PARTES DE MIM

NOVELA DE:

RAMON SILVA

ESCRITA POR:

RAMON SILVA

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

ADRIANA

ALFREDO

ALVINHA

GAEL

GLÓRIA

MARCÍLIO

MARIA

MARTA

MAZÉ

MIGUEL

RATÃO

SOL

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:

DELEGADO

CENA 01. CASA DE MARIA. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

MARTA        —  Que isso, Maria? Desse jeito você até me ofende. O que te faz pensar que eu seria capaz de fazer uma atrocidade dessas?

MARIA          —  Nada. Eu estou apenas te perguntando.

MARTA        —  Não. Você está me acusando! É diferente.

MARIA          —  Amiga, desculpe. Eu sei que você não seria capaz de fazer uma cosia dessas, mas é que eu achei estranho você me ligar dizendo que tinha que vir para o Rio às pressas.

MARTA        —  E só por causa disso você acha que eu seria capaz de tirar um filho de uma mãe? Nunca. Eu jamais faria uma coisa dessas! Olha, Maria… Eu esperava tudo… Mas isso eu não esperava, principalmente vindo de você.

MARIA          —  Desculpa, amiga. Eu não deveria ter falado isso. Não tá aqui mais quem falou.

MARTA        —  Acho bom não está mesmo.

Marta se senta no sofá e arremata.

MARTA        —  E coloca em outra coisa que presta aí porque ninguém merece ver jornal que só passa notícia ruim!

Ela muda de canal. Fechamos em Marta ali séria. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 02. RODOVIÁRIA DO TIETÊ. GUICHÊ. INT. DIA.

Local cheio de pessoas passando a todo momento. CAM mostra Alfredo e o Delegado caminhando de longe.

ALFREDO     —  Você acha mesmo que eles vão te dar as informações que precisamos?

DELEGADO —  Claro que vão. Esse tipo de coisa não se pode negar pra justiça.

Eles chegam ao guichê e falam com o atendente.

DELEGADO —  (Mostra o distintivo) Polícia. Eu preciso de algumas informações.

O delegado fica ali a dialogar com o atendente fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. HOSPITAL. QUARTO. INT. DIA.

Glória e Sol ali sentadas na cama.

SOL               —  Tomara que o delegado consiga descobrir pra onde essa mulher levou os meus filhos.

GLÓRIA        —  É inacreditável que a Marta tenha feito isso conosco. Ela nos traiu de tal maneira… Que ódio dela! E eu ainda considerava ela como se fosse da família.

SOL               —  Pois é, mãe. Hoje em dia não se pode mais confiar em ninguém. A Marta mesmo é uma prova viva disso. Quem poderia imaginar que ela seria capaz de fazer o que fez?

GLÓRIA        —  Verdade, filha. Mas isso nos serviu de lição. As pessoas aparentam ser uma coisa, mas só Deus sabe o que ela pensa e sente. Com certeza a Marta foi falsa com a gente esse tempo todo. Se dar mole, ela nunca foi sincera em nenhum momento.

SOL               —  Eu já acho que ela tem é inveja de mim. Uma mulher da mesma idade que eu, empregada… Ela com certeza cresceu o olho no meu modo de viver e por isso roubou os meus filhos.

Fecha em Glória que meneia a cabeça concordando.

CORTA PARA:

CENA 04. CASA DE MARIA. SALA. INT. DIA.

Maria e Marta ali sentadas assistindo TV.

MARTA        —  Ai, amiga, tô com sede. Você quer alguma coisa da cozinha?

MARIA          —  Não, obrigado.

Ela se levanta e vai para a cozinha. Maria continua a assistir TV.

CORTA PARA:

CENA 05. CASA DE MARIA. COZINHA. INT. DIA.

Marta vem da sala e arremata.

MARTA        —  (P/si) Droga! Pra imprensa tá envolvida no caso é porque a Maria de Fátima abriu o bico. Ninguém pode descobrir que eu estou aqui. Eu tenho que mudar de aparência o mais rápido possível!

CORTA PARA:

CENA 06. HOSPITAL. QUARTO. INT. DIA.

Glória com Sol ali. Alfredo entra.

SOL               —  Oi, meu amor. E aí, como foi lá na rodoviária?

ALFREDO     —  Ela foi pro Rio.

GLÓRIA        —  Mas o que ela foi fazer no Rio de Janeiro?

