CENA 02: MANSÃO DA FAMÍLIA AMORIM, INTERIOR, NOITE.

Marina, Jorge, Clara e Olga estão na sala, em pé e chorando. Marina caminha de um lado para outro na sala, inquieta.

MARINA – Não é possível… O João não podia ter morrido! Um menino bom, cheio de vida, filho único… Eu nunca vou aceitar isso! Nunca!

OLGA – Calma, Dona Marina… Se rebelar agora não vai adiantar nada. Eu vou preparar um chá pra vocês.

Olga vai à cozinha, limpando as lágrimas. Jorge senta no sofá, aos prantos.

JORGE – Eu também não aceito a morte do meu filho. O João era um menino de ouro, não tem explicação à morte de uma pessoa como ele.

Clara caminha até Marina e se ajoelha segurando sua mão.

CLARA – Eu não consigo imaginar a dor de uma mãe em perder o seu filho, mas precisamos ser fortes. O João era o amor da minha vida, meu porto-seguro, mas eu sei que ele não gostaria de ver tanto sofrimento vindo de pessoas que ele mais ama. Nós três precisamos nos unir!

Marina, Jorge e Clara se olham, dando as mãos e chorando juntos a dor da perda de João.

CENA 03: CASA DA FAMÍLIA AMARAL, INTERIOR, NOITE.

Cecília, Luiza e Miguel assistem o noticiário. Eles se espantam com a morte de João. Com o fim do jornal, Cecília desliga a TV.

CECÍLIA –  As coisas não mudam mesmo, esses jornais só passam tragédias… Eu vou tomar meu banho e dormir que eu ganho mais!

Cecília levanta-se do sofá e vai ao banheiro. Luiza e Miguel ficam sozinhos, de mãos dados no sofá.

MIGUEL – Eu acho tão triste a morte de pessoas jovens como esse que acabou de dar no jornal. É muito angustiante ver pessoas com a vida inteira pela frente perdendo a vida tão cedo. Esse tal de João podia ter casado, ter tido filhos, estudado, trabalhado, viajado… enfim, podia ter vivido a vida intensamente, mas morreu cedo.

LUIZA – É como diz por aí: pra morrer, basta tá vivo! Coitada da família desse jovem. Eu não consigo imaginar perder o meu filho. A lei da vida é os pais morrerem antes dos filhos, quando acontece ao contrário, é uma revolta muito grande.

Miguel concorda. Eles vão para o quarto e dormem, sem sequer imaginar que o bebê que Luiza carrega no ventre é gêmeo de João.

CENA 04: CAPELA MORTUÁRIA, INTERIOR, MANHÃ/TARDE.

O velório de João inicia, assim que o IML libera o corpo. A capela está lotada de familiares, amigos, colegas de faculdade e até de representantes das instituições de caridade na qual João fazia trabalho voluntário. Marina e Jorge ficam um cada lado do caixão, chorando e observando o filho. A cada abraço recebido, a cada pêsame ouvido, a cada conselho dado, Marina e Jorge se sentem mais feridos e revoltados com o falecimento de João. Clara fica sentada no canto, chorando e rezando com seu terço, muito abalada com a situação. Olga, que o criou como um filho, sente intensamente a perda do rapaz.

CENA 05: CEMITÉRIO, EXTERIOR, TARDE.

O coveiro põe o caixão de João dentro do jazigo da Família Amorim, sob os aplausos incessantes daqueles que acompanharam o enterro. Marina e Jorge põem uma rosa branca dentro do jazigo, em cima do caixão. Depois, Clara faz o mesmo. Em seguida, o coveiro fecha o jazigo, sobre as lágrimas compulsivas de Marina e Jorge.

CENA 06: CLÍNCIA DE DR. VITOR, INTERIOR, TARDE.

Dr. Vitor passou o dia remoendo sua raiva por ter cometido um erro médico. Ele tenta encontrar uma solução para a troca de embriões, lê notícias e artigos sobre fatos reais desse tipo na internet, mas nada lhe conforta.

