Roxo poderoso
CENA 1. CASA LONGARAY. QUARTO IANE. INT. NOITE.
Vindo da janela, passamos pela parede do quarto, a porta do banheiro, seguindo em direção da cama, passando pelos pés de Iane, revelar estar dormindo, revirando-se de um lado ao outro. Tendo um pesadelo. Montar flashes de seu pesadelo.: o momento do acidente que lhe deixou sem andar; a batida dos carros, a barulho do pneu cantando, o farol do carro em seu rosto, uma risada maquiavélica de uma mulher ao fundo…
IANE — (revira-se na cama) Não, não… não…
Iane tensa e suando devido o seu pesadelo. Os flashes continuam.: falas dela brigando, e chorando com Liége. O momento fica tenso, acaba com os flashes e vamos ao sonho:
Ext. Noite. Do auto de um prédio, Iane, de pé, olhando para a vista, ventando forte. CAM focada em seus pequenos passos dados, caminhando pela beira do prédio… Ela olha para suas pernas, sorri. As nuvens no céu se fecham, barulho de trovão… Iane aparenta ficar nervosa. Uma voz feminina ecoa pelos céus.
VOZ FEMININA — Vai cair… quando te encontrar… vai cair.
Iane mais nervosa ainda, grita e cai.
Fim do sonho, ela acorda como se estivesse levado um susto. Ofegante, ela respira agora aliviada de que tudo era apenas um sonho “terrível”. Ainda trêmula, pega um copo d’água já posto no bidê ao lado, bebe. Mantém a calma. Recupera a respiração.
IANE — Ai… (tranquila) Nunca vai me encontrar. (suspirar) Nunca…
ABERTURA
NARRADOR — Episódio: Roxo Poderoso.
CENA 2. DELEGACIA. SALA MEIER. INT. NOITE.
Delegado Meier ao telefone. Seu assistente Bryan a sua volta querendo lhe passar informações, quando Meier falar no telefone, Bryan começa a fazer sinais.
MEIER — (tel.) Não, não! Não é tão fácil assim… é traficante marcado. Entra e sai da cadeia como se fosse a casa dele. Esses caras são malucos. Você tem que resolver essa porra pra mim. (tempo) Mas eu tô atado, quantas vezes eu vou ter que dizer isso, meu Deus?! Aquela bicha daquele juiz tem medinho dos caras. (ao Bryan) Quê que cê tá que nem gazela aí?
BRYAN — Prenderam o Christian (…)
MEIER — Quem é esse caraio?
BRYAN — O do colar de milhões.
MEIER — (se lembra) Ah! Ah! Mas já? Peraí. (tel.) Tá bom, tá bom ô cabeça! Vai descansar, vai. Já tá tarde. (desligar) E aí? Conseguiram o colar?
BRYAN — Não.
MEIER — (imitar) “Não.” (irritado) Mas como não? Porque prenderam o cara?
CENA 3. RUA. EXTERIOR. NOITE.
Christian no banco de trás do carro de Roger. Roger do lado de fora com delegado Meier ao telefone.
ROGER — (cel.) Agressão policial. (se afastar um pouco) Quando o senhor me pediu pra ficar na cola dele, eu fiz. E hoje, ele entrou num beco e me bateu. Eu dei voz de prisão.
CENA 4. DELEGACIA. SALA MEIER. NOITE.
MEIER — (tel.) Não, não… peraí, deixa eu ver se entendi. Você segue o cara, a paisano, em um beco e ainda quer que o cara saiba que você é um policial? Mas eu estou cercado de idiotas… olha aqui, ô homem! Não aprendeu na escola? Não sabe o sentido da palavra discrição? Você faz o seguinte: assim que você desligar esse telefone, você solta esse cara, porque se não os nossos problemas só aumentam… depois, vai pra tua casa, se tranca, bate pelo menos umas três vezes essa cabeça na parede, porque eu tô louco pra chegar aí e… (desligar o telefone com força)
BRYAN — Calma, chefe. Se não daqui a pouco o senhor vai explodir!
