EPISÓDIO 1
QUEM É O INCENDIÁRIO?
CENA 1. INT. NAVIO. ALCOVA. MANHÃ.
Silêncio. Apolo dormia, enquanto, Aquiles sentado no leito degustava uma maçã. Ruídos de porta abrindo. Urias entra abruptamente.
APOLO (Assustado): Não tires meu sossego dessa maneira, soldado.
Urias sorri. Aquiles continua à degustação, sem se importar.
APOLO: Afinal, o que desejas?
URIAS: Chegamos à Atenas, preguiçosos. Levantem-se!
APOLO: Ainda bem! Já estava cansado.
Urias olha para Aquiles e o observa por alguns instantes.
URIAS: E então, Aquiles? Estás tão reflexivo! O que houve convosco?
Aquiles joga a maçã no chão e mantém seu olhar, cabisbaixo.
AQUILES: Cansado, apenas. (Tempo/Ele olha para a janela) E sinto falta de meus pais.
APOLO: Sinto mais falta das plantações. Tenho certo amor à terra.
URIAS: Coisa de agricultor, suponho. (Sorri) Mas também sinto falta de alguém.
Apolo levanta do leito e se senta à cabeceira.
APOLO (Curioso): Quem é a miúda?
Urias fecha a porta e se aproxima de Apolo.
URIAS (Sussurrando): Quer realmente saber quem é? (TEMPO/ Apolo acena)
Há um ruído do navio desembarcando no porto. Apolo e Urias se levantam e seguem em direção à porta.
CORTE DESCONTÍNUO:
As pessoas desembarcam. Apolo e Urias se afastam. Aquiles desnorteado, olha de um lado para o outro. Apolo se aproxima.
APOLO: O que foi, Aquiles?
AQUILES (Preocupado): Não os encontro.
APOLO: Devem ter calculado erroneamente. Nosso pai sempre erra, habitual.
AQUILES: É, só pode ser isso. Vamos?
Apolo acena.
CENA 2. INT. PALÁCIO. SALÃO. TARDE.
O musicista toca a harpa. O Rei Petrus II e a Rainha Minerva sentados à mesa são servidos por Mirtes. Ao findar, a serviçal se abaixa em reverência.
MIRTES: Licença, vossas majestades.
Ela sai. A rainha Minerva põe as mãos sobre a do rei.
RAINHA MINERVA: Estás apreensivo, esposo. Posso ser útil?
O rei sorri, discretamente.
REI PETRUS II: Não, esposa. Não é nada!
A Sra. Martine e Agatha se aproximam e sentam-se à mesa.
REI PETRUS II (Brincando): E a reverência?
AGATHA: Perdoe nossa insolência, meu pai. (Risos) Ou devo dizer, vossa majestade?
RAINHA MINERVA: Não seja tão aberta, Agatha. O rei merece respeito!
SRA. MARTINE: Estupidez! Ele é o pai dela, Minerva. Não quebre esse elo com insignificâncias.
REI PETRUS II: Sua sensatez me comove, senhora Martine. Mas tais atos não se referem à vós, portanto, trate de ser mais reverente diante de vossa majestade!
SRA. MARTINE: Vosso pai era mais humilde, Petrus. Inclusive, tenho em pergaminho, um discurso direto do rei Petrus I me honrando como conselheira de Atenas, contudo, não exija nada de minha pessoa. Absolutamente nada!
O silêncio reina por alguns instantes. Os serviçais servem os monarcas. Urias entra, escoltado por Mirtes.
URIAS (Entusiasmado): Vossas majestades! Alteza!
A Rainha Minerva alegra-se ao vê-lo. Urias faz a reverência e ao levantar-se, sorri para ela.
REI PETRUS II: Soldado? Vejo que a viagem foi mais rentável do que imaginávamos. Jamais vi viagem tão longa!
URIAS: Realmente, majestade. Vosso reinado merece tal reconhecimento.
REI PETRUS II: Muito bem! Tenho algo em particular, convosco. Aguarde-me no tribunal. Ao encerrar a refeição, irei ao vosso encontro, soldado.
