CENA 01: CANTINA DO SUPERMERCADO, INTERIOR, NOITE.

Olga, Luiza e Miguel estão na cantina do supermercado, tomando um cafezinho e conversando, enquanto Davi está olhando as estantes.

OLGA: – Eu estou muito emocionada em conhecer o Davi, já ouvi tanto meus patrões falarem dele. Realmente, é a imagem e semelhança do João.

LUIZA: – Pode até ser, mas ele é meu filho e eu não admito ser chamada de barriga de aluguel.

OLGA: – Eu não vou te chamar assim porque eu sei que você não foi isso. A Dona Marina e o Seu Ivan estão deslumbrados com o Davi e eu não tiro a razão deles, é uma parte do João que ficou no mundo após o falecimento dele. Só que eu não gosto quando eles desmerecem vocês, afinal vocês desempenharam um papel importante na vida do Davi independente da genética.

MIGUEL: – Que bom saber que a senhora nos entende, até agora ninguém está do nosso lado. É muito triste você criar um filho e depois ser ignorado como pai.

OLGA: – Eu entendo perfeitamente vocês. Já tentei conversar sobre isso, mas eles se revoltaram com a possibilidade de eu apoiar vocês. Na verdade, eu não defendo nenhum dos lados, acho que ambos têm direitos sobre o Davi.

LUIZA: – Como assim? A senhora não disse que estava do nosso lado?

OLGA: – Bem, eu estou, mas também estou do lado da Dona Marina e do Seu Ivan.

MIGUEL: – Não existe defesa dividida, a senhora tem que escolher um lado!

OLGA: – Numa situação especial como essa, você não acha que se abre uma exceção para defesa? Eu acredito que ambos os casais têm direitos sobre o Davi porque vocês geraram, criaram e amaram, mas o Davi tem os genes da Marina e do Ivan e é irmão gêmeo do João, então não dá pra ignorar que os dois casais são importantes para a vida do Davi.

LUIZA: – A senhora é livre para suas decisões, mas a meu ver, os laços de afeto são muito mais importantes que os laços da genética.

OLGA: – E quem disse que a Marina e Ivan não tem afetividade pelo Davi? Eles amam essa criança sem sequer ter passado um dia inteiro com ela!

MIGUEL: – Eles estão levando essa situação como se fossem brigar na justiça por um móvel, um objeto, uma coisa qualquer.

OLGA: – Não mesmo, eles amam o Davi como amavam o João, é um amor inato de maternidade e paternidade. Enfim, eu preciso continuar as compras e voltar à mansão. Eu espero, de verdade, que as duas famílias se entendam e entrem em paz, pelo bem do Davi.

Olga se despede de Luiza e Miguel e segue fazendo suas compras, assim como o casal, que fica balançado após a conversa com a governanta.

CENA 02: MANSÃO DA FAMÍLIA TRAJANO, QUARTO DE HELOISA E RICARDO, INTERIOR, NOITE.

Ricardo está deitado na cama, apenas de cueca, e Heloisa sai do banheiro do quarto, com uma linda lingerie clara. Eles sorriem um para o outro e ela senta na cama ao lado do marido.

RICARDO: – Você tá linda, Heloisa!

HELOISA: – Nós passamos por tantas tensões nos Estados Unidos, agora precisamos relaxar né? E tem lugar melhor pra relaxar do que nos braços de quem se ama?

Ricardo sorri e beija intensamente Heloisa, deitando-a na cama e tirando vagarosamente a lingerie, sem parar de beijar. Ricardo e Heloisa têm uma romântica e ousada noite de amor, entregando-se um ao outro após tantos momentos difíceis.

CENA 03: PENSÃO TITITI, QUARTO DE PAULA E VANESSA, INTERIOR, NOITE.

Paula e Vanessa conversam, cada uma em sua cama, apenas com o abajur ligado no bidê entre ambas.

VANESSA: – Então, o cara é rico mesmo?

PAULA: – Rico é apelido! Ele deve ser bilionário se bobear! Eu nunca vi uma mansão tão grande e luxuosa, nem em filme de Hollywood!

VANESSA: – Ai mãe, também não exagera né!

PAULA: – Filha, se você conseguir engravidar desse homem, a gente tá feita na vida! Adeus trabalho, adeus pensão da Antonia, adeus vila miserável! Com o dinheiro da pensão alimentícia, nós vamos ter uma vida de madame que vai dar inveja até nas madames!

VANESSA: – Tomara mesmo, mamãe, tomara! Você começa quando?

