Estação Medicina
Capítulo 5
A Galinha dos Ovos de Ouro
CENA 01/ SÃO PAULO/ TATUAPÉ/ REPÚBLICA DOS ESTUDANTES/ QUARTO 12/NOITE
Suzy estava tomando banho quando o chuveiro queima, caindo água gelada em seu corpo. Ela grita. Heloísa, uma de suas colegas de quarto, aparece no banheiro.
HELOÍSA – O que aconteceu? Você está bem?
SUZY – Essa merda queimou! E pior que nem ensaboei o corpo. Vou ter que terminar com essa água gelada.
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CENA 02/ SÃO PAULO/ TATUAPÉ/ REPÚBLICA DOS ESTUDANTES/ CORREDOR TÉRREO/NOITE
Suzy aperta a campainha acompanhada de Heloísa que arruma os óculos redondos. Escutam uns resmungos e um andar arrastado até que a porta se abre.
DONA NOZ-MOSCADA – O que querem a essa hora? Já não acham que está tarde para duas mocinhas estarem fora da cama?
SUZY (Ri) – Quantos anos a senhora pensa que nós temos? 12?
HELOÍSA – Calma Suzy! Viemos aqui Dona Noz-moscada porque a resistência do chuveiro queimou e estamos sem água quente! A Senhora não teria o telefone do zelador ou de algum mecânico?
A senhora resmungou
DONA NOZ-MOSCADA – Vocês me acordam só por isso? Que foi, demoraram muito tempo no banho, né? (Suzy olha com desdém para cima) . Não poderiam ter esperado até amanhã? Aguardem só um minutinho.
Ela entra soltando bufos e depois de alguns minutos retorna trazendo uma resistencia velha empoeirada.
SUZY – Mas que raios é isso?
DONA NOZ-MOSCADA – Aqui não é hotel cinco estrelas, não, minhas filhas. É uma simples república de estudantes.
SUZY – Mas essa mulher só pode estar de brincadeira com a nossa cara.
Heloísa contesta.
HELOÍSA – Dona Noz-moscada, nós não temos curso técnico na área. Como vamos montar?
DONA NOZ-MOSCADA – Isso já não é problema meu. Agora parem de me importunar e vão dormir!
E bate a porta na cara delas. Heloísa fica incrédula. Suzy explode.
SUZY – Por pouco eu não acabei com essa velha. Eu me segurei!
HELOÍSA – Calma. Não ia adiantar nada. E agora como vamos arrumar o chuveiro?
Gustavo que voltava da academia ouvindo e gingando David Guetta se surpreende ao vê-las ali de pijama.
GUTO – O que as gatinhas estão fazendo aqui? Precisam de algo?
HELOÍSA – Você conhece algum contato de um mecânico? Nosso chuveiro queimou e a Dona Noz-Moscada nos entregou essa resistência para colocar no lugar da outra. Mas nós não sabemos arrumar!
GUTO – Caralho! Que coroa lunática, velho! Ela entregou a resistência para vocês assim?
SUZY – Eu não sei como me deixam uma LOUCA tomar conta de uma república de estudantes!
Suzy profere alto a fim de atingir a mulher. Guto toma da mão de Heloísa.
GUTO – Pode deixar comigo, gatinhas. Eu aprendi com meu velho pai. Conserto para vocês.
As duas se olham surpresas.
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CENA 03/ SÃO PAULO/ TATUAPÉ/ REPÚBLICA DOS ESTUDANTES/ QUARTO 12/NOITE
SUZY – Não tem perigo você levar choque, irmão?
Gustavo terminava de arrumar o chuveiro em cima de uma cadeira. Ele a fim de pregar uma peça começa a estremecer, fingindo ter levado choque.
GUTO – Caralho! Desliga essa merda. Vou morrer torrado!
As duas ficam desesperada sem saber o que fazer. Até que ele desce em gargalhada.
GUTO – Brincadeirinha! Prontinho, madames!
Suzy cerra os punhos e avança para aproxima dele. Heloísa a segura por um instante. Ele sai rindo do apartamento.