MEIER — (gritando) Claro que eu vou explodir! Claro que eu vou explodir, e com todo direito! Parece que todo mundo revolveu me perseguir! É traficante sem noção, é juiz cagalhão, você incompetente, agora até esse policial inútil resolveu tirar o dia pra encher!
Meier vai para um canto, pra se acalmar. Bryan quietinho, pouco tenso.
MEIER — Olha aqui, você… você me desculpe estar desabafando encima de você, é que minha pressão foi lá no teto. Eu tô cansado dessa gente fazendo cagada atrás de cagada. Eu tô precisando de um uísque. Isso sim. Eu vou embora. Está tarde. Certifique-se de que Christian será liberado, e eu quero o Roger na minha sala amanhã de manhã.
BRYAN — Deixa comigo.
CENA 5. RUA. EXTERIOR. NOITE.
Roger tira as algemas de Christian.
CHRISTIAN — Palhaçada isso, palhaçada. Vem cá, porque você estava me seguindo?
ROGER — Na rua, de noite, num beco, te achei um suspeito.
CHRISTIAN — Não é de hoje que você está me seguindo. Qual é? Quê que você tá querendo?
ROGER — Você prefere dividir um colchonete na delegacia com outros vagabundos ou dormir no seu muquifo na favela? Você escolhe? Se você quer a primeira opção: é só continuar aqui. Se quer a segunda: vaza!
CHRISTIAN — Entendi. Tá certo. Falou!
Christian vira as costas e vai embora. Roger entra em seu carro e segue outro caminho.
CENA 6. BARRACO. INTERIOR. NOITE.
Darwin enfurecido com toda situação. Christian sentado, tentando manter a calma.
DARWIN — Você tá louco, cara! Você tá louco, cara! Parece que você não está tendo dimensão nisso tudo que está acontecendo!
CHRISTIAN — Calma, cara.
DARWIN — Não é calma! Não é calma. Você diz isso porque não foi com você. Você estava enfiado naquela casa lá, comendo seu jantarzinho com a tua namoradinha obesa, enquanto eu e minha mulher estávamos com uma pistola na cara! É muito fácil você falar calma! Ainda mais agora que a polícia está envolvida nisso também. Você sabe o que está acontecendo rapaz? A gente está perdendo o controle da situação! Se a gente não for preso de um lado a gente morre do outro! E eu não quero essas coisas pra mim!
CHRISTIAN — (muito alterado) E você acha que eu quero? Você acha que eu quero amanhecer morto numa vala, você acha que eu quero voltar pra cadeia pra comer rato assado no espeto? Você não venha jogar isso na minha cara, porque você não sabe como é! Porque quando foi na hora do entrevero você conseguiu escapar, pulou fora! Não sabe nem de perto o que quê é dividir uma cela com oitenta nego onde só cabem oito! Tendo risco de morrer com um cabo de escova de dente com ponta enfiado no bucho!
DARWIN — (gritando) Para de gritar, caralho!
Christian cala a boca e limpa as lágrimas que por ventura escorreram pelo seu rosto.
CHRISTIAN — (calmo, porém trêmulo) Darwin, a gente tá desesperado, cara. Vamos tentar manter a calma.
DARWIN — Agora, que a nega Lorelaine sabe de todo o esquema. Ela vai ajudar. Serão três cabeças pensantes.
CHRISTIAN — (respira fundo) Certo. Certo.
Christian sai da casa. Darwin se recompõe.
CENA 7. LOCAL ALTO. MIRANTE. EXTERIOR. NOITE.
Lukas Graham – 7 Years. Mostrar imagem da cidade inteira que se possa enxergar. CAM vai um pouco para o lado e encontramos Christian, admirando a paisagem. Sentado em algum canto, com o capuz do casaco sob a cabeça. Fumando um baseado. Pensativo. Ali, um lugar que ele adora ficar, tinha esquecido como era a paisagem. Se para ele, parece que desde a última vez que apareceu por aqui, a cidade dobrou seu tamanho. CAM dá um close em seu tênis, e vai subindo até encontrar seu rosto. Ele fuma, seus pensamentos continuam rolando.
