Estação medicina
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on tumblr

ESTAÇÃO MEDICINA

CAP 26

Pelo rabo do Tatu 

FADE IN

CENA 01/SÃO PAULO/JD AMÉRICA/MANSÃO MOÇA/INTERIOR/SALA DE ESTAR/NOITE

Mateus o fitava desesperado.

MATEUS – O que você está dizendo, amor? Que brincadeira de mau gosto é essa?

Goram encarou sério Bernardo que continuou.

BERNARDO – Não é brincadeira, amor. Eu realmente estou cansado de viver essa vida de aparências, sei que tenho conforto, tenho você, mas há tempos que sinto que nossa relação vem desgastando.

Goram bateu palmas em silêncio de longe.

MATEUS – Não é possível! ISSO NÃO É POSSÍVEL!

E desesperado, o vilão começa a quebrar seus vasos na frente de todos. Akiko sente receio do homem.

MATEUS – Como é que você pode fazer isso comigo? Depois de anos que estamos juntos? Você jurou a mim que ficaríamos para sempre juntos, um do lado do outro, fizemos um pacto de sangue depois de um ano de namoro lá na nossa adolescência…

Bernardo se sentiu mal. Ficou em silêncio. Goram fez sinal de longe para ele por logo um fim naquilo.

BERNARDO – Eu sei, mas os tempos mudam…

Mateus chorava.

MATEUS – Que dor! Como você me fala uma coisa dessas ? E agora pouco me dizia que me amava…

BERNARDO – Eu tava mentindo de novo para mim mesmo, desculpe.

Mateus se vira para ele revoltado. Suava.

MATEUS – Tem outra né? Tem outra piranha na área? Quem é? É aquela franguinha que você trouxe aqui? É aquela vagabunda outra vez?

BERNARDO – Não é ela, não tem ninguém!

Mateus se revolta ainda mais e parte para cima dele o jogando no sofá, começa a dar murros e pontas-pés.

MATEUS – PARE DE MENTIR! PARA! VOCÊ NÃO IA TROCAR TUDO ISSO SE NÃO TIVESSE ALGO AINDA MELHOR!

Bernardo sofria com os pontapés. Akiko olhou atônito para Goram que ria disfarçadamente da situação.

BERNARDO – PARA! PARA!

MATEUS – COMO VOCÊ PODE FAZER ISSO COMIGO? ME DEIXAR DEPOIS DE TUDO QUE VIVEMOS JUNTOS?

Bernardo jogou Mateus no chão, conseguindo escapar ofegante. O vilão, no chão, estava sem forças para levantar, só chorava, berrava de desespero.

BERNARDO – Eu sinto muito pelas coisas terem terminado assim, mas eu não podia continuar, eu não podia…

E retirou com muito pesar o anel de noivado, deixando na cabeceira de um mesinha.

BERNARDO – Eu volto amanhã para buscar minhas coisas…

Goram acenou fazendo joia para ele que o devolveu com um olhar de náusea. Mateus batia no sofá feito criança, Bernardo saiu abrindo a porta. Goram malicioso se jogou num sofá sorridente.

Mateus soluçava.

MATEUS – POR QUÊ ELE FEZ ISSO COMIGO? O que eu fiz para ele além de dar carinho e amor?

Instrumental crescente, Goram se esgueirou como uma serpente o abraçou cínico de lado, sentado a seu lado.

GORAM – Eu sinto muito, Matt. Goram ficou muito py’andýi com a decisão do Doutor Bernardo, você não merecia passar por isso, que situação!

Mateus se largou nos braços dele, Goram fez cafuné, em determinado momento, os olhos do indígena encontraram o de Akiko que o olhava impressionado. Instrumental explosivo.

CENA 02/SÃO PAULO/TATUAPÉ/HOSPITAL ORLANDO MOÇA/ INTERIOR/ENFERMARIA DE TRAUMATOLOGIA/NOITE

André está assistindo uma série numa televisãozinha de teto quando se recorda de Romeu.

Ligar flashback rápido: André se recorda de Romeu andando com aquele cara alto, ambos brancos, na área externa da universidade. Casal homossexual perfeito e padrão. Focar na feições de Romeu, porte atlético, olhos claros, cabelo moreno, atleticano, popular. Mostrar André de longe o encarando apaixonado e vidrado.

Desligar flashback. André se emocionava e sentia nojo de si mesmo pela cor, pelos braços e pernas finas, sua canela! Mostrar isso pelas expressões faciais que ele fazia quando se olhava.

Ele vê então uma reportagem na televisão sobre bomba e uso de anabolizantes e mesmo a reporte reafirmar: “Isso mata”. Seus olhos ficam fascinados diante aquela oportunidade.

CENA 03/SÃO PAULO/BIXIGA/APARTAMENTO DE JOSÉ/INTERIOR/QUARTO DO MEIO/NOITE

Marcela terminava de colocar lençol de cama.

MARCELA – Eu sinto muito de não conseguir te abrigar melhor, numa cama que não estava sendo ocupada com tanta tranqueira em cima!

FABIANA – Imagina, amiga. Eu só tenho a agradecer você por ter me ajudado e ao…José né?

MARCELA – Isso, José! Mas pode chamar Zé.

FABIANA – E ao Zé também. Sem vocês, eu teria que ir para minha casa e engolir mais esse sapo, sem ter essa oportunidade de provocar essa reflexão na minha mãe.