URIAS: Grato! À vossa disposição, meu rei.
Urias se afasta, reverenciando-os.
CENA 3. INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. TARDE.
Urias observa os livros numa prateleira. O rei Petrus II caminha lentamente, escoltado por alguns soldados. Urias novamente o reverencia. O rei acena para os soldados que saem e rapidamente se assenta.
REI PETRUS II (Irônico): Não sabias de seus dotes como leitor, soldado.
URIAS (Desconcertado): Uma honra de vossa parte, majestade. Sou apenas um simples observador.
REI PETRUS II: Nesse período da viagem aconteceu grandes coisas em Atenas, uma delas foi a construção de um teatro idealizado pelo extrovertido Aristides.
URIAS: Um teatro, majestade?
REI PETRUS II: Uma idealização do Aristides para entreter vosso rei e toda a monarquia. Chamei-o aqui para informá-lo que serás chefe da segurança de todo o local.
URIAS: Me sinto honrado, majestade! O que devo fazer em memorial por tal benefício?
REI PETRUS II: Exercer seu cargo com a lealdade que tens tido. A lealdade fará com que vós, soldado, seja ainda mais recompensado.
Urias se aproxima e beija-lhe os pés. O rei põe a mão sobre a cabeça dele e acena para que o homem se afaste.
CENA 4. EXT. TEATRO. TARDE.
Apolo e Aquiles se aproximam em seus cavalos. Espantados, ambos descem do cavalo e se entreolham.
APOLO (Confuso): O que será isso?
AQUILES: Não sei. Apenas creio que nosso pai jamais permitiria tal construção em nossas terras.
Aristides ao vê-los, esconde-se, porém, Apolo percebe e corre atrás dele.
CORTE DESCONTÍNUO:
INT. TEATRO. TARDE.
Apolo segura Aristides.
ARISTIDES (Revoltado): Tenho eu, a carta do rei. Solte-me, brutamontes.
Aquiles entra na frente e tenta livrar Aristides. Apolo o pressiona.
AQUILES: Solte-o! Seja sensato, meu irmão.
APOLO: Quem se esconde, esconde algo.
AQUILES: Ele vai se explicar, sem violência.
Apolo o solta. Aristides se limpa e espreguiça-se.
AQUILES (Apreensivo): Conte-nos, onde estão nossos pais? E o motivo de tal construção em nossas terras, à que se deve?
ARISTIDES: Não sei!
Apolo se posiciona para aplicar-lhe um soco. Aquiles se impõe à frente.
ARISTIDES: O rei Petrus II deu-me carta branca para a construção de tal edifício e eu o executei. O rei poderá informá-los melhor. Com vossa licença!
Aristides se afasta, desinibido.
APOLO: Volte aqui, palerma.
AQUILES: Falaremos com o rei, primeiro. Ele dará nos uma orientação. Adianta! O palácio nos espera.
Aquiles se afasta.
CENA 5. EXT. PALÁCIO. PORTARIA. TARDE.
Apolo e Aquiles descem do cavalo. Os soldados de guarda permanecem estagnados. Aquiles se aproxima.
AQUILES: Senhores?
Os soldados permanecem calados. Apolo estressado, segura os cavalos.
AQUILES: Tenho um enunciado importante à majestade.
Os soldados riem. Urias ao vê-los se aproxima de ambos.
URIAS (Curioso): O que fazem aqui?
APOLO: Precisamos falar com o rei.
URIAS: Mas o que houve? À essa hora o rei está no tribunal.
APOLO: Convença-o à falar conosco, soldado. Sei que a majestade o venera.
URIAS: Tentarei pela nossa amizade. (TEMPO/ele vira-se para os soldados de guarda) abre alas para os rapazes. (TEMPO/Ele retorna seu olhar à Apolo) Venham!
Apolo e Aquiles se entreolham e o seguem.
CENA 6. INT. PALACIO. LAVABO. TARDE.