CENA 8. MIRIPITUBA. GERAL. EXTERIOR. AMANHECER,
Música continua. O brilhante sol aparecendo. Algumas imagens da cidade despertando. Estabelecimentos abrindo, pessoas indo para o trabalho, dia comum. Terminamos com a fachada da Delegacia.
CENA 9. DELEGACIA. SALA MEIER. INT. DIA.
Roger sentado diante de Meier dando suas explicações.
ROGER — Eu estava seguindo ele como o senhor havia me mandado. De repente ele me encurralou num beco, eu tive que fazer alguma coisa.
MEIER — Não falta muito pra virar jumento. Você não percebeu que o cara já tinha te reparado? Nem pra seguir alguém se presta. Agora, perdemos o elemento surpresa. Ele sabe que a gente está atrás dele. E por onde ele tem andado?
ROGER — O cara só vai daquele barraco que ele mora até a casa da nova namorada. Nada demais. Até hoje eu não consegui ver ele em uma atitude suspeita. Eu acho que nem ele sabe onde anda esse colar.
MEIER — Claro que sabe, agora ele vai ficar muito mais esperto. Só que a gente tem que ser mais.
Entrar Bryan com cafés.
BRYAN — Chegou o café!
MEIER — Aleluia! Que que é? O homem foi buscar esse café no Acre?
CENA 10. CASA LONGARAY. QUARTO IANE. INTERIOR. DIA.
Iane recebendo seu café-da-amanhã por Aleff.
IANE — Pão com mortadela?
ALEFF — É defumada.
IANE — Eu mereço mesmo. Nem uma torrada, uma maça…?
ALEFF — Tem iogurte com granola.
IANE — (ironizar) É. Tudo o que eu queria era algo pra cagar.
ALEFF — Não reclama pra mim. Foi a mãe que preparou essa bandeja.
IANE — Hum. (pegando o copo de suco) Vamos ver se ao menos ela sabe espremer uma fruta. (tomar) Escuta… que baderna foi aquela ontem a noite?
ALEFF — Não sei.
IANE — Não se faça de macaquinho surdo, mudo e cego, Aleff. Mesmo dentro desse quarto eu sei muito bem o que senhor aprontou (fazer sinal de como se estivesse fumando maconha) e continua aprontando.
ALEFF — (tempo) Eu tive uma crise de asma. Quase morri. Era isso que você queria saber? Agora, posso sair?
IANE — Me conta sobre o namoradinho da Thailyz.
ALEFF — Ai, saco… que quer saber dele?
IANE — Tudo o que você sabe.
CENA 11. SHOPPING. FRENTE LOJA MASCULINA. EXT. DIA.
Christian e Darwin observando a loja de Liége de longe.
CHRISTIAN — Você entendeu o plano?
DARWIN — Aham. Tirar uma foto da Liége junto com o comedor dela.
CHRISTIAN — Isso. Mas tem que ser uma foto bem picante.
DARWIN — É mais ou menos essa hora que ela saiu pro motel com ele, aquele dia.
CHRISTIAN — É. Tomara que a gente dê sorte.
DARWIN — Falando em sorte, olha ela vindo ali.
CHRISTIAN — Se esconde.
Christian se esconde atrás de um manequim, Darwin se vira de costa para ela e finge admirar o manequim. Liége no celular sai da loja sem percebê-los. Eles olham ela sair. Christian olhando escondido.
DARWIN — Isso… agora, lá vem o macho.
Leonard sai da loja e segue na mesma direção de Liége.
CHRISTIAN — Vamos lá.
CENA 12. MIRIPITUBA. RUAS. EXTERIOR. DIA.
Liége dirigindo seu carro, com Leonard no banco do carona. Nem percebe estar sendo seguida por Christian e Darwin, que deixa um carro entre eles.