MARCELA – Imagina, eu vou tomar um banho agora e depois conversamos mais. Você costuma beber, tem um vinho do porto antigo aí, Zé ganhou de um amigo, mas ele detesta vinho e eu não tenho coragem de tomar sozinha.

Fabiana riu.

FABIANA – Te acompanho, miga.

Marcela sorriu e sumiu no corredor. Fabiana se sentou na cama e ligou o celular, percebeu que havia muitas ligações, inclusive de Guto. Ela sentiu saudades.

LIGAR FLASHBACK RÁPIDO: Mostrar Guto encontrando Fabiana na estação de metrô, ela fugindo dele e ele a prendendo na parede e roubando um beijaço inesquecível. CALOR.PAIXÃO.PROIBIDO.

Desligar flashback. Ela riu, levou o celular junto ao peito, apertou forte.

CENA 04/SÃO PAULO/MARGINAL TIETÊ/NOITE CHUVOSA

Com a roupa encharcando, ela corre apressada sobre as poças d’agua, estava com frio, semblante amedrontado e perdido. Solitária, Heloísa encontrou um abrigo, embaixo de uma marquise embaixo de uma árvore, o temporal que começava era forte. Farol dos carros ofuscava sua visão. Sofria.

CENA 05/SÃO PAULO/CENTRO/APARTAMENTO DE ARAPONGA/INTERIOR/SALA DE ESTAR/INTERIOR/NOITE CHUVOSA

 Araponga abriu a porta às pressas, Bernardo estava cabisbaixo, correu a abraçá-la.

ARAPONGA – Oh, homem de Deus! Não fica assim…

Ele se desmontou na frente dela, ela tentou puxá-lo para dentro.

ARAPONGA – Égua mãe! Me ajuda, né? Um porrudo desse não aguento levar não!

Bernardo a abraçou e se arrastou quitinete a dentro.

BERNARDO – Minha vida acabou, Araponga. Goram acabou comigo.

ARAPONGA – Eu não consigo entender como aquele curumim virou o jogo? Havíamos descoberto tudo sobre a tembiasakue dele. Estava por um triz daquele corno de seu ex-noivo descobrir.

BERNARDO – Ele fez uma filmagem!

ARAPONGA – Que filmagem?

Bernardo fechou a porta e pediu que ela se sentasse na cama, sentou-se ao lado dela.

BERNARDO – Eu cometi um crime.

ARAPONGA – Sim, Araponga sabe, aquele assassinato do passado de Goram…

BERNARDO – Não estou falando deste, estou falando de um mais recente, escute, confie em mim?

ARAPONGA – Leseira Baré! Lógico que confio em ti, tu é meu porã galalau.

BERNARDO – Pois muito bem, uma ex-empregada lá de casa acabou descobrindo a minha participação e a de Mateus neste crime de passado, passou a me chantagear, ameaçar, eu acabei arquitetando a sua morte.

Instrumental catastrófico fraco. Araponga esbugalhou os olhos, surpresa.

ARAPONGA – Continue…

BERNARDO – Goram me seguiu e filmou tudo às escondidas.

Instrumental catastrófico forte. A face de Araponga se transformou instantaneamente.

ARAPONGA – O que é  Bernardo está dizendo?

BERNARDO – Isso mesmo que você ouviu! Ele descobriu tudo, teve a pachorra de me mostrar o vídeo na televisão da mansão e me obrigou a separar de Mateus.

Araponga se levantou irada.

ARAPONGA – Mas quem esse anã retã, pensa que é, para fazer isso com você? Mas que vontade de dar na cara dele, porã, o que ele quer, Bernardo?

BERNARDO – Assumir o meu lugar, aproximar-se de Mateus, não sei. Ele tá sedento de vingança, eu vi nos olhos dele, ele é psicótico, sádico, ele tava se deliciando do meu sofrimento, você precisava ver.

ARAPONGA – Borra-Botas! Vontade de dar uma bisga na fuça dele!

BERNARDO – Mas eu não posso deixa-lo vencer, eu corro perigo, Mateus corre perigo!

ARAPONGA – E eu, Bernardo e nós?

Bernardo se aproxima dela, beijando-a.

BERNARDO – Oh, minha Araguaia! Você sabe que eu penso sobre nós, vamos construir uma vida juntos, quando tudo isso acabar.

ARAPONGA – E quando isso vai acabar? Araponga não nasceu para ser amante. Admiro você ter me deixado a par disso desde o começo, mas isso cansa, disse que iria ser tesoka’y e conseguir alguns bens, zarpar fora, mas não vejo movimento seu para isso, você parece que quer voltar a ocupar a posição de noivo desse broeiro.

BERNARDO – Eu não quero, mas preciso, financeiramente ainda sou muito dependente dele. Tenho o carro que está no meu nome, alguns milhares de dólares que coloquei num paraíso fiscal, porque não sou bobo, mas só.

ARAPONGA – E tu não acha que com isso podemos recomeçar?

BERNARDO – Eu não estou te entendendo, mulher. Pensei que quisesse acabar com Goram tanto quanto eu.

ARAPONGA – Pois Araponga quer.

BERNARDO – Então pronto. Vamos ter nossa vida, mas antes precisamos virar esse jogo contra o Goram. Agora, vamos comer algo, estou com fome. Quero espairecer também, mudar os ares. Tô pensando em passarmos no Burguer King na Marginal Tietê.

ARAPONGA – Vamos, amor.

E eles saem da quitinete, batendo a porta.