Agatha chora. Minerva a abraça.
AGATHA (Chorando/angustiada): Por que comigo? Só comigo?!
MINERVA: Não é só consigo, Agatha. As pessoas não expõem seus dilemas íntimos, muitas são como vós e não revelam.
Minerva entrega-lhe um frasco de alabastro.
MINERVA: Perfuma-se! Deve estás apresentável ao vosso pai quando fizermos a proposta.
Agatha enxuga as lágrimas e olha para Minerva.
AGATHA: Acredita que algum homem aceitará um casamento com essas condições?
Minerva sorri.
MINERVA (Esperançosa): Claro, querida! Qualquer príncipe de bom coração casará convosco.
Agatha entusiasmada, pega o frasco.
CENA 7. INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. TARDE.
Urias chega-se, repentinamente. O rei Petrus adormecido em seu assento, desperta com os passos. Urias reverencia-o.
REI PETRUS II: És amante de minha presença, soldado. O que desejas?
URIAS: Sua presença é um deleite, majestade. Perdoe-me pela insolência. Vim apresentá-lo uns agricultores, amigos meus, ambos desejam falar convosco, majestade! São íntegros e servem nosso exército.
REI PETRUS II: Sua insolência está perdoada, soldado. Deixe-os entrar. Mas não haverá mais inconvenientes como esse, soldado, não permitirei.
URIAS: Agradeço pela bondade, majestade! Serás lembrado eternamente pela bondade e misericórdia que tem com vosso povo.
Urias se afasta e acena para Apolo e Aquiles. Ambos reverencia-o. O rei Petrus II apreensivo, bebe água.
REI PETRUS II: À vossa disposição.
APOLO: Majestade! Nós servimos vosso comércio e vosso exército com nossos produtos.
REI PETRUS II: Seja claro!
APOLO: Ao retornar à Atenas, não encontramos nossos pais e em nossas terras há uma grande construção coordenada pelo senhor Aristides Pereira que enviou-nos à vossa presença, pois, somente vós tens a resposta que precisamos.
REI PETRUS II: Vós são os filhos de Édipo, o agricultor?
AQUILES: Sim, majestade! Somos nós.
REI PETRUS II: O senhor Édipo e vossa esposa, Jacinta, faleceram de tifo. (TEMPO/Aquiles chora e Apolo o abraça) Sim! Foi uma grande e lastimável tragédia! A grande epidemia tomou Atenas e ambos faleceram. As terras retornaram ao governo e com as petições de Aristides tomei-as e dei-o carta branca para executar seu projeto. Era apenas isso?
AQUILES: Mas, majestade.
REI PETRUS II (Interrompendo): Saiam! Vosso rei tem sono!
Apolo e Aquiles, entristecidos são escoltados por Urias.
CENA 8. EXT. TRIBUNAL. TARDE.
Aquiles chora. Apolo firme, o sustém.
URIAS: Sinto muito! Foi o que pude fazer por vós.
APOLO: Agradeço, soldado.
URIAS: Para onde vais? Não tens mais alento!
APOLO: Pediremos abrigo ao nosso parente.
URIAS: O que precisarem me avisem. Com vossa licença, tenho compromisso.
Urias se afasta. Apolo e Aquiles caminham, abatidos.
APOLO (Sussurrando/Revoltado): Eu juro que vou vingar nossa desonra. Juro pela vida de nosso pai. Juro!
CLOSE em Apolo, revoltado.
CENA 9. INT. PALÁCIO. ESTÁBULO. TARDE.
Gemidos. CAM foca em Urias despido. Movimentação frenética. Minerva aperta seus dorsos. Ela revira os olhos. Ele suando. FECHA A CAM.
ABRE A CAM:
Urias deitado lado a lado com Minerva, ambos vestidos.
RAINHA MINERVA: Preciso ir. Petrus está prestes à despertar de seu sono tardio. Não quero que ele descubra que não estava em meu leito.
Minerva faz força para levantar. Urias a agarra, beijando-a. Ela se afasta, lentamente.