VITOR – Por mais que doa minha consciência humana em pensar isso, mas eu desejo que a Luiza sofra um aborto espontâneo. É a única solução para essa história. É mais fácil inventar uma mentira para Marina e Jorge sobre o embrião, dizendo que ele não pode mais ser gerado caso eles queiram, do que fazer a Luiza entregar o bebê após o nascimento. E se a Luiza e o Miguel criarem, pode ser que no futuro essa história venha à tona com um simples exame de sangue. Eu não posso ter meu nome envolvido em escândalos, não posso manchar minha imagem. Mas eu também não posso ficar imóvel diante de um erro brutal como esse! A Luiza está sendo uma barriga de aluguel sem saber e a culpa é minha. Um aborto resolveria. Faltam três semanas para ela vir fazer o exame, talvez até lá o embrião não tenha se desenvolvido.

Dr. Vitor continua a refletir em sua sala, mesmo crendo seus pensamentos não são bons.

CENA 07: MANSÃO DA FAMÍLIA AMORIM, INTERIOR, NOITE.

A mansão está um silêncio mortal. Os empregados foram dispensados, apenas Olga ficou. Jorge está em seu quarto, tentando dormir. Marina está descendo as escadarias da mansão, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Ela observa toda a mansão vazia, silenciosa e com poucas luzes ligadas, dando um clima mais melancólico ainda a Marina. Naquele momento, sua mente vaga para quando João era criança, dando os primeiros passos, brincando com os amigos no parquinho, fazendo apresentações teatrais na escola… uma lágrima escorre do rosto de Marina, que logo a limpa. Ela vê o altar na sala, com a imagem do Sagrado Coração de Jesus. Revoltada, Marina se aproxima do altar, chorando. Ela pega a imagem grande e pesada e observa com fixação. Movida por uma raiva imensa, Marina arremessa a imagem na parede aos gritos, espedaçando-a. Olga, que estava tomando um chá na cozinha, se assusta com o barulho e vai até a sala, ficando pasma com a cena.

OLGA – Dona Marina, a senhora quebrou a imagem do Sagrado Coração de Jesus! Mas essa imagem era da sua bisavó…

MARINA – Eu não quero mais saber de imagens religiosas aqui em casa, Olga!

OLGA – Mas a senhora não pode se rebelar desse jeito, é em Deus que a senhora vai encontrar o conforto pela morte do João. Não renegue a Deus, é muito triste uma pessoa descrente.

MARINA – Mais triste que uma mãe que perde seu filho? Você quer que eu reze para Deus, Olga? Isso não vai adiantar nada! Eu vou rezar pra esse Deus que tirou a vida do meu filho? Eu tenho que pedir conforto justamente pra quem matou o João?

OLGA –  Dona Marina, não diga uma coisa dessas! Deus não mata ninguém, ele é o Senhor da vida. Não fique assim…

MARINA – Eu não sei mais nada, Olga… Minha vida desmoronou! Eu não sou mais nada. Minha vida não tem mais sentido sem o João, eu não mereço viver.

OLGA – Não diga isso, a senhora é uma mulher jovem ainda, tem uma vida grande pela frente junto com o Seu Jorge!

Marina fica calada e sobe de volta ao quarto, chorando. Olga varre os pedaços da imagem do Sagrado Coração de Jesus, triste pela situação que abalou a família.

CENA 08: DIAS DEPOIS.

Dr. Vitor continuou remoendo sua angústia por ter cometido um erro. Marina e Jorge estão cada dia mais descrentes e revoltados com a falta de João. Luiza cuidou sua alimentação e não trabalhou, com medo de prejudicar o início da gravidez. Miguel continuou trabalhando pesado para sustentar a casa.

CENA 09: CLÍNICA DE DR. VITOR, INTERIOR, TARDE.

Luiza está deitada em uma maca para fazer a ultrassonografia e descobrir se está grávida. Dr. Vitor faz o procedimento, com medo que a gestação tenha iniciado. Ele utiliza o aparelho no abdômen dela e observa as imagens do monitor com Miguel.

VITOR – Você sentiu algum desconforto, dor ou mal-estar? Ficou doente?

LUIZA – Não, doutor, eu me cuidei direitinho. Nem trabalhei nesses dias pra evitar que alguma coisa atrapalhasse o desenvolvimento do embrião.

MIGUEL – É, e eu cuidei junto com a minha sogra pra Luiza comer tudo de mais natural possível, a gente tem uma horta pequena lá em casa e fazíamos bastante saladas e sucos.

Dr. Vitor compreende e segue fazendo o exame. Até que ele percebe algo diferente. Luiza e Miguel notam a expressão no rosto do geneticista.