CENA 06/SÃO PAULO/JD AMÉRICA/MANSÃO MOÇA/INTERIOR/SALA DE JANTAR/NOITE CHUVOSA

Aposento iluminado apenas com luz de velas. Na cabeceira, Mateus com olhar perdido e triste deixa as lágrimas escaparem do rosto, enquanto Goram o observa satisfeito dando colheradas em seu prato.

GORAM – Não fique assim, Mateus não merece!

Mateus virou de leve a cabeça e Goram limpou as lágrimas do vilão com seu indicador.

GORAM – Tu vai dar a volta por cima! Eu sei que vai!

Mateus sorriu meigo e acariciou as mãos do jovem que escondeu sua náusea tentando nascer pela rima da boca pelo seu olhar.

Catarina entra trazendo sobremesa.

CATARINA – Fiz pudim de doce de leite, Seu Mateus, sei que o senhor gosta.

MATEUS – Obrigado, querida. Você quer, Goram?

GORAM – Eu adoraria, mas Goram preciso ir, ko’ero tenho muitas provas, mas volto aqui de noite para nossa aula de inglês.

Ele limpa a boca com o guardanapo. Mateus o segura e o faz um pedido.

MATEUS – Dorme aqui essa noite!

Instrumental crescente, a face de Goram se transforma em contentamento, ele esconde o deboche nos lábios.

GORAM – Que convite mais chúko, não tem como eu recusar, mas ange não dá para mim, talvez amanhã.

MATEUS – Eu sou o sócio majoritário daquela instituição, mudo a data da suas provas, justifico.

GORAM – Égua! Nada disso! Goram é uma pessoa honesta, Mateus, direitos iguais a mim em relação aos outros estudantes, mesmo Goram tendo essa oportunidade de intercâmbio e representar a instituição em muitas tendas, sou um estudante de pohãnohara como qualquer outro.

MATEUS – Ai Goram, vejo você olhando assim e fico pensando que você ainda vai viver muito para entender que o mundo é dos espertos, mas admiro a sua postura moral, por ora o meu dinheiro possa não soar atrativo aos seus olhos, mas certamente em algum momento irá, porque ele dita as regras do mundo.

Goram estranha aqueles dizeres.

GORAM (V.O) – Cara de pau! Roubou tudo que era dos nossos rus depois que teve a pachorra de mandar mata-los e agora diz que o seu pirapire, suas notinhas, pode servir para me aproximar dele? Quem tem muito que viver é ele, que nem desconfia que voltei para acabar com sua vida!

Ele se levanta, Mateus faz o mesmo.

MATEUS – Amanhã te aguardo, por favor venha.

GORAM – Eu irei.

MATEUS – Peço para meu motorista de levar em casa e é claro te acompanho.

GORAM – Imagina, ani precisa.

MATEUS – Faço questão.

Goram fingiu sorrir e Mateus o roubou um beijo na bochecha. Assim que Mateus saiu, ele limpou com as mãos visceralmente e com uma cara de asco completa. Instrumental explosivo.

 

CENA 07/SÃO PAULO/BARRA FUNDA/REPÚBLICA DE ESTUDANTES 2/INTERIOR/SUÍTE DE MIGUEL/NOITE

Miguel entra no chuveiro para tomar banho…

Ligar flashback rápido: se recorda do flagra que deu no amigo nu no vestiário masculino da quadra de vôlei. Sentimento de DESEJO.

Desligar flashback.

Miguel começa a enxugar o corpo, quando algumas imagens invadem sua mente.

ALUCINAÇÕES: Lábios quentes de Vitor. Lábios carnudos, pele negra, braços masculinos, pelos no antebraço.

Miguel cai em si e começa a reclamar.

MIGUEL – Nossa, não! Que isso, velho! O que tá acontecendo?

Ele troca de roupa apressado.

CENA 08/SÃO PAULO/TATUAPÉ/UNIVERSIDADE OLIMPIUS/BIBLIOTECA/INTERIOR/NOITE CHUVOSA

 

BIBLIOTECÁRIO – Infelizmente nenhuma menina com essa descrição esteve aqui ou está.

CACAU – O Senhor tem certeza?

Ele confirmou com a cabeça.

CACAU – Minha nossa senhora Aparecida! E agora, meu rapaz, nem sei mais onde procura-la.

GUTO – O Pior é que nem treino de basquete, ela teve hoje, então nenhum das meninas sabe dela, pedi para uma conhecida jogar no grupo e ninguém sabe dela.

CACAU – Cadê minha menina?

Ela pôs a mão na cabeça sentindo um remorso por tudo que ocorreu.

EXTERIOR DA BIBLIOTECA.

Viviane conversava com Vitor, seu amigo de república, indo para o estacionamento, quando Guto foi a seu encontro.

GUTO – Hey? Vivi, você viu a Fabiana?

Os dois pararam imediatamente.

VIVIANE – Fabiana? Não! Por quê?

GUTO – Ela sumiu desde cedo!

VIVIANE – Eu me lembro de tê-la visto mais cedo no refeitório, estava com Suzy que estava procurando por Heloísa e Marcela.

CACAU – Será que minha menina foi para casa de uma dessas pessoas? Eu não vou me perdoar se algo estiver acontecido com ela!

VITOR – Acalme-se minha senhora, vai dar tudo certo!

GUTO – Fica calma, sogrinha! Eu vou ligar para Suzy e Marcela, uma das duas deve saber o paradeiro da minha princesa.

Guto disca para Suzy.

