NOVA CHANCE PARA AMAR
Novela de Ramon Silva
Escrita Por:
Ramon Silva
Direção Geral:
Wellington Viana
PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO
AMANDA
BEATRIZ
BELINHA
CAMILA
DANIELA
EDILEUSA
ELISA
GABRIELA
GUILHERME
JOSIAS
KLÉBER
LAURA
MARCELO
MARCOS
MAURÍCIO
NANDÃO
RAMIRO
REGINA
RICK
RODRIGO
SALINA
SEVERO
SÉRGIO
VIVIANE
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:
MARÍLIA, MOREIRA e RECEPCIONISTA.
CENA 01. APART GABRIELA. QUARTO DANIELA. INT. DIA.
Continuação imediata da última cena do capítulo anterior. Gabriela em choque.
GABRIELA — (Chora) É a ictiose! É a maldita da ictiose de novo!
GUILHERME — (Abraça ela) Calma, Gabi. Calma que a gente vai dar um jeito.
DANIELA — (Chora) O que é isso que eu tenho, mãe? Eu vou ficar sem pele?
GABRIELA — Não, filha.
GUILHERME — Ictiose é uma doença rara e genética, Dani. Pode ser que seus avós tiveram ou até seu pai, já que eu conheço a Gabi e ela não sofre com isso.
DANIELA — Quer dizer que eu herdei isso?
GABRIELA — Filha, ainda é cedo pra dizer ao certo do que se trata.
GUILHERME — O que a gente faz agora, Gabi?
GABRIELA — Não faço a mínima ideia, Guilherme! Só pelo fato de saber que essa maldita dessa doença voltou, eu já me sinto totalmente atordoada e perdida.
Fecha em Dani se olhando no espelhinho de bolsa. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 02. APART GABRIELA. SALA. INT. DIA.
Marília ali sentada a assistir TV. Gabriela e Guilherme vêm do quarto, Dani no colo de Guilherme, com o rosto tapado por uma manta.
GABRIELA — Marília, eu vou levar a Dani até a clínica pra fazer alguns exames.
MARÍLIA — Tudo bem, dona Gabriela. Mas a senhora quer que eu vá com vocês?
GABRIELA — Não precisa. Apenas fique aqui atenta. Se eu precisar de alguma coisa, te ligo.
MARÍLIA — Tá bom. Mas o que a Dani tem?
GUILHERME — Precisamos de um exame pra saber o que é.
GABRIELA — Embora os sintomas e a estética do rosto da Dani, apontam para que seja ictiose. Até porque já tem histórico na família dessa doença. Mas vamos logo, Gui.
MARÍLIA — Tchau, gente! E Dani, não se preocupe que você vai ficar bem logo.
Os três saem.
MARÍLIA — (P/si, apreensiva) Ai, meu Deus. Tomara que essa doença do nome estranho que a dona Gabriela disse, não seja grave. Coitada da Dani.
CORTA PARA:
CENA 03. PRÉDIO FABRISTILO. SALA RODRIGO. INT. DIA.
Rodrigo senta-se e ali fica pensativo.
RODRIGO — (P/si) Sei muito bem que a Viviane vai querer fazer em escândalo com isso, mas… (Pausa) Justo agora que eu reencontrei a Elisa, não quero me afastar dela de novo. O destino nos uniu novamente. (Determinado) É isso. Vou pedir o divórcio!
CORTA PARA:
CENA 04. PRÉDIO FABRISTILO. SALA RAMIRO. INT. DIA.
Ramiro ali concentrado a trabalhar. Marcelo entra.
MARCELO — Pelo jeito que o Rodrigo saiu dessa sala, a conversa não foi nada boa.
RAMIRO — Você não acha que tá dando papinho demais pra fofoqueira da secretária, não?
MARCELO — Mas isso não foi ninguém que me contou, eu vi.
RAMIRO — O Rodrigo não sabe mentir. Essa que é a verdade.
MARCELO — Como assim?
RAMIRO — Tá mais do que na cara que a sua prima está sendo corna.
MARCELO — Será pai?
RAMIRO — Não duvido nada! E o jeito como o Rodrigo fica quando alguém toca no assunto, é como se fosse uma auto delação.
MARCELO — Ah, eu não acredito que o Rodrigo esteja traindo a Viviane. Ele é um cara muito certinho.
