NOVA CHANCE PARA AMAR
Novela de Ramon Silva
Escrita Por:
Ramon Silva
Direção Geral:
Wellington Viana
PERSONAGENS DESTE CAPÍTULO
BELINHA
CAMILA
DANIELA
EDILEUSA
ELISA
GABRIELA
GUILHERME
GUSTAVINHO
KLÉBER
LAURA
MARCELO
MAURÍCIO
MOREIRA
NANDÃO
RAMIRO
REGINA
RICK
RODRIGO
SÉRGIO
SEVERO
VIVIANE
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL:
GABRIELA e REINALDO (mais jovens) e MARÍLIA
CENA 01. CLÍNICA. CONSULTÓRIO. INT. DIA.
Continuação imediata da última cena do capítulo anterior. Clima de tensão.
GABRIELA — Eu estudei durante anos pelo bem da minha família e/
GUILHERME — (Corta, firme) Você está se ouvindo, Gabriela?! Você colocou o seu bem e estar e o de sua família antes da vida de outras milhares de pessoas que passam por esta mesma situação! Quando se estuda medicina é por amor a profissão e pelo prazer, de alguma forma, você ajudar as pessoas!
GABRIELA — Eu me casei com o Reinaldo ciente do que ele enfrentava. Eu só queria que ele fosse curado, pra que mais tarde, os nossos filhos não viessem a passar por isso.
GUILHERME — Você como uma mulher da medicina, deixar que por vaidade o que é seu, tem que tratar como prioridade é lastimável. Já as outras pessoas ficam pra escanteio, não é?
GABRIELA — Você tá sendo muito duro comigo, Guilherme!
GUILHERME — Mas é claro! Você percebe que se uma informação dessas vazar, você pode ter seu registro cassado por ser antiética no exercício da profissão?!
GABRIELA — Não me crucifique! Eu confesso que a minha intenção foi sim dividir com o mundo a descoberta.
GUILHERME — (Exaltado) Ah, sim! A sua intenção, mas não foi o que você fez!
GABRIELA — Não fiz por pensar que tinha falhado! (Pausa) Foi frustrante quando eu imaginei ter dado um passo para frente, quando na verdade dei dez para trás!
CORTA RÁPIDO PARA:
CENA 02. APARTAMENTO. SALA. INT. DIA.
Flashback:
LETREIRO: QUINZE ANOS ATRÁS.
Gabriela ali a analisar algumas anotações, aflita com algo. Um homem se aproxima, mas CAM não mostra de quem se trata.
REINALDO — (Chama) Gabriela.
GABRIELA — (Vira-se) O que, meu bem. (Assustada) Mas como?
CAM detalha o corpo de Reinaldo com algumas fissuras e rachaduras no rosto e braços.
REINALDO — Eu pensei que ia me livrar dessa pele horrível!
GABRIELA — Mas tudo está indo tão bem. Não consigo acreditar que isso voltou.
REINALDO — E agora?
GABRIELA — E agora que eu não tenho a mínima ideia do que está acontecendo. Não é possível! A solução química mais a seiva na quantidade correta deveria apresentar uma melhora significativa.
GABRIELA — (OFF, Narrando) Só que eu me enganei.
CORTE DESCONTÍNUO: Gabriela ali a acariciar o rosto e os braços de Reinaldo, sem nenhuma fissura ou rachadura.
GABRIELA — (OFF, Narrando) Algum tempo depois, pesquisando e analisando o quadro de melhora do Reinaldo, que eu descobri que isso fazia parte do processo de tratamento, que por sua vez, é gradativo.
Casal feliz, sorridente. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 03. CLÍNICA. CONSULTÓRIO. INT. DIA.
Continuação da cena 01.
GUILHERME — A meu ver as coisas melhoram e pioram ao mesmo tempo. (Bate palmas) Palmas por você ter alcançado êxito depois de anos pesquisando. Mas diante do fato de que você foi egoísta e guardou para si algo que seria eficaz para a vida de várias outras pessoas… Você merece o desprezo dos demais colegas de profissão!
GABRIELA — Não fala assim, Gui!
GUILHERME — O que você vez foi de uma insensibilidade monstruosa que eu não consigo mensurar!