CORTAR PARA:

CENA 09/SÃO PAULO/CARRO DE RITA/INTERIOR

RITA – Ela saiu correndo da prova? Mas ninguém a viu?

SUZY – Eu perguntei para as meninas que estavam na fila depois de mim e nada. Um dos porteiros disse que a viu entrar numa cabine de metrô, mas eu já chequei pelas gravações e ela não passou por lá, deve ter sido um engano. Rondei nas vizinhas, voltei para república e nada.

RITA– Bom, se você rondou tudo e não encontrou nada, ela deve ter pego algum meio de transporte ou estar na casa de alguma conhecida.

SUZY – Não conhecemos ninguém que mora naquela região. Mas Helô vivia reclamando que estava sem dinheiro, deve ter pego um ônibus com a carteirinha.

RITA – Isso restringe nossas possibilidades, porque ali perto da universidade, são cinco linhas que passam apenas. Ela pode ter andado alguns quarteirões até a Melo Freire, mas ela teria que andar muito.

SUZY – Também acho que ela pegaria ônibus. Qual a linha que mais passa por lá?

RITA – Deixe-me ver, deixa eu ativar o volante automático, pesquisar aqui no smart…é a que vai para o Centro Histórico passando atrás do Parque do Piqueri.

SUZY – Perfeito.

RITA – Vamos fazer o trajeto da linha, vou colocar no waze aqui.

SUZY – Perfeito Doutora.

Seu celular começa a tocar.

SUZY – Alô. Fala Guto. Como é? Fabiana também sumiu, coincidência porque Heloísa também e estou com Doutora Rita procurando por ela, quê? Não tô te entendendo, ligação tá ruim…

RITA – Desconecta o meu, conecta o seu no carro, som fica mais alto, você fala pelo painel.

Doutora Rita puxa, mas seu celular escapa e cai abaixo de Suzy que conecta o seu e sintoniza a conversa.

SUZY – Pode falar irmão que agora estou ouvindo!

Ela se abaixa para pegar o celular da Doutora Rita. Instrumental explosivo. Vê como wallpaper de tela a imagem dela com Goram abraçados parecendo casal.

SUZY – GORAM?

Rita pega o celular da sua mão sem graça.

RITA – Obrigada, querida.

VOZ DE GUTO NO PAINEL- Suzy, você tá aí?

SUZY (ainda perturbada com a imagem) – Tô sim.

VOZ DE GUTO NO PAINEL – Qual foi a última vez que tu viu Fabiana?

SUZY – No refeitório, eu acho. Ela estava conversando com Marcela.

VOZ DE GUTO NO PAINEL – Não viu mais depois?

SUZY – Não vi. Dá uma ligada para Marcela, ela deve saber.

VOZ DE GUTO NO PAINEL – Pode deixar.

SUZY – Me mantenha informada.

VOZ DE GUTO NO PAINEL – Pode deixar. Valeu valeu.

A ligação terminou.

Suzy olhou para o celular de Rita que logo o reconectou no waze.

RITA – Coincidência outra garota sumir hoje, né?

SUZY – É…realmente! Muita coincidência.

Rita sorriu sem graça e pisou no acelerador, aumentando também a velocidade do para-brisa.

CENA 10/SÃO PAULO/VILA MADALENA/EDÍFICIO DE ADELAIDE/EXTERIOR/NOITE CHUVOSA

A limusine parou. Goram fez que iria abrir a porta. Mateus o segurou.

MATEUS – Espere, eu vou até com você lá em cima.

Seus olhares pareciam querer devorar o indígena.

GORAM – Imagina, Matt, eu…

MATEUS – Faço questão, vim até aqui, não vim?

Goram sorriu e virou a face para o lado com cólera.

SALA DE ESTAR DO APARTAMENTO DE ADELAIDE

Goram abriu a porta da sala. Themise disparou como um foguete em sua direção, Laurinha foi atrás.

THEMISE – Goram! Você não sabe o que aconteceu?

Ela gelou quando viu que ele estava acompanhado.

MATEUS – Bom…parece que a noite está apenas começando para você.

Goram se virou para Themise, fazendo sinal para ela aguardar.

GORAM – Égua de Largura! Pois é.

MATEUS – Há algo que eu possa fazer?

Indagou o vilão olhando para Themise.

THEMISE – Acho que não. Problemas de família.

MATEUS – Entendo. Bom, Goram, você está entregue! Só espero que amanhã você consiga comparecer a mansão, estarei te aguardando para as aulas e o nosso jantar.

GORAM –  Claro.

E o vilão o beijou no pescoço. Goram olhou para as meninas tremendo de náusea.

MATEUS – Até amanhã.

Goram sorriu de novo de volta.

GORAM – Ahátama.

Esperou ele sair e fechou a porta, respirando aliviado e se limpando.

LAURINHA – Como você permite que ele te toque desse jeito?

THEMISE – Laurinha! Isso não é assunto para criança!

LAURINHA – Sinceramente, idade não traz experiência, é só olhar para você e eu, melhor exemplo não há.

THEMISE – O que você quer dizer com isso?

LAURINHA – Eu não deixo paixão nenhuma por homem me derrubar.

THEMISE – QUÊ?

Goram interrompeu sem paciência.

GORAM – Onça-Pintada! O que aconteceu que tu ia contar Themise?

THEMISE – Heloísa desapareceu.

GORAM – O QUÊ?

THEMISE – Isso mesmo, aquela amiga dela asiática, a Suzy, ligou aqui atrás de você, parece que ela e Doutora Rita estão refazendo os passos possíveis dela.

