Relatos de Ying Solo – O Sequestro – Capítulo 5 – Encurralada!

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– Vamos, Ying!! – Venom gritava, enquanto aumentava a pressão em meu pescoço mais e mais, até eu sentir como se ele fosse quebrar a qualquer instante. – Não me decepcione!! Você é minha filha! Não pode ser tão fraca assim!!

Eu me ajoelhei no chão frio, quase sem forças, sentindo a vida abandonar meu corpo. Sim, frio era o que sentia se espalhando por todo meu corpo. Aquela história de filme passando diante dos olhos quando se vai morrer é a mais pura verdade e os momentos onde conheci mestre Tarsis naquele resgate inesperado e a meu querido e super-protetor irmão-de-sabre Kar-Ani foram os que mais me emocionaram.

Mestre… Irmão querido… – duas lágrimas corriam, enquanto sentia eles me procurando. – O-obrigada …por …tudo e…Adeus…

– Maldita garota estúpida! Reaja!! Ou a matarei! Não lhe resta muito tempo!

Então ela sentiu meus pensamentos.

– Bem… – ela tornou a sorrir. – Já que não se importa com a própria vida…Quem sabe também nem se importará se eu liquidar com seu querido irmãozinho de sabre ou aquele seu mestre pretensioso? Posso matá-los bem devagar pra que sofram bastante ou fulminá-los duma vez só, que acha disso? Ou até mesmo todos os seus amigos do templo Jedi? Sim!! Podemos fazer isso, embora essa fosse uma ideia ainda remota…Ou quem sabe…Apenas o Grão-mestre Luke Skywalker, a quem tanto…”admira” em segredo…

Ouvindo aquilo, ouvindo ela ameaçando daquela maneira a todas as pessoas a quem eu mais amava, um desespero sem tamanho tomou conta de mim. Minha mente ficou vazia, uma emoção violenta me invadiu e uma força que desconhecia ter aflorou de repente…

De repente, tudo acabou. Consegui afinal voltar a respirar. Tossindo desesperadamente, tomei aos poucos conhecimento de que estava viva ainda, enquanto minha mente ia aclarando. Massageei meu pescoço dolorido, onde um enorme e feio hematoma se destacava na pele alva e delicada.

Então ouvi aplausos. Lentos, irônicos.

Lady Venom tornava a se aproximar.

– Vocês, jedis, são mesmo uns tolos sentimentais…Muito bem, minha jovem…Você caiu na minha armadilha… Conseguiu me dar um belo empurrão. Superou em muito minhas mais altas expectativas em relação à você. Ele vai ficar contente em saber disso…Mal posso esperar em comunicar tudo o que se passou aqui…Orgulhe-se, criança! Querendo ou não, você se tornará um dos pilares do Novo Império!

Eu não conseguia falar ainda, mas sacudi a cabeça, negando veementemente.

– Pena que terei que me ausentar um pouco e deixá-la sozinha com esses brutos, pobrezinha, pois, infelizmente, comunicações de qualquer tipo são impossíveis na Estação Crseih…

Então ela se voltou e gritou:

– Guardas! Levem-na para… a cela especial. – e disse, sorrindo maldosamente. – Tenho certeza de que alguns dias, sem água e sem comida, numa cela totalmente escura quebrarão essa sua crista e a tornarão mais dócil, minha querida.

**************

Kar-Ani, vendo que seu mestre não conseguira localizar Ying, pegou o datapad com as informações e mostrou para Tarsis, apontando para as imagens de estações em um local remoto da galáxia
– Olhe… Temos 7 possibilidades e todas elas ficam próximas, o que é uma vantagem, então a gente pode rondar as 7 estações e quando nos aproximarmos da estação correta, deverá ter guardas do lado de fora, fazendo uma ronda…

Kar-Ani terminou de falar e subitamente sentiu a presença de Ying “fortalecer”, como se não estivesse mais perto de morrer, então olhou para seu mestre, aliviado.