PAULA: – Amanhã mesmo, já tô pronta pra pegar a primeira leva de camisinhas.

VANESSA: – Já? Mas não vai esperar um tempo?

PAULA: – Esse negócio de “quem espera sempre alcança” é coisa de música infantil, minha filha, eu vou é correr atrás do nosso futuro! Uma oportunidade dessas é de uma em um milhão.

Vanessa concorda, ainda receosa com o plano. Paula vai dormir, sonhando com o futuro.

CENA 04: MANSÃO DA FAMÍLIA AMORIM, INTERIOR, MANHÃ.

Marina arruma a gravata de Ivan na sala da mansão quando a campainha toca. Olga vai atender e se surpreende: era Clara.

OLGA: – Meu Deus, eu não acredito! É você, Clara?

CLARA: – Sou, Dona Olga. Não mudei muito né?

Olga sorri e abraça Clara. Marina e Ivan ficam contentes com a presença da ex-nora, que logo entra na mansão e abraça os ex-sogros. Todos sentam no sofá, enquanto Olga vai preparar um café para eles.

CLARA: – Desculpem, eu demorei a aparecer né? O trabalho no hospital é muito corrido, acabei não tendo como vir antes. E como vocês estão? Que saudades!

IVAN: – Estamos bem, Clara. Saudades de você também! Continua a mesma linda e simpática de sempre. Fico feliz em saber que se formou em Medicina e trabalha aqui em Curitiba. Não quis ficar em São Paulo? Lá é uma cidade muito promissora nesse ramo.

CLARA: – Pois é, mas eu não consegui vaga por lá e eu recebi uma proposta de emprego em Curitiba, aí não quis recusar, já que é minha cidade natal. E você, Marina, resolveu aquele caso do menino?

MARINA: – Apesar de você não querer me ajudar, eu consegui resolver sim. Essa semana terá a primeira audiência no fórum com a outra família.

CLARA: – Eu não ajudei porque isso infligia a ética médica, não fique brava comigo. Eu torço para que a justiça seja feita. Bom, eu vejo que a casa não mudou muito.

IVAN: – Algumas coisas continuam iguais, outras a gente mudou. Faz parte! O quarto do João não existe mais. Preferimos doar as roupas e móveis aos mais carentes e fechamos o cômodo, não é usado pra nada.

CLARA: – Entendo, fizeram bem, pois remoer o luto não é nada bom. Eu ainda tenho aquela lembrancinha que vocês me deram do João. Poxa, eu sinto tanta falta dele, parece que foi ontem que a gente se conheceu!

Marina e Ivan concordam e Olga entra na sala com uma bandeja de café, servindo a todos e sentando no sofá para conversar com Clara também.

CENA 05: PENSÃO TITITI, INTERIOR, MANHÃ.

Antonia reuniu todos os moradores na pensão na sala, pois notou o roubo do dinheiro.

ANTONIA: – Eu havia deixado embaixo do vaso de flores várias notas de reais, que somavam cinquenta reais. Eu quero saber quem foi o petulante que roubou!

Um silêncio perdura na sala. Vera está tensa, pois teme ser descoberta.

ANTONIA: – Ninguém se manifesta né? Ok, sem problemas! Saibam que esse dinheiro era pra pagar o alarme que eu instalei nas portas da frente e atrás da pensão, eu tinha pegado um pouco de cada aluguel pra pagar o serviço de instalação, pois agora eu vou cobrar de novo! Vamos lá, todo mundo desembolsando cinco reais!

PAULA: – Ah não, Antonia, isso não é justo! Pagar pelo roubo dos outros!

ANTONIA: – Para de mendigar, o que são cinco reais? Que avarenta!

VERA: – Se o Gean tivesse pago o aluguel do mês, ninguém estaria passando por isso agora.

Gean fica corado com a acusação e Antonia fica sem-jeito com os bochichos que começam entre os moradores.

ANTONIA: – Deixa de ser intriguenta, Vera! O Gean pagou o aluguel sim!

VERA: – A senhora cobrou de mim e não cobrou do Gean, que estava sentado do meu lado no sofá da sala. A senhora nunca deixou de cobrar o aluguel de ninguém, porque deixou do Gean? Agora a gente vai pagar pelo roubo de alguém e pelo aluguel dele?

GEAN: – Eu paguei o aluguel depois, tive que sacar do banco.

PAULA: – E desde quando um zé-povinho como você tem conta em banco?

ANTONIA: – Calem-se, seus baderneiros! A discussão tomou outro rumo, parem com isso. Deem os cinco reais logo ou não tem alarme mais!