Guilherme vai saindo, com Gabriela arrematando.
GABRIELA — Espera aí, Guilherme. Não sai assim.
Fecha em Gabriela ali tensa. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 04. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.
Regina no notebook a olhar as imagens da câmera de segurança do pátio. CAM detalha a tela do notebook. Nas imagens, Sérgio parece acuado.
REGINA — (P/si) O que tão querendo com o Sérgio agora? Ele parece assustado. (Pega o rádio e fala) Moreira?
MOREIRA — (OFF) Pois não, dona Regina?
REGINA — (Ao rádio) Preciso de você e do Kléber no meu escritório agora!
MOREIRA — (OFF) Sim senhora. Já estamos indo.
Ela deixa o rádio na mesa e continua a olhar as imagens da câmera de segurança. CAM detalha a tela do notebook. Moreira fala com Kléber. Este último, de forma intimidadora, aponta para Sérgio. Kléber e Moreira se afastam. Sérgio espira mais aliviado.
REGINA — (P/si) Força, Sérgio. Eu não disse que seria fácil.
CORTA PARA:
CENA 05. CANARINHO. PONTO DE TÁXI. EXT. DIA.
Nandão e Maurício se aproximam dos táxis ali estacionados.
NANDÃO — Por isso que o Severão não vai com os córneos desse tal de Jô. Viu como o cara é debochado?
MAURÍCIO — Pois é.
NANDÃO — Se eu soubesse que o Jô era desse jeito, não teria impedido o Severão de ir lá e quebrar a cara dele!
MAURÍCIO — Tá maluco, cara? O Severo se envolve numa briga e enfarta! Quer deixar a dona Laura viúva, fala logo!
NANDÃO — Não, cara. Severão tem que viver até 100 anos. Mas que esse Jô merece uma lição, isso ele merece!
MAURÍCIO — Não se meta nisso, Nandão. A própria vida já deu uma lição no Jô
NANDÃO — Como assim?
MAURÍCIO — O Jô é digno de pena de tão solitário que é. O único que frequentava o bar dele, saiu daqui corrido pra não ser preso. Desde que a sobrinha morreu e que o filho delafoi morar no exterior, que ele é sozinho desse jeito.
NANDÃO — Nossa! Ele é digno de pena mesmo. Imagina: a morte de alguém, a viagem de outro e a solidão é a única certeza… Pesadão!
CORTA PARA:
CENA 06. FÁBRICA FABRISTILO. ESCRITÓRIO REGINA. INT. DIA.
Regina ali sentada. Diante dela de pé, Kléber e Moreira.
KLÉBER — Essa reunião às pressas é por quê?
MOREIRA — É algum funcionário dando problemas?
REGINA — Não é nada disso. Eu chamei vocês aqui porque o lançamento da coleção e inverno da Fabristilo está bem próximo. E como todos nós sabemos, quando uma coleção é lançada, quase que de imediato a produção aumenta muito.
KLÉBER — Realmente, Regina. Mas esse ano vai mudar alguma coisa?
REGINA — Ainda não recebi nenhuma afirmação da administração. Mas eu acho que não há necessidade de esperar. A gente sabe muito bem que a circulação de caminhões, tanto pra descarregar quanto pra levar os produtos finalizados é muito grande.
MOREIRA — Ano passado foi uma loucura. A gente quase não deu conta.
REGINA — E esse ano como temos muitos funcionários novos, é inevitável que algum deles tente alguma gracinha com um desses motoristas. Eu quero que vocês fiquem em alerta quanto a isto. E evite que os motoristas tenham contato com quem quer que seja além de vocês dois.
MOREIRA — Tudo bem, dona Regina. Vou ficar atento.
REGINA — Sei que posso contar com vocês. Era só isso, então podem ir.
KLÉBER — Tem certeza que não quer que eu fique?
REGINA — Hoje é um dia de muitas ligações e reuniões em videoconferência, portanto, não quero ninguém no meu escritório.
KLÉBER — Tudo bem. Vambora lá Moreira. Temos que montar uma estratégia pra impedir que alguém morra nos dias de pico da produção.