GORAM – POR MAÍRA, MACUNA-ÍRA! MAS O QUE HOUVE COM HELOÍSA?

THEMISE – Ela surtou numa prova, parece.

GORAM – Por tupã, não é a primeira vez que isso acontece. Goram vai ligar para Suzy!

THEMISE – Você quer algo para comer?

GORAM – Fica de buiuia, não precisa se preocupar, Goram já jantou.

Ela senta e liga para Suzy.

CENA 11/SÃO PAULO/BIXIGA/APARTAMENTO DE JOSÉ/INTERIOR/SALA DE ESTAR/NOITE CHUVOSA

Marcela está tomando vinho com a amiga, quando seu celular toca.

MARCELA – GUTO ME LIGANDO?

Fabiana deposita sua taça numa mesinha no centro.

FABIANA – Não diga que estou aqui!

MARCELA – Farei isso, amiga.

Ela atende.

MARCELA – Alô, Guto, tudo bem? Que!(Ela olha para amiga). Fabiana sumiu, a mãe dela tá preocupada? (Fabiana faz sinal que não é para contar mesmo). Sim, estive com ela no refeitório, mas…depois nos separamos, Zé foi me buscar. Nossa, pior que eu não tenho ideia, cara, de onde ela pode ter ido. Mas agora fiquei preocupada, vou tentar entrar em contato com ela. Eu acho muito em cima ainda para contatar a polícia, espera 24 horas. Okay, vai me dando notícias, forte abraço.

E desliga.

FABIANA – Se chamarem a polícia não vai adiantar nada, não vão me achar e além disso sou maior de idade!

MARCELA – Miga, do jeito que ele falou, sua mãe parece que está bem mal.

FABIANA – Pois que fique! Ela não tem amor próprio, se sujeita sempre a que os outros fazem com ela!

MARCELA – Eles estão bem preocupados! Eu sei disso tudo que você falou, mas não acha que está exagerando? Poderia ao menos avisá-la que está aqui! Acho essa atitude sua meio irresponsável, o que estranha muito vindo de você!

FABIANA – Não estou sendo irresponsável, estou sendo bem coerente sim! Olha o que ela tá fazendo com ela? Olha miga, eu não quero discutir agora, vamos tomar nosso vinho?

MARCELA – Não estamos discutindo, mas acho que você deva repensar essa atitude.

Elas brindam e Fabiana tenta disfarçar a situação.

CENA 12/SÃO PAULO/MARGINAL TIETÊ/BURGUER KING/EXTERIOR/NOITE CHUVOSA

Bernardo chega com seu carro.

BERNARDO – Putz, eu estava achando que o atendimento era 24 horas, mas mudaram o horário de funcionamento, só drive-thru.

ARAPONGA – Então galalau, Araponga e Bernardo podem pegar os lanches e comer no estacionamento, tem algumas avas ali.

BERNARDO – É tá chovendo, mas é o jeito!

Quando ele vai subir com o carro na fila de automóveis que pedem os lanches, ele avista uma jovem correndo atordoada pelo canteiro da marginal. Tratava-se de Heloísa.

BERNARDO – Irmã?

ARAPONGA – Curupira! O que foi que tu disse?

BERNARDO – Aquela jovem é a minha irmã, minha irmã! O que ela está fazendo aqui nessa chuva? A essa hora de noite?

Instrumental explosivo. Araponga troca olhares com ele.

CENA 13/SÃO PAULO/TATUAPÉ/HOSPITAL UNIVERSITÁRIO ORLANDO MOÇA/ENFERMARIA DE NEUROLOGIA/NOITE CHUVOSA

Meire observa Dona Noz-Moscada rindo sozinha. A residente estava acompanhada de Caio, seu amor.

MEIRE – Pelo prontuário dela daqui do hospital, não tem histórico de psicopatologia.

CAIO – É muito bizarro, ela ficar rindo assim.

MEIRE – Doutora Rita desconfia de Legionellas por conta do ar-condicionado de Moradia. Entramos já com levofloxacino.

De repente, Dona Noz-Moscada se levanta da cama e esbarra nos móveis, indo ao chão. Instrumental de drama médico.

CAIO – Nossa, o que está acontecendo?

Ela abre a porta e vai em sua direção.

MEIRE – Dona Noz-Moscada! O que está acontecendo?

A velhaca começa a gritar. Pela câmera subjetiva vemos que sua visão começa a se ofuscar até ficar tudo escuro.

DONA NOZ-MOSCADA – Eu não enxergo nada! Eu não enxergo nada!

Meire liga a lanterna do seu celular para fazer o exame físico específico para comprovar, mas não consegue, a caseira da moradia logo em seguida volta a rir, gabando-se.

DONA NOZ-MOSCADA – Mas que belo caldo eu ainda sou, hein? Os rapazes vão a loucura!

Meire troca olhares com Caio sem nada entender.

CORTAR PARA:

CENA 14/SÃO PAULO/MARGINAL TIETÊ/BURGUER KING/EXTERIOR/NOITE CHUVOSA

Bernardo sai do carro e vai em direção a irmã. Araponga observa a cena aflita.

BERNARDO – Cara, o que você está fazendo aqui?

Heloísa reconhece o irmão e o abraça, encharcada.

BERNARDO – O que houve? O que você está vendo aqui nesse temporal?

Heloísa chora forte e o abraça, sem conseguir balbuciar uma única palavra. Ela a leva para o carro.