RAMIRO — Pois como já dizia Henry Mencken: Nenhum homem merece uma confiança ilimitada. Na melhor das hipóteses, a sua traição espera uma tentação suficiente.
Fecha em Marcelo desacreditado. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 05. FÁBRICA. CASA REGINA. SALA. INT. DIA.
Regina arrumando algumas papeladas.
REGINA — (P/si) Tá chegando o grande dia. A matriz não pode nem desconfiar do que se passar por aqui.
Belinha vem do quarto
BELINHA — Regina, hoje eu posso ficar com a minha mãe?
REGINA — O que já conversamos sobre isso, Belinha?
BELINHA — Mas Regina! Eu tô com saudades da minha mãe. Eu quero ficar perto dela!
REGINA — Por favor, Belinha! Desse jeito você me complica!
BELINHA — Por quê?
REGINA — Entenda uma coisa, Belinha: você está comigo por motivos estratégicos, tá? Mas é só isso que eu posso te falar no momento. E você tem que me prometer que não vai contar isso pra ninguém.
BELINHA — Tudo bem. Na verdade, eu nem sei o que isso quer dizer.
REGINA — Melhor não saber mesmo.
CORTA PARA:
CENA 06. CLÍNICA. RECEPÇÃO. INT. DIA.
Gabriela e Guilherme com Dani no colo entram na recepção.
GABRIELA — Vai levando ela que eu vou falar com a recepcionista aqui.
GUILHERME — Ok.
Gui, com Dani no colo, entra por um corredor. Gabriela se aproxima da recepcionista.
RECEPCIONISTA — Pois não doutora? Em que posso ajudar?
GABRIELA — Você sabe me dizer se estão usando o laboratório hoje?
RECEPCIONISTA — Vou checar aqui no sistema.
A recepcionista começa a mexer no sistema. Gabriela afita. Instantes.
GABRIELA — E então?
RECEPCIONISTA — Só mais um segundo… Pronto! Hoje o laboratório da clínica está desocupado. A doutora deseja agendar para usá-lo?
GABRIELA — Pode colocar aí agora, mas eu não tenho hora pra sair, não.
Gabriela apressada, segue pelo corredor e a recepcionista fica sem entender.
CORTA PARA:
CENA 07. CLÍNICA. LABORATÓRIO. INT. DIA.
Guilherme e Daniela ali.
DANIELA — Isso que eu tenho é grave?
GUILHERME — Olha, Dani. Se for mesmo o que estamos pensando, não é nada grave que possa te matar. Mas infelizmente é uma doença ainda sem cura.
Gabriela entra.
GABRIELA — Guilherme, você pode procura o anestesista pra mim, por favor?
GUILHERME — Tá bom. (E sai)
DANIELA — (Medo) Anestesista? O que eu vou ter que fazer, mãe?
GABRIELA — Calma, filha. Calma que vamos realizar uma biópsia de pele. Embora, eu ache que seja ictiose vulgar, eu tenho que ter um resultado concreto.
DANIELA — Minha pele vai voltar ao normal, mãe?
GABRIELA — Filha, ainda é cedo pra diagnosticar e estimar um tempo de tratamento. Mas fica despreocupada que a mamãe vai fazer o que for possível pra você ter sua pele como antes. Tá bom?
Dani tristinha, meneia a cabeça que sim. Gabriela dá um beijo na cabeça da filha e permanece ali apreensiva. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 08. MANSÃO VIEIRA. PISCINA. EXT. DIA.
Viviane e Beatriz ali sentadas nas espreguiçadeiras a comer petit gateau de chocolate.
VIVIANE — Ai, como eu adoro essa vida!!!!
BEATRIZ — Aproveita enquanto se pode com a maré baixa.
VIVIANE — Credo! Finérrima a degustar um delicioso petit gateau e a senhora me vem falar de maré baixa. Baixa foi o local de onde isso surgiu.
BEATRIZ — Vivi, minha filha. Até parece que você esqueceu porque voltou. A coleção de inverno já está quase pronta. E advinha quem vai ser a modelo?
VIVIANE — (Feliz) Não acredito. Por que não me falaram nada antes?
BEATRIZ — Porque ninguém sabe ainda. Ramiro disse que talvez essa semana ainda haverá uma reunião com todo o conselho sobre a organização do evento. Eles sempre colocam uma modelo sem sal pra ser destaque.
VIVIANE — Mas não este ano, né? Com uma modelo maravilhosa dessas na família, seria um absurdo escolher outra.