Os dois saem do escritório. Regina permanece ali séria. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 07. RIO DE JANEIRO. AVENIDA. INT. DIA.
Carro de Gabriela: congestionamento intenso. Gabriela ao volante e Dani no banco de trás. Dani percebe a mãe distante.
DANIELA — O que você tem, mãe?
GABRIELA — (Cai em si) O que, filha? Falou comigo?
DANIELA — A senhora tá tão calada desde que saímos da clínica. É alguma coisa com essa doença?
GABRIELA — Não, filha. A mamãe só tá pensando na vida mesmo.
DANIELA — Ah, tá. Eu pensei que o Gui ia vim com a gente.
GABRIELA — Não. Ele tinha consultas agora de tarde.
DANIELA — Ah…
Dani permanece desconfiada.
CORTA PARA:
CENA 08. MANSÃO VIEIRA. PISCINA. EXT. DIA.
Viviane se aproxima da piscina só de biquíni. CAM mostra Rick de longe a observar. Ela mergulha na piscina e sai pelo outro lado, perto das espreguiçadeiras e começa a se enxugar. Rick não se contém e resolve se aproximar.
RICK — (Sem graça) Oi.
VIVIANE — (Sempre séria) O que foi motorista?
RICK — Ah, você lembra de mim?
VIVIANE — Impossível não lembrar de uma alma penada que vive por todos os cantos desta casa!
RICK — Que bom que você me vê. (Tenta recitar) Eu pensei que não fosse tão visível ao alcance do seu olhar.
VIVIANE — Gente… Além de motorista, tenta… Pelos menos tenta, né! Fazer algo parecido com poesia.
RICK — É um dos meus enormes dotes, sabe?
VIVIANE — Que bom pra você! Com licença!
Ela vai para a casa. Rick ali a admirar seu corpo.
RICK — (P/si) Mas é de um charme essa mulher! Me dê papai!
CORTA PARA:
CENA 09. CASA LAURA E SEVERO. SALA. INT. DIA.
Laura e Gustavinho a assistir TV.
LAURA — Como que foi a aula hoje, meu neto?
GUSTAVINHO — Muito legal. Hoje eu descobrir que o sistema solar não é só o sol. É todos os planetas.
LAURA — (Sorrir) Você pensava o quê?
GUSTAVINHO — Que o sistema era só do sol.
LAURA — (Sorrir) Ai, meu neto. Só você mesmo.
Severo sério,chega da rua.
GUSTAVINHO — Oi, vô.
SEVERO — (Sério) Olá.
LAURA — Credo, Severo! Tá com essa cara amarrada por quê?
SEVERO — É a única que eu tenho!
Ele vai para o quarto.
GUSTAVINHO — O que aconteceu, vó?
LAURA — Não sei, meu neto. Mas vou descobrir agora!
Laura segue para o quarto.
CORTA PARA:
CENA 10. CASA LAURA E SEVERO. QUARTO CASAL. INT. DIA.
Severo ali sentado. Laura entra e fecha a porta.
LAURA — Por que você falou com seu neto daquele jeito?
SEVERO — Por culpa sua!
LAURA — Quê?!
SEVERO — Tá pensando que eu não vi você e o Jô de papinho na frente do bar dele, não?
LAURA — Ah! Pelo amor de Deus, Severo!
SEVERO — Você sabe muito bem da história dessas famílias e da regra que é evitar qualquer Garcia! Mas não! Você vai lá e faz tudo o contrário!
LAURA — (Firme) Eu sempre fiz questão de deixar claro a minha opinião sobre isso. Coisa mais ridícula! O que eu tenho a ver se a sua mãe foi uma mulher fácil de se deitar em outra cama?!!
Laura furiosa sai do quarto batendo a porta violentamente. Severo sente fortes dores no peito. Instantes. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 11. RIO DE JANEIRO. STOCK-SHOTS. EXT. ANOITECER.
CAM aérea capta takes do fim de tarde nas praias de Copacabana, Ipanema e Leblon. Morro do Pão de açúcar e Cristo Redentor. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 12. PRÉDIO FABRISTILO. SALA RODRIGO. INT. NOITE.
