CENA 1/ EXTERIOR/ NOITE
Continuação da cena 10, do capítulo anterior.
Sonoplastia: Tensão
Camila desesperada com as notícias que recebeu sobre a mãe. Bruno ao seu lado.
BRUNO – Em que hospital ela está?
CAMILA – Num hospital lá em Copa… A patroa dela que levou. Vai demorar muito até eu chegar lá de ônibus.
BRUNO – (decidido) Vamos pegar um taxi.
CAMILA – Bruno, não tenho esse dinheiro agora. Taxi daqui até Copacabana vai custar os olhos/
BRUNO – (corta, e pega na mão dela) Anda Camila!
Bruno a leva até a pracinha próxima dali, onde há um carro disponível no ponto de taxi.
Fim do áudio em fade out.
CORTA PARA/
CENA 2/ INTERIOR/ NOITE/ APARTAMENTO DE ARISTÓTELES/ SALA
Sala com decoração rústica e escura. Giselle sentada no grande sofá de couro, chorosa. Aristóteles em pé, na frente dela, gesticulando.
ARISTÓTELES – Como que você me faz um escândalo desses, Giselle? É assim que você quer recuperar sua carreira?
GISELLE – Minha carreira não tem mais jeito…
ARISTÓTELES – Não fala isso!
GISELLE – Mas é/
ARISTÓTELES – (corta) É nada! Sua carreira só tá passando por um mal momento. Mas você vai se reerguer. Só que pra isso você precisa me ouvir, e não ficar dando piti o tempo todo.
GISELLE – Como que eu vou ficar calada com o que a Marisa fez?
ARISTÓTILES – Giselle, ela só fez o trabalho dela! Quem fez coisa errada foi você, e isso infelizmente vazou pra imprensa.
GISELLE – Foi algum daqueles jornalistas que gravou, depois do show… (pausa) Mas e agora? Qual sua ideia genial pra me ajudar?
ARISTÓTELES – Não há muito o que fazer… Bom, primeiro você vai gravar um pedido de desculpas e vamos enviar pra todas as mídias. E depois, você vai ficar no mínimo um mês, sem aparecer! Você vai praticamente morrer! Por que ninguém tá afim de ver sua cara ou receber notícias suas.
GISELLE – Eu tô realmente no fundo do poço… (pausa) Tá bom… Eu vou fazer o que tá falando…
ARISTÓTELES – Acho ótimo!
GISELLE – Não tem um uísque nessa casa aí não?
ARISTÓTELES – Vamos gravar seu pedido de desculpas primeiro. Depois você bebe.
Giselle desanimada.
CORTA PARA/
CENA 3/ INTERIOR/ NOITE/ HOSPITAL/ CORREDOR
Camila e Bruno seguem o médico pelo corredor, apressados. Eles chegam na porta de um quarto.
BRUNO – Vou ficar te esperando aqui fora, Camila. Acho que não é a melhor hora pra sua mãe me conhecer…
CAMILA – Está bem.
O casal dá um selinho rápido e Camila entra, acompanhada pelo médico.
CORTE RÁPIDO PARA/
CENA 4/ INTERIOR/ NOITE/ HOSPITAL/ QUARTO
No quarto está Olinda, deitada, acordada, porém um pouco grogue. Sua patroa, uma mulher fina e elegante ao lado, sentada numa cadeira do quarto daquele hospital particular. Do outro lado, uma enfermeira. A patroa se levanta ao chegar Camila.
PATROA – Oi, você deve ser a filha da Olinda, não é?
CAMILA – Sou… O que aconteceu? (se aproxima da mãe) Você tá bem, mãe?
OLINDA – (abatida) Tô, filha… Não foi nada…
PATROA – Ela estava reclamando de uma dor na barriga, depois começou a vomitar sangue, até que desmaiou. Eu fiquei desesperada, aí trouxe ela logo pra cá.
CAMILA – Muito obrigada por ter ajudado…
PATROA – Que isso… Não fiz mais que a obrigação.
CAMILA – O que minha mãe tem, doutor?