BEATRIZ — Não se preocupe, minha filha. O destaque é todo seu. Te garanto que quando todos forem informados da minha decisão, ninguém vai se impor.
VIVIANE — Até porque a senhora que detém a maior parte das ações da empresa.
BEATRIZ — Exatamente.
VIVIANE — Já me vejo arrasando naquela passarela! Todos os holofotes e flashes pra mim!
BEATRIZ — Filha, não vai ter pra ninguém!
Fecha em Viviane ali se achando. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 09. CLÍNICA. CORREDOR. INT. DIA.
Guilherme ali andando de um lado para o outro. Gabriela sai do laboratório.
GABRIELA — Cadê o anestesista?
GUILHERME — Gabi, eu tava pensando. Talvez sujeitar a Dani a uma biópsia não seja o ideal.
GABRIELA — Como não é o ideal, Guilherme? Eu tenho que saber o que está acontecendo com a minha filha. E se for psoríase?
GUILHERME — Gabriela, pensa comigo aqui. Psoríase e ictiose são doenças completamente diferentes. Embora ambas seja na pele, a psoríase apresenta lesões avermelhadas e descamativas no corpo, mas as escamas com características brancas.
GABRIELA — Você tem razão, Gui. Eu tô atordoada com isso que eu nem sei o que pensar!
GUILHERME — Eu estou aqui pra ajudar. Tudo que eu quero é poupar a Dani.
GABRIELA — Mas a biópsia não dói nada.
GUILHERME — Eu sei, Gabriela. Mas você não acha que diante de tudo que a Dani vai enfrentar desse momento em diante, poupá-la de passar por esse procedimento agora, não é a melhor solução?
GABRIELA — E o que você tem em mente?
GUILHERME — Eu sugiro que a Dani seja medicada com a base de ácido salicílico e ureia. Enquanto isso ameniza um pouco a situação, nós podemos buscar respostas pesquisando mais a respeito. A ictiose é uma doença que foi pouco explorada pela medicina, principalmente a Brasileira. Então pense bem, Gabriela. A Dani pode fazer exames que não sejam relevantes.
GABRIELA — Tá bom, Gui. Você venceu. Embora eu ache que fazer a biópsia não custava nada, você tem razão.
GUILHERME — Eu tinha certeza que você tomaria a decisão correta.
Guilherme dá um selinho em Gabriela e se afasta. Ela sorrir modestamente, mesmo aflita com toda a situação da filha. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 10. BAR DO TIO JÔ. FRENTE. EXT. DIA.
Jô a varrer a calçada do bar. Instantes. Laura sai de casa e fica a olhar Jô.
LAURA — (P/si) Meio solitário esse mala do Jô. (Olha para um lado e para o outro) Hum… Não custa nada falar com ele.
Ela se aproxima.
JOSIAS — Essa não! Pra uma Borges estar na mesma calçada que eu, tem alguma coisa de errado!
LAURA — Boa tarde pra você também, Josias!
JOSIAS — Ultimamente as tardes não têm sido tão maravilhosas assim, mas a educação manda. Então: (Simpático forçado) boa tarde.
LAURA — Misericórdia! Não consegue nem disfarçar ser simpático com alguém.
JOSIAS — Laura, não me leve a mal… Mas o que você está fazendo aqui perto de mim?
LAURA — Nada. Apenas sair e te vi aqui varrendo. Parecia tão solitário você, Jô.
JOSIAS — Que bom que notou! Agora corre e conta pro seu marido bater palmas!
LAURA — Que isso, Jô? Essa guerra de vocês dois é ridícula!
JOSIAS — Ridículo e antiético foi o que o patriarca dos Borges fez correndo atrás do meu pai atirando, quase matou o coitado.
LAURA — Nem tão coitado assim, né, Jô!?
JOSIAS — Olha, Laura/
LAURA — (Corta) Mas eu não estou aqui pra falar disso.
JOSIAS — Então a que devo a visita ilustre a calçada do meu bar?
LAURA — Na verdade, eu queria te perguntar sobre o Rodrigo. Desde que ele se mudou pro exterior que eu não tenho mais notícias dele.
JOSIAS — Nem eu! Conversava com o pai dele, mas não sei o que aconteceu, que agora não falo com ninguém mais. Se aconteceu alguma coisa com Pierre, eu nunca vou saber, já que o Rodrigo me odeia!
