Pelo que se podia ver aquele era um pequeno vilarejo de mercadores autossuficiente produtos agrícolas que deveria importar seus produtos para todo o reino. Uma minúscula marina se comparada à grandiosidade da represa próxima garantia o sustento de muitas famílias, além de vastas plantações de milho, cevada e trigo, como também pequenas criações de animais que serviam para o consumo próprio de seus moradores, tudo extremamente bem organizado, o que dava a sensação de que tudo aquilo fazia parte da realidade. Cercado por grandes muralhas o vilarejo se encontrava do outro lado do rio, cercada por grandes arvores onde possivelmente terríveis monstros estavam à espreita daqueles que se diziam corajosos e se atreviam a se aventurar por ela, as arvores altas o que dificultava a passagem da luz, tornando difícil reconhecer o caminho.
Todos concordaram que precisavam de um plano para agir, enfrentar Az sem ter uma ideia formada era idiotice da parte deles e Lucca já havia sido idiota o suficiente para se deixar levar por ele. Os garotos permaneceram um longo tempo em silencio pensando em uma maneira de continuar aquela que prometia ser a maior aventura de suas vidas.
— Eu sei… — Afirmou Jimmy por fim sorrindo.
— Como assim você sabe? — Perguntou Adam voltando sua atenção para ele.
— Qual é a sua ideia brilhante? — Tommy se intrometeu.
O garoto de pele clara sorriu malicioso, seus olhos castanhos âmbar brilhavam de excitação. Pela primeira vez em anos ele havia percebido algo que Lucca, o gênio não havia notado, nenhum deles havia prestado atenção no que era mais obvio, e isso fez seu coração disparar mais rápido que o normal, fazendo-o sentir o bater de asas de borboletas em seu estomago.
— Mantenham o foco galera. — Disse Jimmy tentando entusiasmar o grupo, tomado por um sentimento de euforia. — Essa pode ser uma missão de resgate suicida, mais ainda assim é um RPG típico. Vocês ainda não perceberam?
— Então, — Disse ele para os garotos. — é como o Adam já disse. Nós temos que caçar.
— Exato. — Respondeu Adam ainda confuso. — Mas, caçar o que?
— Elementar meu caro. — Respondeu Lucca chegando finalmente à mesma conclusão que Jimmy. — Nós precisamos de informação.
— Você está propondo uma missão de reconhecimento Jimmy?
— É exatamente como fazemos quando jogamos contra você Lucca. — Disse ele sorrindo. — A única diferença é que dessa vez você está a nosso favor e não contra nós.
— Hehehe. — Tonny gargalhou confiante num salto, apontando para Lucca. — As coisas são melhores com ele do nosso lado.
Ao ouvir aquelas palavras, um fio de esperança apareceu diante de Lucca.
— Vamos. Nós temos muito que fazer.
***
Como num típico jogo de RPG eletrônico eles saíram perguntando aleatoriamente as pessoas que ainda estavam na rua ao entardecer, os raios solares faziam uma espécie de dança de cores quentes mudando seus tons a cada segundo que o sol sumia no horizonte dando lugar ao brilho incomum de inúmeras estrelas. O que antes era de um amarelo de intenso brilho, passou para um vermelho vivo e depois para o laranja, no fim o alaranjado se esvaia dando lugar ao cinza com manchas azuis, para só então dar lugar ao negro da noite, sem dúvida aquele era um espetáculo que merecia ser apreciado.
Enquanto caminhavam sem rumo pelo lugar, Lucca simplesmente prestou atenção no modo de vida daquelas pessoas, apesar de toda a magia existente ali, os moradores daquele lugar faziam questão de trabalhar manualmente, sem o uso de nenhum artefato mágicos que certamente apressariam todo aquele processo.
Um garoto vestido com roupas simples, feita com a pele curtida de algum animal, — Lucca deduziu que eles deveriam ter a mesma idade, — estava acendendo todas as lâmpadas a gás no topo das casas de madeira com uma lança cujo topo tinha uma pedra raspada que quando batida no material dentro da lamparina fazia acender uma chama intensa, iluminando a rua escura.