MÉDICO – Parece ter sido uma intoxicação alimentar… Mas como esses sintomas não são tão normais pra uma intoxicação, estamos fazendo alguns exames. Já coletamos o sangue e fizemos uma ressonância, agora é só esperar os resultados.
CAMILA – (fala baixo e olha em volta) Meu deus, esse hospital é chique demais…
PATROA – Olha, pode ficar despreocupada que eu vou arcar com tudo que ela precisar, tá bem?
CAMILA – Muito obrigada, a senhora é um anjo mesmo.
PATROA – Não é nada. Olinda é uma profissional excelente, já tá acostumada lá em casa.
OLINDA – É verdade…
MÉDICO – Bom, vou checar os resultados da coleta de sangue e da ressonância. (para a enfermeira) Cuida de tudo ai!
A enfermeira faz que sim com a cabeça, o médico sai e Camila se aproxima da mãe, acariciando o rosto dela.
CAMILA – Ia te contar uma notícia tão boa hoje…
OLINDA – O que?
CAMILA – Vou falar num melhor momento. A senhora precisa se recuperar…
OLINDA – A Brenda e o Jurandir sabem que eu tô aqui?
CAMILA – Ainda não… Preciso avisar minha irmã, (para a patroa) por que quando a senhora ligou, eu nem tinha entrado em casa…
PATROA – Vamos buscar sua irmã! Eu vou com você, de carro.
CAMILA – Prefiro esperar o resultado primeiro. Mas muito obrigado, mais uma vez.
CORTA PARA/
CENA 5/ INTERIOR/ NOITE/ CASA DOS OLIVEIRA/ SALA
Jurandir sentado em frente a tv. Brenda vem do quarto, triste.
BRENDA – Minha mãe tá onde?
JURANDIR – (ignorante) Sei não!
Brenda vai até o telefone, no canto da sala e começa a discar.
JURANDIR – Tá ligando pra quem, garota?
BRENDA – (com o aparelho no ouvido) Pro celular da minha irmã! (espera um pouco e desliga, decepcionada) Não chama…
JURANDIR – Não chama porque sua mãe não pagou a conta!
Brenda volta pro quarto, preocupada. Jurandir se diverte com um programa de piadas na tv.
CORTA PARA/
CENA 6/ EXTERIOR/ NOITE/ MANSÃO RIOS
Plano geral na mansão. O carro de Laerte entra pelo portão. Vemos Ana Alice na varanda e o jardineiro Gomes saindo.
CORTE RÁPIDO PARA/
CENA 7/ EXTERIOR/ NOITE/ MANSÃO RIOS/ VARANDA
Laerte para o carro no estacionamento ao lado da varanda e desce. Ana Alice vai entrando, um pouco apressada.
LAERTE – Volta aqui, tá correndo por que?
Ana Alice passa pela porta e Laerte corre atrás dela.
CORTA RÁPIDO PARA/
CENA 8/ INTERIOR/ NOITE/ MANSÃO RIOS/ SALA DE ESTAR
Ana Alice vai em direção as escadas, mas Laerte chega e pega em seus braços.
ANA ALICE – Me solta, Laerte.
LAERTE – Calma. Tá com medo de mim, é?
ANA ALICE – (olha nos olhos dele, amedrontada) Só quero dormir me solta.
LAERTE – (indignado) Que isso! Eu sou seu marido, exijo respeito e obediência.
ANA ALICE – (fala baixo) Não sou obrigada a te obedecer.
LAERTE – É o que? Você que pensa! (solta o braço dela) Eu devia te mostrar quem é que manda nessa casa, mas agora tô cansado.
Ana Alice vai subindo as escadas. Laerte vai até o sofá, deixa uma maleta no chão, tira o paletó e afrouxa a gravata.
LAERTE – Ana Alice! (ela para no topo da escada) O que o Gomes estava fazendo aqui até agora?
ANA ALICE – Ele conseguiu a aposentadoria, temos que arrumar outro jardineiro.
Ana Alice sai e Laerte fala pra si mesmo.
LAERTE – Vagabundo, vai ficar vivendo da merreca do governo…
Rick vem do estúdio, de repente.