LAURA — Que isso Jô? Não fale uma coisa dessas!
JOSIAS — Não falar por que se essa é a verdade? O garoto saiu daqui com ódio nos olhos, certamente até hoje ele me odeia por ter obrigado ele a embarcar pra França!
CORTA RÁPIDO PARA:
CENA 11. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. DIA.
Maurício e Nandão ali a observar Laura e Jô.
NANDÃO — O que a dona Laura faz com o Jô?
MAURÍCIO — Como assim o que estão fazendo? Estão conversando oras!
NANDÃO — Disso eu sei seu lesado! Tô falando porque todo mundo sabe que os Borges e os Garcias não se bicam há anos!
CAM mostra táxi de Severo se aproximando. Ele salta e se aproxima de Maurício e Nandão, que nem percebem.
MAURÍCIO — Severo não pode ficar sabendo de uma coisa dessas!
SEVERO — O que vocês tão escondendo que eu não posso saber?
Maurício e Nandão se entreolham sem saber o que dizer. Severo vê a esposa com Jô.
SEVERO — Mas que… Mas o que a Laura tá fazendo com o Jô?
NANDÃO — Era isso que a gente não queria que tu soubesse!
SEVERO — Traidora! Eu vou acabar com essa palhaçada agora mesmo!
MAURÍCIO — (Segura Severo pelo braço) Não faça isso, Severo! Fazer um escândalo na rua agora só vai piorar as coisas!
SEVERO — (Resiste) Me solta, Maurício! Eu tenho que impedir a Laura de falar com um Garcia!
NANDÃO — (Sorrindo) Severo tá parecendo aquele ET do meme: me solta. (Imita Severo) Me solta! Eu tenho que impedir a Laura de falar com um Garcia!
MAURÍCIO — Me ajuda a conter essa fera aqui e para de fica rindo!
NANDÃO — Tudo bem. (Segura Severo) Fica calmo, cara.
Fecha em Severo rangendo dentes a olhar a esposa com Jô. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 12. FÁBRICA FABRISTILO. PRODUÇÃO. INT. DIA.
Todas as mulheres concentradas na produção. Amanda para de costurar e respira fundo.
CAMILA — Que foi, amiga?
AMANDA — São tantos problemas, sabe, Camila? E essa sensação de impotência, de não poder fazer nada acaba com a gente.
CAMILA — Te entendo. Mas não fica assim não. Eu sei que é difícil, mas temos que acreditar em dias melhores!
AMANDA — Difícil? Aqui dentro desse inferno é impossível mesmo!
Regina e Belinha entram na produção. Belinha logo para e fica a olhar para a mãe, que sorrir ao ver a filha.
REGINA — Tá legal, Belinha. Eu sei que você e sua mãe querem ficar juntas. Eu não posso impedir isso. Vai lá.
BELINHA — É sério?
REGINA — U-hum.
Belinha corre e abraça a mãe. Regina sobe a escada para o escritório.
AMANDA — A mamãe tava morrendo de saudades, filha.
BELINHA — Eu também, mãe.
CAMILA — Você e a Regina não tem vindo pro escritório?
AMANDA — Onde é que vocês estavam? O que estavam fazendo?
BELINHA — A Regina trabalhou de casa ontem. Mas eu não via a hora de vim aqui te ver. Mas ela não quer me deixar andar sozinha pela Fábrica.
AMANDA — Pelo menos isso ela tá fazendo já que roubou a minha filha de mim!
CAMILA — Ou talvez o Sérgio que naquele dia teve aquela conversa misteriosa com ela.
AMANDA — Verdade, Camila. Não tinha pensado nisso. (P/Belinha) Mamãe tava com o coração apertado por não ter de visto ontem.
Amanda abraça a filha mais uma vez e Belinha sorrir.
CORTA PARA:
CENA 13. CLÍNICA. QUARTO. INT. DIA.
Gabriela ali a dando a Daniela um comprimido acompanhado de um pouco de água, ela toma.
GABRIELA — Agora eu vou passar essa pomadinha no seu rosto, tá bom, filha?
DANIELA — Sim.
GABRIELA — (Começa a passar a pomada) Pode arder um pouco, mas é normal. É a pomada penetrando na pele.
DANIELA — Essa pomada vai me deixar com a pele como era antes?
GABRIELA — Filha, você tem que ter paciência. Nada se resolve como num passe de mágica.
