Diante deles estava a sala do trono, ali se daria o fim daquela aventura para todos eles. Lucca olhou para as duas com satisfação pois sabia que havia cumprido a promessa que fizera.
Apoiando as mãos em ambas as portas o garoto se pôs a empurrá-las, porem as elas não haviam se movido nem um centímetro.
— Me ajudem com isso, — ele pediu empurrando com mais força aquela barreira. — estão emperradas.
O grupo se dividiu em ambos os lados da porta dupla, fazendo força, só então um rangido abafado ecoou, revelando a eles um novo salão muito maior do que qualquer coisa que eles já haviam visto naquele reino.
Um tapete vermelho se estendia até a outra extremidade da sala escura, cuja única fonte de luz vinha de uma janela circular com uma cruz no meio. Na extremidade oposta dois tronos em ouro maciço jaziam solitários em meio a penumbra.
Eles observaram o local por algum tempo.
O trono do lado direito devia pertencer ao rei, pois era maior que o outro e cheio de pedras preciosas em volta. O segundo era mais delicado digno de uma rainha a cima deles uma tapeçaria revelava um imponente hipogrifo de asas abertas pronto para abocanhar sua presa. — o escudo da família Tazardhur.
— Olá meus amigos. — Disse uma voz vinda da escuridão.
— Quem está ai? — Perguntou Aredhel caminhando em direção ao desconhecido. – Quem ousa usurpar o trono de meu pai?
— Eles sabem quem eu sou minha querida. — Disse o homem levantando-se das sombras. — mas, é rude de minha parte que eu não me apresente. Meu nome é Zaon, novo senhor de Ézius.
O homem vindo das sombras ainda encobria o rosto num capuz negro. O enorme salão ainda imperava respeito, apesar de ter profanado por ele.
. — Nunca pensei que vocês chegariam aqui vivos. — Disse Az levantando-se do trono. — Muito bem.
— Era questão de tempo até a gente se encontrar cara a cara Az. — Disse Lucca encarando-o com uma fúria jamais vista por eles antes.
Az esboçou um leve sorriso antes de voltar sua atenção ao homem que o fuzilava com os olhos.
— Em pouco tempo eu terei o controle de tudo. — Ele disse chegando cada vez mais perto. — Ézius deixará de existir, assim como a própria terra para dar lugar a um mundo totalmente novo.
— Você está louco. – Disse Adam retirando das costas o machado pronto para a luta.
— A loucura está nos olhos de quem vê, meu caro. Eu disse a vocês que estava pronto para uma guerra, não disse.
— É só dar o sinal e a gente parte pra luta. — Tonny completou também sacando sua arma.
– Por que tudo isso?
Lucca fez um sinal silencioso com as mãos indicando que eles esperassem.
— Isso não será necessário. — Az retrucou sorrindo. — As feras rei estão prontas para retomar esta terra, e diferente de antes elas terão a mim como senhor. Elas obedecerão a mim.
— O que você disse? — Artur perguntou. — A culpa de tudo isso é sua?
— Não… A culpa de tudo isso é dele. — Az mantinha o dedo apontado para Lucca. — Por culpa dele, ela não quis ficar comigo.
— Ela…, do que você está falando? — Perguntou Drew sem entender o porquê de tudo aquilo estar acontecendo
— Não me diga que o Anjo não sabe a resposta.
— Sim. Eu sei.
— Do que ele está falando Lucca? — Drew perguntou o que todos ali queriam saber.
— Meu pai não está aqui. — Lucca respondeu sem animação. — Ele mantém outra pessoa prisioneira.
— Como assim? — Jimmy perguntou.
— Agora é a hora da cartada final… Mas antes que tal um joguinho. Você ainda não se deu conta não é…. — Ele disse num sussurro audível. — Isso não é um jogo, nunca foi. Tudo aqui faz parte de uma realidade.
— Eu sei…
— O que? …
— Você ainda me subestima Ângelo, que coisa feia. — Lucca sorria como nunca havia sorrido na vida. — Esse lugar é apenas um dos múltiplos universos existentes.
— Então você sabe.
— Foi aqui que tudo começou, e é aqui que vai acabar. — Disse a figura encapuzada retirando o manto que cobria seu rosto.
— Isso não vai acabar aqui. Não sem sua morte Zaon.
***
Ângelo aproximou-se de seu alvo em questão de segundos, sua voz ofegante lhe dava indícios de que sua vida estava por um fio.
— Isso é imperdoável. — Os olhos de Lucca o fitavam com fúria. O ódio em seu peito aumentava a cada palavra que Az proferia.
— O alvo sempre foi você, o mais fraco dos cinco. O garoto problema que desconhece o próprio passado. Eu vou te contar o que o teu pai nunca quis que você soubesse, o elo entre vocês vai muito além de uma paixão adolescente. É um elo de sangue. Vocês dois eram a única coisa que impediriam o renascimento de Zaon por completo.