RAINHA MINERVA: Realmente, não posso. (TEMPO/Ela acaricia Urias) Senti sua falta! Confesso que pensei em vós a cada dia que passaste longe.
URIAS (Brinca): E a noite?
Ambos riem.
RAINHA MINERVA: Á noite, eu sonhava contigo.
Minerva se levanta.
URIAS: És a mais bela flor dos jardins de Atenas. Lembre-se disso quando fores deitar.
Minerva recompõe-se. Urias a observa. A CAM se afasta lentamente, aos poucos se tem noção de alguém os observando, ao aproximar-se é nítido, Mirtes os observava, boquiaberta.
CENA 10. INT. CASA DE DIMITRI. SALA DE ESTAR. TARDE.
Vela acesa. Silêncio. Ouve-se batidas na porta. Dimitri degustando, levanta-se e abre-a, deparando-se com Apolo e Aquiles.
APOLO: Posso entrar, meu tio?
Dimitri sóbrio, acena para que ambos entrem. FECHA A CAM.
ABRE A CAM: Apolo e Aquiles sentados. Melina os observava, alegre.
DIMITRI: Não os posso abrigar por tempos longínquos.
Aquiles abaixa a cabeça.
APOLO: Dê-nos uns poucos dias. Eu e meu irmão precisaremos de pelo menos umas três noites até que firmemos um novo trajeto.
DIMITRI: Acho muito. Contudo, aceito-os. Começarei contando as noites de hoje.
Dimitri se afasta. Melina os observa, babando.
DIMITRI: Melina?
Melina desperta.
MELINA: Sim, meu pai.
DIMITRI: Cuide dos inquilinos. Voltarei em alguns milésimos.
Melina acena. Dimitri sai. Aquiles se levanta e a abraça.
AQUILES: Melina, minha conselheira.
MELINA: O rebelde Aquiles. Senti falta de seus devaneios.
Apolo resguardado, observa a euforia dos dois.
MELINA: O resmungão do Apolo também fez falta. (TEMPO/Ela ri, enquanto se aproxima de Apolo e o abraça) És meu resmungão predileto.
Apolo sorri, discretamente.
APOLO: Prima Melina, há algo que me tira o sossego.
Melina observa a fresta da porta.
MELINA: Seja rápido! Meu pai não gosta dessa intimidade, sabes disso.
APOLO: O que realmente aconteceu com meus pais?
MELINA: Eles desapareceram. Nunca mais os vimos.
APOLO: O rei nos disse que uma epidemia de tifo os assolara.
MELINA: Não! Tifo? O último caso vigente que ouvi falar foi do pobre Áquila há tempos. Acredito que vós estavam aqui em certa ocasião.
Apolo revoltado, bate na parede. Aquiles, apreensivo, chora.
AQUILES (Chorando): Que fim teve? O rei não mentiria com algo tão sério. Mentiria?
APOLO (Revoltado/Tom agressivo): És parvo, Aquiles? Eles mentiram! Não nos consideraram, Aquiles. Eles mentiram, sem escrúpulos.
AQUILES: E o que faremos? Eles merecem uma revanche, oras.
APOLO (Cínico): Nada! Absolutamente nada!
Melina calada, respira fundo.
MELINA: Para todos os efeitos, descobriram sozinhos sobre tal incidente.
Ambos se entreolham, calados.
CENA 11. INT. BORDEL. SALÃO. NOITE.
Muita fumaça. Algazarra. Gemidos. Gritos espalhafatosos. Ao fundo, Dimitri sentado frente-a-frente com Leônidas.
LEÔNIDAS (Irônica): Sua covardia não me surpreende, Dimitri.
DIMITRI: Respeite minha honra.
LEÔNIDAS: Não tens! Uma noite lhe resta para arranjar vossa quitação ou vossa filha será mais uma à ser desonrada.
DIMITRI: O que tenho de valor à não ser Melina?
LEÔNIDAS: Nada! Pensasse nisso antes de se envolver com as concumbinas. O rei não quitará vossa dívida novamente.
