NOVA CHANCE PARA AMAR

Novela de Ramon Silva

Escrita Por:

Ramon Silva

Direção Geral:

Wellington Viana

PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO

AMANDA

BEATRIZ

BELINHA

EDILEUSA

ELISA

GUSTAVINHO

JOSIAS

KLÉBER

LAURA

MARCELO

MARCOS

MOREIRA

RAMIRO

REGINA

RICK

RODRIGO

SÉRGIO

SEVERO

VIVIANE

CENA 01. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata da última cena do capítulo anterior.

ELISA                —    Será que é tão difícil pra você entender que eu preciso de um tempo?! Tem mesmo que ficar enfiado no bar aí de frente pra tomar conta da minha vida?!

MARCOS          —    Elisa, me escuta, por favor!

ELISA                —    Não! Eu não tenho nada pra falar com você Marcos! Quando será que você vai entender isso?!

MARCOS          —    Eu sei que você me pediu pra ficar longe/

ELISA                —    (Corta) Sabe, mas não faz o que eu pedir!

MARCOS          —    Você não quer mais ver a minha cara e eu te dou total razão para tal… Mas você não pode me proibir de ver o meu filho!

CAM mostra Gustavinho a olhar.

ELISA                —    Como é que é?

MARCOS          —    É isso mesmo que você ouviu! Eu sou pai e tenho o direito de passar um tempo com meu filho!

Fecha em Elisa séria. Instantes. Tensão.

CORTA PARA:

CENA 02. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.

Rick chega à cozinha e Edileusa está a cozinhar.

EDILEUSA        —    Já chegaram?

RICK                  —    Chegamos agora há pouco.

EDILEUSA        —    E como é a Viviane? Pelas fotos que tem dela pela casa, é uma mulher muito linda!

RICK                  —    Linda ela é mesmo.

EDILEUSA        —    Aqui presa nessa cozinha não tive nem como ver ela chegar.

RICK                  —    Se preocupa não que eu acho que ela vai ficar de vez.

EDILEUSA        —    Nossa! Imagine ter uma ex-modelo morando aqui, Rick…

RICK                  —    Eu imagino… De biquíni na piscina.

EDILEUSA        —    Tira teu burro da chuva que ela tem marido. E pelo jeito é um homem muito rico.

RICK                  —    Ah, sim. O seu Rodrigo. Até que é gente boa, ele.

EDILEUSA        —    (Ansiosa) Não vejo a hora de falar com ela.

RICK                  —    Por que essa ansiedade, mulher?

EDILEUSA        —    Como ainda me pergunta isso? Ela é uma ex-modelo famosa no mundo todo!

RICK                  —    Ah é? Tem certeza mesmo que ela é famosa no mundo todo? No aeroporto não vi nenhum fã se aproximar, nem nada.

EDILEUSA        —    Você não sabe de nada! Quando vê ela desfilando,  não fique de queixo caído.

Edileusa começa a desfilar pela cozinha e Rick fica a sorrir de tal cena. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 03. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA.

Continuação imediata da cena 01.

MARCOS          —    Veja bem Elisa… Mesmo que a gente se separe, o Gustavinho é o elo que ainda nos mantém um próximo ao outro.

ELISA                —    Fala a verdade, Marcos! Você tá fazendo isso pra me atingir, não é?

MARCOS          —    Claro que não! Apenas estou querendo o meu direito, que é ver e passar um tempo com meu filho! Casamento acaba, mas um filho nunca deixa de ser filho.

GUSTAVINHO —    (Reclama) Mãe..

ELISA                —    Filho você vai ter que ir com seu pai.

GUSTAVINHO —    Mas mãe/

ELISA                —    (Corta) Vai, filho. Ele tem o direito de passar um tempo com você. Do jeito que é, ainda pode dizer por aí que eu não deixo e querer tomar você de mim!

MARCOS          —    Não envenene o menino contra mim, Elisa! Você sabe muito bem que quem fica com a guarda é a mãe.

ELISA                —    (P/Gustavinho) A noite você volta pra mamãe, tá?

GUSTAVINHO —    Tá bom.

MARCOS          —    Vem, filho. Vamos nos divertir muito.

Os dois saem. Elisa vai fechar a porta

ELISA                —    (P/si) Desgraçado! Querendo me atingir usando o meu filho!