DANIELA — Que saco! E eu vou ter que ficar com essa cara horrível sem nem poder sair na rua?
GABRIELA — Calma, filha. Eu falei que ia fazer o possível pra você voltar a ter a sua pele como era antes, não falei?
DANIELA — Falou, mas agora tá falando que eu tenho que esperar!
GABRIELA — Claro que tem que esperar! Nem tudo se resolve num passe de mágica como eu acabei de falar. E outra, o seu caso é raro. As pesquisas ainda estão engatinhando na possível cura, que ainda não foi descoberta! Agora fica quietinha e deixa a mamãe terminar de passar essa pomada.
CORTA PARA:
CENA 14. FÁBRICA FABRISTILO. CORREDOR. INT. DIA.
Kléber e Moreira vem caminhando.
MOREIRA — Você acha mesmo que o Sérgio está disposto a entrar nessa de uma hora pra outra?
KLÉBER — Eu tenho as minhas desconfianças, Moreira.
MOREIRA — Eu também. Por isso, que eu queria te perguntar. Pensei que você tinha acreditado nele.
KLÉBER — Deixe o Sérgio achar que está me enganando.
MOREIRA — Mas o fato é: se o Sérgio realmente estiver te enganando, pode ter alguém por de trás disso.
KLÉBER — O que todos não sabem é que eles não estão lidando com amador. Vejamos até onde o Sérgio é capaz de ir pra provar que realmente está deste lado!
Fecha em Kléber sorrindo malignamente. Instantes. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 15. ANGRA/ FRADE. CASA BEIRA PRAIA. SALA. INT. DIA.
Salina a costurar um vestido. Marcos chega da rua.
MARCOS — Impressionante como o Frade não mudou quase nada.
SALINA — (Sempre séria a costurar o vestido) Pois é.
MARCOS — Lembro como se fosse hoje de eu saindo daqui e indo pro Rio de Janeiro. Quase tudo está como era antigamente.
SALINA — Quase tudo. Exceto a criminalidade de tem tornado Angra, um lugar perigoso.
MARCOS — O que é uma pena, né? Um lugar tão lindo e tomado por bandidos.
SALINA — Pois é.
MARCOS — (Percebe a indiferença da mãe) Bom, eu vou tomar uma ducha.
Marcos vai para o banheiro. Salina para de costurar e fica ali séria. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 16. MANSÃO VIEIRA. COZINHA. INT. DIA.
Edileusa a faxinar o armário da cozinha. Rick entra.
RICK — Como essa Viviane é gostosa!
EDILEUSA — Você só pode olhar mesmo!
RICK — Que isso, Edileusa? Não confia no meu taco não?
EDILEUSA — Pode ser que seu taco tenha lá o seu mérito, mas o taco do seu Rodrigo deve ser bem melhor que esse seu aí!
RICK — (Indignado) Qual foi, Edileusa! Nunca diga uma coisa dessas na frente de um homem, tá?!
Elisa vem da sala, com um balde.
ELISA — O que é que tá acontecendo aqui, gente?
RICK — É a Edileusa querendo abaixar minha autoestima.
ELISA — (Não entende) Quê?!
EDILEUSA — Sabe o que é Elisa? O Rick acha mesmo que tem alguma chance com a Vivi Superiora.
ELISA — Ah, Edileusa. Mas aí você não pode frustrar os sonhos dele.
RICK — Tá vendo só? Pelo menos alguém nesta casa me entende.
EDILEUSA — Se você quer continuar nessa sua fantasia que nunca vai acontecer, Rick. Quem sou eu pra falar alguma coisa? Apenas estava sendo realista. Mas já vi que você prefere gente como a Elisa. Que deve tá debochando de você por dentro, mas por fora acaba te dando um apoio por pena!
RICK — Ah, Edileusa, vá dormir! Se você sendo pobre e não sonha alto, pra que você vive então?
Rick sai.
ELISA — Coitado, Edileusa. Ele estava apenas sonhando!
EDILEUSA — Ele até pode sonhar, Elisa. Mas dentro do que pode se realizar. Agora, com isso que ele está sonhando, nunca acontecerá! É tipo um sonho inútil!
Fecha em Elisa, que dá um sorrisinho. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 17. FÁBRICA FABRISTILO. PÁTIO. EXT. DIA.
Kléber e Moreira a conversar com Sérgio.
KLÉBER — Então, Sérgio. Eu preciso saber se você está mesmo disposto a entrar nessa.
