Durante toda aquela manhã, todos trabalharam em uma jangada forte o bastante que aguentasse o peso de cinco pessoas, cortando os troncos dos coqueiros e as arvores que existiam no local para poder confeccionar uma jangada, mas não sem antes plantar uma muda no lugar da que era retirada para que ela pudesse crescer novamente.
As duas garotas teciam cordas com as fibras da palha do coqueiro, retirando com calma da folha para que a fibra não arrebentasse facilmente, depois de trançada foi possível confeccionar vários metros de corda, elas usaram a fibra da palha de coqueiro trançada, transformando-as numa imensa tapeçaria verde que serviria como vela.
Impaciente Lucca decidira ajudar, e em um passe de mágica ele fez a corda se mover sozinha, juntando as grossas toras de madeira a uma amarração perfeita. Em poucas horas Arthur, e seus intrépidos marujos estavam prontos para a viagem num barco relativamente seguro, protegido magicamente contra os perigos que pudessem surgir em alto mar.
— Nos vemos em vinte e quatro horas. — Disse Arthur
— Se algo acontecer a vocês usem nosso elo mental para se comunicarem, assim que puder vou ao encontro de vocês. — Lucca respondeu despedindo-se deles.
— Proteja minha filha e minha sobrinha a todo custo. — Artur insistiu.
— Papai…
— Se algo acontecer a você, eu não me perdoaria… e além disso sua mãe me mataria.
— Eu sei… — Disse ela não sorriso, — Não se preocupe. Eu posso cuidar de mim mesma.
Aredhel, Milla e Lucca iniciaram a caminhada pela praia em busca de um local seguro para iniciar a subida enquanto viam o pequeno barco sumir no horizonte rumo ao desconhecido. O sol já estava alto e eles ainda continuavam a caminhada, carregando as provisões preparadas por Milla e Aredhel naquela manhã, seis blocos de peixe frito em palha trançada de coqueiro, com fatias de coco ainda frescas, além de alguns frascos improvisados do quite de alquimia de Lucca cheios com a agua de coco para se hidratarem durante a viagem. Tudo havia sido preparado rapidamente e amarrado com alguns pedaços de tecido rasgado para conservar a temperatura e o sabor dos alimentos até a hora do almoço, ou até a hora que eles decidissem parar para descansar.
Depois de algumas horas de caminhada eles encontraram uma pequena trilha em espiral que poderia leva-los ao topo. Apesar de tudo o que estava acontecendo, aquela terra fantástica parecia querer que eles lutassem a seu favor, aquele era um caminho perfeito para a subida.
Lucca amarrou a corda trançada em volta da cintura deixando uma boa margem de corda para as duas garotas fazerem o mesmo. Milla deu duas voltas em torno da cintura, assim como Lucca ela deixou um bom pedaço de corda e o entregou a Aredhel.
Amarrados uns aos outros, Lucca iniciou a subida colando o corpo junto a parede lisa da montanha, o caminho era perfeito para a subida, porém muito estreito, qualquer passo em falso e os três cairiam para a morte.
Eles estavam quase na metade do monte
— Falta muito? — Milla perguntou enquanto olhava para baixo.
Sua cabeça estava girando, as mãos tremiam molhadas, o medo da queda eminente fez seu coração disparar.
— Só mais um pouco. Estamos quase no topo. — Lucca respondeu.
— Aguenta firme… — Aredhel a encorajou a continuar.
Era quase impossível vencer o medo e continuar a subida, seu próprio corpo estava destinado a não obedecer seus comandos. Cada mínimo passo dado era um tormento, que aumentava ainda mais o medo da queda.
Se ele estivesse sozinho nunca teria feito nada daquilo.
— Primeiro por dentro, depois em volta e agora pra cima… onde é que a gente vai parar? — Perguntou Milla, tremula pelo medo.
— Tem um buraco lá em cima, — Disse Lucca apontando para o topo, — até parece uma entrada.
***
Os ventos se tornavam mais fortes a medida que eles adentravam em alto mar, Artur amarrava as velas enquanto tomavam impulso rumo ao norte onde, segundo o mapa ficava o continente de Theron, que segundo Arthur era o lar de Hardep, fera rei senhor da terra.
Drew havia tomado conta do leme, e os guiava sem dificuldade mar a dentro, Jimmy estava ao seu lado observando o mapa encontrado na caverna, traçando uma rota segura, enquanto os outros observavam o oceano em busca de possíveis monstros que pudessem ataca-los.
Já era possível ver o novo continente quando um som abafado ecoou diante deles, vindo das profundezas um grande dragão azul surgira e estava prestes a ataca-los.
O auto mar agora revelava seus mistérios.
