Zhan não conseguiu dormir, estava sentado na beira da cama olhando pela janela o dia amanhecer. Ele se sentia oco e perdido, a verdade era que não queria ter magoa a Bel, mas o inevitável aconteceu. Levantou-se e foi até o guarda-roupa pegando sua roupa de praia, talvez ficar no mar aliviaria um pouco e decidido se trocou.

Ao sair do quarto, deixou uma mensagem para o irmão e seguiu seu caminho para a praia de Ipanema, aquele dia não era o costumeiro para as aulas de surf, no entanto, sabia que haveria pessoas logo cedo entrando no mar.

Era final de primavera e ao que parecia desde que virou a estação, parecia que o verão chegou antecipado, pois estava um ar morno naquele horário, 6 da manhã.

Zhan chegou no calçadão e caminhou até a orla de Ipanema, sem pressa olhando o mar sem pensar muito do que passou na madrugada, porém, por mais que não quisesse o semblante de Bel chocada com as palavras dele machucavam seu coração. Em conflito, as lembranças de como se sentiu ao proteger Xian o aquecia, mesmo que depois de tudo a sua noite não terminou muito bem.

Um pouco de caminhada faria bem e para relaxar entraria no mar, sempre que se sentia confuso gostava de ficar na água ouvindo o som das ondas e borbulho abafado ao mergulhar.

Ao chegar em Ipanema, parou no quiosque do Beto e pediu para guardar sua pequena mochila de napa. Após fazer um breve aquecimento, entrou no mar, remando sob a prancha que alugou passou por algumas ondas e parou. Sentou ali e ficou ouvindo o som das águas e o balanço que a suave correnteza fazia. O horizonte estava avermelhado, aquilo indicava que o dia seria quente, mas um fim de estação fervorosa.

Zhan fechou os olhos e ficou ouvindo o mar, sentindo a brisa fresca se misturar a morna luz do sol da manhã. O seu coração ainda estava apertado, angustiado ele só queria um caminho a seguir, sem dores e ressentimentos. Não queria magoar ninguém ou muito menos ser ingrato, porém quanto mais pensava em uma solução, mais triste e arrependido se sentia.

Ao abrir os olhos, seu pomo de adão subiu e desceu, forçando algo atravessar a garganta, talvez empurrar a angústia goela abaixo aliviaria? Balançou leve a cabeça negando e olhou em volta para “pegar” algumas ondas o relaxaria e assim pensar com calma em uma solução.

A manhã se estendia e o sol a pico castigava quando Zhan saiu da água e um pouco melhor foi tomar uma ducha fria para voltar para casa. Depois de tudo, ainda não sabia o que fazer com sua situação com a Bel. O único sentimento que ele tinha era que não queria a magoar.

 O único sentimento que ele tinha era que não queria a magoar

• ────── ✾ ────── •

A campainha tocando era como estrondo na cabeça de Bel, não dormiu bem por ter chorado após Zhan sair do seu apartamento. Rolando na cama pegou um dos travesseiros e cobriu a cabeça para não ouvir tocar. Se for Zhan querendo conversar iria ficar na porta esperando eternamente por ela.

“Não quero te ver…”

Resmungando consigo enquanto a campainha insistente berrava aos seus ouvidos como sirene de ambulância, vencida pela insistência chutou a manta de cima do corpo com os pés e bufou esfregando as têmporas.

Sentada na cama olhou a hora em seu smartphone, ainda eram 10 horas da manhã, queria voltar a dormir e esquecer tudo, mas a campainha continuava a tocar.

— Muito bem, se você veio com conversinha mole vou bater a porta na sua cara…

Levantando-se da cama, irritada, calçou os chinelos arrastando o pé no plaf, plaf pelo corredor até a porta, quando abriu foi logo falando sem nem notar quem estava do outro lado.

