obra escrita por
YAGO TADEU
A
DANÇA DA DISCÓRDIA
Me mate de chorar
Pois minhas lágrimas são fogo
Por que quero te amar?
Se por ti eu quase morro.
A
Dérick entrou na mercearia para comprar os alimentos do jantar. Um tanto tonto quase caiu sobre o balcão de madeira. Vendia-se grãos e carnes na mercearia.
— Preciso comprar um jornal.- se aproximou dos jornais empilhados no balcão.
Sidney o fitou de relance e voltou a limpar com muita cautela o vidro da parte de baixo do balcão.
— Posso ajudar?- questionou o homem pardo de cabelos grisalhos.
— Estes jornais.- espantou-se Dérick – São de 1942.
— O que há de errado com eles?
— O que há de errados com eles?- repetiu indignado – Estamos em 2015.
Sidney jornaleiro deu um sorriso que o intrigou.
— Não, o senhor não está bem.- afirmou o jornaleiro – Estamos em 1942 e nem uma estação a mais que isso.
Confuso Dérick deixou o jornal no balcão, quando lembrou-se de Ítalo e saiu no mesmo instante da mercearia. Passou pela casa de Stephen e chegou á casa de senhorita Emily. Era uma noite de céu negro.
— Ítalo.- abriu a porta com tudo.
— Pai.- Ítalo se levantou da cadeira aliviado.
— Mais cuidado ao entrar na minha casa desse modo.- repreendeu ríspida.
— Vim buscar meu filho.- Ítalo foi puxado para fora da casa por Dérick que não se importou em se despedir.
Ele abriu a porta da frente do carro dando uma última sacada na vila antes de voltar á casa.
— Pai, você está em condições de dirigir?- perguntou sentindo o cheiro de álcool.
— Claro Ítalo.- o pai tentou disfarçar.
— Pai, preciso te contar algo.- Ítalo estava tenso.
— O que?- Dérick esperou o filho falar para ligar o veículo.
— Ela disse que caçaram um cachorro branco e provavelmente doméstico.- Ítalo começou a chorar no mesmo momento – Ela me serviu para comer, eles mataram o Amanhã pai.
— Espera filho, respira.- Dérick não sabia como contornar aquela estranha situação. Limpou as lágrimas do filho que chorava a morte do cão e o medo que havia passado há pouco – Nós vamos embora daqui, eu prometo queira sua mãe ou não.
Ítalo segurou sua mão e prometeu também permanecer forte. Como prometera ao irmão.
O carro passava pelo parque quando Dérick avistou sua esposa.
— Priscila.- chamou desmanchando o sorriso da esposa. Priscila saiu do balanço e veio até o carro. Lisbela e seus filhos continuaram brincando.
— Você trouxe o que pedimos?- indagou notando a ausência de sacolas.
— Não, preciso conversar com você.
— Como não Dérick? O jantar é ás nove e meia.
— Há coisas muito mais importantes agora.
— Depois conversamos Dérick, Ítalo vem brincar um pouco, você parece desanimado.
— Fica Ítalo.- mandou o pai. Priscila fez uma expressão indignada.
— Deixa pai, eu preciso andar um pouco.- Ítalo tomou a iniciativa e abriu a porta do carro.
— Eu sei cuidar muito bem do meu filho.- disse Priscila segurando a mão de Ítalo.
— O que você quer dizer com isso?- indagou lançando olhar de mágoa para a esposa.
Priscila deu as costas para o marido e saiu com o filho rumo ao parque. Dérick deu partida e seguiu á caminho da casa.
— Você está bem Ítalo?- indagou a mãe notando sua expressão aflita.
— Estou mãe.- mentiu o filho.
Andy ia ás alturas no balanço e a irmã permanecia mais lenta. Priscila se aproximou da patroa e lhe contou sobre Dérick.
— Quer ir um pouco no balanço?- perguntou a mãe.