RICK – Laerte, a Giselle chegou?
LAERTE – Não sei onde ela está!
RICK – Mas ela me pediu pra vir aqui, tô há horas esperando ela no estúdio…
LAERTE – Você devia parar de ser o cachorrinho da Giselle. (pausa, Rick da os ombros pro comentário de Laerte) Ah, e nem adianta esperar ela ai por que esse estúdio não é mais dela!
RICK – (surpreso) O que?
LAERTE – Eu e minha filha encerramos nosso contrato e esse estúdio, que fica na minha casa, não será mais usado pra gravar as músicas podres dela. (liga a tv)
RICK – Você não achava as músicas dela podres…
LAERTE – Sempre achei!
Laerte muda sua atenção para um programa de fofocas na tv, onde está sendo exibido o escândalo de Giselle na emissora de tv. Rick se aproxima, chocado.
Na tela, é mostrada fotos de Giselle dando o dedo do meio para os paparazzi.
LAERTE – Tá aí o porquê de eu não cuidar mais da carreira dessa louca.
RICK – Dessa vez a Giselle perdeu a linha…
LAERTE – Dessa vez? Essa garota tá perdida há muito tempo.
RICK – Que garota, Laerte? Giselle já é uma mulher!
LAERTE – Só na idade! Tem 28 anos, mas a mentalidade é de uma adolescente e 15. (olha pra tv novamente) Que vergonha, meu deus do céu!
RICK – (se levanta) Bom, já que ela não vem… Vou embora.
LAERTE – Não! Espera aí. Tenho uma coisa pra te mostrar.
Ele pega sua maleta, tira o gravador de Camila e estende a mão para Rick. Foco no objeto onde está gravada a música.
RICK – (pega o gravador) O que tem aqui?
LAERTE – Uma música de uma funcionária de um dos meus mercados. Vê lá se presta!
RICK – Deixa comigo.
Rick sai em direção ao estúdio e Laerte muda o canal.
CORTA PARA/
CENA 9/ INTERIOR/ NOITE/ APARTAMENTO DE ARISTÓTELES/ SALA
Gisele sentada no chão, perto do sofá, em frente a tv, abraçada à uma garrafa de uísque. Ela fica choramingando ao se ver no programa de fofocas.
Aristóteles vem do corredor, vestindo um roupão, de cabelos molhados, após sair do banho.
ARISTÓTELES – Você ainda está aí?
GISELLE – Olha só que vergonha, eu na tv, daquele jeito…
ARISTÓTELES – Se arrependeu, né?
GISELLE – Sim… (pausa e tenta se levantar) Preciso ir embora.
ARISTÓTELES – (ajuda ela) Pode dormir aqui, se quiser…
Ele lança um olhar provocador para Giselle. Ela estranha e fica calada por alguns segundos.
GISELLE – Não mesmo! (se afasta)
ARISTÓTELES – Por que não?
GISELLE – (vai até a porta, um pouco tonta) A gente não tem toda essa intimidade.
ARISTÓTELES – Mas podemos ter! Ei, como vai dirigir assim, bêbada?
GISELLE – (tenta abrir a porta) Pego um taxi… Abre isso aqui!
Por alguns segundos, Aristóteles hesita em abrir a porta, mas faz o que ela pediu.
GISELLE – Vai, rápido…
ARISTÓTELES – Olha lá, em! Não vai fazer mais merda!
GISELLE – Ah, não enche o saco.
Giselle sai. Aristóteles fecha a porta e fica pensativo, ainda com um ar de provocador e malicioso. Instantes.
CORTA PARA/
CENA 10/ INTERIOR/ NOITE/ MANSÃO RIOS/ ESTÚDIO
Rick sentado à mesa de som, com fones de ouvido, animado e surpreso. Ele cantarola algumas palavras da música de Camila. Depois, se levanta e comemora.
RICK – Isso é um hit! Um hit!
Giselle entra de repente, deixando Rick sem graça. Ele tira os fones na hora e ela questiona, escorada na porta e visivelmente bêbada.
GISELLE – O que tu tá ouvindo, Rickzinho?