VANESSA: – De que adianta pôr alarme se o ladrão tá dentro da pensão? Sim, pra roubar dinheiro do vaso de flor, tem que ser algum morador daqui!

ANTONIA: – Tem razão, Vanessa, mas eu vou dar um jeito de descobrir. Só que os alarmes já foram comprados, só falta instalar, vamos encaixotar os alarmes? Vocês que sabem, o dinheiro da compra saiu o aluguel de vocês mesmo…

Todos cochicham e resolvem pagar, revoltados com a situação. Vanessa está intrigada com a acusação de Vera, pois notou uma reação estranha entre Antonia e Gean na frente de todos.

CENA 06: MANSÃO DA FAMÍLIA TRAJANO, INTERIOR, MANHÃ.

Heloisa está recebendo Paula na sala, que já veste o uniforme de empregada. Ela dá as ordens para Paula, que escuta tudo com atenção para não errar nada e garantir seu emprego. Logo, Ricardo desce as escadarias da mansão, vestindo seu terno e com sua maleta de trabalho. Paula se encanta com o homem, achando-o belíssimo e com estampa de rico. Ricardo se aproxima dela, sorridente, e cumprimenta-a com um aperto de mão.

RICARDO: – Seja bem-vinda, Dona Paula. Espero que seja positivo o resultado do seu teste como substituta temporária da nossa governanta.

PAULA: – Obrigado! Estou precisando muito desse emprego.

RICARDO: – Ok. Bom, Heloisa, eu preciso ir agora pra Araucária. Volto de madrugada apenas, mas aí você me dá o resultado do serviço.

HELOISA: – Tá bom, meu amor, faça boa viagem!

Heloisa dá um beijo em Ricardo e Paula observa com inveja, imaginando Vanessa no lugar de Heloisa. Logo, ele sai da mansão para sua viagem.

PAULA: – Ele não trabalha em Curitiba?

HELOISA: – Não, a refinaria de petróleo fica numa cidade vizinha. Bom, pode começar o serviço. Qualquer coisa, é só me chamar ou pedir para as outras empregadas.

Paula compreende e começa a trabalhar. De tempos em tempos, ela pausa o serviço para mexer nos objetos de valor e observar os porta-retratos.

CENA 07: CASA DA FAMÍLIA AMARAL, INTERIOR, TARDE.

Luiza está chegando do trabalho, muito cansada. Davi entra junto, com a mochila nas costas, voltando da escola. Ele senta no sofá, enquanto ela vai beber água.

DAVI: – Mamãe, eu tenho uma pergunta pra te fazer!

LUIZA: – Faça, querido. Só que se for muito difícil, a mamãe tá cansada pra explicar.

DAVI: – Acho que não é difícil… Porque aquelas pessoas que se encontram comigo na rua, ficam chorando e me abraçando? Você e o papai ficam bravos, conhecem eles?

Luiza fica aflita com a pergunta e não sabe o que falar. Ela põe o copo na pia e senta ao lado do filho no sofá, pegando nas mãos dele.

LUIZA: – Filho, essas pessoas acham você muito parecido com um parente deles. Por isso aquela mulher te chamou de filho, mas a sua mãe sou eu.

DAVI: – Mas eu sou tão parecido assim? Que eu saiba, pessoas tão parecidas assim só podem ser gêmeas. E que história é essa de eu ter um irmão?

LUIZA: – Eu já te falei, essas pessoas estão confundindo o parente deles com você. Não se preocupe, isso é assunto de gente grande. Eu e seu pai já estamos resolvendo isso.

DAVI: – Que bom! Só falta essa gente doida querer me separar de vocês. Eu não fico longe de vocês nunca!

Davi abraça Luiza, que se emociona com o amor do filho.

CENA 08: REFINARIA PRESIDENTE GETÚLIO VARGAS REPAR, ARAUCÁRIA PR, EXTERIOR, TARDE.

Ricardo caminha pela refinaria, checando todos os funcionários e recebendo os dados da petroquímica no período em que esteve em Boston. Ele trabalha incansavelmente, pois ama o que faz e precisa pôr em ordem a refinaria. No ponto mais alto do local, ele observa a imensidão da refinaria e lembra-se de Pietra.

RICARDO: – Oh minha filha, eu vou realizar todos os seus sonhos no tempo que lhe resta. Nas próximas férias, eu vou levar você pra conhecer a neve. Se Deus permitir! E eu que sonhei em te ver adulta e construindo sua vida, mas isso nunca vai acontecer… Acho que eu e a Heloisa podíamos tentar ter outro filho, talvez isso compensaria a falta que a Pietra nos fará um dia.