— Quero.- Ítalo sorriu e aceitou para a surpresa de Priscila.
— Anne, pode sair um minuto e deixar o Ítalo ir um pouco? – pediu a mãe os assistindo de braços cruzados encostada no escorregador. Usava um vestido azul marinho e um colar exuberante de pérolas. Estava pronta para o jantar.
— Você gosta de ir bem alto Ítalo?- perguntou Andy no balanço ao lado.
— Um pouco.- respondeu ainda sem conforto perto dele.
— Está pronto Ítalo?- sorriu a mãe ao seu lado. O garoto retribuiu o sorriso – Voa Ítalo! – disse a mãe o empurrando pra cima – Voa Ítalo!- os cabelos do menino se espalharam com o vento. Por aqueles minutos ele sorriu em paz sem se amedrontar ou temer qualquer coisa – Voa Ítalo!- Anne sorriu ao vê-lo feliz enquanto Lisbela empurrava Andy, mesmo que ele não precisasse de ajuda.
— Agora vamos mocinha.- Lisbela radiou suas pérolas na noite escura.
— Nós precisamos ir agora preparar o jantar.- falou Priscila.
— Eles podem ficar aqui.- sugeriu Lisbela – O jantar é para adultos, nós trazemos o lanche de vocês mocinhos.
— Quer ficar Ítalo?- perguntou Priscila, indeciso ele optou pelo sim.
— Se comportem mocinhos.- orientou Lisbela. Priscila se despediu com um aceno.
— Quer brincar de algo novo?- Andy questionou Ítalo com um sorriso entre os lábios.
— Algo novo? Prefiro o balanço.- disse sentindo-se inseguro. Andy sorriu como quem aceita e afirmou com a cabeça.
Dérick já havia tomado banho. Após escolher uma camisa social verde para usar no jantar parecia ter desistido novamente de participar dele. Agora estava com a caixa em mãos. A caixa que Priscila guardava suas antigas cartas, álbuns, recordações e fotos de seu falecido filho. Ainda enrolado na toalha tremia as mãos sentado á cama. Os lábios ressecados em abalo.
— Desculpa Mateus.- se pôs a chorar mais uma vez. Os olhos vermelhos, o hálito forte e a culpa tomando conta dele novamente – Desculpa meu filho.- ele beijou sua foto quando alguém abria a porta da casa e ele as colocou de volta á caixa rapidamente. A escondeu nas malas. Não queria desagradar Priscila ainda mais.
Lisbela girou a maçaneta e lançou um olhar de desagrado á ela.
— Eu já havia o avisado.- Lisbela referiu-se ao carro estacionado em frente á casa.
— Eu vou o avisar.- prometeu Priscila sentindo sua paciência transbordar com Dérick.
— Não se pode estacionar veículos em SweetVillage, existe um estacionamento feito para isso.- avisou Lisbela novamente – Com esse tipo de carro moderno podem roubá-lo. Não havia visto ainda assim.- Lisbela limpou os pés no tapete e entrou. Priscila estranhou seu comentário mas permaneceu em silêncio.
O jantar estava prestes á começar. Pratos de cerâmica branca e listras rosas na mesa. Talheres e garfos lado a lado. Toalha de mesa branca bem estirada. As panelas foram levadas á mesa. O arroz e a salada feitos por Lisbela. A macarronada agridoce feita por Priscila.
Priscila colocou os brincos. Eram andorinhas douradas cintilando em suas orelhas. Uma maquiagem fraca, nada tão exagerado. Não havia trazido o secador ou qualquer outro auxílio. Ela lamentou isso no mesmo momento passando o batom cor de pele nos lábios. Ajeitou o colar de coração com foto abre e fecha. Dentro dele havia a foto do filho. Um colar que não usava há muito tempo.
— Ficou ótimo.- Lisbela surgiu na porta do banheiro agraciada com o vestido rosa água bem claro.