CORTA PARA:

CENA 04. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Rodrigo sentado pensativo. Viviane desce a escada.

VIVIANE            —    O que foi aquilo Rodrigo?

RODRIGO         —    Oi, meu amor. O que você disse?

VIVIANE            —    Estava falando com você na maior quando saiu sério do quarto e não disse nada.

RODRIGO         —    Desculpa.

VIVIANE            —    (Senta no colo do amado) O que tá acontecendo, meu amor? Pode falar.

RODRIGO         —    É que… Voltar ao Brasil depois de quinze anos, tudo se passa como um filme na sua cabeça.

VIVIANE            —    (Beija o rosto dele) Ôh, meu amor… Eu sei que a sua saída do Brasil para a França não foi nada agradável, mas… Tenta enxergar que agora é uma nova vida. Quinze anos depois você tem novas possibilidades.

RODRIGO         —    Eu sei, Viviane. Mas só pelo simples fato de chegar ao Santos Dumont, foi como nostalgiar minha vida inteira. Não foi lá o último local que pisei antes de embarcar para a França, mas é um aeroporto. Enfim!

VIVIANE            —    Mas agora tudo vai ser diferente. Você vai ser só.

Ela dá um beijinho nele.

CORTA PARA:

CENA 05. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.

Marcos e Gustavinho sentados a uma mesa. Josias vem de a cozinha atendê-los.

JOSIAS              —    Hoje o Gustavinho tá passando o dia com o pai, é?

MARCOS          —    Pois é, Jô. Fui lá conversar com a Elisa e exigir passar um tempo com o meu filho. Afinal, eu sou pai e tenho esse direito.

JOSIAS              —    Concordo! Mas você sabe que agir dessa forma pode não ter sido bom pra você, né?

MARCOS          —    Como assim, Jô?

JOSIAS              —    Depois a gente fala disso.

MARCOS          —    Então, Jô. Traz aquela coxinha marota pro meu filhão aqui.

JOSIAS              —    A mais gordinha será dele.

GUSTAVINHO —    E um refrigerante.

MARCOS          —    Ouviu, né, Jô?

JOSIAS              —    Pode deixar.

Josias vai buscar o pedido.

MARCOS          —    Filho…

Marcos coloca a mão sobre a do filho, mas ele assustado retira. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 06. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.

Moreira e mais um Segurança arrastando o corpo de Hilda. Regina acompanhando tudo de perto. Mulheres continuam a trabalhar e a tentar ignorar tal cena. Belinha desvia o olhar para Regina a todo instante.

REGINA             —    Leva a moribunda daqui.

MOREIRA         —    E o que fazemos depois, dona Regina?

REGINA             —    Deixa jogado lá parte de trás do pátio mesmo. Quando o Kléber chegar, ele ver o que faz com os restos mortais da velha!

MOREIRA         —    Sim, senhora.

Moreira e o segurança saem levando o corpo de Hilda.

REGINA                 (P/Todos) Pessoas morrem, pessoas nascem… Assim é o ciclo da vida amados. Agora produção! E lembrem-se: produção é o que interessa! Nem que para isso, alguém como a dona Hilda, morra trabalhando!

Regina dirige-se até a escada e Kléber chega.

KLÉBER           —    Mais uma empacotou?

REGINA             —    Pois é. Depois trate de descartar esse corpo.

KLÉBER           —    Beleza. Vim te falar como foi lá no bairro.

REGINA             —    Ah, sim. Vamos subindo.

Os dois sobem a escada para o escritório. Corta para Belinha e Amanda:

BELINHA          —    (Chora) Dona Hilda não merecia isso. Ela era tão legal. Isso não tá certo!

AMANDA           —    Filha… Eu entendo a sua revolta com tudo isso, mas temos que trabalhar! Volte à produção.

Sérgio vem puxando um porta-paletes com vários produtos acabados e ao ver a filha chorando, preocupa-se. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 07. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.

Regina e Kléber sentados. Regina a olhar a foto de Camila no cel.

REGINA             —    Não entendo o entusiasmo nessa garota!

KLÉBER               Como não, Regina? Ela tem tudo para ser o que a gente precisa. Ela parece modelo.