— Escuta aqui Zhan, eu não quero te ver e…

— Srta. Bel?! – Lan Huan ficou um tanto encabulado ao ver a moça estava ainda com roupa de dormir, uma blusa maior que ela com a estampa de um desenho animado.

— Irmão Huan?! – Se jeito por ter aberto a porta e gritado com ele, se escondeu atrás da mesma, já que conhecia a cultura e que isso para os chineses era muito constrangedor. – Desculpa, acabei de acordar… – Sorriu sem graça.

— Srta. Bel o erro foi meu, insisti em tocar a campainha, mas achava que meu irmão estava aqui.

— Ele não ficou aqui, voltou para casa depois que me deixou… – Bel suspirou e seus olhos havia um pequeno brilho triste.

Lan Huan notou.

— Srta. Bel, está tudo bem? – Olhou para o corredor um pouco preocupado. – Eu acordei e ele não estava, a cama nem foi desfeita, parece que não dormiu em casa…

Bel ergueu os olhos um pouco surpresa, por fim passou a mão na mecha de cabelo prendendo atrás da orelha e diz em um tom melancólico.

— Estou bem, só um pouco cansada, mas não se preocupe tanto, Zhan deve estar por aí, ou na praia. – Sorriu seco para o outro. – Ele gosta de “pegar” onda cedinho.

Lan Huan acenou com a cabeça concordando e antes de sair tenta dar algum conforto a ela dizendo:

— Muita das situações que vivemos podem ser amenizadas se usarmos um pouco a razão.

Bel olhou para ele uns segundos antes de balançar a cabeça levemente.

— Ok, já, já ele aparece, pela hora, dificilmente Zhan fica na praia por muito tempo com sol forte que está lá fora.

— Obrigado, vou aguardá-lo.

Bel acenou se despedindo e fechou a porta olhando por um tempo com o semblante distraído.

— Não vou me preocupar, afinal ele terminou comigo, por que devo me importar onde ele se meteu ou dormiu? – Murmurando caminhou de volta para o quarto, mas ante de poder deitar a campainha tocou de novo. – Ahhhhh, que saco!!! Me deixem em paz!!!

Olhou para a porta e voltou, mesmo que não quisesse admitir, ela ainda se preocupava, poderia ser o seu irmão voltando para avisar algo. Abriu a porta e se deparou com Carol.

— Já de pé?!

— Aí, amiga estou com uma maldita ressaca, não tenho nada para tomar em casa, vim aqui para ver se você tem algum remédio. – Carol entrou se arrastando e foi direto se jogar no sofá. – PH me fez levantar cedo, ele tinha que voltar para oficina aconteceu alguns problemas lá com o carro que eles estavam trabalhando, algo do tipo e… – Carol estendeu a mão quando viu Bel lhe entregar uma cartela de remédio. – Minha nossa, agora que vi, você está horrível! – Estreitou os olhos analisando. – Cara está inchada.

— Não dormi bem, só isso!

— Bel…? – Carol conhecia bem sua amiga e sentiu que algo aconteceu.

Bel voltou arrastando os pés pela sala indo para a cozinha.

— Vou fazer um café, já que pelo visto não vou mais conseguir dormir.

Carol pegou o copo com água e a cartela de comprimido enquanto se levantava para ir atrás da amiga na cozinha. Parando na porta observou o jeito automático da outra pegar pega o pó do café e preparar na cafeteira.

— Vocês brigaram, não é?

Bel tinha um semblante fechado e irritada continuou calada enquanto olhava a cafeteira pingar a água fervente no pó. Logo o aroma suave começou a adornar o ambiente.

— Que droga, se não quer falar, beleza… – Carol pegou um dos banquinhos se sentando, alguns segundos depois ela bateu as palmas das mãos sob a perna e resmungou. – Quando te falei para ficar na sua e esperar, era para ter ficado na sua e esperado.

Bel serviu duas canecas de café e estendeu uma a Carol.

— Açúcar ou adoçante?