SÉRGIO — Claro que tô! Tudo que eu mais quero é minha filha de volta!
MOREIRA — Mas você sabe que terá que provar que merece a nossa confiança. Não é mesmo, Kléber?
KLÉBER — Isso aí.
SÉRGIO — Mas o que eu teria que fazer exatamente?
KLÉBER — Acho que é cedo pra dizer. Mas se prepare: você terá provas de lealdade.
Fecha em Sérgio tenso. Instantes. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 18. BAR DO TIO JÔ. INT. DIA.
Jô ali a limpar o bar, quando Maurício e Nandão entram.
JOSIAS — A que devo a honra da visita dos taxistas?
NANDÃO — A gente quer saber o que você tá… (Pensa) O que eu ia falar mesmo?
MAURÍCIO — Pelo amor de Deus, Nandão! Como você é leso! (P/Josias) A verdade é que todos nós vimos você conversando com a Laura.
JOSIAS — (Debochado) Tava demorando pra quadrilha do (desdém) Borges querer vir aqui tirar satisfação.
NANDÃO — Quadrilha? Você tá chamando a gente de bandido?!
MAURÍCIO — Deixa, Nandão! Até porque eu não sei em que universo o Jô acha que uma quadrilha é composta por três pessoas.
JOSIAS — Você sim é esperto, Maurício! Mas podem falar pro (desdém) Borges, amigo de vocês, que eu não estava conversando nada demais com a mulher dele. Ela veio conversar comigo sobre o meu sobrinho que nunca mais mandou sinal de vida.
NANDÃO — A gente viu que a conversa não tinha nada demais. Só queremos pedir pra você evitar conversar com a Laura pra não arrumar problemas entre ela e o Severo.
JOSIAS — Tudo bem. O recado já foi dado e eu vou atender ao pedido de vocês. Embora a Laura esteja casada com aquele (desdém) Borges, ela é uma boa pessoa.
MAURÍCIO — Vambora, Nandão. Já resolvemos o problema.
Os dois saem. Jô a olhar os dois saindo do bar, sorrir. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 19. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. DIA.
Takes da orla da Barra, Marina da Glória. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 20. CLÍNICA. CONSULTÓRIO. INT. DIA.
Gabriela e Guilherme ali sentados. Gui, com um relatório em mãos.
GUILHERME — Eu não vou mentir pra você, Gabriela. Eu como dermatologista sempre tive um grande interesse nos avanços nas pesquisas dessas doenças de pele como a ictiose. E eu descobrir na rede mesmo, que uma cientista da Universidade Northwestern, nos EUA, está em processo bem avançado com suas pesquisas.
GABRIELA — Ah, sim. Você tá se referindo a Amy Paller.
GUILHERME — Exatamente. A teoria dela de que uma via do sistema imunológico, chamada Th17, é muito ativa nos pacientes com ictiose. E quanto maior a atividade nessa via Th17, maior a gravidade da doença.
GABRIELA — Sim, eu conheço. Essa pesquisa foi feita junto da pesquisadora Emma Guttman Yassky. Mas parece que o estudo clínico para testar a droga em pacientes, não surtiu o efeito esperado. (Frustrada) E eu, pobre mortal pensei que havia encontrado a solução. Pensei que o Reinaldo estava curado e a Dani livre de riscos.
GUILHERME — Espera aí! Mas do que é que você tá falando, Gabriela?
GABRIELA — Há quinze anos atrás eu estava em busca da cura dessa maldita ictiose. Eu me casei com o Reinaldo e não queria ter filhos, para que eles não passassem pelas mesmas situações constrangedoras que o Reinaldo passava na época. Então depois de muita pesquisa, descobrir uma árvore, que inclusive é rara de ser encontrada, num bairro da zona norte aqui no Rio de Janeiro. A seiva dessa árvore misturada a uma solução química, que eu criei, vira uma loção em creme e apresentou melhoras significativas!
GUILHERME — (Firme) Como é que é?! Você pesquisando essa doença, chegou a esses resultados e não dividiu com o mundo a sua descoberta? Você poderia ter ajudado a melhorar a vida de milhões de pessoas que sofrem com essa doença!
Fecha em Gabriela séria, assustada com Guilherme. Instantes. Suspense. Tensão.
CORTA PARA:
FIM DO VIGÉSIMO SEXTO CAPÍTULO