CHRISTIAN — (off) Não perde eles te vista.
DARWIN — (off) Sou profissional, meu querido. Sossega.
Imagens deles seguindo o carro dela pelas ruas.
CENA 13. MOTEL. FRENTE. EXTERIOR. DIA.
Liége estaciona seu carro na entrada. Darwin estaciona do outro lado da rua. Christian vai tirando fotos deles.
DARWIN — E os bombinhos chegam ao ninho. Que gente depravada. Ela deve pagar em dinheiro.
CHRISTIAN — Ah, que coisa. Nenhuma ficou boa. Merda.
DARWIN — Como você é ruim nisso, hein?! Tem alguma coisa que você sabe fazer direito?
CHRISTIAN — Olha quem falando.
DARWIN — É que sempre fizeram essa pergunta pra mim, eu sempre quis fazer ela pra alguém.
CHRISTIAN — Tá, deixa de papagaiada e vamos entrar.
DARWIN — O quê? Entrar? E se passar por boiola? Não! Nem pensar. Eu tenho meus princípios. Imagina se alguém me vê entrando no motel junto com um homem. Cê tá de sacanagem…
CHRISTIAN — Como você é um troglodita, meu Deus do céu. Darwin, para de frescura. Como que a gente vai conseguir entrar no motel sem …
DARWIN — Não, não… invade, pula o muro. Eu não vou passar por ridículo. E tem outra, eu com essa cara de machão aqui, nunca que eles acreditariam que eu sou viado. Eu não vou!
CENA 14. MOTEL. RECEPÇÃO. INTERIOR. NOITE.
Darwin bem afeminado, com Christian do lado. Falando com a atendente.
DARWIN — Hello, amiga! Tudo bom, mona? Ai, que tudo esse batom, sua louca!
RECEPCIONISTA — Oi!! Gostou? É cor de uva.
DARWIN — Um roxo poderoso… amei.
RECEPCIONISTA — Ai, obrigada! Combina com minhas unhas!
DARWIN — Ma-ra-vi-lho-sa! Ai, que tudo, menina! (ao Chris) Olha, querido! Que lindo, não é?
CHRISTIAN — (sem jeito) É, lindo.
DARWIN — (p/ recep.) Olha, tô aqui com meu crush. Bofe escândalo! Tímido ele. Ele ficou assim desde quando a “Emi-emi House” morreu. Era fã dela.
RECEPCIONISTA — Emi-Emi… Fala da Amy Wanehouse?
DARWIN — Essa mesma!! Essa aí. Mc House. Aham. Mas ele se contentou com a Lady Perry. Essa daí…
CHRISTIAN — Desculpe interromper, será que nós podemos?
DARWIN — Tá, já vamos… nossa. Que homem nervoso. É que faz tempo que a gente não.. (risinho) Você sabe. Bom, amor… a gente quer a mais baratinha. Não precisa ser nada muito chique, sabe? Que no fogo que esse aqui está, não precisa nem de cama. (risadas) Uma cadeira, já resolve…!
RECEPCIONISTA — Claro. Ó, é o número 32. É a esquerda.
DARWIN — Ah, obrigado, queridinha… Até mais, linda. (saindo) Adorei ela!
Darwin entra no motel com o carro, Christian morrendo de vergonha.
CENA 15. MOTEL. GARAGEM 32. EXT. DIA.
Falas enquanto estacionam o carro e descem dele.
CHRISTIAN — Que baitolagem foi aquela?
DARWIN — Que? Eu entrei no personagem! Fui convincente, não era isso que você queria?
CHRISTIAN — Precisava ter se esforçado tanto?
DARWIN — Olha aqui, para de me atazanar se não (estalando os dedos) eu dou na tua cara, mona!
CHRISTIAN — Cala essa boca! Roxo poderoso, eu mereço isso… vamos procurar a porra do carro dela!
CENA 16. MOTEL. SUÍTE 3. INTERIOR. DIA.
Liége joga Leonard na cama.
LEONARD — Eba… hoje tem alguém com vontade..!