— Adoçante.

Bel entregou a amiga o frasco de adoçante, enquanto temperava seu café com açúcar, após terminar pegou alguns biscoitos cream cracker e saiu da cozinha sendo seguida por Carol, ambas se sentaram no sofá. Bel catou o controle remoto no canto do sofá e ligou a TV, bebericando em seguida o café quente e depois comendo alguns pedaços do biscoito.

Carol olhava para ela com uma expressão de desaprovação, mas vendo que a outra não estava disposta a contar o que aconteceu, resolveu se largar no sofá e assistir TV enquanto desfrutava de seu café.

— Zhan rompeu o noivado…

— O que?! – Carol virou o rosto para Bel surpreendida.

Zhan e Bel vira e mexe brigam, seja por coisas bobas ou até assuntos sérios, mas em todo aquele tempo nunca aconteceu de terminarem o relacionamento, podiam ficar alguns dias sem se falarem, mas logo depois conversavam e tudo voltava ao normal seguindo em frente com os planos de uma vida a dois juntos.

— Ele disse que não quer se casar.

— Como assim? Vocês estavam bem na Lapa, viemos para casa e apesar de eu está muito bêbada, me lembro de tudo… – De repente Carol parou de falar e colocando a caneca na mesinha de centro olhou sério a amiga. – Não me diga que você resolveu tocar nos assuntos sérios de madrugada?

— Não, eu só pedi para ficar comigo, dormirmos juntos e… – Bel sentiu as lágrimas virem e engoliu seco sua angústia. – Ele negou.

— E isso é motivo para vocês brigarem?

— Ele não queria ficar comigo, não queria nem me beijar… – Irritada Bel virou o rosto para a amiga com lágrimas nos olhos em tom ríspido. – E para completar mentiu para mim. – Virou o rosto para a TV. Quebrou uns pedaços de biscoito comendo enquanto chorava. – Foi ao banheiro nada, foi correr atrás de Wei Xian.

Carol estava tentando entender o que estava acontecendo até ouvir sobre Wei Xian, abriu os olhos ainda mais surpresa.

— O que tem a ver? Espera, Wei Xian estava na Lapa?

— Você reparou que tinha uma confusão em frente a Fundição Progresso quando veio se encontrar conosco.

— Sim, vi, mas era o Wei Xian?

— Zhan estava demorando e resolvi ir atrás e vi que Wei Xian estava no meio da confusão quando a PM chegou, voltei para o bar e alguns minutos depois Zhan chegou.

— E me deixa adivinhar? Vocês brigaram por ele ter ido até a confusão?

— Zhan se transforma quando se trata de Wei Xian.

— E você o questionou… – Carol levou a mão sobre a testa esfregando a têmpora. – Bel, amiga, por que você não deixou passar e durante o dia com todos descansados, aí sim, conversarem?

Bel continuava a beber o café olhando a TV, enquanto desabafava com Carol.

— Eu só perdi a cabeça porque ele se negou a ser carinhoso, se negou a ficar comigo… – As lágrimas começaram a rolar pela face. – Ele virou o rosto quando eu tentei beijá-lo, o que você pensaria?

Carol passou a mão no rosto e suspirou sem saber o que dizer a Bel, mas sabia que precisava falar algo.

— Amiga, não vou ficar repreendendo você e nem dizendo que fez certo ou errado. – Carol sentiu por ela. – Deve ser ruim mesmo sentir uma rejeição, que droga!

— Eu não quero olhar para ele nem tão cedo.

— Calma! Não tem como você evitar o Zhan, afinal tem um bebê vindo aí…

Bel baixou o rosto e passou a mão sobre o ventre, já havia uma pequena elevação, com três meses gestação. Quando descobriu a gravidez, estava perto de completar o segundo mês.