HELOÍSA – Obrigada Guto!
SUZY – Vontade de socá-lo. Ele quase me matou de susto!
HELOÍSA (abre o chuveiro) – Pelo menos a Dona Noz-Moscada nos deu uma resistência que preste. Desse mal não morremos.
Suzy observe sua imagem no espelho e sente a mesma melancolia de sempre.
SUZY – Sim. Pelo menos desse mal não morremos!
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CENA 04/SÃO PAULO/ VILA MADALENA/ APARTAMENTO DE ADELAIDE/ INTERIOR/COZINHA/NOITE
Goram termina de tomar leite com cereais e não para de pensar nas palavras de Mateus ao abrir a faculdade para os recém chegados.
MATEUS(V.O) – Tem lugar para todos aqui crescerem aqui. Somos privado, somos gratuítos, somos cinco estrelas. Boa vinda a todos, sigam aos veteranos e dinos, estas duas primeiras semana serão apenas de apresentações.
Themise entra na cozinha trazendo o kit bicho. Ela fica chocado ao ver a mão do rapaz enfaixada.
THEMISE – Meu Deus! O que aconteceu com sua mão?
GORAM – Acabei quebrando um copo. Mas depois avisa sua sy que eu reponho sem falta!
THEMISE – Mas você está bem?
GORAM – Estou sim!
THEMISE (ela senta ao seu lado) – Estava terminando de ler o Kit Bixo que peguei emprestado com você, hoje cedo antes de ir na universidade. Essa faculdade é maravilhosa, além de ser um verdadeiro universo com diversos departamentos. Possui muitas atividades extracurriculares! E desde o começo viu? Tem uma olímpiada daqui duas semanas!
GORAM(Curioso) – Eita Porra! Uma olimpíada?
THEMISE – Sim! É mais o povo do sexto que faz tá falando. Cai matérias do ciclo básico e clínico. 100 questões de múltipla escolha para serem realizadas em 3 horas. Dizem que Olímpius sempre conquista medalhas de prata e bronze.
Goram se vira para ela animado, tomando o kit.
GORAM – E de ouro?
THEMISE – Não fala nada. Acredito que não. É um dos eventos mais aguardados no início do ano da faculdade. Dizem que em 2016, a galera que conseguiu pontuação mais alta na história da faculdade ganhou até um passeio de jatinho com homens importantes e investidores internacionais.
GORAM (Mais animado)- Só o filé de Gurijuba! Homens importantes?
THEMISE – Sim! Citam o nome de um tal de Professor Doutor Mateus Pacheco Moça.
Close no rosto malicioso de Goram, o qual vai esbanjando gradativamente um sorriso amarelo. Hugo aparece na cozinha.
HUGO – Thamise você pode me ajudar com o aspirador novo? Não estou entendendo nada.
THEMISE – Claro pai! Já volto Goram!
Themise sai.
GORAM(balbucia) – Agora eu te peguei, seu monstro! Tupã está comigo. Será o começo do teu fim!
Começa a tocar a música de abertura The Hardest Part da banda Coldplay com a transparência de seu olhar determinado se misturando a imagens de São Paulo.
CENA 05/IMAGENS AÉREAS DE SÃO PAULO/ MANHÃ
Imagens aéreas da cidade de São Paulo : Ponte Estaiada. Ceagesp. 25 de Março com seu comércio popular. Zoológico mostrando Girafas comendo folhas as mais altas árvores. Macacos brincando nos galhos e onças-pintadas rugindo para as famílias que ali passavam, indicando que o dia amanheceu.
Legenda : duas semanas depois…
CENA 06/SÃO PAULO/ PARAISÓPOLIS/ CASA DOS PEREIRAS/MANHÃ
Fabiana encontra a mãe chorando na área de serviço, enquanto puxa do varal o uniforme de doméstica.
FABIANA – Mãe! Você está chorando?
Carolina a surpreende com um abraço
CACAU – Você não sabe como me enche de orgulho. Desde que seu irmão morreu, eu não tive nenhuma notícia boa. Agora, minha filha vai ser médica. Irão começar as disciplinas.