Atenção Edição: Ligar no áudio com a cena anterior.
Rodrigo a analisar um relatório.
RODRIGO — (P/si) É isso que eu não entendo. Muita coisa aqui que não tem coerência.
Marcelo entra.
MARCELO — Melhor hora do dia, Rodrigão. Vambora pra casa!
RODRIGO — Bem que eu gostaria, Marcelo. Mas eu tenho que colocar em dia essa bagunça que tá esse relatório. Aliás, não só este como tantos outros.
MARCELO — Deixa isso pra amanhã, cara.
RODRIGO — Não posso. São as cotações de compras que devem ser colocadas da maneira certa no relatório.
MARCELO — Tudo bem então. Boa noite de serviço aí.
RODRIGO — Valeu, Marcelo. Mas avisa lá a Viviane, pra ela não ficar pensando coisas que não existem.
MARCELO — Pode deixar.
Marcelo sai e fecha a porta. Rodrigo pega o cel. E liga.
RODRIGO — (Ao cel.) É o eterno amor da minha vida que tá falando?
CORTA RÁPIDO PARA:
CENA 13. MANSÃO VIEIRA. QUARTINHO DE EMPREGADA. INT. NOITE.
Elisa a trocar de roupa e falando com Rodrigo ao cel.
ELISA — (Ao cel.) Para de ficar falando essas coisas! Se alguém escuta…
RODRIGO — (OFF) Ninguém vai ouvir. E então, tava pensando em fazermos algum programinha hoje.
ELISA — (Ao cel.) Ai hoje não dá. Tô tão cansada.
RODRIGO — (OFF) Poxa. Eu pensei que podíamos jantar à beira da praia. Não acha romântico?
ELISA — (Ao cel.) Jantar romântico à beira da praia?
Edileusa entra.
EDILEUSA — Voltou com o Marcos, Elisa?
ELISA — (Ao cel.)Depois a gente conversa. (Ela desliga.)
EDILEUSA — Jantar romântico? É o Marcos querendo se redimir, não é?
ELISA — (Disfarça) Pois é, Edileusa.
Edileusa começa a se preparar para ir embora, Elisa ali aflita.
CORTA PARA:
CENA 14. FÁBRICA FABRISTILO. RECEBIMENTO. INT. NOITE.
Kléber e Moreira ali parados a olhar homens trabalhando. Sérgio se aproxima.
SÉRGIO — Queria falar comigo, Kléber?
KLÉBER — Sim. Por enquanto você está livre das provas de lealdade. Como a coleção de inverno tá chegando, nós temos que priorizar um plano de segurança e a produção.
SÉRGIO — Tudo bem.
MOREIRA — Mas não pense que você vai escapar!
SÉRGIO — Era só isso? Posso voltar ao meu trabalho?
KLÉBER — Vai lá.
Sérgio se afasta.
MOREIRA — Não levo firmeza alguma nesse cara.
KLÉBER — Relaxa, Moreira. Se o Sérgio estiver blefando, a gente ainda vai descobrir. Pode ser de um jeito trágico, mas a gente vai descobrir.
Fecha em Sérgio que aflito, olha para os dois ali distantes. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 15. APART GABRIELA. SALA. INT. NOITE.
Marília ali sentada assistindo TV. Gabriela vem do quarto.
GABRIELA — Folgada você, hein, Marília!
MARÍLIA — Desculpa, dona Gabriela. É que a novela tá nos últimos capítulos.
GABRIELA — (Sorrir) Tô brincando sua boba. (Senta-se) Você sabe que a casa é sua.
MARÍLIA — E a Dani?
GABRIELA — Conseguiu dormir.
MARÍLIA — Que negócio é aquele na pele dela?
GABRIELA — Pois é, Marília. Quando eu pensei que essa doença tinha nos deixado, ela voltou a tirar o meu sossego.
MARÍLIA — Mas como assim: voltou?
GABRIELA — A ictiose é uma doença sem cura e hereditária. O Reinaldo tinha ictiose lamelar e agora a Dani desenvolveu a ictiose vulgar.
MARÍLIA — Então quer dizer que o seu Reinaldo passou isso pra Dani?
