osteoporose periarticular. Dosaram Vitamina D? O quê? Normal? Estou indo agora para ortopedia!
Aquilo chamou a atenção de Heloísa e Suzy que se entreolharam. Assim que a médica passa, elas se despedem do segurança.
SUZY – Obrigada.
HELOÍSA – Muito obrigada.
SEGURANÇA – Imagina, se precisarem, estou a disposição.
Elas saem correndo seguindo a professora.
CENA 3/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/HOSPITAL ORLANDO MOÇA/SAGUÃO DE ENTRADA
Sara passa pela catraca e Heloísa fica frustrada. Suzy aponta para o vestiário no fim do local, à esquerda. O segurança encontrava-se ocupado dando uma informação.
HELOÍSA – Não me diga que você tá pensando…
Suzy acena que sim com a cabeça. CÂMERA DESCONTÍNUA
Elas aparecem com jalecos brancos momentaneamente roubados a fim de enganar a segurança. Detalhe, os Jalecos eram extremamente grandes para elas, pareciam vestidos.
SUZY – Hey colega, você pode abrir aqui para gente ? Esquecemos o crachá!
Heloísa segura o riso. O Homem faz sinal positivo, nem se dera conta que não eram profissionais ou veteranos.
HELOÍSA(cochicha rindo) – Não acredito que estamos fazendo isso…
CORTAR PARA :
CENA 4/SÃO PAULO/ TATUAPÉ/HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ORLANDO MOÇA/ORTOPEDIA/NOITE
Sara terminava de discutir o caso com seus residentes e internos.
SARA – Possibilidades, vamos lá.
ALUNO 1 – Hiperparatireoidismo?
SARA – Isso seria por causa primária, os índices de Vitamina D e cálcio estariam diminuídos, além da incidência maior em mulheres.
ALUNA 1 – Mas professora, ele fez radioterapia enquanto criança para um pequeno tumor tireoidiano, isso não poderia ter acometido parcialmente a função glândula paratireóide pela localização posterior a tireoide?
SARA – Poder, poderia. Mas reforço, a gente teria achados no hemograma mais evidentes.
Focar: Heloísa e Suzy entram de fininho pela sala, sem que ninguém perceba e engatinham no chão até embaixo da mesa.
HELOÍSA(Cochicha) – Meu…que surreal, o que estamos fazendo.
SUZY – Como diria os boys maduros gentis que já ficamos…relaxa e aproveita.
Heloísa riu, embora nunca tenha ficado com nenhum garoto a não ser Goram. Mostrar o quanto ela ficou sem jeito.
CORTAR PARA :
CENA 5/SÃO PAULO/ VILA MARIANA/ APARTAMENTO DE ADELAIDE/ INTERIOR/SUITE DE GORAM/MADRUGADA
Goram se recorda de quando ficou com Heloísa no bar do Esteto
Ligar Flashback
Mostrar o quanto ela tentava fugir ao seu olhar, travava ao dançar com ele e até ficara meio incomodada por beber, provavelmente não tivera muito costume.
Desligar Flashback
GORAM – Ah…Nerdzinha porã! Como tu mexeu comigo!
Neste instante ele recebe uma mensagem no whats de Yara:
“Sinto demais sua falta, a vida não tinha sentido sem você”.
CULPA.
GORAM (V.O)- Yara era uma kuña encantadora. Uma parceira de anos. Quantas vezes a ouvi quando ha’e sentira-se mal. Como lutava com ele em prol das injustiça que acontecia com seu povo, sobretudo o genocídio. Seu jeito de jeroky, sua presença sedutora. Mas ele não podia mentir para si mesmo, iludí-la com falsas promessas. Iria esfriar a cabeça e depois responderia. Aliás isso só estava acontecendo por obra de sua mãe, certeza, afinal ele mudara de número desde que perdera o celular no metrô e Tia Adelaide te dera um antigo dela.
Tirou a roupa e pôs a se encaminhar para o chuveiro. Foi então que se recordou.
Ligar flashback.
CORTAR PARA:
CENA 6/ DIA/ SÃO PAULO/ JD AMÉRICA/ MANSÃO DOS MOÇA/ INTERIOR/ SUITE DOS MOÇA
ELOÁ – Pronto filho! Pode vir!