LUIZA – O que foi, doutor?

VITOR – Parabéns! Você está grávida.

Luiza e Miguel sorriem e se dão as mãos, muito emocionados. Dr. Vitor tenta disfarçar a tensão.

MIGUEL – Você tá grávida, meu amor! Grávida! A gente vai ter o nosso filho!

LUIZA – Graças a Deus! Eu pedi tanto pra Deus realizar o meu sonho, ainda bem que Ele atendeu as minhas preces. Muito obrigado, Dr. Vitor. O senhor é um ótimo profissional, eu vou recomendar pra todas as minhas amigas que quiserem fazer tratamento de fertilização pra fazer aqui.

Dr. Vitor sorri e sai da sala. Luiza e Miguel se beijam, extremamente felizes.

CENA 10: CLÍNICA DE DR. VITOR, SALA DE EXPERIÊNCIAS, INTERIOR, TARDE.

Dr. Vitor tira sua máscara e suas luvas na sala de experiências e senta numa cadeira, muito nervoso.

VITOR – A Luiza está grávida! E agora? O embrião não é o dela! Como eu vou explicar isso? Eu não posso ficar omisso diante de uma situação dessas, é antiético da minha parte! Eu vou contar tudo agora!

Dr. Vitor levanta-se da cadeira e abre a porta da sala, mas fica imóvel. Logo, ele a fecha e vai até o botijão de hidrogênio, onde ficam congelados os embriões e materiais genéticos dos doadores.

VITOR – Não, se eu falar, vai explodir um escândalo e minha clínica será manchada pela eternidade. Além do mais, os verdadeiros donos desse embrião jamais vão querer gerá-lo, já se passaram 18 anos… Se fosse intenção da Marina e Jorge gerarem, já teriam feito antes. Eu vou me calar! Deixarei a Luiza e o Miguel terem esse filho, eles nunca vão saber que não são os pais biológicos dele se Marina e Jorge nunca requisitarem esse embrião.

Dr. Vitor senta numa cadeira e tenta se acalmar.

CENA 11: CASA DA FAMÍLIA AMARAL, INTERIOR, TARDE.

Luiza e Miguel chegam à casa de mãos dadas. Cecília para de costurar ao vê-los e se aproxima.

CECÍLIA – E então, qual foi o resultado?

LUIZA – Deu positivo.

CECÍLIA – Graças a Deus! Parabéns, minha filha, você merece!

Cecília abraça Luiza e beija o rosto da filha. Logo, ela olha para Miguel, que não reage.

CECÍLIA – Precisou da ajuda de um médico pra engravidar a Luiza. Sabe, eu já tinha ouvido histórias de homens que tomavam remédios pra conseguir engravidar a esposa, agora homem que precisa de outro homem pra engravidar a esposa, isso é novidade para mim…

LUIZA – Mamãe, o que é isso?

MIGUEL – Deixa, Luiza. A senhora não sabe como me magoa essas palavras, Dona Cecília. Eu sempre fui um ótimo genro, te trato bem, ajudo nas despesas da casa, nunca maltratei a Luiza. Não há reclamações contra mim, apenas implicâncias! Até quando a senhora vai viver com essa amargura?

Miguel vai para seu quarto, bravo. Luiza fica tensa com a discussão.

CECÍLIA – Eu só falei o que eu penso. Esse negócio de inseminação é coisa de gente que não tem o que fazer.

LUIZA – Pois eu fiz inseminação e sou uma mulher muito ocupada, mãe. O Miguel tem razão mesmo: a senhora é uma ignorante.

Cecília fica pasma e Luiza vai para seu quarto.

CENA 12: MANSÃO DA FAMÍLIA AMORIM, INTERIOR, TARDE.

Ao tocar da campainha, Olga vai atender e fica muito feliz ao ver Clara. As duas se abraçam e caminham até o centro da sala.

OLGA – Que bom que você apareceu, Clara! Todos estavam com saudades de você, sumiu desde o enterro do João.

CLARA – Eu estive envolvida em muitos afazeres, acabou faltando tempo. E como estão às coisas por aqui, Olga?