REGINA             —    Hum… Fala a verdade, Kléber. Ficou de olho nela por sua beleza.

KLÉBER           —    Também. Mas ela se encaixa perfeitamente nos nossos padrões.

REGINA             —    Desde que dê produção, já que isso é o que nos interessa. Antes até de beleza, charme, essas coisas…

KLÉBER               Sim. Mas falando do corpo. Quem foi?

REGINA             —    Dona Hilda. Parece que a véia não aguentou e pacotô.

KLÉBER           —    (Sorrir) Dona Hilda também já tinha dado o que tinha que dá já.

REGINA             —    Realmente. Agora suma com esse corpo antes que sejamos obrigados a respirar podridão.

KLÉBER           —    Pode deixar.

CORTA RÁPIDO PARA:

CENA 08. MATAGAL ATRÁS DA FÁBRICA. EXT. DIA.

Kléber e Moreira ali cavando uma cova. Corpo enrolado em vários sacos grandes de lixo preto.

MOREIRA         —    Até que eu gostava da dona Hilda.

KLÉBER           —    Ela não causava problemas. Agora me ajude aqui.

Ambos colocam o corpo na cova e Kléber começa a jogar terra por cima.

MOREIRA         —    Kléber?

KLÉBER           —    O que é Moreira? Fala!

MOREIRA         —    Você não tem medo desse verdadeiro cemitério clandestino a céu aberto ser descoberto, não?

KLÉBER               Não! Até porque essa área aqui é deserta. Ninguém vem pra esses lados. Agora vê se para de falar e me ajuda a terminar isso aqui.

Moreira pega uma pá e ajuda a enterrar. CAM abe o plano no corpo sendo enterrado. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 09. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER.

Takes da orla da praia da Barra da Tijuca, Cristo Redentor, Trânsito do início de noite. Fachada da Mansão Vieira. Carro de Ramiro se aproxima. Ele e Marcelo saltam e entram.

CORTA PARA:

CENA 10. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Beatriz ali a mexer no cel. com dificuldade. Ramiro e Marcelo entram.

BEATRIZ           —    Ah! Já estava aqui tentando ligar pra você. Mas esses celulares são uma porcaria para os mais velhos usarem. (Mostra o cel.) Olha essas letrinhas que miúdas.

RAMIRO            —    (Debocha) Se alguém necessitar de socorro e você tiver que ligar do celular, morre.

BEATRIZ           —    Debocha mesmo Ramiro.

RAMIRO            —    Rodrigo e Viviane já chegaram?

BEATRIZ           —    Já. Estão no quarto descansando.

Viviane desce a escada.

VIVIANE            —    Tio.

RAMIRO            —    Minha sobrinha querida!

Os dois se abraçam e se beijam no rosto.

RAMIRO            —    Como foi de viagem?

VIVIANE            —    Bem. E esse daqui deve ser o meu primo Marcelo?

Os dois se abraçam.

VIVIANE            —    Tá um homem já, e lindo também.

MARCELO        —    (Sem graça) Obrigado.

RAMIRO            —    Bom isso ele puxou de mim! Beleza é o que não falta ao pai dele!

BEATRIZ           —    Ai, Ramiro, como você se acha, hein!

Todos sorriem

RAMIRO            —    Ué. Por acaso estou falando alguma mentira? E o Rodrigo, Viviane?

VIVIANE            —    Está deitado descansando. Ter voltado ao Brasil aonde tudo de ruim aconteceu na vivida dele há quinze anos, mexeu um pouco com ele.

RAMIRO            —    Bom, então eu vou subir. Viviane, depois vá até o escritório que quero conversar com você.

VIVIANE            —    Tá bom, tio.

Ramiro sobe a escada.

MARCELO        —    E eu vou seguir esse cheirinho delicioso que vem da cozinha.

Marcelo vai para a cozinha.

VIVIANE            —    Até o jeito sereno do Marcelo falar é igual ao de Maristela.

BEATRIZ           —    Esse daí é um mosca morta igual à Maristela.

Fecha em Viviane que sorrir. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 11. MANSÃO VIEIRA. QUARTO VIVIANE E RODRIGO. INT. NOITE.

Rodrigo sentado na cama pensativo. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 12. CASA LETÍCIA. SALA. INT. DIA.