Uma expressão de dúvida tomou conta de seu rosto por alguns segundos, enquanto ele parecia ligar todos os pontos daquela aventura maluca.
— Mais uma vez, o grande Anjo encontra a resposta tarde demais.
— Tudo não passou de uma brincadeira para você. Quantas pessoas morreram por conta deste ser que você ainda traz em seu coração?
— Eu precisava dela para concluir meus planos. Eu só fiz isso porque ele me jurou trazê-la de volta. Para abrir a porta de um novo reino eu teria de destruir as duas chaves que selam a passagem.
Agora tudo começava a fazer sentido.
— Eu sou a chave para o reino perdido de Atlântida.
— Tolo, o sangue dela ainda corre em suas veias. — Ele disse cravando ainda mais fundo a adaga em seu peito. — Você e sua querida irmãzinha são a chave para o renascer de uma nova era, onde eu serei o rei de um novo mundo
— Como você se atreve a brincar com a vida dos outros assim seu idiota! — Esbravejou ele ainda com os olhos fixos no corpo inerte da garota em seus braços.
Ela mal teve tempo de dizer suas últimas palavras, e junto com elas o ultimo sopro de vida foi levado, sobrando apenas lembranças.
— É muito simples Lucca, — disse ele. — Se ela não pode ser minha, não será de mais ninguém.
— Você é doente. — Ele disse ainda tomado pelo desespero.
— Doente, não. Eu apenas fiz o que estava em meu alcance para conseguir os meus objetivos.
— Belo objetivo esse seu, se entregar a uma coisa desprezível com a promessa de um novo mundo.
Az caminhou vagarosamente pelo grande salão, contemplando os corpos caídos de seus inimigos, a dura batalha teria seu fim naquele momento.
— Isso é imperdoável. — Disse ele, sendo tomado por uma sede de sangue sobre-humana.
— Sabe Lucca, nós não somos tão diferentes assim. Você, assim como eu, a usou para conseguir poder. Mas, diferente de você eu a amava… — Uma lagrima caiu de seu rosto enquanto caminhava. — Eu ainda a amo, e, quando tudo isso acabar eu a terei junto de mim em um novo mundo.
— Mentira! — Lucca se virou e encarou Az nos olhos.
Lagrimas corriam em sua face ao ver todas aquelas atrocidades cometidas por Az para satisfazer um mero capricho.
— É mentira? Você não usou o fato de ela amar você para controlar seus poderes.
— Isso foi diferente… — Ele tentou argumentar.
— Diferente em que? Essa é a mais pura verdade, e você sabe.
— Você tem inveja de mim. — Disse ele tomado pela fúria. — Eu tenho tudo o que você quer e não pode ter.
— Você não é diferente de mim. Você usa as pessoas para satisfazer o seu ego… A única diferença entre nós é que eu não me apego a elas.
***
— Venha Querida. — Ele Chamou a garota que se escondia na escuridão.
Caminhando em direção a ele, Alice parecia um zumbi obediente, não expressava nenhuma reação ao ver Lucca diante dela.
— Alice!
Lucca estava surpreso ao vê-la daquela forma. O rosto estava desfigurado, pálido e com uma expressão dura. Com toda certeza ela havia sido torturada fisicamente.
— Eu jamais poderei perdoá-lo seu miserável. — Aredhel gritou vendo o homem encapuzado sentado no trono de seu pai.
Ao lado dele Az encontrava-se de pé segurando um cajado.
O garoto tinha os olhos fixos em Lucca, vestia uma túnica negra igual ao mentor, mas diferente dele Az não cobria o rosto. Frente a frente, Lucca pode finalmente encara-lo nos olhos. Dominada pela raiva
Aredhel avançou com todas as forças em cima do inimigo.
— Essa luta não é sua princesa. — Disse ele sacudindo uma das mãos.
Aquele simples gesto fez com que Aredhel recuasse para onde os outros dois estavam. Era como se uma força estranha a puxasse para traz, impedindo-a de concretizar seu desejo.
— Você matou meu pai! — Ela continuou gritando com os olhos cheios d’agua.
— Isso foi irrelevante para os meus planos. — O homem sentado respondeu voltando-se para Lucca.
— O que você fez com ela? — Lucca perguntou. — Como você pode deixar que ele a machucasse?
— Ela ficará bem quando tudo isso acabar, mas para isso esse mundo e o outro devem morrer.
— Eu não vou permitir isso Az — Disse ele levantando seu cajado pronto para um ataque.
— Então você quer lutar. Só não se esqueça de uma coisa, apenas um de vocês sairá vivo daqui.-” ”>-‘.’ ”>