— Obrigado.- Priscila sorriu ajeitando o cabelo – Eles já estão na sala?
— Já.- Lisbela tocou em seus brincos – Já estão sim.
— Então,vamos?- chamou Priscila preparada.
— Vamos.- Lisbela parecia feliz – Nossa noite vai começar.
Priscila saiu e Lisbela bateu a porta do banheiro.
— Vou antes falar com Dérick, mas já vou.- Lisbela concordou e seguiu para a sala.
Priscila abriu a porta e notou Dérick encolhido na cama ainda enrolado na toalha.
— Dérick?- Priscila olhou espantada – Você não está bem.- ela observou.
— Estou apenas descansando.- disse com os olhos pequenos.
— Dérick você estacionou aqui em frente da casa, sabe que não permitem isso.
— Onde está Ítalo?- lembrou-se do medo do filho.
— Está brincando com Andy e Anne.- falou Priscila sentindo o cheiro de álcool.
— Não.- disse com a expressão aflita e desorientada – Não pode deixá-lo com eles.
— Dérick, você bebeu?- Priscila se aproximou mais sentindo claramente o odor – Há anos você não bebia.
— Priscila, me escuta.- pediu colocando as duas mãos em seu rosto – As pessoas desse lugar não são verdadeiras, elas vivem algo que não é real, elas fingem algo que eu não sei explicar.- Priscila se afastou dele – São loucos Priscila. Há algo anormal aqui que eu não consigo entender.
— Dérick por favor.- exausta Priscila colocou a mão no rosto – Vou voltar ao jantar que todos me esperam, se quiser se arrume e vá. Dê uma chance para eles.
Dérick balançou a cabeça positivamente e fechou os olhos avermelhados deitando na cama.
— Ela chegou.- disse Lisbela fazendo todos convidados se virarem para a empregada.
As senhoras a encararam admiradas. Senhorita Emily fez cara de rejeição. Velho Stephen parecia encantado, muito mais do que quando a vira do barco. Os olhos de senhor Edgar estavam deslumbrados. Sidney Jornaleiro foi o primeiro a cumprimentá-la.
— Boa noite senhora.- Sidney apertou sua mão. Vestia um terno branco em contraste com sua cor parda. Seus cabelos eram levemente grisalhos e seus olhos cobiçadores.
— Boa noite Priscila.- Stephen beijou sua mão e ela sentiu um desagradável arrepio.
— Parece uma empregada obediente.- Emily se aproximou com um olhar de desprezo – Mais obediente que algumas outras empregadas suas Lisbela.
— Priscila é a melhor de todas as empregadas.- afirmou Lisbela colocando a mão no ombro de Priscila que parecia sem graça – Isso eu posso afirmar sem dúvidas.
— Onde está seu marido?- perguntou senhor Edgar sentado no sofá.
— Ele está se arrumando.- disfarçou Priscila – Mas logo virá.
Senhor Edgar ajeitou os cachecóis cinzentos e deu um fraco sorriso.
— Bom… vamos á mesa fazer o que realmente vieram buscar aqui,jantar.
— Álem de conhecer sua linda empregada.- falou Sidney. Lisbela o ignorou e Priscila agradeceu puxando a cadeira da mesa.
— Alguns terão que jantar no sofá.- avisou Lisbela olhando para os menos próximos diante das seis cadeiras da mesa.
— Parece delicioso.- disse Sizu e seu gêmeo Gean concordou – Onde estão seus filhos?
— Estão brincando com o filho de Priscila no parque.- Lisbela abriu as panelas.
— Um dia venho brincar com eles aqui.- prometeu o gêmeo magro e o gêmeo gordo sorriu.
— Podem vir.- permitiu Lisbela sentando á mesa – Sidney, vou te pedir um favor.- Lisbela olhou para o jornaleiro que sentava na ponta – Troque de lugar com Priscila.