— Não tem problema se só for nós dois. – Afagando sua barrida ela disse: – E eu sou filha de mãe solo, posso muito bem cuidar do meu filho assim como minha mãe fez, não preciso de homem do lado, ainda mais um que me tratou com nojo.

— Ei, não pense que isso será fácil, duvido que o Zhan aceite não ficar perto do filho.

— Ele deveria ter pensado antes de dizer que não quer se casar.

Carol fechou os olhos e quando tentou argumentar.

— Amiga, não pensa nisso, vocês vão conversar e tudo vai se resolver, não toma decisões que vá se arrepender. – Carol sabia o quanto era desgastante uma situação de separação onde havia uma criança no meio. – Veja como foi comigo e o inferno que que passei com o Reginaldo e a Paty nesse rolo todo.

— O Zhan não é como Reginaldo.

— Sim, Reginaldo só queria me irritar, nem queria saber da filha, mas o Zhan não vai querer ficar longe do filho. – Carol continuava a acalmar a Bel. – Não usa seu filho para isso, sei que estar com raiva, entendo esse sentimento até apoio suas dores, não é legal ser rejeitada, mas é não usa o bebê nessa situação.

Carol se aproximou de Bel que nesse ponto chorava bastante e abraçou fazendo carinho em seus cabelos.

— Você tem que esfriar a cabeça e deixar passar um tempo, com calma eu acredito que os dois vão encontrar uma solução bem razoável. – Com um tom afetuoso ela continuo a falar. – Eu confio no seu bom senso e a conheço para saber que são esses malditos hormônios desajustados da gravidez que estão te fazendo pirar. – Carol começou a rir para aliviar a tensão.

Bel enxugou as lágrimas com a barra da blusa e olhou para a amiga quando se afastou de seu abraço. Fungou baixinho e balançou suave a cabeça.

— Eu só estava me sentindo de fora, ele não fala mais nada comigo… – Tomando fôlego ela continuou o desabafo. – Ele esqueceu quem sou, esqueceu de nosso companheirismo e tudo que vivemos nesses quase 10 anos…

— Eu duvido que tenha esquecido, já parou para pensar como ele está nesse rolo todo? – Carol levantou a mão antes que a amiga resmungasse. – Calma, não estou defendendo-o por te rejeitar, não é isso. – Cara, você sabe que ele não sabe expressar bem situação como essas.

Bel olhou para Carol pensativa e inspirou baixo.

— Homem, amiga, me diz qual deles que consegue se expressar de forma a ser entendido? – Carol riu dando de ombros. – Pode ser brasileiro, japonês, inglês ou chinês… São homens e continuam na mesma vibe de não expressar os sentimentos.

Bel nesse momento sorriu com a Carol.

— Veja só, vou primeiro me colocar no lugar dele. – Carol imitou a expressão séria de Zhan, arrancando uma gargalhada de Bel. – Então, né assim, hahahahahahaha… – Caiu na gargalhada junto.

Bel fez uma leve careta e concordou.

— Ele não tem as memórias de sua vida antes do acidente, de repente aparece a pessoa que o conhecia. – Carol levantou um dedo. – Uma pessoa que era namorado dele, que o conhecia melhor que qualquer pessoa. Não se esqueça que Zhan é ansioso e piorou muito com os acontecimentos de tantas descobertas. – Carol colocou a mão na cabeça. – Amiga, na boa, eu não queria mesmo estar no lugar dele, a cabeça dele deve estar um nó daqueles.

— Eu sei, mas se ele confiasse em mim em vez de me deixar de fora, poderia ajudá-lo. – Bel murmurou ainda triste.

— Amiga e aí que me coloco no seu lugar e realmente se sentir de fora e não poder ajudar é muito ruim. – Carol suspirou. – Nesse caso os dois não tem condições nenhuma de tomarem decisões. – Esboçando um sorriso carinhoso, Carol diz: – Nesse caso, realmente se casar é um grande erro.

Bel olhou para Carol sério e chegou a prender o ar com aquelas palavras.