Giovane(Goram) havia aprendido há pouco tempo a andar, ainda usava fraldas, sentiu medo em tomar seu primeiro banho sozinho.
GIOVANE – Mãe! Tenho medo!
ELOÁ – Nada vai te acontecer filho! Eu prometo! Está crescendo, é importante que consiga fazer isso sozinho! Venha! É apenas água!
Giovane se aproximou sem jeito, se apoiando na parede e com ajuda dela entrou no boxe.
ELOÁ – Mamãe vai fechar! Mas vai ficar aqui te assistindo! Há uma bucha ali para esfregar o corpo. Seu shampoo está ali! Vamos, você consegue! Tenho certeza!
O pequeno respirou fundo. Parecia algo de muita responsabilidade. Queria muito continuar na banheira, com ajuda dela
ELOÁ – Isso! Muito bem! Primeiro se enxague!
Aos poucos, ele foi se lembrando dos passos que ela havia te falado mais cedo e foi se entusiasmando com aquela conquista.
GIOVANE – Mãe! Estou aprendendo a tomar banho sozinho!
Ela sorriu emocionada.
ELOÁ – Tá vendo filho? Você é capaz de fazer tudo! Eu estou muito orgulhosa de você!
GORAM (V.O) – Eu jamais me esqueci daquele olhar. Sy.
CORTAR PARA:
CENA 7/NOITE/SÃO PAULO/ VILA MARIANA/ APARTAMENTO DE ADELAIDE/ INTERIOR/SUITE DE GORAM
GORAM – DESGRAÇADO! ANIMAL!
E começou a esmurrar a parede enquanto a água caía em seu corpo.
CORTAR PARA:
A cena de sua mãe morta na cama, seus lábios cobertos de sangue pelas pauladas.
VOLTAR PARA :
GORAM – Eu vou acabar com você! EU VOU TE MATAR! COMO VOCÊ PODE MATAR A NOSSA SY?! A MULHER QUE TE DEU KOVE!
E gritava alto em meio ao choro de soluçar. Themise que passava perto do quarto ouviu os berros e invadiu a suíte preocupada. Goram estava caído no chão do chuveiro, totalmente em transe.
THEMISE – GORAM! Meu Deus, o que aconteceu?
Ele a abraçou quando ela se agachou, não estava totalmente nu.
GORAM – Eu não aguento mais! Themise! Preciso compartilhar essa história! Não sou de ferro! Sou teõ!
THEMISE – Pois me conte, Goram! Conte-me tudo que te aflige! Eu estou aqui!
GORAM (chorando) – Goram não está em São Paulo apenas pelo vestibular de medicina. Estou aqui para um acerto de contas com meu passado! A minha história antes de ser adotado pelos Guajajaras!
THEMISE – Como é a sua história? Que acerto de contas é esse?
GORAM – Eu sou um dos herdeiros da universidade Olímpius!
Themise se choca. Close lento.
THEMISE – O quê? Então você é irmão daquele reitor? Mateus o nome dele não é?
GORAM – Aquele monstro não é meu Ykey ! Goram não considera! Ele assassinou nossos pais e me jogou dentro de um rio a altas correntezas com apenas 5 anos de idade!
A jovem fica horrorizada. Close up brusco. COMPAIXÃO
CORTAR PARA:
CENA 8/SÃO PAULO/ PARAISÓPOLIS/ CASA DOS PEREIRAS/COZINHA/MADRUGADA
Fabiana acorda em meios aos livros em cima da mesa. Havia estudado tanto que dormira em cima deles.
Flashback rápido : Gustavo durante a aula de Enfermagem dando umas observadas nela.
FABIANA (O.S.) – Como ele era lindo! Tinha um jeito meio torto de enxergar a realidade! Era meio molecão! Mas era encantador!
Lembrou-se de quando ele se aproximou no bar do Esteto com todo aquele gingado!
Fim do Flashback.
Foi quando percebeu que a casa estava silenciosa. Levantou-se.
FABIANA – Mãe?