Ricardo fica pensativo na vontade que surgiu em sua mente, seguindo seu trabalho no município de Araucária.

CENA 09: CLÍNICA DE DR. VITOR, INTERIOR, NOITE.

Dr. Vitor está saindo da clínica, quando passa pela recepção e sua secretária entrega uma carta da justiça. O geneticista fica tenso, abre o envelope e lê.

VITOR: – A primeira audiência pela guarda do garoto será essa semana e eu estou sendo intimado a depor. Já não basta a humilhação de ir ao Conselho Regional de Medicina ontem, agora terei que ir ao fórum. Vontade de sumir da face da Terra!

Dr. Vitor sai depressa da clínica, muito nervoso.

CENA 10: PENSÃO TITITI, QUARTO DE PAULA E VANESSA, INTERIOR, NOITE.

Vanessa está sentada na cama, lixando as unhas. É quando Paula chega, com dor nos pés e nas pernas, caminhando com dificuldade até a cama e deitando nela.

PAULA: – Ai, estou exausta! Fazia tantos anos que eu não fazia faxina numa casa, meu trabalho de manicure me deixou cômoda.

VANESSA: – E a ricaça? Gostou do serviço?

PAULA: – Ela não disse nada, só amanhã. O maridão precisa analisar!

VANESSA: – E aí, você o conheceu? Como ele é?

PAULA: – Conheci, minha filha! Ai, que loucura! É um Deus grego! Parece ator de novela de tão lindo! Aqueles olhos azuis, senti um frio na espinha!

VANESSA: – Nossa, mas é tudo isso mesmo, mãe?

PAULA: – Tudo isso e muito mais, esse pé rapado do Gean não chega aos pés do Ricardo Trajano! Aliás, eu descobri que ele trabalha numa refinaria de petróleo em Araucária, uma cidade vizinha a Curitiba.

VANESSA: – Ah, então a suspeita da Vera era verdadeira! Sabe, você fazendo esses elogios, até me deu vontade de conhecer ele!

PAULA: – Se você não fosse tão besta em achar que transar com homem pra engravidar fosse prostituição, você teria o Ricardo em suas mãos facilmente! Ou você acha que um partidão daqueles fica dias trabalhando em outra cidade sem mulher nenhuma? Ah, me poupe né!

VANESSA: – Tá bom, mãe, tá tarde pra ladainha hoje… Vou dormir!

PAULA: – Vai nada! Primeiro, você vai dar início ao nosso plano! ela abre a bolsa e tira um envelope, entregando a filha. – Aí dentro tem uma camisinha, vai lá no banheiro e… Bom, você sabe né! Se “insemina”, como diz a Vera.

VANESSA: – Ai mãe, não sei se eu tenho coragem… Sei lá, é nojento!

PAULA: – Eu não me matei trabalhando hoje pra você ficar com frescura! Vai logo!

Vanessa fica dividida, mas obedece a mãe. Ela vai até o banheiro da pensão, aproveitando a pouca movimentação, se tranca e tenta se “inseminar”, toda atrapalhada e nervosa.

CENA 11: DIAS DEPOIS.

Luiza, Miguel, Marina e Ivan se preparam para a audiência no fórum com seus advogados. Heloisa e Ricardo aprovam Paula, que segue trabalhando na mansão e roubando as camisinhas usadas do patrão, levando para Vanessa fazer a inseminação caseira. Antonia ainda não descobriu qual dos moradores roubou o dinheiro, mas resolveu armar uma arapuca com uma ratoeira, para pegar o morador ladrão. Pietra começou o tratamento para os problemas de saúde que desenvolveu devido ao câncer.

CENA 12: FÓRUM, SALA DE AUDIÊNCIA, INTERIOR, MANHÃ.

Luiza e Miguel entram na sala do fórum com Dr. Samuel, seu advogado. Eles sentam a direita da mesa. Logo, Marina e Ivan entram com Dr. Bruno, seu advogado, e sentam a esquerda da mesa. Os casais trocam olhares, enquanto os advogados analisas seus papéis. Pouco tempo depois, Meritíssimo Armando entra na sala. Todos ficam em pé, em respeito ao juiz da Vara de Família de Curitiba. Após o juiz sentar, todos os demais também sentam.

ARMANDO: – Está aberta a sessão.

Meritíssimo Armando bate com o martelo da justiça, dando início a disputa judicial das famílias Amorim e Amaral pela guarda de Davi.

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