RICK – Nada, Giselle… O que aconteceu com você em?
GISELLE – Fiz uma pergunta primeiro, querido… (se aproxima e vai pegar o fone) Quero ouvir isso também.
RICK – Acho que essa música não é pra você, Giselle…
GISELLE – (bota o fone e se anima ao ouvir) Rick! Isso é mesmo um hit!
RICK – (se senta) Sim…
GISELLE – Quero gravar hoje!
RICK – Você tá bêbada, Giselle! E essa música não é sua!
Giselle não escuta Rick, fecha os olhos e dança lentamente, envolvida pelo o que ouve. No movimento, ela quase cai e é amparada por Rick, que tira o fone dela.
RICK – Vai tomar um banho, Giselle! Descansar! (ele a coloca na cadeira)
GISELLE – Eu tô bem… Quero essa música pra mim, em! Quem compôs?
RICK – Não sei… Seu pai que me entregou.
GISELLE – Ué, então é minha!
Laerte chega de repente, surpreendendo os dois.
LAERTE – Sua uma ova! Essa música não é sua! Esse estúdio não é seu! Nem o Rick é seu! Você trate de arrumar outro produtor e outro estúdio pra gravar.
GISELLE – Você tá louco? Essa casa também é minha, junto com esse estúdio! Consegui com o meu trabalho!
LAERTE – Nem vou discutir com você, sua bêbada desvairada!
Giselle tenta se levantar pra agredir o pai, mas quase cai e, novamente é segurada por Rick.
GISELLE – Você não pode fazer isso, pai!
LAERTE – (determinado, aponta pro rosto dela) Você não pisa mais aqui! Eu não sou mais seu empresário e o Rick não é mais seu produtor! Vá pedir ajuda ao tal do Aristóteles!
GISELLE – É isso mesmo que vou fazer! Você não vai conseguir me destruir!
Giselle vai saindo, cambaleando.
RICK – (vai atrás dela) Deixa eu te ajudar/
LAERTE – (corta) Volta aqui, Rick. Ela vai sozinha.
Rick hesita, mas volta. Giselle sai.
RICK – Isso é sério mesmo? Não vou mais produzir pra Giselle?
LAERTE – Seríssimo!
RICK – Então perdi o trabalho?
LAERTE – Claro que não! Você ouviu o gravador? A música presta?
RICK – É um sucesso. Música incrível, a voz da cantora também. Tem tudo pra ser um hit.
LAERTE – Então vou chamar essa cantora aqui. Ela provavelmente será minha nova agenciada. Se não me engano, o nome dela é Camila.
Laerte decidido e Rick surpreso.
CORTA PARA/
CENA 11/ INTERIOR/ NOITE/ HOSPITAL/ RECEPÇÃO
Recepção com pouco movimento. Tudo muito claro e moderno no local. Bruno e Camila sentados em um dos bancos, comendo um lanche.
CAMILA – (apressada) Preciso volta pra lá logo!
BRUNO – Calma, sua mãe está bem… Você precisa comer, se não vai acabar sendo hospitalizada também…
CAMILA – Ela está sozinha, a patroa dela foi embora. Preciso ficar do lado dela…
BRUNO – Termina de comer primeiro.
Ela volta a comer o lanche. O médico vem do corredor e a chama.
MÉDICO – Camila? Pode me acompanhar, por favor?
Ela vai até o doutor, rapidamente.
CORTE RÁPIDO PARA/
CENA 12/ INTERIOR/ NOITE/ HOSPITAL/ QUARTO VAZIO
O médico e Camila entram. Ela muito apreensiva.
CAMILA – Por que me chamou aqui? É grave né? (começa a chorar)
MEDICO – Infelizmente/
O choro de Camila se intensifica.
CAMILA – Fala, doutor…
MÉDICO – Nós encontramos na ressonância uma calcificação no estômago de sua mãe…
CAMILA – (duvidosa) Calcificação? Isso é tumor? É câncer?
MÉDICO – Sim… É um tumor maligno. Eu sinto muito.
Camila desaba de tristeza e é consolada pelo médico.
FIM DO CAPÍTULO