LIÉGE — Hoje eu tenho uma surpresa pra nós.
LEONARD — Surpresa? Eu adoro surpresa… Que é?
LIÉGE — Espera… (riso) Eu já volto.
LEONARD — Já volta? Não… peraí.
LIÉGE — Apresadinho…
LEONARD — A gente não tem muito tempo, ainda temos que voltar pra loja…
LIÉGE — Eu sou a gerente, bobo… relaxa… e goza.
LEONARD — Desse jeito eu vou me queimar com tanto fogo.
Liége vai para o banheiro com olhares sedutores. Leonard adorando.
CENA 17. MOTEL. PÁTIO. EXTERIOR. DIA.
Darwin e Christian se encontram.
CHRISTIAN — Achou o carro dela? Tá em qual garagem?
DARWIN — Sim, tá na suíte 3.
CHRISTIAN — Beleza… me espera lá. Eu vou ver se consigo uma coisa. Se liga nas câmeras, (indicando) tem uma ali e outra naquele canto.
Cada um vai para um canto.
CENA 18. MOTEL. SUÍTE 3. INTERIOR. DIA.
Leonard deitado na cama, peladinho, na espera. Ambiente escuro. A porta do banheiro abre, a mão de Liége com um controle de rádio aparece, ela dá o comando e as luzes começam a piscar e rodopiar iluminando o quarto, e começa a tocar: Lady Gaga – Alejandro. Primeiro ela mostra o braço, e sai do banheiro dançando a música. Uma roupa preta, bem sexy. Ela dá umas balançadas na cintura, no ritmo da música. Vai até o pole dance. Dança nele, se mexe de um lado, para o outro. Rebola. Dá tapa em sua bunda. Leonard assiste seu desempenho adorando. Continua dançando, sobe no poste, faz pose. Leonard vibrando! Liége vai se aproximando, pega uma algema da sacola… Leonard se intimida. Ela põe nele, e o prende na cama. Giro de câmera, ele preso. Ela sobe encima dele. Liége coloca uma venda preta nele. Tira um chicote do lado… e começa a bater. Ele grita e adora. Ela o pega pelos cabelos e lhe dá beijos na boca, e vai beijando-o pelo corpo todo. Corte, a CAM vai rodando em volta deles: hora do sexo; ela por cima, passando a mão pelo seu corpo, trocando as posições, na beira da cama; de pé; deitados…
CENA 19. MOTEL. RECEPÇÃO. EXTERIOR. DIA.
Recepcionista no computador. Chega Christian até ela.
CHRISTIAN — Oi. Eu tô tentando ligar do meu telefone do quarto, não tô conseguindo. Deve estar quebrado.
RECEPCIONISTA — É? E o que o senhor deseja?
CHRISTIAN — Um sanduiche. Isso. Um sanduiche. Qualquer sanduiche. Tô com uma fome do cão. Vocês servem?
RECEPCIONISTA — Claro. Eu mando entregar no seu quarto. Que é o..?
CHRISTIAN — O 32. É, o 32. Você fuma? Você não teria um aí, pra me dar? Nossa, eu esqueci de comprar o meu.
RECEPCIONISTA — Não fumo.
Chega um carro para entrar. Ela se vira para atender. Christian dá uma olhada e encontra um molho de chaves e pega sem que ela perceba.
CHRISTIAN — Tá bom então, eu vou indo lá. Depois leva o sanduíche, por favor.
Christian sai.
CENA 20. MOTEL. GARAGEM SUÍTE 3. EXT. DIA.
Darwin com os ouvidos na porta. Chega Christian, falando baixo.
CHRISTIAN — Que tá fazendo?
DARWIN — Tentando ouvir.
CHRISTIAN — Pervertido do caralho, sai daí. Tem certeza que é esse o carro dela?
DARWIN — Tenho. É a mesma placa.
CHRISTIAN — (mostrando o molho de chave) Olha o que eu consegui. Tomara que uma dessas seja.