Fabiana a abraça forte
FABIANA – E eu te juro mãe! A primeira coisa que vou fazer quando sair da faculdade é te dar uma vida confortável. Você vai pedir demissão em todos esses trabalhos humilhantes! Essa vitória não é só minha.
Carolina a pega na mão.
CACAU – Eu te amo, minha preta!
FABIANA – Eu também, mãe! E saiba que a casagrande surta quando a senzala vira médica! Agora deixe-me ir que ainda tenho que falar com as meninas do basquete.
A jovem sai animada
Exterior da casa
Fabiana é seguida por Guto em seu conversível. Mostrar que ele está INTERESSADO.
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Instrumental de mistério começa a tocar
Caroline retira de uma das gavetas da cozinha a foto de um homem negro que no passado formava junto com ela um casal
CACAU – Por que você tinha que voltar! Por quê?
Fade out instrumental de mistério
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CENA 07/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLIMPIUS/ SALA DE APLICAÇÕES/MANHÃ
Goram terminava de olhar seus rascunhos das principais disciplinas que caem na Olimpíada. Estava abatido. Olheiras. Estômago roncando. Vitor estranhou quando o viu, o jogador de vôlei estava acompanhado de Zeca e Nara.
VITOR – Brother! Você sumiu! Mandei-te mensagens nas redes sociais nas últimas semanas! Chamar-te para tomar um goró na Bar do Esteto. Levar para conhecer a bateria da atlética!
GORAM – Pior né? Foi mal! Eu estava estudando para Olímpiada!
Zeca pergunta com desdém.
ZECA – Você? Um calouro, vai fazer a Olimpíada? Para quê? Não viu nada! Vai errar a maioria das questões!
GORAM – Eu fiz um cursinho pré-vestibular muito bom na minha tyba, aprofundou bem em biologia, depois sempre fui muito curioso, pesquisava muita coisa na internet sobre medicina. Sem contar que nessas duas últimas semanas estudei demais.
ZECA – Para mim, você vai dar com os burros d’água!
Nara percebe a impertinência do amigo com o rapaz
NARA – Muito provavelmente você vai se frustrar, querido. Mas não custa tentar. Assim você vai pegar o estilo da prova e poderá melhorar nos anos seguintes.
Goram sorriu. O Sinal tocou anunciando o início das provas.
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CENA 08/MANHÃ/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLIMPIUS/ ANFITEATRO DE PROCEDIMENTOS/MANHÃ
Dinorah, 56 anos, baixa, cabelo curto, aparentemente simpática, recebeu a turma de mais de 100 alunos animada.
DINORAH – Sejam muito bem-vindos, meus doces. Sou Professora Dinorah, vou trabalhar com vocês no primeiro semestre a disciplina de Práticas de Enfermagem!
Eliane estranhou
ELIANE – Enfermagem? Mas nós não fazemos medicina?
Alguns riram em sua volta. Dinorah explicou
DINORAH – Logicamente vocês cursam medicina, minha boneca. Como você se chama?
ELIANE (cabreira)- Alessandra!
DINORAH – Pois muito bem, Alessandra.Minha disciplina ensinará vocês alguns procedimentos básicos que posteriormente serão de muita utilidade. Principalmente os que desejarem seguir carreira cirúrgica. Vou ensinar vocês a lavar as mãos.
Muitos riram sem entender.
MARCELA – Lavar a mão? Professora?
DINORAH – Sim! Lavar corretamente a mão! Aposto que vocês não sabem fazer a antissepsia correta. A diferença entre assepsia e antissepsia. Há todo um procedimento correto, sempre de distal para proximal, movimentos circulares nos polegares! Irei ensiná-los tudinho.
A sala a olha com desdém.
DINORAH – Mas não ficaremos apenas nisso! Aprenderemos a fazer todos os tipos de cateterismos envolvendo regiões nasais e orais com estômago e intestinos. Manuseios de tipos de agulhas! Amarelas para o subcutâneo. Cinza para o intermuscular. Como colocar luvas cirúrgicas. Ministrar medicamentos. Fazer uma correta traqueostomia.Dentre outros tantos procedimentos amigáveis.Mas agora para começarmos o ano animados!