OLGA – Ai Clara, você nem imagina… Essa casa virou de pernas pro ar depois da morte do João. A Dona Marina e o Seu Jorge estão tão descrentes, chegou ao ponto de guardarem numa caixa todas as imagens de santos que havia pela mansão. Nem missa de sétimo dia teve, tamanha a descrença. O quarto do João está trancado desde o dia da morte dele, ninguém entrou. É um silêncio mortal nessa casa, tá tudo tão triste.

CLARA – Eu imagino, Olga. Perder um filho deve ser a maior dor desse mundo.

Olga concorda. Logo, Marina e Jorge descem as escadarias da mansão, sorridentes ao verem Clara. Os três se cumprimentam com beijos e abraços.

JORGE – É muito bom te ver depois de tantos dias, Clara. Como você está?

CLARA – Bem. Me recuperando aos poucos dessa perda. E vocês?

MARINA – Como você quer que nós estejamos? Após a morte do João, nada mais faz sentido.

CLARA – Eu imagino o quanto deve doer, Dona Marina e realmente eu espero que vocês consigam superar aos poucos. Bom, aproveitando que estão todos juntos, eu gostaria de dar uma notícia: eu passei no vestibular!

JORGE – Pelo menos uma notícia boa. Parabéns, Clara.

MARINA – Na USP? Você é muito inteligente mesmo hein, passar na USP para Medicina não é nada fácil. Parabéns, querida!

CLARA – Obrigada! Eu vou viajar nesse final de semana para São Paulo, começarei a procurar um imóvel para alugar, pois logo minhas aulas começam. Eu vim até aqui me despedir de vocês e também pedir uma lembrança do João. Eu só tenho fotos tiradas com ele, mas não tenho nenhum objeto que fosse dele, eu gostaria de ter um.

Marina e Jorge se olham com angústia. Olga vai para a cozinha.

MARINA – Tá certo, vem comigo até o quarto dele.

Marina e Clara sobem até o quarto de João, enquanto Jorge senta no sofá da sala.

CENA 13: MANSÃO DA FAMÍLIA AMORIM, QUARTO DE JOÃO, INTERIOR, TARDE.

Pela primeira vez, dias após a morte de João, Marina abre o quarto. Tudo está exatamente como da última vez que seu filho usou. Com a emoção a flor da pele, ela não consegue entrar, mas Clara entra, bastante emocionada. Ao ver a foto dele na parede, Clara deixa uma lágrima escorrer de seu rosto, mas logo a seca. Vaga claramente, Marina entra no cômodo, muito triste.

MARINA – O perfume dele ainda está aqui, eu sinto.

CLARA – Eu também, Dona Marina. Eu lembro que o João sempre usava uma corrente com a medalha de Jesus Cristo. Seria uma boa lembrança pra eu levar.

MARINA – É, mas ela acabou caindo do pescoço dele no acidente. Mas eu tenho uma lembrança muito mais bonita pra você.

Clara fica curiosa e Marina vai até a mesa do quarto e pega uma caixa, entregando a nora.

CLARA – Que isso?

MARINA – O João tinha encomendado a uma joalheria para fazer isso, entregaram ontem aqui na mansão. Veja!

Clara fica intrigada e abre a caixinha, vendo uma joia em forma de coração. Ela pega nas mãos e percebe ser banhada a ouro. Logo, o coração se abre e Clara se emociona ao ver uma foto dela com João.

MARINA – O coração se separa ao meio, aí cada um usaria no pescoço com uma correntinha e eles se uniriam quando estivessem juntos. O João tinha cada ideia, era muito romântico!

CLARA – Uma pessoa tão boa como ele não merecia morrer cedo. Tem tanto bandido nesse mundo, porque justo o João tinha que morrer?

Marina fica calada e lágrimas escorrem de seu rosto. Clara se aproxima e abraça a sogra, chorando em seu ombro.

CENA 14: CASA DA FAMÍLIA AMARAL, INTERIOR, NOITE.

Miguel está deitado na cama, sozinho. Logo Luiza entra no quarto.

LUIZA – Não vai jantar?

MIGUEL – Não tenho apetite.

LUIZA – Meu amor, esquece o que a mamãe te disse… Você sabe como ela é!

MIGUEL – Sei, ela gosta de ferir a minha masculinidade. Por quê? O que eu fiz de errado pra ela implicar comigo desse jeito, Luiza?