— Não é necessário Lisbela.- disse Priscila sentada perto da outra ponta da mesa.
— Tudo bem.- Sidney se levantou e foi até o lugar de Priscila.
— Mas, não havia necessidade.- Priscila se levantou e caminhou até a cadeira sob os olhares de todos.
— Eu faço questão. Quero que sente na ponta da mesa, hoje você é o motivo do jantar.
Sidney sorriu e passou o dedo na boca da taça. Stephen parecia incomodado.
— Então dou a permissão, sirvam-se.- um a um conferiram as panelas e pegaram o que mais lhe agradavam.
— Será que seu marido vai aprovar sua nova empregada?- questionou Emily garfando o macarrão.
— Meu marido vai demorar pra voltar.- Lisbela lançou olhar de insatisfação – Não sei onde se encontra Valentino.- Priscila analisou a reação dos outros.
— Nos bares, nas matas, em qualquer lugar que não perto da sua esposa.- ironizou Sidney quando Emily e Stephen esboçaram cínicos sorrisos.
— Valentino é uma pessoa sem rumo e sempre foi.- respondeu Lisbela mastigando o macarrão com prazer.
— Está muito bom o macarrão.- elogiou Stephen. Priscila apenas sorriu ainda acanhada.
— Cuidado pra não comer muito Maysa.- riu Sidney. Senhor Edgar estava na outra ponta e sem perder tempo admirava Priscila de longe de um modo mais ameno que seus colegas.
Maysa balançou a cabeça e olhou para o prato novamente. Maysa estava sempre arrumada mesmo sem ter que ir pra algum lugar. Era muito quieta, mãe dos gêmeos Gean e Sizu. Seu marido ausente ali era mais um que vagava pela mata.
— É, realmente o macarrão não está ruim.- Emily limpou os lábios com um guardanapo – Como se chama esse prato?
— Macarrão agridoce.- respondeu Priscila reprovando no olhar os comentários de Emily.
— É um prato típico da sua cidade?- questionou ainda Emily.
— Não. Não sei dizer sua origem ou onde ele é típico.
Emily bebeu um gole de vinho e deixou de lado as perguntas.
— Florinda não foi convidada?- Priscila quebrou o silêncio – Você não tem amizade com ela Lisbela?
Boa parte dos convidados lançaram olhares desconfiados e Lisbela respondeu:
— Ouvi vagamente falar dela, mas nem sei quem é.- explicou a patroa.
— Cativando amizades Priscila?- sorriu Sidney e ela retribui.
Dérick vestia a camisa social verde em conjunto com a calça jeans. Estava mais calmo e menos desesperado para sair daquele lugar. Talvez tudo isso não fosse uma grande bobagem.
— O jantar teve fim mas a noite ainda não.- sorriu Lisbela gerando expectativa. Ela se levantou da cadeira e foi até a sala deixando um clima de mistério entre os convidados.
Colocou o disco de vinil no tocador. A música romântica teve início. Lisbela empurrou o sofá até encostá-lo na parede.
— Sugiro que escolham seus pares, tanto vocês quanto a música necessitam de dança.- Lisbela estendeu a mão para a ponta da mesa perto da janela – Senhor Edgar, pode me conceder uma dança?
Senhor Edgar levantou receado. Sidney jornaleiro disfarçou um sorriso. Edgar tocou na mão de Lisbela que começou com passos lentos.
— A senhora pode dançar comigo?- indagou Stephen já levantando da cadeira. Priscila tentou fugir com olhares indecisos, mas diante da insistência aceitou.
O velho a levou até o tapete próxima dos outros que já dançavam. Estava apreensiva quando o velho começou a dar os primeiros passos.
— Olhe para trás de mim.- pediu Priscila pra que não dançassem com os rostos colados.
— Não quero olhar para trás.- o velho encarou seus olhos – Eu quero olhar pra você.
…
— Já chega Anne.- reclamou Andy saindo do balanço – Chega de empurrar ele.
