CAPÍTULO 7 
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CAPÍTULO 7 

Escrito por: Alessandro Fonseca22/06/2026 - 20:00

O silêncio depois da sombra foi pesado demais para ser sobrenatural.

Eric foi o primeiro a falar.

— Não é nada do que vocês estão pensando.

Lucas cruzou os braços.

— Então explica.

André estava imóvel.

— Eu também quero ouvir.

Eric passou a mão pelo cabelo, nervoso. Não era medo do vulto. Era medo da verdade.

— Há dois anos… eu me envolvi com alguém.

André não piscou.

— E?

— Não foi simples.

Lucas soltou uma risada seca.

— Não foi simples porque você desapareceu quando as coisas ficaram sérias.

Eric fechou o maxilar.

— Não foi assim.

— Foi exatamente assim.

André virou para Lucas.

— Quem era?

Silêncio.

Eric respondeu antes.

— Rafael.

O nome caiu como pedra.

André sentiu o estômago apertar — não por ciúme apenas, mas pela forma como Eric falou. Havia peso ali.

— Ele era… intenso — Eric continuou. — A gente começou como algo físico. Sem promessa. Sem rótulo.

Lucas interrompeu:

— Mentira. Ele queria mais.

Eric ignorou.

— Eu deixei claro que não estava pronto.

— Você nunca está — André murmurou.

A frase doeu.

Eric continuou, firme:

— A situação saiu do controle quando começaram rumores. Na faculdade. No trabalho. Mensagens vazadas. Fotos que não deveriam existir.

André ficou rígido.

— Fotos?

— Nada explícito. Mas suficientes.

Lucas completou:

— Suficientes para ele virar assunto. Para a família dele descobrir. Para o pai dele expulsar ele de casa.

O silêncio ficou absoluto.

André sentiu o chão mudar.

— Você sabia disso?

Eric hesitou.

Hesitação é resposta.

— Eu fiquei sabendo depois.

— Depois de quê?

— Depois que ele tentou me confrontar. Depois que ele disse que não aguentava mais ser escondido.

Lucas deu um passo à frente.

— E você escolheu sua reputação.

Eric explodiu:

— Eu escolhi sobreviver!

A palavra ecoou.

André ficou pálido.

— Sobreviver de quê?

Eric respirou pesado.

— Minha mãe já estava sendo investigada naquela época. Qualquer escândalo cairia em cima de mim. Eu estava sendo observado. Eu não podia virar manchete.

Ali estava o elo.

Família.
Escândalo.
Medo.

Lucas falou baixo:

— Na semana seguinte, Rafael sumiu.

O ar saiu dos pulmões de André.

— Sumiu como?

— Ninguém sabe — Lucas respondeu. — Oficialmente ele se mudou. Extraoficialmente… ninguém mais viu.

Silêncio.

Um ruído no corredor.

Passos.

Reais.

André virou imediatamente.

A porta do apartamento ainda estava fechada.

Mas havia alguém do outro lado.

Dessa vez não era sombra.

Era presença concreta.

Eric sentiu o sangue gelar.

— Você acha que é ele?

Lucas não respondeu.

Três batidas na porta.

Firmes.

Lentas.

André olhou para Eric.

— Se for… você vai abrir?

Eric encarou a maçaneta.

E pela primeira vez, não parecia apenas assustado.

Parecia culpado.

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