Sentindo o perigo eminente Drew fixou os olhos na criatura. O mar refletia a luz solar formando espectros luminosos no oceano, fazendo as escamas do dragão ganharem um espectro colorido como o arco iris. Aquela frágil embarcação estava a mercê das criaturas marinhas famintas pelos desavisados que desejavam desbravar seus segredos.
A criatura submergiu mais uma vez, provocando uma onda de mais ou menos um metro e meio de altura, fazendo o barco balançar ainda mais. Em segundos, a sombra de um animal gigantesco passou por debaixo deles emanando uma espécie de chamado marinho, como o som de uma baleia.
— Tem alguma coisa na agua e ela não está muito feliz com a nossa presença. — avisou Tonny pondo-se de pé junto a amurada do barco enquanto se segurava nas cordas.
Todos voltaram seus olhos para o mar aflitos, procurando pela criatura, se preparando para o ataque.
— As criaturas daqui são pacificas, não precisa se preocupar com nada. — Disse Artur voltando a seus afazeres.
Pela segunda vez, a silhueta cruzou o barco batendo sua calda com força para fora da agua, fazendo uma enorme onda se formar impedindo que a embarcação segue seu caminho.
A criatura emitiu um rugido de alerta antes de se lançar para fora da agua. O dragão marinho encarou o pequeno barco de modo ameaçador, rugindo mais uma vez, em um aviso de ataque. Medindo quase cinco metros de altura o animal de escamas Ézius abriu a boca mostrando uma fileira de dentes afiados pronta para abocanhar seus inimigos.
— Isso não me parece nada pacifico. — indagou Drew pondo-se junto aos amigos para a batalha.
Drew já havia preparado seu arpão para o lançamento quando foi impedido por Artur que o segurou na hora certa.
— Ele só está com medo. Esse é o território deles nós somos os invasores.
— O que você sugere que a gente faça?
— Vamos dar a volta.
— O que?
Antes que Drew pudesse terminar a frase, foi atingido por um jato d’agua vindo da boca do monstro. O dragão tinha as guelras abertas no topo da cabeça, o que lembravam asas azuis prontas para o voo. Sem pensar duas vezes Drew ergueu sobre eles um escudo de gelo capaz de segurar o impacto do ataque.
A pequena embarcação balançava com força para cima e para baixo. Era quase impossível se segurar sem se machucar.
— Nós temos que lutar. É o único jeito de sair vivo daqui.
— Não podemos machucar a criatura.
— O que? … essa coisa vai acabar matando a gente.
— Olha direito Drew. — Disse Jimmy apontando para a frente do barco. — Ele só está ferido.
***
Aquele dragão marinho apesar de ter quase cinco metros de comprimento, era apenas um filhote estava ferido e possivelmente perdido de seus pais, o que não significaria que: a) ele era menos perigoso do que um dragão adulto, e b) que seus pais não estariam ali em poucos minutos dispostos a mata-los por ter mexido com seu bebe.
A criatura de cabeça triangular tinha os olhos fixos no barco à espreita de qualquer movimento ofensivo. Drew o encarou por alguns segundos admirando a beleza do animal enquanto ele se preparava para o ataque. Sua enorme boca escancarava duas fileiras de dentes afiados prontas para dilacerar as vísceras do inimigo.
— Aquele é o nosso destino cavalheiros. — informou Arthur ao leme. — Temos que passar por esse monstro se quisermos atracar em terra firme.
O vai e vem do barco em meio as ondas tornava difícil a movimentação dentro da embarcação, um ataque daquela criatura e tudo estaria acabado, e nenhum deles tinha força ou munição suficiente para derrota-la.
— Não podemos machuca-la. Essa criatura tem mais medo de nós do que nos dela. — Drew disse enérgico, compreendendo o medo nos olhos da criatura. — Nós vamos fugir!
— Eu sou um rei e não fujo de minhas batalhas garoto. — Vociferou o homem guiando o barco direto ao encontro da criatura.
— Nós podemos lutar sem feri-lo. — Disse Drew enérgico.
— Como sugere que façamos isso garoto? — Ele disse girando o leme para bom bordo tentando desviar da criatura
— Podemos dar a volta senhor. Só temos que causar uma pequena distração — Sugeriu Jimmy pondo- se de pé na proa.
— Isso é fácil.
Drew estendeu as mãos para o mar e uma onda gigantesca se se formou, elevando o barco a cima da criatura enquanto a cobria, o garoto fez um segundo movimento fechando uma das mãos, a agua se solidificou formando fissuras de gelo prendendo as patas da criatura.
Por fim a embarcação pode seguir seu caminho deixando o pequeno dragão marinho para traz…-” ”>-‘.’ ”>