A sala estava amedrontada depois dessa descrição e ao mesmo tempo animada em pôr a mão na massa. Mostrar isso no rosto dos estudantes. Ela vai até a porta principal.
DINORAH – Façam-me o favor!
Alguns monitores entram trazendo bonecos de procedimentos.
DINORAH – Vamos iniciar fazendo uma simulação!
Ela pede para que eles desçam de seus lugares e se aproximarem dos autômatos
DINORAH – Todos estão prontos?
Eles estranham. Os monitores apagam algumas luzes. Ela dispara um alarme de emergência. Instrumental dramático.
DINORAH(berra) – Andem logo seus incompetentes! Os pacientes estão morrendo! Salvem suas vidas!
Os primeiroanistas se apavoram. Alguns correm de um lado para o outro. Alguns se viram para o lado e perguntam o que devem fazer. Mas a maioria se abaixa e começa a tentar fazer o procedimento. Dinorah passa entre eles.
DINORAH – Tá errado essa merda! Está matando o pobre coitado! Olhe para ela, ela está mais correta que você. Mas vocês são uns lixos mesmos. Não prestam para nada mesmo!
Bárbara, uma jovem loira, baixinha, sai chorando da sala se achando péssima. Passados alguns minutos. Ela desliga o alarme e pede para acender todas as luzes.
DINORAH – Por favor Cíntia e Abel vão atrás da jovem que saiu e tentem acalmá-la! Depois peça para ela falar comigo!
Aqueles que escutam a fala, acham-na bipolar. Ela os tranquiliza.
DINORAH – Acalmem-se meus doces! Isso foi uma simulação do que enfrentarão nos anos de Internato. Não sou médica, mas conheço bem o ambiente. Por isso precisam estar preparados não apenas tecnicamente, mas psicologicamente! Isso que vivenciaram aqui foi uma simulação. Uma amostra. Mas fiquem sossegados. Não sou essa ditadora toda. Talvez só um pouquinho(ri)
GUTO – Só um pouquinho. Seu tamanho engana bem! A senhora é o verdadeiro cão chupando a manga!
Alguns riem de nervoso.
DINORAH (ri estridente) – Sou nada, meu rapaz! Considero até uma das mais boazinhas dessa instituição.
Os alunos estacam. Ela gargalha.
DINORAH – Precisavam ver a cara de vocês! Impagável! Entra ano! Sai ano! É sempre as mesmas carinhas de pânico. Mas não precisam ter! Teremos seis meses praticamente para trabalhar todo o conteúdo! Isso será aprofundado depois em Técnicas Operatórias no sexto semestre e nas vivências no ciclo clínico. Agora sentem-se, vamos ver a teoria sobre técnicas de massagem em reanimação cardíaca. Inclusive em bebês!
Suzy susurra para Heloísa.
SUZY – Que tapa na cara! Encerrou essa simulação praticamente dizendo não subestimem enfermagem.
Heloísa sente falta de Goram na aula.
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CENA 09/TARDE/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLIMPIUS/ RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO
Goram está terminando de almoçar quando avista algumas pessoas da sala que o reconhecem e se aproximam dele. Heloísa se cora ao lembrar da noite que ficaram no bar do Esteto. Marcela quebra o gelo.
MARCELA- Meu Deus um indiozinho, uga-uga. Prazer, tia Marcela.
GORAM(ri) – Eu me chamo Goram Alves! Kunhã!
GUTO – Onde você estava? Brother! Não te vi na aula de Enfermagem!
GORAM – Fui prestar a tal Olimpíada!
Guto não havia lido com detalhes o Kit Bixo
GUTO – Olimpíada?
ANDRÉ- Mas já? Pelo que vi, caem matérias básicas e clínicas! Geralmente é o 5º e 6º ano que prestam! Nós estamos começando agora!
GORAM – Sim! Goram tentou estudar nessas últimas semanas!
Viviane, uma caipirona mato-grossense aparece eufórica e se senta junto a mesa.
