Lucca e Arthur se encontraram novamente depois de um ano sem trocarem mensagens ou se verem pessoalmente. Para o nosso personagem título aquele encontro havia trazido memórias que o mesmo pensava ter esquecido depois de ter começado seu relacionamento sério com Samuel, porém sempre estiveram ali só que foram guardados em um baú que depois do reencontro foi aberto.
O retorno daquele sentimento foi o bastante para balançar as estruturas sentimentais de Lucca, de novo todo seu drama anterior retornou e se perguntava se seria um dia possível esquecer sua paixão por Arthur.
O ex-melhor amigo estava em um relacionamento sério com uma garota e ele também em um relacionamento com Samuel. Os seus sentimentos, o seu gostar, o seu amor pelo o roqueiro era realmente sincero e não queria acabar com uma relação que, apesar dos seus ataques de ciúmes, estava caminhando por uma estrada ótima. Lucca não era burro o suficiente ou desligado da realidade o suficiente para jogar toda sua história com Samuel pela janela e investir em algo que já foi fracassado no passado, entretanto, teria que continuar lutando contra.
Tinha se arrependido de no dia não ter recusado a proposta de encontro entre os quatro, queria ter feito, porém os outros três ficaram animados com a ideia e Samuel ainda não sabia que antes dos dois acontecerem como um casal, Lucca era perdidamente apaixonado pelo o rapaz de olhos brilhantes que um dia foi seu melhor amigo. Não sabia o que esperar daquele encontro só que tinha certeza de que não poderia acabar bem. Em algum momento a situação desmoronaria, o namorado ficaria sabendo dos seus sentimentos antigos pelo ex-melhor amigo e as circunstâncias que levaram Lucca a falar com ele naquele dia no auditório do curso.
…
— E você vai nesse encontro? — perguntou Gabriela enquanto bebia sua xícara de café.
— Acho que sim. — respondeu Lucca.
Os dois amigos estavam sentados a uma mesa de café servida em um final tarde ensolarado e preguiçoso na casa da garota. Um delicioso vento batia bem sutilmente contra os dois amigos contraponto o calor que o astro alaranjado emitia contra a Terra naquele momento. Sobre a mesa, além do café preto que os dois bebiam havia anda pães franceses, margarina, presunto e queijo, além de um bolo de banana caramelizada, especializado de Gabriela que havia ensinado a Lucca naquela mesma tarde.
— Eu não tenho muito para onde fugir. Não quero contar para o Samuel o motivo de eu não querer sair com o Arthur porque vou ter que falar que eu tive uma queda por ele.
— Entendo, é só dizer que não quer ir.
— É, mas se ele perguntar, não vou conseguir esconder muito. — suspirou o garoto se recostando para trás.
— Então vai encarar isso?
— Sim, eu vou.
Silêncio por alguns segundos.
— Desculpa, mas eu queria ser uma mosca para poder assistir a isso.
…
Quando chegou ao paradão da universidade federal se deparou com o seu namorado lhe esperando, aquele dia estava chuvoso e o roqueiro se encontrava com um guarda-chuva, como Samuel sabia que, provavelmente, Lucca se esqueceria desse detalhe trouxe um guarda-chuva bem grande onde ele e o namorado conseguiram se salvar da chuva.
O garoto gordo cumprimentou o namorado com um beijo em seus lábios e o mais alto correspondeu aquele ato, em seguida se abraçaram forte. Jogaram conversa fora enquanto esperavam pela condução e continuaram fazendo isso quando estavam dentro do veículo em direção ao shopping da cidade.
Tiveram que descer na parada mais longe do shopping porque se perderam na conversa e passaram na parada de ônibus que ficava em frente ao shopping onde se encontrariam com Arthur e Isabela para assistirem a um filme, depois caminharem pelas lojas do prédio comercial. Não pegaram chuva graças ao gigantesco guarda-chuva que estava nas mãos de Samuel tiveram que ficar bem grudadinhos para que realmente as gotas de água não entrassem em contato com suas roupas.
— Será que eles já estão aqui? — perguntou Samuel enquanto guardava o guarda-chuva em um plástico oferecido pelo shopping.
— Não sei…
— Aquele Arthur não era seu amigo? Pergunta pra ele, com certeza você deve ter o número dele.
— Ah, claro que eu tenho. — respondeu Lucca sorrindo e em seguida retirou seu celular do bolso. Tinha excluído o número do ex-melhor amigo depois de não ter respondido a tentativa de contato do mesmo e também excluiu o chat da conversa. Fingiu que mandou uma mensagem. — Ele não tá online, espero que veja a mensagem.