– Acho que a Lady Sith estava apenas testando Ying… Então, se a presença dela aumentou, acho que pode localizá-la, não?

Tarsis parou e se concentrou por um momento. A presença de Ying estava mais forte de fato. Então Tarsis deixou sua mente divagar, fluir pela Força, até chegar a tocar a presença de Ying. Em um ponto remoto da Galáxia, próximo à orla exterior, Tarsis a encontrou. Então abriu os olhos e fala com Kar.

Kar, mostre-me aquelas coordenadas outra vez!

Tarsis examinou as coordenadas cuidadosamente confirmando o que a Força já havia lhe mostrado. Tratava-se de uma estação próxima a uma estrela anã-branca no sistema Crseih.Não era de se admirar, então, que não conseguissem captar mais sinais do localizador. Tarsis ponderou por um momento, lembrando-se dos relatos de que Hethrir, o Procurador da Justiça Imperial1 tinha uma estação espacial que servia como base de pesquisas nessa área.

– Como suspeitei! É lá que a Ying está, Kar! Na Estação Crseih! E é para lá que vamos! Venha, vamos comunicar isso a Mestre Skywalker!

Kar-Ani saltou de felicidade por dentro, guardando o DataPad, salvando a localização da estação.
Agora só precisamos falar com mestre Skywalker e traçar um belo plano de resgate. – Pensou, animado. – Espere só mais um pouco, irmã! Estamos indo!

************

Ainda um pouco atordoada, fui levada para o subsolo da estação. Os corredores se tornavam cada vez mais sombrios e quentes, parecia que o sistema de refrigeração da estação não chegava até lá. Lógico, pensei enquanto era praticamente arrastada pelo caminhos intermináveis até ser jogada numa cela úmida e totalmente escura, tanto que os dois guardas que me escoltavam portavam lanternas.

– Lady Venom deve realmente odiá-la para deixá-la num lugar como esse. – disse um dos guardas. Pro meu desagrado reconheci aquele que havia reparado em mim na boate. De maneira asquerosa, ele roçava a boca, cujo hálito era extremamente fétido, no meu pescoço enquanto prendia meus pulsos nas correntes presas às paredes. – Como se não bastasse o calor aqui chegar a quase 50 graus às vezes, era aqui que eram torturados os prisioneiros mais renitentes… Dizem que os gritos ainda podem ser ouvidos na calada da noite…Se bem que é sempre noite aqui, não é mesmo, meu bem?

As mãos dele se tornavam mais ousadas. Eu trinquei os dentes e fechei os olhos de nojo daquele homem horrível, até que não me aguentando mais, antes que me agrilhoassem as pernas, lhe apliquei um pontapé bem dado nas partes baixas que o fez urrar de dor, pra minha satisfação.

– Mantenha suas mãos longe de mim, seu imundo!! Sou uma prisioneira muito importante, sabia? Não devia danificar a…”mercadoria”. – Falei, com ironia e desafio.

– Ela tem razão, Kreits. – Ponderou o outro guarda. – Korbain não aprova esse tipo de coisa…Você vai arrumar confusão pra nós dois!

– Só se você der com a língua nos dentes, seu idiota!! – Falou ele, de mau-humor, enquanto prendia as minhas pernas. Então agarrou meu rosto com raiva, aproximando o dele.

– Você não vai escapar hoje mais tarde, sua vadia! Korbain Thor pode não aprovar, mas Lady Venom nos deu carta branca antes de embarcar pra que fizéssemos o que bem entendêssemos com você, se é que me entende… Disse que poderá ajudar a “domá-la”… – e deu uma risada debochada, quando me esquivei de um beijo. – Até mais tarde, então…

Eles se foram e eu fiquei sozinha na completa escuridão.

– Não há Caos, há Harmonia… – recitei, respirando profundamente.

Olhei em volta, mas não conseguia ver quase nada e até que me gabava de ter boa visão noturna.