INSERT da cena 12, do capítulo 02.

Rodrigo ali ao tel. Fixo.

RODRIGO         —    (Ao tel.) Tudo bem. Se você quer assim, mas saiba que vai ser uma luta grande.

Letícia chega da rua.

LETÍCIA            —    Precisamos conversar, filho.

RODRIGO         —    (Ao tel.) Depois eu te ligo.

Ele desliga.

LETÍCIA            —    Filho/

RODRIGO         —    (Corta) Mãe, se for pra conversar sobre o que eu já falei com meu tio… Vamos nos poupar desse desgaste, por favor.

LETÍCIA            —    Olha, eu sei que você se apaixonou por essa menina. E eu te entendo. Eu já tive a sua idade também. Mas será mesmo que vale a pena esse amor de vocês dois?

RODRIGO         —    Por mim vale sim.

LETÍCIA            —    Eu estou querendo dizer pra você, filho, que por mais que algum dia eu e o seu tio aceite isso, ainda tem a família da menina. O Severo é cabeça dura.

RODRIGO         —    Acho que não mais que o tio Jô.

LETÍCIA            —    Pensando por esse lado você tem razão, filho.

RODRIGO         —    Eu sinceramente estou meio confuso com isso tudo, mãe. Porque o que eu sinto pela Elisa, eu nunca senti por garota alguma.

LETÍCIA            —    É, meu filho… Você ama mesmo essa menina. (Abraça ele) Vamos dar um jeito.

RODRIGO         —    (Feliz) Sério, mãe?

LETÍCIA            —    Sim, mas eu não posso prometer nada! Dá pra ver que essa menina é muito importante pra você.

RODRIGO         —    E ela é, mãe.

LETÍCIA            —    Bom, agora eu preciso ir. Passei aqui só pra pegar a minha bolsa. Estou indo ao Ceasa. Não quer vir comigo, filho?

RODRIGO         —    Acho melhor não, mãe. Esse lance de terem descoberto tudo me deixou meio pra baixo.

LETÍCIA            —    (Aperta a bochecha dele) Mas não fica assim, meu menininho…

RODRIGO         —    (Sorrir) Ai, mãe, para! Eu tenho 17 anos.

LETÍCIA            —    Mas pra mim você continua sendo o meu filhinho de 2, 3 anos… Tchau, filho.

RODRIGO         —    Tchau, mãe.

Ela pega a bolsa sobre uma cadeira e sai. Rodrigo liga a TV.

CORTA PARA:

CENA 13. MANSÃO VIEIRA. QUARTO VIVIANE E RODRIGO. INT. NOITE.

Continuação da cena 11.

RODRIGO         —    (P/si, sorrir) ‘Meu menininho’…

Rodrigo fica ali nostálgico. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 14. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.

Elisa a olhar pela janela.

ELISA                —    (P/si) Pelo menos não levou meu filho pra muito longe.

CAM mostra táxi de severo parando. Ele e Laura saltam e pegam as sacolas das compras e entram.

ELISA                —    (Indo para a porta) Finalmente estão chegando desse bendito mercado!

Elisa abre a porta. Laura entra seguida de Severo.

LAURA              —    Ai, filha, segura essa sacola que eu tô morrendo com esse peso!

ELISA                —    Mas que demora foi essa? E a senhor ainda disse que voltaria antes das duas da tarde.

LAURA              —    Pois é, minha filha. Mas seu pai demorou pra me buscar!

SEVERO           —    Nada de ficar jogando a culpa em mim, Laura! O marcado que tava um verdadeiro campo de guerra!

ELISA                —    Também, mãe. A senhora quer ir justo no mercado, que quando está em aniversário, as pessoas até se estapeiam!

LAURA              —    Mas é claro, minha filha! As coisas lá estavam muito em conta.

SEVERO           —    Nunca vi povo mais mal-educado! Parecia que tinha declarado à terceira guerra mundial e aquela era a última fonte de comida!

ELISA                    (Sorrir) Só o senhor mesmo, pai.

Eles se encaminham para a cozinha.

CORTA PARA:

CENA 15. CASA LAURA E SEVERO. COZINHA. INT. NOITE.

Laura guardando as compras no armário, Elisa passando a ela os mantimentos e Severo tirando tudo das sacolas.