DIMITRI: Não seja maléfica! Saibas que o rei é meu amigo.
LEÔNIDAS: Estou apenas cumprindo deveres, portanto, se realmente gosta de Melina, livre-se dessas dívidas ou ela se envolverá com os estafados.
Dimitri desmaia. Leônidas desfere um copo d´água. Ele acorda, desorientado.
LEÔNIDAS: Não o quero mais aqui! Tenha uma noite agradável, senhor Dimitri.
Dimitri abismado, arregala os olhos.
CENA 12. EXT. TEATRO. NOITE.
Escuridão. Zumbido de insetos. Uma tocha acesa. O fogo consome todo o local. A CAM foca em passos longos correndo entre o matagal.
CENA 13. INT. PALACIO. ALCOVA. NOITE.
Um Candelário aceso. Sra. Martine ouve ruídos e desperta. Mirtes se aproxima, sorrateiramente.
SRA. MARTINE (Desorientada): O que fazes aqui?
Mirtes ajoelha aos pés de Sra. Martine.
MIRTES: Jurei-lhe lealdade, eterna majestade!
SRA. MARTINE: Tens algo á dizer-me?
MIRTES (Envergonhada): Confias em mim, senhora?
SRA. MARTINE: Seja diretiva, Mirtes! Não crie círculos entre nós.
Mirtes se levanta e anda de um lado para o outro, desinquieta.
MIRTES: É que eu vi vossa filha, a rainha (TEMPO/Ela nervosa, ajoelha novamente) Como posso dizer-lhe?
SRA. MARTINE: Se continuares enrolando a expulsarei.
MIRTES (Fala rapidamente): Eu a vi com Urias num ato inapropriado.
Sra. Martine espantada, deita.
MIRTES: Fiz mal, senhora?
SRA. MARTINE (Aflita): Não! Fostes bem! A insensata da Minerva será punida, tenha isso em consciente.
Mirtes aliviada, respira fundo.
CENA 14. INT. PALÁCIO. SALÃO. MANHÃ.
O rei Petrus II e a rainha Minerva degustam. Mirtes entra repentinamente no salão.
MIRTES (Afoita): Vossa Majestade! Aristides, o extravagante, está no jardim à vossa espera.
REI PETRUS II: Não interrompa minha refeição, Mirtes.
MIRTES: Perdoe-me, senhor. Deseja que eu o despeça em vossa ordem?
O rei silenciou-se.
RAINHA MINERVA (Olhando para Petrus): Acho melhor vós ir ter de encontro com Aristides, meu esposo. Pode ser algo de boa serventia para vós!
O rei a mira e se levanta.
REI PETRUS II: Estás certa! Provavelmente haverá qualquer encenação sobre a Páscoa. Aristides é autêntico!
CENA 15. INT. TRIBUNAL. SALA DE REUNIÕES. MANHÃ.
Aristides maltrapilho, esperneava ao canto. O rei se aproxima. Ambos os soldados que estavam ali reverencia-o. o rei assenta-se.
REI PETRUS II: Não respeitas vosso rei, Aristides? Que vestes mais desrespeitosas diante de vossa majestade!
ARISTIDES: Majestade! Vim assim que consegui abater o fogo. Um troglodita pôs fogo no Teatro.
O rei furioso se levanta.
REI PETRUS II (Furioso/Tom agressivo): Quem pois ousou levantar-se contra o rei de Atenas? Que toda a ira recaia sobre o individuo! (TEMPO) Desejo a presença de Urias aqui. Chamem-no.
CORTE DESCONTÍNUO:
Urias se aproxima do rei, reverenciando-o.
URIAS: O que deseja com esse pobre servo, majestade?
REI PETRUS II: Onde estava vós quando essa desgraça aconteceu? Não pedi á vós que guardasse o Teatro? Como ousaste ir contra as ordens de vosso rei?
URIAS: Majestade! Pelo cansaço da viagem, acabei adormecendo. Peço perdão por minha fraqueza e clamo por vossa misericórdia nesse dia pascoal.