GABRIELA — Sim. Mas tem tantas coisas sem explicações que eu tô ficando louca. Como que pode a pele do Reinaldo ter voltado ao normal e agora a Dani desenvolve a mesma condição? Isso deveria ter aparecido na primeira infância dela e não agora.
MARÍLIA — Eu fico pensando na Dani. Nela ter que lidar com os olhares tortos na rua.
GABRIELA — Nem me fale! Hoje não teve aula pra ela porque era conselho de classe. Mas a partir de amanhã, a vida dela vai ter que voltar ao normal.
MARÍLIA — É uma situação bem difícil, né, dona Gabriela?
GABRIELA — Muito!
CORTA PARA:
CENA 16. PRÉDIO FABRISTILO. FRENTE. EXT. NOITE.
Rodrigo sai do prédio, com uma pasta em mãos e para ali pela calçada. CAM mostra um táxi se aproximando, ele dá o sinal e o táxi para. Ele entra.
MAURÍCIO — Boa noite, senhor.
RODRIGO — Boa noite. Toca pra Barra, por gentileza.
MAURÍCIO — Pode deixar.
CAM mostra o carro se afastando. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 17. FÁBRICA FABRISTILO. CORREDOR. INT. NOITE.
Sérgio vem caminhando distraído. Camila vem por de trás dele e o joga contra a parede.
CAMILA — (Sempre a manter Sérgio contra a parede) Agora nós dois vamos ter uma conversinha séria!
SÉRGIO — Que isso, Camila?
CAMILA — O que é que você tem, hein, Sérgio?
SÉRGIO — Eu que te pergunto! O que você tem pra chegar assim nos outros?
CAMILA — Não interessa! Você tem agido muito estranho, Sérgio. A Amanda tá super aflita com isso. Não sabe o que tá acontecendo com o próprio marido. Ninguém te reconhece mais, Sérgio! Você não é mais aquele homem sensato que me ajudou quando o Kléber queria me violentar!
SÉRGIO — (Solta-se de Camila) E quem você pensa que é pra se meter nisso? Isso é um problema meu e da minha família!
CAMILA — Sérgio, você tem que entender que aqui não tem você e sua família, não. Todos nós estamos no mesmo barco!
SÉRGIO — (Muxoxa) Não estamos! E quando o seu e o dos demais barcos afundar, eu vou rir e salvar a minha família!
Sérgio se afasta e Camila fica ali boquiaberta com a fala de Sérgio. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 18. MANSÃO VIEIRA. SALA DE ESTAR. INT. NOITE
Viviane desce a escada. Ramiro e Marcelo chegam da empresa.
VIVIANE — Ué! Só vocês dois?
RAMIRO — Boa noite pra você também, sobrinha querida.
VIVIANE — Não é isso, tio. Cadê meu marido?
MARCELO — Rodrigo ficou na empresa analisando alguns relatórios.
VIVIANE — De novo?
RAMIRO — Rodrigo é um cara dedicado ao trabalho, Viviane.
VIVIANE — Ou dedicado a pular a cerca e me fazer de corna!
MARCELO — Não acho que o Rodrigo seja capaz de fazer uma coisa dessas contigo, prima.
VIVIANE — (Saindo) Vejamos, Marcelo!
RAMIRO — Tá indo aonde?
VIVIANE — Vou até a empresa ver se o Rodrigo está mesmo por lá!
Ela sai.
RAMIRO — Tal mãe louca, tal filha louca… Isso nem me surpreende mais.
Ramiro sobe a escada.
MARCELO — (P/si) Rodrigo é um cara íntegro. Ele não faria isso.
CORTA PARA:
CENA 19. MANSÃO VIEIRA. FRENTE. EXT. NOITE.
Rick ali conversando com dois seguranças.
RICK — Vocês precisavam ver a gostosa de biquíni. Mas que espetáculo de corpo!
Viviane se aproxima e os seguranças olham para ela, reparando seu corpo dos pés à cabeça.
VIVIANE — Mas o que o bando de abutre pensa que tá fazendo me olha desse jeito?
RICK — Senhorita Viviane, está muito tempo aí?