Aos poucos ia se vendo cada vez menos pessoas ali, o que dava a entender ser um toque de recolher, dado por algum rei ou nobre da região que deveria ser obedecido ou as consequências seriam severas para quem o descumprisse. Porém, eles não tinham muito tempo a perder, cada segundo perdido significava grandes chances de não serem bem sucedido em sua missão.
— Com licença senhor. — Disse ele aproximando-se de um senhor parado diante de sua barraca. — Onde nós podemos passar a noite? Existe alguma taberna ou hospedaria aqui perto?
O rosto do homem tornou-se cadavérico ao entrar em contato com a pouca luz do ambiente vindas das lâmpadas a gás recém acesas.
— Tem uma taberna aqui perto. Os donos tem quartos para alugar nos fundos da casa. — Disse o senhor que desarmava a barraca quando Tonny perguntou.
E assim o velho despediu-se e seguiu seu caminho, carregando consigo o fruto de um árduo dia de trabalho. Eles caminharam por mais algum tempo até encontrar a taberna, construída com pedras rústicas escolhidas e colocadas uma a uma sem nada que as unisse, ao entrarem no lugar deram de cara com um homem gordo porem musculoso encontrava-se atrás de um balcão de um estabelecimento vazio.
O balcão era enorme que atravessava toda a extensão de uma parede em frente à porta de entrada, nela coleções de garrafas de múltiplas cores estavam expostas a vista dos fregueses, algumas mesas estavam espalhadas por um grande salão com piso rústico de madeira, de um lado uma porta fechada dava acesso a outro cômodo. O ar carregado do ambiente fedia a uma mistura de tabaco e álcool, com certeza alguém havia acabado de sair dali deixando para trás aquele odor nada agradável.
— Desculpem senhores, — Disse o homem quando os viu entrar, — creio que não sejam dessa cidade, mas, eu infelizmente não posso servi-los, pois já estou fechando a taberna.
— Podemos saber o porquê? — Perguntou Adam encostando-se no balcão.
— Minha filha está desaparecida desde essa tarde e minha esposa e eu precisamos procura-la. — Disse o homem voltando sua atenção para a porta que se abria atrás dele.
— Eu tenho muito medo que algo de ruim tenha acontecido a minha filha Milla. — Disse uma mulher pendurando o avental ao sair da porta antes fechada
Aquela era uma mulher bonita em toda sua simplicidade. O rosto moreno não escondia as lagrimas que teimavam em rolar dos olhos castanhos claro, o cabelos negro estavam amarrados por um coque no topo da cabeça, mesmo assim alguns fios desgrenhados e sujos de poeira mostravam o resultado de um dia de trabalho árduo e cansativo. Ela era magra e usava um vestido simples de chita, ou algo similar com o desenho de pequenas e delicadas flores de diversas cores e tamanhos.
— Eu posso encontrá-la. — Afirmou Adam subitamente.
— Oh Deus. — Sibilou a mulher aliviada. — Você viu minha filha? Sabe onde ela está?
Todos olharam para ele surpresos.
— Como você sabe onde ela está? — Lucca perguntou de repente.
— Eu não sei onde ela está, mas posso rastreá-la se tiver algo dela comigo.
— Nós temos que ir atrás dela Artur. — Disse a mulher pondo-se de pé. — Milla pode estar ferida.
— Fique calma senhora. — Disse Tommy tentando tranquiliza-la. — Nós iremos procura-la.
— Eu lhes serei muito grato senhor, por me ajudarem a encontrar minha filha.
— Fiquem aqui esperando que ela volte. Nós vamos procura-la. — Disse Lucca por fim, percebendo que Adam não desistiria tão fácil daquela ideia.
— Eu não posso ficar aqui enquanto minha filha está La fora uma hora dessas. — Disse o homem apanhando uma arma embaixo do balcão.
Para falar a verdade, ele também não estava disposto a esperar por respostas.