DARWIN — Tá, tenta aí.
Christian vai tentando as chaves.
CENA 21. MOTEL. SUÍTE 3. INT. DIA.
Liége e Leonard na banheira, transando aos beijos.
CENA 22. MOTEL. GARAGEM SUÍTE 3. EXT. DIA.
Christian não consegue abrir a porta, com nenhuma chave.
CHRISTIAN — Merda, nenhuma abre. Ilusão minha achar que seria tão fácil.
DARWIN — Como você ia abrir a porta e dar de cara com a mulher?
CHRISTIAN — Eu estou me deixando levar pela emoção. Tem alguma ideia melhor? Eu só preciso de uma foto. Já tentei todas as chaves, nenhuma abre essa porra.
DARWIN — Vem comigo!
CHRISTIAN — Aonde?
DARWIN — Vem, caralho!
CENA 23. MOTEL. FUNDOS. EXTERIOR. DIA.
Darwin aparece, se escorando na parede. Christian logo atrás. Darwin faz sinal para ele, mostrando uma janela aberta.
DARWIN — A janela do banheiro. (piscar)
CHRISTIAN — Boa garoto! Até que enfim usou a cabeça.
DARWIN — Porra, já tentou me elogiar sem esculachar alguma vez na vida?
CHRISTIAN — Anda. Se abaixa aí. Me dá um apoio pra eu chegar até ali. Vai.
DARWIN — O quê? Eu tenho que… não! Você já me fez muito de gato e sapato, negativo.
CHRISTIAN — Rápido, Darwin! A gente não pode perder eles trepando. Para com essas frescuras.
DARWIN — Então você se abaixa aí e eu subo encima de você pra tirar a foto.
CHRISTIAN — Mas que merda! Sempre de mimimi, cacete! Olha aqui, se eu não conseguir tirar essa foto hoje, as coisas vão ficar pior pro nosso lado! Que quê cê quer? Quer que o Iuri venha bater na tua porta de novo? É isso que você quer? Eu acho que não! Então, não empaca com o plano! (puxando ele para a posição) Abaixa aí antes que eu acabe com a tua raça antes do Iuri.
DARWIN — (resmungando) Saco mesmo. Sempre isso…
CHRISTIAN — Fica quieto aí. Não vai me derrubar.
DARWIN — Tomara que caia e bata cabeça.
CHRISTIAN — Cala boca.
Christian sobe nas costas de Darwin. Quase cai. Outra tentativa, ele consegue se apoiar na janela.
CENA 24. MOTEL. RECEPÇÃO. INT. DIA.
Recepcionista termina de atender uns clientes que estão saindo. Ela dá uma olhada no seu monitor do computador. E vê: Bem no canto da tela; sem ver os rostos deles, Christian encima de Darwin, tentando subir pela janela. Ela estranha o que vê, e constata:
RECEPCIONISTA — Merda… Tão tentando invadir. (pegar o telefone, discar) Alô, Jeferson! Estão tentando invadir a suíte 3, pela janela! Deve ser os vagabundos aqui da vila do lado! Eu vou chamar a polícia! Solta os cachorro nesses vagabundos!
CENA 25. MOTEL. SUÍTE 3. BANHEIRO/FUNDOS. INT/EXT. DIA.
Liége e Leonard continuam trocando suas caricias. Na janela, vemos Christian tirando fotos com celular.
Darwin não tá aguentando o peso de Christian.
DARWIN — Vamos cara..!! Que porra…
Leonard puxa Liége para o quarto.
LEONARD — Vem que eu tenho outra surpresa pra você!
LIÉGE — Eu adoro.
Darwin se esforçando ao máximo. Ouvimos latidos. Darwin olha e leva um susto ao ver dois cachorros enormes vindo em sua direção.
DARWIN — CARALHO!! Cachorro, maluco!!
Com o susto Darwin levanta Christian mais pra cima, e sai correndo, Christian se segura na janela e tenta se apoiar, e faz força e o cachorro dá um pulo e pega uma mordida em sua calça e tenta puxar pra baixo, até que a calça rasga e Christian cai dentro do banheiro, se levanta rápido.