ELISA                —    Uma promoçãozinha é sempre bom, mas daí agir como um bando de meliantes não dá, né?

SEVERO           —    Exatamente, minha filha. O que falta nesse povo é educação, saber respeitar o outro, agir com empatia e não pensar somente em si próprio.

LAURA              —    São épocas sombrias, meu amor!

SEVERO           —    E o Gustavinho, Elisa?

LAURA              —    Pois é. Cadê meu neto? Comprei aquele biscoito que ele adora.

ELISA                —    (Sem jeito) Então… O Marcos veio aqui e levou o Gustavinho.

LAURA              —    Como é que é?

SEVERO           —    Aquele energúmeno sequestrou o meu neto?

ELISA                —    Não, pai! Calma. Eu deixei o Gustavinho passar uma tarde com ele.

LAURA              —    Mas por que, minha filha? E se ele fizer algum mal ao meu neto?!

SEVERO           —    Eu acabo com a raça daquele desgraçado!

ELISA                —    Querendo ou não ele é pai e tem o direito de ficar com o Gustavinho. Se eu proibir ele pode entrar com uma ação e eu posso até perder a guarda do meu filho.

Closes alternados em Severo e Laura indignados. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 16. BAR DO TIO JÔ. INT. NOITE.

Bar vazio. Somente Marcos e Gustavinho sentados a uma mesa. Jô do balcão a observar.

MARCOS          —    Filho, eu quero que você saiba que eu não sou esse monstro, tá?

GUSTAVINHO —    Mas e todas as vezes que eu ouvi a mamãe gritando e pedindo pra você parar…?

MARCOS          —    (Mente) Filho, isso daí é uma brincadeira nossa! Você acha mesmo que se eu agredisse a sua mãe, eu já não teria feito alguma coisa com você também?

GUSTAVINHO —    Se bem que o senhor às vezes me assusta.

MARCOS          —    Desculpa filho. Eu só quero o seu melhor e o seu bem. Às vezes a forma como demonstro isso pode ser estranho ou parecer até agressiva. Se o papai te fez alguma vez sentir medo, você me desculpa?

Ele meneia a cabeça que sim. Marcos dá um abraço no filho. Josias sorrir a observar a cena. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 17. MANSÃO VIEIRA. ESCRITÓRIO. INT. NOITE.

Ramiro e Viviane sentados.

RAMIRO            —    Confiei na sua palavra, mas fiquei aqui preocupado.

VIVIANE            —    Se preocupa não, tio. Tudo foi queimado e não há mais evidência alguma que possa vir a comprometer o senhor.

RAMIRO            —    Melhor assim. Coitado do Rodrigo ainda foi suspeito de participar dos trambiques do Pierre, né?

VIVIANE            —    Pois é, tio. Foram dias tensos, mas o doutor Alexandre com sua defesa excelente provou que Rodrigo ela leigo nos trambiques de Pierre.

RAMIRO            —    Não falei que doutor Alexandre era competente?

Eles continuam a conversar fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 18. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE.

Beatriz ao tel. Fixo.

BEATRIZ           —    (Ao tel.) Boa noite. É da agência Empreguim Certo? O que eu desejo? Antes de qualquer coisa, que vocês mudem esse nome terrível! E logo após isso, eu gostaria de solicitar algumas moças para uma entrevista amanhã. Sim, quero gente competente e com experiência. Sem tempo pra ensinar serviçal a ser serviçal!

CORTA PARA:

CENA 19. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. NOITE.

Campainha toca. Elisa vem da cozinha e abre a porta. É Marcos e Gustavinho.

ELISA                —    Filho! Como foi?

GUSTAVINHO —    Muito bom.

Gustavinho entra e se senta no sofá.

MARCOS          —    Viu? Como você pôde ver, eu não fiz nada com o nosso filho.

ELISA                —    Até porque você teria que ser um canalha maior ainda pra me atingir usando nosso filho!

Severo vem do quarto.

SEVERO           —    Meu neto voltou! (Vê Marcos) O que esse cara tá fazendo na porta da minha casa?

MARCOS          —    Já estou de saída, seu Severo!

SEVERO           —    Muito cara de pau de aparecer aqui depois de tudo que aconteceu!