REI PETRUS II (Irônico): Dia pascoal! Bela defesa, soldado. Dececionaste vosso rei com vossa fraqueza! Agora, desejo que vós, Aristides, conte-me se alguém conspirou contra.
ARISTIDES (Soluçando): Majestade! Ontem mesmo fora dois jovens e me ameaçaram. Os filhos de Édipo, o finado.
O rei entra em colapso.
*FLASHBACK:
URIAS: Sua presença é um deleite, majestade. Perdoe-me pela insolência. Vim apresentá-lo uns agricultores, amigos meus, ambos desejam falar convosco, majestade! São íntegros e servem nosso exército.
REI PETRUS II: Sua insolência está perdoada, soldado. Deixe-os entrar. Mas não haverá mais inconvenientes como esse, soldado, não permitirei.
URIAS: Agradeço pela bondade, majestade! Serás lembrado eternamente pela bondade e misericórdia que tem com vosso povo.
Urias se afasta e acena para Apolo e Aquiles. Ambos reverencia-o. O rei Petrus II apreensivo, bebe água.
REI PETRUS II: À vossa disposição.
APOLO: Majestade! Nós servirmos vosso comércio e vosso exército com nossos produtos.
REI PETRUS II: Seja claro!
APOLO: Ao retornar à Atenas, não encontramos nossos pais e em nossas terras há uma grande construção coordenada pelo senhor Aristides Pereira que enviou-nos à vossa presença, pois, somente vós tens a resposta que precisamos.
REI PETRUS II: Vós são os filhos de Édipo, o agricultor?
AQUILES: Sim, majestade! Somos.
*FIM DO FLASHBACK.
REI PETRUS II: E fostes vós, Urias, que os trouxeste em minha presença.
URIAS: Eles são apenas leigos. Não acredito que ambos seriam capazes de tal, majestade.
REI PETRUS II: Não quero perturbar-me mais com esse caso. Está claro! Ambos são suspeitos e um dos dois será condenado.
URIAS: Rei meu, não se precipite. Deixe que o povo escolha o verdadeiro criminoso e livre o inocente de uma injustiça.
REI PETRUS II: E se ambos cometeram tal ato juntos?
URIAS: Se o rei achar por bem mantenha o inocente como mão-de-obra na agricultura da qual já estão envolvidos.
REI PETRUS II: Como é a páscoa respeitarei vossa opinião e sacramentarei tal veredito. Convoque o povo e tragam-nos até a mim. Já!
O rei sóbrio observa os soldados esvaindo-se.
CENA 16. INT. PALACIO. ALCOVA DO REI. MANHÃ.
Minerva sentada. Mirtes penteava o cabelo dela. A Sra. Martine entra abruptamente, assustando-as.
RAINHA MINERVA (Assustada): Assustaste-me.
SRA. MARTINE: Querida, Mirtes, dê-me licença. Desejo está à sós com Minerva.
Mirtes se afasta, rapidamente. Sra. Martine se aproxima e esbofeteia Minerva.
RAINHA MINERVA: Estás passada?
SRA.MARTINE (Furiosa): Misógina! Como podes ser tão cínica, Minerva?
RAINHA MINERVA (Abismada): Do que estás falando?
Sra. Martine desfere outra bofetada. Rainha Minerva cai, desolada.
SRA. MARTINE (Furiosa): Não me interrompa! (t) Urias? O sexto sentido não me iludiu, então.
A rainha espantada, chora.
SRA. MARTINE: O jeito de olhar. Os risos involuntários. Tudo remetia mas era demais. Um absurdo! (TEMPO/ Ela respira fundo) Faz quanto tempo?
RAINHA MINERVA (Soluçando): Uns anos já.
SRA. MARTINE: Insonsa. Fizeste tudo perfeitamente para segurar essa mentira. Esse devaneio. Essa loucura desvairada. Se não fosse Mirtes para arregalar meus olhos. (Respira fundo/enfurecida) Serás penalizada por tal ato!
