
O silêncio depois da sombra foi pesado demais para ser sobrenatural.
Eric foi o primeiro a falar.
— Não é nada do que vocês estão pensando.
Lucas cruzou os braços.
— Então explica.
André estava imóvel.
— Eu também quero ouvir.
Eric passou a mão pelo cabelo, nervoso. Não era medo do vulto. Era medo da verdade.
— Há dois anos… eu me envolvi com alguém.
André não piscou.
— E?
— Não foi simples.
Lucas soltou uma risada seca.
— Não foi simples porque você desapareceu quando as coisas ficaram sérias.
Eric fechou o maxilar.
— Não foi assim.
— Foi exatamente assim.
André virou para Lucas.
— Quem era?
Silêncio.
Eric respondeu antes.
— Rafael.
O nome caiu como pedra.
André sentiu o estômago apertar — não por ciúme apenas, mas pela forma como Eric falou. Havia peso ali.
— Ele era… intenso — Eric continuou. — A gente começou como algo físico. Sem promessa. Sem rótulo.
Lucas interrompeu:
— Mentira. Ele queria mais.
Eric ignorou.
— Eu deixei claro que não estava pronto.
— Você nunca está — André murmurou.
A frase doeu.
Eric continuou, firme:
— A situação saiu do controle quando começaram rumores. Na faculdade. No trabalho. Mensagens vazadas. Fotos que não deveriam existir.
André ficou rígido.
— Fotos?
— Nada explícito. Mas suficientes.
Lucas completou:
— Suficientes para ele virar assunto. Para a família dele descobrir. Para o pai dele expulsar ele de casa.
O silêncio ficou absoluto.
André sentiu o chão mudar.
— Você sabia disso?
Eric hesitou.
Hesitação é resposta.
— Eu fiquei sabendo depois.
— Depois de quê?
— Depois que ele tentou me confrontar. Depois que ele disse que não aguentava mais ser escondido.
Lucas deu um passo à frente.
— E você escolheu sua reputação.
Eric explodiu:
— Eu escolhi sobreviver!
A palavra ecoou.
André ficou pálido.
— Sobreviver de quê?
Eric respirou pesado.
— Minha mãe já estava sendo investigada naquela época. Qualquer escândalo cairia em cima de mim. Eu estava sendo observado. Eu não podia virar manchete.
Ali estava o elo.
Família.
Escândalo.
Medo.
Lucas falou baixo:
— Na semana seguinte, Rafael sumiu.
O ar saiu dos pulmões de André.
— Sumiu como?
— Ninguém sabe — Lucas respondeu. — Oficialmente ele se mudou. Extraoficialmente… ninguém mais viu.
Silêncio.
Um ruído no corredor.
Passos.
Reais.
André virou imediatamente.
A porta do apartamento ainda estava fechada.
Mas havia alguém do outro lado.
Dessa vez não era sombra.
Era presença concreta.
Eric sentiu o sangue gelar.
— Você acha que é ele?
Lucas não respondeu.
Três batidas na porta.
Firmes.
Lentas.
André olhou para Eric.
— Se for… você vai abrir?
Eric encarou a maçaneta.
E pela primeira vez, não parecia apenas assustado.
Parecia culpado.












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