— Casar-se para viverem dessa forma? Não, nesse caso concordo com Zhan em não querer casar.

— O que eu faço? – Bem murmurou.

— Nada. – Carol sorriu. – Deixe a maré seguir o rumo e navegue nela… fluindo… fluindo… – Com a mão no alto ela imitou ondas do mar.

Bel olhou para Carol e seus olhos foram estreitando quando falou secamente.

— Você é uma cretina.

— EU?! – Carol esboçou uma expressão desentendida.

— Fica dando conselhos e no seu caso faz tudo ao contrário.

— Olhe bem, faça o que digo, não faça o que faço.

— Idiota.

— Grávida surtada.

Bel abriu os olhos e pegou uma almofada para tacar nela.

— Safada, ver só Luan sua madrinha é uma cretina.

— Luan? – Carol segurou a almofada e sorrindo olhou para a barriga de Bel. – Como sabe que é menino? – Colocou a almofada no colo. – E nem fez o ultrassom para saber.

— É menino, sinto desde que soube. – Acariciando a barriga ela murmurou. – Se eu e Zhan não ficarmos juntos, não o queria longe de nós.

— Ele não vai ficar longe de vocês, tenho certeza disso.

— Será? – Bel olhou para a TV que passava um programa de culinária. – Se ele for embora para a China com Wei Xian?

— Amiga, você acha mesmo?

— Carol, acho não, tenho certeza. – Bel sorriu e bufou em seguida. – Eu estava sentindo a um bom tempo, aliás desde que Zhan começou a trabalhar na JW com Wei Xian. – Bel fechou os olhos como quem quisesse ter coragem de dizer o que era inevitável. – Ele está apaixonado…

— Eita… – Carol olho-a um tempo. – Que coisa, deve ser por isso que ele não quer se casar.

— Hurum… – Bel passou a mão nos longos cabelos castanhos e o levou ao alto fazendo um rabo de cavalo e prendendo com um elástico colorido que tinha no pulso. – Eu gosto muito dele, mas se ele não gosta mais de mim, não da mesma forma que eu…

— Bel, já parou para pensar, será mesmo que você gosta ainda do Zhan?

— Claro que gosto dele, meu rabugento favorito. – Sorriu.

— E o frisson, aquele gelinho na barriga quando a gente olha para pessoa, ainda é assim?

Bel juntou as pernas apoiando os pés no sofá pensativa olhou a amiga que continuou a falar.

— Sabe isso eu e muita gente já tinha reparado, tem horas que os dois parecem mais irmãos que um casal. – Carol começou a estalar os dedos. – E isso é bem antes de toda essa história, não é de hoje que te falo que vocês dois estão mornos. Cadê o fogo? Cadê aquela ansiedade da espera dele chegar? Cadê os arrepios quando ele abraça por trás? – Carol riu com olhar bem malicioso. – Será mesmo que ainda é amor, paixão e essas coisas deliciosas de casal?

Bel suspirou, pensativa em todo aquele tempo buscou na mente quando foi que tudo isso sumiu entre ela e Zhan.

— Eu não sei… – Preocupada sentiu um leve palpitar no coração quando sentiu que realmente haviam esfriado. – Nem sei quando começou a ficar assim… morna…

— Bel, talvez seja mais questão de ego, de não querer perder ou algo do tipo que você vem forçando a relação, aliás vamos por a culpa nos dois, ambos vem forçando essa relação e sei bem quando esfriou, foi quando sua mãe ficou doente.

Bel abriu os olhos um pouco surpresa, por fim pensou na época que estava tão voltada para cuidar da mãe que estava com câncer que mal dava atenção a Zhan e seu relacionamento. Zhan apesar de se mostrar presente em muitas das vezes, respeitava e esperava por ela na maior parte do período de tratamento da Alba, mãe da Bel.