VIVIANE- Misericórdia! A comida é danada de boa e por 3 conto! Belisquem-me que eu não tô sonhando!
Marcela a belisca e ela grita alto.
VIVIANE – Ai! Não tão forte assim sua jumenta!
A prostituta quarentona ri.
Vitor aparece e toca no ombro do protagonista.
VITOR – Meu! Você não vai acreditar! Acabou de sair o resultado da Olimpíada em todo território nacional!
VIVIANE – Esse é o veterano que me adotou, gente. Mas ele não faz trote, está me abrigando enquanto arrumo lugar para melhorar.
Todos o cumprimentam. Vitor se cora.
GORAM – Égua moleque, mas já?Que rapidola!
VITOR – É máquina que corrige. Isso é histórico na faculdade! Um aluno primeiranista conquistar o primeiro lugar da Olimpíada! Mano, tu conquistou medalha de ouro!
Instrumental explosivo. Goram se levanta com gosto. Instrumental crescente. Os outros estudantes ouvem tudo calados. Alguns sentem dor de cotovelo. Outros ficam felizes.
GORAM – Tá cheroso? Você tá de brincadeira, só pode maninho! Eu não pensava que conseguiria assim logo de primeira!
VITOR – Não, man! Veja com seus próprios olhos! O Diretor e o Reitor da Olimpius estão extasiados lá na direção da medicina! Querem por que querem te conhecer e parabenizar!
Goram sorri para seus novos colegas e acompanha Vitor
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CENA 10/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLIMPIUS/ DIRETORIA DA MEDICINA/TARDE
Vitor aparece trazendo Goram. Estava um farfalhar de sextoanistas curiosos do lado de fora da diretoria. Zeca encarou o mocinho com cólera. Nara de boné sorriu de orelha a orelha. Renan, um oriental quinto-anista do tênis de mesa o abordou.
RENAN – Cara! Me ensina a fazer essa Olimpíada?
George, um monitor de neuroanatomia e ativista da UJC(União dos Jovens Comunistas) mostrou interesse.
GEORGE – Qual teu segredo, camarada?
Ele manda mensagem no celular para alguém. FOCAR no nome : Professora Rita. Focar na mensagem: “Hoje teremos a manifestação dos funcionários de limpeza juntos a Unidade Classista”
NARA – Mandou muito bem, cara! Inacreditável!
Eles entram
VITOR – Professores! Aqui está Goram !
Mateus se vira e Goram fica frente a frente com seu irmão. Instrumental explosivo. O grande assassino de seus próprios pais. Por um momento sente receio de que ele o reconheça pelo olhar, contudo, depois de uns instantes de silêncio, o capeta irrompe em palavras.
MATEUS – Então você é o garoto que nos conquistou o título de primeiro lugar da faculdade na Olimpíada Med- Seller? Olha! Eu estou sem saber o que te dizer! É Inominável! Chegou a cursar um tempo de medicina em alguma outra instituição antes de vir para cá?
GORAM(nervoso) – Égua Não! Comecei o curso hoje! Ixé Fiquei sabendo pelo Kit Bicho há algumas semanas quando realizei a matrícula presencial na semana passada!
DIRETOR – Mas isso é totalmente fora da curva. Podemos estar diante de um crânio. Mestre! Um crânio!
Mateus o contempla de canto a canto por um instante, Goram disfarça sua náusea, depois Mateus rouba um aperto de mão.
MATEUS – É com muito orgulho que eu digo, seja bem vindo a nossa instituição e as nossas vidas! Muito prazer!
Vitor admira o novo amigo, acha um barato. Diretor esfrega uma mão na outra
como quem achou a galinha dos ovos de ouro. Mateus emana orgulho de dentro. Goram contempla o vilão semelhante o que uma aranha executa a uma mosca presa em sua teia. Profere.
GORAM – Imagina Professor Doutor! O prazer é todo meu!
Voz ecoa.
Instrumental explosivo. Close no seu rosto malicioso e sedento por vingança. Congela.
Fade out
CONTINUA…