VIVIANE — Claro que não! Não sou mulher de esperar! E venha!
RICK — Pra onde?
VIVIANE — Apenas entra nesse carro e dirija!
RICK — Sim, senhora.
VIVIANE — Senhorita!
Os dois entram no carro que dá a partida. CAM acompanha o carro até a sua saída no portal principal. Os seguranças comentam sobre o corpo de Viviane fora de áudio. Instantes.
CORTA PARA:
CENA 20. APART GABRIELA. SALA. INT. NOITE.
Gabriela e Marília ali sentadas a assistir TV.
MARÍLIA — Tava pensando aqui… Seu Reinaldo já sabe o que tá acontecendo com a Dani?
GABRIELA — E Reinaldo lá quer saber da Dani, Marília?
MARÍLIA — Poxa, dona Gabriela. Também não fala assim. Eu lembro que quando a Dani nasceu, vocês eram só alegria.
GABRIELA — Alegria que se você parar pra pensar durou muito pouco.
MARÍLIA — Verdade. Mas eu acho que mesmo longe ele ama essa menina.
Atenção Sonoplastia: campainha toca.
GABRIELA — Deixa que eu atendo, Marília. Fica aí vendo a sua novela.
MARÍLIA — (P/si, brinca) Não precisa falar duas vezes!
Gabriela abre a porta e se surpreende com Guilherme ali.
GABRIELA — Guilherme?
GUILHERME — Olha, eu acho que agi mal e fui ignorante naquela hora… Quero que você saiba que eu vou te ajudar e jamais vou te deixar na mão diante desse problema.
Closes alternados, Gabriela surpresa, Marília olhando no sofá sem entender nada. Instantes. Suspense.
CORTA PARA:
CENA 21. FÁBRICA. CASA REGINA. SALA. INT. NOITE.
Belinha sentada assistindo TV. Regina vem da cozinha com uma bandeja que contém: dois sanduíches e dois copos de suco.
REGINA — Esse sanduíche é maravilhoso, Belinha. Tenho certeza que você vai adorar. Minha mãe que me ensinou fazer.
BELINHA — (Prova do sanduíche) Nossa! Muito bom Rê.
REGINA — Não disse que você ia gostar?
BELINHA — Delicioso.
REGINA — Como foi seu dia na produção com sua mãe?
BELINHA — Foi legalzinho.
REGINA — Legalzinho?
BELINHA — É. Se ela pudesse parar de trabalhar pra gente brincar e se divertir juntas, seria melhor.
REGINA — Pelo menos você ficou um tempinho com ela.
BELINHA — É, mas Regina… O que você quis dizer naquela hora de que eu só estou com você por motivos estratégicos?
Nesse momento, Sérgio entra.
SÉRGIO — (Determinado) Regina, não dá mais! Eu não posso mais fazer parte disso!
Closes alternados, Regina séria, Belinha desconfiada, sem entender nada e Sérgio determinado. Instantes. Suspense. Tensão.
CORTA PARA:
CENA 22. BARRA DA TIJUCA. AVENIDA DA ORLA. EXT. NOITE.
Carro da família Vieira: Viviane a olhar pela janela do carro, a orla.
RICK — Pra onde estamos indo mesmo, senhorita Viviane?
VIVIANE — Para a empresa.
RICK — Mas há essa hora? Todos já saíram.
VIVIANE — Todos, exceto o Rodrigo.
RICK — Ele tá trabalhando até mais tarde, né?
Viviane avista um casal sentado num dos bancos da orla de costas, os dois abraçadinhos. O homem com um terno semelhante ao de Rodrigo. A mulher com vestimentas idênticas a de Elisa. Viviane chocada arremata.
VIVIANE — O desgraçado tá me traindo mesmo!
RICK — O você disse?
VIVIANE — (Gritando) Para esse carro, Rick! Para esse carro!
Ele segue o que foi mandado e Viviane salta do caro.
VIVIANE — Eu vou matar o Rodrigo e essa piranha!
A imagem congela nela caminhando em direção ao casal determinada, furiosa. Instantes. Tensão.
CORTA PARA:
FIM DO VIGÉSIMO SÉTIMO CAPÍTULO