— É… – Carol notou que Bel percebeu. – Depois que sua mãe faleceu, as coisas ficaram tão fraterna entre os dois que me dava agonia, mas do nada começaram com essa história de realizar o desejo de dona Alba, ter um filho. – Carol bufou baixinho. – Amiga, na boa, são mais de 3 anos forçando esse relacionamento, os dois não se ligaram que isso passou a ser uma grande amizade, nada mais.

— Eu… – Tudo que Carol falava começava a fazer sentido. – Como eu não me liguei nisso…?

— Jogue a culpa nos hormônios loucos da gravidez, mas eu sei que com sua inteligência logo perceberia, só que eu estava com medo de que se casassem e descobrissem depois a cagada que ambos estavam fazendo.

— Que droga!!! – Bel levou a mão a cabeça suspirando chateada. – Agora eu entendo porque fiquei tão puta, ele parou de me falar das coisas e isso me fazia sentir rejeitada, mas por conta de ficar de fora. E como me sinto e pensava que era a sua confidente fiquei bolada por Zhan não me falar nada.

— EGOOO!!! Hahahahahaha…

— Palhaça!

— E aí, já que a Bel “safo” está de volta, o que pretende fazer?

— Procurar o Zhan, conversarmos e…

— O que?

— Admitir que realmente não devemos nos casar… – Bel engoliu seco sentindo medo daquelas palavras. – É tão assustador.

— Por quê?

Bel deu de ombros e esboçou leve tristeza no olhar.

— Bel, vocês vão terminar uma relação desgastada, mas vão continuar juntos como amigos. – Carol tocou o ombro dela. – Nem tem como se separarem para nunca mais se verem, tem o Luan e como te disse, DUVIDO, que Zhan vai ficar longe do filho.

Carol levantou e deu a mão a amiga.

— Levanta-se, vá tomar um bom banho e ficar mega gata, porque você vai procurar o Zhan para uma conversa sincera e resolverem tudo.

— Você está certa, sempre poderosa!

— Isso mesmo. – Carol concordou e depois esboçou um sorriso arteiro. – Agora cá entre nós, amiga não me mate, mas temos que admitir uma coisa.

Bel levantou, calçando o chinelo, estreitou os olhos resmungando:

— Lá vem… Diga logo.

— Amiga, temos que admitir uma coisa, Wei Xian, pai amado, ele é lindo demais. – Carol seguiu atrás de Bel que estava indo para o quarto pegar roupa para o banho. – Quem não se apaixonaria? Ele todo fofo e sem jeito naquele dia que o Zhan trouxe na festa. Lindo, parece artista de dorama.

Bel começou a rir e concordou com aceno de cabeça.

— Ele é lindo, claro que reparei. – Bel fez uma careta breve. – Só magrelo demais para meu gosto, mas o resto é bem bonito.

— Ah, amiga, meu gosto estava ótimo, aliás notou a bunda que ele tem redondinha?

— Não reparei, mas se você diz, eu acredito, já que deve ter secado ele todo naquele dia da festa hahahahahaha… – Bel parou na porta do banheiro e olhou séria para Carol. – Porra Carol! Acabei de shipar meu ex-noivo, pai do meu filho com o chefe dele.

— Hummm…. Eu shipo é muito. – Carol parou na porta e empurrou a amiga comentando. – Parece até aquele doramas boys love que a gente via bastante, lembra?

— Parece sim, nossa, todo esse rolo, lembra mesmo. – Bel sorriu mais tranquila. – Será que sou a empata foda do casal? – Fez uma careta rápida entrando no box. – É ruim, hen! Eu não tenho nem quero ter o papel de vilã.

— Que vilã nada, você é Anabel a melhor amiga do protagonista que vai ter um filho dele.

Bel entrou embaixo da ducha fria sentindo aliviada, apesar de seu coração ainda um pouco triste, mas ela sabia que de alguma forma iria ficar bem.

Continua…

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