ALFREDO     —  É o que todos nós gostaríamos de saber dona Glória.

SOL               —  Ela já chegou a comentar com a senhora mamãe, se tinha vontade de ir para o Rio ou se tinha algum conhecido ou parente por lá?

GLÓRIA        —  Não. Mas do jeito que aquela lá é mentirosa, com certeza ela tem algum parente ou conhecido por lá. Ela não iria mudar assim de estado de uma hora pra outra sem ter onde ficar.

SOL               —  E ainda com duas crianças.

ALFREDO     —  Então com certeza ela tem alguém que está dando abrigo pra ela lá no Rio.

GLÓRIA        —  Agora a dúvida que fica é: quem é essa pessoa?

Closes alternados em todos ali pensativos e aflitos. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 07. CIDADE DE SÃO PAULO. EXT. DIA.

Takes descontínuos dos principais pontos da cidade. No último deles a fachada da mansão Moraes com o seguinte letreiro: MESES DEPOIS.

CORTA PARA:

CENA 08. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Sol com Alfredo descendo a escada. Ele com uma mala. E a discussão começa.

ALFREDO     —  Não se preocupe que eu estou saindo da sua casa.

SOL               —  Isso, sai mesmo! Aposto que já está com alguma piranha por aí pra tá saindo de casa!

ALFREDO     —  Claro que não, Solange. A única culpada da nossa separação é você mesma.

SOL               —  Eu?

ALFREDO     —  É, você mesma.

SOL               —  Você resolve jogar a nossa relação na lata do lixo e eu que sou a culpada? É o cúmulo isso!

ALFREDO     —  Quem desgastou a nossa relação foi você e não eu. Desde o exato momento em que você começou a me acusar de ter sido minha culpa os nossos filhos terem disso sequestrados, a nossa relação acabou! Eu não sei porque, mas eu ainda tolerei isso algum tempo… Mas agora eu enxerguei que nós não temos futuro!

SOL               —  E você acha que saindo de casa agora tá me provando o quê? Você está provando ainda mais a minha teoria. Você me usou! Fala a verdade!

ALFREDO     —  (Firme) Larga de ser desequilibrada Solange! Eu não tenho nada a ver com o sumiço dos nossos filhos!

SOL               —  Ah não? Então vai continuar mentindo na cara de pau que não me usou só para gerar o filho? Anda! Admita que foi isso!

ALFREDO     —  Eu não sou obrigado a ficar ouvindo isso. Com licença.

Ele pega sua mala e sai com ela arrematando.

SOL               —  Isso, vai mesmo se encontrar com a sua comparsa e os filhos de vocês que eu sou a mãe biológica!

Ele sai batendo a porta violentamente. Sol fica ali ainda atordoada. Ela começa a chorar. Anda até a parede e ali fica deslizando até chegar ao chão e fica aos prantos. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 09. APART DE MARCÍLIO. SALA. INT. DIA.

Marcílio ali sentado lendo jornal. Marta vem do quarto com uma vassoura e um balde. Marta com um visual totalmente diferente. Cabelo mais curto e mais escuro.

MARTA        —  Pronto, Marcílio. O seu quarto está um brinco.

MARCÍLIO    —  Obrigado, Marta. Eu sinceramente não sei o que seria de mim se não fosse você.

MARTA        —  Eu é que digo isso. Não sei o que seria de mim se esse emprego não fosse meu. Eu e os meus filhos estaríamos passando por necessidades.

MARCÍLIO    —  Em falar nos seus filhos… Bem que você poderia trazer eles aqui pra eu conhecer.

MARTA        —  Ah, não, Marcílio.

MARCÍLIO    —  Por que não? Eu sou feio mais nem tanto.

MARTA        —  (Sorrir) Para de bobeira que você é um dos homens mais lindos que eu conheço.

MARCÍLIO    —  Ah para com isso. Você tá falando isso pra me agradar.

MARTA        —  Não. Eu estou falando isso porque é a verdade.

Ela se aproxima dele e dá-lhe um beijão intenso. Instantes. Romance.

CORTA PARA:

CENA 10. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Atenção Sonoplastia: Entra aqui instrumental triste.

Sol ali sentada no chão aos prantos. Glória chega da rua.