***
Aquela comitiva havia chegado sem prévio aviso, adentrando a cidade a vagarosos passos esperando que seus habitantes parassem e fizessem uma reverencia a seus ilustres ocupantes. O selo real estava estampado no alto de um mastro sendo carregado pelo primeiro cavaleiro em uma armadura imponente e brilhante. A única coisa que se podia ver eram os olhos castanhos passando por todo o vilarejo procurando por alguma coisa que o fizesse parar.
Atrás dele, uma belíssima carruagem seguia, puxada por dois belíssimos cavalos de pelos negros adornados com tranças e uma sela de pano roxo em seu dorso exibia as iniciais LL em letras bordadas.
Ao se depararem com aquele homem diante deles as pessoas baixavam a cabeça e saiam depressa puxando consigo as crianças que brincavam despreocupadas na grande praça central. Em alguns minutos, todo o alvoroço da cidade havia desaparecido e dado lugar a ruas completamente desertas.
A carruagem seguia protegida por mais cinco cavaleiros, cada um trajando pesadas armaduras de metal não tão imponentes quanto a do primeiro cavaleiro, mas, ainda assim ofuscavam a visão de quem passava. Dois cavaleiros montados em cavalos de porte médio e pelagem marrom seguiam do lado direito, e mais dois do esquerdo da carruagem todos com a mesma sela de pano rocha com o escudo da casa a qual pertencia, as iniciais LL, e por fim mais um protegia a retaguarda.
— Quanto tempo falta para chegarmos ao nosso destino cavaleiro?
O homem que vinha mais próximo a porta, viu apenas a mão gorda puxando e apontando para ele enquanto falava.
— Falta pouco meu senhor. — Respondeu o cavaleiro em um trote mais compassado e calmo.
— Apresse o cocheiro, eu já não aguento mais este lugar imundo. — Disse ele apontando para frente.
— Sim meu senhor. — O cavaleiro fez sinal para os companheiros e depois seguiu a frente fazendo gestos para que o cocheiro apertasse o passo, este fez um sinal com a mão indicado que dentro de alguns minutos estariam diante do grande cristal.
— Meu senhor, em cinco minutos chegaremos ao nosso destino. — Disse o cavaleiro andando lentamente ao lado da janela da carruagem.
Voltando sua atenção ao cavaleiro, lorde Leon lhe dirigiu um olhar pesado de desdém e concordando com um aceno fechou novamente a cortina, deixando o homem sozinho mais uma vez.
A cidade estava em completo silencio deserta, sem nenhum vestígio de vida. Parecia ser uma cidade fantasma.
A diligencia havia parado em praça pública. Os cavaleiros desceram de seus cavalos e esperaram que o homem dentro da carruagem descesse. A contra gosto, o homem dentro da carruagem abriu a porta, parado a poucos metros de seu destino final, o homem desceu e caminhou até o centro do grande cristal.
Pondo-se em posição, desembrulhou o velho pergaminho que trazia consigo e limpando a garganta começou a lê-lo para ninguém.
Como é de nosso costume, todos os anos, o rei de Ézius pede que quatro virgens entre 12 e 15 anos se apresentem para a cerimônia solene, onde serão entregues aos cuidados dos mestres de cerimônia para o sacrifício as nossas feras sagradas.
Sendo assim, eu, Lorde Leon devo acompanha-las amanhã ao cair da tarde até o castelo ao norte dessa província, para que cumpram seu honroso dever e salvem a terra de Ézius da destruição eminente.
Que se cumpra a lei escrita, proferida e assinada pelo legitimo herdeiro de Ézius.
Aqueles que ousarem descumprir a lei serão punidos com a morte.
Lorde Leon Valente
Conselheiro Real de 4ª grandeza
Com toda pompa que se pedia a ocasião os únicos homens ali presentes saudaram o lorde colocando a mão no peito e baixando a cabeça em sinal de respeito. Voltando a enrolar o pergaminho, lorde Leon o entregou ao cavaleiro mais próximo e caminhou de volta a carruagem e tomou o caminho de volta.
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