LUIZA – Você não fez nada, a mamãe que anda muito amarga ultimamente…

Miguel segura nas mãos de Luiza e olha profundamente em seus olhos.

MIGUEL – Vamos embora daqui? O que você acha de começar uma vida em outra casa, em outra vizinhança?

LUIZA – Embora? Mas e a mamãe?

MIGUEL – Deixa a Dona Cecília aqui, vamos só eu e você começarmos nossa vida sozinhos para criar nosso filho no futuro. O que você acha?

LUIZA – Mas a gente não tem dinheiro pra comprar uma casa ou um apartamento e eu não quero pagar aluguel.

MIGUEL – E eu não quero mais viver no mesmo teto que a sua mãe, o que ela faz comigo já passou do tolerável.

LUIZA – Eu vou conversar com ela, isso vai mudar. Quem sabe esse neto mude essa situação? Talvez ele amoleça o coração da mamãe…

MIGUEL – E eu vou ter que esperar nove meses pra ver se a Dona Cecília mudará?

LUIZA – Se a gente tivesse dinheiro pra comprar um imóvel, eu não hesitaria em ir embora contigo, mas nós não podemos arriscar tudo agora que a gravidez foi confirmada. Você sempre teve paciência com a mamãe, faça um esforço… Pelo bebê?

Miguel olha para o ventre de Luiza e suspira. Logo, ele olha com ternura para os olhos da esposa.

MIGUEL – Tá bom… Pelo bebê e por você!

Luiza sorri e beija Miguel, que deitam na cama e ficam aos beijos por algum tempo.

CENA 15: MESES DEPOIS.

Clara já se mudou para São Paulo e está cursando Medicina na USP, com excelentes notas. Marina e Jorge continuam descrentes e revoltados, mas seguem suas vidas rotineiras. Dr. Vitor calou-se diante de seu erro médico, com medo de uma punição. A relação de Cecília e Miguel tem sido estável, sem muitos confrontos, embora às vezes a sogra não se segure e solte um veneno. Luiza já está no nono mês de gestação, prestes a ganhar o filho.

CENA 16: JARDIM BOTÂNICO, EXTERIOR, MANHÃ.

Luiza e Cecília caminham pelo jardim público, carregando várias compras nas mãos.

LUIZA – O quarto do meu filho já tá cheio de roupas, brinquedos, itens de higiene… Não quero que falte nada ao meu bebê!

CECÍLIA – Pelo jeito vai sobrar, você tem praticamente uma loja infantil dentro de casa. Eu concordo que seja prevenida, mas às vezes você exagera, minha filha.

Luiza sorri e alisa sua barriga de nove meses. De repente, ela sente uma fisgada e para de caminhar. Logo, ela sente uma fisgada ainda maior e deixa as compras caírem no chão.

CECÍLIA – O que houve, minha filha?

LUIZA – Acho que vai nascer, mãe…

Cecília fica apreensiva. Luiza sente um líquido escorrer em suas pernas e conclui que a bolsa estourou.

CECÍLIA – Virgem Santíssima, você entrou em trabalho de parto! Eu vou chamar um táxi, fica calma!

Cecília corre até a rua que dá acesso ao Jardim Botânico, enquanto Luiza se apoia num poste de luz, sentindo muitas dores.

CENA 17: HOSPITAL, RECEPÇÃO, INTERIOR, MANHÃ.

Luiza entra apoiada em Cecília dentro do hospital público, que está lotado na recepção. Elas se aproximam do balcão de atendimento, ofegantes.

ATENDENTE – O que vocês desejam?

CECÍLIA –  Minha filha entrou em trabalho de parto, levem pra enfermaria.

ATENDENTE – Desculpe, mas não há nenhum obstetra hoje no hospital, não será possível realizar o parto.

LUIZA – Como assim? Cadê esses médicos?

CECÍLIA – Pra onde eu vou levar a minha filha? Eu quero um médico já!

ATENDENTE – Nós não temos disponível, sinto muito.

A atendente se afasta do balcão. Luiza está pingando de suor e com dores do parto.

CECÍLIA – E agora, o que a gente faz? O próximo hospital é muito longe daqui e a gente não tem dinheiro pra pegar outro táxi.

LUIZA – Ai meu Deus, eu não quero perder o meu filho!

Luiza começa a ficar nervosa e Cecília vê com tensão o sofrimento da filha.

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