Ela andou pela sala, pelos quartos e estranhou ela ter saído. Olhou no relógio.
FABIANA – Mais de dez horas! Onde será que ela foi?
CORTAR PARA:
CENA 9/NOITE/SÃO PAULO/ MINHOCÃO/ EDIFÍCIO MARIAN/APARTAMENTO 74/ INTERIOR
Carolina respira antes de pressionar a campainha. Um homem alto já idoso abre.
GUILHERME – Eu sabia que você viria, Cacau!
A sessentona entra meio sem jeito. Ela observa a casa, contemplando cada cantinho.
CACAU – Quem diria hein Guilherme! Que um dia eu ficaria frente a frente com o cara que me estuprou e é o pai da minha filha!
Close no rosto arrependido do homem.
CENA 10/ SÃO PAULO/ IMAGENS AÉREAS/ DIA
Imagens aéreas da cidade de São Paulo são mostradas ao som de Tiê Mexeu Comigo. Metrôs lotados na Conceição. Congestionamento na Paulista. Crianças brincando em ruas da Penha. Casais LGBTQIA + saindo de baladas na Augusta, indicando que amanheceu.
CORTAR PARA:
CENA 11/MANHÃ/SÃO PAULO/ PARAISÓPOLIS/ CASA DOS PEREIRAS/ SALA DE ESTAR E COZINHA
Fabiana acorda no sofá com a chegada de sua mãe. Ela se espreguiça cansada.
FABIANA –Mãe? Mãe! Você tá chegando agora da rua?
Mas Caroline não responde, vai para cozinha e puxa a leiteira para fazer café. Fabiana vai atrás dela.
FABIANA – Você vai me deixando falando sozinha? É isso mesmo?
CACAU – Eu passei na casa de uma amiga, fiquei conversando até tarde, perdi a hora! Ué?
Fabiana desconfia.
FABIANA – Que amiga?
CACAU – AA… Fernanda!
FABIANA- Mas você não me disse esses dias mesmo que havia perdido contato com ela, que ela estava morando no Sul?
CACAU – Ela voltou, ué? Está numa quitinete no Tucuruvi!
FABIANA – Numa quitinete no Tucuruvi? Essa história está muito estranha! Mãe! Ela não era podre de rica? Havia casado com um banqueiro?
CACAU – Ai garota! Não me amola! Estou cansada! Não dormi essa noite! Ainda tenho que trabalhar.
E enquanto a água ferve a todo vapor no fogo. Carolina se adentra para seu quarto. Fabiana percebe que está atrasada para a faculdade e cochicha para si mesma:
FABIANA – Dona Caroline…Dona Caroline! Mais tarde conversamos direito sobre essa história! Vou descobrir exatamente o que a senhora está me escondendo!
CORTAR PARA:
CENA 12/ SÃO PAULO/ TATUAPÉ/ CAMPUS UNIVERSITÁRIO OLÍMPIUS/INT. QUADRA 1/ SALÃO/MANHÃ
Mostrar Takes de Vitor treinando vôlei com o time da faculdade. Desfocar. Instrumental explosivo, uma mão rouba a mochila do treinador compenetrado no jogo.
CORTAR PARA :
VESTIÁRIO MASCULINO
Samuel com o rosto cheio de band-aid abre o armário de Vitor e coloca o conteúdo lá.
SAMUEL – Agora você vai se ferrar para valer, Vitor Dos Palmares!
CORTAR PARA :
CENA 13/MANHÃ/SÃO PAULO/ JD. AMÉRICA/ MANSÃO DOS MOÇA/ INTERIOR/ QUARTO DE MATEUS
Mateus está imitando Rita de pé na cama para Bernardo que sentado nela ri alto.
MATEUS(vozinha) – É direito dos trabalhadores, não pode demití-lo, seu desumano! Ai não tenho paciência para bicha de esquerda.
BERNARDO – Ai, amor. Você é ótimo!
Eles trocam um beijo bandido molhado. Mateus olha no celular e vibra.
MATEUS – EU NÃO ACREDITO!!!
E começa a socar travesseiros. Bernardo ri.
BERNARDO – Nossa, que animação toda é essa de repente?