RAINHA MINERVA: Fui feliz! O que vier nesse meio-tempo será apenas mais um acontecimento, minha mãe. Ninguém jamais arrancará tal felicidade de mim. Ninguém! Nem a morte!
Agatha entra. Ambas suspiram fundo. Agatha confusa, estagna-se à entrada.
AGATHA (Confusa): O que há? (TEMPO/Ela olha para a mãe, agachada) E tu? O que fazes como uma reles?
Sra. Martine a olha com um sorriso discreto.
SRA. MARTINE: Não sejas bisbilhoteira, Agatha. Deixe—nos à sós. A conversa não lhe cabe, querida.
AGATHA: Perdoe-me! Queria apenas confirmar com minha mãe sobre…
SRA. MARTINE (Interrompendo): Já pedi que nos deixasse.
Agatha sai. Minerva se levanta, enfurecida.
RAINHA MINERVA: Jamais me senti tão humilhada. E ainda diante de minha filha. O que pensará sobre mim?
SRA. MARTINE: Para evitar outros flagrantes, peço-lhe (Corrige) Na verdade, exijo-lhe que se afaste desse soldado. Que não haja resquício desse patife nesse palácio. Afaste-o de si, antes que o pior lhe aconteça.
A Sra. Martine se afasta, triunfante. Minerva revoltada, se esmurra.
RAINHA MINERVA (Sussurrando): A audaciosa Mirtes merece um castigo. Ah merece!
CENA 17. INT. CASA DE DIMITRI. SALA. MANHÃ
Melina serve Apolo e Aquiles.
MELINA: Chá do campo! O preferido de Aquiles, não?
Dimitri observa-os, rispidamente.
DIMITRI: Vejo que o conhece bem. Não gosto disso! Uma intimidade inverossímil! Daqui uns poucos torna-se uma concumbina.
MELINA: Não sejas tão amargo, papá. Num dia tão harmonioso, tão pascoal como este.
AQUILES: E Melina descobriu tal fato após uma prosa qualquer, nada especial, meu tio.
DIMITRI: Já ouvi falar nisso. De prosas em prosas surgem belos bastardos.
Ruídos na porta.
MELINA: Eu abro!
Dimitri aflito, toma a frente. Soldados armados entram abruptamente. Urias segue, cabisbaixo.
URIAS: Senhor Apolo e Senhor Aquiles acompanhe-nos.
Apolo e Aquiles se entreolham.
APOLO: Não nos assuste, Soldado. Quase enfartei ao ver toda a guarda. (Ri) Quem nos quer ver?
Urias sério, acena para que ambos saiam. Melina chora, apreensiva. Dimitri a abraça. Apolo e Aquiles saem escoltados. Ao fechar a porta. ouve-se ruídos novamente.
MELINA (Revoltada): Será que vieram me buscar dessa vez? Ah essa guarda!
Melina abre a porta, deparando-se com Leônidas. Dimitri abismado, treme.
LEÔNIDAS (Sarcástica): É um prazer vê-la, Melina.
Leônidas sorri para Dimitri. Melina confusa, observa-a.
CENA 18. INT. TRIBUNAL. SALA DE AUDIÊNCIA. MANHÃ.
Aquiles e Apolo são encaminhados à frente do trono. O Rei Petrus II os observa, friamente. Urias angustiado, afasta-se.
REI PETRUS II (Irônico): Pensei que fostes mais prudentes. A prudência é a alma do negócio, não era assim que dizia vosso pai, Édipo?
Ambos permanecem calados. O rei furioso, levanta-se.
REI PETRUS II: Foi uma indagação retórica, imbecis! Mas já não os quero ouvi, nada o que disserem mudará o meu veredito.
O rei acalma-se e assenta-se novamente.
REI PETRUS II: Como é terrível saber quando se é inútil. Não me escondas o que fizestes. Em nome dos deuses! Não me escondas!
Aquiles levanta a mão. O rei concorda, acenando.