LIÉGE — (off) Que foi isso? Você ouviu?
LEONARD — (off) Fica aí que eu vou ver!
Christian se esconde em baixo da pia do banheiro, atrás de uns roupões, Leonard entra no banheiro, olhando, vai para a janela e vê um cachorro latindo pra ele. Christian escondido. Liége aparece.
LIÉGE — Que houve?
LEONARD — Não sei. Tem um cachorro latindo que nem doido aqui fora. Vou reclamar na recepção depois.
LIÉGE — Será que fizemos barulho demais, que chegou aguçar os instintos do animal?
LEONARD — Você é capaz disso? Por isso que com você fico bem selvagem.
Leonard agarra Liége e os dois vão saindo do banheiro aos beijos. CAM vai até Christian suando frio.
CENA 26. MOTEL. GARAGEM 32. EXT. DIA.
Darwin entra correndo em seu carro. O cão vem atrás dele, mas não consegue pega-lo e fica latindo na porta.
DARWIN — Há-há! Otário! Seu otário! Quer me morder? Quer me morder! Otário… Au, au pra você também! Vira-lata do caralho! Au, au saco de pulgas!
O cachorro continua latindo pra ele.
CENA 27. MOTEL. SUÍTE 3. INTERIOR. DIA.
Liége e Leonard no maior “love” e Christian passando agachado por eles, para não ser visto, vai até onde tem umas cortinas decorando. Escondido ele começa a filmar os dois fazendo sexo. CAM mostrar seu celular filmando os dois na cama. Ele desliga o celular, vai de costas até a porta, sem fazer muito barulho e sai.
CENA 28. MOTEL. GARAGEM 32. EXT. DIA.
Cachorro ainda latindo para Darwin no carro.
DARWIN — Passa! Passa! Cachorro burro.
Ouve-se um assobio. O cachorro sai correndo.
CENA 29. MOTEL. PÁTIO. EXTERIOR. DIA.
A recepcionista junto com o segurança. O cachorro que estava tentando pegar Darwin aparece, o segurança o prende na coleira. Christian aparece como plano de fundo deles, e se esconde. A recepcionista preocupada.
RECEPCIONISTA — Não conseguiu pegar eles? Eles só podem ser os vagabundos ali daquela favela, de novo. Eu chamei a polícia. Daqui a pouco eles estão aí. Melhor guardar os cachorros.
Cada um vai para um lado. Christian ouviu a conversa e olha para os lados antes de continuar seu caminho.
CENA 30. MOTEL. QUARTO 32. EXTERIOR. DIA.
Christian e Darwin entram correndo no quarto. Christian ofegante, Darwin muito tenso.
DARWIN — Caralho, velho… só você pra me meter nessas roubadas… Como é que não te pegaram dentro daquele quarto?
CHRISTIAN — Mano… que sufoco. Apesar dessa ladaia toda, a batalha foi vencida.
DARWIN — Conseguiu tirar a foto?
CHRISTIAN — Melhor! (ligar o vídeo no celular) Pornô em alta definição!
DARWIN — Tá brincando…?
Darwin assisti ao vídeo boquiaberto.
DARWIN — Caralhoooo, maluco…
Os dois dão risadas e vibram por conseguirem.
CENA 31. MOTEL. SUÍTE 3. INTERIOR. DIA.
Leonard fazendo carinho em Liége. Ele dá um beijinho em sua boca e ela sorri.
LEONARD — Você me ama?
Liége hesita, olhando nos olhos deles, desconfortável.
LIÉGE — Leonard, nós já conversamos sobre isso.
LEONARD — Eu sei que já. Mas podemos voltar a falar. Eu sinto sua falta. Há quanto tempo estamos nessa de motelzinho às escondidas, Liége?
LIÉGE — Eu sou casada, tenho uma mãe que depende de mim. Toda uma estrutura familiar.