MATEUS – É bom demais para ser verdade! Veja com os próprios olhos essa manchete, amor.
Na mensagem do celular : “Professora drag queen Rita Bernardes puxa movimento dos trabalhadores de limpeza da Universidade Olímpius e poderá ser processada por calúnia e difamação.
BERNARDO – Não…
MATEUS (Rindo) – SIM…Mil vezes sim! Aquela bruaca vai pagar por tudo que me fez. Feitiço virou contra feiticeira. Agora todos sabem que ela não é mulher coisa alguma.
BERNARDO – Chocado, até eu achava que ela era uma mulher cis. Como você descobriu que era uma drag?
MATEUS – Dei meus pulos, há tempos me irrita, precisava de uma carta na manga, apesar dela ter um nome social, nem foi tão difícil descobrir.
CENA 14/ MANHÃ/ SÃO PAULO/ TATUAPÉ/ UNIVERSIDADE OLÍMPIUS/ EXTERIOR
André está lendo sozinho num banco o jornal.
Flash back rápido: mostrar a noite anterior no bar do Esteto. Goram pedindo para ele ajudá-lo, batendo em Romeu mas ele não faz e foge.
Ele olha a manchete do jornal e se choca.
ANDRÉ – Professora Rita é uma drag?
DANDARA – Quem é drag?
Ele leva um susto.
ANDRÉ – Uma professora que me ajudou!
DANDARA – Eu não sei o que esses caras querem imitando mulher? Mano! Querem tirar o protagonismo de nós mulheres, tirar nossa luta de ter nascido mulher e ter sofrido todas as consequências desde cedo. Transsexuais são os piores. Mas…Você tá melhor de ontem? Quando aquele machista escroto te humilhou?
ANDRÉ – Estou sim.
DANDARA (Puxa um papel do bolso e um saquinho do outro, enrola a faz um cigarrinho de maconha) – Você quer?
André fica meio assustado.
ANDRÉ – Não obrigado, eu não uso drogas!
DANDARA – Maconha não é mais uma droga…como falam! Pode viciar, mas não faz mal a ninguém.
De supetão, pai de Dandara aparece. Seu nome era Umberto, um homem alto, alemão, empresário, conservador.
UMBERTO – Mas o que você está fazendo? TIRA ESSA PORRA DA MÃO AGORA? EU NÃO TENHO FILHA DROGADA!
André estremece. Dandara o encara com ódio. Close cigarro no chão.
CENA 15/MANHÃ/SÃO PAULO/ VILA MARIANA/ CASA DE ADELAIDE/ INTERIOR/QUARTO DE GORAM
Themise bate na porta do rapaz e entra com uma bandeja. Ela não o encontra. Confusa.
Ligar Flashback.
Mostrar. Na noite anterior havia servido um chá de camomila a Goram que tinha dificuldades para se acalmar. Ouvira-o atenciosamente e mal conseguira dormir por tudo que ele revelara.
THEMISE (0.S) – Mateus só podia ser um psicopata!
Fim do Flashback.
THEMISE – Goram, acorde! Fiz Hihi! Embrulhei a massa de mandioca em folhas de bananeiras como pede a receita original! Espero que goste!
Entretanto, ao chegar mais perto, percebeu que o índigena não estava embaixo das cobertas. Ouviu seu telefone vibrar na cabeceira.
THEMISE – Ué? Ele saiu e deixou o celular para trás? Onde será que ele foi?
CORTAR PARA:
CENA 16/MANHÃ/SÃO PAULO/ JD AMÉRICA/ MANSÃO DOS MOÇA/EXTERIOR/ CALÇADA
O Protagonista desliza a mão pelo grande portão dourado da propriedade. Emociona-se.
GORAM(V.O.) – O local parece intacto. Parado no tempo!
Flashback rápido. Ainda podia ver ele correndo por aquele gramado brincando de pega-pega com seus pais.
MATEUS – Goram? Que surpresa boa! O que você está fazendo aqui em frente a minha casa?
Instrumental explosivo. Ele se vira petrificado. Estava diante de Mateus e Bernardo, seu cúmplice de anos. Congela.