GLÓRIA        —  Nossa, mas que trânsito é esse dessa cidade, meu Deus? É uma demora danada pra ir ao centro. (Percebe a filha) Sol? Aconteceu alguma coisa, minha filha?

SOL               —  Aconteceu uma desgraça, mãe.

Se aproxima da filha, agacha-se e a ampara em seus braços.

GLÓRIA        —  Como assim, filha? Por que você tá chorando?

SOL               —  O Alfredo… Ele me largou.

GLÓRIA        —  Como é que é? Gente eu não consigo entender.

SOL               —  É que nós tivemos uma discussão feia há alguns dias atrás e hoje esse assunto veio à tona de novo e coisas acabaram saindo do controle.

GLÓRIA        —  Mas o que realmente aconteceu, minha filha? Você não me contou nada.

SOL               —  Eu na hora estava de sangue quente. Já faz alguns meses e nada dos meus filhos. Aí eu acabei acusando ele de ter se associado com a Marta pra roubar os meus filhos.

GLÓRIA        —  Eu não posso acreditar que você falou um absurdo desses pro Alfredo.

SOL               —  Claro que falei. Ele tava agindo muito estranho.

GLÓRIA        —  Minha filha, pelo amor de Deus. Você melhor do que ninguém sabe que o isso é totalmente contra a índole do Alfredo! Eu nunca vi homem tão calmo e certinho quanto ele.

SOL               —  Eu não tô acreditando que a senhora está contra mim e a favor do traíra que roubou os seus netos junto com a criada!

GLÓRIA        —  Eu não tenho preferência. Eu simplesmente estou do lado da razão! Isso que você fez com o Alfredo foi lamentável!

Ela sobe a escada e Sol fica ali passada.

SOL               —  (P/si)  A minha própria mãe contra mim. É o fim do mundo. Ela prefere acreditar no traíra do ex-genro do que em mim. Por que meu pai teve que morrer? Só ele me entendia. Só ele sempre esteva ao meu lado.

CORTA PARA:

CENA 11. CASA DE MARIA. SALA. INT. DIA.

Maria ali com as duas crianças que não param de chorar.

MARIA          —  Pelo amor de Deus, parem de chorar! Eu já troquei a fralda de vocês. O que mais vocês querem de mim? Vocês estão querendo me deixar louca, não é isso? É louca que vocês estão querendo me deixar.

Os bebês continuam a chorar e ela ali sem saber o que fazer. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. APART DE MARCÍLIO. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 09. Os dois ainda se beijando, Marcílio recusa.

MARCÍLIO    —  Para com isso, Marta! Não nunca deveríamos ter se beijado.

MARTA        —  Ah que isso, Marcílio…? Um beijinho não mata ninguém não.

MARCÍLIO    —  Mata sim. A nossa relação de patrão e empregada.

MARTA        —  Claro que não. É só separarmos bem as coisas.

MARCÍLIO    —  Eu não sei se você notou, mas nós não estamos separando nada direito. Por que se estivéssemos, isso não teria acontecido.

MARTA        —  Desculpe, Marcílio. Eu prometo que vou tentar me controlar. (Passa a mão nele) Mas pode ser que eu tenha uma recaída.

MARCÍLIO    —  Oh! Pode parar! Isso nunca vai acontecer! A nossa relação não vai passar de patrão e empregada!

MARTA        —  Tá bom, senhor Marcílio Moreira.

Ela vai para a cozinha.

MARCÍLIO    —  (P/si) Meu Deus, o que é que tá acontecendo comigo? Eu não posso me envolver com a empregada.

CORTA PARA:

CENA 13. MANSÃO MORAES. JARDIM. EXT. DIA.

Sol ali caminhando e arrematando.

SOL               —  (P/si) É… Como se já não bastasse todas as desgraças que vinham acontecendo, eu ainda descubro isso do homem que eu pensei que era o amor da minha vida. Papai morreu, dona Glória parece não acreditar muito em mim… É isso. Eu estou sozinha. Até quando as coisas vão continuar desse jeito, meu Deus?

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 14. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Takes descontínuos de todos os bairros da zona sul do Rio. No último deles o seguinte letreiro: DOIS ANOS DEPOIS.

CORTA PARA:

CENA 15. APART DE MARTA E MARCÍLIO. SALA. INT. DIA.

Marta e Maria ali sentadas. Uma babá cuidando das crianças ao fundo.

MARTA        —  Eu não disse que ia conquistar o Marcílio?