Tentei expandir meus outros sentidos. Somente a Força ainda parecia bloqueada. Devia haver ysalamiris ali também. O calor se tornava mais e mais sufocante. Estava morrendo de sede e minha barriga roncava vergonhosamente. Nem tinha ideía de a quantas horas não punha nada no estômago. Não comera nem bebera nada na boate e nem na Academia antes de sair pra minha “aventura”. Estava sem fome, mas agora…

Uma onda de tontura e náusea tomou conta de mim ao imaginar o que me esperava a seguir…mas me controlei com toda minha força de vontade. Aquele nojento estava querendo uma festinha? Pois bem, ele teria…Mas não exatamente o que imaginava… – sorri maldosamente, sentindo o chip que abriria os grilhões oculto na palma da minha mão direita.

As horas passavam lentamente…Não tinha como saber quanto tempo tinha passado. O pior de tudo era a expectativa. Esperava que o que tinha planejado desse certo. Outra coisa que talvez complicasse é que não me sentia nada bem. Minhas costelas doíam muito, isso somado à fraqueza pela falta de alimento e água, com certeza dificultaríam e muito minha possível fuga, mas nada ia me impedir de tentar…

A escuridão e o silêncio eram totais, se bem que esse realmente era quebrado ocasionalmente por gemidos e ruídos perturbadores… O que ele disse sobre antigos prisioneiros podia bem ser verdade. Minha pele arrepiava-se, os sentidos alertas…

Oh, Deus…Não permita que eu morra aqui e me torne mais um desses pobres infelizes…

Nesse momento, escutei um ruído na fechadura da porta da minha cela. os cabelos da minha nuca eriçaram-se, todo meu corpo se preparou para ação. Até as dores passaram em virtude da descarga de adrenalina no sangue.

Bom, eu não consigo usar a Força aqui, mas isso não significa que não vou dar trabalho… – pensei, dando o característico sorriso dos Solo.

A porta se abriu e se fechou logo em seguida, a luminosidade tênue de uma lanterna se difundiu pela cela.

– Agora, minha bela, você é toda minha… – o sujeito ia dizendo, quando percebeu que não havia ninguém acorrentado ali. – Mas o q…Onde você está?

– Aqui, seu porco!! – de um canto mais obscuro da cela, surgi de repente, e dei-lhe um chute nas costas que o atirou contra a parede, de onde ele deslizou, completamente atordoado para o chão.

Aproveitando a chance, tratei de procurar a chave da cela. Só que pro meu azar, o desgraçado não agia sozinho. O outro sujeito que estava com ele, atraído pelo barulho entrou na cela, apontando um blaster contra mim.

– Q-quietinha aí, moça! Não pense que vai fugir!

– Eu não penso… Eu VOU fugir daqui! Fique só olhando…

Me aproveitando que o Bounty Hunter parecia ser um novato inexperiente, antes que ele pensasse em disparar em mim, dei um salto e sumi de vista na parte mais escura da cela. Escutei o rapaz atirar duas vezes a esmo e praguejar algo que nunca ouvira antes, enquanto me esgueirava de gatinhas até a saída.

Pro meu azar, o primeiro sujeito acordou. Nada satisfeito, é claro. Pegando a lanterna, puseram-se os dois a me procurar até que…

– Ha! Aí está você, sua ratinha!! Azar o seu, querida! Agora terá que encarar nós dois e não seremos gentis com você!

A porta estava aberta, eu estava quase fora, mas senti que ele estava muito mais perto do que pensava e quando me ergui e virei, vi que apontava a arma pro meu coração.

– Você não se atreveria… Thor arrancaria seu couro e nem quero pensar no que faria Lady Venom…

Ele sorriu e se aproximou mais.

– Isso eu vejo depois…Agora é pessoal, moça… Eu vou conseguir o que vim buscar aqui e se for do modo difícil, tanto melhor…

Continua…

1Livro A Estrela de Cristal, de Vonda McIntyre

 

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  • Tomara que a Espoleta consiga escapar desses vilões. Adorei o episódio. Parabéns, Andréa!

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