MARCOS          —    Elisa, depois eu converso com você sobre os dias que eu quero passar com o Gustavinho.

Marcos sai, com Severo arrematando.

SEVERO           —    Isso mesmo! Saia da minha casa! Aqui não tem espaço pra canalhas como você! Essa aqui é uma casa de família digna, direita!

Atenção Sonoplastia: tel. fixo toca. Elisa vai atender. Laura vem da cozinha.

LAURA              —    Que escândalo do Severo é esse, gente?

SEVERO           —    Aquele canalha do Marcos aqui na minha porta! Não quero ele aqui!

ELISA                —    (Ao tel., feliz) Sério? Mas quando? Pode deixar que estarei lá. Muito obrigada mesmo. Tchau!

Ela desliga.

LAURA              —    Que felicidade é essa, minha filha?

SEVERO           —    É. Parece que recebe uma notícia boa.

ELISA                —    Boa não, pai, ótima! Era da agência Empreguim Certo. Eu tenho uma entrevista de emprego amanhã!

Todos ficam feliz por Elisa e comemoram fora de áudio. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 20. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. AMANHECER.

Takes do nascer do sol na Pedra do Arpoador, banhistas que lotam a praia de Ipanema. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 21. MANSÃO VIEIRA. PORTÃO PRINCIPAL. EXT. DIA.

Táxi de Severo se aproxima e para.

SEVERO           —    É aqui mesmo, filha?

ELISA                    É sim, pai. Não viu o nome do condomínio na entrada?

SEVERO               (Impressionado) Uau! Vai trabalhar numa mansão.

ELISA                —    Se Deus quiser esse: ‘vai trabalhar’, vai se concretizar na minha vida, pai.

SEVERO           —    Vai sim, filha. Boa sorte!

ELISA                —    Brigada, seu Severinho.

Elisa dá um beijo no rosto do pai e sai do táxi. Ela toca o interfone. Severo buzina e afasta.

CORTA PARA:

CENA 22. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.

Elisa e mais duas mulheres ali. Uma estilo punk e a outra de chinelo, bermuda e camiseta. Fecha em Elisa aflita. Instantes.

CORTA PARA:

CENA 23. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. DIA.

Beatriz sentada frente à mulher Punk. Edileusa a parte a observar.

BEATRIZ           —    Escuta aqui, minha filha… Você acha mesmo que será contratada vestida dessa forma?

MULHER PUNK —            O que tem de errado com meu estilo, dona?

BEATRIZ           —    Tudo! Isso aqui é uma casa de família e não um show do Rock in Rio!

MULHER PUNK —            Isso que a dona tá fazendo é descriminação, sabia?

BEATRIZ           —    Não interessa o que seja! Agora aponha-se fora daqui! Sem noção!

EDILEUSA        —    Vem, eu te levo até a saída.

CORTE DESCONTÍNUO: Beatriz frente à mulher vestida à vontade.

BEATRIZ           —    Uma me vem pra cá vestida toda de preto, roqueira e você me vem achando que está aonde? Na praia, no bar da esquina da tua casa? Fora daqui!

A mulher sai com Edileusa assustada com Beatriz.

BEATRIZ           —    (Olhando para o papel) Só falta essa Elisa agora. Espero que não seja mais uma que não sabe se vestir adequadamente para uma entrevista e emprego! Sabia que não devia acreditar numa agência com o nome: Empreguim Certo!

Rodrigo e Viviane descem a escada.

VIVIANE            —    Mamãe, estamos saindo.

BEATRIZ           —    Aonde estão indo?

VIVIANE            —    Dá uma passeada pela orla e ver o que mais o Rio tem a nos oferecer, né, meu bem?

RODRIGO         —    É.

Elisa vem da cozinha, junto de Edileusa.

EDILEUSA        —    Ela vai fazer a entrevista com você agora mesmo.

RODRIGO         —    Acho melhor irmos logo, né?

Elisa para e fica a olhar Rodrigo.

Atenção Sonoplastia: Quando um Grande Amor de faz.

Rodrigo, em, SLOW MOTION, olha para Elisa. Closes alternados no casal. Instantes. Suspense. Tensão. Reencontro.

CORTA PARA:

 FIM DO DÉCIMO SEGUNDO CAPÍTULO

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