BERNARDO – Amor, você pode pegar uma toalha no porta-luvas para mim, sempre deixo reserva depois que volto da academia.

A indígena lhe entrega e ele enxuga a irmã. Ela espirra.

BERNARDO – Meu, que loucura! Como você pode fazer isso contigo? O que tá acontecendo?

Heloísa não conseguia responder, só tremia, tremia.

BERNARDO – Vem, vou te levar para casa. Amor, vai no banco de trás, por favor, quero cuidar dessa menina aqui.

Araponga não gostou, mas obedeceu. Bernardo colocou a irmã no banco do carona e depois entrou no banco do motorista, puxando o cinto e fechando a porta.

CENA 15/SÃO PAULO/IMAGENS AÉREAS

À música de “Se é tarde” de João Gilberto vemos aos poucos o temporal passar nas principais rodovias da capital paulista, o número de carros diminuem também. Madrugada vai se aproximando…

CENA 16/SÃO PAULO/JD AMÉRICA/MANSÃO MOÇA/INTERIOR/QUARTO DO CASAL/NOITE

Mateus chorava bebendo seu drink e contemplando a imensidão escura e vazia de seu jardim. Seus olhos estavam edemaciados de tanto chorar. Escutamos o pio de uma águia em algum lugar no fundo.

MATEUS – Que gosto horrível, a morte tem…

Ele bebeu mais um pouco de seu conhaque. Respirou profundo. Pegou seu celular, discou novamente para Bernardo, mas pelo viva voz, percebemos que caiu na caixa-postal.

MATEUS – Jogar praticamente um casamento de anos assim na lata de lixo. Ele pensa que me engana, tem outra na jogada sim.

Flashback rápido: Mateus se recorda do dia que Bernardo implorou para voltar com ele, quando Mateus havia descoberto da traição. Bernardo expulsou a franguinha de suas vidas, terminou com ela na frente dele.

MATEUS – Será que tudo aquilo foi encenação? Ou será que ele voltou com ela?

Instrumental de mistério.

CENA 17/SÃO PAULO/TATUAPÉ/REPÚBLICA DOS ESTUDANTES/EXTERIOR/NOITE

Rita estaciona o carro.

RITA – Bom, que passeio, né? É uma pena não termos a encontrado.

SUZY – Eu só estou preocupada de ter acontecido o pior com ela.

Então ela nota que o carro de Bernardo estava estacionado e a luz do apartamento delas acesa.

SUZY – Nossa, o irmão dela está aí! E tem gente no apartamento. Será que encontraram ela?

Ela sai do carro apressada, Rita acompanha.

APARTAMENTO 12/INTERIOR/SALA DE ESTAR

Suzy entra no apartamento acompanhada de Rita e percebe que uma mulher desconhecida penteava os cabelos molhados de Heloísa. Era Araponga. Bernardo estava sentado no sofá. Suzy foi ao encontro da amiga.

SUZY – Amiga, você está bem! Você está bem!

E a abraçou, Heloísa retribuiu. Rita não gostou nada de ver Bernardo Moça ali. Ele fez uma face de contragosto também. Rita lutava pelos trabalhadores da universidade, enquanto ele e Mateus queriam superexplorar mais.

SUZY – Onde ela estava? Onde ela estava?

BERNARDO – Na marginal tietê! E pensar que tudo isso foi desencadeado por uma avaliação.

RITA – Talvez esteja faltando suporte psicológico para nossos alunos ou nossos corpo docente não esteja capacitado para personalizar a abordagem para o corpo estudantil. Talvez insistam em métodos avaliativos opressores!

Bernardo rebateu.

BERNARDO – Algo esperado num curso como medicina.

Rita não se calou.

RITA – Medicina é uma ciência que a todo momento está sofrendo modificações, ela não é estática, convenhamos que a avaliação por desempenho a cada aula me parece muito mais coerente do que momentos avaliativos isolados.

SUZY – Amiga, você precisa de ajuda, não é de agora que isso está acontecendo.

RITA – É importante você começar a psicoterapia também e quem sabe um acompanhamento psiquiátrico.

HELOÍSA – Eu não sei, isso pode atrapalhar ainda mais meus estudos, muitos fármacos dopam as pessoas.

RITA – Depende muito do tipo de fármaco e dosagem, conheço um profissional excelente, que pode te auxiliar a introduzir a medicação aos poucos, sem pressa. Não é para ser assim, com esse pânico todo. Tá tudo bem ter dificuldades, é um curso muito difícil, embora seja apaixonante.

SUZY – Doutora Rita tem razão! Você precisa se cuidar.

Heloísa abraça a amiga novamente. Araponga larga o pente.

ARAPONGA – Vamos, rayhu? Já está tarde!

BERNARDO – Vamos sim. Mas eu volto amanhã, hein mocinha? Cuida bem dela, Suzy!

SUZY – Pode deixar!

Ele sai cumprimentando Rita. A sós, Suzy encara Rita de uma maneira desconfiada, Rita desvia o olhar, mexendo no celular e mudando sua foto com Goram.

CENA 18/SÃO PAULO/IMAGENS AÉREAS/DIA

Vira o dia na capital paulista ao som de Pacato Cidadão.

CENA 19/SÃO PAULO/CENTRO/BORDEL BOVARY/INTERIOR/CORREDOR PORÃO/MANHÃ

Um segurança que passava pelo corredor ouve os apelos de Bovary, ele derruba a porta do local.

BOVARY – Me ajude aqui, seus bando de surdos, aquelas vadias me trancaram!