MARIA          —  Pois é. Nossa, amiga. Devo confessar que eu estou surpresa com você.

MARTA        —  Nunca subestime o meu poder de sedução.

MARIA          —  Mas aqui entre nós… Você está com esse cara por que ama ele ou por causa da grana dele?

MARTA        —  Que isso, Maria?! Você tá pensando que eu sou que espécie de mulher? Eu amo o Marcílio. Estou com ele porque o amo e não por causa de dinheiro.

MARIA          —  Desculpa perguntar isso, amiga. Eu só quis me certificar. E as crianças?

MARTA        —  Estão ótimas. E agora com essa babá então, a minha vida não poderia ter ficado melhor. (P/babá) Marcela, traz as crianças aqui.

A babá traz os gêmeos que estão com DOIS ANOS.

MARIA          —  Olha que coisinhas mais lindas. Eu amo esses seus filhos, Marta. Eles são muito lindos.

MARTA        —  Porque puxaram a mãe, claro!

MARIA          —  (Pega um) Esse daqui é qual mesmo?

MARTA        —  Esse é o Miguel. E esse aqui (pega ele) é o Gael.

MARIA          —  Lindos.

Elas ficam ali com as crianças no colo e conversando fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 16. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Sol com Glória ali.

SOL               —  Se passaram dois anos… Dois anos e a polícia não tem nenhuma pista de onde os meus filhos estão.

GLÓRIA        —  Filha… Eu sei que é triste ouvir isso, mas esse caso deve ter disso arquivado já.

SOL               —  Eu não me conformo com uma coisa dessas, mãe! Como é que pode? Duas crianças somem e fica por isso mesmo. Um absurdo isso!

GLÓRIA        —  Esse é o país em que vivemos!

SOL               —  Às vezes dá uma vontade de pegar o primeiro voo que vá para Amsterdã e nunca mais voltar! Mas sei lá… Parece que tem alguma coisa que ainda me prende aqui no Brasil!

GLÓRIA        —  Não seria eu?

SOL               —  Não. Não é a senhora não, mãe! Acho que é a esperança de que algum dia eu ainda vou rever os meus filhos.

GLÓRIA        —  Ai filha… Deus te ouça. Eu queria muito que os meus netos estivessem aqui com a gente. E o Alfredo?

SOL               —  O que é que tem ele?

GLÓRIA        —  Vocês nunca mais se falaram desde aquela briga?

SOL               —  Não.

GLÓRIA        —  Gente, mas isso já faz dois anos! Quando é que vocês vão se acertar?

SOL               —  No que depender de mim… Nunca.

Fecha em Glória reprovando tal atitude da filha. Instantes.

CORTA PARA:

INTERVALO COMERCIAL

CENA 17. APART DE MARTA E MARCÍLIO. SALA. INT. DIA.

Marcílio e Marta ali com os gêmeos, família, feliz. Corte descontínuo. Os bebês, agora com DEZ ANOS. Eles soprando as velinhas que estão no bolo. Só os “pais” deles estão nesta comemoração. Corte descontínuo: os gêmeos agora com QUINZE ANOS. Gael traz a namorada para conhecer Marta e Marcílio. Eles conversando fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. CEMITÉRIO NO RJ. EXT. DIA.

Atenção Sonoplastia: Entra aqui instrumental triste.

Caixão descendo a sepultura. Marta ali amparada por seus “filhos”. Ela está inconsolável. Os gêmeos também choram muito. Há umas dez pessoas no sepultamento. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 19. RIO DE JANEIRO. EXT. DIA.

Takes descontínuos da cidade maravilhosa na atualidade. No último deles o seguinte letreiro: DIAS ATUAIS.

CORTA PARA:

CENA 20. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta ali sentada triste, lágrimas escorrem pelo seu rosto. Ela com uma foto de Marcílio, acariciando o rosto do finado.

MARTA        —  (P/si) Por que as coisas tiveram que ser assim, meu amor? Você me faz tanta falta.

Gael vem do quarto.

GAEL            —  Tô saindo, hein, mãe.

MARTA        —  Tá indo aonde, meu filho?

GAEL            —  Indo resolver uma parada aí!

MARTA        —  Toda vez que você me fala uma coisa dessas é porque vai aprontar!