Ítalo olhou para os dois ainda sendo empurrado por Anne.
— Deixa eu empurrá-lo.- Anne bateu em sua mão.
— Sai, sai.- Andy puxou Anne a deixando de lado – É a minha vez de brincar com ele.
Ítalo preocupou-se com Anne que sentou no balanço ao lado chorando.
— Agora nós vamos brincar Ítalo.- Andy empurrou o balanço com força.
— Andy mais fraco.- pediu quando Andy usou toda força jogando alto o balanço – Andy pare!
— Voa Ítalo!- empurrou com um olhar sádico – Voa Ítalo!
Ítalo parecia desesperado com as mãos tremendo. Fechou os olhos como se a escuridão do céu fosse o engolir.
— Voa Ítalo!- continuou Andy – Voa Ítalo!
…
Senhorita Emily permanecia sentada e Maysa ao seu lado parecia virtuar.
— Você é mesmo linda.- Priscila rejeitou seu comentário – Você pode passar uma noite lá em casa.
— Eu sou casada.- Priscila não via a hora que a música terminasse – Me respeite, por favor.
— Não parece que é casada.- o velho continuou a olhá-la nos olhos – Onde está o seu marido agora Priscila?- indagou Stephen em seu ouvido.
Dérick franziu as sobrancelhas ao assistir a cena naquele exato momento do corredor. Seus olhos castanhos se piscaram frenéticamente de ciúmes. O asqueroso velho dançava com o rosto colado junto de sua esposa. Apertou as mãos e se segurasse algo o esmagaria naquele momento. Seu maxilar tremeu de raiva e ele não se controlou. Com um impulso foi até o tapete e puxou a mão da esposa a arrancando da dança diante de todos.
— Dérick! Dérick!- Priscila não pôde nem olhar para trás.
— Vem aqui.- Dérick gritou enfurecido – Vem aqui!
Os convidados fitaram atônitos quando ele trancou a porta do quarto.
— Deixem.- ordenou Lisbela olhando pra todos – Tudo se resolverá.
Sidney sorriu para senhorita Emily que parecia contente. Stephen olhava a porta inerte.
— Dérick abra essa porta.- Priscila o olhou com raiva. Dérick guardou a chave no bolso.
— Como você tem coragem de pensar em me trair com aquele velho nojento. – Dérick arrancou sua aliança e jogou pela janela.
— Você é ridículo. – Priscila não acreditava no que fizera – Você é doente.
— Eu sou doente Priscila?- Dérick chegou perto com os olhos arregalados – Você percebe que esse lugar não é normal…
— Nossa vida não é normal Dérick.- retrucou Priscila.
— Esse lugar não é normal, você me vê péssimo e ainda tem tempo pra pensar em me trair?
— E se eu quisesse Dérick?- Priscila colocou a mão na cintura olhando em seus olhos – Não temos absolutamente mais nada há muito tempo, se eu quisesse eu ficaria e não o trairia, porque você não faz mais parte da minha vida.
Dérick lançou um tapa sobre o rosto de Priscila com a fúria sem controle. Priscila levantou devolvendo o tapa com força o jogando contra o guarda-roupa.
— Você não tem o direito de levantar a mão pra mim.- Priscila apontou pra ele quase chorando – Você não tem esse direito – uma lágrima escorreu e os cabelos loiros já estavam desgrenhados e caídos sobre o rosto.
Dérick a olhava com remorso quando ouviu os gritos. Priscila entrou em choque.
Stephen olhou para a porta e os gritos ecoavam. Senhorita Emily levantou-se da cadeira intrigada. Sidney arregalou os olhos e Edgar correu para janela. Lisbela olhou para a porta da casa.
— Ítalo.- reconheceu Dérick quando mais um grito os apavorou.
— Ítalo?- Priscila se desesperou – Ítalo!- os olhos dela se envidraçaram.