LEONARD — Eu só quero saber o que você sente por mim. Se você sentir o mesmo que eu sinto por você, nada é empecilho para ficarmos juntos.
LIÉGE — Para. Nós estamos juntos. (beijo) Vamos voltar a falar sobre isso outro dia. Agora, temos que voltar ao trabalho. Já estamos atrasados demais. Hoje você estava com a corda toda para uma rapidinha.
Risos deles. Mas ainda assim, Leonard demostra estar insatisfeito com a conversa.
CENA 32. DELEGACIA. SALA MEIER. INTERIOR. NOITE.
Meier solucionando mais um caso. Roger e Bryan presentes.
MEIER — … Com aquela quantidade exagerada de drogas, com certeza não era só pra consumo. Delibera aí, ô cabeça! Escreve aí pro juiz, um mandato de busca e apreensão. Vamos pegar esse marginal. Pronto. Fechou. Próximo! E o que temos?
BRYAN — Que ficou pendente, só o caso do colar.
MEIER — Ah é! (ao Roger) Isso é contigo! Fala aí, quê que cê tem pra mim?
ROGER — Na verdade, nada. Só o que eu disse hoje cedo. O cara não tá fazendo nada de anormal.
MEIER — Você precisa comer muito arroz com feijão, pra poder supor alguma coisa. Você acha mesmo que 4 milhões de dólares iam sumir assim? Eu quero os detalhes! Aonde ele andou? Com quem ele andou?
ROGER — Eu tenho anotado aqui. Ele começou a namorar recentemente uma garota chamada Thailyz Longaray. Filha do advogado Giovanni Longaray. E ele tem frequentado a casa deles recentemente, e naquela vila lá, naquele barraco que ele mora. Esses dois lugares… /
MEIER — Longaray… Longaray… Esse nome não me é estranho. Me trás a ficha dele aqui.
BRYAN — Qual?
MEIER — A antiga, animal!
BRYAN — Já está aí na sua mesa.
MEIER — Aonde? Ah! Tá aqui. (lendo) Biriri-bororó… vítimas… acidente e… blablabla… (susto) NÃO!!
Bryan e Roger levam um susto.
MEIER — Não é possível!
ROGER — Que foi?
MEIER — (alterado) Mas como que você não viu isso antes, sua anta patológica!?
ROGER — O quê?!
MEIER — (mostrando os documentos) Olha aqui! Olha aqui! Ele tá frequentando a casa de Liége Longaray! A mulher da batida de carro que houve há dez anos! Que a mãe dela ficou paraplégica e ele foi preso! Ele tá cercando elas, burro!
ROGER — Meu Deus…
MEIER — É teu Deus, mesmo! Reze pra ele, reze! Me da aqui esse telefone! Rápido!! Reabra uma investigação minuciosa em cima desse rapaz. E sai da minha sala antes que acerte isso aqui na sua cabeça!
Roger sai às pressas.
CENA 33. CASA LONGARAY. SALA. INTERIOR. NOITE.
Liége entra em casa. Thailyz vem da cozinha até ela.
LIÉGE — Oi, filha.
THAILYZ — Mãe, eu chamei o Christian pra vir aqui em casa. Espero que a senhora não se incomode.
Liége vai largando suas coisas no sofá, de costa para Thailyz e Christian aparece vindo da cozinha.
LIÉGE — Thailyz, acho uma péssima ideia. Antes de chamar esse rapaz aqui pra casa você precisa saber que ele…/ Ah, oi! Eu… (pigarro/sem jeito) Não sabia que você já estava aqui.
CHRISTIAN — Boa noite, dona Liége!
THAILYZ — A vovó está esperando a senhora. Eu e o Chris estamos fazendo brigadeiro. Vem amor!
Thailyz puxa Christian para a cozinha. Liége fica incomodada, e pensativa.
LIÉGE — Nossa, me veio uma lembrança de como se conhecesse ele. De onde eu conheço esse rapaz…?
CORTA
FIM DESTE EPISÓDIO