— Bom, vamos para a praça de alimentação esperar eles lá?
— Claro.
O militar e a enfermeira chegaram uns vinte minutos depois e encontraram o casal de amigos porque Arthur não havia excluído o número de Lucca ou o chat da conversa. Os quatro estavam sentados a mesa, Arthur de frente para Lucca e Samuel de frente para Isabela.
— Então, a gente vai comer primeiro? — perguntou Samuel.
— Eu to pela a maioria. — respondeu Lucca.
— Eu acho que seria legal a gente caminhar um pouco antes porque eu to sem fome agora e se eu caminhar um pouco, talvez, a minha fome apareça. — respondeu Isabela sorrindo. Ela sempre falava alguma coisa sorrindo. Isso irritava o nosso protagonista.
— Eu concordo. — finalizou Arthur.
— Ah que droga… — sussurrou Lucca, entretanto todos a mesa escutaram e os olhares se focaram nele.
— Se você quiser comer primeiro, a gente pode. — o roqueiro falou rindo da situação.
— Não, tudo bem. Vamos caminhar. — disse o estudante de jornalismo dando de ombros. — Vai ser bom porque, bem, eu sou gordo e preciso caminhar.
— O quê? — perguntou Samuel confuso.
— Só vamos andar. — respondeu Lucca também não compreendendo o motivo de ter dito o que disse alguns segundos atrás.
Arthur e Isabel estavam caminhando alguns passos a frente de Lucca e Samuel, ambos os casais estavam abraçados. O olhar do nosso protagonista não conseguiam desfixar do casal a frente, o roqueiro já tinha percebido isso.
Samuel ainda não socou que tipo de relacionamento os dois haviam tido no passado, porém conseguia sentir o ciúme nos olhares do seu namorado e não sabia por quanto tempo conseguiria esconder que aquilo estava o incomodando profundamente. Continuaram caminhando pelos corredores do shopping, observando as vitrines das lojas e algumas vezes entrando nas mesmas. O roqueiro continuava percebendo os olhares do namorado para o militar.
…
— A gente precisa conversar. — disse Samuel depois de sair do banheiro de sua casa, Lucca terminava de beber uma xícara de café.
— Você parece sério. — notou o garoto gordo enquanto o outro rapaz sentava ao seu lado no sofá. — Aconteceu alguma coisa?
— Eu vi o jeito que você olhava para aquele seu amigo e a namorada dele, eu não vou mentir que me incomodou bastante e fiquei com ciúme. — suspirou e voltou a falar. — Eu quero ir direto ao ponto.
— Tudo bem…
— Lucca… Você e esse seu amigo, Arthur, vocês já tiveram um caso? Namoraram, ficaram?
— A gente não teve um caso, bem, quer dizer a gente passou um tempo transando, mas não tivemos nada semelhante a um relacionamento. — segurou as mãos do roqueiro com firmeza. — Como eu e você temos.
Samuel recuou suas mãos. Continuou:
— Vocês transavam, era isso? Mas, então, você gosta dele? Me explica melhor porque deu pra notar muito bem que você tem ciúme desse cara.
— Arthur foi meu primeiro melhor amigo, minha primeira vez, não foi o primeiro por quem me apaixonei, mas sim eu tinha sentimentos fortes por ele.
— Sentimentos fortes… Ahm, ainda gosta dele?
— Eu te amo, Samuel. — disse o garoto gordo tentando fazer uma voz doce em uma tentativa de acalmar o namorado.
—Lucca, qual é, não foi isso que eu perguntei. — rebateu o roqueiro sério.
— Ah, tudo bem. Eu gosto muito de você, eu te amo, isso é verdade. Só que eu não sei exatamente o que eu sinto ainda pelo Arthur, sim eu fiquei com ciúme dele, porém eu também tenho muita raiva dele.
O mais velho levantou do sofá, pensativo. Passou suas mãos sobre seu cabelo e segurou seus sentimentos com toda a força para não explodir naquele momento, não queria explodir em nenhum momento e por isso seguraria tudo até passar.
— Eu acho que você ainda gosta desse cara, eu não sei o que te falar porque nesse momento eu não estou bem.
— Samuel…
Lucca levantou e tentou se aproximar do roqueiro, mas o mesmo se afastou rapidamente.
— Pega um Uber e vai para a sua casa, a gente se fala amanhã.
Samuel deu as costas e entrou em seu quarto. Um silêncio horroroso e doloroso preencheu aquela sala.