GAEL            —  Que aprontar o que, mãe? Eu tenho vinte anos e não dez pra senhora ficar falando comigo dessa forma!

MARTA        —  É… Tem vinte anos, mas as vezes se comporta como se tivesse dez.

GAEL            —  Ah… Fui!

MARTA        —  Juízo, hein!

Ele sai.

MARTA        —  (P/foto de Marcílio) Nossos filhos estão adultos e tomando seus próprios rumos, meu amor. O Miguel está estudando medicina, você acredita? O nosso filho vai se tornar o melhor médico do país.

CORTA PARA:

CENA 21. LEBLON. ORLA. EXT. DIA.

Orla bastante movimentada. Miguel e Adriana ali caminhando, tomando água de coco. Eles estão bem vestidos, pois acabaram se sair da faculdade.

ADRIANA     —  Eu ainda estou repensando se fiz certo.

MIGUEL        —  Como assim, meu amor?

ADRIANA     —  Na escolha do meu curso.

MIGUEL        —  O que é que é? Não tá feliz com o curso de Arquitetura?

ADRIANA     —  Não muito. Acho que ali não é o meu lugar.

MIGUEL        —  Então por que você resolver escolher isso?

ADRIANA     —  Não sei. Acho que por minha família ser dona de uma construtora, eu acabei pegando o embalo e…

MIGUEL        —  E se precipitou na escolha do curso.

ADRIANA     —  É. Por isso que eu te amo, Miguel Azevedo. Você sempre sabe o que eu quero e como eu sou.

MIGUEL        —  Claro. Afinal de contas, já faz mais de dois anos que nós estamos juntos.

Os dois se beijam.

CORTA PARA:

CENA 22. MANSÃO MORAES. JARDIM. EXT. DIA.

Sol ali cuidando das flores. Glória se aproxima.

GLÓRIA        —  Aprendeu mesmo a gostar de jardins, hein.

SOL               —  Pois é, mamãe. Eu aprendi com o maior jardineiro que já existiu. O papai. Lembra quando esse jardim aqui era lindo?

GLÓRIA        —  Lembro. Seu pai sempre gostou de jardins. Nós compramos esta mansão por causa do jardim. Filha, agora vamos falar um pouquinho de você.

SOL               —  De mim? O que tem eu?

GLÓRIA        —  Você não sai com ninguém há vinte anos…

SOL               —  Ah, mãe. Pelo amor de deus, né!? Não vamos voltar nesse assunto de novo.

GLÓRIA        —  Filha, eu só quero saber se você não sente falta de ser feliz? De encontrar o grande amor da sua vida?

SOL               —  Não. Não sinto falta de nada! Com licença!

Ela vai caminhando em direção a porta da casa. Glória vai atrás arrematando.

GLÓRIA        —  Eu sei que você tá mentindo pra mim.

CORTA PARA:

CENA 23. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Sol entra e Glória vem logo atrás já arrematando.

GLÓRIA        —  Filha, não me leve a mal, mas eu não estou mais aguentando ver você assim, desse jeito.

SOL               —  Que jeito? Que jeito que eu estou, mãe? Do jeito que a senhora fala até parece que eu sou sei lá uma maluca solitária!

GLÓRIA        —  Solitária você está ficando! Filha eu só quero uma explicação. Por que você nunca mais saiu de dentro dessa casa? Quando sai é pra fazer algumas coisas necessárias.

SOL               —  Eu não quero mais sair de casa.

GLÓRIA        —  Então temos que procurar ajuda. Porque isso não é normal. Isso é sintoma de depressão.

SOL               —  Que depressão o que, mãe? Eu tô normal.

GLÓRIA        —  Ah tá, é? Então me explique porque você se isolou dentro dessa casa.

Ela pensa por um instante e arremata.

SOL               —  Tá legal, mãe. Logo que a senhora quer tanto saber, eu digo. Eu não tenho mais vontade de sair de casa porque até hoje eu não me perdoei pelo que aconteceu.

GLÓRIA        —  Como assim, minha filha? Pelo que aconteceu com os seus filhos você não teve culpa!

SOL               —  Não é disso que eu estou falando. Eu estou falando do que eu fiz com o Alfredo.

GLÓRIA        —  Lembra que vinte anos atrás eu te dei conselhos pra procurar ele e se desculpar?

SOL               —  Lembro.