O homem chama o outro amigo pelo seu aparelho. Ela é desamarrada.

BOVARY – Eu mato aquelas três! EU MATOOOOOOOOO.

Espumava de raiva.

CENA 20/SÃO PAULO/BIXIGA/APARTAMENTO DE JOSÉ/INTERIOR/COZINHA

 

José troca mensagens de forma amedrontada com Alexandre, segurança da mansão. Ele fala alto.

JOSÉ – Eles se separaram? Mas era tudo que não podia acontecer agora! Precisamos nos unir…

MARCELA – Quem se separou, Zé?

José deixa a xícara de café que segurava cair no chão e se quebrar.

JOSÉ – Caralho!

MARCELA – Se acalma, pode deixar que eu limpo. Mas tá tudo bem?

JOSÉ – É lance de trabalho, eu preciso ir pegar o caminhão. Até mais tarde, minha flor.

Marcela sorri e troca um selinho com ele.

MARCELA – Depois vamos conversar sobre isso, hein? Quero entender tudo que está se passando…

Ele bate a porta da sala. Ela para um instante de limpar o café no chão com um pano e toma uma atitude. Manda uma mensagem para Guto : “Fabiana está dormindo aqui no meu apartamento. Esse é o Endereço…”

MARCELA – Que Fabiana me perdoe algum dia!

CENA 21/SÃO PAULO/VILA MADALENA/APARTAMENTO DE ADELAIDE/INTERIOR/SALA DE ESTAR/MANHÃ

Goram termina de arrumar no espelho.

THEMISE – Vai se encontrar com Heloísa?

GORAM – Vou. Mitã precisa de apoio agora que vai iniciar um tratamento psiquiátrico. Heloísa kovete se sentir mais segura nas avaliações, isso vai nos percorrer o curso todo.

THEMISE – E depois você vai se encontrar com aquele sujeito na mansão de seus pais?

GORAM – E Goram tem outra escolha? Aquele jejuka já tá pensando que dormiu comigo, agora que tirei o amante serial killer de campo, fica mais fácil conquistar a confiança nele e fazer justiça.

THEMISE – Você não acha que está indo longe demais? Vocês quase transaram! Ele matou o pai de vocês e é o seu irmão!

GORAM(Nojo)– Por Maíra! Eu não espero precisar ir tão mombyry! Nem consigo imaginar uma possibilidade dessas!

THEMISE – E como será essa justiça? Vai conseguir provas e entrega-lo para polícia?

GORAM – Isso vai acontecer, mas Mateus vai penar muito na minha po, se ele acha que pode ser um monstro, ele ainda não viu nada. Ahátama, até mais tarde.

THEMISE – Até…

E sai totalmente determinado. Themise o observa sair com olhares de preocupação.

CENA 22/SÃO PAULO/TATUAPÉ/HOSPITAL ORLANDO MOÇA/CONSULTÓRIO DE DOUTORA RITA/MANHÃ

Rita se levanta de sua cadeira, incrédula. Instrumental médico começa a tocar.

RITA – Cega?

Meire estava acompanhada de Caio, ambos exaustos pelo plantão noturno.

MEIRE – Sim, o oftalmologista fez fundo de olho e confirmou o teste de acuidade que fizemos ontem de noite.

RITA – Bilateralmente? Qual é o grau de comprometimento?

MEIRE – Sim, 100% eu acho, ela está completamente cega.

RITA – Isso não pode ser doença do legionário, não causa isso.

E senta, reflexiva.

CAIO – O que senhora está pensando, Doutora?

RITA – Pode ser outro agente infeccioso, mas pode ser vascular, tumoral, autoimune bilateral no nervo óptico. O melhor seria tentarmos uma tomo.

MEIRE – Okay, vou avisar a enfermeira e os técnicos para agendarem o procedimento ainda hoje.

RITA – O mais rápido possível, não podemos perder tempo! Faz um favor para mim, Caio, peça para enfermeira chefe vir até aqui, preciso pegar as chaves com ela.

CAIO – Chaves?

RITA – Sim, vou até a moradia, especificamente até o apartamento dessa senhora, se tivermos diante de algo infeccioso, pode não ser uma simples infecção de comunidade.

MEIRE – Você vai invadir a casa dela? Eu ouvi bem?

CAIO – Dar uma de House, a Doutora Rita! (Rindo alto)

RITA – Vocês que pensam que me conhecem, eu nunca vi paciente cursar com um cegueira tão repentina, com um quadro risonho desses sem comorbidades associadas, pode ser que realmente encontre algo de suspeito por lá. De qualquer forma, depois da tomo, é melhor isolá-la, por via das dúvidas.

MEIRE – Certo.

E saíram. Fim do instrumental médico. Rita pega seu celular e começa a ver as fotos que tirou com Goram. Ela mandou uma mensagem de texto a ele: “Saudades de te ver”.

A música Stupid Love de Lady Gaga invade a cena. Sorriso estampado na Doutora Trans.

CENA 23/SÃO PAULO/BIXIGA/APARTAMENTO DE JOSÉ/INTERIOR/SALA DE ESTAR

A campainha ressoa alto.

FABIANA – Já vai! Quem me aparece bem agora que estou me aprontando.

Ela terminava de colocar brinco.

FABIANA – Nossa, essa roupa da Marcela tá enorme para mim! Também mulherão da porra que ela é?

Ela abre e dá de cara com Guto.

GUTO – E aí gatinha sumida?