AQUILES: Não nos prive, majestade, do que de fato aconteceu. Estamos perdidos! O que houve, afinal?
REI PETRUS II: Incendiastes o teatro, malditos cínicos.
AQUILES: E como chegaram à conclusão de que fomos nós? Não saímos ontem à noite.
REI PETRUS II: Talvez ao fio da espada, confessem tal crime.
AQUILES: Majestade! Não tenho medo algum! Tenho comigo a força da verdade.
O rei sorri.
REI PETRUS II: Quem não teme cometer um crime, não se deixa aterrorizar por palavras. Pois bem! O povo tem a verdade fincada e são eles que decidirão qual de vós será o alimento do leão no autódromo.
Apolo e Aquiles apreensivos, entreolham-se.
CENA 19. INT. PALÁCIO. ALCOVA. MANHÃ.
Minerva sentada. Mirtes se aproxima.
MIRTES: Chamaste, majestade?
Minerva enforca Mirtes.
RAINHA MINERVA: ó infeliz! Ainda hoje abrirão vosso túmulo, maldita bisbilhoteira.
CLOSE em Mirtes, desesperada.
CENA 20. INT. CASA DE DIMITRI. SALA. MANHÃ.
Leônidas entra. Melina fecha a porta.
LEÔNIDAS: Espero que saibas do acordo de vosso pai para comigo.
MELINA: Não sei o que meu pai teria convosco. És mal- falada! Não temos contato com tais tipos.
Leônidas ri.
LEÔNIDAS: Ingênua! (TEMPO/ Ela olha para Dimitri) Tenho certeza que vós deste a educação mais fútil à ela, não?
DIMITRI: Perdoe-me filha.
MELINA (Confusa): Não compreendo.
LEÔNIDAS: Revela-lhe a verdade logo, Dimitri.
MELINA: Qual verdade? Estou à mercê nesse assunto!
DIMITRI: Fostes vendida!
MELINA: Não brinques, meu pai. A mulher está enlouquecida, não está?
LEÔNIDAS: És minha escrava! Vosso pai devia-me e não honrou o pagamento, em troca recebo-lhe como mercadoria.
Melina em choque, senta.
LEÔNIDAS: Venha, querida. Vim buscá-la.
Melina chora. Dimitri tenta abraça-la, porém, ela o afasta.
MELINA (Chorando): Reconheço que o que dizes é justo mas revela-me o ultraje que fiz.
LEÔNIDAS: Não mereces isso. Vosso pai é um homem fraco, egoísta e tudo se deu por isso.
Melina desesperada, se levanta. Dimitri encolhido, chora calado.
MELINA: Peço-lhe que me livre disso, senhora. Prometo que meu pai jamais voltará à cometer tais delitos.
LEÔNIDAS: Não há desculpas! Venha!
Leônidas puxa Melina. Essa grita, desolada.
(V.O de DIMITRI): Isso é por vós, minha filha!
Um disparo se ouve.
CENA 21. EXT. PRAÇA CENTRAL. MEIO-DIA.
O rei ao pódio, levanta-se. Aquiles e Apolos acorrentados. Urias cabisbaixo.
REI PETRUS II: Povo de Atenas. Venho-lhes entreter nesse dia solene e pascoal. Temos dois criminosos à vossa frente, um dos dois incendiaram o Teatro.
As pessoas gritam, assustadas.
REI PETRUS II: Sim! Esses medíocres ousaram enfrentar vosso rei e à vós. O que eles merecem?
A população ensandecida, se enfurecem.
POPULAÇÃO (Gritando): A morte.
REI PETRUS II: Sábios cidadãos, à vossa esquerda encontra-se o fraco e insólito, Aquiles de Édipo e à vossa direita encontra-se o consistente e oportuno, Apolo de Édipo. Quem é o culpado?
O silêncio reina por alguns instantes. CLOSE em Apolo, angustiado. CLOSE em Aquiles, chorando.
CONTINUA…






Ótima estreia, Samuel! Parabéns!
Ótima estreia, Samuel! Parabéns!