GLÓRIA        —  E você deveria ter feito isso. Agora, vinte anos depois, nós não sabemos onde o Alfredo está!

Fecha em Sol que meneia a cabeça triste. Glória abraça a filha. Instantes

CORTA PARA:

CENA 24. APART DE MARTA. SALA. INT. DIA.

Marta ali sentada ainda a olhar para a foto de Marcílio. Mazé chega do mercado carregada de sacolas.

MAZÉ            —  Ah não, dona Marta. A senhora tem que começar a mandar alguém no mercado comigo. Eu não tô mais novinha pra ficar carregando essas sacolas pesadíssimas não.

MARTA        —  (Refletindo) Tá bom, Mazé.

MAZÉ            —  (Estranha) Ué. A senhora está bem?

MARTA        —  Por que a pergunta?

MAZÉ            —  Porque se a senhora estivesse em seu estado normal teria me dado uma bronca daquelas dizendo: “você é paga pra fazer isso! Não reclame!”.

MARTA        —  É que hoje faz cinco anos que o meu Marcilinho morreu!

MAZÉ            —  Ah é? Nossa, dona Marta. Eu sinto muito.

MARTA        —  Sente muito, é? Então vai sentir muito no fogão que hoje eu quero o meu almoço meio dia em ponto.

MAZÉ            —  (P/si) Tava bom demais pra ser verdade. A cascavel já mostrou que não tá pra brincadeira.

MARTA        —  Como é que é, Mazé? Eu acho que não ouvi direito o que você disse.

MAZÉ            —  Nada não, dona Marta. Eu só estava pensando em voz alta.

Ela vai pra cozinha com as sacolas. E Marta volta a olhar para a foto.

CORTA PARA:

CENA 25. ESTRADA DESERTA DE TERRA. EXT. DIA.

Carro de Gael se aproxima. Ele salta do carro e fica ali olhando ao redor.

GAEL            — (P/si) Será que é aqui mesmo?

Ele pega o cel. E certifica-se de que é ali mesmo.

GAEL            —  É aqui… Os caras que tão atrasados.

Ele fica ali olhando ao redor. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 26. MANSÃO MORAES. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Sol ali deitada no colo da mãe que está sentada.

SOL               —  Sabe, mãe…? Às vezes eu fico pensando… Será que pra mudar mesmo, talvez não fosse o caso de deixar essa casa?

GLÓRIA        —  Mas você vai abandonar esse casarão aqui e vai pra onde, minha filha?

SOL               —  Não sei… Que tal Rio de janeiro? Leblon?

GLÓRIA        —  Não sei não, filha.

SOL               —  Ah vamos, mãe. Com certeza vai ser maravilhoso morar perto do mar. Isso é o que mais me encanta no Rio de Janeiro.

GLÓRIA        —  Não sei não, filha. Aqui nessa casa, eu vivi momentos maravilhosos com seu pai. Não sei se eu conseguiria sair daqui. É como se eu apagasse essa parte da minha vida.

CORTA PARA:

CENA 27. ESTRADA DESERTA DE TERRA. EXT. DIA.

Um carro se aproxima em alta velocidade e para perto de Gael. Dois homens saltam do carro armados. Um deles está usando uma máscara de RATO.

RATÃO         —  Aí está o meu garoto. Espero que você tenha trago o que prometeu.

Ele passa o envelope a ratão.

GAEL            —  Aqui está a sua grana cara.

RATÃO         —  Espero que esteja tudo aqui. Por que se não tiver…

Ele saca a arma, pega Gael pela blusa e aponta a arma pra ele.

RATÃO         — Você e esse ferro aqui vão ter uma conversinha bem íntima.

Fecha em Gael ali com os olhos arregalados de medo. Ratão rindo malignamente. Instantes. Suspense. Tensão.

 

FIM DO 7º CAPÍTULO

A Widcyber está devidamente autorizada pelo autor(a) para publicar este conteúdo. Não copie ou distribua conteúdos originais sem obter os direitos, plágio é crime.

Pesquisa de satisfação: Nos ajude a entender como estamos nos saindo por aqui.

Publicidade

Inscreva-se no WIDCYBER+

O novo canal da Widcyber no Youtube traz conteúdos exclusivos da plataforma em vídeo!

Inscreva-se já, e garanta acesso a nossas promocionais, trailers, aberturas e contos narrados.

Leia mais Histórias

>
Rolar para o topo