FABIANA – Você aqui?! Não acredito nisso!

Ela tenta bater a porta na cara dele, mas ele trava a porta com o pé.

FABIANA – Não acredito que a Marcela fez essa cachorrada comigo! Vai embora!

Ele acaba vencendo a força dela e entrando.

GUTO – Como você pode sair e deixar todo mundo preocupado desse jeito?

FABIANA – Você não tem nada a ver com isso! Vou chamar o porteiro.

Ela corre para o interfone, mas ele a impede segurando pelo braço.

FABIANA – Dá para me soltar?

GUTO – Só se for para fazer isso!

Ele a toma nos braços e a rouba um beijo forte. Ela tenta resistir, mas acaba se entregando ao som do hit do casal Esquecimento de Skank. Vemos takes: Ele põe a mão em seu corpo negro, ela se apoia na nuca dele e se permite ir para seu colo, ele a carrega até o sofá, onde a coloca delicadamente, tira a camiseta, ela o puxa pela corrente e retira o boné invertido em sua cabeça.

CENA 24/SÃO PAULO/TATUAPÉ/CAMPUS UNIVERSITÁRIO OLIMPIUS/EXTERIOR/MANHÃ

Goram desce de sua bicicleta em frente a faculdade e a coloca numa das vagas. Vê a mensagem de Doutora Rita e esboça um sorriso bobo. Avista Suzy e Heloísa, vai ao encontro delas.

GORAM – Porã!

Heloísa pula em seus braços, ele a abraça forte.

GORAM – Vai ficar tudo bem, eu estou aqui!

HELOÍSA – Eu tenho tanto medo, tanto medo de ser reprovada!

GORAM – Isso não vai acontecer, Heloísa é muito inteligente, vai conseguir recuperar tudo e mesmo se acontecer, Goram tá aqui e vamos encarar isso juntos.

HELOÍSA – Eu te amo!

GORAM – Rohayu, curuminha.

Ele a beija forte. Suzy fica sem graça. Eles percebem rindo.

VITOR – Hey, Heloísa, você está bem?

O veterano se aproxima.

GORAM – Mano, quanto tempo!

VITOR – E aí, Goramzinho, firmeza?! E você Heloísa?

HELOÍSA – Estou bem. Só um pouco amedrontada com as provas!

VITOR – Se acalme, todo mundo acaba passando de um jeito ou de outro.

Ela sorri sem graça.

VITOR – Cara, você ficou sabendo que tá rolando uma roda cultural indígenas lá perto do estacionamento do prédio administrativo.

GORAM – Égua Nossa! Jura?

VITOR – Sim, com vários alunos indígenas dos mais diversos cursos da área da saúde. Estou indo para lá agora!

GORAM – Vamos gente? Vamos amor? Saudades desse contato com os Guajajaras!

CORTAR PARA:

ESTACIONAMENTO DO PRÉDIO ADMINISTRATIVO

Indígenas mulheres ficam de joelhos em fila balançando os braços e o corpo para frente para trás sem sair do lugar, enquanto uma mulher no centro mais bem adornada e cheia de plumas.

GORAM – Não acredito! Kahê-Tuagê!

SUZY – O que significa Goram? É a sua tribo?

GORAM – Ani. É dos Kanela, povo que margeia o Rio Tocantins! É dançada em época de seca e dançada só por mulheres porque se acredita que elas estão relacionadas a colheita, é uma maneira de pedir por mais fertilidade das tetãmes e abundância de frutos!

Elas terminam o ritual e todos batem palma. Goram se anima, Heloísa abraça ele, por ele se sentir mais representado.

Depois disso, um índigena anuncia.

ÍNDIGENA – Tem algum Pankararú por aqui? Temos um! E aí, cara? Bom gente, eu sei dançar Buzoa, mais alguém aqui mesmo não sendo Pankararú sabe?

Goram sorriu e levantou a mão.

GORAM – Goram sabe!

ÍNDIGENA – Então cola aqui irmão para gente ensinar para todo mundo. Essa dança pode ser dançada tanto por homens quanto mulheres, gente. Tome um rabo de tatu para você.

Goram sorriu, colocando o colar em si.

GORAM – Quanto uperó não vejo isso!

VITOR – O que significa?

GORAM – É para proteger contra o inimigo, o tatu é um forte e astuto animal. Tu vai jeroki comigo, né? Dona Heloísa?

E puxou para roda, ela ficou envergonhada.

SUZY – Vai lá, amiga, arrasa.

Eles começaram a dançar e algumas pessoas foram acompanhando. Goram trocou beijos com a amada.

Instrumental catastrófico. A poucos metros, de dentro de carro estacionado, Mateus que chegava para mais um dia na reitoria flagrara a cena.

MATEUS – Eu não acredito que até com Goram essa pirralha se meteu!

Subiu uma fúria pelo corpo. Seus olhares tremiam. Congela.

Explicação: No capítulo 07, Bernardo usou a própria irmã Heloísa da qual a existência Mateus não sabia afim de encenar para ele que estava terminando com sua amante. Heloísa é a tal “franguinha”.

FADE OUT.

 

CONTINUA…

 

 

 

 

 

LEIA MAIS DESTE CONTEÚDO:

A Widcyber está devidamente autorizada pelo autor(a) para publicar este conteúdo. Não copie ou distribua conteúdos originais sem obter os direitos, plágio é crime.

Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

Você também poderá gostar de ler:

Você também poderá gostar de ler:

>
Rolar para o topo